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Dinastia capetiana

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Dinastia Capetina
Capétiens

Capeto
Grandes armas do reino de França
Grandes armas do reino de França
no final do Antigo Regime
Família parenterobertina
Estado França (origem)
 Andorra
 Império do Brasil
Império Latino
 Duas Sicílias
Espanha
Etrúria
Hungria
Lucca
 Luxemburgo
Reino de Nápoles
 Navarra
Parma
 Polónia
Portugal
Reino da Sicília
 Inglaterra
Ducado de Milão
Escócia
OrigemFrança (Nêustria)
Fundação987
FundadorHugo Capeto
Chefe atualLuís de Bourbon
Lugar históricoVersalhes, Louvre, Tulherias (França)
TítulosRei de França, Rei de Navarra, Rei de Espanha, Rei das Duas Sicílias, Duce de Parma, Grão-duque do Luxemburgo, Imperador latino de Constantinopla
EtniaFrancos
ReligiãoCatolicismo
Deposição1217 (Inglaterra)
1387 (Hungria)
1790 (Navarra)
1807 (Etrúria)
1848 (França e Andorra)
1847 (Lucca)
1859 (Parma)
1861 (Duas Sicílias)
1889 (Brasil)
1910 (Portugal)
Ramos de cadetes
A Casa de Capeto é considerada a mais antiga dinastia real do mundo em sucessão masculina direta. Todas as atuais casas reais europeias descendem dela, pelo menos por linha feminina.

A Dinastia Capetina, também chamada Capetíngia ou Capetiana, é uma dinastia principesca de origem franca, descendente dos Robertianos, cuja origem certa remonta a Roberto o Forte, que viveu no século IX na Nêustria e cujo trisneto Hugo Capeto foi eleito rei dos Francos em 987.

Os descendentes de Hugo Capeto reinam sobre a França sem interrupção até 1792 (com a linha direta até 1328, depois as ramas cadetes dos Valois até 1589 e dos Bourbons), e novamente de 1814 a 1848, com uma interrupção durante os Cem Dias. Luís Filipe (quarta casa capetiana de Orleães) é o último soberano da dinastia na França.

A dinastia capetiana é a que mais influenciou os povos da Europa durante a Idade Média. Principalmente baseados na França, os Capetianos reinaram sobre: o reino da França, o reino de Portugal, o reino de Aragão, o reino de Navarra, o Império Latino de Constantinopla, o reino da Polônia, o reino da Hungria (sucedendo ao dos Magiares/Ávaros), um ducado no Sacro Império Romano-Germânico e um no reino da Inglaterra.

Os Capetianos formam tradicionalmente a terceira dinastia dos reis da França (também chamada terceira raça), após os Merovíngios e os Carolíngios. Eles também reinam sobre outros Estados europeus (como Portugal, Borgonha, Nápoles, Espanha, Hungria, Polônia, Luxemburgo, etc.) e do mundo (como os Courtenay, que foram imperadores de Constantinopla). Além disso, com apenas um grau de descendência feminina, todas as dinastias principescas europeias são capetianas.

Também se designa por Robertianos a família dos ancestrais agnáticos de Hugo Capeto, em referência ao nome do bisavô deste, Roberto o Forte, marquês da Nêustria morto em 866.[nota 1]

Segundo o historiador Karl Ferdinand Werner, os Capetianos constituem a mais antiga dinastia real em sucessão masculina do mundo.[1] De fato, com os dois reis robertianos Odo e Roberto I, de 888 a 1848, a dinastia de Hugo Capeto deu trinta e sete reis à França.[2] Os Capetianos deram também treze reis a Nápoles e à Sicília,[3] onze reis à Espanha,[4] quatro reis à Hungria,[5] três reis à Polônia,[5] dois grão-duques ao Luxemburgo,[nota 2] trinta e dois reis a Portugal,[6] dois imperadores ao Brasil e três imperadores latinos de Constantinopla.[6][7]

Atualmente, ramos cadetes da Casa Capetina continuam reinando: o grão-duque de Luxemburgo Guilherme V e o rei da Espanha Filipe VI são descendentes diretos.

A origens dos capetianos

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Antes de Hugo Capeto, dois membros da família dos Robertianos foram reis dos Francos, com reinados intercalados entre os dos Carolíngios: Odo I e Roberto I. Estes dois primeiros reis eram filhos de Roberto o Forte. A origem da família dos ancestrais de Hugo Capeto permaneceu desconhecida durante muito tempo, o que permitiu a formulação de diversas conjecturas. No século XX, os trabalhos de três historiadores, permitiram esclarecer uma série de hipóteses e quase-certesas sobre a história e a genealogia dos Robertianos.[8][9][10] Os ancestrais dos Capetianos formariam um grupo familiar constituído por servidores dos últimos Merovíngios na Nêustria, como Roberto, referendário de Dagoberto I, e depois por próximos dos primeiros Carolíngios na Austrásia, como Roberto I, conde de Hesbaye e de Worms, morto em 764.[11][12]

Em 836, um dos membros presumidos desta família, Roberto o Forte, vindo da Austrásia, tomou partido por Carlos II o Calvo contra o irmão deste, Lotário I, o que o levou a abandonar as suas possessões renanas pela vale do Loire, onde o rei lhe concedeu importantes condados.[10] A fraqueza dos Carolíngios (minoridade de Carlos III o Simples, morte prematura de Luís IV, Lotário e Luís V), aliada à energia dos Robertianos tanto perante os invasores normandos como perante o poder real, esteve na origem da ascensão da linhagem de Hugo Capeto.[13]

O prestígio da família dos Robertianos era anterior aos feitos de Roberto o Forte e dos seus filhos, como testemunham os seus numerosos laços familiares comprovados ou possíveis com os Carolíngios. A ascensão desta família traduziu-se pela acessão ao trono de dois dos seus membros e, em seguida, pela obtenção do título de dux francorum (duque dos Francos) por Hugo o Grande, pai de Hugo Capeto. Este último, tal como Carlos Martel e o seu filho Pepino o Breve que substituíram os Merovíngios, também detinha este título antes de substituir os Carolíngios à cabeça do reino dos Francos.[14][15]

Ver também

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Notas

  1. Esse prenome será transmitido dos Robertianos aos Capetianos diretos, que o atribuirão quase a cada geração a um de seus filhos, até Filipe IV, o Belo.
  2. Desde o grão-duque João, o nome da Casa de Nassau-Weilburg foi substituído pelo nome da Casa de Bourbon-Parma

Referências

  1. Lettres-patentes du Roi. sur décrets de l'Assemblée nationale des 15 janvier, 16 et 26 février 1790, qui ordonnent la division de la France en quatre-vingt-trois départements (em francês). [S.l.]: Imprimerie nationale. 4 de março de 1790. letpat_mars 
  2. Encyclopædia Universalis (em francês). 20. [S.l.: s.n.] 1975. p. 2154. ISBN 2-85229-281-5 
  3. Encyclopædia Universalis (em francês). 20. [S.l.: s.n.] 1975. p. 2161. ISBN 2-85229-281-5 
  4. Encyclopædia Universalis (em francês). 20. [S.l.: s.n.] 1975. p. 2160. ISBN 2-85229-281-5 
  5. a b Encyclopædia Universalis (em francês). 20. [S.l.: s.n.] 1975. p. 2156. ISBN 2-85229-281-5 
  6. a b Encyclopædia Universalis (em francês). 20. [S.l.: s.n.] 1975. p. 2159. ISBN 2-85229-281-5 
  7. Saunier-Seïté, Alice (1998). Les Courtenay (em francês). [S.l.]: France-Empire 
  8. Glöckner, Karl (1937). Lorsch und Lothringen, Robertiner und Capetinger (em alemão). 89 (NF 50). Karlsruhe: Zeitschrift für die Geschichte des Oberrheins. pp. 301–354 
  9. Werner, Karl Ferdinand (1996). Les premiers Robertiens et les premiers Anjo (IXe-début Xe siècle). Mémoires de la Société des antiquaires de l'Ouest (em francês). [S.l.: s.n.] 
  10. a b Settipani, Christian; Van Kerrebrouck, Patrick (1993). La Préhistoire des Capétiens (481-987). [S.l.: s.n.] p. 399. ISBN 2950150934 
  11. Pinoteau, Hervé (2003). La symbolique royale française, ve – xviiie siècle (em francês). Jean de Vaulchier. [S.l.]: PSR éditions. p. 43. ISBN 2908571366 
  12. Noizet, Hélène (17 de março de 2007). «L'ascension du lignage robertien: du val de Loire à la Francie» (pdf). Hal Open Science (em francês). Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  13. «Robert der Tapfere Graf von Paris und Tours». www.manfred-hiebl.de (em alemão). Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  14. van Kerrebrouck, Patrick (2004). La maison de Bourbon : 1256-2004 (em francês). [S.l.: s.n.] p. 878. ISBN 295015090X 
  15. Lafont, Robert (2008). L'État et la langue (em francês). [S.l.]: Sulliver. p. 49. ISBN 2351220471 

Bibliografia

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