Luís VIII de França

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Luís VIII
Grand Royal Coat of Arms of France.svg
Rei dos Francos
Coronation of Louis VIII and Blanche of Castille 1223.jpg
Coroação de Luís VIII e Branca de Castela,
iluminura de Jean Fouquet,
Grandes Chroniques de France
Governo
Reinado 14 de Julho de 1223 a
8 de Novembro de 1226
Coroação 6 de Agosto de 1223
Catedral de Reims
Consorte Branca de Castela
Antecessor Filipe II
Sucessor Luís IX
Dinastia Capetiana
Títulos Conde de Artois (11901226)
Rei da Inglaterra (12161217)
Vida
Nascimento 5 de Setembro de 1187
Paris, França
Morte 8 de Novembro de 1226 (39 anos)
Montpensier, França
Sepultamento Basílica de Saint-Denis, França
Filhos Branca
Inês
Filipe
Afonso
João
São Luís
Roberto I de Artois
Filipe
João
Afonso III de Poitiers
Filipe Dagoberto
Estêvão
Isabel
Carlos I da Sicília
Pai Filipe II de França
Mãe Isabel de Hainaut

Luís VIII de França, o Leão (Paris, 5 de Setembro de 1187Montpensier, 8 de Novembro de 1226) foi rei dos Francos de 1223 até à sua morte, o oitavo da chamada dinastia dos capetianos directos.

Foi também conde de Artois de 1190 a 1226 por herança da sua mãe e, de 1216 a 1217, durante a sua campanha contra João Sem Terra, foi proclamado rei da Inglaterra pela maioria da nobreza e do clero desse país. O curto reinado de Luís foi a continuação das políticas do seu pai, de conflito com os Plantagenetas pelos territórios destes em França e de reafirmação do poder real sobre a nobreza.

Príncipe Luís[editar | editar código-fonte]

Filho de Filipe II de França e de Isabel de Hainaut, houve muito júbilo pelo seu nascimento, pois as dinastias de Carlos Magno e Hugo Capeto finalmente se uniam num único herdeiro.

Aos 12 anos de idade, Luís casou-se com Branca de Castela, neta de Leonor da Aquitânia, a primeira esposa do seu avô Luís VII de França. A cerimónia ocorreu a 23 de Maio de 1200, depois de longas negociações entre Filipe Augusto e João Sem Terra.

Cognominado Coração de Leão ou o Leão, para o distinguir de Ricardo I da Inglaterra, foi no reinado do seu pai que Luís obteve o seu renome. Em Fevereiro de 1214, João I da Inglaterra desembarcou na França, em La Rochelle, para atacar Filipe Augusto. Em Maio subiu até ao vale do rio Loire e tomou Angers.

Miniatura medieval do nascimento de Luís VIII de França, Grandes Chroniques de France

Filipe, ocupado com um conflito na Flandres, confiou a defesa a Luís, que se dirigiu imediatamente para a fortaleza de Roche-aux-Moines, perto de Angers. Com a aproximação do exército francês, que incluía uns intimidantes 800 cavaleiros, João e os nobres aquitânios hesitaram e acabariam por fugir a 2 de Julho.

Em 1216 os nobres ingleses revoltaram-se contra o impopular rei João I da Inglaterra na Primeira Guerra dos Barões e ofereceram o trono ao príncipe Luís. Apresentando uma interpretação desde o início contestável da genealogia da sua esposa Branca de Castela, o príncipe Luís conduziu uma expedição ao o reino insular a convite dos nobres.

O desembarque ocorreu em Maio de 1216 e Luís, à cabeça do seu numeroso exército (1.200 cavaleiros e numerosos rebeldes ingleses[1] ), encontrou resistência apenas em Windsor, Lincoln e Dover e entrou em Londres. Foi proclamado rei, mas não coroado, na Catedral de São Paulo em Maio do mesmo ano, numa grande cerimónia de celebração com a presença da capital em peso. Muitos nobres, e até o rei Alexandre II da Escócia, compareceram para lhe prestar homenagem.

Em 14 de Junho tomou Winchester e em pouco tempo conquistou metade do reino da Inglaterra. Mas apesar da calorosa recepção reservada ao francês por uma maioria de bispos ingleses, o apoio do papa Inocêncio III a João Sem Terra continuou firme e Luís foi excomungado. João acabou por morrer subitamente de disenteria a 19 de Outubro, e os seus antigos aliados rapidamente coroaram o seu filho Henrique III da Inglaterra, com nove anos de idade.

O papa também faleceu, mas o seu sucessor Honório III continuou a defender os súbditos leais aos Plantagenetas. Os bispos retiraram o apoio ao Capeto e, depois e um ano e meio de guerra civil, os rebeldes repensaram a sua posição. O príncipe voltou a França no início de 1217 para procurar apoiantes e, ao retornar à Inglaterra, foi vencido pelo regente William Marshal na batalha de Lincoln.

Luís teve de abandonar a sua pretensão à coroa inglesa, assinando o tratado de Lambeth em 11 de Setembro de 1217 com uma contrapartida monetária, e assim a sua excomunhão foi levantada. Pelo texto deste tratado, o príncipe concordou que nunca fôra o legítimo rei da Inglaterra, pelo que não se costuma inclui-lo na lista de monarcas britânicos.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Depois da morte do seu pai em 14 de Julho de 1223 Luís VIII foi coroado a 6 de Agosto, na catedral de Reims. Continuou o conflito com os angevinos usando o pretexto de que a corte da Inglaterra não tinha cumprido todas as condições do tratado de Lambeth, pelo que aproveitou a minoridade de Henrique III para tomar as últimas possessões inglesas na França.

Retomou grande parte da Aquitânia, com as cidades desta região caindo em sequência em uma rápida campanha em 1224: Poitou, Saintonge, Périgord, Limousin, Angoumois e uma parte de Bordéus. Henrique III da Inglaterra ficaria apenas com o restante da região de Bordéus e da Gasconha, as únicas possessões não atacadas. Depois seguiu-se a conquista de Avinhão e Languedoc.

Nesta época, o sul da França estava em conflito devido aos albigenses. Em 1218, Simão de Monforte morreu e o seu filho Amaury sucedeu-o no condado do Languedoc. No entanto, este preferiu abandonar o Meio-Dia-Pirenéus, aceitando ceder os seus direitos ao rei da França em troca da importante dignidade de condestável.

Mapa das possesões inglesas (a vermelho) na França no início da Guerra dos Cem Anos. A extensão do ducado da Aquitânia, que seria renomeado para Guyenne no reinado de São Luís, é sensivelmente a deixada por o Leão depois das suas conquistas.

Em 1 de Novembro de 1223, Luís decretou a proibição de os seus oficiais registrarem dívidas a judeus, assim revertendo as políticas do seu pai. A usura era uma prática ilegal para os cristãos, de acordo com a lei da Igreja era vista como um vício em que as pessoas lucravam do infortúnio de outros, e era punível por excomunhão.

No entanto, uma vez que os judeus não podiam ser excomungados, havia um buraco legal que os governantes seculares por vezes exploravam ao permitir ou solicitar serviços de usura à comunidade judaica, frequentemente para lucros pessoais. A proibição de Luís VIII foi uma tentativa de resolver este problema, que era uma constante fonte de fricção entre os tribunais da Igreja e do Estado.

Vinte e seis barões aceitaram, mas não o poderoso conde Teobaldo IV de Champagne, que tinha um acordo com os judeus que lhe garantia rendimentos através de impostos. Teobaldo tornar-se-ia num dos principais opositores ao domínio capetiano, e a sua hostilidade foi manifesta durante o reinado de Luís. Por exemplo, durante o cerco de Avinhão cumpriu apenas a obrigação mínima ao seu suserano de 40 dias, e abandonou o campo sob acusações de traição.

O conde Raimundo VII de Toulouse esteve sempre sob suspeita da Igreja de abrigar os cátaros nas suas terras. Em 1225, o concílio de Bourges excomungou-o, declarou que destruir a heresia era uma necessidade e que era indispensável uma nova cruzada contra os cátaros.

O Leão, já tendo participado em anteriores campanhas no reinado do seu pai, foi escolhido para liderar a nova expedição e voltou de bom grado ao conflito para poder fazer valer os seus direitos reais. O conde Rogério-Bernardo II de Foix tentou manter a paz, mas o rei rejeitou a sua embaixada, impelindo-o a aliar-se com os condes de Toulouse contra a coroa.

Luís seria na generalidade bem sucedido, mas não conseguiria concluir a subjugação antes da sua morte. Na Páscoa de 1226, milhares de cavaleiros (os cronistas da época informam um número de 50.000, o que parece exagerado) juntaram-se ao rei em Bourges. Este exército dirigiu-se para o vale do rio Ródano e, à sua aproximação, os senhores e as cidades apressaram-se a fazer-lhe a sua submissão.

No entanto, a cidade de Avinhão, que pertencia a Raimundo VII, recusou abrir as suas portas. Foi então feito o cerco à praça-forte que era considerada a chave do Languedoc. Ao fim de três meses foi tomada e Nîmes, Castres, Carcassonne e Albi renderam-se a Luís VIII. Raimundo VII fechou-se em Toulouse. Os cruzados, atacados por doenças, decidiram adiar o cerco. O Leão morreria antes de Toulouse cair, apenas em 1228.

Ao voltar a Paris, Luís VIII adoeceu com disenteria e morreu a 8 de Novembro de 1226 no castelo de Montpensier, na Auvérnia. Foi sepultado na basílica de Saint-Denis, sendo sucedido pelo seu filho Luís IX de França.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Em 23 de Maio de 1200, Luís VIII casou-se com Branca de Castela, filha de Afonso VIII de Castela e Leonor Plantageneta. Desta união nasceram:

Referências e bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Luís VIII de França
  1. Philippe Auguste et son gouvernement - Les fondations du pouvoir royal en France au Moyen Âge, John Baldwin, traduzido para inglês por Béatrice Bonne, prefácio de Jacques Le Goff, Fayard, 1991
Precedido por:
Filipe II
Armas da dinastia capetiana
Rei de França

1223 - 1226
Sucedido por:
Luís IX
Precedido por:
Isabel de Hainaut
Armas do condado de Artois
Conde de Artois

11901226


Precedido por
João
Rei da Inglaterra
(reconhecido mas não coroado,
disputado por João
e depois por Henrique III
até à sua renúncia)

12161217
Sucedido por
Henrique III