Isabel Carlota de Orleães

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Isabel Carlota de Orleães
Retrato por autor desconhecido localizado no Palácio de Versalhes.
Duquesa de Lorena, Bar e Teschen
Reinado 13 de outubro de 1698 - 27 de março de 1729
Antecessor(a) Leonor da Áustria, Rainha da Polónia
Sucessor(a) Catarina Opalińska
 
Leopoldo, Duque de Lorena
Descendência Leopoldo, príncipe-herdeiro de Lorena
Isabel Carlota de Lorena
Luísa Cristina de Lorena
Maria Gabriela de Lorena
Luís, príncipe-herdeiro de Lorena
Josefina Gabriela de Lorena
Gabriela Luísa de Lorena
Leopoldo Clemente, príncipe-herdeiro de Lorena
Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico
Leonor de Lorena
Isabel Teresa de Lorena
Carlos Alexandre de Lorena
Ana Carlota de Lorena
Casa Lorena
Orleães
Nome completo
Élisabeth Charlotte d'Orléans
Nascimento 13 de setembro de 1676
  Castelo de Saint-Cloud, França
Morte 23 de dezembro de 1744 (68 anos)
  Castelo de Commercy, Lorena, França
Enterro Église Saint-François-des-Cordeliers, Nancy, França
Pai Filipe, Duque de Orleães
Mãe Isabel Carlota do Palatinado
Religião Catolicismo
Assinatura Assinatura de Isabel Carlota de Orleães

Isabel Carlota de Orleães (Castelo de Saint-Cloud, 13 de setembro de 1676 - Castelo de Commercy, 23 de dezembro de 1744) foi uma princesa francesa que se tornou duquesa e, mais tarde, regente de Lorena e Bar graças ao seu casamento com o duque Leopoldo. Era também princesa de Commercy suo jure. Entre os seus filhos, destaca-se o sacro-imperador Francisco I, co-fundador da Casa de Habsburgo-Lorena.

Família[editar | editar código-fonte]

Isabel Carlota nasceu no Château de Saint-Cloud, nos arredores de Paris. Era filha de Filipe de França, Duque de Orleães, "Monsieur", e da sua segunda esposa, a princesa Isabel Carlota do Palatinado, Madame, filha do príncipe-eleitor palatino Carlos I Luís. O seu pai era o único irmão do rei Luís XIV de França. Na posição de petite-fille de França, tinha direito a utilizar a forma de tratamento Sua Alteza Real, assim como a uma cadeira de braços na presença do rei.[1] Quando nasceu, recebeu a forma de tratamento honorária de Mademoiselle de Chartres, atribuído a partir de um dos apanágios do seu pai. Após o casamento das suas meias-irmãs mais velhas, Maria Luísa e Ana Maria, nascidas do primeiro casamento do seu pai com a princesa Maria Henriqueta de Inglaterra, Isabel Carlota passou a ser conhecida como Madame Royale, uma vez que era a princesa solteira com a posição mais alta na corte francesa.

Quando era criança, a sua mãe descreveu-a como "muito agitada" e "rude como um rapaz".[2] Para irritação do pai, Isabel Cristina herdou as opiniões sinceras da mãe.

Casamento[editar | editar código-fonte]

O casamento por procuração de Isabel Carlota com o duque de Lorena.

A sua mãe queria que Isabel Cristina se casasse com alguém com o mesmo nível de prestígio que as suas irmãs tinham conseguido. Quando a esposa do seu primo, a Dauphine, sugeriu que a princesa se devia casar com com o seu irmão mais novo, o príncipe José Clemente da Baviera, ela respondeu-lhe: "Madame, não fui feita para me casar com um segundo filho."[3]

Uma vez que a sua mãe desprezava os filhos ilegítimos do rei, as hipóteses de conseguir uma boa aliança eram remotas. No entanto, em 1692, para "horror" da duquesa de Orleães, uma união desadequada ocorreu quando o duque de Chatres se casou com Francisca Maria de Bourbon, uma filha legitimada de Luís XIV e Madame de Montespan.

Inicialmente, a mãe de Isabel queria que ela se casasse com o rei Guilherme III de Inglaterra, viúvo da rainha Maria II de Inglaterra, mas, devido às diferenças religiosas que havia entre eles (Guilherme era protestante e Isabel católica), o casamento nunca chegou a acontecer.

Outro candidato considerado foi o sacro-imperador José I.José era muito bem visto e, se o casamento se tivesse realizado, a união teria sido uma forma de reconciliar os Bourbon com os seus rivais mais antigos, os Habsburgo. Mesmo o seu primo viúvo, o Monseigneur Dauphin de França, foi considerado para o lugar, assim como o seu filho, o príncipe Luís de França, e ainda um outro primo, Luís Augusto de Bourbon, outro filho legitimado do rei Luís XIV e da Madame de Montespan. Esta última sugestão também nunca se chegou a cumprir uma vez que, para grande alívio de Isabel Carlota o seu primo se casou com a Mademoiselle de Charoiais em Maio de 1692.

Isabel Carlota acabaria por se casar a 13 de Outubro de 1698, no Palácio de Fontainebleau, com Leopoldo, duque de Lorena, filho do duque Carlos V de Lorena e da arquiduquesa Leonor Maria Josefa da Áustria.

O casamento aconteceu em resultado do Tratado de Ryswick, sendo que outra das condições foi a restituição do ducado de Lorena, que pertencia a França há vários anos, a Leopoldo José. Assim, Isabel Carlota foi apenas uma peça para cimentar o acordo. A sua mãe afirmou mesmo que Isabel era "uma vitima da guerra".

Duquesa de Lorena[editar | editar código-fonte]

A Casa de Lorena viu este casamento como uma grande união, mas outros membros da realeza eram da opinião de que o duque de Lorena não possuía importância suficiente para se casar com uma petite-fille de França. Apesar disso, a Casa de Lorena recebeu um dote de 900.000 livres. Estas honras, acabaram por provocar inveja a outros membros da família real francesa e, usando como desculpa a morte de um dos filhos do duque de Maine, algumas princesas estiveram presentes na cerimónia de casamento por procuração vestidas de luto.

Após o casamento de Isabel Carlota, a sua sobrinha, a princesa Luísa Adelaide de Orleães, que tinha nascido a 13 de Agosto de 1698, passou a ostentar o título de Mademoiselle de Chartres.

Para a surpresa de muitos, aquela que se esperava ser uma união infeliz, acabaria por se tornar num casamento de amor e felicidade. Com o nascimento dos seus filhos, Isabel Carlota mostrou possuir um excelente instinto maternal e uma personalidade naturalmente cuidadora.

Deste casamento nasceram treze filhos, dos quais cinco chegaram à idade adulta. Três deles morreram na mesma semana em Maio de 1711, devido a um surto de varíola que atingiu o Château de Lunéville, a residência de campo do duque de Lorena.

No entanto, após dez anos de casamento, o duque de Lorena arranjou uma amante: Anne-Marguerite de Lignéville, princesa de Beauvau-Craon. Isabel Carlota sentiu-se humilhada, mas seguiu os conselhos da mãe e manteve-se em silêncio, continuando a partilhar o Château de Lunéville com o marido e a amante dele. Quando o romance extraconjugal do marido terminou, o casal teve ainda mais cinco filhos, um dos quais, Francisco, seria mais tarde duque de Lorena e pai da famosa rainha Maria Antonieta de França.

Em Junho de 1701, o pai de Isabel morreu após uma discussão acesa com o rei Luís XIV em Versalhes sobre o duque de Chartres.[4] Assim, o seu irmão tornou-se o novo duque de Orleães e chefe da Casa de Orleães. A sua mãe ficou à mercê de Luís XIV que a proibia de fazer visitas ao estrangeiro. Assim, Isabel Carlota apenas podia visitar a mãe quando ia a Versalhes. Apesar disso, as duas continuaram a encontrar-se e mantinham-se em contacto por carta. A correspondência trocada entre as duas foi tragicamente destruída num incêndio no Château de Lunéville em 1719.

Quando Luís XIV morreu em 1715, o irmão mais velho de Isabel Carlota tornou-se regente de França em nome do futuro rei Luís XV, na altura com cinco anos de idade. Em 1718, durante uma curta visita à corte de Paris, a sua sobrinha, a duquesa-viúva de Berry, organizou uma grande festa em sua honra no Palais du Luxembourg que foi considerada como um dos eventos mais luxuosos dessa temporada.

Quando deixaram França, o seu marido recebeu a forma de tratamento de Alteza Real, dada a príncipes estrangeiros uma vez que, na corte de França, a Casa de Lorena era considerada estrangeira.

Luís XV foi coroado rei de França na Catedral de Reims, a 25 de Outubro de 1722. Foi esta a única ocasião em que a filha mais nova de Isabel Carlota, Ana Carlota, viu a sua avó que acabaria por morrer algumas semanas depos, a 8 de Dezembro. O irmão de Isabel morreu um ano depois da mãe, a 2 de Dezembro de 1723.

Regente de Lorena[editar | editar código-fonte]

O marido de Isabel Carlota morreu em 1729, deixando-a como regente de Lorena em nome do filho de ambos, o príncipe Francisco Estêvão de Lorena. Depois de ser educado em Viena, Francisco Estêvão regressou á sua terra natal em 1737, terminando assim o período de regência da sua mãe.

Isabel Carlota tentou casar a sua filha mais nova, Ana Carlota, com o rei Luís XV de França, mas este projecto acabaria por falhar devido às intrigas do duque de Bourbon. Depois, tentou arranjar o casamento da filha com o seu primo direito, o príncipe Luís, duque de Orleães, que tinha ficado viúvo recentemente. Luís recusou a proposta.

Princesa de Commercy[editar | editar código-fonte]

Isabel Carlota nos seus últimos anos de vida.

Isabel Carlota não conseguiu convencer o filho a não ceder o ducado de Lorena ao rei Estanislau I da Polónia quando ele se casou com a herdeira dos Habsburgo, Maria Teresa da Áustria. Após a cedência do território, a antiga duquesa mudou-se para o Château d'Haroué, em Commercy, um território que foi transformado num pequeno principado para que ela pudesse desfrutar os seus últimos anos de vida.

Em 1737, a sua filha Isabel Teresa casou-se com o duque Carlos Emanuel III da Sardenha. Elisabetta Teresa, como era conhecida em Itália, morreu devido a complicações durante o parto do seu filho, Benedito, duque de Chablais.

A 7 de Janeiro de 1744, o seu filho mais novo, o príncipe Carlos Alexandre de Lorena, casou-se "por amor" com a arquiduquesa Maria Ana da Áustria que morreu devido a complicações durante um parto a 16 de Dezembro de 1744.

Isabel Carlota morreu de apoplexia a 23 de Dezembro de 1744, uma semana depois da morte da sua nora e do neto. Tinha sessenta-e-oito anos de idade e foi a última dos seus irmãos a morrer, tendo vivido mais do que todos os treze filhos do príncipe Filipe, duque de Orleães. Nove meses após a sua morte, o seu filho Francisco tornou-se sacro-imperador da Áustria.

Encontra-se enterrada na capela funerária dos duques de Lorena na igreja Saint-François-des-Cordeliers, em Nancy.

Legado[editar | editar código-fonte]

Isabel Carlota autorizou a construção de um hospital na cidade de Bruyères.

Em 1730, ofereceu à igreja de Mattaincourt um altar em talha dourada para expor a relíquias de Pierre Fourier, o antigo pároco da igreja que tinha sido beatificado a 29 de Janeiro de 1730. A basílica mais moderna de Saint-Pierre-Fournier foi construída no local da antiga igreja em 1853.

Em 1696, o escritor francês Charles Perrault dedicou a Isabel Carlota, que tinha dezanove anos na altura, o livro "Contes de ma mère l'Oye" (Mãe Gansa)

Descendência[editar | editar código-fonte]

  1. Leopoldo, príncipe-herdeiro de Lorena (26 de Agosto de 1699 – 2 de Abril de 1700), nasceu no Palácio Ducal de Lorena e recebeu o nome em honra do pai; morreu aos oito meses de idade.
  2. Isabel Carlota de Lorena (21 de Outubro de 1700 – 4 de Maio de 1711), morreu de varíola aos dez anos de idade.
  3. Luísa Cristina de Lorena (13 de Novembro de 1701 – 18 de Novembro de 1701), morreu com apenas cinco dias de idade.
  4. Maria Gabriela de Lorena (30 de Dezembro de 1702 – 11 de Maio de 1711), morreu de varíola aos nove anos de idade.
  5. Luís, príncipe-herdeiro de Lorena (28 de Janeiro de 1704 – 10 de Maio de 1711), morreu de varíola aos sete anos de idade.
  6. Josefina Gabriela de Lorena (16 de Fevereiro de 1705 – 25 de Março de 1708), morreu de varíola aos três anos de idade.
  7. Gabriela Luísa de Lorena (4 de Março de 1706 – 13 de Junho de 1710), morreu aos quatro anos de idade.
  8. Leopoldo Clemente, príncipe-herdeiro de Lorena (25 de Abril de 1707 – 4 de Junho de 1723), morreu aos dezasseis anos de idade.
  9. Francisco III de Lorena (8 de Dezembro de 1708 – 18 de Agosto de 1765), casado com a imperatriz Maria Teresa da Áustria; com descendência.
  10. Leonor de Lorena (4 de Junho de 1710 – 28 de Julho de 1710), morreu às oito semanas de idade.
  11. Isabel Teresa de Lorena (15 de Outubro de 1711 – 3 de Julho de 1741), casada com o duque Carlos Emanuel III da Sardenha; com descendência.
  12. Carlos Alexandre de Lorena (12 de Dezembro de 1712 – 4 de Julho de 1780), casado com Maria Ana da Áustria, governadora dos Países Baixos; sem descendência.
  13. Ana Carlota de Lorena (17 de Maio de 1714 - 7 de Novembro de 1773), abadessa de Remiremont, Mons e Essen.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Isabel Carlota de Orleães em três gerações[5]
Isabel Carlota de Orleães Pai:
Filipe de França, Duque de Orleães
Avô paterno:
Luís XIII de França
Bisavô paterno:
Henrique IV de França
Bisavó paterna:
Maria de Médici
Avó paterna:
Ana de Áustria, rainha de França
Bisavô paterno:
Filipe III de Espanha
Bisavó paterna:
Margarida de Áustria, Rainha de Portugal e Espanha
Mãe:
Isabel Carlota do Palatinado
Avô materno:
Carlos I Luís, Eleitor Palatino
Bisavô materno:
Frederico V, Eleitor Palatino
Bisavó materna:
Isabel da Boémia
Avó materna:
Carlota de Hesse-Cassel
Bisavô materno:
Guilherme V de Hesse-Cassel
Bisavó materna:
Amália Isabel de Hanau-Münzenberg


Precedida por:
Leonor de Áustria
Coat of Arms of Élisabeth Charlotte d'Orléans.svg
Duquesa de Lorena, Bar e Teschen

13 de outubro de 1698 - 27 de março de 1729
Sucedida por:
Maria Teresa da Áustria
Precedida por:
Maria Ana de Orleães
Mademoiselle de Chartres
1676 - 1698
Sucedida por:
Luísa Adelaide de Orleães
Precedida por:
Novo título
Princesa de Commercy
1637 - 1744
Sucedida por:
Estanislau I da Polônia

Referências

  1. Barker, Nancy Nichols (1998). Brother to the Sun King: Philippe, Duke of Orleans. [S.l.: s.n.] p. 1. ISBN 0801861640 
  2. Fraser, Antonia (2007). Love and Louis XIV: The Women in the Life of the Sun King. [S.l.: s.n.] ISBN 1400033748 
  3. Wikipedia (19 de Julho de 2010). «Élisabeth-Charlotte d'Orléans». Consultado em 18 de Março de 2015. 
  4. Claude, Dufresne (1991). Les Orléans. [S.l.]: Criterion. p. 85. ISBN 2903702578 
  5. The Peerage, consultado a 13 de Março de 2015.
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