Leopoldo, Duque de Lorena

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Leopoldo
Duque de Lorena, Bar e Teschen
Reinado 18 de abril de 1690
a 27 de março de 1729
Antecessor(a) Carlos V da Lorena
Sucessor(a) Francisco III de Lorena
 
Isabel Carlota de Orleães
Descendência Leopoldo, príncipe-herdeiro de Lorena
Isabel Carlota de Lorena
Luísa Cristina de Lorena
Maria Gabriela de Lorena
Luís, príncipe-herdeiro de Lorena
Josefina Gabriela de Lorena
Gabriela Luísa de Lorena
Leopoldo Clemente, príncipe-herdeiro de Lorena
Francisco III de Lorena
Leonor de Lorena
Isabel Teresa de Lorena
Carlos Alexandre de Lorena
Ana Carlota de Lorena
Filha Natimorta
Casa Lorena
Nome completo
Leopoldo José Carlos Domingos Agapet Hyacinthe
Nascimento 11 de setembro de 1679
  Palácio de Innsbruck, Tirol, Áustria
Morte 27 de março de 1729 (49 anos)
  Château de Lunéville, Lorena, França
Enterro Église Saint-François-des-Cordeliers, Nancy, França
Pai Carlos V de Lorena
Mãe Leonor da Áustria
Religião Catolicismo

Leopoldo I (11 de Setembro de 1679 - 27 de Março de 1729), de cognome "o Bondoso", foi o duque de Lorena e Bar desde 1690 e até à sua morte.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Leopoldo José Carlos Domingos Agapet Hyacinthe era filho do duque Carlos V de Lorena e da sua esposa, a arquiduquesa Leonor da Áustria, meia-irmã do sacro-imperador Leopoldo I.

Quando Leopoldo nasceu, Lorena e Bar estavam ocupadas pelo rei Luís XIV de França, uma situação que tinha forçado os seus pais a procurar exílio na Áustria, onde viviam sob a protecção do sacro-imperador. Assim, Leopoldo nasceu no Palácio de Innsbruck e recebeu o nome em honra do seu tio, o imperador. Leopoldo cresceu em Innsbruck, enquanto o seu pai passava longos períodos afastado, a defender Viena da invasão turca.

Em 1690, o seu pai morreu e Leopoldo, na altura com onze anos de idade, herdou os dois ducados ainda sob ocupação francesa. A sua mãe tentou cumprir a última vontade do marido de devolver o património ao filho, por isso apelou ao Reichstag de Regensburg para que Lorena lhe fosse devolvido. Leopoldo foi enviado para Viena, para receber treino militar sob as ordens do sacro-imperador. Em Viena, cresceu na companhia dos seus primos, os arquiduques José e Carlos, ambos destinados a tornar-se sacro-imperadores da Áustria. Leopoldo também se tornou Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro nesse mesmo ano.

Seguindo os passos do seu pai, Leopoldo entrou no exército imperial e, aos dezoito anos de idade, esteve presente no Cerco de Timişoara em 1694. Três anos depois, passou a comandar o Exército do Reno.

Duque de Lorena[editar | editar código-fonte]

Leopoldo, duque de Lorena.

Em 1697, terminou a Guerra dos Nove Anos (também conhecida como a Guerra da Liga de Augsburg) com a assinatura do Tratado de Rijswijk a 30 de Outubro de 1697.

Esse mesmo tratado incluía a restituição dos ducados de Lorena e Bar à Casa de Lorena, como a mãe de Leopoldo desejava. A arquiduquesa acabaria por morrer quatro anos depois, em Viena. A 17 de Agosto de 1698, o duque Leopoldo fez a sua entrada triunfal na capital dos ducados, Nancy. Levou a cabo a reconstrução e repovoamento dos ducados que tinham sido completamente destruídos pela guerra e encorajou a imigração. No final do seu reinado, conseguiu fazer com que os seus territórios se tornassem seguros e prósperos.

Em termos de política externa, Leopoldo tentou reforçar as boas relações com França e agradar ao seu poderoso vizinho. A 13 de Outubro de 1698, casou-se com a princesa Isabel Carlota de Orleães, sobrinha do rei Luís XIV, no Palácio de Fontainebleau. O rei de França ofereceu um dote de 900,000 libras à sobrinha, um valor muito vantajoso para um duque que estava na miséria. Isabel Carlota tornou-se uma mãe atenta e deu à luz treze filhos, dos quais cinco chegaram à idade adulta. Numa única semana, em Maio de 1711, o casal perdeu três filhos durante um surto de varíola que invadiu o Château de Lunéville, a residência campestre dos duques de Lorena.

Apesar dos esforços diplomáticos de Leopoldo, a sua capital, Nancy, foi ocupada por tropas estrangeiras durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1700-1713). Temendo pela segurança da sua família, Leopoldo deslocou a corte para o Château de Lunéville, que Leopoldo renovou, tendo como modelo o Palácio de Versalhes. Foi aí que nasce o seu primeiro filho em 1700.

Em 1703, o duque apresentou o Code Léopold, que regulava o governo do ducado. Tentou fazer com que a sua filha mais velha, Isabel Carlota se tornasse abadessa de Remiremont, mas não conseguiu devido à intervenção do papa Clemente XI, que se opunha à ideia.

Em 1706, a vida conjugal de Leopoldo atravessou uma grave crise quando ele assumiu Anne-Marguerite de Lignéville, princesa de Beauvau-Craon como sua amante e enriqueceu a sua família. Seguindo os conselhos da sua mãe, Isabel Carlota manteve-se em silêncio.

Em 1708, Leopoldo reclamou os seus direitos relativamente ao ducado de Montferrat, por ser o parente mais próximo do seu primo, Carlos IV Gonzaga, que tinha sido duque de Mantua, mas foi deposto e morreu sem deixar descendentes varões. No entanto, o sacro-imperador já tinha prometido Montferrat aos duques de Sabóia. Por isso, para compensar a Casa de Lorena pela perda, decidiu dar-lhes o ducado de Teschen, na Silésia.

Em 1710, Leopoldo e a sua esposa visitaram Paris para assistir ao casamento da sobrinha de Isabel Carlota, a princesa Maria Luísa Isabel, com o duque de Berry, numa cerimónia sumptuosa que se realizou no Palais du Luxembourg. Durante essa visita, Leopoldo, na categoria de príncipe estrangeiro, recebeu a forma de tratamento de Alteza Real.

Em 1719, Leopoldo comprou o condado de Ligny-en-Barrois ao seu primo, Carlos Henrique de Vaudemont. Durante o seu reinado, foi posto em prática um novo sistema de segurança por toda a Lorena. Tentou abolir a servidão, mas as indemnizações que teriam de ser pagas pelos camponeses eram demasiado altas, mesmo quando Leopoldo as baixou para metade. No dia de ano novo de 1719, libertou os seus servos sem lhes pedir nada em troca, na esperança de que a nobreza lhe seguisse o exemplo.[1]

Em 1721, Leopoldo enviou o seu filho e herdeiro, o príncipe Leopoldo Clemente, para Viena, para receber a sua educação. Também tinha como intenção encorajar uma relação entre ele e a arquiduquesa Maria Teresa, herdeira do sacro-imperador Carlos VI. No entanto, Leopoldo Clemente acabaria por morrer pouco depois em Lunéville e, por isso, Leopoldo enviou o seu filho mais novo, Francisco Estêvão no seu lugar. O príncipe acabaria por se casar com Maria Teresa. Francisco tornou-se imperador da Áustria e os seus descendentes governaram o império até 1918.

Em 1725, Leopoldo tentou casar a sua filha Ana Carlota com o rei Luís XV de França, mas Luís Henrique, Duque de Bourbon, que era primeiro-ministro na altura, impediu a união com uma descendente da casa rival de Orleães. Depois, Isabel Carlota tentou arranjar o casamento da filha com o seu primo, o recém-enviuvado Luís, duque de Orleães, mas ele recusou a ideia. Uma vez que todas as propostas de casamento foram ignoradas ou recusadas, Ana Carlota acabaria por tornar-se abadessa de Remiremont e Essen.

Em Março de 1729, Leopoldo apanhou uma febre depois de uma caminhada no Château de Ménil, perto de Lunéville. Regressou a Lunéville onde acabaria por morrer a 27 de Março, aos quarenta-e-nove anos de idade.

Descendência[editar | editar código-fonte]

  1. Leopoldo, príncipe-herdeiro de Lorena (26 de Agosto de 1699 – 2 de Abril de 1700), nasceu no Palácio Ducal de Lorena e recebeu o nome em honra do pai; morreu aos oito meses de idade.
  2. Isabel Carlota de Lorena (21 de Outubro de 1700 – 4 de Maio de 1711), morreu de varíola aos dez anos de idade.
  3. Luísa Cristina de Lorena (13 de Novembro de 1701 – 18 de Novembro de 1701), morreu com apenas cinco dias de idade.
  4. Maria Gabriela de Lorena (30 de Dezembro de 1702 – 11 de Maio de 1711), morreu de varíola aos nove anos de idade.
  5. Luís, príncipe-herdeiro de Lorena (28 de Janeiro de 1704 – 10 de Maio de 1711), morreu de varíola aos dez anos de idade.
  6. Josefina Gabriela de Lorena (16 de Fevereiro de 1705 – 25 de Março de 1708), morreu de varíola aos três anos de idade.
  7. Gabriela Luísa de Lorena (4 de Março de 1706 – 13 de Junho de 1710), morreu aos quatro anos de idade.
  8. Leopoldo Clemente, príncipe-herdeiro de Lorena (25 de Abril de 1707 – 4 de Junho de 1723), morreu aos dezasseis anos de idade.
  9. Francisco III de Lorena (8 de Dezembro de 1708 – 18 de Agosto de 1765), casado com a imperatriz Maria Teresa da Áustria; com descendência.
  10. Leonor de Lorena (4 de Junho de 1710 – 28 de Julho de 1710), morreu às oito semanas de idade.
  11. Isabel Teresa de Lorena (15 de Outubro de 1711 – 3 de Julho de 1741), casada com o duque Carlos Emanuel III da Sardenha; com descendência.
  12. Carlos Alexandre de Lorena (12 de Dezembro de 1712 – 4 de Julho de 1780), casado com Maria Ana da Áustria, governadora dos Países Baixos; sem descendência.
  13. Ana Carlota de Lorena (17 de Maio de 1714 - 7 de Novembro de 1773), abadessa de Remiremont, Mons e Essen.
  14. Filha Natimorta (28 de Novembro de 1715).

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Leopoldo, Duque de Lorena em três gerações[2]
Leopoldo, Duque de Lorena Pai:
Carlos V, Duque da Lorena
Avô paterno:
Nicolau II, Duque da Lorena
Bisavô paterno:
Francisco II, Duque da Lorena
Bisavó paterna:
Cristina de Salm
Avó paterna:
Cláudia de Lorena
Bisavô paterno:
Henrique II, Duque da Lorena
Bisavó paterna:
Margarida Gonzaga
Mãe:
Leonor da Áustria
Avô materno:
Fernando III de Habsburgo
Bisavô materno:
Fernando II de Habsburgo
Bisavó materna:
Maria Ana da Baviera
Avó materna:
Leonor Gonzaga
Bisavô materno:
Carlos de Gonzaga-Nevers
Bisavó materna:
Maria Gonzaga, duquesa de Montferrat

Referências

  1. The End of the Old Order in Rural Europe, Jerome Blum, page 210
  2. The Peerage, consultado a 13 de Março de 2015.
Commons
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Precedido por
Carlos V
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Duque da Lorena e de Bar

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Sucedido por
Francisco III