Caipirinha

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Caipirinha
Um copo de caipirinha
Tipo Coquetel
Origem  Brasil
Sabor Limão

A caipirinha é uma bebida alcoólica brasileira feita com cachaça, limão, açúcar e gelo.[1] Variações incluem a caipiroska - com vodka ao invés de cachaça - e a caipiríssima - com rum.[2]

Origem[editar | editar código-fonte]

Existem diferentes versões para a origem da bebida. Devido à falta de registros históricos, não há certeza sobre a data de criação da receita nem sobre seu inventor.[3]

Uma versão põe sua origem em 1918, no interior do estado de São Paulo. Nela, a caipirinha teria evoluído de uma bebida de limão, alho e mel, feita para os doentes da gripe espanhola. Como era comum o uso de álcool em remédios, a cachaça seria usada nesta bebida. Nesta versão, o alho e o mel teriam sido substituídos pelo limão com o tempo, e um pouco de açúcar teria sido adicionado para melhorar o sabor, dando origem à caipirinha atual.[4][5][3] Outra versão coloca a origem do coquetel ainda mais para trás na linha do tempo, afirmando que marinheiros que passavam pelo Rio de Janeiro adicionariam limão às doses de cachaça que bebiam para evitar o escorbuto, e que teria sido uma questão de tempo até ser adicionado o açúcar.[3]

Para os historiadores,[quais?] a caipirinha foi criada por fazendeiros latifundiários na região de Piracicaba, no Estado de São Paulo, durante o século XIX, como um drinque local para festas e eventos de alto padrão, sendo um reflexo da forte cultura canavieira na região. A caipirinha, em seus primeiros dias, era vista como um substituto local de boa qualidade ao uísque e ao vinho importados, sendo a bebida servida frequentemente em coquetéis da alta classe de fazendeiros, vendas de gado e eventos de grande notoriedade.[6]

Dessa origem de alta classe, a caipirinha logo passou para o gosto popular devido ao baixo preço de seus ingredientes, popularizando-se por todo o estado e se tornando a bebida-símbolo de São Paulo no século XIX. No início do século XX, na década de 1930, já era possível encontrá-la em outros estados, especialmente no Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Como servir[editar | editar código-fonte]

A bebida é servida em um copo para caipirinha, podendo ser acompanhado de um pequeno canudo ou palitos de madeira. Tradicionalmente, a caipirinha é feita no copo em que é servida. Apesar disso, é comum o uso de coqueteleira para a mistura dos ingredientes.

Caipirinha no mundo[editar | editar código-fonte]

Caipirinha de frutas vermelhas.

Gozando de grande popularidade mundo afora, inúmeras variações dessa bebida são conhecidas. Em algumas regiões, açúcar mascavo é usado em vez do refinado. Mesmo no Brasil, podem ser encontradas variantes com adoçantes artificiais ou com uma grande variedade de frutas. Além disso, a cachaça, algumas vezes, é substituída por vodca (caipiroska, marca registrada pela Smirnoff), Licor Beirão (conhecido por caipirão), rum (caipiríssima, marca registrada pela Bacardi), "Caipirinhas" de saquê (saquerinha) ou vinho (caipivinho) também são feitas.[2] Em Cabo Verde, a caipirinha é também preparada com grogue, um rum forte local.[7]

É importante observar que o que se chama de limão no Brasil, conhecido como limão-taiti (verde e ácido), é conhecido como lima ácida verde em outros lugares. Assim, seja por dificuldade de encontrar o tipo de cítrico que se usa no Brasil ou por confusão acerca do nome, em muitos lugares, especialmente no hemisfério norte, a caipirinha é feita com lima em vez do limão-taiti — o que em outros lugares é conhecido como limão, é conhecido no Brasil como limão-amarelo ou limão-siciliano, de casca mais grossa e amarelada.

Legislação[editar | editar código-fonte]

Em 2009 foi assinado por Luiz Inácio Lula da Silva um decreto, que, dentre outras prerrogativas, estabelece uma padronização para a bebida:[1]

§ 5º A bebida prevista no caput, com graduação alcoólica de quinze a trinta e seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, elaborada com cachaça, limão e açúcar, poderá ser denominada de caipirinha (bebida típica do Brasil), facultada a adição de água para a padronização da graduação alcoólica e de aditivos.
Decreto nº 6.871

O texto vem a substituir um decreto de 2003,[8] que por sua vez substituía um assinado em 2002 por Fernando Henrique Cardoso, que dava definição similar à bebida.[4][9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Decreto n. 6871». www.planalto.gov.br 
  2. a b Carla Rocha (12 de fevereiro de 2015). «Cinco receitas de caipirinhas e caipiroskas». Gazeta do Povo 
  3. a b c Guilherme Grandi (5 de Fevereiro de 2018). «De remédio a drink: estudiosos afirmam que caipirinha chegou aos 100 anos». Gazeta do Povo 
  4. a b «Viva a Caipirinha». Toda Ela (UOL). Cópia arquivada em 3 de Maio de 2012 
  5. «Casa e Jardim - NOTÍCIAS - Truques para preparar a caipirinha perfeita». revistacasaejardim.globo.com 
  6. CASCUDO, L. da C. Prelúdio da cachaça. [S.l.]: Global, 2006.
  7. «Caipirinhas exóticas: Fuja da rotina». Sapo Notícias. 1 de Fevereiro de 2009 
  8. «DECRETO Nº 4.851, DE 2 DE OUTUBRO DE 2003». Presidência da República 
  9. «DECRETO Nº 4.072, DE 3 DE JANEIRO DE 2002». Presidência da República 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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