Mariana Vitória da Espanha

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Mariana Vitória
Retrato por Domenico Maria Sani, 1729.
Rainha Consorte de Portugal e Algarves
Reinado 31 de julho de 1750
a 24 de fevereiro de 1777
Predecessora Maria Ana da Áustria
Sucessora Carlota Joaquina da Espanha
 
Marido José I de Portugal
Descendência Maria I de Portugal
Maria Ana Francisca de Portugal
Maria Doroteia de Portugal
Maria Benedita de Portugal
Casa Bourbon (por nascimento)
Bragança (por casamento)
Nascimento 31 de março de 1718
  Real Alcázar de Madrid, Madrid, Espanha
Morte 15 de janeiro de 1781 (62 anos)
  Real Barraca da Ajuda, Lisboa, Portugal
Enterro Igreja de São Francisco de Paula, Prazeres, Lisboa, Portugal
17 de janeiro de 1781
Pai Filipe V da Espanha
Mãe Isabel Farnésio


Mariana Vitória de Bourbon e Farnésio (em espanholMariana Victoria de Borbón y FarnesioMadrid31 de março de 1718 — Lisboa15 de janeiro de 1781) foi uma Infanta da Espanha por nascimento e mais tarde Rainha de Portugal como consorte do Rei José I. Era a filha mais velha de Filipe V da Espanha e Isabel Farnésio, ela foi noiva do jovem rei Luís XV de França, mas foi rejeitada devido à sua idade, que impossibilitaria a concisão de um herdeiro para o trono francês. Em 1729 casou-se com o filho de João V de Portugal. Como mãe de Maria I de Portugal, também atuou como regente de Portugal durante os últimos meses da vida de seu marido e atuou como conselheira de sua filha em seu reinado.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Mariana Vitória nasceu no Real Alcázar de Madrid e foi lhe dado seu nome em homenagem a sua avó paterna, a princesa Maria Ana Vitória da Baviera. Era infanta espanhola por nascimento e filha mais velha de Filipe V de Espanha e de sua segunda esposa Isabel Farnésio. Seu pai era um neto de Luís XIV de França e tinha herdado o trono espanhol. Na época de seu nascimento, Mariana Vitória foi a quinta na linha de sucessão ao trono da Espanha atrás de seus meio-irmãos, o Príncipe das Astúrias, Luís, o infante Fernando, o infante Pedro e de seu irmão o infante Carlos futuro Carlos III da Espanha.

Noivado com Luís XV[editar | editar código-fonte]

Luís XV e Mariana Vitória retratados por Alexis Simon Belle.

Após a Guerra da Quádrupla Aliança, França e Espanha decidiram reconciliar-se concretizando o casamento da infanta Mariana Vitória com seu primo Luís XV da França, que estava sob regência de Filipe II, Duque de Orleães. Saint-Simon, o embaixador francês, pediu sua mão, no dia 25 de novembro 1721. A troca da jovem infanta teve seu lugar na Ilha dos Faisões, local onde os seus antepassados ​​Luís XIV da França e Maria Teresa da Espanha tinham-se encontrado pela primeira vez antes do matrimônio. Mariana Vitória chegou a Paris no dia 2 de março de 1721, houve celebração e a mesma se dirigiu-se para o Palais du Louvre.

D. Mariana Victoria, c. 1726.

De acordo com a mãe do regente, Isabel Carlota do Palatinado, Mariana Vitória era a "coisa mais doce e mais bonita" e tinha grande inteligência para sua idade. Sua educação foi confiada aos cuidados de Maria Ana de Bourbon, uma filha legitimada de Luís XIV e Louise de La Vallière.

Sob a influência do primeiro ministro Luís Henrique, Duque de Bourbon e sua amante Madame de Prie, foi decidido enviar a menina de sete anos novamente para a Espanha em 11 de março de 1725. O duque de Bourbon queria manter sua influência sobre o jovem Luís XV e ofereceu sua irmã Henriqueta Luisa de Bourbon como uma esposa em potencial, que ao contrário da infanta Mariana Vitória tinha idade suficiente para conceber um herdeiro ao trono francês.

Em 1725, manifestou seu pai, Filipe V, o desejo de estabelecer uma aliança entre as coroas de Espanha e Portugal, a que estaria ligado o casamento de sua filha com D. José, herdeiro do trono português. Para tratar do assunto em MadridD. João V nomeou José da Cunha Brochado, que também foi incumbido resolver questões pendentes entre os dois países. Mariana Vitória então deixou Versalhes e seguiu seu retorno para a Espanha.

Luís XV casou-se posteriormente com Maria Leszczyńska, uma princesa polaca filha do rei deposto Estanislau I da Polônia. Sua irmã, a infanta Maria Teresa Rafaela se casou com o filho de Luís XV, Luís, Delfim da França, em 1745 para tranquilizar a corte espanhola insultada.

A Troca das Princesas[editar | editar código-fonte]

Nova crise diplomática[editar | editar código-fonte]

A jovem Infanta Mariana Vitória, antes da Troca das Princesas.

Na sequência da curta, mas para a Espanha desastrada guerra contra as quatro potências em 1718-1720, o rei de Espanha tinha ainda prometido uma filha ― a infanta Mariana Vitória ― a Luís XV da França, para também tentar melhorar as relações com esse reino. Com menos de quatro anos de idade foi a pequena princesa por isso enviada além-Pirenéus. Mas o rei francês entretanto não quis esperar que a pequena princesa crescesse, e acabou por optar por outra esposa. Em março de 1725, a pequena princesa, agora com sete anos, regressou a Espanha.

Entretanto, novos conflitos tinham surgido entre Portugal e a Espanha, por causa da fundação pelos portugueses de Montevidéu, no Rio da Prata, a 22 de novembro de 1723. Isto era uma zona que os portugueses consideravam ser o limite meridional natural do Brasil, enquanto os espanhóis de Buenos Aires queriam controlar todo o estuário do Rio da Prata.[1]

Os portugueses tinham desde 1680 a Colónia do Sacramento na região, que fora ocupada pelos espanhóis durante a Guerra da Sucessão Espanhola, mas devolvida pelo tratado de paz de 1715. No entanto, o tratado nada dizia sobre novas fundações na zona. Exatamente três meses após a fundação de Montevidéu, a 22 de Fevereiro de 1724, os espanhóis de Buenos Aires julgaram-se por isso justificados em ocupar a praça. Apenas um ano após o contrato de casamento entre Maria Bárbara e o Príncipe das Astúrias, estes acontecimentos, nesta remota parte dos respetivos impérios, causaram assim novos atritos diplomáticos entre as coroas ibéricas..[2]

A Troca das Princesas[editar | editar código-fonte]

A família real espanhola, por volta de 1743. À esquerda, de pé, o príncipe herdeiro, o futuro Fernando VI da Espanha, e sentada, de azul, a sua mulher, D. Bárbara de Portugal.

Para evitar novas controvérsias e fortalecer ainda mais a aliança que se pretendia, a diplomacia espanhola propôs então um duplo matrimónio: para além do casamento entre o príncipe herdeiro espanhol e Maria Bárbara, o príncipe herdeiro português poderia casar com a regressada Mariana Vitória. João V aceitou a proposta, e dois anos mais tarde, tendo os príncipes e infantas chegado a idade um pouco mais crescida, firmaram-se então os acordos pré-nupciais: o Príncipe do Brasil e Mariana Vitória a 27 de dezembro de 1727, e o Príncipe das Astúrias e Maria Bárbara de Portugal a 11 de janeiro de 1728.[3]

Coche da Mesa (séc. XVIII) no Museu Nacional dos Coches. Este veículo foi utilizado durante a troca das princesas.

Por fim, após demorada preparação, a Troca das Princesas realizou-se a 19 de Janeiro de 1729. A troca foi feita no Rio Caia, que faz fronteira entre Elvas no Alentejo, em Portugal, e Badajoz na Extremadura, em Espanha. A cerimónia fez-se literalmente a meio do rio, numa grande ponte-palácio de madeira ricamente decorada construida para a ocasião, com vários pavilhões em ambas as margens também. Praticamente toda a Corte participou, tendo todas as vilas e lugares entre Lisboa e Elvas sido enfeitadas com arte efémera, tal como arcos triunfais, jardins artificiais, fontes, etc., para receber os imensos cortejos na ida e na volta da fronteira. As preparações para a troca das princesas foram de tal modo detalhadas que já em Janeiro de 1727 a Coroa colocava encomendas de berlindas em Paris,[4] e pedia contribuições extraordinárias dos quatro cantos do império para financiar todo o esplendor desejado ― incluindo da Capitania de Minas Gerais no Brasil.[5]

De notar que todo este panorama de arte efémera se voltou a registar meio século mais tarde, aquando do novo consórcio duplo entre Portugal e a Espanha em 1785, com os casamentos do então apenas João e da irmã, Maria Ana Vitória, e foi descrito recentemente em pormenor.[6]

Princesa do Brasil[editar | editar código-fonte]

José, Príncipe do Brasil, marido de D. Mariana Vitória.
D. Mariana Vitória logo após o casamento, como Princesa do Brasil.

Depois de casada, Mariana Vitória e o Príncipe do Brasil passariam ainda vinte e um anos como príncipes herdeiros, antes de subir ao trono em 1750. Durante esse período, e com o piorar da saúde de Filipe V, Bárbara e o marido tiveram que enfrentar a animosidade da rainha e madrasta do príncipe, Isabel Farnésio, que queria manter o enteado longe da corte. Em 1733 foram aprovadas regras de conduta do príncipe herdeiro que eram, no dizer de um historiador, uma "especie de arresto domiciliario":[7]

Pouco depois deu-se ainda o chamado Incidente das Embaixadas em 1735, e apesar da troca das princesas as relações entre Portugal e a Espanha deterioraram-se ao ponto do monarca português enviar uma forte esquadra ao Rio da Prata, e de passar a existir de facto um estado de guerra entre as duas coroas, apenas solucionado em 1737 (ver João V).[8]

Ainda assim, durante todo este período, e durante todo o posterior reinado, a princesa teve o conforto da companhia de Domenico Scarlatti, o seu velho mestre de música em Lisboa, que seguiu com a sua aluna para Espanha, onde permaneceria o resto da vida. Aqui, o cravista napolitano compôs mais de quinhentas sonatas, muitas delas dedicadas a Bárbara, que passava grande parte do seu tempo a tocar composições do seu antigo professor.

A campanha do Rio da Prata[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Campanha do Rio da Prata (1736)
D. Bárbara de Portugal em 1729. A Troca das Princesas esse ano não foi capaz de evitar o conflicto sobre o Rio da Prata alguns anos mais tarde.

Desde o início do reinado de D. João V, o principal ponto de discórdia entre Portugal e a Espanha não estava situado na fronteira ibérica, mas sim no distante Rio da Prata: era a Colónia do Sacramento. Sempre desde que os portugueses tinham fundado esta cidade em frente a Buenos Aires em 1680, os espanhóis desta cidade tinham querido remover os portugueses da região.

A 22 de Novembro de 1723, os portugueses fundaram ainda Montevidéu, que possui o melhor porto profundo no Rio da Prata. A fundação desta nova cidade logo causou novos problemas. Uma das questões era a própria legalidade da fundação: o Tratado de Utrecht estipulara sobre ”o Territorio e Colonia do Sacramento, ſita na margem ſeptentrional do Rio da Prata” que o monarca espanhol faria uma “desistência nos termos mais fortes”, ”para que o dito Territorio e Colonia fiquem comprehendidos nos Dominios da Coroa de Portugal”, mas nada dizia sobre novas fundações na região.[9] Na interpretação dos espanhóis de Buenos Aires, isto significava que os portugueses apenas tinham direito à Colónia do Sacramento, e que a fundação de Montevidéu era ilegal. A reacção foi imediata: a 22 de Janeiro de 1724, os espanhóis de Buenos Aires ocuparam a recém-fundada localidade.

Os verdadeiros problemas viriam na década seguinte, quando os portugueses intensificaram a colonização do Rio Grande do Sul em 1733. Forças de Buenos Aires vieram então em 1734 pôr cerco à Colónia do Sacramento, que apenas se salvou graças a reforços enviados do Rio de Janeiro. Montevidéu continuava ocupada pelos espanhóis, que para lá fariam passar um exército considerável. As relações entre Portugal e a Espanha deterioraram rapidamente, e logo em Fevereiro de 1735 deu-se o "incidente das embaixadas": a guarda espanhola entrou na embaixada portuguesa em Madrid e aprisionou dezanove empregados da embaixada ― a que D. João V logo ripostou com a prisão de dezanove funcionários da embaixada espanhola em Lisboa. Cortaram-se as relações diplomáticas, e em Lisboa preparou-se a guerra.

D. João V decidiu então enviar uma forte esquadra ao Rio da Prata para fazer valer os interesses de Portugal na região. Em 1736, largaram assim ao todo seis naus de guerra, com 390 peças no total, para a América do Sul. Encontrariam no Mar da Prata uma esquadra espanhola de cinco pequenas naus e três fragatas, com 332 peças no total ― uma força manifestamente inferior. Alguns combates foram travados, em que nenhum dos lados perdeu naves; mas os espanhóis não conseguiram impedir que a esquadra portuguesa, ao comando de Luís de Abreu Prego, iniciasse um bloqueio a Montevidéu, bloqueando assim o exército espanhol em terra. Durante um ano, de Agosto de 1736 a Agosto de 1737, a esquadra portuguesa bloqueou o exército espanhol em Montevidéu, sem que a esquadra espanhola no Mar da Prata tentasse fazer alguma tentativa de desafiar os portugueses, até que chegou uma nau de guerra do Rio de Janeiro com notícias de que em Paris se tinha assinado um armistício em Maio de 1737.[10] Assim foi devolvida Montevidéu a Portugal, sem que durante um ano a esquadra espanhola na zona tivesse ousado desafiar a portuguesa. Por ironia, a única nave perdida durante toda esta campanha foi uma fragata espanhola de 36 peças, por encalhe.

Enquanto tudo isto se passava, D. João V tinha invocado a aliança com a Grã-Bretanha logo em 1735, quando depois do incidente das embaixadas se adivinhava uma possível guerra com Espanha. Como resultado da aliança anglo-lusa, chegou a Lisboa no verão de 1736 uma poderosíssima armada de vinte e seis naus de guerra ― equivalente praticamente a toda a Armada Real espanhola ― às ordens do próprio Admiral of the Fleet Sir John Norris. A maior parte desta armada permaneceu em Lisboa até o verão seguinte, após o armistício de Paris.[11]

Assim se explica porque pôde D. João V enviar a esquadra ao Rio da Prata sem ter que se preocupar com a defesa das águas da metrópole, e assim se explica porque Espanha rapidamente assinou um armistício com Portugal. E assim se explica, talvez, porque Portugal a partir da segunda metade do reinado de D. João V começou a sofrer uma certa dependência da Grã-Bretanha, que apenas se tornaria mais manifesta com o passar das décadas.

Rainha consorte e regente de Portugal[editar | editar código-fonte]

Reinado do marido[editar | editar código-fonte]

Alegoria à Aclamação do Rei D. José I (c. 1750) - atribuido a Joana do Salitre. D. Mariana Vitória aparece ao lado do marido.

Vinte anos mais tarde, falecia D. João V, e o marido de D. Mariana Vitória subia ao trono. A rainha tinha então trinta e dois anos e D. José I, trinta e seis anos.

O reinado de José I é sobretudo marcado pelas políticas do seu secretário de Estado, o Marquês de Pombal, que reorganizou as leis, a economia e a sociedade portuguesa, transformando Portugal num país moderno.

Quando subiu ao trono, José I tinha à sua disposição os mesmos meios de acção governativa que os seus antecessores do século XVII, apesar do progresso económico realizado no país, na primeira metade do século XVIII.

Esta inadaptação das estruturas administrativas, jurídicas e políticas do país, juntamente com as condições económicas deficientes herdadas dos últimos anos do reinado de João V, vai obrigar o monarca a escolher os seus colaboradores entre aqueles que eram conhecidos pela sua oposição à política seguida no reinado anterior.

Diogo de Mendonça Corte-RealPedro da Mota e Silva e Sebastião José de Carvalho e Melo passaram a ser as personalidades em evidência, assistindo-se de 1750 a 1755 à consolidação política do poder central e ao reforço da posição do marquês de Pombal, com a consequente perda de importância dos outros ministros.

O terramoto de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Terramoto de 1755
"Marquês de Pombal" e a cidade de Lisboa, de Louis-Michel van Loo (1707-1771) e Claude-Joseph Vernet (1714-1789), Museu da Cidade, Lisboa

O desastre abateu-se sobre Portugal na manhã do dia 1 de novembro (dia de Todos os Santos) de 1755. Nesta data, Lisboa foi abalada por um violento tremor de terra, com uma amplitude que em tempos actuais é estimada em cerca de nove pontos na escala de Richter. A cidade foi devastada pelo tremor de terra, pelo maremoto e ainda pelos incêndios que se seguiram.

Sebastião de Carvalho sobreviveu por sorte, mas não se impressionou. Imediatamente tratou da reconstrução da cidade, de acordo com a famosa frase: "E agora? Enterram-se os mortos e cuidam-se os vivos". Apesar da calamidade, Lisboa não foi afectada por epidemias e menos de um ano depois já se encontrava parcialmente reconstruída.

A baixa da cidade foi redesenhada por um grupo de arquitectos, com a orientação expressa de resistir a terramotos subsequentes. Foram construídos modelos para testes, nos quais os terramotos foram simulados pelo marchar de tropas. Nesta altura, e pela orientação do Marquês do Pombal, teve início o modelo de construção de edifícios denominado "Gaiola", em que todas as obras eram edificadas a partir de uma estrutura de madeira, semelhante a uma gaiola. A partir deste período, todos os edifícios eram obrigados a respeitar esta norma, com o fim de tornar as construções resistentes aos terramotos, devido à sua flexibilidade.[12]

Surgiram também os primeiros edifícios dotados de saneamento próprio, através de condutas ligadas diretamente ao rio, e as ruas adquiriram dimensões em torno dos 20 metros de largura - para as estradas principais - uma característica nunca antes vista.[13]

Os edifícios e praças da Baixa Pombalina de Lisboa ainda prevalecem, sendo uma das atracções turísticas de Lisboa, construídos sob a assinatura do Marquês de Pombal.

Sebastião de Melo fez também uma importante contribuição para a sismologia: elaborou um inquérito enviado a todas as paróquias do país. Exemplos de questões aí incluídas: os cães e outros animais comportaram-se de forma estranha antes do evento?; O nível da água dos poços subiu ou desceu?; Quantos edifícios foram destruídos? Estas questões permitiram aos cientistas portugueses a reconstrução do evento e marcaram o nascimento da sismologia enquanto ciência.

O processo dos Távoras[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Processo dos Távoras
O atentado sofrido por D. José, marido de D. Mariana Vitória em 1758. Este atentado foi o catalisador do Processo dos Távoras.

Na sequência do terramoto ficou só menos de dois anos mais como Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. O rei D. José I deu ao seu primeiro-ministro poderes acrescidos, tornando-o numa espécie de ditador, e fê-lo Conselheiro de Estado e Comendador de Santa Marinha da Mata de Lobos e de São Miguel das Três Minas, ambas na Ordem de Cristo. À medida que o seu poder cresceu, os seus inimigos aumentaram e as disputas com a alta nobreza tornaram-se frequentes.

O atentado[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 1758, a carruagem do rei foi alvejada quando esse voltava da casa de sua amante, a esposa do Marquês de Távora. O monarca foi ferido e a rainha assumiu como regente. As investigações, durante o mês de dezembro, acusaram membros da alta nobreza, os quais foram imediatamente presos; entre eles integrantes da família dos Távoras (o número total de prisioneiros chegou a mais de mil, a maioria dos quais jamais foi julgada formalmente). Em 12 de janeiro de 1759, o José de Mascarenhas da Silva e Lencastre, então Duque de Aveiro, e diversos membros da família dos Távoras foram condenados à morte.[14]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Sebastião de Melo não mostrou qualquer misericórdia, tendo perseguido cada um dos envolvidos.

Com este golpe final, o poder da nobreza foi decisivamente contrariado, marcando uma vitória sobre os seus inimigos, aqueles que tinham força para se oporem a si e ao rei. Pela sua acção rápida, D. José I atribuiu ao seu leal ministro o título de Senhor Donatário das vilas de Oeiras e seu termo e de Pombal, com o título de Conde de Oeiras, em 1759.

A 3 de Setembro 1759, um ano depois da tentativa de regicídio a D. José, expulsou os jesuítas da metrópole e das colónias, confiscando seus bens, sob a alegação de que a Companhia de Jesus agia como um poder autónomo dentro do Estado português e as suas ligações internacionais eram um entrave ao fortalecimento do poder régio.

No seguimento do caso Távora, o novo Conde de Oeiras não conheceu qualquer nova oposição. Adquirindo o título de Marquês de Pombal em 1770, teve quase exclusivamente o poder de governar Portugal até à morte de D. José I em 1777.

A regência[editar | editar código-fonte]

D. Mariana Vitória retratada por Miguel António do Amaral.

Quando seu marido foi declarado inapto para governar em 1774, devido a loucura, D. Mariana Vitória foi proclamada regente, uma posição que manteve até à morte de seu marido. Após isso, ela tornou-se regente de sua filha mais velha, futura D. Maria I.

Quando a filha assume o poder, D. Mariana Vitória tentou melhorar as relações com a Espanha que era governada por seu irmão mais velho, Carlos III. Os dois países estavam em conflito em relação a posses territoriais nas Américas. Deixando Portugal, D. Mariana Vitória viajou para a Espanha, onde permaneceu por pouco mais de um ano, residindo entre o Palácio Real de Madrid e o Palácio Real de Aranjuez.

Por influência da rainha, assinou-se em 1778 o tratado que estipulou dois casamentos: o do infante Gabriel, filho de Carlos III, com a sua neta D. Maria Ana Vitória, e o da infanta Carlota Joaquina, neta mais velha de Carlos III, com o infante D. João, futuro D. João VI.

Morte[editar | editar código-fonte]

Enquanto se encontrava em Espanha, D. Mariana Vitória teve um ataque de reumatismo e foi confinada a uma cadeira de rodas por algum tempo. Regressou a Portugal em novembro de 1778. Mariana Vitória morreu na Real Barraca da Ajuda, um edifício onde hoje é o actual Palácio Nacional da Ajuda

Foi primeiramente sepultada na Igreja de São Francisco de Paula em Lisboa, a qual mandou restaurar. Foi depois trasladada para o Panteão Real da Dinastia de Bragança da Igreja de São Vicente de Fora também em Lisboa.

Legado[editar | editar código-fonte]

D. Mariana Vitória era a madrinha de Maria Antonieta, futura rainha da França, que nasceu no mesmo dia que do Terremoto de Lisboa que devastou a cidade. Mariana Vitória tem descendentes que vão desde o presente Rei de Espanha, Rei da Bélgica, ao Grão-Duque de Luxemburgo. Em 1822, seu bisneto Pedro se tornou o primeiro imperador do Brasil.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Nome Retrato Nascimento Morte Notas
Maria I de Portugal Maria I, Vieira.jpg 17 de dezembro de 1734 20 de março de 1816 Casou-se com Pedro III de Portugal, com descendência.
Maria Ana Francisca de Portugal Retrato de D.Maria Ana Josefa.jpg 7 de outubro de 1736 16 de maio de 1813 Não se casou.
Maria Doroteia de Portugal Retrato da Infanta D.Maria Francisca Doroteia.jpg 21 de setembro de 1739 14 de janeiro de 1771 Não se casou.
Maria Benedita de Portugal D. Maria Francisca Benedita, Princesa da Beira e do Brasil.jpg 25 de julho de 1746 18 de agosto de 1829 Casou-se com José, Príncipe do Brasil, sem descendência.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. SATURNINO MONTEIRO, Armando da Silva: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, Vol. VII, pp. 54-56.
  2. Id., Ibid., Vol. VII, p. 141.
  3. ARAÚJO, Jeaneth Xavier de: "Celebrar os Grandes: os casamentos monárquicos portugueses e a mobilização de recursos na capitania de Minas Gerais", p. 8.
  4. BESSONE, Silvana: The National Coach Museum - Lisbon, p. 74, 91.
  5. ARAÚJO, Jeaneth Xavier de: "Celebrar os Grandes: os casamentos monárquicos portugueses e a mobilização de recursos na capitania de Minas Gerais."
  6. FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime B.: “Formas de arte efémera no duplo consórcio Bragança-Bourbon em 1785.”
  7. VOLTES, Pedro: La vida y la época de Fernando VI, pp. 39-45, 68.
  8. SATURNINO MONTEIRO, Armando da Silva: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, Vol. VII, pp. 141-145.
  9. Tratado de Pax..., 1715, Art.o VI, pp. 6-7.
  10. SATURNINO MONTEIRO, Armando da Silva: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, Vol. VII, pp. 141-145.
  11. Ibidem.
  12. «Manuscrito com livro de Kenneth Maxwell sobre o Marquês de Pombal». diariodigital.sapo.pt. Consultado em 5 de abril de 2016 
  13. Maxwell, Kenneth. O Marquês de Pombal. [S.l.: s.n.] 
  14. A expulsão dos jesuítas do Grão-Pará em 1759 e a Amazônia sob a égide do Marquês do Pombal, acesso em 04 de outubro de 2016.
  15. «Louis I, King of Spain > Ancestors». RoyaList. Consultado em 3 de janeiro de 2015 

Títulos, estilos, e honrarias[editar | editar código-fonte]

Estilo real de tratamento de
Mariana Vitória da Espanha
Arms of Mariana Victoria of Spain, Queen consort of Portugal.jpg
Estilo real Sua Majestade Fidelíssima
Tratamento directo Vossa Majestade Fidelíssima
Estilo alternativo Senhora

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

O estilo oficial de D. Mariana Vitória enquanto Rainha Consorte de Portugal: "Pela Graça de Deus, Mariana Vitória, Rainha Consorte de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc."

Honrarias[editar | editar código-fonte]

Enquanto monarca de Portugal, D. João V foi Grão-Mestre das seguintes Ordens:

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Armstrong, Edward (1892). Elisabeth Farnese: The Termagant of Spain (en inglés). Londres: Longmans, Green, and Co. OCLC 580823355.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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