Ir para o conteúdo

Lista de monarcas de Portugal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Bandeira utilizada por reis portugueses entre os séculos XVII e XX.

Esta é uma lista de monarcas de Portugal desde o surgimento do Condado Portucalense como um Estado-vassalo do Reino de Leão, passando pela independência de Portugal, que outorga definitivamente a Afonso Henriques, então conde de Portucale, o título de rei de Portugal. A lista segue até o declínio da monarquia portuguesa e à implantação da República Portuguesa, a 5 de outubro de 1910, que depôs o último rei português, Manuel II.

Portugal passou por séries de famílias dinásticas que governaram o reino por séculos durante o segundo milénio, devem-se citar como exemplo as dinastias de Bragança, Borgonha e Avis. Os mais notáveis monarcas da casa de Borgonha incluem: Afonso I, devido a sua importância na independência de Portugal e Dinis, por sua importância na educação e marinha. Enquanto isso, os monarcas mais notáveis da casa de Bragança são Pedro IV, por ter sido o fundador e imperador do Império do Brasil entre 1822 e 1831,[1] também é conhecido por ter lutado contra seu irmão Miguel na Guerra Civil Portuguesa; João IV, restaurador da soberania de Portugal após a Guerra da Restauração, e João V, que financiou obras impulsionadas pelo ouro do Brasil. Os monarcas notáveis da casa de Avis são João I, que colonizou a cidade de Ceuta em 1415 e fundou o Império Português, além de garantir a independência de Portugal contra o Reino de Castela após vencer a Batalha de Aljubarrota;[2] E Sebastião, que é conhecido por ter desaparecido após a Batalha de Alcácer-Quibir, que gerou uma crise de sucessão e levou ao surgimento da União Ibérica.[3]

Desde 1249, os reis de Portugal também se tornam reis do Reino do Algarve, um reino nominal localizado no extremo sul de Portugal. Afonso III foi o primeiro rei português a gozar do título de rei de Algarve. Em 1815, após a união pessoal entre Brasil, Portugal e Algarves, é criado o título de Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves; cujo foi utilizado até a dissolução desta união em 1822.[4]

Atribui-se o título de Dom aos reis portugueses a partir de Afonso Henriques, o título também foi utilizado por príncipes, infantes e outros nobres.[5] O título passou, por influência da monarquia portuguesa, a ser utilizado pelos imperadores do Brasil após sua independência.[6]

Afonso I (esquerda) e Manuel II (direita) foram, respectivamente, o primeiro e o último rei de Portugal.

Condes presores do Porto

[editar | editar código]

A reocupação e possível reconstrução ou fortificação de Portucale verificou-se após a presúria de Vímara Peres, em 868, vivendo, a partir de então, um próspero período da sua história: daí partiu toda a acção de reorganização, bem-sucedida, em alguns casos de repovoamento, para além dos limites da antiga diocese nela sediada, quer ao norte do rio Ave, quer ao sul do rio Douro. Por esta altura, o território designava-se de Terra Portugalense ou Portugalia. Desta forma, o antigo burgo de Portucale deu o nome a um novo estado ibérico.[7] Na Galiza, as terras portugalenses encontravam-se definidas como as situadas a sul do rio Lima, segundo documentação galega.

Os condes da casa de Vímara Peres nem sempre se sucederam em linha reta, recorrendo por vezes à sucessão cognática. Eram uma família com bastante influência, tendo o seu apogeu no século X.

Retrato NomeNascimentoReinadoCônjuge(s) Referências
Vímara Peres c. 820
Filho de Pedro Theon
868
−
873
(5 anos)
Trudilde [8]
Lucídio Vimaranes c. 850
Guimarães
Filho de Vímara Peres e Trudilde
873
−
922
(49 anos)
Gudilona Mendes de Coimbra
c. 873
Hermenegildo Guterres c. 842
Filho de Guterre e Elvira[9]
873
−
912
(39 anos)
Ermesinda Gatones de Bierzo
860 − 870[10]
Monio Guterres c. 890
Filho de Guterre Mendes de Coimbra e Ilduara Eres de Lugo
912
−
922
(10 anos)
Elvira Aires de Coimbra
Mendo
Gonçalves I
c. 900
Filho de Gonçalo Afonso Betote, Conde de Deza[11] e Teresa Eres de Lugo
922 − c. 943
(21 anos)
915
−
920
Mumadona Dias c. 900
Filha do Conde Diogo Fernandes e Oneca de Pamplona
c. 943
−
950
(7 anos)
[12]
Gonçalo Mendes c. 925[13]

[11]

950
−
997
(47 anos)
Ilduara Pais de Deza
935 − 940
Ermesinda
c. 983[14]
Mendo
Gonçalves II
c. 945
Filho de Gonçalo Mendes e Ilduara Pais de Deza[15]
997
−
6 de outubro de 1008[16]
(11 anos, 7 meses e 5 dias)
Desconhecida [17]
Tutadona Moniz de Coimbra c. 960
Filha de Monio Froilaz de Coimbra e Elvira Pais de Deza
6 de outubro de 1008[16]
−
1025
(16 anos, 4 meses e 26 dias)
[18]
Alvito Nunes c. 985
Filho de Nuno Alvites
6 de outubro de 1008[16]
−
1015
(6 anos, 4 meses e 26 dias)
Gontinha
1015
[18]
Nuno Alvites c. 1000
Filho de Alvito Nunes e Gontinha
1015
−
1028
(13 anos)
Desconhecida [19]
Ilduara Mendes c. 1000
Filha de Mendo Gonçalves II e Tutadona Moniz de Coimbra
[20]
Regência de Ilduara Mendes (1028–1043)
Mendo Nunes c. 1020
Filho de Nuno Alvites e Ilduara Mendes
c. 1043
−
1050[21]
(7 anos)
Desconhecida
Antes de 1050
[15]
Regência de Ilduara Mendes (1050–1058)
Nuno Mendes c. 1040
Filho de Mendo Nunes
c. 1058
−
28 de fevereiro de 1071
(13 anos, 1 mês e 27 dias)
Gontinha
1071

Condes presores de Coimbra

[editar | editar código]

Somente dez anos decorridos sobre a reconquista definitiva de Portucale tivesse sido tomada a cidade de Coimbra e erigida em condado independente às mãos de Hermenegildo Guterres em 878; a sua posição de charneira entre os mundos cristão e muçulmano permitiu uma vivência de maior paz no Entre-Douro-e-Minho, se bem que a região era alvo de incursões normandas regulares. As campanhas do Almançor, em finais do século X, porém, fizeram recuar a linha de fronteira de novo até ao Douro e o condado de Coimbra é suprimido em 987.

Retrato NomeNascimentoReinadoCônjuge(s) Referências
Hermenegildo Guterres c. 842
Filho de Guterre e Elvira[9]
878
−
912
(34 anos)
Ermesinda Gatones de Bierzo
860 − 870[10]
Aires Mendes c. 878
Filho de Hermenegildo Guterres e Ermesinda Gatones de Bierzo
912
−
924
(12 anos)
Ermesinda Gondesendes
Monio Guterres c. 890
Filho de Guterre Mendes e Ilduara Eres de Lugo
924
−
955[22]
Elvira Aires de Coimbra
Gonçalo Moniz c. 920
Filho de Monio Guterres e Elvira Aires de Coimbra
955
−
982
(27 anos)
Mumadona Froilaz de Coimbra
Monio Gonçalves c. 960
Filho de Gonçalo Moniz e Mumadona Froilaz de Coimbra
982
−
987
(5 anos)
Não casou

Na segunda metade do século XI, reconstituiu-se ao sul o condado de Coimbra, que incluía ainda as terras de Lamego, Viseu e Feira, sendo entregue ao conde ou alvazil Sesnando Davides, que conquistara definitivamente a cidade, a 27 de dezembro de 1064. Este condado viria mais tarde a ser incorporado no Condado Portucalense.

Retrato NomeNascimentoInício ReinadoFim ReinadoCônjuge(s) Referências
Alvazil
Sisnando Davides
c. 1038
Tentúgal
Filho de David e Susana
27 de dezembro de 1064
−
25 de agosto de 1091
(26 anos, 7 meses e 29 dias)
Loba Nunes de Portucale
Martim Moniz de Ribadouro c. 1080
Filho de Monio Fromariques de Ribadouro e Elvira Gondesendes
25 de agosto de 1091
−
1093
(1 ano, 4 meses e 7 dias)
Elvira Sisnandes de Coimbra
c.1080[23]

Condes presores de Chaves

[editar | editar código]

Além destas duas principais presúrias, há notícias de uma terceira, sediada em Chaves, criada em 872 e governada por um misterioso conde Odoário,[24] que seria um capitão ou mesmo um irmão rebelde de Afonso III de Leão.[25] Esta presúria seria o ponto central de uma expansão para sul que alcançaria Lamego.[26]

Condado Portucalense

[editar | editar código]

A ambição de Afonso VI de Leão reconstituiu a unidade dos Estados que vigorava no tempo do seu pai, Fernando I de Leão. Quando Garcia, o irmão de Afonso deposto em 1071, faleceu na prisão em 1090, os territórios que haviam sido seus haviam já revertido para o genro de Afonso VI, Raimundo de Borgonha, que desde 1087 os governava como dote da esposa, Urraca de Leão e Castela.[27] A esta altura, o vigor das investidas Almorávidas recomendava a distribuição dos poderes militares, para melhor reforçar o território: um comando na zona central, entregue ao próprio rei Afonso VI, outro, não oficial, exercido por El Cid em Valência, e o terceiro a ocidente, entregue a Raimundo; este último não conseguiu defender eficazmente a linha do Tejo — tendo já perdido Lisboa, que fora cedida aos Leoneses pelo rei taifa de Badajoz, juntamente com Santarém, que estava também prestes a cair nas mãos dos Almorávidas — e essa será uma das razões que atribuem alguns historiadores modernos à decisão tomada por Afonso VI[28] de reforçar ainda mais a defesa militar ocidental, dividindo em duas a zona atribuída inicialmente a Raimundo, entregando a mais exposta a Henrique de Borgonha.

Dinastia de Borgonha

[editar | editar código]
Retrato NomeNascimentoReinadoCônjuge(s) Referências
Raimundo 1070 1087
−
1096[27]
(9 anos)
Urraca de Leão e Castela
1087
Urraca 24 de junho de 1081
Leão
Filha de Afonso VI de Leão e Castela e Constança da Borgonha
Raimundo de Borgonha
1087
Afonso I de Aragão
1109
Entre o final de 1095 e o início de 1096,[29] Afonso VI de Leão e Castela, após o desastre militar a sul comandado pelo genro Raimundo, e provavelmente sentindo o perigo da grande influência deste no Ocidente Peninsular,[29] unificou o Condado de Portucale e o Condado de Coimbra numa única entidade política, que entrega, como dote, à sua filha Teresa e ao respetivo esposo, Henrique de Borgonha, primo daquele, diminuindo assim a desigualdade de poder entre ambos.[29]
Henrique 1066
Dijon
Filho de Henrique de Borgonha e Sibila da Borgonha
1093
−
24 de abril de 1112
(19 anos, 3 meses e 23 dias)
c.1093
Teresa 1080
Filha de Afonso VI de Leão e Castela e Ximena Moniz
24 de abril de 1112
−
24 de junho de 1128[Nota 1]
(16 anos e 2 meses)
[30]
Afonso I
o Conquistador
25 de julho de 1109
Guimarães, Coimbra ou Viseu[31]
Filho de Henrique e Teresa
24 de junho de 1128
−
26 de julho de 1139
(11 anos, 1 mês e 2 dias)
Mafalda de Saboia
1146[32]
[33][30]

Reino de Portugal

[editar | editar código]
1139–1247 1247–1383
Retrato NomeNascimentoInício ReinadoFim ReinadoCônjuge(s) Referências
Afonso I
o Conquistador
25 de julho de 1109
Guimarães, Coimbra ou Viseu[31]
Filho de Henrique de Borgonha, conde de Portucale e Teresa de Leão
26 de julho de 1139
−
6 de dezembro de 1185
(46 anos, 5 meses e 10 dias)
Mafalda de Saboia
1146[32]
[33][30]
Regência conjunta dos infantes Sancho (maio de 1169 – 6 de dezembro de 1185) e Teresa de Portugal (maio de 1169 – agosto de 1183)
Incapacitado na sequência do falhado Cerco de Badajoz[34] Afonso encarregou os seus dois filhos sobreviventes do governo do Reino:
o rei legou em Teresa as funções administrativas, e em Sancho as militares.[35]
Sancho I
o Povoador
11 de novembro de 1154
Coimbra
(Paço Real da Alcáçova)
Filho de Afonso I e Mafalda de Saboia
6 de dezembro de 1185
−
26 de março de 1211
(25 anos, 3 meses e 20 dias)
Dulce de Aragão-Barcelona
1174
Afonso II
o Gordo
23 de abril de 1185
Coimbra
(Paço Real da Alcáçova)
Filho de Sancho I e Dulce de Aragão-Barcelona
26 de março de 1211
−
25 de março de 1223
(11 anos, 11 meses e 27 dias)
Urraca de Castela
1206
Sancho II
o Capelo
8 de setembro de 1209
Coimbra
(Paço Real da Alcáçova)
Filho de Afonso II e Urraca de Castela
25 de abril de 1223
−
4 de dezembro de 1247
(24 anos, 7 meses e 9 dias)
Mécia Lopes de Haro
1246
Regência de Afonso, Conde de Bolonha (4 de dezembro de 1247 – 4 de janeiro de 1248)
Afonso III
o Bolonhês
5 de maio de 1210[36]
Coimbra
(Paço Real da Alcáçova)
Filho de Afonso II e Urraca de Castela
4 de janeiro de 1248
−
16 de fevereiro de 1279
(31 anos, 1 mês e 12 dias)
Matilde II, Condessa de Bolonha
1239
Beatriz de Castela
1253
Dinis
o Lavrador
9 de outubro de 1261
Lisboa
(Paço da Alcáçova / Castelo São Jorge)
Filho de Afonso III e Beatriz de Castela (I)
16 de fevereiro de 1279
−
7 de janeiro de 1325
(45 anos, 10 meses e 22 dias)
Isabel de Aragão A Rainha Santa
11 de fevereiro de 1282
[37]
Afonso IV
o Bravo
8 de fevereiro de 1291
Lisboa
(Paço da Alcáçova / Castelo São Jorge)
Filho de Dinis I e Isabel de Aragão
7 de janeiro de 1325
−
28 de maio de 1357
(32 anos, 4 meses e 21 dias)
Beatriz de Castela II
12 de setembro de 1309
Pedro I
o Justiceiro
8 de abril de 1320
Coimbra
(Paço Real da Alcáçova)
Filho de Afonso IV e Beatriz de Castela (II)
28 de maio de 1357
−
18 de janeiro de 1367
(9 anos, 7 meses e 21 dias)
Constança Manuel de Castela
24 de agosto de 1339
Inês de Castro
1354
Fernando I
o Formoso
31 de outubro de 1345
Coimbra
(Paço Real da Alcáçova)
Filho de Pedro I e Constança Manuel de Castela
18 de janeiro de 1367
−
22 de outubro de 1383
(16 anos, 9 meses e 4 dias)
Leonor Teles de Meneses
15 de maio de 1372
Regência de Leonor Teles de Meneses (22 de outubro de 1383 – 1384)
Beatriz 7 ou 13 de fevereiro de 1373[38]
Coimbra
(Paço Real da Alcáçova)
Filha de Fernando I e Leonor Teles de Meneses
22 de outubro de 1383
−
14 de dezembro de 1385
(2 anos, 1 mês e 22 dias)
João I de Castela
17 de maio de 1383

Durante o reinado de Beatriz, que a historiografia portuguesa não reconhece como seguro e efetivo, deu-se a designada crise sucessória, um período em que o trono teria permanecido vago até à ascensão ao trono do meio-irmão bastardo de Fernando I de Portugal, o Mestre de Avis João de Portugal. O período compreende as Regências (governo) de Leonor Teles e do próprio Mestre de Avis.

#RetratoNomePeríodo da regência Referências
—
Leonor Teles 22 de outubro de 1383
−
16 de dezembro de 1383
(1 mês e 14 dias)
—
João, Mestre de Avis 16 de dezembro de 1383
−
6 de abril de 1385
(1 ano, 3 meses e 21 dias)
Retrato NomeNascimentoReinadoCasamento(s) Referências
João I
O de Boa Memória
11 de abril de 1357
Lisboa
(Paço da Alcáçova / Castelo São Jorge)
Filho natural (ilegítimo) de Pedro I e Teresa Lourenço
6 de abril de 1385
−
14 de agosto de 1433
(48 anos, 4 meses e 8 dias)
Filipa de Lencastre
14 de fevereiro de 1387
Duarte I
o Eloquente
31 de outubro de 1391
Viseu
Filho de João I e Filipa de Lencastre
14 de agosto de 1433
−
9 de setembro de 1438
(5 anos e 26 dias)
Leonor de Aragão
22 de setembro de 1428
Regências de Leonor de Aragão (9 de setembro de 1438 – dezembro de 1439) e Pedro, Duque de Coimbra (9 de setembro de 1438 – 20 de maio de 1449)
Exerceram esta função em conjunto, até 1439, quando uma reunião de Cortes, em Lisboa, depôs Leonor, e manteve Pedro, tio do monarca, na regência. Afonso revoltar-se-ia contra o tio na célebre Batalha de Alfarrobeira, em 1449, onde o derrotou e se proclamou oficialmente maior de idade.
Afonso V
o Africano
15 de janeiro de 1432
Sintra
(Palácio Real da Vila)
Filho de Duarte I e Leonor de Aragão
9 de setembro de 1438
−
11 de novembro de 1477

(39 anos, 2 meses e 2 dias)
15 de novembro de 1477
−
28 de agosto de 1481
(3 anos, 9 meses e 13 dias)
Isabel de Coimbra
6 de maio de 1447
Joana de Castela A Excelente Senhora
25 de maio de 1475
João II
o Príncipe Perfeito
3 de março de 1455
Lisboa
(Paço da Alcáçova / Castelo São Jorge)
Filho de Afonso V e Isabel de Coimbra
11 de novembro de 1477
−
15 de novembro de 1477
28 de agosto de 1481 − 25 de outubro de 1495
Leonor de Viseu
22 de janeiro de 1470
Manuel I
o Venturoso
31 de maio de 1469
Alcochete
Filho de Fernando de Portugal, Duque de Viseu e Beatriz de Portugal
25 de outubro de 1495
−
13 de dezembro de 1521[39]
(26 anos, 1 mês e 18 dias)
Isabel de Aragão e Castela
30 de setembro de 1497
Maria de Aragão e Castela
30 de outubro de 1500
Leonor de Áustria
16 de julho de 1518
João III
o Piedoso
7 de junho de 1502
Lisboa
(Paço da Ribeira)
Filho de Manuel I e Maria de Aragão e Castela
13 de dezembro de 1521
−
11 de junho de 1557
(35 anos, 5 meses e 29 dias)
Catarina de Áustria
10 de fevereiro de 1525
Regências de Catarina de Áustria (11 de junho de 1557 – 23 de dezembro de 1562) e Cardeal Henrique de Portugal
(23 de dezembro de 1562 – 20 de janeiro de 1568)

Regente em nome do neto menor, Catarina teve desavenças com ele, que a levaram a abdicar da regência em 1562, sendo substituída no cargo pelo Cardeal Henrique.
Sebastião
o Desejado
20 de janeiro de 1554
Lisboa
(Paço da Ribeira)
Filho de João Manuel, Príncipe de Portugal e Joana de Áustria
11 de junho de 1557
−
4 de agosto de 1578
(21 anos, 1 mês e 24 dias)
Não casou
Henrique
o Casto
31 de janeiro de 1512
Lisboa
(Paço da Ribeira)
Filho de Manuel I e Maria de Aragão e Castela
4 de agosto de 1578
−
31 de janeiro de 1580
(1 ano, 5 meses e 27 dias)
Não casou
Conselho de Governadores do Reino de Portugal
31 de janeiro — 17 de julho de 1580[40]
D. António, Prior do Crato foi aclamado rei de Portugal a 9 de Junho de 1580, em Santarém, pelos seus partidários, opondo-se durante todo o resto da sua vida ao domínio filipino, todavia sem êxito.[41]

Após o desaparecimento de D. Sebastião, que não tinha herdeiros, o seu tio Henrique assumiu o trono; Também sem herdeiros, o mesmo veio a falecer dois anos depois, em 1580. Uma crise de sucessão se inicia no país, o rei Filipe II de Espanha, da casa de Habsburgo, reivindicou o trono e então as coroas se uniram ainda em 1580.[42]

Os soberanos desta dinastia foram também reis de Espanha, Países Baixos, Nápoles, Sicília,Valência, Granada, duques da Borgonha e etc., títulos genericamente reunidos sob a designação de Reis de Espanha.

Retrato NomeNascimentoReinadoCasamento(s)Referências
Filipe I[Nota 2]
o Prudente
21 de maio de 1527
Valladolid, Espanha
Filho de Carlos I de Espanha e Isabel de Portugal
16 de abril de 1581
−
13 de setembro de 1598
(17 anos, 4 meses e 28 dias)
Maria Manuela de Portugal
15 de novembro de 1543
Maria I, Rainha de Inglaterra
25 de julho de 1554
Isabel de França
22 de junho de 1559
Ana de Áustria
4 de maio de 1570
Filipe II[Nota 3]
o Pio
14 de abril de 1578
Madrid, Espanha
Filho de Filipe I e Ana de Áustria
13 de setembro de 1598
−
31 de março de 1621
(22 anos, 6 meses e 18 dias)
Margarida da Áustria
18 de abril de 1599
Filipe III[Nota 4]
o Opressor
8 de abril de 1605
Valladolid, Espanha
Filho de Filipe II e Margarida da Áustria
31 de março de 1621
−
1 de dezembro de 1640
(19 anos e 8 meses)
Isabel de França
25 de novembro de 1615
Mariana de Áustria
7 de outubro de 1649

Durante este período de sessenta anos, os reis fizeram-se representar em Portugal por um vice-rei ou um corpo de governadores — veja a lista de vice-reis de Portugal.

À revolta de 1 de dezembro de 1640 seguiu-se a Guerra da Aclamação, depois chamada, pela historiografia romântica do século XIX, como Guerra da Restauração.[43]

Retrato NomeNascimentoReinadoCasamento(s) Referência(s)
João IV
o Restaurador
19 de março de 1604
Paço Ducal de Vila Viçosa, Vila Viçosa
Filho de Teodósio II, Duque de Bragança e Ana de Velasco e Girón
15 de dezembro de 1640
−
6 de novembro de 1656
(15 anos, 10 meses e 22 dias)
Luísa de Gusmão
12 de dezembro de 1633
[44]
Regência de Luísa de Gusmão (6 de novembro de 1656 – 26 de junho de 1662)
Afonso VI
o Vitorioso
21 de agosto de 1643
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João IV e Luísa de Gusmão
6 de novembro de 1656
−
12 de setembro de 1683
(26 anos, 10 meses e 6 dias)
Maria Francisca de Saboia-Nemours
27 de junho de 1666
[45]
Regência do Infante Pedro de Portugal (23 de novembro de 1667 – 12 de setembro de 1683)
Pedro II
o Pacífico
26 de abril de 1648
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João IV e Luísa de Gusmão
12 de setembro de 1683
−
9 de dezembro de 1706
(123 anos, 2 meses e 27 dias)
Maria Francisca de Saboia-Nemours
2 de abril de 1668
Maria Sofia do Palatinado-Neuburgo
2 de julho de 1687
João V
o Magnânimo
22 de outubro de 1689
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de Pedro II e Maria Sofia do Palatinado-Neuburgo
9 de dezembro de 1706
−
31 de julho de 1750
(43 anos, 7 meses e 22 dias)
Maria Ana de Áustria
9 de julho de 1708
Regência de Maria Ana de Áustria (1742 – 31 de julho de 1750)
José I
o Reformador
6 de junho de 1714
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João V e Maria Ana de Áustria
31 de julho de 1750
−
24 de fevereiro de 1777
(26 anos, 6 meses e 24 dias)
Mariana Vitória de Espanha
19 de janeiro de 1729
Regência de Mariana Vitória de Espanha (29 de novembro de 1776 – 24 de fevereiro de 1777)
Pedro III
o Edificador
5 de julho de 1717
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João V e Maria Ana de Áustria
24 de fevereiro de 1777
−
25 de maio de 1786
(9 anos, 3 meses e 1 dia)
Maria I

6 de junho de 1760

Maria I
a Louca
17 de dezembro de 1734
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filha de José I e Mariana Vitória de Espanha
24 de fevereiro de 1777
−
20 de março de 1816
(39 anos, 2 meses e 26 dias)
Pedro III

6 de junho de 1760

[46]
João VI
o Clemente
13 de maio de 1767
Paço de Madeira ou Real Barraca, Lisboa
Filho de Pedro III e Maria I
20 de março de 1816
−
10 de março de 1826
(9 anos, 11 meses e 18 dias)
Carlota Joaquina de Espanha
9 de junho de 1785
Pedro IV
o Rei-Soldado[Nota 5]
12 de outubro de 1798
Palácio Nacional de Queluz, Queluz
Filho de João VI e Carlota Joaquina de Espanha
10 de março de 1826
−
2 de maio de 1826
(1 mês e 22 dias)
Maria Leopoldina de Áustria
13 de maio de 1817
Amélia de Leuchtenberg
2 de agosto de 1829
[47]
Regência dos Infantes Isabel Maria (6 de março de 1826 – 11 de julho de 1828) e Miguel de Portugal (2 de maio de 1826 – 11 de julho de 1828)
Regentes em Portugal em nome da rainha Maria II. Isabel Maria e Maria II acabaram depostas por Miguel, que assumiu o título régio, usurpando assim o trono à sobrinha.
Miguel
o Rei-Absoluto
26 de outubro de 1802
Palácio Nacional de Queluz, Queluz
Filho de João VI e Carlota Joaquina de Espanha
11 de julho de 1828
−
26 de maio de 1834
(5 anos, 10 meses e 15 dias)
Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg
24 de setembro de 1851
[48]
Maria II
a Educadora
4 de abril de 1819
Rio de Janeiro, Brasil
Filha de Pedro IV e Maria Leopoldina de Áustria
6 de março de 1826
−
11 de julho de 1828
(2 anos, 4 meses e 5 dias)
Augusto de Beauharnais
1 de dezembro de 1834
Fernando II de Saxe-Coburgo-Gota
1 de janeiro de 1836
[49]
26 de maio de 1834
−
15 de novembro de 1853
(19 anos, 5 meses e 20 dias)
Fernando II
o Rei-Artista
29 de outubro de 1816
Viena, Áustria
Filho de Fernando de Saxe-Coburgo-Gota e Maria Antónia de Koháry
16 de setembro de 1837
−
15 de novembro de 1853[Nota 6]
(15 anos, 11 meses e 30 dias)
Maria II
1 de janeiro de 1836
Regência do Rei Consorte Fernando II (15 de novembro de 1853 – 16 de setembro de 1855)
Pedro V
o Esperançoso
16 de setembro de 1837
Palácio das Necessidades, Lisboa
Filho de Fernando II e Maria II
15 de novembro de 1853
−
11 de novembro de 1861
(7 anos, 11 meses e 27 dias)
Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen
29 de abril de 1858
Luís
o Popular
31 de outubro de 1838
Palácio das Necessidades, Lisboa
Filho de Fernando II e Maria II
11 de novembro de 1861
−
19 de outubro de 1889
(27 anos, 11 meses e 8 dias)
Maria Pia de Saboia
27 de setembro de 1862
[50][51]
Carlos
o Diplomata
28 de setembro de 1863
Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa
Filho de Luís e Maria Pia de Saboia
19 de outubro de 1889
−
1 de fevereiro de 1908
(18 anos, 3 meses e 13 dias)
Amélia de Orleães
22 de maio de 1886
Manuel II
o Rei-Saudade
15 de novembro de 1889
Palácio Nacional de Belém, Lisboa
Filho de Carlos e Amélia de Orleães
1 de fevereiro de 1908
−
5 de outubro de 1910
(2 anos, 8 meses e 4 dias)
Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen
4 de setembro de 1913

Luís Filipe de Bragança, legítimo sucessor de Carlos, aquando do regicídio sobreviveu a seu pai por vinte minutos. Conforme a lei da ascensão automática ao trono prevista na Constituição, Luís Filipe teria sido um dos monarcas com um dos reinados mais curtos da história, que durou somente vinte minutos.

(*) Estes reis foram também soberanos do reino do Algarve, a partir de D. Afonso III; antes dele, D. Sancho I usou esse título (ou o alternativo rei de Silves) entre 1189 e 1191.

Titulatura régia

[editar | editar código]

Ao longo da história, o título oficial dos reis de Portugal foi sendo alterado. Os reis de Portugal tiveram os seguintes títulos:

PeríodoTítuloUsado porMotivo
1140–1189Pela Graça de Deus, Rei dos Portugueses
(Dei Gratiae, Rex Portugalensium)
D. Afonso Henriques, D. Sancho IAfonso Henriques proclamado rei.
1189–1191Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e de Silves
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Silbis)
Pela Graça de Deus, Rei de Portugal, de Silves e do Algarve
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae, Silbis & Algarbii; esta intitulação surge em dois documentos nos quais D. Sancho restaura a diocese de Silves em favor de D. Nicolau)
D. Sancho ITomada de Silves (1189).
1191–1211Pela Graça de Deus, Rei dos Portugueses
(Dei Gratiae, Rex Portugalensium)
D. Sancho IPerda de Silves, retomada pelos Almóadas (1191).
1211–1248Pela Graça de Deus, Rei de Portugal
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae)
D. Afonso II, D. Sancho II
1248–1259Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e Conde de Bolonha
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Comes Boloniae)
D. Afonso IIIAfonso, casado com Matilde II, condessa de Bolonha, ascende ao trono por morte do irmão sem herdeiros.
1259–1267Pela Graça de Deus, Rei de Portugal
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae)
D. Afonso IIIPela morte de D. Matilde, Afonso III abandona o título de Conde de Bolonha (1259).
1267–1369Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Algarbii)
D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV, D. Pedro I, D. Fernando ID. Afonso III recebe o senhorio do Algarve pelo Tratado de Badajoz (1267).
1369–1371Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, da Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Múrcia, de Jáen, do Algarve, de Algeciras e Senhor de MolinaD. Fernando IPretensão de D. Fernando à Coroa de Castela.
1371–1383Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do AlgarveD. Fernando IRenúncia aos títulos castelhanos após a Paz de Alcoutim (1371).
1383–1385Inexistência de título vacatura do tronoGuerra civil e contra Castela.
1385–1415Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do AlgarveD. João I
1415–1458Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de CeutaD. João I, D. Duarte, D. Afonso VConquista de Ceuta (1415).
1458–1471Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de Ceuta e de Alcácer em ÁfricaD. Afonso VConquista de Alcácer Ceguer (1458).
1471–1475Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em ÁfricaD. Afonso VConquista de Arzila e Tânger (1471) e elevação do senhorio do Norte de África à condição de Reino d'Além-Mar.
1475–1479Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, de Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Jáen, de Múrcia, dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, de Gibraltar, de Algeciras, e Senhor da Biscaia e de MolinaD. Afonso VPretensão de D. Afonso V à Coroa de Castela, pelo seu casamento com Joana, a Beltraneja.
1479–1485Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em ÁfricaD. Afonso V, D. João IIRenúncia aos títulos castelhanos após a Paz das Alcáçovas-Toledo.
1485–1499Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, e Senhor da GuinéD. João II, D. Manuel ICriação do senhorio da Guiné abrangendo as possessões portuguesas que se estendiam pelo Golfo da Guiné.
1499–1580Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, D. Henrique, D. AntónioApós o regresso de Vasco da Gama da Índia, em 1499, o título régio é reformulado e atinge a sua plenitude.
1580–1640Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Portugal, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, de Maiorca, de Sevilha, da Sardenha, de Córdova, da Córsega, de Múrcia, de Jáen, dos Algarves, de Algeciras, de Gibraltar, das Ilhas de Canária, das Índias Orientais e Ocidentais, Ilhas e Terra Firme do Mar-Oceano, Conde de Barcelona, Senhor da Biscaia e de Molina, Duque de Atenas e de Neopátria, Conde de Rossilhão e da Cerdanha, Marquês de Oristano e de Gociano, Arquiduque de Áustria, Duque da Borgonha, do Brabante e de Milão, Conde de Habsburgo, da Flandres e do Tirol, etc.D. Filipe I, D. Filipe II, D. Filipe IIICom o domínio filipino, juntam-se os demais títulos dos Áustrias à titulatura portuguesa.
1640–1815Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.D. João IV, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. João V, D. José I, D. Maria I (com D. Pedro III)Com a Restauração da Independência (1640), regressa-se ao velho estilo adoptado por D. Manuel I.
1815–1825Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.D. Maria I, D. João VIO Brasil é elevado a Reino dentro do Império Português (1815).
1825–1826Pela Graça de Deus, Imperador do Brasil, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.D. João VIAo reconhecer a independência do Império do Brasil pelo Tratado do Rio de Janeiro, D. João VI passa a usar por carta de lei de 15 de novembro de 1825, o título de imperador do Brasil, que lhe fora deferido por seu filho D. Pedro I.
1826Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.D. Pedro IVDurante o seu breve reinado de oito dias, embora mantendo a destrinça entre os dois Estados, o título reflectiu a união das duas coroas sobre a cabeça do mesmo dinasta.
1826–1910Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.D. Maria II, D. Miguel I, D. Maria II (com D. Fernando II), D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos I, D. Manuel IIApós a abdicação de D. Pedro em favor da filha, retorna-se definitivamente à fórmula anteem vigor desde 1640, que vigorará agora até ao fim da Monarquia.

Quanto ao estilo usado, nas formas de adereço ao monarca, também este evoluiu, da seguinte maneira:

PeríodoEstiloUsado porMotivo
1140–1433Sua MercêD. Afonso I, D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II, D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV, D. Pedro I, D. Fernando I, D. João I
1433–1577Sua Alteza Real (S.A.R.)D. Duarte, D. Afonso V, D. João II, D. Manuel I, D. João III, D. SebastiãoEstilo introduzido em Portugal por influência inglesa, através da rainha D. Filipa de Lencastre.
1577–1578Sua Majestade (S.M.)D. SebastiãoPor ocasião da entrevista de Guadalupe (1577), concedida por Filipe II de Espanha a seu sobrinho D. Sebastião, e do tratamento majestático que lhe foi concedido pelo tio, D. Sebastião passa a usar a fórmula de adereço Sua Majestade, prenunciando o seu desejo imperial de conquista de África.
1578–1580Sua Alteza Real (S.A.R.)D. Henrique, D. AntónioCom a morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, o Cardeal-Rei regressa à fórmula anterior, por considerar o tratamento majestático apenas adequado para o divino.
1580–1748Sua Majestade (S.M.)Filipe I, Filipe II, Filipe III, D. João IV, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. João VCom a incorporação de Portugal nos domínios dos Habsburgos da Espanha, onde, devido à influência de Carlos V, rei de Castela e imperador da Alemanha, se havia difundido o tratamento de Majestade, este passa também à órbita portuguesa, mantendo-se mesmo após a Restauração da Independência (1640).
1748–1825Sua Majestade Fidelíssima (S.M.F.)D. João V, D. José I, D. Maria I (com D. Pedro III), D. João VID. João V consegue da Santa Sé o reconhecimento do título de Majestade Fidelíssima para a Coroa Portuguesa, por contraponto ao uso de Sua Majestade Católica em Espanha e Sua Majestade Cristianíssima em França.
1825–1826Sua Majestade Imperial e Fidelíssima (S.M.I.&F.)D. João VI, D. Pedro IVCom o reconhecimento da independência do Brasil, em 1825, D. João VI reserva também para si, ao abrigo das disposições do Tratado do Rio de Janeiro, o título de Sua Majestade Imperial; com a sua morte no ano seguinte, e a subida ao trono do filho mais velho, também ele imperador do Brasil (D. Pedro IV), mantém-se o uso da fórmula dúplice, até à sua abdicação em favor da filha D. Maria da Glória.
1826–1910Sua Majestade Fidelíssima (S.M.F.)D. Maria II, D. Miguel I, D. Maria II (com D. Fernando II), D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos I, D. Manuel IIApós a abdicação de D. Pedro IV, retorna-se ao anterior estilo.

Ver também

[editar | editar código]
  1. ↑ Autoproclamada rainha de Portugal.
  2. ↑ Conhecido na Espanha como Filipe II.
  3. ↑ Conhecido na Espanha como Filipe III.
  4. ↑ Conhecido na Espanha como Filipe IV.
  5. ↑ Conhecido no Brasil como Pedro I; cognominado no país como O Libertador.
  6. ↑ Assumiu como regente.

Referências

  1. ↑ «Brazil - Independence, Portuguese, Empire | Britannica». www.britannica.com (em inglês). 16 de agosto de 2026. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2026
  2. ↑ Infopédia. «Batalha de Aljubarrota - Infopédia». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 20 de maio de 2025
  3. ↑ Infopédia. «Crise de 1578-1580 - Infopédia». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2026
  4. ↑ Nogueira, André (16 de dezembro de 2019). «Há 204 anos, o Brasil integrava o Reino Unido de Portugal e Algarves». Aventuras na História. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 29 de dezembro de 2024
  5. ↑ «Significado do nome Dom». Crescer. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 23 de setembro de 2023
  6. ↑ Mansur, André Luís (17 de setembro de 2021). «De duque a barão: O que significavam os títulos de nobreza do Brasil?». Aventuras na História. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 2 de janeiro de 2026
  7. ↑ Ribeiro, Ângelo; Hermano, José (2004). História de Portugal I — A Formação do Território - O Condado de Portugal. [S.l.]: QuidNovi. p. 43. ISBN 989-554-106-6
  8. ↑ Torres Sevilla-Quiñones de León 1998, p. 304, n. 21.
  9. 1 2 Sáez 1947, p. 6.
  10. 1 2 Sáez 1947, p. 25.
  11. 1 2 Mattoso 1983, p. 20.
  12. ↑ Mattoso, José (1970). «A nobreza portucalense dos séculos IX a XI». Lisboa: Instituto de alta cultura. Centro de estudos históricos. Do tempo e da história (III): 35-50. OCLC 565153778
  13. ↑ García Álvarez 1960, p. 218.
  14. ↑ Mattoso 1981, p. 145.
  15. 1 2 Mattoso 1983, p. 21.
  16. 1 2 3 Mattoso 1981, p. 146.
  17. ↑ «O Portal da História - Historiografia». www.arqnet.pt. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2025
  18. 1 2 Mattoso, José (1970). As famílias condais portucalenses dos séculos X e XI. [S.l.]: Marânus. Consultado em 17 de agosto de 2026
  19. ↑ Sáez, Emilio (s.d.). Los ascendientes de San Rosendo. [Madrid]: Instituto Jerónimo Zurita. Consultado em 17 de agosto de 2026
  20. ↑ Mattoso, José (1970). «A nobreza portucalense dos séculos IX a XI» (PDF). Lisboa: Instituto de alta cultura. Centro de estudos históricos. Anexo à Faculdade de letras da Universidade de Lisboa.
  21. ↑ Mattoso 1981, p. 114, 266.
  22. ↑

    (31 anos)Munio Gutierrez (died 959)
  23. ↑ Isaac 2014, p. 76-77.
  24. ↑ Fernandes 2016, p. 209.
  25. ↑ Fernandes 2016, p. 288.
  26. ↑ Fernandes 2016, p. 217.
  27. 1 2 Serrano 1907, p. XLIV.
  28. ↑ Muito se especula acerca das razões que levaram Afonso VI de Leão a incluir Henrique de Borgonha nos seus planos: quiçá por ser sobrinho da falecida rainha D. Constança (mais poderoso, portanto, que Raimundo por pertencer à linhagem dos duques e não dos condes de Borgonha); por seu intermédio, era também sobrinho-neto de São Hugo de Cluny, o que introduz a hipótese de Henrique se tornar um caudilho militar para os interesses da Ordem de Cluny no território.
  29. 1 2 3 Reilly 1988, p. 231-259.
  30. 1 2 3 Baquero Moreno, Humberto (2006). «Portugal e o reino das Astúrias no período de formação». Astúrias e Portugal. Relações históricas e culturais. Actas do Colóquio 5 a 7 de Dezembro de 2005. Lisboa: Academia Portuguesa da História. pp. 115–141. ISBN 972-624-164-2
  31. 1 2 Ainda hoje se mantém o debate, pois as três cidades têm argumentos válidos para reivindicarem para si o "berço" do primeiro rei de Portugal. Em Guimarães aponta-se o Castelo de Guimarães como lugar possível, o Paço Real da Alcáçova em Coimbra.
  32. 1 2 Mattoso 2014, p. 220.
  33. 1 2 Costa, Antonio Carvalho da (1706). Corografia portugueza, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal. [S.l.]: Deslandes. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2025
  34. ↑ «D. Afonso Henriques». Porto Editora. Infopédia. Consultado em 24 de outubro de 2012. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2021
  35. ↑ Sancho e Teresa entre seus irmãos e na política de Afonso Henriques após o Desastre de Badajoz
  36. ↑ Caetano de Sousa 1735, p. 159.
  37. ↑ Publishing, Britannica Educational (1 de junho de 2013). Portugal and Spain (em inglês). [S.l.]: Britanncia Educational Publishing. ISBN 978-1-61530-993-1. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2025
  38. ↑ Cronicom Conimbricense, em Crónicas de López de Ayala, Livro II, p. 592.
  39. ↑ Por morte de D. João II sem filhos legítimos (o príncipe D. Afonso falecera em condições trágicas nunca completamente esclarecidas em 1491), nem irmãos sobrevivos (a infanta Santa Joana, sua irmã, falecera em 1490), não obstante haver tentado legitimar um seu filho natural, o infante D. Jorge de Lancastre, futuro Duque de Coimbra, a Coroa Portuguesa acabou por passar para o seu primo e cunhado D. Manuel, Duque de Beja, o qual era filho de D. Fernando, Duque de Viseu (irmão do rei D. Afonso V), e de D. Beatriz (filha do infante D. João, o penúltimo dos membros da Ínclita Geração). Assim, embora pelo lado do pai fosse neto do rei D. Duarte, e pelo lado da mãe, bisneto de D. João I, o facto de não ser herdeiro directo, mas sim colateral, leva a que surjam, por vezes, referências a uma pretensa quebra na casa reinante da dinastia de Avis, o que não faz qualquer sentido.
  40. ↑ Nesse dia 17 de Julho de 1580, em Castro Marim, três dos cinco governadores assinam o reconhecimento de Filipe II como rei de Portugal. Fonte: História de Portugal, sob a direcção de José Mattoso, Editorial Estampa, Terceiro Volume, páginas 561 e 562, ISBN 972-33-1084-8
  41. ↑ Segundo alguns historiadores portugueses, como Joaquim Veríssimo Serrão, D. António terá sido mesmo rei de Portugal, ao menos desde 19 de junho de 1580, data da sua formal aclamação ao trono pelos seus partidários, em Santarém, até à derrota na batalha de Alcântara, a 25 de agosto seguinte. Quem nunca o deixou de reconhecer como seu rei, até 1583, foram as populações da Terceira e das demais ilhas de Baixo açorianas, que prosseguiram a guerra e resistiram ao invasor. A maioria dos historiadores não o considera, todavia, um rei português, devido à existência na época de três centros de poder: o de D. António, em Lisboa, o de Filipe II, em Badajoz, e o dos governadores, em Setúbal, assim como pelo facto de quase todos os bispos, grandes e senhores se haverem então passado para Filipe II. Diversamente, o povo aclamou-o em não poucas cidades e vilas do reino, no entanto a resistência popular depressa se esvaeceria. Fontes: História de Portugal, sob a direcção de José Mattoso, Editorial Estampa, Terceiro Volume, páginas 561 a 563, ISBN 972-33-1084-8; Dicionário de História de Portugal, coordenado por Joel Serrão, Iniciativas Editoriais, Volume I, páginas 157 a 159.
  42. ↑ «Portugal > History and Events > Date Table > Fourth Dynasty». www.portugal-info.net. Consultado em 17 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 4 de agosto de 2026
  43. ↑ Hespanha, António Manuel. As estruturas políticas em Portugal na Época Moderna. IN: TENGARRINHA, José e (org.) História de Portugal. São Paulo: EDUSC/ UNESP, 2001, p. 139-147. FRANÇA, Eduardo D’Oliveira. Portugal na época da Restauração. São Paulo: Editora HUCITEC, 1997.
  44. ↑ Torgal, Luís Reis (1981). «A Restauração – Sua Dinâmica Sócio-Política». Ideologia Política e Teoria do Estado na Restauração. I. Coimbra: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. pp. 69–85. ISBN 9789726160823. hdl:10316/665
  45. ↑ Helpful up-to-date information is available in Martin Malcolm Elbl, Portuguese Studies Review 30 (1) (2022): 131-198. «Through 'Deplorable' Eyes: Barlow in Lisbon (1661) ~ Elite Theatrics, King Afonso VI of Portugal, Bullfights, and a Common English Seaman» (em inglês). Consultado em 30 de abril de 2023
  46. ↑ Nogueira, André (13 de abril de 2020). «Depressão, camisa de força e medo do inferno: os trágicos dias finais de Maria I, rainha de Portugal». Aventuras na História. Consultado em 16 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2025
  47. ↑ «Dom Pedro I». Aventuras na História. 12 de agosto de 2019. Consultado em 16 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 29 de novembro de 2025
  48. ↑ Manuel de Sousa (2002). Reis e Rainhas de Portugal. [S.l.]: SporPress. 5ª Edição, Pág. 137. ISBN 972-97256-9-1
  49. ↑ https://pt-pt.facebook.com/misericordiabarcelos. «D. Maria II». Santa Casa Misericórdia. Consultado em 16 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 17 de maio de 2022
  50. ↑ Infopédia. «D. Luís (1838-1889) - Infopédia». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 16 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 19 de novembro de 2025
  51. ↑ «Louis | Reign, Enlightenment, Absolutism | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 16 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026

Bibliografia

[editar | editar código]

Ligações externas

[editar | editar código]
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Lista de monarcas de Portugal