Renata de Lorena

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Renata de Lorena
Princesa de Lorena
Portret van Renata van Lotharingen, hertogin van Beieren, Johann Sadeler (I), 1588 - 1595.jpg
Retrato de Renata de Lorena por Johann Sadeler, ca. 1588-1595
Duquesa consorte da Baviera
Reinado 24 de outubro de 157916 de outubro de 1579
 
Cônjuge Guilherme V da Baviera
Descendência Maximiliano I, Eleitor da Baviera
Maria Ana
Filipe da Baviera, Cardeal
Fernando da Baviera, Arcebispo-Eleitor de Colónia
Alberto VI, Duque da Baviera-Leuchtenberg
Madalena da Baviera
Casa Lorena (por nascimento)
Wittelsbach (por casamento)
Nascimento 20 de abril de 1544
  Nancy, Lorena, França
Morte 22 de maio de 1602 (58 anos)
  Munique, Baviera, Alemanha
Pai Francisco I da Lorena
Mãe Cristina da Dinamarca

Renata de Lorena (em francês: Renée de Lorraine, em alemão: Renata von Lothringen; Nancy, 20 de abril de 1544Munique, 22 de maio de 1602), foi duquesa da Baviera como espoa de Guilherme V da Baviera.

Família[editar | editar código-fonte]

Renata nasceu em Nancy, capital do Ducado da Lorena (hoje uma região de França), sendo a segunda criança, e filha mais velha, nascida do casamento do duque Francisco I da Lorena com Cristina da Dinamarca. Os seus avós paternos eram António da Lorena e Renata de Bourbon e os seus avós maternos eram Cristiano II da Dinamarca e Isabel da Áustria.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Renata era descrita como uma mulher bonita e um casamento desejável. Em 1558, após a morte da sua primeira mulher, Guilherme I, Príncipe de Orange expressou o desejo de casar com Renata. A mãe, Cristina, gostou da ideia, cimentada após o Tratado de Cateau-Cambrésis. Mas esta união foi impedida pelo Rei Filipe II de Espanha.[1] Cristina declinou o plano do Cardeal de Lorena para casar Renata e o Príncipe de Joinville, bem como uma proposta do rei espanhol pra casar Renata com o seu meio-irmão, João de Áustria.[2]

Em 1561, a mãe de Renata planeou casa-la com o rei Frederico II da Dinamarca mas, o inico da Guerra Nórdica dos Sete Anos entre a Dinamarca e a Suécia em 1563, interrompeu estes planos. De 1565 a 1567, Cristina negociou com o rei Érico XIV da Suécia a criação duma aliança entre a Suécia e a Dinamarca através do casamento do rei com Renata e a conquista da Dinamarca por Cristina com o apoio da Suécia, plano do agrado de Érico.[3]

Contudo, o imperador Fernando I opôs-se ao plano dadas as consequências que poderia ter no equilíbrio de poderes entre os estados do Império: a Saxónia (um forte aliado da Dinamarca) opunha-se às pretensões de Cristina. Além disso também não conseguiu obter o apoio do rei de Espanha. A planeada aliança matrimonial entre a Lorena e a Suécia acabou por nunca se concretizar, até porque Érico XIV casou com a sua amante plebeia Karin Månsdotter em 1567[4].

Finalmente, a 22 de fevereiro de 1568, Renata casou com Guilherme, o herdeiro do ducado da Baviera, numa grande e sofisticada cerimónia celebrada em Munique que durou 18 dias. Este evento foi descrito em detalhe por Massimo Troiano nos seus Dialoghi (1569), e nele participaram aproximadamente 5.000 cavaleiros, Tendo a música sido composta por Orlande de Lassus.

Apesar do seu importante casamento e estatuto, Renata e o marido, levaram uma vida de caridade e humildade. Deixaram a Residência de Munique e indo viver no Kollegienbau dos jesuítas, a oeste de Munique. Renata encarregou-se dos doentes, dos pobres e de peregrinos religiosos, sendo completamente apoiada pelo marido. Após ele herdar a coroa ducal, em 1579, como Guilherme V da Baviera, Renata passou a maior parte do seu tempo na Igreja hospital de Santa Isabel (Herzogspitalkirche St. Elisabeth), em Munique, fundada em 1555 pelo sogro.

Morte[editar | editar código-fonte]

Renata morreu em Munique, aos 58 anos, sendo sepultada na igreja de S. Miguel (kirche St. Michael), igreja cuja consacração foi o ultimo ponto alto da sua vida e da de seu marido. Ela foi venerada como santa pelo povo, mas nunca foi canonizada. O seu marido, que abdicou em 1597, sobreviveu-lhe vinte e quatro anos, vindo a falecer em 1626.

Trivia[editar | editar código-fonte]

Todos os atuais monarcas escandinavos (Haroldo V da Noruega, Carlos XVI Gustavo da Suécia e Margarida II da Dinamarca) são descendentes diretos de Renata da Lorena.

Outros descendentes diretos incluem Josefina de Leuchtenberg, rainha consorte da Suécia e da Noruega; Augusto de Beauharnais, Príncípe Consorte de Portugal; Maximiliano de Beauharnais, consorte da Grã-duquesa Maria Nikolaevna da Rússia, Francisco José da Áustria; Maximiliano I do México; e Cristiano X da Dinamarca, entre muitos outros descendentes.

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Cartwright, Julia. Christina of Denmark: Duchess of Milan and Lorraine 1522-1590. Nova Iorque, 1913
  2. Cartwright, Julia. Christina of Denmark: Duchess of Milan and Lorraine 1522-1590. Nova Iorque, 1913
  3. Cartwright, Julia. Christina of Denmark: Duchess of Milan and Lorraine 1522-1590. Nova Iorque, 1913
  4. Cartwright, Julia. Christina of Denmark: Duchess of Milan and Lorraine 1522-1590. Nova Iorque, 1913

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anna de Crignis-Mentelberg: Herzogin Renata. Die Mutter Maximilians des Großen von Bayern. Freiburg im Breisgau 1912.
  • Helmut Dotterweich: Der junge Maximilian. Jugend und Erziehung des bayerischen Herzogs und späteren Kurfürsten Maximilian I. von 1573 bis 1593. Munique 1962.
  • Andrea Rueth: Renata von Lothringen, Herzogin von Bayern. In: Wurst, Jürgen und Langheiter, Alexander (Hrsg.): Monachia. Munique: Städtische Galerie im Lenbachhaus, 2005. p. 142.
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Precedido por
Ana de Habsburgo-Jagelão
Coat of arms of Princess Elisabeth of Lorraine as Electress of Bavaria.png
Duquesa da Baviera

24 de outubro de 157916 de outubro de 1579
Sucedido por
Isabel de Lorena