Síndrome de abstinência alcoólica

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Síndrome de abstinência alcoólica
Bebida alcoólica
Especialidade Medicina intensiva
Classificação e recursos externos
CID-10 F10.23, F10.23(0-9)
CID-9 291.81
DiseasesDB 3543
MedlinePlus 000764
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A síndrome de abstinência alcoólica é um conjunto de sintomas que pode ocorrer após a redução no consumo do álcool após um período de uso excessivo. Os sintomas normalmente incluem ansiedade, tremor, suor excessivo, vômito, taquicardia e febre. Sintomas mais severos podem incluir ataques, alucinações, e delirium tremens (DTs).[1] Os sintomas normalmente começam a ocorrer seis horas após a última dose de bebida, e são piores de 24 a 72 horas, podendo piorar dentro de 7 dias.[2][3]

A abstinência pode ocorrer naqueles que são dependentes físicos do álcool, podendo acontecer com uma redução planejada ou não do consumo da bebida.[1] O mecanismo por trás disto envolve um decréscimo na resposta dos receptores de GABA no cérebro. O processo de abstinência normalmente é acompanhado com a escala Clinical Institute Withdrawal Assessment of Alcohol Scale, revised (CIWA-Ar).[3]

O tratamento da abstinência é realizado com benzodiazepinas tais como o clorodiazepóxido ou diazepam. As quantidades ministradas são baseadas nos sintomas do paciente. A tiamina também é recomendada e o distúrbio eletrolítico e a hipoglicemia deve ser tratada. O tratamento precoce melhora os resultados.[2]

Na sociedade ocidental aproximadamente 15% das pessoas têm problemas com o alcoolismo em algum ponto da vida. Aproximadamente metade das pessoas com alcoolismo vão desenvolver a síndrome da abstinência após reduzir o consumo de álcool, com 4% apresentando os sintomas severos.[3] Dentre estes com os sintomas severos, mais de 15% morre.[2] Os sintomas de abstinência foram descritos em 400 A.C. por Hipócrates.[4][5] Não se acreditava que se tornaria um grande problema até meados de 1800.[5]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Os benzodiazepínicos são eficazes no controle dos sintomas, bem como na prevenção de convulsões.[6] Certas vitaminas também são uma parte importante do controle da síndrome de abstinência do álcool. Naqueles com sintomas graves, geralmente é necessário tratamento hospitalar. Naqueles com menos sintomas, o tratamento em casa pode ser possível com visitas diárias a um profissional de saúde.[7]

Outros[editar | editar código-fonte]

A clonidina pode ser usada em combinação com benzodiazepínicos para ajudar alguns dos sintomas.[8] Nenhuma conclusão pode ser tirada em relação à eficácia ou segurança do baclofeno para a síndrome de abstinência do álcool devido à insuficiência e à baixa qualidade das evidências.[9]

Referências

  1. a b National Clinical Guideline Centre (2010). «2 Acute Alcohol Withdrawal». Alcohol Use Disorders: Diagnosis and Clinical Management of Alcohol-Related Physical Complications (em inglês) No. 100 ed. London: Royal College of Physicians (UK). Consultado em 21 de outubro de 2016 
  2. a b c Simpson, SA; Wilson, MP; Nordstrom, K (setembro de 2016). «Psychiatric Emergencies for Clinicians: Emergency Department Management of Alcohol Withdrawal.». The Journal of emergency medicine. 51 (3): 269-73. PMID 27319379 
  3. a b c Schuckit, MA (27 de novembro de 2014). «Recognition and management of withdrawal delirium (delirium tremens).». The New England Journal of Medicine. 371 (22): 2109–13. PMID 25427113. doi:10.1056/NEJMra1407298 
  4. Martin, Scott C. (2014). The SAGE Encyclopedia of Alcohol: Social, Cultural, and Historical Perspectives (em inglês). [S.l.]: SAGE Publications. p. Alcohol Withdrawal Scale. ISBN 9781483374383 
  5. a b Kissin, Benjamin; Begleiter, Henri (2013). The Biology of Alcoholism: Volume 3: Clinical Pathology (em inglês). [S.l.]: Springer Science & Business Media. p. 192. ISBN 9781468429374 
  6. Amato L, Minozzi S, Vecchi S, Davoli M (2010). Amato L, ed. «Benzodiazepines for alcohol withdrawal». The Cochrane Database of Systematic Reviews. 3 (3): CD005063. PMID 20238336. doi:10.1002/14651858.CD005063.pub3 
  7. Muncie HL, Yasinian Y, Oge' L (2013). «Outpatient management of alcohol withdrawal syndrome». American Family Physician. 88 (9): 589–95. PMID 24364635 
  8. Bayard M, McIntyre J, Hill KR, Woodside J (2004). «Alcohol withdrawal syndrome». American Family Physician. 69 (6): 1443–50. PMID 15053409. Cópia arquivada em 16 de outubro de 2008 
  9. Liu, Jia; Wang, Lu-Ning (20 de agosto de 2017). «Baclofen for alcohol withdrawal». The Cochrane Database of Systematic Reviews. 8: CD008502. ISSN 1469-493X. PMC 6483686Acessível livremente. PMID 28822350. doi:10.1002/14651858.CD008502.pub5 
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