Licor Beirão

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Licor Beirão
Licor Beirão
Tipo licor
Origem Portugal Portugal
Website http://www.licorbeirao.com

O Licor Beirão é um licor típico de Portugal, em particular da região da Beira.

A sua produção teve início no século XIX, na vila da Lousã, com base em diversas plantas - entre as quais a menta, a canela, o alecrim, a alfazema e o cardamomo[1] - e sementes aromáticas, submetidas a um processo de dupla destilação. O produto assim obtido apresenta uma tonalidade de topázio transparente, de sabor doce.

É normalmente consumido como digestivo, simples ou com gelo; além de poder ser utilizado no preparo de cocktails como o Morangão e o Caipirão, sendo este último uma variante da tradicional caipirinha. Desde 2008, é a bebida espirituosa mais consumida em Portugal.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Quinta do Meiral
Fábrica do Licor Beirão

A bebida, ainda sem o apelido que a caracterizaria, nasceu na vila da Lousã (à época escrito “Louzan”, como ainda aparece no rótulo) no século XIX.

De acordo com a tradição, um caixeiro-viajante do Porto, de passagem pela vila para a venda de vinho do Porto, apaixonou-se pela filha de um farmacêutico local, e com ela se casou, ali se estabelecendo. A farmácia de seu sogro vendia, além dos remédios habituais, licores preparados com ingredientes naturais, segundo receitas ancestrais e secretas.

Com a entrada em vigor, no país, de uma lei que proibia a atribuição de efeitos medicinais a bebidas alcoólicas, o jovem caixeiro decidiu montar uma fábrica em separado, onde veio a desenvolver os processos artesanais do sogro.

Em 1929 teve lugar em Castelo Branco, capital da Beira Baixa, o Congresso Beirão, e este licor foi assim batizado para celebrar esse evento. De notar que o próprio evento premiou o Licor com a medalha de ouro pela excelência e qualidade apresentadas.

Em 1940, devido às dificuldades impostas pela Segunda Guerra Mundial, a fábrica e a receita secreta foram adquiridas pelo jovem José Carranca Redondo, natural da Lousã, que nelas investiu as suas economias, passando a dedicar-se inteiramente ao negócio. A produção do licor passou a estar a cargo da esposa deste e, desde então, o licor tornou-se um dos mais populares do país, sendo hoje consumido por todas as gerações.

Processo de fabrico[editar | editar código-fonte]

É na Quinta do Meiral que o filho e dois netos do fundador fazem perdurar no tempo o sabor único do Licor Beirão. Produzido, segundo a formula secreta original, por uma dupla destilação de 13 sementes aromáticas, plantas e especiarias criteriosamente seleccionadas, o Licor Beirão de cor âmbar e sabor único, é ideal para ser bebido como digestivo, puro ou com gelo, mas também excelente para cocktails e doçarias.

As plantas e especiarias são colocadas em álcool, e permanecem em maceração por um período mínimo de 20 a 25 dias. O resultado desta maturação depois é duplamente destilado em alambiques de cobre.[2] Este uso de plantas e ervas naturais é um dos principais fatores de distinção do Licor Beirão, uma vez que não é usada uma essência com o aroma como na maioria dos licores, mas um aroma produzido na casa, ao qual se chama alcoolato.[2] Depois de fabricado o alcoolato, este é misturado em depósitos com o álcool, o açúcar e a água. Esta mistura é depois devidamente testada para que se verifique que está de acordo com os parâmetros da marca.[2]

Depois de engarrafado, o Licor Beirão é expedido para Portugal e para os mercados estrangeiros, que representam cerca de 25% da fatia de vendas[2], sempre a partir da Quinta do Meiral.[3]

Quinta do Meiral[editar | editar código-fonte]

Comprada por Carranca Redondo em 1970, a Quinta do Meiral é propriedade da família Redondo, sede e fábrica do Licor Beirão e a residência da família. Conta com uma área de mais de 12 hectares, na qual são produzidos alguns dos ingredientes usados na receita secreta - como a alfazema e a menta.[1]

Publicidade[editar | editar código-fonte]

Nos anos 40, 50 e 60 uma campanha massiva nas estradas e cafés de Portugal deu a conhecer o Licor Beirão à maioria dos portugueses. Nas estradas, durante a década de 50, foram colocados painéis em diversas curvas perigosas, publicitando o licor.[4] Estes painéis acabaram por ser proibidos, mas, de acordo com a imprensa à época, os desastres nesses trechos diminuíram, uma vez que os condutores; com curiosidade pelos cartazes, acabavam por abrandar a velocidade dos veículos. Está ainda na memória de todos o cartaz da tabuleta de madeira com um passarito pousado e a serra da Lousã como fundo[5], bem como o da “Majorette,” que escandalizou pela escassez de roupa.[5]

Na década de 1960, o licor foi publicitado na imprensa com o slogan "Licor Beirão - O Beirão de quem se gosta"[6]. A frase referia-se, veladamente, a António de Oliveira Salazar. Diz-se que este já conhecia o anúncio mesmo antes de ser lançado, mas limitou-se a sorrir perante a audácia.

Já neste século, campanhas com Manuel João Vieira, José Diogo Quintela, João Paulo Rodrigues, os apresentadores do programa “5 para a meia noite” e Paulo Futre têm mantido o espírito irreverente da marca.[7]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Müller, Margarida Pereira, Licor Beirão, o licor de Portugal : história e receitas. - Sintra: Colares, 2008

Notas

  1. a b Grandes Negócios - "Licor Beirão tem segredo mais bem guardado do que a Coca Cola", consultado em 11 de dezembro de 2019 
  2. a b c d e Fabrico Nacional - Ep. 13 Licor Beirão, consultado em 11 de dezembro de 2019 
  3. «Liquid Company - Products». Liquid Company. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  4. Jegundo, André. «Morreu o homem do Licor Beirão». PÚBLICO. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  5. a b «Licor Beirão». Made In Portugal. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  6. http://www.cm-lousa.pt/biblioteca/licorbeirao.htm Arquivado em 13 de dezembro de 2007, no Wayback Machine. Câmara Municipal da Lousã
  7. «Licor Beirão inspira-se em figuras históricas | MTV Portugal». www.mtv.pt. Consultado em 11 de dezembro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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