Margarida Teresa de Habsburgo

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Margarida Teresa
Infanta da Espanha
Imperatriz Consorte do Sacro Império Romano-Germânico
Rainha Consorte da Hungria e Boêmia
Reinado 5 de dezembro de 1666
a 12 de maio de 1673
Predecessora Leonor Gonzaga
Sucessora Leonor Madalena do Palatinado
 
Marido Leopoldo I do Sacro Império Romano-Germânico
Descendência Maria Antônia de Áustria
Casa Habsburgo
Nascimento 12 de julho de 1651
  Real Alcázar, Madrid, Espanha
Morte 12 de março de 1673 (21 anos)
  Palácio Imperial de Hofburg, Viena, Áustria
Enterro Cripta Imperial, Viena, Áustria
Pai Filipe IV de Espanha
Mãe Maria Ana de Áustria
Brasão

Margarida Maria Teresa de Habsburgo (em espanhol: Margarita María Teresa; Madrid, 12 de julho de 1651Viena, 12 de março de 1673) foi uma infanta da Espanha e a imperatriz consorte do Sacro Império Romano-Germânico como esposa de Leopoldo I. Foi filha do rei Filipe IV de Espanha e de sua segunda esposa Maria Ana de Áustria.

Margarida é a a figura central do famoso quadro Las Meninas, de Diego Velázquez.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Margarida Teresa nasceu em 12 de julho de 1651 em Madrid era a filha primogênita do rei Filipe IV de Espanha e de sua sobrinha a arquiduquesa Maria Ana de Áustria. Por causa deste casamento consanguíneo, a mãe de Margarida era quase trinta anos mais nova do que seu pai.[1]

Seus avós maternos eram o imperador Fernando III e Maria Ana de Espanha, enquanto seus avós paternos eram Filipe III de Espanha e Margarida de Áustria.[2][3]

A união de seus pais foi feita puramente por razões políticas, principalmente a busca de um novo herdeiro masculino para o trono espanhol após a morte prematura de Baltasar Carlos, Príncipe das Astúrias em 1646. Além dele, o outro único descendente sobrevivente do primeiro casamento de de Filipe IV era a infanta Maria Teresa, que mais tarde se tornou rainha da França como consorte do rei Luís XIV de França. Depois de Margarida, entre 1655 e 1661 mais quatro filhos nasceram do casamento entre Filipe IV e Mari Ana da Áustria, mas apenas um sobreviveu à infância, o futuro rei Carlos II de Espanha.[4][5]

Apesar do alto grau de consanguinidade em sua família, Margarida Teresa não desenvolveu os sérios problemas de saúde e incapacidades que seu irmão mais novo mostrou desde seu nascimento. De acordo com os contemporâneos, Margarida Teresa era uma menina bonita, dotada de um caráter doce e alegre. Era também a filha favorita do rei Filipe IV, que em suas cartas particulares se referia a ela como mi alegría ("Minha Alegria").[6]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Filipe IV planejava casar sua filha mais nova com o rei Carlos II de Inglaterra, a fim de impedir o seu casamento com Catarina de Bragança. O rei espanhol nunca se resignou à perda da coroa portuguesa, e tentou impedir o reconhecimento da Casa de Bragança pelas monarquias européias.[7]

Pela necessidade de um casamento dinástico entre os ramos espanhol e austríaco da Casa de Habsburgo, Margarida Teresa ficou noiva, ainda criança, de seu tio materno e primo paterno, Leopoldo I do Sacro Império Romano-Germânico. Seu pai estipulou que ela deveria manter sua posição na linha de sucessão ao trono espanhol e passar seus direitos de sucessão aos seus descendentes, algo que Leopoldo I aceitou de bom grado.

Em 28 de abril de 1666 Margarida viajou de Madrid a Viena, acompanhada por seu séquito pessoal, chegando em Viena no dia 25 de novembro do mesmo ano.[8]

Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico[editar | editar código-fonte]

Em 5 de dezembro de 1666, ocorreu a solene entrada da Infanta em Viena e a cerimônia oficial de casamento foi celebrada sete dias depois, em 12 de dezembro. As celebrações que se realizaram na capital austríaca por ocasião do casamento imperial (que estavam entre as mais esplêndidas de toda a era barroca) [9] duraram quase dois anos.

Um dos eventos mais ilustres durante o reinado de Leopoldo foi a esplêndida performance da ópera Il pomo d'oro ("A maçã de ouro"), pelo compositor italiano Antonio Cesti, a fim de celebrar o aniversário de dezessete anos da imperatriz, em julho de 1668. A ocasião é considerada o apogeu da ópera barroca em Viena, durante o século XVII.[10]

Apesar da diferença de idade (onze anos) e da aparência não atrativa de Leopoldo I, o casal foi bastante feliz, já que tinham vários interesses em comum, tais como música e teatro. Embora tivesse sido apelidada como Gretl por seu marido, Margarida Teresa continuou chamando-o de "tio".

Durante seus seis anos de casamento, Margarida deu à luz quatro filhos, dos quais apenas um sobreviveu à infância, a arquiduquesa Maria Antônia da Áustria.[11] Suas gravidezes múltiplas vieram enfraquecer a sua saúde já frágil.

A imperatriz era muito religiosa, e influenciou seu marido a apoiar a expulsão dos jesuítas. Durante a celebração de Corpus Christi em 1670, o imperador ordenou a destruição da sinagoga de Viena onde no local foi construída uma igreja por sua ordem.[12]

Mesmo depois de seu casamento, Margarida manteve seus costumes espanhóis, o que levou a um forte sentimento anti-espanhol na corte imperial. Os cortesãos expressaram abertamente a esperança de que a imperatriz fraca morresse logo e assim daria a oportunidade de Leopoldo se casar novamente. Além de seu devotado marido, o único amigo que ela tinha na corte era a imperatriz viúva Leonor de Gonzaga.[13]

Morte[editar | editar código-fonte]

Margarida Teresa faleceu aos vinte e dois anos, em consequência do parto de sua filha Maria Ana. Foi sepultada na Cripta Imperial em Viena. Apenas quatro meses depois, o imperador viúvo apesar de seu pesar pela morte de sua "única Margareta", casou-se novamente com a arquiduquesa Claudia Felicidade da Áustria.[14]

Após a morte de Margarida, seus direitos sob o trono espanhol foram herdados por sua única filha sobrevivente, Maria Antônia, que por sua vez abdicou a favor se seu único filho sobrevivente, o príncipe José Fernando da Baviera. Após a morte precoce de José Fernando em 1699, os direitos sob a coroa espanhola foram disputados tanto pelo imperador Leopoldo I quanto pelo rei Luís XIV da França, genro do rei Filipe IV, o que desencadeou a Guerra de Sucessão Espanhola. O resultado da Guerra da Sucessão Espanhola foi a criação do ramo espanhol da Casa de Bourbon e seus direitos foram herdados por Filipe de França, sobrinho-neto de Margarida.[15]

Margarida Teresa na cultura[editar | editar código-fonte]

Pouco antes do nascimento de Margarida, retornou a Madrid o pintor de corte, Diego Velázquez. Entre 1653 a 1659 foi realizada uma série de retratos da Infanta. Os retratos foram enviados para a corte imperial em Viena e agora são exibidos no Kunsthistorisches Museum.[16]

A pintura a mais famosa por Velazquez na série dos retratos da infanta é o quadro "Las meninas", atualmente exposto no Museu do Prado em Madrid. No retrato, o artista pintou a infanta aos 5 anos em seu estúdio enquanto trabalhava em um retrato de seus pais. Ela está cercada por suas damas de companhia e outros cortesãos, seus olhos estão cravados em seus pais, cujo reflexo é visível no espelho na parede[17]. A tela foi a inspiração para Pablo Picasso, que em 1957 criou mais de quarenta variações desta obra.[18]

A imagem de Margarida, encarnada nas pinturas de Velasquez, inspirou não somente pintores. O poeta Boris Pasternak a menciona no poema "Tempestade de Borboleta", no qual aparece-lhe como uma visão durante uma tempestade em Moscou.[19]

Maurice Ravel teria se inspirado em Margarida Teresa de Habsburgo ao compor Pavane pour une Infante Défunte. Oscar Wilde inspirou-se em Las Meninas quando escreveu seu conto The Birthday of the Infanta.

Um dos últimos retratos de Margarida é o "Retrato da Imperatriz Margarita Teresa e sua filha "Maria Antônia", atualmente exposto no Palácio Imperial de Hofburg, no qual ela é retratada com sua única filha sobrevivente. Numerosas cópias de seus retratos também são preservadas, e agora são mantidos em coleções de museus ao redor do mundo.

Precedido por
Leonor Gonzaga
Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico
Rainha da Germânia
Arquiduquesa consorte da Áustria

16661673
Sucedido por
Leonor Madalena do Palatinado
Precedido por
Maria Ana de Espanha
Rainha consorte da Hungria
Rainha consorte da Boêmia

16661673
Sucedido por
Leonor Madalena do Palatinado


Referências

  1. Margaret Teresa Habsburg, Infanta de España in: Darryl Lundy - thepeerage.com [retrieved 27 October 2016].
  2. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome thepeerage2
  3. Martin Mutschlechner: Philip IV: marriage and offspring in: habsburger.net [retrieved 27 October 2016].
  4. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome thepeerage3
  5. Antonio Álvarez-Ossorio Alvariño: La sacralización de la dinastía en el pulpito de la Capilla Real en tiempos de Carlos II, pp. 315–317 (in Spanish) [retrieved 27 October 2016].
  6. Museum of Art History, Moscow: Directmedia 2014, vol. XXVI, pp. 89–95 (The great museums of the world). ISBN 978-5-87-107267-7.
  7. Laura Oliván Santaliestra: Mariana de Austria en la encrucijada política del siglo XVII, Madrid: Universidad Complutense de Madrid, 2006. p. 304.
  8. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Villa
  9. Friedrich Polleross: Entre "majestas" y "modestas": sobre la representación del emperador Leopoldo I (in Spanish). For more information about the celebrations see: Verdadera relación de la entrada y recibimiento que se hizo á la Sra. Emperatriz de Alemania, D. Margarita de Austria, en la ciudad de Viena, en cinco de Diciembre del año pasado de 1666, Granada, 1666.
  10. Pomp and circumstance: the baroque opera Il pomo d’oro in: europeanasounds.eu [retrieved 28 October 2016].
  11. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome thepeerage5
  12. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Strnad
  13. Rotraut Schnitzer-Becker: Eleonora Gonzaga Nevers, imperatrice Dizionario Biografico degli Italiani - Volume 42 (1993) in: treccani.it [retrieved 28 October 2016].
  14. Wheatcroft 1997, p. 201.
  15. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Strnad2
  16. Velázquez. Kunsthistorisches Museum Wien [retrieved 28 October 2016].
  17. Diego Rodríguez de Silva y Velázquez: Las Meninas in: museodelprado.es [retrieved 28 October 2016].
  18. A. G. Kostenevich: Picasso - The Art of Leningrad 1982, pp. 43–226.
  19. D. S. Likhachev, T. B. Knyazevskaya: Literature and Art in the system of culture, B. B. Piotrowski: Moscow Science 1988, pp. 476–500 ISBN 978-5-02-012677-0.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]