Augusto de Beauharnais

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Augusto
Retrato por G. Dury presente na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Duque de Leuchtenberg
Período 21 de fevereiro de 1824 - 28 de março de 1835
Predecessor Eugênio de Beauharnais
Sucessor Maximiliano de Beauharnais
Príncipe de Eichstätt
Período 21 de fevereiro de 1824 - 28 de março de 1835
Predecessor Eugênio de Beauharnais
Sucessor Maximiliano de Beauharnais
Duque de Santa Cruz
Período 5 de novembro de 1829 - 28 de março de 1835
Príncipe-Consorte de Portugal
Período 1 de dezembro de 1834 - 28 de março de 1835
Predecessor Miguel de Bragança e Bourbon
Sucessor Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha e Koháry
Esposa Maria II de Portugal
Nome completo
Augusto Carlos Eugênio Napoleão de Beauharnais
Pai Eugênio de Beauharnais
Mãe Augusta Amélia da Baviera
Nascimento 9 de dezembro de 1810
Milão, Reino da Itália
Morte 28 de março de 1835 (24 anos)
Lisboa, Portugal
Enterro Panteão Real da Dinastia de Bragança, Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa

Augusto Carlos Eugênio Napoleão de Beauharnais GCNSC (em francês: Auguste Charles Eugène Napoléon de Beauharnais; Milão, 9 de dezembro 1810Lisboa, 28 de março 1835) foi o segundo duque de Leuchtenberg (na sua Baviera natal), 1.º Duque de Santa Cruz e príncipe consorte de Portugal em virtude do seu casamento com Maria II de Bragança.

Família[editar | editar código-fonte]

Filho do general Eugênio de Beauharnais, enteado de Napoleão Bonaparte e vice-rei de Itália, enquanto este país esteve sob domínio do Império Napoleónico (1804-1814), era neto, pela parte paterna, da Imperatriz Josefina de Beauharnais, a primeira esposa de Napoleão, e pela parte materna do rei Maximiliano I da Baviera.

Era irmão da imperatriz brasileira Amélia de Leuchtenberg, a segunda esposa de Pedro I, e primo do futuro imperador da França Napoleão III.

Educado nos princípios da honra militar pelo pai, Eugênio de Beauharnais, e da moral católica pela mãe, a princesa Augusta Amélia de Wittelsbach. Sua mãe, Augusta Amélia, era filha do Rei da Baviera, Maximiliano I José e da rainha Maria Guilhermina de Hesse-Darmstadt, primeira esposa do rei bávaro.[1] Passou a sua infância e parte de sua juventude na cidade de Munique, residência dos Wittelsbach, a Família Real da Baviera, da qual faziam parte, por sua mãe, que era princesa da Baviera.

Passagem pelo Brasil[editar | editar código-fonte]

Após o casamento por procuração com dom Pedro I, Amélia insistiu para que o irmão a acompanhasse em sua viagem ao Brasil. Augusto não pretendia aceder ao desejo da nova imperatriz, mas foi estimulado pela mãe a transferir-se para a corte do Rio de Janeiro. Antes de partir, o jovem, que ainda não havia atingido a maioridade, deixou pronto o seu testamento.[2]

Em solo brasileiro, ele passou a residir no Palácio Imperial de São Cristóvão e tornou-se muito próximo do cunhado.[2] Em alvará datado de 5 de novembro de 1829, dom Pedro I concedeu a Augusto, enquanto príncipe de Eichstätt e duque de Leuchtenberg, o direito ao tratamento de Alteza Real em todo o território nacional.[3] Em Carta Imperial datada do mesmo dia, o imperador concedeu-lhe o título de duque de Santa Cruz, também com tratamento de Alteza Real.[4] [2]

Volta à Europa e casamento com Maria II[editar | editar código-fonte]

Quando do exílio de Pedro I na Europa, Augusto voltou para a Baviera para junto dos seus familiares. Depois de reconquistado o trono de Portugal para a rainha Maria II, o príncipe Augusto foi o eleito por D. Pedro I, imperador do Brasil e rei de Portugal, como D. Pedro IV, para marido da jovem rainha portuguesa pelas qualidades verificadas durante a sua estada no Brasil, quando acompanhou a sua irmã Amélia, segunda esposa do imperador.

Cumprindo o desejo do cunhado, Augusto casou com a rainha Maria II, enteada da sua irmã, por procuração,[5] a 1 de dezembro de 1834, e por palavras e de presente, na Sé de Lisboa, a 26 de janeiro de 1835.

Por uma daquelas coincidências que as consangüinidades reais do tempo favoreciam, quer a avó de Augusto, a imperatriz Josefina, quer a tia de Maria, a imperatriz Maria Luísa, irmã da imperatriz Maria Leopoldina de Áustria, tinham sido casadas com Napoleão Bonaparte – o que significa dizer que o filho do enteado de Napoleão casou com a filha da cunhada de Napoleão.

Augusto foi marechal do exército português e Par do Reino, tomando assento na Câmara Alta alguns dias após o matrimônio.

Morte[editar | editar código-fonte]

Augusto morreu em 28 de março de 1835, no Palácio das Necessidades, ao cabo de escassos dois meses de casamento e sem ter chegado a engravidar a soberana. Sua morte repentina e em tão pouca idade gerou grande distúrbio popular em Lisboa, pois corria o rumor de que o príncipe-consorte havia sido envenenado. Contudo, em carta enviada à duquesa Augusta Amélia, a antiga aia dos irmãos, Fanny Maucomble, descreveu a rápida evolução da doença de Augusto:

"... Parece-me que o Príncipe tinha começado a sofrer de uma ligeira dor de garganta sexta-feira dia 20. Não tinha dito nada, não dando importância ao fato. Infelizmente! Vós como eu, tínhamos conhecimento de como ele pouco cuidava da sua saúde ... Domingo saiu por volta das 7 horas para passear e disparar alguns tiros de carabina num pequeno parque ao redor da Ajuda. Fazia muito frio; pois neste país, na primavera as manhãs e as noites são frias e por isso perigosas.

Voltou para o almoço às 10 horas e não disse ainda nada do seu mal da laringe, que o estava atormentando. A 1 hora foi passear com a Rainha num lugar chamado Campo Grande, onde eram realizadas corridas a cavalo. Fazia calor, com um sol muito forte. Ficaram no carro aberto, no mesmo lugar por mais de uma hora a fim de observar as corridas. Ao regressar o Príncipe sofria ainda mais, mas jantou e desejou fazer uma partida de bilhar com a Rainha; no entanto foi obrigado a procurar a cama. Todo mundo o aconselhou de chamar um médico, mas não foi possível convencê-lo. O Conde Mejan e a Imperatriz o pregaram de colocar os pés na água e de lhe aplicar compressas de mostarda. Recusou. Finalmente na 2ª feira ele consentiu em falar com um médico. Este aplicou em primeiro lugar 24 sanguessugas à garganta ..."

"Após diversas outras tentativas e vendo nenhum êxito foram chamados outros médicos. O estado do paciente estava extremamente grave. A noite esteve calma, mas na manhã do dia 28 os médicos chamaram a Imperatriz a fim de inteirá-la de que, infelizmente, não existia mais alguma esperança e que preparasse o espírito da Rainha."

"A Imperatriz providenciou um sacerdote que subministrou os Sacramentos, que recebeu ao meio-dia. Em seguida se despediu com grande coragem de todos, falou longamente com a Rainha e recomendou a mesma à Imperatriz. Pouco depois entrou em agonia e às 2 horas exalou o último suspiro nos braços da Rainha e da Imperatriz, que não o haviam deixado um momento."

"O Príncipe deixou um grande pesar e ontem se realizaram grandes desordens na cidade, pois dizia-se que tinha sido envenenado. Isso obrigou a Imperatriz a mandar fazer, com grande precisão, uma autópsia por três médicos e convocou mais um doutor inglês, um francês e um espanhol, pedindo a opinião de cada um.

Este exame vai provar aquilo que nós todos sabemos, de que a morte do jovem homem foi completamente natural e unicamente causada por não ter curado o mal em tempo. Encontraram a garganta, o esôfago e o estômago terrivelmente inflamados... Antes de morrer o Príncipe disse a Mr.Billing, que morria tranqüilo, mas que estava muito triste de findar sem de ter podido fazer alguma coisa pela felicidade da Rainha e de Portugal."[2]

Maria II casou-se em segundas núpcias com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota.[5] [6]

Jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Duque de Santa Cruz[editar | editar código-fonte]

Armas do duque de Santa Cruz.

Duque de Santa Cruz foi um título de nobreza do Império Brasileiro criado por Carta Imperial de 5 de Novembro de 1829, por Pedro I do Brasil para seu cunhado o príncipe Augusto de Beauharnais.

O topônimo associado a este título é relativo à Fazenda Imperial de Santa Cruz, situada hoje no bairro de mesmo nome, na cidade de Rio de Janeiro.[7]

Houve apenas um agraciado para este ducado.

Títulos, estilos, e honrarias[editar | editar código-fonte]

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

  • 9 de Dezembro 1810 – 21 de Fevereiro de 1824: Augusto Carlos Eugénio Napoleão de Beauharnais
  • 21 de Fevereiro de 1824 – 28 de Março de 1835: Sua Alteza Sereníssima, O Príncipe de Eichstätt, Duque de Leuchtenberg
    • 5 de Novembro de 1829 – 28 de Março de 1835: Sua Alteza Real, O Duque de Santa Cruz, Príncipe de Eichstätt, Duque de Leuchtenberg (no Brasil)[3] [4]
  • 1 de Dezembro de 1834 – 28 de Março de 1835: Sua Alteza Real, O Príncipe Consorte de Portugal

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

O ator Miguel Thiré interpretou Augusto de Beauharnais na minissérie O Quinto dos Infernos.

Referências

  1. Armin Schroll: Prinzessin Auguste Amalie von Bayern (1788–1851). Eine Biographie aus napoleonischer Zeit. Verlag Meidenbauer, München 2010, ISBN 978-3-89975-725-5
  2. a b c d Bragança 1938.
  3. a b (1829) "Actos do Poder Executivo" (PDF). Diário Fluminense p. 314. Visitado em 11 de novembro de 2015.
  4. a b (1829) "Actos do Poder Executivo" (PDF). Diário Fluminense p. 315. Visitado em 11 de novembro de 2015.
  5. a b Memorial Pernambuco - Dom Pedro I
  6. O Palácio das Necessidades, site do Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo português
  7. Cunha 1964.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Augusto de Beauharnais

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Casa de Beauharnais
Augusto Carlos
Nascimento: 9 de dezembro de 1810; Morte: 28 de março de 1835
Precedido por
Miguel de Bragança e Bourbon
Blason d'Auguste de Leuchtenberg.svg
Consorte de Portugal e dos Algarves
daquém e dalém-mar em África


18341835
Sucedido por
Fernando de Saxe-Coburgo-Gota
Precedido por
Eugênio de Beauharnais
Armoiries d Auguste et Maximilien de Leuchtenberg.svg
Duque de Leuchtenberg

1824-1835
Sucedido por
Maximiliano de Beauharnais