Maria Carolina da Áustria

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Maria Carolina
Retrato por Anton Raphael Mengs, 1768.
Rainha Consorte da Sicília
Reinado 12 de maio de 1768
a 8 de setembro de 1814
Predesessora Maria Amália da Saxônia
Sucessora Monarquia abolida
Rainha Consorte de Nápoles
1º Reinado 12 de maio de 1768
a 23 de janeiro de 1799
Predesessora Maria Amália da Saxônia
Sucessora Monarquia abolida
2º Reinado 13 de junho de 1799
a 30 de março de 1806
Sucessor Maria Isabel de Espanha
 
Marido Fernando I das Duas Sicílias
Descendência Maria Teresa de Nápoles e Sicília
Luísa de Nápoles e Sicília
Carlos, Duque de Calábria
Maria Ana de Nápoles e Sicília
Francisco I das Duas Sicílias
Maria Cristina de Nápoles e Sicília
Maria Cristina Amélia de Nápoles e Sicília
Januário de Nápoles e Sicília
José de Nápoles e Sicília
Maria Amélia das Duas Sicílias
Maria Antônia de Nápoles e Sicília
Maria Clotilde de Nápoles e Sicília
Maria Henrique de Nápoles e Sicília
Leopoldo, Príncipe de Salerno
Alberto de Nápoles e Sicília
Isabel de Nápoles e Sicília
Casa Habsburgo-Lorena
Bourbon-Duas Sicílias
Nome completo
Maria Carolina Luísa Josefa Joana Antônia
Nascimento 13 de agosto de 1752
Palácio de Schönbrunn, Viena, Áustria
Morte 8 de setembro de 1814 (62 anos)
Schloss Hetzendorf, Viena, Áustria
Sepultamento Cripta Imperial de Viena
Pai Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico
Mãe Maria Teresa da Áustria
Assinatura Assinatura de Maria Carolina


Maria Carolina da Áustria (em alemão: Maria Karolina Luise Josepha Johanna Antonia; Palácio de Schönbrunn, 13 de agosto de 1752Schloss Hetzendorf, 8 de setembro de 1814) foi rainha de Nápoles e da Sicília como esposa do rei Fernando I das Duas Sicílias. Como governante de facto dos reinos do seu marido, Maria Carolina supervisionou a promulgação de várias reformas, incluindo a revogação da supressão da Maçonaria, o aumento da marinha com a ajuda do seu protegido, John Acton, 6º Baronete, e o fim da influência espanhola. Era uma prepotente do absolutismo até ao advento da Revolução Francesa quando, para prevenir a promoção dos ideais liberalistas, tornou Nápoles um Estado policial.

Nascida uma arquiduquesa austríaca, a décima-terceira criança do imperador Francisco I e da imperatriz Maria Teresa da Áustria, casou-se com Fernando como parte de uma aliança com a Espanha onde o pai de Fernando era rei. Após o nascimento de um herdeiro masculino em 1775, Maria Carolina foi aceite do conselho de Estado. A partir daí, dominou-o até 1812 quando foi enviada de volta a Viena. Tal como a sua mãe, Maria Carolina esforçou-se por organizar casamentos vantajosos para os seus filhos. Como promotora, Maria Carolina fez de Nápoles um centro das artes, financiando pintores como Jacob Philipp Hackert e Angelika Kauffmann e académicos como Gaetano Filangieri, Domenico Cirillo e Giuseppe Maria Galanti. Horrorizada pelo tratamento dado à sua irmã Maria Antonieta pelos franceses, Maria Carolina aliou-se com a Grã-Bretanha e com a Áustria durante as invasões napoleónicas. Como resultado de uma tentativa falhada de Nápoles para conquistar Roma ocupada pelos franceses, ela teve de fugir para a Sicília com o marido em dezembro de 1798. Um mês depois a República Napolitana foi declarada, repudiando o governo dos Bourbon em Nápoles por seis meses. Expulsa do trono uma segunda vez pelas tropas francesas em 1806, Maria Carolina morreu em Viena em 1814, um ano antes da restauração do seu marido em Nápoles.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Arquiduquesa Maria Carolina segurando um retrato de seu pai, Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico.

Por Martin van Meytens, 1767

Nascida no dia 13 de agosto de 1752 no Palácio de Schönbrunn, em Viena, Maria Carolina foi a décima terceira, mas décima criança que chegou à idade adulta a nascer do imperador Francisco I, e da imperatriz Maria Teresa da Áustria. Os seus padrinhos foram o rei Luís XV de França e a sua esposa, a princesa polaca Marie Leczinska.[1] Maria Carolina era a filha que se parecia mais com a sua mãe e era muito chegada à sua irmã mais nova, a futura rainha Maria Antonieta. Uma prova da relação próxima que existia entre as duas é o facto de que, quando uma adoecia, a outra adoecia também.[2] Em agosto de 1767, Maria Teresa separou as duas irmãs, até então educadas juntas pela condessa Marie von Brandis, devido ao seu mau-comportamento.[3] Pouco depois, em outubro do mesmo ano, a irmã de Maria Carolina, Maria Josefa, destinada a casar-se com o rei Fernando I das Duas Sicílias como parte de uma aliança com a Espanha, morreu de varíola.[4] Ansioso por salvar a aliança austríaco-espanhola, Carlos III de Espanha, pai do rei Fernando, pediu que uma das irmãs de Maria Josefa a fosse substituir.[5][6] Maria Teresa apresentou Maria Amália e Maria Carolina à corte espanhola para que eles pudessem escolher.[7] Uma vez que Maria Amália era cinco anos mais velha do que o seu filho, Carlos III optou por Carolina que reagiu muito mal ao seu noivado, chorando desesperadamente e dizendo que os casamentos napolitanos traziam azar.[8] Contudo os seus protestos não atrasaram os preparativos para o seu novo papel como rainha de Nápoles pela condessa de Lerchenfeld.[9] Nove meses depois, no dia 7 de abril de 1768, Maria Carolina casou-se com Fernando IV por procuração, tendo o seu irmão Fernando a representar o noivo.[10]

Rainha[editar | editar código-fonte]

Queda de Tanucci[editar | editar código-fonte]

Maria Carolina, Rainha de Nápoles e Sicília, por Francesco Liani, 1768

A rainha de dezesseis anos viajou calmamente de Viena até Nápoles, fazendo paragens em Mântua, Bolonha, Florença e Roma pelo caminho.[11][12] Entrou no Reino de Nápoles no dia 12 de maio de 1768, desembarcando em Terracina onde se despediu dos criados austríacos.[13] A partir de então, Carolina viajou com a sua corte restante que incluía o seu irmão, o então grão-duque da Toscana Leopoldo II, e a sua esposa, a infanta Maria Luísa da Espanha. Quando viu o marido pela primeira vez em Poztella, achou-o muito feio.[14] Escreveu à Condessa de Lerchenfeld que, Não o amo, excepto pelo dever...[15] Também Fernando não ficou impressionado com ela declarando, depois da sua primeira noite juntos, Ela dorme como se tivesse sido morta e sua como um porco.[16] Contudo o facto de Maria Carolina não gostar do seu marido não a impediu de ter filhos, uma vez que perpetuar a dinastia era o dever mais importante de uma esposa. Ao todo, Maria Carolina deu sete filhos sobreviventes a Fernando, incluindo o seu sucessor, Francisco I, e Maria Teresa da Sicília, última Imperatriz Romano-Germânica, a grã-duquesa da Toscana Luísa das Duas Sicílias, Maria Amélia de Nápoles e Sicília, última rainha francesa, e a princesa das Astúrias Maria Antónia de Nápoles.

Bernardo Tanucci, de jure ministro de Nápoles e Sicília entre 1759 a 1776.

A Fernando, que tinha recebido uma educação fraca do príncipe de San Nicandro, faltava a capacidade de governar, precisando em tudo dos conselhos do seu pai, o rei Carlos III de Espanha que lhe chegavam através de Bernardo Tanucci.[17] Seguindo as instruções da sua mãe, Maria Carolina ganhou a confiança de Fernando quando começou a aprender a actividade preferida dele: a caça.[18] Assim, conseguiu ganhar acesso à administração do Estado, uma ambição que foi completamente cumprida com o nascimento de um herdeiro em 1775, um feito que a levou ao conselho de Estado.[19] Até lá, Maria Carolina foi responsável pelo rejuvenescimento da corte napolitana, grandemente esquecida desde o advento da regência do seu marido. Os académicos Gaetano Filangieri, Domenico Cirillo e Giuseppe Maria Galanti, entre outros, frequentavam o seu salão.[20]

A queda de Tanucci chegou depois de uma discussão dele com Maria Carolina por causa da Maçonaria, à qual ela se tinha juntado. Seguindo ordens de Carlos III, Tanucci tinha trazido de volta uma lei de 1751 que bania a Maçonaria em resposta à descoberta de um refúgio maçónico entre o regimento real.[21] Enfurecida, a rainha expressou a sua opinião a Carlos III, através de uma carta escrita pelo seu marido, fazendo parecer que a ideia tinha sido dele, de que Tanucci estava a arruinar o país.[22] Resignado aos desejos da sua esposa, Fernando dispensou Tanicci em outubro de 1776, causando um afastamento do seu pai.[23] A nomeação do marquês de Sambuca, um fantoche nas mãos de Maria Carolina, como substituto, representou o final da influência espanhola em Nápoles, até então a sua colónia em tudo menos nome[24][25]. Maria Carolina continuou com os seus planos, fazendo várias mudanças nas camadas da nobreza no sentido de substituir a influência espanhola pela austríaca.[26] A antipatia que tinha entre a nobreza apenas cresceu quando ela tentou retirar-lhes os seus direitos.[27]

Acton e as forças armadas[editar | editar código-fonte]

John Acton, 6º Baronete, o favorito de Maria Carolina em um retrato por Emanuele Napoli.

Sem Tanucci no governo, a rainha passou a governar o Reino de Nápoles e a Reino da Sicília sozinha, apoiada pelo seu inglês preferido, nascido em França, John Acton, 6º Baronete, a partir de 1778.[28] Seguindo o conselho do seu irmão mais velho, José II, Maria Carolina e Acton restauraram a marinha napolitana que até então tinha sido negligenciada, abrindo quatro novas academias navais e construindo cento e cinquenta navios de vários tamanhos.[29] A marinha mercantil também foi aumentada pelos acordos comerciais com a Rússia e Génova.[30] Carlos III, tendo declarado guerra à Grã-Bretanha devido à sua aliança com a América, ficou enfurecido pela nomeação de Acton para ministro da guerra e da marinha, pois acreditava que o seu candidato espanhol, dom António Otero, merecia mais o posto pelo facto de não ser inglês.[31] Maria Carolina voltou a responder através de uma carta escrita pelo seu marido, explicando a Carlos III que Acton era filho de uma mulher francesa, não era inglês e que foi nomeado antes da guerra com a Grã-Bretanha começar. Os ataques de Carlos contra Acton apenas serviram para o colocar numa posição mais favorável junto da rainha que o nomeou marechal-de-campo.[32] As reformas de Acton não se limitaram à expansão da marinha: ao mesmo tempo ele reduziu os gastos do seu gabinete em 500 000 ducados e convidou sargentos estrangeiros para preencher as vagas no exército.[33] Acton e Maria Carolina tornaram-se tão chegados que, segundo o embaixador da Sardenha em Nápoles, as pessoas começaram a acreditar erradamente que eles eram amantes.[34] O rei, no entanto, não sabia que o rumor era falso e tentou várias vezes "surpreendê-los juntos", ameaçando matá-los aos dois num ataque de fúria.[35] Em resposta, Maria Carolina colocou espiões a seguir o marido, mas pouco depois conseguiu-se uma reconciliação. Como parte desta reaproximação entre os reis, Acton foi viver em Castellmare, mas regressava a Nápoles três vezes por semana para ver a rainha.[36]

Apoio artístico e a morte de Carlos III[editar | editar código-fonte]

A Família Real de Nápoles por Angelika Kauffmann. Este retrato representa descrições típicas dos Bourbons, incorporando uma paisagem arcaicas e pose simples.

Maria Carolina apoiou artistas germano-suíços, mais notavelmente Angelika Kauffmann que pintou o famoso quadro da rainha com a sua família em pose relaxada no jardim em 1783, e deu lições de desenho às suas filhas.[37] Maria Carolina enchia Kauffman de presentes, mas ela preferia os círculos artísticos de Roma aos de Nápoles.[38] O apoio da rainha não se restringia a retratistas: também recebeu o pintor paisagístico Jacob Philipp Hackert numa ala do seu palácio em Francavilla. Tal como Kauffman, ele deu lições de pintura aos filhos da rainha e tinha a sua confiança.[39] Seguindo uma recomendação de Hackert, o rei e a rainha restauraram as estátuas do Palácio Farnese[desambiguação necessária] e levaram-nas para Nápoles.[40] Em 1784, a rainha estabeleceu a colónia de São Lúcio, uma aldeia com as suas próprias leis e costumes cujo único objectivo era produzir seda.[41]

Em 1788, com a morte de Carlos III, as relações entre Nápoles e a Espanha melhoraram.[42] O novo rei, Carlos IV, estava desejoso por se dar bem com o seu irmão, enviando uma armada espanhola para o saudar.[43] Para consolidar a sua relação, Carlos IV sugeriu que a sua filha se casasse com o filho mais velho do rei e da rainha, o duque da Calábria Francisco I das Duas Sicílias.[44] Embora o rei tenha apoiado este casamento, Maria Carolina evitou-o.[45] Tal como a sua mãe, ela tinha escolhido cuidadosamente os possíveis partidos para os seus filhos, uniões que serviriam para cimentar alianças políticas que ela tinha escolhido.[46] A morte da duquesa Isabel de Württemberg, esposa do então príncipe-herdeiro da Áustria Francisco II, sobrinho da rainha, abriu as portas para que ela cumprisse as suas ambições matrimoniais.[47] As suas filhas Maria Teresa e Luísa casaram, respectivamente, com o príncipe-herdeiro Francisco e com Fernando III, Grão-duque da Toscana, durante a visita da família real napolitana a Viena em 1790.[48]

O fim do absolutismo iluminista[editar | editar código-fonte]

Maria Antonieta, Rainha da da França, retratada por Jean-Baptiste Gautier Dagoty, era a irmã favorita de Maria Carolina. Foi como uma resposta ao seu tratamento pelos franceses que Maria Carolina aliou Nápoles com a Grã-Bretanha durante as Guerras Revolucionárias Francesas.

Maria Carolina desejava melhorar as relações de Nápoles com o papa que se tinham deteriorado devido à discussão com o papa Pio IV relativamente às leis eclesiásticas e à investidura e escolha dos bispos.[49] Consequentemente, Nápoles tinha deixado de pagar o seu tributo anual de 7 000 ducados. Nesse sentido, Maria Carolina conseguiu uma reunião com o papa. Para enfatizar o seu desejo de o ver, o rei e a rainha chegaram a Roma mais cedo do que o esperado e cumprimentaram o papa Pio IV numa audiência privada. O papa concordou em ceder ao rei o direito de escolher bispos para lugares vazios.[50] Assim, como o rei e a rainha não tinham feito nenhum concessão em troca, o prestígio de Nápoles aumentou.[51] Quando se foi embora, Maria Carolina recebeu a Rosa de Ouro, uma grande demonstração do favoritismo papal.

O regresso de Viena foi marcado com uma nova época política em Nápoles.[52] Alarmada pelos acontecimentos em França, principalmente no que dizia respeito à sua irmã favorita, Maria Antonieta, Maria Carolina terminou com as suas experiências de absolutismo iluminista e tomou um caminho mais reaccionário.[53] Rejeitou a Revolução Francesa e estava determinada a impedir que a sua ideologia ganhasse influência em Nápoles.[54] Fê-lo subdividindo Nápoles em doze províncias policiais controladas por comissários escolhidos pelo governo, substituindo o tradicional sistema de escolha popular.[55] O sucesso desta medida foi ainda maior devido à criação de uma força policial secreta que tinha os seus espiões pagos em todas as classes sociais da sociedade.[56]

Numa tentativa de agradar a Grã-Bretanha, tendo uma aliança em mente, a rainha fez preparações para se encontrar com a esposa do embaixador inglês, Emma Hamilton, apesar do facto de rainha consorte britânica Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, ainda não a ter recebido.[57] Contudo as duas não demoraram a ficar amigas com Emma a cantar em dueto com o rei e a jantar a nível particular com a família real. A rainha, que Emma achava muito boa companhia, inteiramente bondoza e muito certa[58] sentia-se tentada a aproximar-se dela para extrair segredos diplomáticos britânicos.[59]

O caso Sémonville e a primeira coligação[editar | editar código-fonte]

Maria Carolina, retratada em 1791, em um quadro de Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun. A semelhança com sua irmã Maria Antonieta era notável.

O rei Luís XVI de França e a rainha Maria Antonieta foram presos no dia 10 de agosto de 1792. A partir de então, o governo napolitano recusou-se a reconhecer a comitiva do barão Armand de Mackau, um diplomata francês. A rainha Maria Carolina ficou tão horrorizada com o que aconteceu à sua irmã que nesse dia quase cortou as relações com a França completamente. A hesitação do rei e da rainha em aceitar Mackau como o novo representante da República Francesa causou tensão com aquele país. John Acton, agora primeiro-ministro de Nápoles, aliou-se com o desejo fervente de Carolina em declarar guerra à França e tentou atrasar Mackau até contar com o apoio militar britânico. Contudo o seu plano virou-se contra ele quando o governo francês interceptou uma carta onde Acton descrevia detalhadamente como tinha sabotado a missão diplomática de Huguet de Sémonville ao Império Otomano. Quando a França se começou a preparar para a guerra em novembro para se vingar deste insulto, o rei e a rainha acabaram por ceder e reconheceram Mackau e a República Francesa. Contudo, a Assembleia Nacional Francesa já tinha enviado nove navios comandados pelo almirante La Touch que chegaram a Nápoles no dia 17 de dezembro. La Touche estipulou que, se Acton não lhe pedisse desculpas pessoalmente pelo caso de Sémonville, ele atacaria Nápoles uma hora depois. A decisão da rainha em aceitar o pedido de La Touche foi criticada por alguns historiadores napolitanos como o general Colletta que se esqueceu do facto de Nápoles não conseguir defender-se por não ter mobilizado a marinha.

Os esforços de Maria Carolina contra o jacobinismo revelaram-se inúteis quando a armada de La Touche foi forçada a regressar a Nápoles devido a uma tempestade. Os marinheiros franceses, "agentes republicanos", tinham permissão de ir a terra nesta ocasião e cultivaram os seus sentimentos antimonárquicos junto dos napolitanos. Quando La Touche partiu finalmente no dia 29 de janeiro de 1793, Maria Carolina lançou uma campanha ineficaz contra os radicais napolitanos, permitindo que os planeadores mais perigosos escapassem à justiça. A ofensiva falhou pelo facto de o seu chefe de polícia, Luigi de' Medici ser um radical escondido. Simultâneamente, Maria Carolina conseguiu um acordo para uma aliança com a Grã-Bretanha a quem a França tinha recentemente declarado guerra. Com este tratado, Nápoles deveria contribuir com quatro homens-de-guerra, quatro fragatas e quatro navios pequenos juntamente com seis mil soldados para proteger o comércio no mar mediterrânico. Em agosto de 1793, após o Cerco de Toulon, Nápoles juntou-se à Primeira Coligação que juntava a Grã-Bretanha, a Rússia, a Áustria, a Prússia, Espanha, Portugal e a Sardenha dos Saboia contra a França.

A campanha italiana[editar | editar código-fonte]

As efígies de Maria Carolina e seu marido em um piastra napolitana de 1791.

Ainda horrorizada com a morte da irmã em outubro de 1793, Maria Carolina recusava-se a falar francês, "aquela língua monstruosa", e baniu os trabalhos filosóficos "inflamatórios" de Galanti e Filangeri que até então tinham recebido seu apoio. Em 1794, após a descoberta de uma conspiração jacobina para derrubar o governo, Maria Carolina ordenou que Medici suprimisse a Maçonaria da qual ela tinha sido uma aderente, acreditando que eles estavam a participar em actividades traiçoeiras com os franceses. O exército era mantido constantemente em mobilização em caso de algum ataque ocorrer, o que aumentou a carga de impostos para a população. Temendo pela segurança da sua família, Maria Carolina contratou provadores de comida e mudava a localização dos aposentos da família todos os dias. O que levou Maria Carolina a fazer isto foi o medo geral que se tinha instalado na cidade na qual "ninguém estava a salvo".

O fim das hostilidades franco-espanholas no verão de 1795, deu a Napoleão Bonaparte, um general corso do exército francês, a oportunidade de se concentrar na campanha francesa em Itália. O sucesso que obteve nos seus ataque ao Norte da Itália levaram Maria Carolina a procurar paz, conseguindo um acordo em que Nápoles teria de pagar à França um imposto de guerra de oito milhões de francos. Contudo nenhum dos países esperava manter este tratado por muito tempo. O casamento do seu filho mais velho, o duque da Calábria Francisco, com a arquiduquesa Maria Clementina da Áustria em 1797 fechou uma aliança com a Áustria no dia 20 de maio de 1798 em resposta à ocupação francesa dos estados papais que faziam fronteira com Nápoles. Depois de ajudar na vitória britânica na Batalha do Nilo, a rainha decidiu juntar-se à Segunda Coligação contra a França. A Áustria nomeou o general Karl Mack von Leiberich para o comando. As reuniões do conselho de guerra que comprometiam o rei, a rainha, sir William Hamilton, o embaixador inglês e o almirante Horatio Nelson, da campanha do Nilo, foram realizadas no Palácio de Caserta. Decidiram invadir a República de Roma, um Estado fantoche dos franceses.

Fuga da família real e criação da República Napolitana[editar | editar código-fonte]

Quando o Reino de Nápoles e a Sicília se juntaram à Segunda Coligação, Napoleão Bonaparte encontrou uma razão para agir. O general francês Jean Étienne Championnet conseguiu rapidamente, e em janeiro de 1799 ele ocupou Nápoles e forçou a família real a fugir para a Sicília. No exílio siciliano Maria Carolina continuou sua política em direção a Nápoles.

Em 24 de janeiro de 1799 a República Napolitana foi proclamada em Nápoles pelas tropas francesas conduzidas pelo general Championnet.

Durante o período republicano, um governo foi instalado com Ercole D'Agnese como presidente eleito, a liberdade de imprensa foi proclamada, e as reformas futuras foram preparadas. No entanto, depois de apenas 6 meses, a jovem república terminou quando o exército liderado pelo cardeal Fabrizio Ruffo, atacou e invadiu Nápoles em 21 de junho de 1799. O colapso da república foi em grande parte devido à frota inglesa, que tinha fornecido o exército real com armas. Mais uma vez, foi o almirante Nelson que derrotou com sucesso os franceses em meados de 1799 de Nápoles e Sicília garantindo o trono para o casal real.

Em junho de 1800, Maria Carolina viajou com suas três filhas solteiras, seu filho mais novo Leopoldo, e acompanhado por William e Emma Hamilton sobre Livorno, Florença, Trieste e Liubliana para Viena, onde chegou dois meses depois. Maria Carolina ficou dois anos em sua terra natal, onde arranjou casamentos vantajosos para seus filhos. No círculo familiar, ela passou mais tempo com seu neto favorito, a arquiduquesa Maria Luísa, que mais tarde se tornou na esposa de seu arqui-inimigo Napoleão Bonaparte.

Últimos anos e morte[editar | editar código-fonte]

Em 1806, Fernando foi deposto do seu trono por Napoleão Bonaparte, levando consigo a sua esposa. Contudo, Maria Carolina manteve o seu estatuto e poder na Sicília até 1812 quando o seu marido essencialmente (mas não oficialmente), nomeando o seu filho Francisco para regente, o que fez com que Carolina perdesse a sua influência. Em 1813, Maria Carolina foi exilada para o seu país natal, a Áustria, onde morreu em 1814. Após a sua morte, o seu marido passou a estar sujeito à vontade austríaca. Quando Napoleão Bonaparte se casou com a arquiduquesa Maria Luísa da Áustria, Maria Carolina teve de aceitar que a sua neta se tinha casado com "o Demónio" e lhe tinha dado um filho.

Maria Carolina foi enterrada na cripta imperial em Viena. Os seus pais também estão lá enterrados.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Imagem Nome Nascimento Morte Notas
Maria Teresa di Borbone-Napoli.jpg Maria Teresa de Nápoles e Sicília 6 de junho de 1722 13 de abril de 1807 Casou-se com Francisco I da Áustria, com descendência
Luisa Maria Amelia Teresa di Borbone-Due Sicilie V2.jpg Luísa de Nápoles e Sicília 27 de julho de 1773 19 de setembro de 1802 Casou-se com Fernando III da Toscana, com descendência
CarloFrancisco01.jpg Carlos, Duque da Calábria 4 de janeiro de 1775 17 de dezembro de 1778 Morreu na infância
Maria Ana de Nápoles e Sicília.jpg Maria Ana de Nápoles e Sicília 25 de novembro de 1775 22 de fevereiro de 1780 Morreu na infância
Francis1januarius.jpg Francisco I das Duas Sicílias 19 de agosto de 1777 8 de novembro de 1830 Casou-se com Maria Clementina da Áustria, com descendência

Casou-se com Maria Isabel de Espanha, com descendência

Maria Cristina of Naples and Sicily.jpg Maria Cristina de Nápoles e Sicília 17 de janeiro de 1779 11 de março de 1849 Casou-se com Carlos Félix da Sardenha, sem descendência
CristinaAmeliaDeLasDosSicilias.png Maria Cristina Amélia de Nápoles e Sicília 17 de janeiro de 1779 26 de fevereiro de 1783 Morreu na infância
Genaro de Nápoles e Sicília.jpg
Genaro de Nápoles e Sicília 12 de abril de 1780 1 de janeiro de 1789 Morreu na infância
José de Nápoles e Sicília.jpg José de Nápoles e Sicília 18 de junho de 1781 19 de fevereiro de 1783 Morreu na infância
Louis Hersent - Marie-Amélie de Bourbon, princesse des Deux-Siciles, reine des Français.jpg Maria Amélia de Nápoles e Sicília 26 de abril de 1782 24 de março de 1866 Casou-se com Luís Filipe I de França, com descendência
Maria Antonietta Borbone Napoli 1784 1806.jpg Maria Antónia de Nápoles e Sicília 14 de dezembro de 1784 21 de maio de 1806 Casou-se com Fernando de Espanha, com descendência
Great Royal Coat of Arms of theTwo Sicilies.svg Maria Clotilde de Nápoles e Sicília 18 de fevereiro de 1786 10 de setembro de 1792 Morreu na infância
Maria Henriqueta de Nápoles e Sicília.jpg Maria Henriqueta de Nápoles e Sicília 31 de julho de 1787 20 de setembro de 1792 Morreu na infância
Adalbert Suchy - Leopold of Bourbon-Naples 1814.jpg Leopoldo, Príncipe de Salerno 2 de julho de 1790 10 de março de 1851 Casou-se com Clementina da Áustria, com descendência
AlbertodeSicily01.jpg
Alberto de Nápoles e Sicília 2 de julho de 1790 10 de março de 1851 Morreu na infância
Maria Isabel de Nápoles e Sicília.jpg
Maria Isabel de Nápoles e Sicília 14 de dezembro de 1793 23 de abril de 1801 Morreu na infância

Ancestrais[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Maria Amália da Saxônia
Rainha Consorte de Nápoles
12 de maio de 1768 - 23 de janeiro de 1799
Sucedido por
República Napolitana
Precedido por
Maria Amália da Saxônia
Rainha Consorte da Sicília
12 de maio de 1768 - 8 de setembro de 1814
Sucedido por
Maria Isabel de Bourbon
(como Rainha das Duas Sicílias)
Precedido por
República Napolitana
Rainha Consorte de Nápoles
13 de junho de 1799 - 30 de março de 1806
Sucedido por
Júlia Clary

Referências

  1. Lever, p 315.
  2. Fraser, p 27.
  3. Fraser, p 38.
  4. Crankshaw, p 274.
  5. Acton, p 126.
  6. Bearne, p 57.
  7. Bearne, p 60.
  8. Bearne, p 60.
  9. Bearne, p 62.
  10. Bearne, p 66.
  11. Acton, p 129.
  12. Bearne, p 67.
  13. Acton, p 130.
  14. Bearne, p 71.
  15. Bearne, p 71.
  16. Acton, p 131.
  17. Jones, p 243.
  18. Acton, p 172.
  19. Bearne, p 78.
  20. Bearne, p 81.
  21. Acton, p 172.
  22. Acton, p 175.
  23. Acton, pp. 175–176
  24. Bearne, p 84.
  25. Acton, p 176.
  26. Bearne, p 174.
  27. Bearne, p 174.
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