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Carlota Joaquina de Bourbon

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Carlota Joaquina
Retrato de Dona Carlota Joaquina no Palácio da Ajuda
Rainha Consorte de Portugal e Algarves
Reinado20 de março de 1816
a 10 de março de 1826
PredecessoraMariana Vitória da Espanha
SucessoraMaria Leopoldina da Áustria
Rainha Consorte do Brasil
Reinado20 de março de 1816
a 12 de outubro de 1822
Imperatriz Titular Consorte do Brasil
Reinado15 de novembro de 1825
a 10 de março de 1826
Dados pessoais
Nascimento25 de abril de 1775
Palácio Real de Aranjuez, Aranjuez, Espanha
Morte7 de janeiro de 1830 (54 anos)
Palácio Real de Queluz, Queluz, Portugal
Sepultado emPanteão Real da Dinastia de Bragança, Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa, Portugal
Nome completo
em castelhano: Carlota Joaquina Teresa Cayetana de Borbón y Borbón-Parma
MaridoJoão VI de Portugal
Descendência
Maria Teresa, Princesa da Beira
Francisco, Príncipe da Beira
Maria Isabel de Portugal
Pedro I do Brasil & IV de Portugal
Maria Francisca de Portugal
Isabel Maria de Portugal
Miguel I de Portugal
Maria da Assunção de Portugal
Ana de Portugal
CasaBourbon (por nascimento)
Bragança (por casamento)
PaiCarlos IV da Espanha
MãeMaria Luísa de Parma
ReligiãoCatolicismo
AssinaturaAssinatura de Carlota Joaquina
Brasão

Carlota Joaquina Teresa Caetana de Bourbon (Aranjuez, 25 de abril de 1775Queluz, 7 de janeiro de 1830) foi a esposa do Rei João VI e Rainha Consorte de Portugal e Algarves, de 1816 até 1826, além de Rainha Consorte do Brasil de 1816 até 1822. Também deteve o título Imperatriz Titular Consorte do Brasil.[a] Era filha do rei Carlos IV da Espanha e de Maria Luísa de Parma.

Desprezada pela corte portuguesa, onde frequentemente era chamada de "a Megera de Queluz", Carlota Joaquina gradualmente conquistou o ressentimento do público, que a acusava de promiscuidade e de usar sua influência sobre o marido para promover os interesses da coroa espanhola. Após a transferência da corte portuguesa para o Brasil, ela começou a conspirar contra o marido, alegando que ele não tinha a capacidade mental para governar Portugal e seus territórios, buscando estabelecer uma regência. Também alimentava ambições de usurpar o trono espanhol, que estava nas mãos do irmão de Napoleão, José Bonaparte. Após o casamento de seu filho, Pedro, com a arquiduquesa Leopoldina da Áustria em 1817, e o eventual retorno da família real a Portugal em 1821, Carlota Joaquina apoiou seu filho Miguel em seus esforços para usurpar o trono. No entanto, a relação entre ambos se deteriorou com o tempo. Finalmente, Carlota Joaquina foi confinada ao Palácio Real de Queluz, onde morreu em 7 de janeiro de 1830, abandonada por seus filhos e aliados políticos.

Nascimento e educação

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Infanta Carlota Joaquina, por Anton Raphael Mengs, c. 1775–76.

Nascida em 25 de abril de 1775 no Palácio Real de Aranjuez, Carlota Joaquina foi a segunda filha de Carlos, príncipe das Astúrias (posteriormente rei Carlos IV da Espanha), e sua esposa Maria Luísa de Parma, embora fosse a filha mais velha a sobreviver.[2] Ela foi batizada com os nomes completos de Carlota Joaquina Teresa Cayetana, mas era comumente chamada apenas de Carlota, um nome que homenageava tanto seu pai quanto seu avô paterno, o rei Carlos III da Espanha, que a considerava sua neta favorita.[3] Apesar da rigidez de sua educação e das formalidades da vida na corte, a infanta era frequentemente descrita como travessa e brincalhona.

Carlota recebeu uma educação católica rígida e devota, com foco em matérias como religião, geografia, pintura e equitação, sendo esta última sua atividade preferida.[3] Os princípios rígidos e austeros da monarquia espanhola moldaram a criação da família e impuseram elevados padrões de comportamento e etiqueta a toda a corte. O rei Carlos III, homem de temperamento reservado, dedicava mais atenção à sua família do que às festividades da vida cortesã, onde sua nora, Maria Luísa, assumiu um papel ativo. A mãe de Carlota rapidamente assumiu a responsabilidade de organizar os divertimentos na corte, promovendo festas suntuosas onde a propriedade moral frequentemente era desconsiderada.[4] Como resultado, a reputação da princesa das Astúrias passou a ser associada à promiscuidade, com rumores de infidelidade e casos com diversos homens, incluindo, possivelmente, o primeiro-ministro Manuel Godoy, cujo suposto relacionamento com ela foi amplamente discutido na imprensa.[5] Apesar do nascimento de um tão aguardado herdeiro masculino em 1784, que se esperava garantir a dinastia, Maria Luísa não escapou da desaprovação pública. Ela se tornou uma das rainhas mais impopulares da Espanha, e sua reputação manchada teve um impacto profundo em seus filhos, particularmente em Carlota, a filha mais velha.

Casamento

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Infanta Carlota Joaquina na altura do seu noivado, retratada por Mariano Salvador Maella, 1785.

As negociações para o casamento de Carlota Joaquina foram realizadas no final da década de 1770 pelo rei Carlos III da Espanha e sua irmã, Mariana Vitória, rainha viúva de Portugal, durante a visita desta última à Espanha, com o objetivo de promover uma revitalização dos laços diplomáticos entre os dois reinos, que estavam há muito tempo distantes. Ficou acordado que Carlota Joaquina se casaria com o infante João, duque de Beja, o neto mais novo de Mariana Vitória, enquanto o infante Gabriel da Espanha, tio paterno de Carlota Joaquina, se casaria com a infanta Mariana Vitória de Portugal, a única neta sobrevivente da rainha viúva e homônima.[6]

A educação de Carlota foi posta à prova quando ela foi submetida a uma série de exames públicos perante a corte espanhola e os embaixadores portugueses enviados pela rainha Maria I de Portugal para avaliar as qualidades da princesa escolhida para se tornar esposa de seu segundo filho. Em outubro de 1785, a Gazeta de Lisboa publicou um relato desses exames:

"Tudo foi tão completamente satisfatório que não se pode expressar a admiração que tal vasta instrução deveria causar em uma idade tão tenra: mas... o talento decidido com que Deus dotou esta Sereníssima Senhora, sua memória prodigiosa, entendimento e a certeza de que tudo é possível, especialmente com o despertar e a capacidade com que o mencionado mestre promove tais aplicações úteis e gloriosas."[7]

Após demonstrar a adequação e as realizações da noiva, não restaram obstáculos para sua união com o príncipe português. Assim, um casamento por procuração foi celebrado em 8 de maio de 1785.[8] Três dias depois, em 11 de maio, a jovem Carlota Joaquina, com apenas dez anos, partiu da Espanha para Lisboa, acompanhada de seu séquito. No dia de sua partida da corte espanhola, ela pediu à mãe que encomendasse um retrato dela vestindo um vestido vermelho, a ser exibido no lugar de um quadro da infanta Margarida, a quem Carlota Joaquina afirmava superar em beleza.[carece de fontes?] Entre as pessoas que acompanhavam a infanta estavam o Padre Felipe Scio, um renomado teólogo e erudito espanhol; Emília O’Dempsy, que servia como dama de companhia; e Anna Miquelina, a criada pessoal de Carlota Joaquina. A cerimônia oficial de casamento entre o infante João de Portugal e Carlota Joaquina ocorreu em 9 de junho de 1785. Na época, a noiva tinha apenas dez anos, enquanto o noivo tinha dezoito.[9] Devido à tenra idade de Carlota Joaquina, a consumação do casamento foi adiada até 9 de janeiro de 1790, quando ela foi considerada suficientemente madura para conceber e ter filhos.

Em Portugal

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Carlota Joaquina, duquesa de Beja, por Giuseppe Troni, 1787.

A atmosfera na corte portuguesa diferia em muitos aspectos daquela da animada corte espanhola. Enquanto em outras partes da Europa a vida de corte refletia cada vez mais os ideais do Iluminismo e uma sociedade em transformação, em Portugal a Igreja Católica continuava a impor normas rígidas que proibiam a maioria das formas de entretenimento.[10] A encenação de comédias era proibida, assim como danças e festividades de corte. O reinado da rainha Maria I foi caracterizado pela ascensão de uma facção conservadora dentro da nobreza e do clero portugueses, criando um ambiente descrito pela rainha Mariana Vitória, tia-avó de Carlota Joaquina, como de extrema monotonia. Como resultado, Carlota Joaquina se viu imersa em um ambiente profundamente religioso e austero, em contraste marcante com a extravagância e a alegria às quais estava acostumada. No entanto, seu relacionamento com a sogra era afetuoso, como evidenciado pela correspondência trocada entre elas. O natural espírito alegre e vivaz de Carlota proporcionava à rainha raros momentos de relaxamento e diversão.[10]

Seus hábitos e costumes mais liberais (como promover festas espanholas nos jardins do Palácio de Queluz com danças andaluzas e ao som de alegres castanholas)[9] diferenciavam-se de forma marcante dos de outras mulheres na corte. Seguindo as expectativas tradicionais de conduta feminina, os homens portugueses desaprovavam a facilidade com que Carlota Joaquina transitava pelos espaços públicos, seu envolvimento em questões políticas e a percepção de falta de contenção em sua vida doméstica. Como a maioria das mulheres portuguesas estava amplamente excluída da vida social, seu comportamento foi considerado provocador, gerando rumores maliciosos na corte. Algumas dessas críticas eram abertamente preconceituosas, como as expressas pela duquesa de Abrantes, esposa do general francês Jean-Andoche Junot, que mais tarde invadiria Portugal. Durante sua estadia em Lisboa, a duquesa zombou de Carlota Joaquina tanto por seu comportamento quanto pelo modo de se vestir, retratando-a de maneira altamente depreciativa, chegando a descrevê-la como extremamente pouco atraente:

"Sua feiura, seus cabelos sujos e despenteados, seus lábios finos e arroxeados adornados com um bigode espesso, seus dentes irregulares como a flauta de [...] Eu não conseguia me convencer de que ela era uma mulher, embora eu soubesse, naquela época, de fatos que comprovavam amplamente o contrário."[11]

Carlota Joaquina e Dom João, por Manuel Dias de Oliveira, c. 1810-20.

O marido de Carlota, afligido por uma melancolia profunda e persistente, era conhecido por vagar silenciosamente pelos sombrios claustros do palácio, carregado pelos temores de uma revolução[10] e demonstrando pouco afeto por sua esposa. Embora o casal tivesse nove filhos juntos, após o nascimento de seu último filho, eles só apareceram em público em cerimônias oficiais da corte e, a partir daí, passaram a viver em palácios separados. Esse arranjo continuou mesmo após sua mudança para o Brasil, onde Dom João e Carlota mantiveram residências separadas: Dom João vivia com sua mãe e os príncipes Pedro e Pedro Carlos, enquanto Dona Carlota residia rodeada por suas filhas e pelo infante Miguel.[12]

Na corte, persistiam rumores de que nem todos os nove filhos de Carlota Joaquina haviam sido gerados por Dom João. Em particular, alegava-se que o infante Miguel não era filho de Dom João; alguns especulavam que seu pai seria um escudeiro ao serviço de Carlota, enquanto outros sugeriam um médico de Lisboa. Essas afirmações eram apoiadas pela observação de que o infante Miguel pouco se parecia fisicamente com os demais filhos de Dom João.[13]

Princesa do Brasil

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Retrato por Domingos Sequeira, c. 1802–06.

Em 1788, quando seu irmão mais velho José, faleceu, o infante João tornou-se o primeiro na linha de sucessão ao trono de sua mãe. Logo ele recebeu os títulos de Príncipe do Brasil e 15º Duque de Bragança. [14] Entre 1788 e 1816, Carlota Joaquina foi conhecida como Princesa do Brasil, em função de ser esposa do herdeiro do trono português. Alguns estudiosos acreditam que seu desdém por o Brasil levou a comportamentos que a afastaram tanto do povo quanto de seu marido.[15]

Após a rainha Maria I ser declarada insana em 1792, o príncipe João assumiu o governo em nome dela, embora tenha adotado o título de Príncipe Regente apenas em 1799. Essa mudança de acontecimentos se adequou à natureza ambiciosa e, por vezes, malévola de Carlota Joaquina. Na corte portuguesa, ela frequentemente interferia em assuntos de Estado, tentando influenciar as decisões de seu marido. Essas tentativas de se intrometer na política descontentaram a nobreza portuguesa e até a população.[16]

Como frequentemente era excluída das decisões governamentais, Carlota Joaquina organizou uma conspiração, conhecida como a Conspiração do Alfeite, com a intenção de tomar as rédeas do poder do príncipe regente. Ela planejou fazer com que ele fosse preso, declarando que, assim como sua mãe, ele era incapaz de governar.[15]

O Palácio de Queluz, onde Carlota foi exilada e passou a ser conhecida pelo epíteto "a Megera de Queluz".

No entanto, em 1805, a conspiração foi descoberta. O Conde de Vila Verde propôs a abertura de uma investigação e a prisão de todos os envolvidos, mas Carlota Joaquina foi poupada porque seu marido, desejando evitar um escândalo público, se opôs à sua prisão, preferindo confinar sua esposa[15] no Palácio de Queluz e no Palácio do Ramalhão, enquanto ele próprio se mudava para o Palácio de Mafra, efetivamente se separando dela. Foi durante esse período que ela passou a ser conhecida como "a Megera de Queluz".[17]

No Brasil

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Antecedentes

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A Família de Carlos IV, por Goya, 1800–01 (de Carlota, só aparece a cabeça).

No final de 1806, a situação internacional estava se aproximando de um ponto crítico. A França impusera o Bloqueio Continental, com o objetivo de isolar a Inglaterra de seus aliados e interromper sua rede comercial. Ao mesmo tempo, a invasão do Reino de Portugal e a possível deposição de seu monarca pareciam iminentes, e a resistência armada era considerada inútil diante da força esmagadora do inimigo. Consequentemente, no início de 1807, a ideia de transferir a família real e a corte para o Brasil foi sugerida (uma opção que já havia sido considerada em crises anteriores).[18]

Em julho de 1807, foram assinados os Tratados de Tilsit, entre a França e a Rússia, e de Fontainebleau, entre a França e a Espanha, que delineavam a conquista e a partilha de Portugal. Em relação ao Tratado de Fontainebleau, Carlota escreveu ao seu pai, o rei Carlos IV da Espanha, expressando sua desconfiança na aliança com o imperador francês:

"[...] Como pode Vossa Majestade confiar neste referido Governo [napoleônico]? É evidente que, enquanto ele congratula com uma mão, com a outra trama a sua própria ruína!"[19]

Transferência da corte portuguesa para o Brasil

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Embarque da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1807, pintura do século XIX atribuída a Nicolas-Louis-Albert Delerive. Museu Nacional dos Coches, Lisboa.

Em 1808, as forças francesas de Napoleão Bonaparte avançaram em direção a Portugal através da Espanha, terra natal de Carlota Joaquina. Para evitar que a dinastia de Bragança fosse usurpada pelos Bonapartes, a corte portuguesa foi transferida para o Brasil.

Nesse ínterim, Dona Carlota implora ao seu pai que a receba na Espanha, junto com suas filhas, e evite o destino de tê-las enviadas para o Brasil. No entanto, seu próprio pai recusa seu pedido.[20]

Em 29 de novembro de 1807, a família real portuguesa embarcou para o Brasil a partir dos cais de Belém. O príncipe regente embarcou no navio Príncipe Real, acompanhado pelos filhos e o príncipe Pedro Carlos, enquanto a princesa Carlota embarcou no Reina de Portugal com suas filhas e damas de companhia. Quando a carruagem da rainha Maria I viajava a alta velocidade para evitar demonstrações públicas, ela teria exclamado: "Como fugir e sem ter lutado? Não corra tanto, eles vão pensar que estamos fugindo."[21] Durante a viagem transatlântica, Dona Carlota e suas filhas foram obrigadas a raspar a cabeça e usar toucas de musselina branca devido a uma infestação de piolhos a bordo.[22] A frota chegou ao Rio de Janeiro em 27 de fevereiro de 1808, onde Carlota Joaquina teria comentado: "Que horror. Antes Luanda, Moçambique ou Timor."[23]

No Rio de Janeiro

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Desembarque da corte portuguesa no Rio de Janeiro, 7 de março de 1808. Museu Naval, Rio de Janeiro.

Durante sua estadia no Rio de Janeiro, de 1808 a 1821, período em que Dom João pôde governar diretamente o Império Português, Dona Carlota revelou muitos aspectos de sua personalidade complexa.

Enquanto estava no Rio, Dona Carlota residia em Botafogo e era conhecida por se banhar nua nas águas da baía.[24] Ela também passava frequentemente as tardes na varanda de sua residência em Botafogo, fumando diamba, geralmente fornecida por seu escravo favorito, Felisbino,[25] e preparando misturas de frutas e álcool semelhantes ao que hoje conhecemos como caipirinha.[24][26]

Passagem do Cortejo Real na Ponte do Maracanã, por Nicolas-Antoine Taunay, c. 1817-20.

Embora, supostamente, tenha desprezado o Brasil como uma terra de "negros e piolhos",[27] Dona Carlota teria mantido uma relação amorosa com o rico empreendedor afro-brasileiro José Fernando Carneiro Leão, cuja esposa, Gertrudes Pedra Carneiro Leão, foi misteriosamente assassinada no Rio de Janeiro em 1820.[28] Alguns estudiosos sugeriram que Carlota poderia ter estado envolvida no assassinato, embora não haja evidências definitivas para comprovar essa teoria.

Em 1816, a rainha Maria I de Portugal faleceu, e seu filho, Dom João, ascendeu ao trono como Rei João VI de Portugal, Brasil e Algarves, com Carlota Joaquina tornando-se rainha consorte.

Projetos no Rio da Prata

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Mapa das pretensões territoriais de Carlota Joaquina.

Após a invasão napoleônica da Espanha, o rei Dom Fernando VII, irmão mais novo de Carlota, foi forçado a abdicar do trono em favor de José Bonaparte. A maioria dos espanhóis não o reconheceu como monarca legítimo, e Carlota, mulher ambiciosa, surgiu como possível candidata a reivindicar o trono. Na época, Carlota encontrava-se nas Américas, após a transferência da corte portuguesa para o Brasil devido à invasão de Portugal por Napoleão. Carlota passaria a governar as colônias espanholas no rio da Prata, em oposição à metrópole dominada pelos Bonaparte. Esse movimento, ocorrido entre 1808 e 1812, ficou conhecido como Carlotismo, um movimento político que buscava estabelecer uma monarquia independente no Vice-reino do Rio da Prata, com Carlota Joaquina como sua monarca.[29]

Retrato equestre da rainha Carlota Joaquina, por Domingos Sequeira. No Museu Imperial.

Dom João via o ambicioso plano de Carlota como uma ameaça tanto para Portugal quanto para o Brasil e fez tudo o que estava ao seu alcance para frustrar sua proposta.[30] Em maio de 1809, Dom João conseguiu destruir seu projeto ao afastar Percy Sydney Smythe, 6º Visconde de Strangford, o almirante britânico que apoiava Carlota e que a levaria a Buenos Aires com sua frota.[31] Após o cumprimento dessa decisão, Smythe retirou-se e foi substituído pelo almirante de Courcy. No entanto, divergências significativas persistiam dentro do próprio governo. Dom João, portanto, cedeu e solicitou que suas exigências não fossem contrariadas, contanto que não fossem impossíveis de atender. Por fim, os planos da rainha foram frustrados, mas ela não desistiu. Procurou conquistar a simpatia dos castelhanos e, na ausência de seu pai, o rei Dom Carlos IV, e de seu irmão, prisioneiros na França, buscou ser nomeada regente da Espanha, podendo assim tornar-se herdeira de Carlos IV ao abolir a lei sálica. Para avançar nesse projeto, precisou travar uma intensa luta com o embaixador britânico, utilizando astúcia para convencer o governo da Regência a enviar secretamente suprimentos e dinheiro ao general Elío, em Montevidéu, chegando até a vender suas joias para financiar a operação. No final, porém, diante da complexidade das reviravoltas dessa batalha de orgulho e ambição, o sonho dissipou-se.[32]

Retorno a Portugal

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Partida da Rainha: embarque no navio real, destinado a levar sua Corte rumo a Lisboa, por Firmin Didot.

Em agosto de 1820, a Revolução Liberal em Portugal exigiu mudanças profundas no regime absolutista, com o objetivo de estabelecer uma monarquia constitucional. Uma das principais demandas da revolta foi o retorno do rei João VI a Portugal, já que ele estava no Brasil desde 1807.

Em 26 de abril de 1821, ela embarcou na viagem de volta para Portugal. Segundo o Visconde de Porto Seguro, "As emoções do rei e da família real ao deixar o Brasil foram reveladas nas lágrimas de todos, exceto da rainha." Carlota Joaquina partiu muito feliz, pois nunca havia gostado de viver no Brasil.[33]

É relatado que que, ao partir do Brasil, Carlota sacudiu seus sapatos para garantir que nem um grão de poeira daquele país a acompanhasse,[15] dizendo: "Desta terra eu não levo nem o pó."[34]

Defensora da monarquia absolutista

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Retrato por Luis de la Cruz y Ríos, c. 1825.

Quando a família real portuguesa retornou a Portugal em 1821, após uma ausência de 14 anos, Carlota Joaquina encontrou um país que havia mudado muito desde sua partida. Em 1807, Portugal vivia de forma estável sob o absolutismo. No entanto, as tropas napoleônicas e as atitudes políticas fomentadas pelas Cortes de Cádiz da Espanha trouxeram ideias revolucionárias para Portugal. Em 1820, uma revolução liberal teve início no Porto. Foi promulgada uma Cortes Gerais constitucional, e em 1821, Portugal obteve sua primeira constituição, a qual a rainha se recusou a jurar.[35] A rainha tinha posições extremamente conservadoras e desejava uma resposta reacionária em Portugal. Seu marido, no entanto, não queria renegar seus votos de apoio à constituição. Carlota Joaquina fez uma aliança com seu filho mais novo, Miguel, que compartilhava as opiniões conservadoras de sua mãe. Em 1824, utilizando a posição de Miguel como comandante do exército, eles tomaram o poder e mantiveram o rei praticamente como prisioneiro no palácio, onde a rainha tentou forçá-lo a abdicar em favor de Miguel. O rei recebeu ajuda britânica contra sua esposa e filho, e conseguiu recuperar o poder, finalmente obrigando seu filho a deixar o país.[36] A rainha também teve que ir brevemente para o exílio.

O rei João VI viveu no Palácio da Bemposta, enquanto a rainha Carlota Joaquina residia em Queluz. Embora vivesse ali de forma tranquila, ela tornou-se decididamente excêntrica em seu modo de vestir e comportar. No entanto, seu filho mais velho, Pedro, deixado no Brasil como regente, foi proclamado e coroado em 1 de dezembro de 1822 como Imperador independente do Brasil. João VI recusou-se a aceitar isso até ser persuadido pelos britânicos, assinando em agosto de 1825 o Tratado do Rio de Janeiro, pelo qual ele e Carlota Joaquina receberam o título honorífico de Imperadores do Brasil.[1] Dom João faleceu em março de 1826. Alegando problemas de saúde, Carlota Joaquina recusou-se a visitar o leito de morte de seu marido e iniciou o boato de que ele havia sido envenenado (o que mais tarde foi comprovado como verdade)[37][38] pelos maçons (o que provavelmente não foi o caso).

Durante o reinado de Dom Miguel, que ascendeu ao trono em 1828, Carlota não desempenhou um papel significativo no governo do que muitos consideravam seu filho favorito. Além disso, o príncipe não convocou sua mãe do exílio quando assumiu o trono, deixando-a morrer sozinha, esquecida, triste e amarga. Ela faleceu em 7 de janeiro de 1830, aos 54 anos, sem ter vivido o suficiente para testemunhar o colapso de suas ambições com a derrota de Dom Miguel na guerra civil que eclodiu em 1832.[39]

Ela foi inicialmente sepultada em Sinitra, mas em 1854, seus restos mortais foram transferidos para o Panteão Real da Dinastia Bragança, onde foi sepultada ao lado de seu marido no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.[40]

Personalidade

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Retrato por João Baptista Ribeiro, 1824.

A personalidade de Carlota Joaquina foi significativamente moldada por sua frequente exclusão da tomada de decisões políticas, o que a levou a criar uma facção ao seu redor com o objetivo de conquistar o controle do príncipe regente. Ela buscava aprisioná-lo e declará-lo incapaz de administrar os assuntos do Estado, de maneira similar às ações de sua própria mãe. Em uma época em que as mulheres tinham pouco poder formal e eram frequentemente relegadas a tecer intrigas sutis, Carlota Joaquina se destacou como uma mulher de excepcional perspicácia política e extraordinária astúcia. Ela também era uma mãe dedicada, especialmente atenta à saúde de seus filhos, e uma filha e esposa devotada, frequentemente afetuosa, apesar dos muitos rumores que a cercavam.[41]

Apesar dos boatos e das narrativas falsas sobre seu caráter, Dona Carlota possuía muitas qualidades notáveis. Era altamente educada, uma excelente mãe que educava pessoalmente seus filhos, e demonstrava grande talento para os assuntos políticos. Carlota dedicava muitas horas ao estudo, demonstrando grande interesse não apenas pelos assuntos portugueses, mas também pelos relacionados à Espanha. Seu envolvimento posterior no Rio de Janeiro, onde trabalhou para promover os interesses do Vice-Reino do Rio da Prata e apoiou o movimento político carlotista, é uma evidência de sua aliança com os interesses políticos espanhóis.[3]

O historiador Octávio Tarquínio de Sousa, em História dos Fundadores do Império do Brasil (1957), sugere que "Dona Carlota Joaquina não se conformou com a inatividade política a que estava condenada. Determinada a agir como soberana, ela concebeu um plano para garantir um trono para si nas províncias espanholas da América, ou ao menos, governar como regente em nome de seu irmão, Fernando VII. Com a ajuda do vice-almirante britânico Sydney Smith e sem oposição de seu marido, agentes foram enviados ao Rio da Prata, onde formaram uma grande facção. A partir daí, as intrigas se tornaram cada vez mais implacáveis e complexas."

Aparência

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Gravura por Manuel António de Castro, 1827.

De acordo com a descrição de Albert Saviné, Dona Carlota carecia de todos os atributos físicos geralmente associados à beleza feminina. Era baixa de estatura, com uma aparência delicada e frágil que sugeria uma saúde debilitada. Sua cabeça era desproporcional, e seus traços careciam de refinamento e graça:

A Princesa do Brasil mal atingia um metro e meio de altura. Ela era manca, provavelmente em decorrência de uma queda de cavalo; sua coluna era igualmente torta na mesma direção. O busto da princesa, como o restante de seu corpo, era um mistério da natureza, que se deleitava em deformá-la. Sua cabeça, que poderia ter corrigido tal deformidade, era a mais bizarramente monstruosa que poderia jamais caminhar sobre a terra. Seus olhos eram pequenos e muito próximos um do outro. O nariz, em consequência de seu amor pela caça e pela vida livre e errante, estava quase sempre inchado e vermelho, como o de uma pessoa suíça. Sua boca, a parte mais curiosa de sua figura repugnante, era adornada por muitas fileiras de dentes negros, verdes, brancos e amarelos, dispostos de maneira oblíqua, como um instrumento composto por várias articulações de tamanhos diferentes. Sua pele era áspera e bronzeada, e havia muitas espinhas sobre ela, quase sempre supurando, conferindo à sua figura uma aparência repulsiva. Colocadas nas extremidades de seus braços, suas mãos eram deformadas e escuras. Seu cabelo negro era espesso e eriçado, impossível de ser domado com escova, pente ou creme, assemelhando-se a uma crina.[42]

A arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, uma de suas noras, que se casou com Dom Pedro I, Imperador do Brasil, teria achado Dona Carlota tão pouco atraente ao encontrá-la pela primeira vez que "abaixou os olhos, como se não quisesse olhar para ela novamente; as marcas da varíola, o penteado, os fios e mais fios de pérolas e pedras preciosas entrelaçados em seu cabelo, pendendo de seus cachos oleosos como serpentes."[carece de fontes?]

Historiografia

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Retrato por Nicolas-Antoine Taunay, 1817.

A historiografia contemporânea ainda enfrenta desafios ao delinear o perfil histórico da esposa do rei Dom João VI, cuja figura está envolta em lendas anedóticas e rumores amplamente divulgados na imaginação popular. Semelhante à sua mãe, a intrigante rainha Maria Luísa da Espanha, e a outras rainhas do período em que Carlota Joaquina se situava, em uma época de declínio do prestígio das monarquias absolutistas tradicionais, a rainha portuguesa suportou uma série de difamações que foram usadas como uma arma política.[43]

Sua figura foi associada à de uma mulher perversa e promíscua que incessantemente conspirava contra seu marido, o príncipe regente.[44] A simples menção de seu nome evoca imagens de uma procissão de caprichos dissolutos e intrigas políticas. Manuel de Oliveira Lima a descreve como um dos maiores, senão o maior, obstáculos na vida de Dom João,[44] enquanto o cronista carioca Luís Edmundo enfatiza que "na corte de Lisboa, a esposa de Dom João era comparada a uma gata perpetuamente no cio, à procura de seus amantes, para os quais qualquer coisa servia, desde que tivesse uma semelhança aproximada com um homem."[45]

Recentemente, historiadores têm argumentado que sua nacionalidade espanhola e seu envolvimento político em uma época em que tal atuação não constituía o papel costumeiro de uma mulher, bem como o fato de a esposa de Dom João nutrir pouco afeto tanto pela corte portuguesa quanto pela posterior corte brasileira, podem explicar o ressentimento e o desprezo com que a história tratou sua personagem. As biografias Carlota Joaquina: Queen of Portugal, de 1947, de Marcus Cheke, e Carlota Joaquina: A Rainha Devassa, de 1968, de João Felício dos Santos, assim como o filme satírico Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, de 1995, dirigido por Carla Camurati, reforçaram ainda mais essa imagem negativa de Carlota Joaquina.[15]

A historiadora Francisca Nogueira de Azevedo, autora de Carlota Joaquina na corte do Brasil, afirma que "o movimento liberal e as transformações sociais e políticas do século XIX exigiram reinvenções do passado para legitimar um presente que se pretendia construir. Carlota Joaquina, uma rainha portuguesa que nunca perdeu sua identidade espanhola, opôs-se à transferência da família real para o Brasil e expressou sua satisfação com o retorno a Portugal; ela defendia o absolutismo e recusou-se a assinar a Constituição Liberal Portuguesa, e, portanto, certamente não era adequada para ser elevada ao posto de figura digna da memória nacional."[15] O escritor argentino Marsilio Cassotti argumenta que houve uma campanha sórdida por parte dos governos português e britânico para desacreditar a rainha, que defendia consistentemente os interesses políticos coloniais espanhóis.[46]

Títulos, estilos e honras

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Estilo imperial e real de tratamento de
Carlota Joaquina de Bourbon

Estilo imperial Sua Majestade Fidelíssima
Estilo real Vossa Majestade Fidelíssima
Estilo alternativo Senhora

Títulos e estilos

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  • 25 de abril de 1775 – 8 de maio de 1785: "Sua Alteza Real, a Infanta Carlota Joaquina da Espanha"
  • 8 de maio de 1785 – 11 de setembro de 1788: "Sua Alteza Real, a Duquesa de Beja"
  • 11 de maio de 1788 – 20 de março de 1816: "Sua Alteza Real, a Princesa do Brasil, Duquesa de Bragança, etc."
  • 20 de março de 1816 – 7 de setembro de 1822: "Sua Majestade Fidelíssima, a "Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves"

Em Portugal

  • 7 de setembro de 1822 – 10 de março de 1826: "Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha de Portugal e Algarves"
    • 10 de março – 2 de maio de 1826: "Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha Viúva"
    • 2 de maio de 1826 – 11 de julho de 1828: "Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha Carlota Joaquina"
    • 11 de julho de 1828 – 7 de janeiro de 1830: "Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha Viúva"

No Brasil

    • 29 de agosto de 1825 – 10 de março de 1826: "Sua Majestade Imperial e Fidelíssima, a Imperatriz Titular do Brasil"
    • 10 de março de 1826 – 7 de janeiro de 1830: "Sua Majestade Imperial e Fidelíssima, a Imperatriz Viúva"

Descendência

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Carlota Joaquina casou-se com o rei João VI de Portugal em 1785 e teve nove filhos.

Nome Retrato Nascismento Morte Notas
Maria Teresa
29 de abril de 1793 17 de janeiro de 1874 Casou-se primeiro com seu primo Pedro Carlos de Bourbon, Infante da Espanha e Portugal (com descendência), e em segundo casamento com Carlos da Espanha, Conde de Molina (viúvo de sua irmã Maria Francisca), sem descendência.
Francisco, Príncipe da Beira
21 de março de 1795 11 de junho de 1801 Morreu aos 6 anos, tornando seu irmão mais novo, Pedro, o herdeiro do trono de Portugal.
Maria Isabel
19 de maio de 1797 26 de dezembro de 1818 Casou-se com o rei Fernando VII da Espanha, com descendência (uma filha natimorta).
Pedro I do Brasil & IV de Portugal
12 de outubro de 1798 24 de setembro de 1834 Permaneceu no Brasil após as Guerras Napoleônicas. Proclamou a Independência do Brasil em 1822 e tornou-se seu primeiro monarca como Imperador Pedro I. Também foi Rei de Portugal como Pedro IV em 1826. Casou-se com a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, com descendência (incluindo Maria II de Portugal e Pedro II do Brasil).
Maria Francisca
22 de abril de 1800 4 de setembro de 1834 Casou-se com Carlos da Espanha, Conde de Molina, com descendência.
Isabel Maria
4 de julho de 1801 22 de abril de 1876 Não se casou; foi Regente de Portugal de 1826 a 1828.
Miguel I de Portugal
26 de outubro de 1802 14 de novembro de 1866 Conhecido pelos liberais como "o Usurpador", foi Rei de Portugal entre 1828 e 1834. Foi forçado a abdicar após as Guerras Liberais. Casou-se com a princesa Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, com descendência (ramo Miguelista).
Maria da Assunção
25 de junho de 1805 7 de janeiro de 1834 Não se casou, morreu aos 28 anos.
Ana
23 de outubro de 1806 22 de junho de 1857 Casou-se com Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, Marquês e depois Duque de Loulé, com descendência.

Representações na cultura

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Após sua morte, Carlota Joaquina (principalmente no Brasil) passou a fazer parte da cultura popular e se tornou uma figura histórica importante, sendo tema de diversos livros, filmes e outros meios de comunicação.

Cinema

Televisão

Ancestrais

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Notas

  1. Pelo Tratado do Rio de Janeiro, firmado entre Portugal e Brasil em 1825, que colocou termos à Guerra da Independência do Brasil, reconhecia-se a autonomia do antigo reino, mas reservava-se o título honorífico de "Imperador Titular do Brasil" a D. João VI. Por conseguinte, sua esposa, D. Carlota Joaquina de Bourbon, tornou-se a "Imperatriz Consorte Titular do Brasil".[1] Com a morte do marido, sete meses depois, D. Carlota perde o título tanto do trono português quanto do brasileiro, tornando-se Rainha Mãe e Imperatriz Mãe.

Referências

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  2. Robles do Campo, Carlos. (2007). "Los infantes de España bajo la Ley Sálica" (in Spanish). Anales de la Real Academia Matritense de Heráldica y Genealogía, 10, 305–356. ISSN 1133-1240
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  11. Pereira 1999, p. 189.
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  18. GOMES, Laurentino. 1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. São Paulo: Ed. Planeta, 2008
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  20. de Azevedo 2007, p. 40.
  21. Rubio 1920, p. 4.
  22. Lima, Diana Nogueira de Oliveira; Leitão, Débora Krischke; Machado, Rosana Pinheiro. (Eds.). (2006). Antropologia & consumo: Diálogos entre Brasil e Argentina, p. 32. AGE Editora. ISBN 978-8574972916
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Bibliografia

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  • Bueno, Eduardo. (2003). Brasil: Uma história. São Paulo: Ática.
  • Cibelina, Marta. (2021). A los Borbones y el sexo: De Felipe V a Felipe VI. 3ª ed. (em castelhano). La Esfera de los Libros. ISBN 978-8413842028.
  • de Azevedo, Francisca Nogueira. (2007). Carlota Joaquina: Cartas inéditas. Rio de Janeiro: Casa da Palavra.
  • Edmuno, Luiz (1957). A Côrte de D. João no Rio de Janeiro. Vol. 1: 1808-1821. 3ª ed. Conquista. 655 p.
  • Giedroyc, Romuald. (1875). Résumé de l'histoire du Portugal au XIXe siècle (em francês). Amyot.
  • Lima, Manuel de Oliveira (1908). Dom João VI no Brazil, 1808-1821. Vol. 1. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio. 2 v., ports., 22 cm.
  • Longo, James McMurtry. (2008). Isabel Orleans-Braganca: The Brazilian princess who freed the slaves (1st paperback ed., 290 pp.). McFarland, Incorporated, Publishers. ISBN 978-0786432011.
  • Lousada, Maria Alexandre; Ferreira, Maria de Fátima Sá e Melo (2006). D. Miguel. Lisboa: Círculo de Leitores.
  • Macaulay, Neill. Dom Pedro I: a luta pela liberdade no Brasil e em Portugal, 1798-1834. Rio de Janeiro: Record, 1993. ISBN 8501038652.
  • Newitt, Malyn (2019). The Braganzas: The rise and fall of the ruling dynasties of Portugal and Brazil, 1640–1910 (em inglês). Reaktion Books. ISBN 978-1789141658.
  • Pedreira e Costa, Jorge. (2008). D. João VI. 1ª ed. Companhia das Letras. ISBN 978-8535911893.
  • Pereira, Sara Marques. 1999. D. Carlota Joaquina e os "Espelhos de Clio": actuaçao política e figuraçoes historiográficas. Lisboa: Livros Horizonte. ISBN 978-9722410731.
  • Rubio, Julián María. (1920). La infanta Carlota Joaquina y la política de España en América (1808-1812) (em castelhano). Madrid: Imprenta de Estanislao Maestre.
  • Rubio, Maria Jose. (2012). Reinas de España (em castelhano). La Esfera de los Libros, S.L. ISBN 978-8499701301.
  • Saviné, Albert. (1912). Le Portugal il y a cent ans (em francês). Paris: Société des éditions Louis-Michaud.

Leitura complementar

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  • Cassotti, Marsilio. Carlota Joaquina – o Pecado Espanhol. Lisboa, A Esfera dos Livros, 2009.
  • Cheke, Marcus. Carlota Joaquina: Queen of Portugal (em inglês). Londres: Sidgwick & Jackson, 1947
    • (em português) Carlota Joaquina, a Rainha Intrigante; tradução de Gulnara Lobato de Morais Pereira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949.
  • de Azevedo, Francisca Nogueira. Carlota Joaquina na Corte do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
  • Pereira, Sara Marques (2008). D. Carlota Joaquina Rainha de Portugal. Lisboa: Livros Horizonte 2008.

Ligações externas

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Carlota Joaquina da Espanha
Casa de Bourbon
Ramo da Casa de Capeto
25 de abril de 1775 – 7 de janeiro de 1830
Precedida por
Mariana Vitória da Espanha

Rainha Consorte de Portugal e Algarves
7 de setembro de 1822 – 10 de março de 1826
Sucedida por
Maria Leopoldina da Áustria
Novo título Rainha Consorte do Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves

20 de março de 1816 – 7 de setembro de 1822
Título extinto
Independência do Brasil