Isabel de Parma

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Isabel
Princesa de Parma
Retrato por Martin van Meytens, 1763
Arquiduquesa Consorte da Áustria
Reinado 6 de outubro de 1760
a 27 de novembro de 1763
Predecessora Maria Teresa da Áustria
Sucessora Maria Josefa da Baviera
 
Marido José II, Sacro Imperador Romano-Germânico
Descendência Maria Teresa da Áustria
Maria Cristina da Áustria
Casa Bourbon-Parma
Habsburgo-Lorena
Nome completo
em italiano: Isabella Maria Luisa Antonietta Ferdinanda Giuseppina Saveria Domenica Giovanna
Nascimento 31 de dezembro de 1741
Palácio do Bom Retiro, Madrid, Espanha
Morte 27 de novembro de 1763 (21 anos)
Palácio de Schönbrunn, Viena, Áustria
Pai Filipe I de Parma
Mãe Luísa Isabel de França


Isabel de Bourbon (em italiano: Isabella Maria Luisa Antonietta Ferdinanda Giuseppina Saveria Domenica Giovanna; Madrid, 31 de dezembro de 1741  — Viena, 27 de novembro de 1763), era filha de Filipe I de Parma e de Luísa Isabel de França, filha mais velha do rei Luís XV de França e de Maria Leszczyńska.

Biografia[editar | editar código-fonte]

A infância[editar | editar código-fonte]

Isabel, Princesa de Parma

Por Jean-Marc Nattier, 1749

Infanta de Espanha, Isabel nasceu no Palácio do Bom Retiro e é criada na corte do seu avô paterno Filipe V de Espanha, em Madrid. Na sequência do Tratado de Aquisgrão de 1748, o seu pai torna-se duque de Parma e, desde logo, dirige-se para o seu novo estado. A nova duquesa, mãe de Isabel, faz um desvio por Versalhes, a fim de visitar o seu pai, o rei Luís XV de França, assegurando-se do seu apoio político e financeiro. A pequenina Isabel acompanha a mãe (na altura era filha única) que rapidamente conquista a família e a corte francesa. Já em Parma, Luísa Isabel dará à luz dois outros filhos ao seu marido. Aproveitando a nova aliança entre os Bourbons e os Habsburgos, ela consegue o apoio do pai para os projectos de casamento de dois de seus filhos: o de Isabel com o futuro imperador José II, e o de Maria Luísa, a filha mais jovem, com o pequeno duque de Borgonha, filho do Delfim (casamento que não se veio a concretizar por morte do jovem duque).

Casamento[editar | editar código-fonte]

Isabel de Parma

Por Jean-Marc Nattier, 1749

Em 1760 um casamento foi arranjado entre Isabel e o arquiduque José da Áustria, herdeiro da monarquia de Habsburgo. Depois de um casamento por procuração, Isabel foi escoltada para a Áustria. Em 6 de outubro de 1760, aos 18 anos, Isabel casou-se com José em uma cerimônia que durou dias. José estava emocionado com sua nova noiva e sobrecarregou Isabel com seu amor. Em troca, cada vez mais se fechava, tanto que pouco depois de seu casamento, Isabel mergulhou em melancolia.

A chegada de Isabel de Parma em Viena para a ocasião de seu casamento com José da Áustria

Por Martin van Meytens, 1760, Palácio de Schönbrunn

A cerimônia de casamento de Isabel de Parma e de José da Áustria

Por Martin van Meytens, 1760

Relacionamento com Maria Cristina[editar | editar código-fonte]

A princesa passou a maior parte do tempo na corte vienense, não com seu marido, mas com sua irmã, a arquiduquesa Maria Cristina, que mais tarde se tornou, por casamento, Duquesa de Teschen. As duas mulheres se amavam profundamente. Durante os poucos anos em que Isabel e Christina se conheceram, trocaram 200 cartas e "tarugos" enquanto viviam na mesma corte. Elas passavam tanto tempo juntas que a corte começou a compará-las com Orfeu e Eurídice.

Arquiduque José a imperatriz Maria Teresa, princesa Isabel de Parma e a arquiduquesa Maria Cristina

Por Martin van Meytens, 1763

Isabel e Maria Cristina uniram-se não só por um interesse comum pela música e pela arte, mas também por um profundo amor mútuo. Todos os dias escreviam longas cartas entre si nas quais revelavam seus sentimentos de amor. Enquanto as cartas de Maria Cristina mostravam sua natureza feliz, os sentimentos de Isabel eram misturados e, em suas expressões de carinho, mostrava um certo pessimismo, refletindo sua crescente obsessão pela morte. Em uma dessas cartas, Isabel escreveu:

"Estou escrevendo-lhe de novo, irmã cruel, embora eu tenha acabado de deixá-la. Não posso suportar a espera de saber o meu destino, e saber se você me considera uma pessoa digna do seu amor... Não consigo pensar em nada senão que estou profundamente apaixonada ... Se eu soubesse apenas por que isso é assim, pois você é tão sem misericórdia que não se deve amar você, mas eu não posso me ajudar.".

Numa outra carta Isabel escreveu: "Dizem-me que o dia começa com Deus, mas começo o dia pensando no objeto do meu amor, pois penso nele incessantemente.".

Apenas as cartas de Isabel foram preservadas; as de Maria Cristina foram destruídas após sua morte.

Gravidez e Depressão[editar | editar código-fonte]

No entanto, como esposa do herdeiro do trono, Isabel sabia que seu dever era dar à luz um herdeiro saudável. Apesar disto, a princesa desenvolveu sentimentos inquietos em relação ao marido, estimulado por ansiedades sobre a intimidade sexual e as possibilidades de gravidez.

No final de 1761, um ano depois do casamento, Isabel estava grávida. Foi uma gravidez difícil, e Isabel sofreu sintomas de doença física, melancolia e persistentes medos de morte. José, apaixonado e inexperiente, não conseguiu entender completamente a melancolia de sua esposa. Em 20 de março de 1762, após nove meses de tensão mental e física, Isabel deu à luz uma filha que chamou Maria Teresa. Isabel permaneceu acamada durante 6 semanas após o parto.

Em agosto de 1762 e janeiro de 1763, Isabel sofreu dois abortos espontâneos que agravaram seu mal-estar mental, fazendo-a cair em uma depressão que corroeu sua vontade de viver.

Isabel estava grávida de seis meses com uma menina quando contraiu varíola; Isso levou a um parto prematuro que terminou na morte da criança, que recebeu o nome de Maria Cristina. Isabela morreu alguns dias depois. No total, de quatro gravidezes, apenas uma criança sobreviveu à infância.

Morte[editar | editar código-fonte]

Sarcófago de Isabel (centro), ao lado de sua filha Maria Teresa (direita). Por dentro de seu sarcófago encontra-se o de sua filha mais nova Maria Cristina.

Em 1763, Isabel caiu doente com varíola e deu à luz aos três meses a uma prematura, em 22 de novembro de 1763, a uma filha, Maria Cristina, que morreu algumas horas após o nascimento. Obcecada pela morte, Isabel vê a sua filha Maria Cristina morrer, morrendo ela própria, pouco depois, de varíola no Palácio de Schönbrunn, sendo sepultada na Cripta Imperial de Viena (ou cripta dos capuchinhos), necrópole dos Habsburgo-Lorena, deixando o marido inconsolável.

Seu segundo casamento (janeiro de 1765-maio ​​de 1767) com a princesa Maria Josefa da Baviera foi infeliz e não produziu filhos. Posteriormente, em agosto de 1765, o sogro de Isabel, Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico morreu e José sucedeu-o como o Imperador do Sarro Império Romano-Germânico santamente com o título de José II.

Isabel tinha predito, mesmo antes de sua morte, que sua filha seguiria esse mesmo caminho pouco depois. Seus pressentimentos foram cumpridos em 23 de janeiro de 1770, quando a pequena arquiduquesa Maria Teresa morreu com apenas sete anos de pleurisia. A perda foi esmagadora para José. Depois da morte de seu único filho, José se afastou cada vez mais da vida pública.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Nome Nascimento Morte Notas
Maria Teresa 20 de março de 1762 23 de janeiro de 1770 Morreu aos 7 anos de pleurisia
Nado morto Agosto de 1762 Agosto de 1762 Morreu na infância
Nado morto Janeiro de 1763 Janeiro de 1763 Morreu na infância
Maria Cristina 22 de novembro de 1763 22 de novembro de 1763 Nasceu prematura aos três meses e morreu pouco tempo depois do nascimento

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ernest Sanger, Isabelle de Bourbon-Parme : La Princesse et la Mort, Bruxelles, Racine, 2002.
  • Isabelle de Bourbon-Parme : "Je meurs d'amour pour toi" -Lettres à l'archiduchesse Marie-Christine 1760-1763, editadas por Elisabeth Badinter, Paris, Tallandier, 2008.
  • Eurydice Vial, De la vie des marionnettistes, Paris, Bouquineo pour Chemins de tr@verse, 2010. Romance inspirado na vida de Isabel de Parma.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]