Torre de Londres

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Torre de Londres
Torre de Londres vista a partir do Tâmisa
Construção Torre Branca: 1078
Ala Interna: década de 1190
Reconstrução: 1285
Ancoradouro: 1377–1399
Proprietário inicial Guilherme I da Inglaterra
Função inicial Residência real
Proprietário atual Historic Royal Palaces
Função atual Ponto turístico
Website hrp.org.uk/ToweOfLondon
Património da Humanidade
Critérios C (ii) (iv)
Data 1988 (12º sessão)
Local Londres, Inglaterra,  Reino Unido

O Palácio e Fortaleza Real de Sua Majestade, mais conhecido como a Torre de Londres, é um castelo histórico localizado na cidade de Londres, Inglaterra, Reino Unido, na margem norte do rio Tâmisa. Ele foi fundada por volta do final do ano de 1066 depois da conquista normanda da Inglaterra. A Torre Branca em seu centro foi construída pelo rei Guilherme I em 1078, sendo considerada pelos habitantes da cidade como um símbolo de opressão infligida pela nova elite governante. O castelo foi utilizado como prisão de 1100 até 1952, apesar desta não ter sido sua função principal. Ele inicialmente foi usado como residência real como um grande palácio. Como um todo, o complexo da Torre de Londres é composto por vários edifícios localizados dentro de dois aneis concêntricos de muralhas de defesa e um fosso. Houve várias fazes de expansão, principalmente sob os reis Ricardo I, Henrique III e Eduardo I nos século XII e XIII. O desenho geral estabelecido nessa época permaneceu até os dias de hoje.

A Torre de Londres várias vezes esteve no centro da história inglesa. Ela foi cercada em inúmeras ocasiões e seu controle era importante para o controle de todo o país. A Torre já serviu como depósito de armas, tesouraria, menagerie, sede da Real Casa da Moeda, escritório dos registros públicos e a casa das Joias da Coroa Britânica. Uma procissão costumava sair da Torre e ir até a Abadia de Westminster desde o início do século XIV até o reinado de Carlos II no século XVII durante as coroações dos monarcas. Na ausência do soberano, o Condestável da Torre fica encarregado do castelo. Essa era uma posição poderosa e de confiança no período medieval. Sob a Casa de Tudor a Torre deixou lentamente de ser uma residência real, com suas defesas ficando obsoletas apesar de tentativas de fortificar e reparar as estruturas.

O auge do castelo como prisão foi nos séculos XVI e XVII, quando muitas figuras que haviam caído na desgraça eram aprisionadas dentro de suas muralhas. Apesar de sua duradoura reputação como um lugar de tortura e morte, popularisada no século XVI por propagandistas religiosos e no século XIX por escritores, apenas sete pessoas foram executadas dentro da Torre antes das grandes guerras do século XX. As execuções costumavam ser realizadas principalmente no Morro da Torre ao norte do castelo, com 112 tendo ocorrido em um período de mais de quatrocentos anos. Várias instituições como a Casa da Moeda deixaram a Torre para outros lugares na segunda metade do século XIX, deixando muitos de seus edifícios vazios. Os arquitetos Anthony Salvin e John Taylor aproveitaram a oportunidade para restaurar o castelo para aquilo que achavam que era sua aparência medieval, limpando muitas das estruturas pós-medievais. A Torre foi novamente usada como prisão durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, com doze homens sendo executados por espionagem. Os danos causados pela Blitz foram reparados depois dos conflitos e o castelo foi reaberto ao público. A Torre de Londres é atualmente um dos pontos turísticos mais populares da Inglaterra. Apesar de ainda estar aos cuidados cerimoniais do condestável, ela é mantida pela Historic Royal Palaces e protegida como um Patrimônio Mundial.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Disposição[editar | editar código-fonte]

Planta da Torre de Londres.

A Torre de Londres foi orientada para que suas defesas mais fortes e impressionantes ficassem de frente para a Londres anglo-saxã, algo que o arqueólogo Alan Vince sugeriu que foi deliberado.[1] Ela teria dominado visualmente as áreas ao redor e se destacado no trânsito do rio Tâmisa.[2] O castelo é composto por três alas, ou cercos. A Ala Central contém a Torre Branca e é a fase mais antiga do castelo. Cercando-a pelo norte, leste e oeste está a Ala Interior, construída durante o reinado do rei Ricardo I. Por fim existe a Ala Exterior que é formada pelo castelo construído por Eduardo I. Apesar de várias expansões terem ocorrido depois de Guilherme I ter fundado a Torre de Londres, a disposição geral permaneceu a mesma desde que Eduardo I completou suas obras em 1285. O castelo ocupa uma área de quase doze hectares, com mais seis hectares ao redor que formam as Liberdades da Torre de Londres – terras sob a influência direta do castelo e livre por razões militares.[3] O precursor das Liberdades foi estabelecido no século XIII quando Henrique III ordenou que uma parte da terra adjacente ao castelo fosse mantida desobistruída.[4] A Torre de Londres nunca teve uma câmara de tortura permanente, ao contrário da crença popular, apesar dos porões terem abrigado cavaletes em certos períodos.[5] Seu ancoradouro na margem do Tâmisa foi construído sob Eduardo I e foi expandido para seu tamanho atual por Ricardo II.[6]

Torre Branca[editar | editar código-fonte]

A Torre Branca é uma torre de menagem e continha aposentos dignos de um lorde – neste caso o rei ou seu representante.[7] De acordo com o historiador militar Reginald Allen Brown, "A grande torre [Torre Branca] também era, por virtude de sua força, majestade e senhoriais acomodações, a torre de menagem por excelência".[8] Como uma das maiores fortificações do mundo cristão,[9] a Torre Branca já foi descrita como "o palácio do século XI mais completo na Europa".[10]

A entrada da Torre Branca.

A Torre Branca, não incluindo suas torres protetoras em cada ponta, mede 36 por 32 metros na base com uma altura de 27 metros. A estrutura originalmente tinha três andares de altura, composta por um porão, um andar de entrada e um andar superior. A entrada ficava acima do nível do chão, como era o costume em fortificações normandas, neste caso na fachada sul e acessada através de uma escada de madeira que poderia ser removida em caso de algum ataque. Um outro edifício foi adicionado no lado sul a fim de criar mais defesas para a entrada, provavelmente durante o reinado de Henrique II, porém ele não sobreviveu ao tempo. Cada andar era dividido em três câmaras, a maior ao oeste, uma menor no nordeste e uma capela que ocupava o canto sudeste dos andares de entrada e superior.[11] Os cantos ocidentais do edifício possuem torres quadradas, enquanto uma torre redonda que acomoda uma escada em espiral está localizada no canto nordeste. No canto sudeste está uma grande projeção semi-circular que abriga a abside da capela. Foram construídas latrinas nas paredes e quatro lareiras para aquecimento já que a torre foi pensada para ser tanto uma fortificação quanto uma residência confortável.[10]

O principal material de construção empregado foi pedras vindas de Kent, apesar de lamito ter sido usado em alguns locais. Pedras de Caen foram importadas do norte da França para servirem como os detalhes da fachada, apesar de pouco do material original restar já que ele foi substituído por pedras da Ilha de Portland nos séculos XVII e XVIII. A maioria das janelas foram ampliadas no século XVIII, com apenas duas originais restando na fachada sul – porém apenas depois de passarem por uma restauração.[12]

A torre foi geminada no lado de uma colina, assim o lado norte do porão está abaixo do nível do chão.[13] O andar mais baixo era uma galeria para armazenamento, como era o costume para torres de menagem.[14] Uma das salas continha um poço. Apesar da disposição ter permanecido a mesma desde a construção, o interior data principalmente do século XVIII quando o andar foi abaixado e as abóbadas de madeira foram substituídas por pedra.[13] O porão é iluminado por pequenas fendas.[10]

A Capela de São João dentro da Torre Branca.

O andar de entrada foi provavelmente pretendido para o uso do Condestável da Torre, do Tenente da Torre e outros oficiais importantes. A entrada do lado sul foi bloqueada no século XVII e reaberta apenas em 1973. Aqueles que fossem para o andar superior tinham de passar por uma pequena câmara no leste, também conectada ao andar de entrada. Há um recuo na parede norte; de acordo com Geoffrey Parnell: "a forma sem janelas e o acesso restrito sugerem que foi projetado para ser uma sala forte a fim de proteger os tesouros reais e documentos importantes".[13]

O andar superior contém um grande salão no oeste e uma câmara residencial no leste – ambos originalmente abertos para o telhado e cercados por uma galeria construída na parede – e a Capela de São João no sudeste. Um novo andar foi adicionado no século XV junto com o telhado atual.[11] [15] A capela não era parte do projeto inicial da Torre Branca, já que a projeção apsidal foi construída depois das paredes do porão.[13] Pouco do interior original resta com exceção da capela por causa das várias mudanças de função e projeto que a torre passou durante os séculos.[16] A atual aparência nua e sem adornos da capela é reminiscente de como ela deveria ter sido durante o período normando. Ela foi decorada com ornamentações, cruzes de ouro e vitrais no reinado de Henrique III no século XIII.[17]

Ala Central[editar | editar código-fonte]

A Ala Central é formada pela área imediatamente ao sul da Torre Branca, indo até onde antes era a margem do Tâmisa. Como era o caso com outros castelos do período, a Ala Central era provavelmente preenchida por construções de madeira. Não se sabe com certeza quando as acomodações reais começaram a sair da Torre Branca e invadir a parte central, porém acredita-se que isso aconteceu por volta da década de 1170.[12] As acomodações foram renovadas durante os anos 1220 e 1230, tornando-se comparáveis com outras residências reais como o Castelo de Windsor.[18] A construção das Torres de Wakefield e Lanthorn – localizadas nos cantos da Ala Central ao longo do rio – começaram por volta de 1220.[19] Elas provavelmente serviam como residências particulares respectivamente da rainha e do rei. As evidências mais antigas de como as câmaras reais eram decoradas vem do reinado de Henrique III: a da rainha era caiada de branco com pinturas de flores e uma imitação de alvenaria. Um grande salão existia entre as duas torres ao sul da ala.[20] Era similar a aquele construído no Castelo de Winchester por Henrique III, apesar de um pouco menor.[21] Uma poterna ficava perto da Torre de Wakefield permitindo o acesso aos apartamentos do rei. A Ala Central era originalmente cercada por um fosso de proteção também construído na década de 1220. Nessa mesma época existia uma cozinha na ala.[22] A Ala Central foi reformada e transformada entre 1666 e 1676, com os edifícios palaciais sendo removidos.[23] A área ao redor da Torre Branca foi esvaziada para que qualquer um que se aproximasse tivesse que passar por terreno aberto. A Casa das Joias foi demolida e as Joias da Coroa foram transferidas para a Torre de Martin.[24]

Interior da Ala Central. No centro direito está a Torre Branca do século XI; a estrutura no fim da passarela a esquerda é a Torre de Wakefield. Além dela está o Portão dos Traidores.

Ala Interior[editar | editar código-fonte]

O Quartel de Waterloo.

A Ala Interior foi criada durante o reinado de Ricardo I quando um fosso foi cavado ao oeste, efetivamente dobrando o tamanho do castelo.[25] [26] Henrique III criou as muralhas do leste e do norte, com as dimensões da ala permanecendo as mesmas até hoje.[4] A maior parte dos trabalhos de Henrique sobreviveu, com apenas duas de suas nove torres erguidas terem sido completamente reconstruídas.[27] A Ala Central também serve de cortina para a Ala Interior entre as Torres de Wakefield e Lanthorn.[28] A entrada principal da ala acontecia através de um portão, localizado provavelmente na muralha oeste no local da atual Torre de Beauchamp. A muralha de cortina foi provavelmente reconstruída por Eduardo I.[29] A Torre de Beauchamp do século XIII marca o primeiro uso em grande escala de tijolos como material de construção na Inglaterra desde os romanos do século V.[30] A torre é uma das treze que servem de viga para a muralha de cortina; elas são em sentido anti-horário de sul ao oeste: Sino, Beauchamp, Devereux, Flint, Bowyer, Brick, Martin, Condestável, Seta Larga, Sal, Lanthorn, Wakefield e Sangrenta.[28] Essas torres podiam prover posições de defesa de onde tropas podiam ser implementadas e também continham acomodações. O fabricante de arcos reais, responsável pela criação dos arcos longos, bestas, catapultas e outras armas de mão e de cerco, tinha uma oficina na Torre de Bowyer. Um torreão no topo da Torre de Lanthorn era usado como farol pelos barcos que se aproximavam da Torre durante a noite.[31]

A Capela Real de São Pedro ad Vincula, uma capela normanda que anteriormente ficava fora da Torre, acabou incorporada ao castelo como resultado das expansões de Henrique. Ele a decorou com vitrais e bancas para si e sua esposa Leonor da Provença.[27] Ela foi reconstruída por Eduardo I ao custo de mais de trezentas libras esterlinas[32] e novamente em 1519 por Henrique VIII; o prédio atual data desse último período, apesar da capela ter sido remodelada no século XIX.[33] A Torre Sangrenta foi construída imediatamente ao oeste da Torre de Wakefield ao mesmo tempo que a muralha de cortina da Ala Interior, sendo um acesso por água ao castelo vindo do Tâmisa. Era uma estrutura simples protegida por rastrilhos e um portão.[34] A Torre Sangrenta ganhou seu nome no século XVI, já que acredita-se que lá havia ocorrido o assassinado dos Príncipes da Torre.[35] Um portão foi construído entre 1339 e 1341 na muralha de cortina entre as Torres do Sino e Sal.[36] Vários edifícios para o armazenamento de munições foram construídos no período da Casa de Tudor ao longo da parte interna da Ala Interior.[37] Os edifícios do castelo foram remodelados durante o período da Casa de Stuart, principalmente sob a supervisão do Escritório da Artilharia. Mais de quatro mil libras havia sido gastas em 1663 para a construção de um depósito (hoje conhecido como Novos Arsenais) na Ala Interior.[38] A construção do Grande Depósito ao norte da Torre Branca começou em 1688, no mesmo local dos antigos depósitos Tudor;[39] ele foi destruído em um incêndio em 1841. O Quartel de Waterloo foi construído no local, permanecendo até hoje,[40] abrigando as Joias da Coroa.[41]

Ala Exterior[editar | editar código-fonte]

Sangue Varre Terras e Mares de Vermelho, uma instalação de flores vermelhas colocadas no fosso da Torre em 2014 pelo centenário da Primeira Guerra Mundial.

A terceira ala foi criada durante a expansão de Eduardo I, com a clausura estreita cercando completamente o castelo. Ao mesmo tempo um baluarte chamado de Monte de Legge foi construído no canto noroeste da fortificação. O Monte do Latão, o baluarte do canto nordeste, foi uma adição posterior. As três torres retangulares ao longo da muralha leste ficavam quinze metros de distância uma da outra e acabaram demolidas em 1843. Apesar dos baluartes frequentemente terem sido atribuídos ao período Tudor, não há evidências para apoiar isso; investigações arqueológicas sugerem que o Monte de Legge data do reinado de Eduardo I.[42] As ameias no lado sul do Monte de Legge são as únicas ameias medievais restantes na Torre de Londres (o resto são subsituições vitorianas).[43] Um novo fosso de cinquenta metros foi escavado além dos novos limites do castelo;[44] ele era 4,5 m mais fundo no centro do que é hoje.[42] Com a adição de uma nova muralha de cortina, a antiga entrada principal da Torre ficou obscurecida e redundante; uma nova entrada foi criada no canto sudoeste da muralha externa. O complexo consistia de um portão interno e externo e uma barbacã,[45] que ficaram conhecidas como a Torre do Leão a partir da década de 1330 por estar associada com os animais da Menagerie Real.[46] Essa torre não existe mais.[45] Eduardo expandiu o lado sul da Torre de Londres para terras que anteriormente estavam submersas no rio Tâmisa. Nessa muralha ele ergueu entre 1275 e 1279 a Torre de São Tomás; posteriormente conhecida como Portão dos Traidores, ela substituiu a Torre Sangrenta como a entrada marítima da fortificação. O edifício é único na Inglaterra, com o paralelo mais semelhante é o agora demolido portão aquático do Palácio do Louvre. A doca foi coberta por balestreiros caso o castelo fosse atacado a partir do rio; havia também uma ponte levadiça para controlar a entrada. Havia aposentos luxuosos no primeiro andar.[47] Eduardo também transferiu a Casa da Moeda Real para a torre; não se sabe exatamente onde era sua sede anterior, porém provavelmente ficava na Ala Exterior ou na Torre do Leão.[48] Ela foi transferida novamente em 1560 para outro edifício perto da Torre do Sal.[49] Uma segunta torre chamada Torre do Berço foi adicionada entre 1348 e 1355 ao leste da Torre de São Tomás para o uso particular do rei.[36]

A muralha externa da Torre de Londres, com a muralha de cortina da Ala Interior visível atrás. No centro está o Monte de Legge.

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Guilherme II, Duque da Normandia, invadiu a Inglaterra e saiu vitorioso da Batalha de Hastings em 14 de outubro de 1066, passando o restante do ano garantindo seus novos domínios e fortificando posições chave. Ele encontrou vários castelos no caminho, porém tomou um caminho sinuoso em direção a Londres;[50] [51] ele apenas virou em direção a maior cidade inglesa quando alcançou a Cantuária. Guilherme acabou decidindo saquear Southwark antes de continuar sua viagem pelo sul da Inglaterra já que a ponte fortificada para Londres estava mantida por tropas anglo-saxãs. Várias vitórias normandas cortaram em dezembro de 1066 a linha de suprimentos da cidade, com seus líderes, isolados e inimidados, se rendendo sem lutar.[52] [53] Guilherme estabeleceu 36 castelos entre 1066 e 1087,[51] apesar de referências no Domesday Book indicarem que muitos outros foram fundados por seus subordinados.[54] A nova elite governante empreendeu-se naquilo que foi descrito como "o programa mais extenso e concentrado de construção de castelos em toda história da Europa feudal".[55] Eles eram edifícios multi-propósitos, servindo como fortificações (usadas como base de operações em territórios inimigos), centros de administração e residências.[56]

Guilherme enviou uma comitiva avançada a fim de preparar Londres para sua chegada, celebrar sua vitória e encontrar um castelo; nas palavras do seu biógrafo Guilherme de Poitiers, "certas fortificações foram completadas na cidade contra a inquietação da enorme e brutal população. Ele [Guilherme] percebeu que era de primeira importância intimidar os londrinos".[50] Londres era na época a maior cidade da Inglaterra; a fundação da Abadia de Westminster e do Palácio de Westminster pelo rei Eduardo, o Confessor a haviam estabelecido como um centro de governo, com um porto próspero que era importante para os normandos estabelecerem o controle do assentamento.[53] Outros dois castelos – Castelo de Baynard e a Torre de Montfichet – foram estabelecidos na mesma época.[57] A fortificação que viria a ser conhecida como a Torre de Londres foi construída no canto sudeste das antigas muralhas romanas, usando-as como itens pré-fabricados de defesas, com o rio Tâmisa fornecendo proteção adicional pelo sul.[50] A fase inicial do castelo era cercada por um fosso e defendida por uma paliçada de madeira, contendo provavelmente acomodações adequadas para Guilherme.[58]

A Torre Branca.

A maioria dos primeiros castelos normandos eram construídos com madeira, porém alguns como a Torre de Londres foram renovados ou erconstruídos no final do século XI com pedra.[57] Geralmente considera-se que os trabalhos na Torre Branca – que dá a todo o castelo seu nome – começaram em 1078, porém a data exata é desconhecida. Guilherme encarregou Gundulfo, Bispo de Rochester, da construção, apesar dela talvez não tenha sido concluída até depois da morte do rei em 1087.[9] A Torre Branca é a mais antiga torre de menagem de pedra de toda Inglaterra, sendo o ponto mais forte de todo o castelo original. Também continha grandes acomodações para o monarca.[59] Ela provavelmente foi finalizada por volta de 1100 quando Ranulfo Flambard, Bispo de Durham, foi aprisionado lá.[16] Flambard era odiado pelos ingleses por cobrar impostos severos. Além dele ter sido o primeiro prisioneiro da Torre que se tem registro, ele também foi a primeira pessoa a escapar dela, usando uma corda secretamente passada para ele dentro de uma garrafa de vinho. Flambard foi mantido em luxúria e com criados, porém ele realizou um banquete para seus captores em 2 de fevereiro de 1101. Ele os embebedou e se trancou em uma câmara quando ninguém estava olhando, descendo com a corda pela janela. A fuga foi tão surpreendente que um crônico contemporâneo chegou a acusar o bispo de bruxaria.[60]

A Crônica Anglo-Saxônica registra que o rei Guilherme II ordenou em 1097 a construção de uma muralha ao redor da Torre de Londres; ela provavelmentefoi construída com pedra e deve ter substituído a paliçada de madeira que cercava os lados norte e oeste do castelo, entre a muralha romana e o Tâmisa.[61] A conquista normanda não se manifestou apenas com uma nova classe governante, mas também no modo como Londres foi estruturada. Terras foram confiscadas e distribuídas dentre os normandos, que também trouxeram centenas de judeus por motivos financeiros. Os judeus chegaram sob proteção direta da Coroa, e como resultado as comunidades judias frequentemente ficavam perto dos castelos. Eles usavam a Torre como retiro quando ameaçados ed violência.[62]

A morte de Henrique I em 1135 levou uma disputa pela sucessão na Inglaterra; apesar do rei ter persuadido seus barões mais importantes a apoiarem sua filha Matilde, seu sobrinho Estêvão de Blois chegou da França alguns dias depois e tomou o trono. A importância da cidade e sua Torre foi o que marcou a velocidade com que ele garantiu Londres. O castelo, que há algum tempo não era usado como residência real, era geralmente deixado aos cuidados do Condestável da Torre, posto que na época era mantido por Godofredo de Mandeville. Já que a Torre era considerada uma fortaleza inexpugnável em uma posição estrategicamente importante, sua posse era altamente valiosa. Mandeville explorou isso, vendendo sua aliança para Matilde depois de Estêvão ter sido capturado em 1141 na Batalha de Lincoln. No ano seguinte, quando o apoio dela desapareceu, ele voltou a ser leal para Estêvão. Mandeville acabou se tornando "o homem mais rico e poderoso na Inglaterra" através de seu cargo de condestável. Tempos depois quando ele tentou usar o mesmo estratagema novamente, desta vez conversando secretamente com Matilde, Estêvão o prendeu e o forçou a ceder seus castelos, subsituindo-o por um de seus apoiadores mais leais. Até então a posição de condestável tinha sido hereditária, originalmente entregue a outro Godofredo de Mandeville – um amigo de Guilherme I e ancestral do Godofredo que Estêvão e Matilde lidaram – porém a autoridade do cargo era tão grande que desde então ela passou a ser dada por nomeação do monarca. O condestável era geralmente alguém de grande importância, que nem sempre estava no castelo por causa de outras funções. Apesar dele ainda ficar responsável por manter o castelo e sua guarnição, desde os primeiros anos ele tinha um subordinado para auziliar nessas funções: o Tenente da Torre.[63] Os condestáveis também tinham deveres civis relacionados a cidade. Geralmente eles recebiam o controle de Londres e eram responsáveis por cobrar impostos, garantir a lei e manter a ordem. A criação do cargo de Lorde Prefeito de Londres em 1191 removeu muitos dos deveres civis do condestável, algo que às vezes criava animosidade entre os dois.[64]

Expansão[editar | editar código-fonte]

O castelo manteve sua forma estabelecida em 1100 até o reinado de Ricardo I.[65] Ele foi expandido por Guilherme Longchamp, o Lorde Chanceler de Ricardo e o homem encarregado de cuidar da Inglaterra enquanto o rei estava em cruzada. Os registros mostram que quase três mil libras foram gastas na Torre de Londres entre dezembro de 1189 e novembro de 1190,[66] de um total de cerca de sete mil libras que ele gastou na construção de castelos na Inglaterra.[67] De acordo com crônico contemporâneo Rogério de Hoveden, Longchamp cavou um fosso ao redor do castelo e tentou sem sucesso enchê-lo com água do Tâmisa.[25] Ele também foi nomeado Condestável da Torre e realizou sua expansão enquanto se preparava para uma guerra contra João, irmão mais novo de Ricardo, que na ausência do rei tentou tomar o poder. Como sua principal fortificação, Longchamp tentou fazê-la o mais forte possível. As novas construções foram testadas em outubro de 1211, quando a Torre foi cercada pela primeira vez em sua história. O Lorde Chanceler decidiu capitular com João depois de apenas três dias porque achou que teria mais a ganhar ao se render do que prolongar o cerco.[68]

O complexo da Torre de Londres visto do outro lado do Tâmisa.

João acabou sucedendo Ricardo como rei em 1199, porém seu reinado foi impopular com muitos de seus barões, que acabaram se revoltando contra ele. Roberto Fitzwalter liderou um exército para Londres em 1214 enquanto o rei estava em Windsor e cercou a Torre. A fortificação resistiu apesar de contar com poucos homens, com o cerco acabando depois de João assinar a Magna Carta. O rei voltou atrás em suas promessas de reforma, o que fez estourar a Primeira Guerra dos Barões. Fitzwalter tinha conseguido manter o controle de Londres mesmo depois da Magna Carta. A guarnição da Torre se aliou aos barões durante o conflito. João foi deposto em 1216 e os barões ofereceram o trono inglês a Luís, filho mais velho do rei Luís VII da França. Entretanto, com a morte do rei em outubro, muitos começaram a apoiar a reivindicação de seu filho Henrique. A guerra continuou entre as facções, com Fitzwalter apoiando Luís. Ele manteve o controle de Londres e da Torre até que ficou claro que os apoiadores de Henrique sairiam vitoriosos.[69]

Henrique III e Eduardo I expandiram o castelo durante o século XIII, essencialmente criando o que existe hoje.[19] Henrique era distante de seus barões e a falta de compreendimento mútuo levou a agitações e ressentimentos com seu reinado. Como resultado, o rei estava ansioso para garantir que a Torre de Londres fosse uma fortificação formidável; ao mesmo tempo ele era um esteta e queria que o castelo fosse um lugar confortável para se viver.[70] Quase dez mil libras foram gastas na Torre entre 1216 e 1227; nesse período, apenas o trabalho de quinze mil libras no Castelo de Windsor custou mais. A maioria das obras se concentraram na ala central e nos edifícios palaciais.[18] A tradição de branquear a Torre Branca (da qual deriva seu nome) começou em 1240.[71]

O castelo foi expandido para leste, norte e noroeste a partir de 1238. Os trabalhos duraram pelo restante do reinado de Henrique III e para o de Eduardo I, interrompidos ocasionalmente por agitações civis. Novas criações incluíram um perímetro de defesa, torres cravejadas e um fosso defensivo em todos os lados em que a fortaleza não era protegida pelo rio. A extensão ao leste levou a Torre além dos limites do antigo assentamento romano.[71] A Torre de Londres há muito era vista como um símbolo de opressão desprezada pelos londrinos, com as obras de Henrique sendo impopulares. Os cidadãos da cidade até celebraram em 1240 quando o portão desmoronou.[72] A expansão também causou perturbações localmente, com uma compensação de 166 libras sendo paga ao Hospital de Santa Catarina e ao Priorado da Santíssima Trindade.[73]

Henrique III frequentemente realizava a corte na Torre de Londres, também realizando o parlamento lá em duas ocasiões (1236 e 1261) por achar que seus barões estavam ficando perigosamente rebeldes. Os barões descontentes liderados por Simão de Montfort, 6.° Conde de Leicester, forçaram o rei em 1258 a concordar com reformas que incluiam a realização regular de parlamentos. Abrir mão da Torre de Londres também era uma das reivindicações. Henrique III não queria perder seu poder e procurou permissão papal para quebrar seu juramento. Ele se instalou na Torre em 1261 com a ajuda de mercenários. O rei se abrigou no castelo enquanto negociava com os barões, apesar de nenhum exército ter tentado tomá-lo. Uma trégua foi concordada sob a condição que Henrique entregasse o controle da Torre. Ele conseguiu uma grande vitória em 1265 na Batalha de Evesham, permitindo que reconquistasse o país e a fortificação. O cardeal Ottobuono Fieschi foi para a Inglaterra excomungar todos que ainda permaneciam em rebelião; a ação foi extremamente impopular e ficou ainda pior quando o cardeal recebeu a custódia da Torre de Londres. Gilberto de Clare, 7.º Conde de Gloucester, marchou para Londres e cercou o castelo em abril de 1267, declarando que a custódia da Torre "não é um posto a ser confiado nas mãos de um estrangeiro, muito menos um eclesiasta".[74] Gilberto não conseguiu tomar a fortificação mesmo com um grande exército e máquinas de cerco. Ele recuou, permitindo que Henrique retomasse a cidade, com a Torre ficando em paz pelo restante de seu reinado.[75]

Eduardo I raramente passava seu tempo em Londres, porém realizou extensas reformulações na Torre ao custo de 21 mil libras entre 1275 e 1285, mais do que o dobro do que havia sido gasto no reinado de Henrique III. Eduardo tinha experiência na construção de castelos e usou o que aprendeu durante as cruzadas para trazer inovações para suas fortificações.[76] Seu programa de construção de castelos no País de Gales anunciou a introdução do amplo uso de balestreiros em castelos europeus, influenciados pela arquitetura oriental.[77] Eduardo preencheu o fosso cavado por Henrique e construiu uma nova muralha de cortina ao longo da Torre de Londres. Outro fosso foi criado em frente da nova muralha. A parte oeste da muralha de Henrique III foi reconstruída, com a Torre de Beauchamp substituindo o antigo portão do castelo. Uma nova entrada foi criada com defesas elaboradas, incluindo dois portões e um barbacã.[78] Eduardo também ergueu dois moinhos de água para tentar deixar o castelo autosuficiente.[79] Seiscentos judeus chegaram a ser aprisionados na Torre de Londres em 1278 sob a acusação de desvalorizarem a moeda.[62] A perseguição da população judia começou sob Eduardo em 1276, culminando em 1290 quando ele publicou o Édito de Expulsão, forçando todos para fora do país.[80]

Período medieval[editar | editar código-fonte]

Miniatura da Torre de Londres em sua configuração depois das expansões de Eduardo I.

Poucas atividades ocorreram na Torre de Londres durante o reinado de Eduardo II.[81] Mesmo assim, foi nesse período que o Guarda-Roupas Privado foi fundado. A instituição era baseada na Torre e responsável por organizar as vestes de estado.[82] Margarida de Clare se tornou em 1321 a primeira mulher a ser aprisionada na Torre depois de barrar a entrada da rainha Isabel da França, esposa de Eduardo II, no Castelo de Leeds[83] e ordenar que seus arqueiros disparassem contra Isabel, matando seis membros de sua comitiva real.[84] Entretanto, a fortificação não era completamente segura, com muitas pessoas tendo subornado os guardas para ajudar na fuga ao longo de sua história. Rogério Mortimer, 1.º Conde de March, foi auxiliado em 1322 em sua fuga pelo sub-tenente da Torre que deixou que os homens de Mortimer entrassem. Eles abriram um buraco na parede de sua cela e ele fugiu em um barco que estava esperando. O conde foi para a França onde encontrou Isabel. Os dois começaram um caso e conspiraram derrubar o rei. Uma de suas primeiras ações ao voltar para a Inglaterra foi capturar a Torre de Londres e libertar seus prisioneiros. Mortimer e Isabel governaram o país por três anos enquanto Eduardo III ainda era jovem; Eduardo e seus apoiadores capturaram Mortimer em 1330 e o jogaram do alto da Torre.[85] Durante seu reinado a Inglaterra teve sucessos militares depois do reinado de Eduardo II ter colocado o reino atrás dos escoceses e franceses. Dentre suas vitórias mais famosas estão as batalhas de Crécy e Poitiers, onde o rei João II da França foi feito prisioneiro, e também a Batalha de Neville's Cross, em que o rei David II da Escócia também foi capturado. A Torre de Londres abrigou vários prisioneiros nobres durante esse período.[86] Eduardo II tinha deixado que o castelo caísse em estado de abandono,[36] sendo um lugar desconfortável durante o reinado de Eduardo III. A nobreza mantida em cativeiro dentro de suas muralhas não podiam realizar atividades como a caça, que era permitida em outros castelos reais utilizados como prisões. O rei acabou ordenando que a Torre fosse renovada.[87]

Representação do século XV do aprisionamento de Carlos, Duque d'Orleães e sobrinho do rei francês. Esta é a imagem mais antiga da Torre de Londres que se tem registro.[88]

Ricardo II ascendeu ao trono em 1377 e liderou uma procissão da Torre até a Abadia de Westminster durante sua coroação. Essa tradição começou no final do século XIV e durou até 1660.[86] O castelo foi cercado em 1381 durante a Revolta Camponesa com o rei dentro. Uma multidão conseguiu entrar na Torre e saquear a Casa das Jóias quando Ricardo saiu para se encontrar com o líder rebelde Wat Tyler. Simão Sudbury, o Arcebispo da Cantuária, se refugiu na Capela de São João na esperança que a turba fosse respeitar o santuário. Entretanto, ele foi capturado e decapitado no Morro da Torre.[89] Houve mais agitações civis seis anos depois e o rei passou o natal na Torre de Londres por segurança, ao invés de em Windsor como era o costume.[90] Ricardo acabou aprisionado na Torre em 1399 quando Henrique Bolingbroke voltou de seu exílio. Ele abdicou e foi sucedido por Bolingbroke, que se tornou o rei Henrique IV.[89] Houve poucos trabalhos de construção na fortificação durante o século XV, mas mesmo assim ele manteve-se como um importante local de refúgio. Quando os apoiadores de Ricardo II tentaram realizar um golpe, Henrique IV se refugiou na Torre. O castelo também manteve importantes prisioneiros nesse período. Jaime, Duque de Rothesay e herdeiro do trono escocês, posterior rei Jaime I da Escócia, foi sequestrado em 1406 enquanto viajava para a França e mantido na Torre. O reinado de Henrique V renovou a sorte da Inglaterra na Guerra dos Cem Anos. Como resultado de suas vitórias, como a Batalha de Azincourt, muitos prisioneiros de alto valor foram aprisionados no castelo até que resgates fossem pagos.[91]

A maior parte da segunda metade do século XV foi marcada pela Guerra das Rosas entre duas casas reais reivindicando o trono, Lencastre e Iorque.[92] A Torre de Londres foi cercada novamente em 1460 pelas forças iorquistas. Ela foi danificada por tiros de artilharia, porém apenas se rendeu depois do rei Henrique VI ter sido capturado na Batalha de Northampton. Henrique recapturou o trono com a ajuda de Ricardo Neville, 16.º Conde de Warwick, por um breve período em 1470. Entretanto, Eduardo IV reconquistou o controle e Henrique VI foi aprisionado no castelo, onde provavelmente foi assassinado.[89] A Torre foi fortificada durante os anos de guerra para suportar tiros de canhão e equipada com ameias para canhões e armas menores; um pequena muralha foi criada para esse propósito ao sul do Morro da Torre, porém ela não existe mais.[92]

Eduardo IV morreu em 1483 e tradicionalmente acredita-se que o assassinato dos Príncipes da Torre aconteceu pouco depois. O incidente é um dos eventos mais infâmes associados com a Torre de Londres.[93] Ricardo, Duque de Gloucester, foi declarado Lorde Protetor poque seu sobrinho o rei Eduardo V era muito jovem para governar.[94] Os relatos tradicionais dizem que Eduardo, então com apenas doze anos de idade, foi confinado na Torre de Londres junto com seu irmão Ricardo de Shrewsbury, Duque de Iorque. O Duque de Gloucester foi proclamado rei em julho do mesmo ano como Ricardo III. Os dois irmãos foram vistos em público pela última vez em junho;[93] desde então acreditou-se que a razão mais provável por seu desaparecimento é que ambos foram assassinados no verão de 1483.[94] Ossos que se acreditavam pertencer aos dois foram descobertos em 1674 quando uma parte da entrada da Torre Branca foi demolida; porém, o nível em que foram encontrados colocariam os ossos em uma profundidade similar de um cemitério romano descoberto no século XXI à algumas centenas de metros ao norte.[95] A oposição contra Ricardo III cresceu até ele ser derrotado e morto em 1485 na Batalha de Bosworth Field pelo lencastriano Henrique Tudor, que tomou o trono como o rei Henrique VII.[93]

Diferentes usos[editar | editar código-fonte]

O começo do período da Casa de Tudor marcou o início do declínio da Torre de Londres como residência real. O crônico Raphael Holinshed do século XVI disse que o castelo estava sendo mais usado como "um depósito de arsenais e munição, e para isso um lugar de custódia de ofensores do que um palácio real para um rei ou rainha desfrutarem".[88] Os Alabardeiros da Guarda eram os guarda-costas reais desde pelo menos 1509.[96] Foi avaliado durante o reinado de Henrique VIII que a Torre precisava de trabalhos consideráveis em suas defesas. Tomás Cromwell gastou 3.593 libras em reparos durante 1532 e importou quase três mil toneladas de pedras de Caen para as obras.[33] Isso mesmo assim não foi o suficiente para elevar o castelo ao padrão de fortificações militares que eram projetadas para aguentar uma forte artilharia.[97] Apesar das defesas terem sido consertadas, os edifícios do palácio foram deixados em estado de negligência após a morte de Henrique. Suas condições eram tão ruins que ficaram virtualmente inabtáveis.[88] A Torre de Londres foi apenas utilizada como residência real depois de 1547 quando seu simbolismo histórico e político era considerado útil, como por exemplo Eduardo VI, Maria I e Isabel I permaneceram brevemente na Torre antes de suas coroações.[98]

História recente[editar | editar código-fonte]

O uso militar da Torre como fortificação, tal como o de outros castelos, tornou-se obsoleto com a introdução da artilharia, pelo que o fosso foi drenado em 1830. De qualquer forma a Torre serviu como quartel general da "Board of Ordnance" até 1855, e foi ainda usada ocasionalmente como prisão, mesmo durante as duas Guerras Mundiais. Em 1780, a Torre teve o seu único prisioneiro norte-americano, o antigo Presidente do Congresso Continental, Henry Laurens. Na Primeira Guerra Mundial, foram mortos na Torre onze espiões alemães. O rebelde irlandês, Roger Casement, foi aprisionado na Torre durante o seu julgamento por traição, em 1916. A última execução, a do espião alemão Josef Jakobs, teve lugar durante a Segunda Guerra Mundial.

A "Middle Tower" (ao centro) guarda a outra entrada através do, agora, fosso seco.

Em 1942, o deputado de Hitler, Rudolf Hess, foi aprisionado na Torre por quatro dias. Durante este período, O Comandante da RAF, George Salaman, foi colocado em segredo na mesma cela, personificando um oficial Luftwaffe, para espiar Hess. Apesar de estar a actuar e não ter sido um verdadeiro recluso, Salaman permanece como o último inglês a estar fechado na Torre de Londres. A Torre foi usada como prisão para prisioneiros de guerra alemães ao longo do conflito.

Os quartéis de Waterloo permaneceram em uso como base do 1º Batalhão Real de Fuzileiros (Regimento da Cidade de Londres) até à década de 1950; durante o ano de 1952, os gémeos Kray foram brevemente detidos aqui, fazendo deles uns dos últimos prisioneiros da Torre; o último cidadão britânico aprisionado por um período de tempo considerável foi o oficial do exército Norman Baillie-Stewart, entre 1933 e 1937.

Apesar de já não ser uma Residência Real, a Torre permanece oficialmente um Palácio Real e, como tal, mantém uma Guarda permanente: esta encontra-se entre a unidade formada pela Guarda da Rainha no Palácio de Buckingham. São mantidos dois sentinelas durante o período em que a Torre está aberta, um estacionado no exterior da Jewel House e o outro no exterior da Queen's House.

Em 1974, uma bomba explodiu na Sala dos Morteiros da Torre Branca, provocando uma morte e deixando 41 feridos. Ninguém reivindicou responsabilidade pelo golpe, de qualquer forma a polícia investigou suspeitas de que o IRA estaria por trás do ocorrido.[99]

Joias da Coroa[editar | editar código-fonte]

A Coroa Imperial do Estado.

A tradição de abrigar as Joias da Coroa Britânica na Torre de Londres provavelmente data do reinado de Henrique III. A Casa das Joias foi construída especificamente para acomodar a regalia real, incluindo joias, pratos e símbolos da realeza como a coroa, cetro e espada. O tesouro podia ser penhorado pelo monarca na necessidade de arrecadar dinheiro. O tesouro permitia que o soberano tivesse independência da aristocracia, consequentemente sendo muito bem protegido. Foi criada uma posição para "guardião das joias, arsenais e outras coisas", que era bem remunerada; o ocupante do cargo ganhava doze moedas por dia durante o reinado de Eduardo III. A posição cresceu e incluiu outras funções, como comprar joias reais, ouro e prata, e a nomeação de ourives e joalheiros.[100] Os conteúdos da Casa das Joias foram descartados em 1659 durante a Guerra Civil Inglesa junto com as outras propriedades reais. Itens de metal foram enviados para a Casa da Moeda a fim de serem derretidos e reutilizados, enquanto as coroas foram "totalmente quebradas e desfiguradas".[101] Os únicos itens que haviam sobrevivido em 1660 na restauração da monarquia eram uma colher do século XII e três espadas cerimonias. O resto das joias tiveram de ser recriadas. A Casa das Joias foi demolida em 1669[24] e as Joias da Coroa foram transferidas para a Torre de Martin, onde podiam ser vistas pelo público mediante o pagamento de ingresso. Thomas Blood tentou aproveitar isso dois anos depois e roubá-las.[102] Ele e seus cúmplices nocautearam e amarram o guardião da Casa das Joias; apesar de terem conseguido tocar na Coroa Imperial do Estado, no Centro e na Orbe, eles foram frustrados quando o filho do guardião apareceu de surpresa e soou o alarme.[101] [103] As Joias da Coroa estão atualmente guardadas no Quartel de Waterloo.[41]

Fantasmas[editar | editar código-fonte]

O fantasma da rainha Ana Bolena, decapitada em 1536 por traição contra seu marido Henrique VIII, supostamente assombra a Capela Real de São Pedro ad Vincula, onde foi enterrada, e também fala-se que ela já foi vista caminhando pela Torre Branca carregando sua cabeça embaixo do braço.[104] Outros fantasmas relatados incluem Henrique VI, Joana Grey, Margarida Pole, 8.ª Condessa de Salisbury, Eduardo V e Ricardo de Shrewsbury, Duque de Iorque. Um guarda que estava patrulhando o lado de fora da Casa das Jóias afirmou em janeiro de 1816 que viu a aparição de um urso indo em sua direção, com o homem supostamente tendo morrido de pavor alguns dias depois por causa do incidente.[105] Uma aparição tubular e brilhante supostamente foi vista na Casa das Jóias por Edmund Lenthal Swifte, Guardião das Jóias da Coroa. Ele afirmou que o fantasma flutuou sobre o ombro de sua esposa, fazendo com que ela exclamasse: "Oh, Deus! Ele me pegou!". Outras assombrações sem nome e forma também já foram relatadas mais recentemente pelos funcionários do turno da noite.[106]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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