Maria da Escócia

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Maria
Rainha dos Escoceses
Rainha da Escócia
Reinado 14 de dezembro de 1542
a 24 de julho de 1567
Coroação 9 de setembro de 1543
Predecessor Jaime V
Sucessor Jaime VI
Regentes
Rainha Consorte da França
Reinado 10 de julho de 1559
a 5 de dezembro de 1560
Predecessora Catarina de Médici
Sucessora Isabel da Áustria
Maridos Francisco II de França
Henrique Stuart, Lorde Darnley
Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell
Descendência
Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra
Casa Stuart
Pai Jaime V da Escócia
Mãe Maria de Guise
Nascimento 7/8 de dezembro de 1542
Palácio de Linlithgow, Linlithgow, Escócia
Morte 8 de fevereiro de 1587 (44 anos)
Castelo de Fotheringhay, Fotheringhay, Inglaterra
Enterro Catedral de Peterborough
Abadia de Westminster
Religião Catolicismo
Assinatura

Maria (Linlithgow, 7/8 de dezembro de 1542 – Fotheringhay, 8 de fevereiro de 1587), também conhecida como Maria Stuart, foi a Rainha da Escócia de 14 de dezembro de 1542 até sua abdicação em 24 de julho de 1567. Ela também foi Rainha Consorte da França como esposa de Francisco II de 10 de junho de 1559 a 5 de dezembro de 1560.

Maria foi a única descendente legítima sobrevivente do rei Jaime V da Escócia, tendo apenas seis dias de idade quando seu pai morreu e ela ascendeu ao trono. Passou a maior parte de sua infância na França enquanto a Escócia era governada por regentes, casando-se em 1558 com Francisco, Delfim da França. Ele ascendeu ao trono em 1559 como Francisco II e Maria brevemente se tornou sua consorte, porém ele acabou morrendo no final do ano seguinte. Ela voltou para a Escócia viúva, chegando em Leith no dia 19 de agosto de 1561. Maria se casou quatro anos depois com seu primo Henrique Stuart, Lorde Darnley, porém a união era infeliz. Sua residência foi destruída em fevereiro de 1567 em uma explosão, com Henrique sendo encontrado morto no jardim.

Acreditava-se que Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell, havia orquestrado a morte de Henrique, porém ele foi absolvido das acusações em abril de 1567 e se casou com Maria no mês seguinte. Após um levante contra o casal, ela foi aprisionada no Castelo de Lochleven. Maria foi forçada a abdicar em 24 de julho em favor de seu filho com Henrique, Jaime, então com apenas um ano de idade. Depois de uma tentativa mal sucedida de reconquistar o trono, ela fugiu procurando a proteção de sua prima rainha Isabel I de Inglaterra. Maria anteriormente havia reivindicado o trono de Isabel para si mesma e foi considerada como a legítima soberana da Inglaterra por católicos ingleses, incluindo os participantes da rebelião conhecida como Rebelião do Norte. Vendo-a como uma ameaça, Isabel aprisionou-a em vários castelos e mansões no interior do país. Depois de dezoito anos e meio, Maria foi condenada por tramar o assassinato de Isabel, sendo decapitada em 1587 aos 44 anos

Infância e início de reinado[editar | editar código-fonte]

O Palácio de Linlithgow, local de nascimento de Maria.

Maria nasceu no dia 7 ou 8 de dezembro de 1542[nota 1] no Palácio de Linlithgow, Escócia, filha do rei Jaime V e sua segunda esposa Maria de Guise.[1] Afirma-se que ela nasceu prematura e foi a única descendente legítima de Jaime a sobreviver.[2] Era neta de Margarida Tudor, irmã mais velha do rei Henrique VIII de Inglaterra, sendo assim sobrinha neta do rei inglês. Ela ascendeu ao trono seis dias após seu nascimento quando seu pai morreu, talvez por conta de uma crise nervosa depois da Batalha de Solway Moss[3] ou por ter bebido água contaminada durante a campanha.[4]

Uma lenda popular registrada pela primeira vez por João Knox diz que Jaime, ao ouvir em seu leito de morte que sua esposa havia dado à luz uma menina, tristemente exclamou que "Começou com uma moça, acabará com uma moça!"[nota 2] A Casa de Stuart havia ganho o trono da Escócia pelo casamento de Marjorie Bruce, filha do rei Roberto I, com Valter Stewart, 6.º Alto Comissário da Escócia. A coroa chegou em sua família através de uma mulher e seria tirada através de uma mulher. Essa afirmação lendária virou realidade dois séculos depois – apesar de não com Maria, mas sim com sua descendente a rainha Ana da Grã-Bretanha.[5]

Maria foi batizada pouco depois de seu nascimento na Igreja Paroquial de São Miguel.[6] Rumores se espalharam dizendo que ela era fraca e frágil,[7] porém o diplomata inglês Ralph Sadler viu a criança no Palácio de Linlithgow em março de 1543 e escreveu: "é uma criança tão boa quanto eu já vi de sua idade, e provavelmente viverá".[8]

A Escócia foi governada por regentes até Maria alcançar a idade adulta já que ela era um bebê quando herdou o trono. Desde o início haviam dois reivindicantes ao cargo: o primeiro era o católico cardeal David Beaton e o segundo era o protestante Jaime Hamilton, 2.º Conde de Arran e o seguinte na linha de sucessão. A reivindicação de Beaton vinha de uma versão do testamento do rei que seus oponentes dispensaram como falso.[9] [nota 3] Hamilton conseguiu se tornar regente com o apoio de seus amigos e parentes, ficando no cargo até 1554 quando foi removido do cargo por Maria de Guise.[10]

Tratado de Greenwich[editar | editar código-fonte]

Moeda de 1553: anverso, brasão da Escócia; reverso, monograma real.

Henrique VIII aproveitou a oportunidade da regência escocesa para propor o casamento entre Maria e seu filho Eduardo, tendo a esperança de uma união da Escócia com a Inglaterra. Quando a rainha tinha apenas seis meses de idade, foi assinado em 1 de julho de 1543 o Tratado de Greenwich, que dizia que Maria casaria-se com Eduardo aos dez anos de idade e mudaria-se para a Inglaterra onde Henrique poderia supervisionar seu crescimento.[11] O tratado ditava que os dois países permaneceriam legalmente separados e que caso o casal não tivesse filhos a união temporária seria dissolvida.[12] Porém, Beaton voltou ao poder e começou a defender uma política pró-católica e pró-francesa, enfurecendo Henrique que queria quebrar a aliança escocesa com a França.[13] O cardeal queria levar Maria para longe da costa até a segurança do Castelo de Stirling. Hamilton resistiu a mudança, porém cedeu quando os apoiadores armados de Beaton se reuniram em Linlithgow.[14] Mateus Stewart, 4.º Conde de Lennox escoltou Maria e Maria de Guise com três mil homens até Stirling em 27 de julho de 1543.[15] A rainha foi coroada em 9 de setembro de 1543 na capela do castelo[16] com "tal solenidade como eles usam neste país, que não é muito custosa", de acordo com Sadler e Henrique Ray.[17]

Henrique prendeu mercadores escoceses indo para a França pouco depois da coroação, confiscando as mercadorias. As prisões causaram fúria na Escócia e Hamilton juntou-se a Beaton e converteu-se ao catolicismo.[18] Em dezembro o Tratado de Greenwich foi repudiado pelo parlamento escocês.[19] A rejeição do tratado de casamento e a renovação da Velha Aliança com a França fez Henrique partir para o "Rude Cortejo", uma campanha militar que tinha a intenção de impor o casamento de Maria com Eduardo. As forças inglesas realizaram vários ataques contra o território escocês e francês.[20] Edimburgo foi saqueada em maio de 1544 por Eduardo Seymour, 1.º Conde de Hertford, e a rainha foi levada para Dunkeld por segurança.[21]

Beaton foi assassinado em maio de 1546 por membros protestantes da pequena nobreza,[22] e em 10 de setembro de 1547 – nove meses após a morte de Henrique e a ascensão de Eduardo VI – os escoceses sofreram uma enorme derrota na Batalha de Pinkie Cleugh. Os guardiões de Maria temiam por sua segurança e a enviaram para o Priorado de Inchmahome durante três semanas e pediram a ajuda dos franceses.[23]

O rei Henrique II de França propôs unir a França e a Escócia através do casamento da jovem rainha com seu filho de três anos de idade, Francisco, Delfim da França. Hamilton concordou com o casamento por causa da promessa de ajuda militar francesa e um ducado francês para si próprio.[24] Maria mudou-se outra vez em fevereiro de 1548 para sua segurança, desta vez para o Castelo de Dumbarton.[25] Os ingleses deixaram um rastro de devastação e tomaram a importante cidade de Haddington. A muito esperado auxílio francês chegou em junho em Leith, cercando e tomando de volta Haddington. O parlamento escocês se reuniu em 7 de julho de 1548 em um convento perto da cidade e concordou com o tratado de casamento francês.[26]

Vida na França[editar | editar código-fonte]

Maria, então com cinco anos, foi enviada para a França e passou os próximos treze anos na corte francesa. A frota enviada por Henrique II era comandada por Nicolas Durand de Villegaignon e partiu de Dumbarton com a rainha em 7 de agosto de 1548, chegando em Roscoff ou Saint-Pol-de-Léon na Bretanha cerca de uma semana depois.[27] [28]

Maria c. 1555–59.

Ela foi acompanhada por sua própria corte que incluia dois meio-irmãos ilegítimos e "quatro Marias", quatro garotas de mesma idade todas chamadas Maria e que eram filhas de algumas das famílias mais nobres da Escócia: Beaton, Seton, Fleming e Livingston.[29] Sua governanta foi Janet Stewart, Lady Fleming e mãe de Maria Fleming, além de filha ilegítima de Jaime IV.[30]

Maria foi descrita por comteporâneos como vivaz, bonita e inteligente, tendo uma infância promissora.[31] Era a favorita de todos na corte francesa, com a exceção da rainha consorte Catarina de Médici.[32] [nota 4] Maria aprendeu a tocar alaúde e virginal, sendo competente na escrita, poesia, equitação, falcoaria e bordado, também aprendendo a falar francês, italiano, latim, espanhol e grego, além de falar seu nativo scots.[33] Ela ficou muito amiga de sua futura cunhada Isabel de Valois, de quem Maria "manteve memórias nostálgicas depois na sua vida".[34] Sua avó materna Antonieta de Bourbon foi outra forte influência em sua infância,[35] atuando como uma de suas principais conselheiras.[36]

Retratos mostram que Maria tinha uma cabeça pequena e com formato oval, um pescoço longo e delicado, cabelo ruivo claro, olhos castanhos, pálpebras pesadas e abaixadas, sobrancelhas finas e arqueadas, pele branca, uma testa alta e características firmes e regulares. Ela foi considerada uma criança bonita e depois, quando adulta, uma mulher muito atraente.[37] Em algum momento da infância ela pegou varíola, porém a doença não deixou marcas.[38]

A rainha era eloquente e extraordinariamente alta para os padrões do século XVI (quando adulta ela chegou a medir 1,80 m),[39] enquanto seu marido Francisco era gago e anormalmente baixo. Henrique II comentou que "desde o primeiro dia que se conheceram, meu filho e ela se deram bem juntos como se já se conhecessem há muito tempo".[40] Maria assinou um acordo secreto em 4 de abril de 1558 legando a Escócia e sua reivindicação aos tronos inglês e francês caso ela morresse sem deixar herdeiros.[41] Vinte dias depois ela se casou com o delfim na Catedral de Notre-Dame de Paris, com Francisco tornando-se rei consorte da Escócia.[42] [43]

Pretensão ao trono inglês[editar | editar código-fonte]

Francisco e Maria c. 1559.

Eduardo VI havia morrido em julho de 1553 e fora sucedido por sua meia irmã Maria I, que morreu em novembro de 1558 e por sua vez foi sucedida por sua única meia-irmã ainda viva Isabel I. Sob o Terceiro Ato de Sucessão aprovado em 1543 pelo parlamento inglês, Isabel foi reconhecida como herdeira de seu meio-irmão e meia-irmã, enquanto o testamento de Henrique VIII excluiu a Casa de Stuart da linha de sucessão da Inglaterra. Mesmo assim, Eduardo e Isabel eram vistos por muito católicos como ilegítimos, e que assim Maria da Escócia era a verdadeira rainha inglesa como descendente de Margarida Tudor.[44] Henrique II proclamou que seu filho e sua nora eram os rei e rainha da Inglaterra, fazendo com que o brasão real inglês fosse impalado com o francês de Francisco e o escocês de Maria.[45] Sua reivindicação ao trono da Inglaterra foi um ponto de discórdia permanente entre ela e Isabel.[46]

Henrique II se feriu durante uma justa e morreu em 10 de julho de 1559, assim Francisco, então com quinze anos de idade, ascendeu ao trono com Maria, com dezesseis anos, sendo sua consorte.[47] Os tios da rainha, Francisco, Duque de Guise, e Carlos, Cardeal de Lorena, passaram a dominar a política francesa[48] em uma ascensão chamado por alguns historiadores como "a tirania guisiana".[49]

O poder dos protestantes Lordes da Congregação na Escócia estava crescendo às custas de Maria de Guise, que mantinha controle efetivo apenas através do uso de tropas francesas.[50] Os lordes protestantes convidaram tropas inglesas a entrarem na Escócia em uma tentativa de assegurar o protestantismo; ao mesmo tempo, um levante huguenote em março de 1560 na França chamado Conjuração de Amboise impediu que os franceses enviassem apoio.[51] Assim os irmãos Guise enviaram embaixadores para negociar um acordo.[52] Maria de Guise morreu em 11 de junho de 1560 e a questão do futuro das relações franco-escocesas era urgente. Sob os termos do Tratado de Edimburgo assinado pelos embaixadores de Guise em 6 de julho, os franceses e ingleses retiraram suas tropas do território escocês e a França reconheceu Isabel como a legítima rainha da Inglaterra. Entretanto, Maria, então com dezessete anos e ainda lamentando a morte da mãe, se recusou a ratificar o tratado.[53]

Retorno à Escócia[editar | editar código-fonte]

Maria de luto com um vestido branco. Ela recebeu a alcunha de La Reine Blanche ("a Rainha Branca").[54]

Francisco II morreu em 5 de dezembro de 1560 de uma otite média que gerou um abscesso no seu cérebro. Maria ficou devastada.[55] Sua sogra Catarina de Médici tornou-se a regente do novo rei Carlos IX, então com dez anos de idade, irmão mais novo de Francisco.[56]

Maria voltou para a Escócia nove meses após a morte de Francisco, chegando em Leith no dia 19 de agosto de 1561.[57] Ela tinha pouca experiência direta com a complexa situação política de seu país natal já que tinha vivido desde os cinco anos de idade na França.[58] Era vista com suspeita por muitos de seus súditos e por Isabel I por ser católica.[59] O reino estava dividido entre facções católicas e protestantes, com seu meio-irmão ilegítimo Jaime Stewart, 1.º Conde de Moray, sendo um dos líderes protestantes.[60] O reformista protestante João Knox pregou contra Maria, condenando-a por ir a missa, dançar e se vestir de maneira muito elaborada.[61] A rainha o convocou para sua presença para argumentar com ele, sem sucesso, mais tarde acusando Knox de traição, porém ele depois foi inocentado e libertado.[62]

A rainha tolerou a recém estabelecida ascendência protestante, para a decepção do partido católico,[63] e ainda manteve seu meio-irmão como seu principal conselheiro.[64] Seu conselho privado foi nomeado em 6 de setembro de 1561 e era formado por dezesseis homens, mantendo aqueles que já possuíam cargos de estado e sendo dominado por líderes protestantes da crise reformista de 1559–60: Jaime Stewart, Arquibaldo Campbell, 5.º Conde de Argyll, e Alexandre Cunningham, 5.º Conde de Glencairn. Apenas quatro concelheiros eram católicos: João Stewart, 4.º Conde de Atholl; Jorge Hay, 7.º Conde de Erroll; Guilherme Graham, 2.º Conde de Montrose; e Jorge Gordon, 4.º Conde de Huntly e também Lorde Chanceler.[nota 5] A historiadora moderna Jenny Wormald considerou esse conselho notável, sugerindo que a falha de Maria em não nomear um conselho simpático aos interesses católicos e franceses era uma indicação de seu foco no desejo de tomar o trono inglês sobre os problemas internos da Escócia. Mesmo a significante adição posterior de Patrício Ruthven, 3.º Lorde Ruthven, em dezembro de 1563 era de um outro protestante que a rainha pessoalmente não gostava.[65] Nisso ela reconheceu sua falta de poder militar efetivo com os lordes protestantes, enquanto ao mesmo tempo seguia uma política que fortalecia seus laços com a Inglaterra. Ela se juntou em 1562 a Jaime Stewart na destruição de Jorge Gordon, o principal magnata católicos do país, depois dele ter liderado uma rebelião nas Terras Altas contra a rainha.[66]

Maria c. 1560, por François Clouet.

Maria enviou Guilherme Maitland como embaixador na corte inglesa para apresentar o caso de nomeá-la herdeira presuntiva da Inglaterra. Isabel se recusou a nomear um herdeiro em potencial, temendo que isso instigaria conspirações para tirá-la do poder pelo sucessor nomeado.[67] Entretanto, ela garantiu a Maitland que não conhecia ninguém com melhor reivindicação que Maria.[68] Arranjos foram feitos no final de 1561 e início de 1562 para que as duas rainhas se encontrassem em Iorque ou Nottingham em agosto ou setembro de 1562, porém Isabel enviou sir Henrique Sidney em julho para cancelar por causa das guerras religiosas na França.[69]

A rainha então virou sua atenção para encontrar um novo marido na realeza europeia. Porém, seu tio Carlos, Cardeal de Lorena, começou negociações com o arquiduque Carlos da Áustria sem seu consentimento e ela ficou contra, fazendo com que as negociações ruissem.[70] Sua própria tentativa de negociar uma união com Carlos, Príncipe das Astúrias e o herdeiro aparente mentalmente instável do rei Filipe II de Espanha, foram barradas por Filipe.[71] Isabel tentou neutralizar Maria sugerindo que ela se casasse com o protestante inglês Roberto Dudley, 1.º Conde de Leicester, um dos favoritos da rainha inglesa quem ela confiava e achava que podia controlar.[72] Ela enviou o embaixador Tomás Randolph para a Escócia a fim de dizer a rainha que caso ela se casasse com um nobre inglês, Isabel iria "proceder à inquisição de seu direito e título para ser nosso próximo primo e herdeiro".[73] A proposta levou a nada, com um dos motivos sendo a falta de interesse e relutância do noivo.[74]

Por outro lado, o poeta francês Pierre de Bocosel de Chastelard aparentemente ficou apaixonado pela rainha.[75] Ele foi descoberto durante uma varredura de segurança no início de 1563 escondido debaixo da cama dela, aparentemente planejando surpreendê-la quando estivesse sozinha para declarar seu amor. Maria ficou horrorizada e o baniu da Escócia. Ele ignorou o édito e dois dias depois invadiu os aposentos dela quando a rainha estava prestes a trocar de roupa. Maria reagiu com fúria e medo, e quando Stewart entrou respondendo aos seus gritos de socorro, ela ordenou "Enfie seu punhal no vilão!", que Stewart se recusou a fazer pois Chastelard já estava imobilizado. O poeta foi julgado por traição e decapitado.[76] Maitland afirmou que o ardor de Chastelard era fingido e que ele era parte de um plano huguenote para descreditar Maria ao manchar sua reputação.[77]

Casamento com Lorde Darnley[editar | editar código-fonte]

Henrique Stuart e Maria.

Maria conheceu brevemente Henrique Stuart, Lorde Darnley, em fevereiro de 1561 enquanto ainda estava de luto por Francisco. Os pais de Henrique eram Mateus Stewart, 4.º Conde de Lennox, e Margarida Douglas, que eram aristocratas escoceses e também donos de terras ingleses que enviaram o filho para a França para dar condolências a rainha e também na esperança de uma futura união entre os dois.[78] Tanto Maria quanto Henrique eram netos de Margarida Tudor e descendentes patrilineares dos Altos Comissários da Escócia. Ele partilhava uma linhagem recente com o clã Hamilton como descendente de Maria Stewart, filha do rei Jaime II. Os dois se encontraram novamente em 17 de fevereiro de 1565 no Castelo de Wemyss,[79] com Maria se apaixonando[80] pelo "rapaz comprido" (como Isabel o chamava – ele tinha mais de 1,80 m de altura).[81] Eles se casaram em 29 de julho de 1565 no Palácio de Holyrood, mesmo com ambos sendo católicos e sem a dispensa papal necessária por serem primos diretos.[82] [nota 6]

Os políticos ingleses Guilherme Cecil e Roberto Dudley trabalharam para conseguirem a licença de Henrique para ele viajar da Inglaterra até a Escócia.[83] Isabel se sentiu ameaçada pelo casamento, apesar de terem sido seus conselheiros a juntarem o casal, porque como ambos eram descendentes de sua tia, tanto Maria quanto Henrique eram reivindicantes ao trono inglês[84] e seu filho herdaria uma reivindicação combinada ainda mais forte.[85] Porém, a insistência da rainha escocesa pelo casamento parece ter vindo de paixão ao invés de cálculos políticos. O embaixador inglês Nicolau Throckmorton afirmou que "a palavra é que ela [Maria] certamente está enfeitiçada",[86] complementando que o casamento só poderia ser evitado "pela violência".[87] A união enfureceu Isabel que achava que o matrimônio não deveria ter acontecido sem sua permissão já que Henrique era tanto seu primo quanto um súdito inglês.[88]

Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell.

O casamento de Maria com um católico fez seu meio-irmão Jaime Stewart se juntar aos lordes protestantes em uma rebelião, incluindo Arquibaldo Campbell, 5.º Conde de Argyll, e Alexandre Cunningham, 5.º Conde de Glencairn.[89] A rainha foi embora de Edimburgo em 26 de agosto de 1565 a fim de confrontá-los; Stewart chegou na cidade no dia 30, porém logo partiu depois de não ter conseguido tomar o castelo. Maria voltou para a capital no mês seguinte para reunir mais tropas.[90] No Ataque de Chaseabout, Maria e suas forças e Stewart com os lordes revoltosos rodaram pela Escócia sem nunca entrarem em combate direito. Os números da rainha aumentaram com a libertação Jorge Gordon, 5.º Conde de Huntly, e o retorno da França de Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell.[91] Stewart não conseguiu arranjar apoio suficiente e pediu asilo na Inglaterra em outubro.[92] Maria ampliou seu conselho privado para incluir tanto católicos (João Lesley, Bispo de Ross; e Simão Preston, Reitor de Edimburgo) e protestantes (Jorge Gordon; Alexandre Gordon, Bispo de Galloway; João Maxwell de Terregles e sir Jaime Balfour).[93]

Henrique logo ficou arrogante. Ele exigiu a Coroa Matrimonial por estar insatisfeito com sua situação de rei consorte, o que o faria co-soberano da Escócia e com o direito de manter o trono para si mesmo caso vivesse mais que a esposa.[94] Maria recusou o pedido e o casamento dos dois ficou tenso mesmo com ela engravidando em outubro de 1565. Henrique ficou com ciúmes da amizade da rainha com seu secretário católico David Rizzio, que certos rumores apontavam como o verdadeiro pai da criança.[95] Henrique entrou em março de 1566 em uma conspiração com os lordes protestantes, que incluíam os nobres que anteriormente haviam se rebelado contra Maria no Ataque de Chaseabout.[96] Um grupo de conspiradores, acompanhados pelo rei consorte, assassinou Rizzio em 9 de março na frente de Maria durante um jantar no Palácio de Holyrood.[97] Henrique ficou desiludido e trocou de lado dois dias depois, e a rainha recebeu Stewart no palácio.[98] Henrique e Maria escaparam na noite do dia 11 para o 12 de março e se refugiaram temporariamente no Castelo de Dunbar, retornando para Edimburgo no dia 18.[99] Os rebeldes Stewart, Campbell e Cunningham voltaram para o conselho.[100]

Assassinato de Henrique[editar | editar código-fonte]

Kirk o' Field por Guilherme Cecil, desenhado pouco depois do assassinato de Henrique em 1567.

Jaime, filho de Maria e Henrique, nasceu em 19 de junho de 1566 no Castelo de Edimburgo, porém o assassinato de Rizzio levou inevitavelmente ao colapso do casamento.[101] Enquanto estava hospedada em Jedburgo nas Fronteiras Escocesas em outubro do mesmo ano, Maria cavalgou por pelo menos quatro horas para visitar Jaime Hepburn no Castelo Hermitage, onde ele estava doente por causa de ferimentos adquiridos durante um ataque de foras da lei.[102] A viagem depois foi usada por seus inimigos como evidência que os dois eram amantes, apesar de nenhuma suspeita ter aparecido na época e a rainha esteve acompanhada por guardas e conselheiros.[103] Ela sofreu uma séria doença imediatamente ao voltar para Jedburgo, frequentemente vomitando, perdendo a visão, perdendo a fala, tendo convulsões e passando por períodos de falta de consciência. Acreditou-se que Maria estava morrendo. Sua recuperação a partir de 25 de outubro foi creditada para seus médicos franceses.[104] Não se sabe a causa da doença; os diagnósticos incluem exaustão física e estresse mental,[105] hemorragia ou uma úlcera gástrica,[106] e até mesmo porfiria.[107]

Maria e os principais nobres escoceses se encontraram no Castelo de Craigmillar em novembro de 1566 para discutir o "problema de Darnley".[108] O divórcio foi discutido, porém um acordo foi chegado entre os lordes presentes para retirar Henrique por outros meios:[109] "Achou-se conveniente e mais rentável para o bem comum ... que um jovem tão tolo e tirano orgulhoso não deveria reinar sobre eles; ... que ele deva ser retirado de um jeito ou de outro; e quem deve tomar a ação ou fazê-la; eles devem defendê-lo".[110] Henrique temia por sua segurança e foi para Glasgow ficar nas propriedades de seu pai durante o natal logo depois do batismo de seu filho.[111] Ele teve febre no início da viagem, possivelmente varíola, sífilis ou algum envenenamento, ficando doente por algumas semanas.[112]

Maria pediu no final de janeiro de 1567 que Henrique voltasse para Edimburgo. Ele se recuperou de sua doença ficando em uma casa pertencente ao irmão de sir Jaime Balfour, a antiga abadia de Kirk o' Field perto da cidade.[113] A rainha o visitou diariamente e assim pareceu que eles estavam se reconciliando.[114] Maria visitou o marido na noite do dia 9 de fevereiro e depois compareceu ao casamento de seu criado Bastião Pagez.[115] Uma explosão devastou Kirk o' Field nas primeiras horas do dia 10, com o corpo de Henrique sendo encontrado nos jardins, aparentemente sufocado.[116] Não havia sinais visíveis de estrangulamento ou outra violência no corpo.[117] [118] [nota 7] Hepburn, Stewart, Maitland, Jaime Douglas, 4.º Conde de Morton, e a própria rainha estavam dentre os suspeitos.[119] Isabel escreveu para Maria sobre os rumores: "Eu não cumpriria corretamente o cargo de prima fiel ou amiga afetuosa se eu não ... lhe contar o que todo o mundo está a pensar. Homens dizem que, ao invés de prenderes os assassinos, estás olhando para seus dedos enquanto eles escapam; que não procurarás vingança sobre aqueles que te fizeram tanto prazer, como se o ato jamais tivesse sido praticado caso os culpados não tivessem recebido impunidade. De minha parte, peço que acredites que tal nunca passará por minha cabeça".[120]

Hepburn era tido como o principal suspeito do assassinato ao final de fevereiro.[121] Mateus Stewart, pai de Henrique, exigiu que Hepburn fosse julgado perante o parlamento, com Maria concordando, porém seu pedido de adiamento para juntar mais evidências foi negado. Ele foi inocentado em 12 de abril depois de um julgamento de sete horas sem a presença de Mateus Stewart e sem nenhuma evidência apresentada contra.[122] Hepburn conseguiu convencer mais de uma dúzia de lordes e bispos a assinarem uma semana depois o Laço da Taverna Ainslie, em que concordavam em apoiar seu objetivo de se casar com a rainha.[123]

Abdicação e prisão na Escócia[editar | editar código-fonte]

Maria e Jaime. Na realidade, ela viu o filho pela última vez quando ele tinha dez meses de idade.

Maria visitou seu filho em Stirling pela última vez em 21 e 23 de abril de 1567. Ela foi sequestrada por Hepburn e seus homens no dia 24 enquanto voltava para Edimburgo, de boa vontade ou não, e levada ao Castelo de Dunbar onde ele talvez a tenha estuprado.[nota 8] Maria e Hepburn voltaram para a capital em 15 de maio e se casaram em uma cerimônia protestante no palácio ou abadia de Holyrood.[124] Hepburn havia se divorciado doze dias antes de sua esposa Joana Gordon, irmã de Jorge Gordon.[125]

A rainha inicialmente acreditou que muitos nobres apoiavam o casamento, porém as coisas logo pioraram entre Hepburn e os outros pariatos, com a união mostrando-se muito impopular. Os católicos cansideravam o casamento como ilegal, já que não reconheciam o divórcio de Hepburn e a validade da cerimônia protestante. Tanto os protestantes quanto os católicos ficaram chocados que Maria tenha se casado com o homem acusado de assassinar seu antigo marido.[126] O casamento foi turbulento e ela ficou desanimada.[127] 26 pariatos escoceses, conhecidos como lordes confederados, reuniram um exército e se viraram contra Maria e Hepburn. Os dois enfrontaram os lordes em 15 de junho na Batalha do Morro de Carberry, porém as forças realistas praticamente desapareceram através de deserções e negociações.[128] Hepburn recebeu passagem segura para ir embora do campo de batalha e os lordes levaram Maria para Edimburgo, onde as multidões a acusavam de ser uma adúltera e assassina.[129] Ela foi aprisionada na noite seguinte dentro do Castelo de Loch Leven, em uma ilha no meio do Loch Leven.[130] Ela abortou gêmeos entre os dias 20 e 23 de julho.[131] Maria foi forçada a abdicar do trono em 24 de julho em favor de seu filho Jaime, então com apenas um ano de idade.[132] Jaime Stewart foi nomeado regente[133] e Hepburn foi forçado ao exílio. Ele foi aprisionado na Dinamarca, ficou insano e morreu em 1578.[134]

Fuga e prisão na Inglaterra[editar | editar código-fonte]

Maria fugiu do Castelo de Loch Leven em 2 de maio de 1568 com a ajuda de Jorge Douglas, irmão do dono do castelo sir Guilherme Douglas.[135] Ela conseguiu reunir um exército de seis mil homens e se encontrou com as forças em menor número de Jaime Stewart em 13 de maio na Batalha de Langside.[136] A rainha foi derrotada e fugiu para o sul; ela passou a noite na Abadia de Dundrennan e cruzou o Estuário de Solway para a Inglaterra no dia 16 dentro de um barco pesqueiro.[137] Maria desembarcou em Workington no norte da Inglaterra e passou a noite no Workington Hall.[138] Oficiais locais a levaram sob custódia preventida em 18 de maio para o Castelo de Carlisle.[139]

Maria aparentemente esperava que Isabel a ajudasse a reconquistar o trono.[140] A rainha inglesa estava cautelosa e ordenou que uma investigação fosse realizada sobre a conduda dos lordes confederados e se Maria era culpada do assassinato de Henrique.[141] As autoridades inglesas levaram a rainha escocesa para o Castelo de Bolton em julho de 1568 porque era mais longe da fronteira escocesa, porém não tão perto de Londres.[142] Uma comissão de inquérito seu reuniu em Iorque e depois em Westminster entre outubro de 1568 e janeiro de 1569.[143] Seus apoiadores na Escócia travaram uma guerra civil contra Stewart e seus sucessores.[144]

Cartas do cofre[editar | editar código-fonte]

Jaime Stewart, 1.º Conde de Moray, por Hans Eworth.

Como rainha soberana, Maria se recusou a reconhecer o poder de qualquer corte para julgá-la e não compareceu pessoalmente aos inquéritos em Iorque (porém mandou representantes); de qualquer forma Isabel não permitiu que ela comparecesse.[145] [nota 9] Stewart apresentou como provas contra Maria as chamadas cartas do cofre: oito cartas não assinadas supostamente da rainha para Hepburn, dois contratos de casamento, um soneto de amor ou sonetos que afirmou-se terem sido encontrados em um pequeno cofre de prata de 30 cm decorado com o monograma de Francisco II.[146] Maria negou tê-las escrito, dizendo que sua caligrafia não era difícil de ser imitada,[147] insistindo que todos os documentos eram falsos.[148] Eles foram vistos como cruciais sobre a questão da culpa da rainha no assassinato de Henrique.[149] Tomás Howard, 4.º Duque de Norfolk e presidente da comissão de inquérito, descreveu as cartas como horríveis, enviando cópias para Isabel dizendo que caso fossem genuínas provariam a culpa de Maria.[150]

A autenticidade das cartas tem sido assunto de grande controvérsia entre os historiadores. é impossível provar seja o que fôr. Os originais, escritos em francês, terão sido destruidos em 1584 pelo filho de Mary.[151] As cópias existentes, em francês ou traduzidas para inglês, estão incompletas. Existem transcrições impressas, incompletas, em inglês, escocês, francês, e latim da década de 1570.[152] Outros documentos analisados incluem o divórcio de Bothwell e Jean Gordon. Moray enviou um mensageiro em Setembro, a Dunbar, para obter uma cópia do processo dos registos da cidade.[153]

Os biógrafos de Mary, como Antonia Fraser, Alison Weir ou John Guy, chegaram à conclusão de que, ou os documentos eram falsificações,[154] ou que as passagens incriminatórias foram inseridas nas cartas verdadeiras,[155] ou ainda que as cartas foram escritas para Bothwell por outras pessoas ou por Mary para outra pessoa.[156] Guy salienta que as cartas não fazem sentido, e que a gramática e a linguagem em francês em que os sonetos foram escritos é demasiado pobre para a educação de Mary.[157] No entanto, certas frases das cartas (incluindo versos ao estilo de Ronsard) e algumas características de estilo são compatíveis com o modo de escrever de Mary.[158]

As cartas do cofre só vieram a público na Conferência de 1568, apesar de o conselho privado escocês as ter visto em dezembro de 1567.[159] Mary foi forçada a abdicar e foi detida por um ano na Escócia. As cartas nunca foram tornadas públicas, mantendo-a, assim, presa, e forçando-a a abdicar. O historiador Jenny Wormald acredita que a relutância dos escoceses em exibir as cartas, e a sua destruição em 1584, fosse qual fosse o seu conteúdo, é uma prova de que continham provas verdadeiras contra Mary.[160] [161] Os contemporâneos de Mary que viram as cartas não tinham dúvidas de que eram genuínas. Entre eles estava o duque de Norfolk,[162] que conspirou, secretamente, casar com Mary durante a comissão de inquérito, embora o tenha negado quando Elizabeth referiu os seus planos de casamento, dizendo "ele quis dizer que nunca casaria com uma pessoa com a qual tivesse receio de se deitar".[163]

A maioria dos comissários aceitou as cartas como sendo genuínas, depois de as analisarem e compararem com a caligrafia de Mary.[164] Elizabeth, como desejava, concluiu o inquérito com o veredito de que nada tinha sido provado, nem contra os lordes, nem contra Mary.[165] Por razões políticas, Elizabeth não queria condenar nem absolver Mary do crime e também não tinha a intenção de proceder judicialmente; a conferência tinha a finalidade de ser um mero exercício político. No final, Moray regressou à Escócia como seu regente, e Mary permaneceu sob custódia, em Inglaterra. Elizabeth conseguiu manter um governo protestante na Escócia, sem condenar nem libertar a sua congénere.[166] Segundo Fraser, foi um dos "julgamentos" mais estranhos da história legal, terminando sem demonstrar a culpa de nenhuma das partes acusadas, sendo que uma delas voltou para casa, enquanto a outra permaneceu detida.[167]

Conspiração[editar | editar código-fonte]

Mary em cativeiro, por Nicholas Hilliard, c. 1578

Em 26 de janeiro de 1569, Mary foi transferida para o Castelo de Tutbury,[168] e colocada sob custódia do conde de Shrewsbury e da sua mulher Bess de Hardwick.[169] Elizabeth considerava as ideias de Mary sobre o trono de Inglaterra uma séria ameaça e, assim, limitou os movimento de Mary à propriedade de Shrewsbury, incluindo Tutbury, Castelo de Sheffield, Wingfield Manor e Chatsworth House,[170] que ficam numa região interior de Inglaterra, a meio caminho da Escócia e Londres, e distante do mar.[171] Foi-lhe permitido ter o seu próprio pessoal de apoio, nunca inferior a 16 serviçais,[172] e precisou de 30 carros para transportar os seus pertences de casa em casa.[173] Os seus aposentos estavam decorados por tapeçarias e carpetes finas, tal como a sua roupa oficial na qual tinha a frase em francês En ma fin est mon commencement ("No meu fim está o meu início") bordada.[nota 10] A sua roupa de cama era mudada diariamente,[174] e os seus cozinheiros preparavam 32 refeições servidos em pratos de prata.[175] Por vezes, era-lhe permitido sair, com vigilância,[176] passando sete Verões na estância termal de Buxton, e passava muito do seu tempo a bordar.[177] A sua saúde foi piorando, talvez devido a porfiria ou falta de exercício, e, por volta da década de 1580, começou com reumatismo grave nos seus membros, tornando-a coxa.[178]

Em maio de 1569, Elizabeth tentou mediar a restauração de Mary em troca de garantias da religião Protestante, mas uma convenção em Perth recusou a proposta.[179] Norfolk continuou a desenhar um plano para um casamento com Mary, e Elizabeth prendeu-o na Torre de Londres entre Outubro de 1569 e Agosto de 1570.[180] No início do ano seguinte, Moray foi assassinado. A morte de Moray coincidiu com a rebelião no Norte de Inglaterra, liderada por condes católicos, os quais persuadiram Elizabeth de que Mary constituía uma ameaça. As tropas inglesas intervieram na guerra civil escocesa, consolidando o poder das forças anti-Mary.[181] Os principais secretários de Elizabeth - William Cecil, 1.º Barão Burghley e Sir Francis Walsingham - vigiaram Mary com muito cuidado, com a ajuda de espiões infiltrados na casa de Mary.[182]

Em 1571, Cecil e Walsingham puseram a descoberto a conspiração Ridolfi, que consistia num plano para substituir Elizabeth por Mary, com a ajuda de tropas espanholas e do duque de Norfolk. Norfolk foi executado, e o Parlamento inglês introduziu um projecto-lei que impedia Mary de chegar ao trono, mas que Elizabeth recusou aceitar.[183] Para desacreditar Mary, as suas cartas foram publicadas em Londres.[184] As conspirações centradas em Mary continuaram, e depois da Conspiração Throckmorton, Walsingham introduziu o Bond of Association e o Decreto para a segurança da Rainha, o qual aprovava a morte de todos aqueles que conspirassem contra Elizabeth, e tinha por objectivo prevenir uma sucessão putativa pelo resultado da sua morte.[185] Em Abril de 1585, Mary foi colocada na custódia de Sir Amias Paulet,[186] e no Natal foi transferida para uma mansão rodeada por um fosso em Chartley.[187]

Morte[editar | editar código-fonte]

Julgamento[editar | editar código-fonte]

No dia 11 de Agosto de 1586, Mary foi detida depois de ter sido implicada na conspiração Babington.[188] Numa tentativa bem-sucedida de a fazer cair numa armadilha, Walsingham conseguiu fazer com que as cartas de Mary fossem roubadas de Chartley. Mary pensava que as suas cartas estavam seguras quando, na realidade, elas foram decifradas e lidas por Walsingham.[189] Pelas cartas, era claro que Mary tinha aprovado a tentativa de assassinato de Elizabeth.[190] Mary foi transferida para o Castelo de Fotheringay numa viagem que durou quatro dias, terminando em 25 de Setembro, e, em outubro, foi levada a julgamento por traição com base no Decreto da segurança da Rainha, perante um tribunal de 36 nobres,[191] incluindo Cecil, Shrewsbury e Walsingham.[192] [193] Mary negou as acusações.[194] Disse aos seus acusadores: "Olhem para as vossas consciências e lembrem-se de que o teatro de todo o mundo é maior que o reino de Inglaterra".[195] Chamou a atenção para o facto de que lhe foi negada a oportunidade de rever as provas ou os seus documentos que lhe tinham sido retirados; que lhe foi negado o acesso a um conselho legal; e que, sendo uma rainha estrangeira, nunca tinha sido cidadã inglesa e, portanto, não podia ser condenada por traição.[196]

Mary foi julgada culpada e condenada à morte a 25 de outubro, com apenas um dos comissários, Lorde Zouche, a discordar.[197] Apesar do resultado do julgamento, Elizabeth hesitou em ordenar a sua execução, mesmo com a pressão do Parlamento inglês para fazer cumprir a sentença. Estava preocupada com o facto de que a morte de uma rainha abria um precedente, e tinha receio das consequências, em particular, se, em retaliação, o filho de Mary, James, formasse uma aliança com as potências católicas, e invadisse Inglaterra.[198] Elizabeth perguntou a Paulet, o último guarda de Mary, se ele podia arranjar uma forma discreta de "encurtar a vida" de Mary, mas aquele recusou argumentando que ele não iria "ficar de consciência pesada, ou deixar uma mancha na minha humilde posteridade".[199] No dia 1º de fevereiro de 1587, Elizabeth assinou a sentença de morte, e entregou-a a William Davison, um conselheiro privado.[200] No dia 3,[201] dez membros do Conselho Privado de Inglaterra, tendo sido convocados por Cecil sem o conhecimento de Elizabeth, decidiu cumprir a sentença o mais rápido possível.[202]

Execução[editar | editar código-fonte]

A rainha se prepara para a sua execução com a ajuda de suas damas de companhia. Retrato do século XIX pelo artista francês Abel de Pujol, localizado no Museu de Belas Artes de Valenciennes.

Em Fotheringhay, na tarde de 7 de fevereiro de 1587, foi dito a Maria que ela seria executada na manhã seguinte.[203] Passou as últimas horas da sua vida em oração, a distribuir os seus bens aos seus servos, e a escrever o seu testamento e uma carta ao rei de França.[204] O patíbulo que foi construído na sala grande, tinha 60 cm de altura e estava decorado com um tecido preto. Tinha dois degraus, um bloco, uma almofada para os joelhos e três pequenos bancos (um para Maria e os outros para os condes de Shrewsbury e Kent), que serviam de testemunha para a execução.[205] Os carrascos (um de nome Bull e o seu assistente) ajoelharam-se perante ela e pediram que lhes perdoasse. Ela respondeu, "Perdoo-os do fundo do meu coração, espero que, agora terminem com os meus problemas."[206] Os seus criados, Jane Kennedy e Elizabeth Curle, e os carrascos, ajudaram Maria a retirar as suas vestes exteriores, expondo a sua combinação de veludo, corpete de seda e um par de luvas vermelhas, a cor litúrgica do martírio na Igreja Católica.[207] Conforme se ia despindo, sorriu e disse que "nunca havia tido camareiros assim ... nem tirado as suas roupas perante tal companhia".[208] Kennedy colocou-lhe uma venda com um véu branco bordado a ouro e ajoelhou-se na almofada em frente ao bloco. Colocou a cabeça no bloco e esticou os braços. As suas últimas palavras foram, "In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum" ("Nas tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito").[209]

Cópia da máscara da morte de Maria no Palácio de Falkland

Maria não foi decapitada com o primeiro golpe. O primeiro falhou o pescoço e atingiu-lhe a nuca. O segundo golpe cortou-lhe o pescoço, exceto um pequeno pedaço de tendão, o qual o carrasco cortou com o machado. Depois, ele segurou na cabeça e declarou, "Deus Salve a Rainha!." Naquele momento, a cabeça caiu, e verificou-se que os cabelos ruivos na sua mão eram uma peruca, e que Maria tinha cabelo curto e cinzento.[210] Consta que um pequeno cão da rainha, um skye terrier, estaria escondido nas suas saias, e não tinha sido visto pelos presentes na execução. A seguir à execução, recusou separar-se do corpo da sua dona e permaneceu coberto de sangue, até ser levado à força e lavado.[211] A origem dos objetos usados ou levados pela rainha para a execução, é desconhecida.[212] Relatos da época referem que toda a sua roupa, o bloco e tudo o que ficou sujo com o seu sangue foi queimado durante o incêndio de Great Hall para impedir que fosse levado por ladrões de relíquias.[211]

Legado[editar | editar código-fonte]

Cópia da efígie de Maria em Westminster, vista de cima.

Quando Elizabeth I soube das notícias, ficou indignada e zangada por Davison ter desobedecido às suas instruções e por o Conselho Privado ter agido sem a sua autorização.[213] A indecisão de Elizabeth e as suas instruções pouco concretas deram-lhe negação plausível, evitando, assim, responsabilidade direta pela morte de Maria.[214] Davison foi detido, levado para a Torre de Londres e considerado culpado pelos seus atos. Foi libertado 19 meses mais tarde depois de Cecil e Walsingham terem intercedido em seu nome.[215]

O pedido de Maria para ser enterrada em França foi recusado por Elizabeth.[216] O seu corpo foi embalsamado e colocado num caixão de chumbo até ser sepultado, numa cerimónia protestante, na Catedral de Peterborough, no final de julho de 1587.[217] Os seus órgãos internos, retirados durante o processo de embalsamamento, foram enterrados em lugar secreto no Castelo de Fotheringay.[218] O seu corpo foi exumado em 1612, quando o seu filho, o rei Jaime, determinou que o sepultamento fosse feito na Abadia de Westminster, numa capela oposta ao túmulo de Elizabeth I.[219] Em 1867, o seu túmulo foi aberto quando se tentava encontrar o local de sepultamento de Jaime I. Descobriu-se então que ao seu lado estava Henrique VII, assim como muitos dos seus descendentes, incluindo Isabel da Boémia, Ruperto do Reno e os filhos de Ana da Grã-Bretanha.[220]

A personalidade de Maria, no século XVI, era vista de duas perspectivas diferentes. Por um lado, os protestantes reformistas como George Buchanan e John Knox, criticaram-na sem piedade; por outro, católicos como Adam Blackwood, elogiaram-na e defenderam-na.[221] Depois da subida ao trono de Jaime I na Inglaterra, o historiador William Camden escreveu uma biografia oficial autorizada, retirada de documentos originais. Apontava o trabalho de Buchanan como uma invenção,[222] e "salientava a má sorte de Maria em vez do seu mau carácter".[223] Ao longo do século, ainda surgiram novas interpretações sobre o carácter de Maria: William Robertson e David Hume, colocaram em causa a veracidade das cartas de Maria, e se ela era culpada de adultério e assassinato, enquanto William Tytler defendia o inverso.[224]

Na segunda metade do século XX, o trabalho de Antonia Fraser foi considerado "mais objetivo ... livre de excessos de adulação ou ataque", características das anteriores biografias,[225] e os seus contemporâneos, como Gordon Donaldson e Ian B. Cowanm, também elaboraram alguns trabalhos mais equilibrados.[226] A historiadora Jenny Wormald concluiu que Maria foi um trágico fracasso, incapaz de cumprir o que lhe era exigido na sua posição,[227] mas discordava da visão pós-Fraser, segundo a qual Maria era um fantoche nas mãos de nobres intriguistas.[228] Não existe qualquer prova concreta da sua cumplicidade na morte de Darnley ou da sua conspiração com Bothwell. Estas acusações têm por base, apenas, presunções,[229] e a biografia de Buchanan, atualmente, está desacreditada e é vista como "praticamente uma fantasia".[230] A coragem de Maria na sua execução ajudou a construir a sua imagem popular como vítima heróica numa tragédia dramática.[231]

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jaime II
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jaime III
 
Maria Stewart
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jaime Hamilton, 1.° Conde de Arran
 
Isabel Hamilton
 
 
 
 
 
Eduardo IV
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jaime Hamilton, 2.º Conde de Arran
 
João Stewart,
3.º Conde de Lennox
 
Henrique VII
 
Isabel de Iorque
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cláudio, Duque de Guise
 
Antonieta de Bourbon
 
Jaime IV
 
 
 
 
 
 
Margarida Tudor
 
Arquibaldo Douglas, 6.º Conde de Angus
 
Henrique VIII
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Francisco, Duque de Guise
 
Carlos, Cardeal de Lorena
 
Maria de Guise
 
Jaime V
 
Mateus Stewart, 4.º Conde de Lennox
 
Margarida Douglas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jaime Stewart, 1.º Conde de Moray
 
Maria
 
 
 
 
 
Henrique Stuart, Lorde Darnley
 
Eduardo VI
 
Maria I
 
Isabel I
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jaime VI & I
 

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. O bispo João Lesley afirmou que Maria nasceu no dia 7, porém a própria e João Knox afirmaram que foi no dia 8, que era o dia da Imaculada Concepção da Virgem Maria.[233]
  2. "It cam wi' a lass and it will gang wi' a lass!". Knox registrou a frase pela primeira vez na década de 1560 como: "Que o diabo leve! Terminará como começou: veio de uma mulher; e terminará em uma mulher.[234]
  3. Knox afirmou que Jaime havia assinado um papel em branco que Beaton preencheu, enquanto que Hamilton disse que o cardeal pegou a mão do rei moribundo e o fez assinar.[235]
  4. A antipatia de Catarina com Maria ficou aparente apenas depois da morte de Henrique II em 1559.[236] Os interesses de Catarina competiam com os da família Guise, e talvez tenha existido algum elemento de ciúmes ou rivalidade entre as duas.[237]
  5. Os outros memros eram: João Bellenden, Lorde Juiz; Jaime MacGill, Lorde Registrador; Guilherme Maitland, Secretário de Estado; Roberto Richardson, Lorde Alto Tesoureiro; Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell e Lorde Grande Almirante; Jaime Hamilton, 2.º Conde de Arran; Jaime Douglas, 4.º Conde de Morton; Guilherme Keith, 4.º Conde Marischal; e João Erskine, 6.º Lorde Erskine.[238]
  6. A dispensa foi emitida em Roma no dia 25 de setembro, porém foi retroativamente datada para 25 de maio.[239]
  7. A autópsia revelou ferimentos internos, que acredita-se terem sido causados pela explosão. João Knox afirmou que os médicos que examinaram o corpo mentiram e que Henrique havia sido estrangulado, porém todas as fontes concordam que não haviam marcas no corpo e que não existiam motivos para os médicos mentirem já que era óbvio que ele tinha sido assassinado.[240]
  8. Jaime Melville estava no castelo e escreveu que Hepburn "tinha arrebatado ela e deitado com ela contra sua vontade". Outros contemporâneos consideraram o sequestro uma farsa.[241]
  9. Maria mais tarde pediu para comparecer aos inquéritos em Westminster, porém Isabel não deu permissão e os comissários da rainha escocesa se retiraram da conferência.[242]
  10. Tinha sido o lema da sua mãe.(Guy 2004, pp. 443–444)

Referências

  1. Fraser 1994, p. 14
  2. Fraser 1994, p. 13
  3. Fraser 1994, p. 11; Wormald 1988, p. 46
  4. Guy 2004, p. 16
  5. Fraser 1994, p. 12; Wormald 1988, p. 11
  6. Fraser 1994, p. 12; Guy 2004, p. 17
  7. Fraser 1994, p. 13; Guy 2004, p. 17
  8. Fraser 1994, p. 18; Guy 2004, p. 22; Wormald 1988, p. 43
  9. Fraser 1994, p. 15
  10. Fraser 1994, pp. 17, 60; Guy 2004, pp. 20, 60; Wormald 1988, pp. 49–50
  11. Fraser 1994, pp. 17–18; Weir 2008, p. 8; Wormald 1988, p. 55
  12. Fraser 1994, p. 18; Guy 2004, p. 25; Wormald 1988, p. 55
  13. Fraser 1994, p. 19; Weir 2008, p. 8
  14. Fraser 1994, pp. 19–20
  15. Guy 2004, p. 26
  16. Fraser 1994, p. 21; Guy 2004, p. 27; Weir 2008, p. 8
  17. Fraser 1994, p. 21
  18. Fraser 1994, pp. 20–21
  19. Fraser 1994, p. 22; Guy 2004, p. 32; Wormald 1988, p. 58
  20. Wormald 1988, pp. 58–59
  21. Fraser 1994, pp. 23–24; Guy 2004, pp. 33–34
  22. Fraser 1994, p. 26; Guy 2004, p. 36; Wormald 1988, p. 59
  23. Fraser 1994, pp. 29–30; Weir 2008, p. 10; Wormald 1988, p. 61
  24. Weir 2008, pp. 10–11
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  29. Fraser 1994, pp. 31–32
  30. Fraser 1994, pp. 31–32; Guy 2004, p. 43
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  36. Wormald 1988, p. 80
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  40. Guy 2004, pp. 47–48
  41. Guy 2004, pp. 90–91; Weir 2008, p. 17; Wormald 1988, p. 21
  42. Discours du grand et magnifique triumphe faict au mariage du tresnoble & magnifique Prince Francois de Valois Roy Dauphin, filz aisné du tres-chrestien Roy de France Henry II du nom & de treshaulte & vertueuse Princesse madame Marie d'Estreuart Roine d'Escosse. Paris: Annet Briere, 1558.
  43. Teulet, Alexandre. Relations politiques de la France et de l'Espagne avec l'Écosse au XVIe siècle. Paris: Renouard, 1862. pp. 302–311. vol. 1.
  44. Fraser 1994, p. 83; Weir 2008, p. 18
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  48. Fraser 1994, p. 88; Wormald 1988, pp. 80, 93
  49. Thompson, James. The Wars of Religion in France. Chicago: University of Chicago Press, 1909. p. 22.
  50. Fraser 1994, pp. 96–97; Guy 2004, pp. 108–109; Weir 2008, p. 14; Wormald 1988, pp. 94–100
  51. Fraser 1994, p. 97; Wormald 1988, p. 100
  52. Wormald 1988, pp. 100–101
  53. Fraser 1994, pp. 97–101; Guy 2004, pp. 114–115; Weir 2008, p. 20; Wormald 1988, pp. 102–103
  54. Fraser 1994, p. 183
  55. Fraser 1994, pp. 105–107; Weir 2008, p. 21
  56. Guy 2004, pp. 119–120; Weir 2008, pp. 21–22
  57. Fraser 1994, p. 137; Guy 2004, p. 134; Weir 2008, p. 25
  58. Wormald 1988, p. 22
  59. Weir 2008, p. 24
  60. Guy 2004, p. 126
  61. Knox, John. In: Lennox, Cuthbert (ed.). History of the Reformation of Religion in Scotland. Londres: Andrew Melrose, 1905. pp. 225–337. vol. 4.
  62. Fraser 1994, pp. 155–156, 215–217; Guy 2004, pp. 140–143, 176–177, 186–187; Wormald 1988, pp. 125, 145–146
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Maria da Escócia
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Rainha da Escócia
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Precedida por
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Royal Arms of the Kingdom of Scotland (1559-1560).svg
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