Reino da Prússia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Königreich Preußen
Reino da Prússia
1701 – 1918 Flag of Prussia (1918–1933).svg
Flag Brasão
Bandeira Real brasão de armas
Hino nacional
Preußenlied
Localização de Prússia
O Reino da Prússia em 1871
Continente Europa
Região Europa Central
País Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Lituânia, Polônia, República Tcheca e Rússia
Capital Berlim
Língua oficial Alemão
Outros idiomas Baixo-alemão, polonês, dinamarquês, lituano, frísio, baixo sorábio e cassubiano
Religião Luteranismo e catolicismo
Governo Monarquia
Rei
 • 1701–1713 Frederico I
 • 1713–1740 Frederico Guilherme I
 • 1740–1786 Frederico II
 • 1786–1797 Frederico Guilherme II
 • 1797–1840 Frederico Guilherme III
 • 1840–1861 Frederico Guilherme IV
 • 1861–1888 Guilherme I
 • 1888 Frederico III
 • 1888–1918 Guilherme II
Primeiro-Ministro
 • 1848 (primeiro) Adolf Heinrich
 • 1918 (último) Maximiliano de Baden
Legislatura Preußischer Landtag
 - Câmara superior Câmara dos Lordes
 - Câmara inferior Câmara dos Representantes
Período histórico Neoimperialismo
 • 1701 Coroação de Frederico I
 • 1806 Batalha de Jena-Auerstedt
 • 1815 Congresso de Viena
 • 1848 Constituição
 • 1871 Unificação Alemã
 • 1918 Abdicação de Guilherme II
 • 1919 Tratado de Versalhes
Área
 • 1910 348 779 km2
População
 • 1816 est. 10 349 031 
 • 1871 est. 24 689 000 
 • 1910 est. 34 472 509 
Moeda Reichsthaler (1701–1750)
Táler (1750–1857)
Vereinsthaler (1857–1873)
Goldmark (1873–1914)
Papiermark (1914–1918)
Precedido por
Sucedido por
Banner of the Holy Roman Emperor (after 1400).svg Sacro Império Romano-Germânico
Flag of Brandenburg (1660–1750).svg Brandemburgo-Prússia
Gdansk flag.svg Cidade Livre de Danzig
Naval Ensign of Sweden.svg Pomerânia sueca
Flag of Hesse.svg Eleitorado de Hesse
Flagge der Freien Stadt Frankfurt.png Cidade Livre de Frankfurt
Flagge Herzogtum Nassau (1806-1866).svg Ducado de Nassau
Flag of Hanover 1837-1866.svg Reino de Hanôver
Merchant Ensign of Holstein-Gottorp (Lions sinister).svg Ducado de Holsácia
Flag of Denmark.svg Ducado de Eslésvico
Flag of Lauenburg.svg Saxe-Lauemburgo
Estado Livre da Prússia Flag of Prussia (1918–1933).svg

O Reino da Prússia (em alemão: Königreich Preußen) foi um reino alemão de 1701 a 1918 e, a partir de 1871, o principal Estado-membro do Império Alemão, compreendendo quase dois terços da área do império. Seu nome originou-se do território do Ducado da Prússia, embora sua base de poder tenha sido Marca de Brandemburgo. Foi centrado na região histórica da Prússia. Os reis da Prússia foram todos da Casa de Hohenzollern que governava anteriormente com sucesso a Marca de Brandenburgo e posteriormente englobaram a Prússia mais a leste, formando Brandemburgo-Prússia sob Frederico Guilherme, o "grande eleitor".

Com sua capital em Berlim desde de 1451, os Hohenzollern como eleitores de Brandemburgo, levaram o Reino da Prússia a um papel de liderança na história da Alemanha. Em 1871, sob a liderança do chanceler Otto von Bismarck os estados alemães se uniram na criação do Império Alemão. Em novembro de 1918, com o fim da Primeira Guerra Mundial, as monarquias foram abolidas e a nobreza perdeu seu poder político. A Prússia, como unidade política, foi efetivamente abolida em 1932, durante o regime nazista e oficialmente em 1947.[1]

O nome Prússia deriva dos prussianos. No século XIII, os cruzados alemães, os Cavaleiros Teutônicos, conquistaram os "prussianos". Em 1308, os Cavaleiros Teutônicos conquistaram a região anteriormente polonesa de Pomerélia com Gdańsk (Danzig). Seu estado monástico foi principalmente germanizado pela imigração da Alemanha central e ocidental e do sul, e foi polonizado por colonos de Mazóvia. A Segunda Paz de Toruń (1466) dividiu a Prússia para o oeste Prússia Real, uma província da Polônia, e a parte oriental, a partir de 1525 chamada de Ducado da Prússia, um feudo da Coroa da Polônia até 1657. A união de Brandemburgo e o Ducado da Prússia em 1618 que levou à proclamação do Reino da Prússia em 1701.

A Prússia entrou no ranking das grandes potências, logo depois de se tornar um reino,[2] [3] [4] [5] e exerceu maior influência nos séculos XVIII e XIX. Durante o século XVIII, tinha uma grande influência em muitos assuntos internacionais sob o reinado de Frederico, o Grande. Durante o século XIX, o chanceler Otto von Bismarck uniu os principados alemães em uma "Alemanha Menor" que excluía o Império Austríaco.

No Congresso de Viena (1814–1815), que redesenhou o mapa da Europa após a derrota de Napoleão, a Prússia adquiriu uma grande parte do noroeste da Alemanha, incluindo Ruhr rica em carvão. O país então cresceu rapidamente na influência econômica e política, e tornou-se o núcleo da Confederação da Alemanha do Norte em 1867, e depois do Império Alemão em 1871. O Reino da Prússia era agora tão grande e tão dominante na nova Alemanha que os junkers e outras elites prussianas eram cada vez mais identificadas como alemães e cada vez menos como prussianos. O reino foi dissolvido em 1918. Na República de Veimar, o estado da Prússia perdeu quase toda a sua importância jurídica e política em 1932. As velhas elites prussianas desempenharam um papel passivo no regime nazista; Prússia foi legalmente abolida em 1940. A Prússia Oriental perdeu toda a sua população alemã depois de 1945, quando a Polônia e a União Soviética anexaram seu território. O termo "prussiano" tem sido frequentemente utilizado, especialmente fora da Alemanha, para enfatizar o profissionalismo, agressividade, militarismo e o conservadorismo da classe junker de aristocratas que desembarcaram no Oriente, que dominaram primeiro a Prússia e depois o Império Alemão antes de 1918.

Símbolos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Brasão de armas da Prússia

O principal brasão de armas da Prússia, bem como a bandeira da Prússia, que descreve a águia-preta sobre um fundo branco.

As cores nacionais em preto e branco já eram utilizadas pelos Cavaleiros Teutônicos e pela dinastia Hohenzollern. A Ordem Teutônica usava um casaco branco bordado com uma cruz preta com a inserção em ouro e a águia-preta imperial. A combinação das cores preto e branco com as cores branco e vermelho da Liga Hanseática das cidades livres Brema, Hamburgo e Lubeque, bem como Brandemburgo, resultou na bandeira comercial preto-branco-vermelho da Confederação da Alemanha do Norte, que se tornou o bandeira do Império Alemão em 1871.

Suum cuique ("A cada um, o seu próprio"), o lema da Ordem da Águia Negra criado pelo rei Frederico I, em 1701, foi muitas vezes associado com toda a Prússia. A Cruz de Ferro, uma condecoração militar criado pelo rei Frederico Guilherme III em 1813, foi também comumente associado com o país. A região, originalmente povoada pelos antigos bálticos prussianos que foram cristianizados, tornou-se um local privilegiado para a imigração de alemães (mais tarde, principalmente protestantes) (ver Ostsiedlung), bem como polacos e lituanos ao longo das regiões fronteiriças.

Território[editar | editar código-fonte]

Antes de sua abolição, o território do Reino da Prússia incluía as províncias da Prússia Ocidental; Prússia Oriental; Brandemburgo; Saxônia; (incluindo grande parte do atual estado da Saxônia-Anhalt e partes do estado da Turíngia, da Alemanha); Pomerânia; Reno; Vestfália; Silésia (sem Silésia Checa); Lusácia; Eslésvico-Holsácia; Hanôver; Hesse-Nassau; e uma pequena área isolada no sul chamada de Hohenzollern, a casa dos ancestrais da família real da Prússia.

A terra que os Cavaleiros Teutônicos ocupavam era plana e coberta com um solo rico. O terreno foi perfeitamente adequado para plantações em grande escala de trigo.[6] A ascensão da Prússia no início foi baseada no cultivo e venda de trigo. A Prússia teutônica tornou-se conhecida como o "celeiro da Europa Ocidental" (em alemão, Kornkammer, ou celeiro). As cidades portuárias de Stettin (Estetino) na Pomerânia, Danzig (Gdańsk), na Prússia, Riga na Letônia, Conisberga (Caliningrado) e Memel (atual Klaipėda) cresceram devido à produção de trigo. A produção de trigo e o comércio trouxeram a Prússia para estreita relações com a Liga Hanseática, a partir de 1356 (fundação oficial da Liga Hanseática) até que o declínio da Liga aproximadamente em 1500.

A expansão da Prússia com base na sua ligação com a Liga Hanseática desligou tanto a Polônia como a Lituânia e do comércio exterior a partir da costa do mar Báltico.[7] Isso significava que a Polônia e a Lituânia seriam inimigos tradicionais da Prússia que ainda era chamada de "Cavaleiros Teutônicos".[8]

Demografia[editar | editar código-fonte]

População[editar | editar código-fonte]

Em 1871, a população do Reino da Prússia era de 24 690 000 habitantes, representando 60% da população do Império Alemão.[9] Em 1910, a população tinha aumentado para 40 170 000 (62% da população de todo o império).[9] Em 1914, o reino tinha uma área de 354 490 km². Em maio de 1939, a o reino tinha uma área de 297 007 km² e uma população de 41 915 040 habitantes. O Principado de Neuemburgo, que agora é o cantão de Neuchâtel, na Suíça, foi uma parte do Reino da Prússia de 1707 a 1848.

População não-alemã[editar | editar código-fonte]

Em 1649, o assentamento dos Kursenieki ao longo da costa báltica da Prússia Oriental se estendeu de Memel (atual Klaipėda) para Dantzig (Gdańsk)

Em 1871, aproximadamente 2.4 milhões de poloneses viviam na Prússia, constituindo a maior minoria.[9] Outras minorias eram judeus, dinamarqueses, frísios, cassubianos (72.500 em 1905), Mazures (248 000 em 1905), lituanos (101.500 em 1905), valões, tchecos e sorábios.[9]

A área da Grande Polônia, onde a nação polonesa tinha se originado, tornou-se a província de Posnânia após as partições da Polônia. Poloneses nesta província polonesa eram maioria (62% polaco, 38% alemão) que resistiram ao domínio alemão. Além disso, a parte sudeste da Silésia (Alta Silésia) tinha uma maioria polaca. Mas os católicos, poloneses étnicos e outros eslavos e judeus não tinham o mesmo estatuto que os protestantes.[10]

Religião[editar | editar código-fonte]

A constituição do Reino da Prússia, de 1850, permitiu a liberdade de consciência, a liberdade de adoração pública e privada e a liberdade de associação religiosa. Estabelecia que todas as igrejas e religiões deveriam ser administradas independentemente do estado e privadamente e que nenhuma parte do governo poderia afetar a Igreja. A constituição também estabelecia que todas as crianças deveriam ser ensinadas na religião de seu próprio povo e não por outros. [11] [12]

Uma ruptura da religião do reino ocorreu, de acordo com um censo no início ou meio dos anos 1800. Por volta dos anos 1830 havia uma divisão de seis religiões em um base pesquisada de um milhão de pessoas. De acordo com esse senso, havia 609 427 protestantes praticantes, 376 177,1 católicos romanos, 13 348,8 judeus, 925,1 menonitas 121,4 ortodoxos gregos e 0,6 muçulmanos.[13]

Embora dominado por protestantes luteranos (junto com alguns calvinistas), no território do reino havia milhões de católicos no oeste e na Polônia. Havia numerosos católicos na Renânia e partes de Vestfália. Adicionalmente, a Prússia Ocidental, Vármia, Silésia e a província de Posnânia tinham populações católicas de língua polonesa. A região sul da Masúria, na Prússia Oriental era composta majoritariamente de masures protestantes germanizados.

História[editar | editar código-fonte]

A Grande Guerra do Norte: 1700–1721[editar | editar código-fonte]

A Grande Guerra do Norte foi o primeiro grande conflito em que o novo Reino da Prússia esteve envolvido.

Começando em 1700, a Grande Guerra do Norte envolveu uma coalização liderada pelo Império Russo contra o poder europeu dominante na época o Império Sueco. Frederico Guilherme I em 1705 tentou fazer o Reino da Prússia envolver-se na guerra, dizendo que é melhor a Prússia ter seu próprio exército e tomar suas próprias decisões."[14]

Porém suas visões não foram consideradas aceitáveis pelos poderoros da época. Frederico só obteve plenos poderes reais a partir de 1713.[14]

Então em 1715, a Prússia, liderada por Frederico Guilherme, juntou-se à coalizão por várias razões,[14] incluindo o perigo de ser atacado tanto por mar quanto por terra, inclusive suas reivindicações sobre a Pomerânia e o fato de que se ficasse de fora e a Suécia perdesse ele não ganharia território algum.[15] [14]

A Prússia mudou o rumo da guerra: seus exércitos ajudaram a derrotar o exército da Suécia e posteriormente forçaram o Império Sueco a render-se. Foi a rendição sueca que levou ao Tratado de Estocolmo, no qual o Reino da Prússia expandiu seu território obtendo o território previamente sueco da Pomerânia.

A grande Guerra do Norte foi marcada não apenas pelo fim do Império Sueco, mas elevou o Reino da Prússia e o Império Russo como novos poderes na Europa.[16]

1701: O crescimento de Brandemburgo[editar | editar código-fonte]

Frederico Guilherme, o "Grande Eleitor" de Brandemburgo-Prússia, morreu em 1688. Suas propriedades passaram para seu filho Frederico III (1688–1701) que tornou-se o rei Frederico I da Prússia (r. 1701–1713). Com a exceção do Ducado da Prússia, todas as terras de Brandemburgo faziam parte do Sacro Império Romano-Germânico, nessa época sob o governo hereditário da Casa de Habsburgo. Uma vez que havia apenas um Rei dos Germanos no Império, Frederico obteve o consentimento do imperador Leopoldo I (em troca da aliança contra a França na Guerra da Sucessão Espanhola) para sua adoção (janeiro de 1701) do título de "Rei na Prússia" com base nos seus territórios não imperiais. O título tornou-se de aceitação geral com o Tratado de Utreque (1713).

1701-1740: O jovem Reino[editar | editar código-fonte]

O novo Reino da Prússia era muito pobre – ainda não havia totalmente se recuperado da devastação da Guerra dos Trinta Anos – e seu território abrangia mais de 1 200 km, que ia desde as terras do Ducado da Prússia, na costa sudeste do Mar Báltico, passava pela área central dos Hohenzollern em Brandemburgo, e atingia os exclaves de Cleves, Mark e Ravensberg na Renânia. Em 1708, aproximadamente um terço da população do Ducado da Prússia foi vitimado pela peste bubônica. A peste atingiu Prenzlau em agosto de 1710, mas desapareceu antes de chegar à capital Berlim, que situava-se a apenas 80 km dali.

A derrota dos suecos imposta pela Rússia, Saxônia, Polônia, Dinamarca-Noruega, Hanôver e Prússia na Grande Guerra do Norte (1700–1721) marcou o fim do domínio sueco no litoral sul do Mar Báltico. No prusso-sueco Tratado de Estocolmo (janeiro de 1720), a Prússia ficou com a parte sul da Pomerânia sueca, incluindo Estetino (Szczecin). Os Hohenzollern de Brandemburgo obtiveram a reversão do Ducado da Pomerânia desde 1472, e também haviam criado uma província na Pomerânia posterior após a Paz de Vestfália.

Durante este período, desenvolveram-se abertamente os junkers (aristocracia latifundiária) que depois constitui o corpo dirigente do exército prussiano, encorajados pelo rei Frederico Guilherme I que fez de seu estado uma grande potência militar. O reino foi de fato o primeiro estado da era moderna a adotar o serviço militar obrigatório, desde o início do século XVIII.[17]

1740-1760: As guerras da Silésia[editar | editar código-fonte]

Mesa-redonda: o rei Frederico II (centro) em Sanssouci com Voltaire (esquerda) e os principais cientistas da Academia de Ciências de Berlim, em 1850.
Adolph Menzel, 1850

Em 1740, o rei Frederico II (Frederico, o Grande) chegou ao trono. Utilizando-se de um pretenso tratado de 1537 (vetado pelo imperador Fernando I) pelo qual partes da Silésia passariam a Brandemburgo após a extinção da dinastia Piast, Frederico invadiu a Silésia, dando início à Guerra de Sucessão Austríaca. Após a rápida ocupação da Silésia, Frederico ofereceu proteção à arquiduquesa Maria Teresa da Áustria caso a província retornasse a ele. A oferta foi rejeitada, mas a Áustria encontrou diversos outros oponentes e Frederico foi bastante hábil para conseguir a cessão formal com o Tratado de Berlim em 1742.

Para a surpresa de muitos, a Áustria conseguiu reverter a vantagem da Prússia na guerra. Em 1744, Frederico novamente invadiu áreas do Império para evitar represálias e reivindicar, desta vez, a província da Boêmia. Ele não obteve sucesso, mas a pressão francesa sobre o aliado da Áustria, a Grã-Bretanha levou a uma série de tratados e acordos, culminando em 1748 com o Tratado de Aquisgrão, que restaurou a paz e concedeu à Prússia a maior parte do território da Silésia.

Humilhada pela cessão da Silésia, a Áustria buscou uma aliança segura com a França e a Rússia ("a Revolução Diplomática"), enquanto que a Prússia buscou uma aproximação com a Grã-Bretanha. Quando Frederico invadiu a Saxônia e a Boêmia em apenas poucos meses de 1756-1757, ele deu início à Guerra dos Sete Anos, que é também conhecida como a primeira guerra mundial, uma vez que foi travada em três continentes (colônias francesas e britânicas).

Esta guerra foi uma luta desesperada para o Exército prussiano e a forma como ele a conduziu causou na Europa um respeito pelas habilidades dos militares de Frederico. Enfrentando simultaneamente a Áustria, Rússia, França e Suécia e tendo apenas como aliados Hanôver (e a Bretanha não continental), Frederico conseguiu evitar importantes invasões até outubro de 1760, quando o exército russo ocupou por um curto período de tempo Berlim e Conisberga. Porém, a situação ficou progressivamente mais severa, principalmente até a morte da imperatriz Isabel da Rússia (o Milagre da Casa de Brandemburgo). A ascensão do simpatizante das causas prussianas, Pedro III no trono russo aliviou a pressão na frente oriental. A Suécia também encerrou a guerra nessa mesma ocasião.

Derrotando o exército austríaco na Batalha de Burkersdorf e confiando no continuado sucesso britânico contra a França no palco da guerra colonial, a Prússia foi finalmente capaz de forçar um status quo ante bellum no continente. Este resultado confirmou o papel principal da Prússia dentro dos Estados alemães e firmou o país definitivamente como grande potência europeia. Frederico, intimidado pelas últimas derrotas da Prússia, viveu seus últimos dias mais como um governante pacífico.

1772, 1793, 1795: Partições da Polônia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Partições da Polônia

Para o leste e sul da Prússia, a República das Duas Nações havia gradativamente enfraquecido ao longo do século XVIII. Preocupado pela crescente influência russa nos assuntos poloneses e por uma possível expansão do Império Russo, Frederico participou da primeira partição da Polônia entre a Rússia, Prússia e Áustria em 1772 a fim de manter o equilíbrio de poder. O Reino da Prússia anexou a maioria das províncias polonesas da Prússia Real, inclusive a Vármia; as terras anexadas foram organizadas no ano seguinte como Província da Prússia Ocidental. O novo território ligava-se à Prússia Oriental (o território anteriormente conhecido por Ducado da Prússia) com a província da Pomerânia, unindo os territórios orientais do reino.

Após a morte Frederico em 1786, seu sobrinho Frederico Guilherme II deu continuidade às partições, ganhando uma grande parte da Polônia ocidental em 1793.

Em 1795, o Reino da Polônia deixou de existir e uma grande área (incluindo Varsóvia) ao sul da Prússia Oriental passou a fazer parte da Prússia. Esses novos territórios foram organizados em províncias da Nova Silésia, Prússia Meridional e Nova Prússia Oriental.

1806-1815: Guerras Napoleônicas[editar | editar código-fonte]

Wappen Mark Brandenburg.png
Wappen Preußen.png

História de Brandemburgo e da Prússia
Marca do Norte
pré-século XII
Prussianos
pré-século XIII
Marca de
Brandemburgo

1157–1618 (1806)
Ordem Teutônica
1224–1525
Ducado da Prússia
1525–1618
Prússia Real (polonesa)
1466–1772
Brandemburgo-Prússia
1618–1701
Reino na Prússia
1701–1772
Reino da Prússia
1772–1918
Estado Livre da Prússia
1918–1947
Região de Klaipėda
(Lituânia)
1920–1939 / 1945–presente
Brandemburgo
(Alemanha)
1947–1952 / 1990–presente
Territórios Recuperados
(Polônia)
1918/1945–presente
Oblast de Kaliningrado
(Rússia)
1945–presente
Ver artigo principal: Guerras Napoleônicas

Em 1806, o Sacro Império Romano-Germânico foi abolido como resultado das vitórias de Napoleão Bonaparte sobre a Áustria. O título de Kurfürst (Príncipe-eleitor) de Brandemburgo tornou-se sem sentido e foi suprimido. Antes disso, o soberano Hohenzollern havia assegurado muitos títulos, desde o de Chefe da Igreja Evangélica até o de Rei, Eleitor, Grão-duque, Duque de várias regiões e reinos sob o seu governo. Depois de 1806, ele simplesmente era o Rei da Prússia.

Como conseqüência da derrota prussiana na Batalha de Jena-Auerstedt em 1806, o rei Frederico Guilherme III foi forçado a temporariamente fugir para Memel. Depois dos Tratados de Tilsit em 1807, a Prússia perdeu quase a metade de seu território, inclusive as terras conseguidas nas Segunda e Terceira Partições da Polônia (que agora pertenciam ao Ducado de Varsóvia) e todas as terras a oeste do rio Elba. O que restou do reino foi ocupado pelas tropas francesas (com todas as despesas com a sua manutenção sendo pagas pela Prússia) e o rei foi obrigado a fazer uma aliança com a França e aderir ao Bloqueio Continental.

Napoleão em Berlim: após derrotar as forças prussianas na Batalha de Jena, o exército francês entra em Berlim, em 27 de outubro de 1806.
Charles Meynier, 1810, no Palácio de Versalhes

Depois da derrota de Napoleão na Rússia, a Prússia desobrigou-se da aliança e participou da Sexta Coalizão durante as "Guerras de Libertação" (Befreiungskriege) contra a ocupação francesa. As tropas prussianas sob o comando do marechal Gebhard Leberecht von Blücher contribuiu de forma crucial na Batalha de Waterloo de 1815, para a vitória final sobre Napoleão.

1815: A Prússia depois de Napoleão[editar | editar código-fonte]

A recompensa da Prússia por sua participação na derrota da França veio com o Congresso de Viena, onde a Prússia recuperou a maior parte de seus territórios perdidos e ainda ganhou 40% do Reino da Saxônia e a maior parte da Renânia. Muitos dos territórios anexados na Terceira Partição da Polônia foram entregues ao Congresso da Polônia sob o governo russo.

Com estes ganhos prussianos em território, o reino foi reorganizado em dez províncias. A maior parte do reino, fora as províncias da Prússia Oriental, Prússia Ocidental e Posnânia, tornou-se parte da nova Confederação Germânica, que substituiu o extinto Sacro Império Romano-Germânico.

Como conseqüência das Revoluções de 1848, os principados de Hohenzollern-Sigmaringen e Hohenzollern-Hechingen (governados pelos ramos mais recentes da Casa de Hohenzollern) foram anexados pela Prússia em 1850.

1848-1871: As guerras germânicas de unificação[editar | editar código-fonte]

Soldados prussianos avançando durante a batalha de Hohenfriedberg (1745).

Durante meio século logo após o Congresso de Viena, havia um conflito de ideais dentro da Confederação Germânica entre a formação de uma única nação alemã e a conservação da atual união de pequenos Estados e reinos alemães. A criação da União de Alfândegas Germânicas (Zollverein) em 1834, que excluía o Império Austríaco, aumentou a influência prussiana sobre os Estados-membros. Como consequência das Revoluções de 1848, foi oferecida ao rei Frederico Guilherme IV, pelo Parlamento de Frankfurt, a coroa de uma Alemanha unificada. Frederico Guilherme recusou a oferta alegando que as assembleias revolucionárias não podiam conceder títulos reais. Mas havia duas outras razões para ele a ter recusado: isso não era o suficiente para terminar com a luta interna de poder entre a Áustria e a Prússia e todos os reis prussianos (até aquele momento, incluindo Guilherme I) temiam que a formação de um Império Alemão significasse o fim da independência da Prússia dentre os Estados alemães.

Em 1848, as ações feitas pela Dinamarca contra os ducados de Eslésvico e Holsácia levaram à Primeira Guerra de Eslésvico (1848–1851) entre a Dinamarca e a Confederação Germânica. A Dinamarca foi derrotada, mas a Prússia foi embaraçosamente forçada a consentir que a Dinamarca ficasse com os dois ducados.

Expansão da Prússia 1807-1871.

Frederico Guilherme IV editou a primeira constituição da Prússia por sua própria autoridade, em 1850. Ela foi imposta ao parlamento. Este documento (moderado para os padrões da época, mas conservador para os atuais) estipulava um parlamento bicameral. A Câmara baixa (após 1855: Abgeordnetenhaus) era eleita por todos aqueles que pagavam impostos, que eram divididos em três classes, cujos votos tinham maior peso de acordo com o montante de impostos pagos. As mulheres e aqueles que não pagavam impostos não tinham direito ao voto. Isto permitiu que um pouco mais de um terço do total de eleitores escolhesse 85% dos legisladores, garantindo com isso, uma posição dominante em relação aos menos abastados da população. A Câmara alta (após 1855: Herrenhaus) era indicada pelo rei. Ele detinha total autoridade executiva e os ministros deviam satisfação apenas a ele (a ponto de próximo a 1910, os reis prussianos acreditarem que governavam por vontade de Deus). Como consequência, o poder dos proprietários de terras, os junkers, permaneceu inalterado, especialmente nas províncias orientais.

Frederico Guilherme IV sofreu um esgotamento nervoso em 1857, e seu irmão mais novo, o príncipe-herdeiro Guilherme, tornou-se o regente. Guilherme seguiu um rumo consideravelmente mais moderador, e conseguiu mais poder após a morte de Frederico Guilherme em 1861. Tornou-se rei por direto próprio como Guilherme I. Porém, logo após subir ao trono, viu-se em disputa com seu parlamento com relação ao tamanho do Exército prussiano. O parlamento, dominado pelos liberais, obstruiu o desejo de Guilherme de aumentar o número de regimentos e reteve a aprovação do orçamento para pagar por seus custos. Uma vez o impasse instalado, Guilherme considerou seriamente abdicar. Ele foi, no entanto, convencido a nomear como primeiro-ministro Otto von Bismarck, seu embaixador na França. Bismarck assumiu o cargo em 23 de setembro de 1862.

A coroa do Rei da Prússia
Coleção do Castelo de Hohenzollern

Embora Bismarck tivesse a reputação de ser um conservador inflexível, ele estava inicialmente inclinado a buscar uma solução para a questão orçamentária. Porém, Guilherme estava pessimista com esta ideia. Forçado para uma política de confrontação, Bismarck veio com uma nova teoria. Nos termos da Constituição, o rei e o parlamento eram responsáveis pelo orçamento. Bismarck alegou que, uma vez que eles não tinham chegado a um acordo, havia um "furo" na Constituição, e o governo precisava continuar a arrecadar os impostos e desembolsar fundos em conformidade com o antigo orçamento, a fim de manter o Estado funcionando. O governo, assim, funcionou sem um novo orçamento de 1862 a 1866, permitindo a Bismarck implementar as reformas militares de Guilherme.

Os liberais denunciaram violentamente Bismarck como um violador das leis. Porém, Bismarck procurou uma reconciliação com eles. Ele acreditava que a unificação alemã era inevitável, mas que as forças conservadoras deveriam assumir a liderança do movimento para a criação de uma nação unificada. Ele também acreditava que os liberais da classe média queriam uma Alemanha unificada mais porque desejavam romper com as forças mais tradicionais da sociedade. Ele, assim, fez um esforço para unir os Estados germânicos sob a influência prussiana, e conduziu a Prússia através de três guerras que, em última análise, alcançou este objetivo.

A primeira dessas guerras foi a Segunda Guerra de Eslésvico (1864), que a Prússia iniciou e obteve sucesso com a ajuda da Áustria. A Dinamarca foi derrotada e cedeu Eslésvico e Holsácia para a Prússia e a Áustria, respectivamente.

A consequência da Guerra Austro-prussiana (1866)
  Prússia
  Aliados prussianos: Itália e 14 Estados germânicos[nota 1]
  Aliados austríacos: 11 Estados germânicos[nota 2]
  Aquisições prussianas: Hanôver, Eslésvico-Holsácia, Hesse, Hesse-Cassel, Nassau e Frankfurt.

A administração dividida de Eslésvico e Holsácia foi o motivo para a Guerra Austro-prussiana (1866 – também conhecida como a "Guerra das Sete Semanas"), onde a Prússia, aliada com o Reino de Itália e vários Estados germânicos do norte, declararam guerra ao Império Austríaco.

A coalizão comandada pela Áustria foi derrotada e alguns Estados germânicos (o Reino de Hanôver, o Grão-Ducado de Hesse, o Ducado de Nassau e a Cidade Livre de Frankfurt) foram anexados à Prússia. Os territórios disputados de Eslésvico e Holsácia passavam agora para o total controle prussiano. Com a aquisição desses territórios foi possível a ligação das possessões prussianas na Renânia e Vestfália com o restante do Reino. Foi nesse momento que a Prússia atingiu sua maior extensão em termo de área e manteve esse tamanho até a extinção do Reino em 1918.

Bismarck aproveitou esta situação para pôr fim ao litígio com o parlamento em relação ao orçamento. Ele propôs uma lei de indenização concedendo-lhe aprovação retroativa pelo governo, sem um orçamento legal. Ele imaginou, corretamente, que isso causaria uma divisão entre seus adversários liberais. Embora alguns deles alegassem que não poderia haver compromisso com o princípio constitucional do governo, a maioria dos liberais decidiu apoiar o projeto na esperança de ganhar mais liberdade no futuro.

A Confederação Germânica foi dissolvida, como consequência da guerra. Em seu lugar, a Prússia convenceu os 21 Estados ao norte do rio Meno a formarem a Confederação da Alemanha do Norte em 1867. A Prússia era o Estado dominante neste novo agrupamento, com quatro quintos de seu território e população. Seu controle quase total foi ratificado em uma constituição escrita por Bismarck. O Poder executivo foi atribuído a um presidente; o cargo era exercido pelo rei prussiano em conformidade com o direito hereditário. Ele era assistido por um chanceler de sua confiança. Havia também um parlamento bicameral. A Câmara baixa, ou Reichstag (Dieta), era eleita por sufrágio universal masculino. A Câmara alta, ou Bundesrat (Conselho Federal), era nomeada pelos governos estatais. A Bundesrat era, na prática, a Câmara mais forte. A Prússia tinha 17 dos 43 votos, e facilmente poderia controlar procedimentos por meio de alianças com os outros Estados. Para todos os efeitos, o novo agrupamento era dominado por Bismarck. Ele atuou como o seu próprio ministro das Relações Exteriores, durante praticamente todo o seu mandato como primeiro-ministro da Prússia, e com sua habilidade foi capaz de indicar os delegados prussiano para a Bundesrat.

Os Estados germânicos do sul (exceto a Áustria) foram forçados a aceitar alianças militares com a Prússia, e a Prússia deu início ao processo de juntá-los à Confederação da Alemanha do Norte. A unificação da Alemanha Kleindeutsche Lösung planejada por Bismarck estava muito próxima de se concretizar. O rei Guilherme estava determinado a conquistar o território da Áustria, porém Bismarck o convenceu a abandonar a ideia. Bismarck enxergava na Áustria um futuro valioso aliado.

O ato final foi a Guerra franco-prussiana (1870), onde Bismarck forçou o imperador Napoleão III da França a declarar guerra contra a Prússia. Ativando as alianças alemãs construídas após a Guerra austro-prussiana, os Estados germânicos uniram-se e rapidamente derrotaram a França. Mesmo antes disso, Bismarck foi capaz de concluir o trabalho de unificação da Alemanha sob a liderança prussiana. O fervor patriótico despertado pela guerra com a França superou os adversários contrários a uma nação unificada e, em 18 de janeiro de 1871 (no 170º aniversário da coroação do primeiro rei prussiano, Frederico I), o Império Alemão foi proclamado no Salão dos Espelhos em Versalhes nos arredores de Paris, enquanto a capital francesa ainda estava sob o cerco. O rei Guilherme tornou-se o primeiro imperador de uma Alemanha unificada.

1871-1918: Apogeu e declínio da Prússia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Império Alemão
Prússia por volta de 1895

O novo império de Bismark era uma das entidade mais poderosas da Europa continental. A posição dominante da Prússia sobre o novo império era quase tão absoluta como foi com a Confederação da Alemanha do Norte. Incluía três quintos do território do Império e dois terços da sua população. A coroa imperial era um posto hereditário da Casa de Hohenzollern.

Contudo, a origem de problemas futuros estava na grande disparidade entre os sistemas imperial e prussiano. O império tinha um sistema de sufrágio universal igualitário para todos os homens com mais de 25 anos. Já a Prússia manteve o seu sistema de votação restrito às três classes, na qual o cidadão abastado detinha 17,5 vezes mais o poder de voto sobre o restante da população. Uma vez que o chanceler imperial era, à exceção de dois períodos (janeiro-novembro de 1873 e 1892-94), também primeiro-ministro da Prússia, isto significava que, para a maior parte da existência do império, o rei/imperador e o primeiro-ministro/chanceler tiveram que buscar alianças com a maioria eleita por dois tipos de sistema de votos completamente diferentes.

Na época da criação do império, a Prússia e a Alemanha possuíam cerca de dois terços de sua população na zona rural. No entanto, no período de vinte anos, a situação se inverteu; cidades e vilas representavam dois terços da população. Porém, no reino e no império, os círculos eleitorais nunca foram redesenhados para refletir o aumento da população e da influência das cidades e vilas. Isto significou que as zonas rurais foram super-representadas a partir de 1890 em diante.

Bismarck percebeu que o resto da Europa estava cético de seu poderoso novo Reich, e virou a sua atenção para a preservação da paz e para tal age através do Congresso de Berlim. O novo Império Alemão melhorou suas já fortalecidas relações com o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. As relações entre Londres e Berlim haviam sido seladas em 1858, quando o príncipe-herdeiro Frederico Guilherme da Alemanha casou com Vitória, Princesa Real do Reino Unido.

Guilherme I morreu em 1888, e o príncipe-herdeiro o sucedeu como Frederico III. O novo imperador, um convicto admirador do povo e cultura inglesa, planejou instituir extensas reformas liberais. Contudo, ele morreu após apenas 99 dias no trono e foi sucedido por seu filho de 29 anos de idade, Guilherme II. Quando ainda menino, Guilherme havia rebelado-se contra seus pais, nos esforços de moldá-lo como um liberal, e tinha tornado-se completamente prussianizado sob a tutela de Bismarck. O novo cáiser destruiu rapidamente as boas relações com as famílias reais britânica e russa (apesar de estar intimamente relacionado com elas), tornando-as suas rivais e, por último, suas inimigas.

Guilherme II exonerou Bismarck de suas funções em 1890 e iniciou uma campanha de militarização e interferência na política externa que levou ao isolamento da Alemanha. Uma análise incorreta do conflito austro-húngaro com a Sérvia pelo cáiser e os precipitados planos de mobilização de várias nações levaram ao desastre da Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Como preço por sua retirada da guerra, os Bolcheviques passaram o controle sobre grandes regiões ocidentais do Império Russo, algumas das quais fronteiriças com a Prússia, para o Império Alemão no Tratado de Brest-Litovski (1918). Porém, o controle alemão sobre esses territórios duraram apenas alguns poucos meses, em razão da derrota sofrida pelas forças militares alemãs e como conseqüência da Revolução Alemã – que levou à abdicação e ao exílio do cáiser.

O Tratado de Versalhes, que considerou a Alemanha como sendo a única responsável pela guerra, foi assinado no Salão dos Espelhos em Versalhes, o mesmo local onde o Império Alemão havia sido criado. Com a abdicação de Guilherme II em 1918, o Reino da Prússia deixou de existir e foi substituído pelo Estado Livre da Prússia, que existiu durante a República de Veimar, e teve seu território desmembrado após a Segunda Guerra Mundial quando a Prússia Oriental, Silésia, a maioria da Pomerânia e da parte oriental de Brandemburgo foram anexadas ou pela União Soviética ou pela Polônia, e as populações de língua alemã foram expulsas.

Política[editar | editar código-fonte]

Sessão do Parlamento Nacional (Paulskirche, Frankfurt), em junho de 1848
Ludwig von Elliott

O Reino da Prússia foi uma monarquia autocrática até as Revoluções de 1848 nos Estados germânicos, após o que a Prússia tornou-se uma monarquia constitucional e Adolf Heinrich von Arnim-Boitzenburg foi eleito o primeiro primeiro-ministro da Prússia.

A primeira constituição do Reino da Prússia — muito menos liberal do que a constituição federal do Império Alemão— foi aprovada em 1850, e emendada nos anos que se seguiram. Após sua promulgação, formou-se um parlamento bicameral. A Câmara baixa (após 1855: Abgeordnetenhaus) era eleita por todos aqueles que pagavam impostos, que eram divididos em três classes, cujos votos tinham maior peso de acordo com o montante de impostos pagos. As mulheres e aqueles que não pagavam impostos não tinham direito ao voto. Isto permitiu que um pouco mais de um terço do total de eleitores escolhesse 85% dos legisladores, garantindo com isso, uma posição dominante em relação aos menos abastados da população. A Câmara alta (após 1855: Herrenhaus) era indicada pelo rei. Ele detinha total autoridade executiva e os ministros deviam satisfação apenas a ele (a ponto de próximo a 1910, os reis prussianos acreditarem que governavam por vontade de Deus). Como consequência, o poder dos proprietários de terras, os junkers, permaneceu inalterado, especialmente nas províncias orientais. A Polícia Secreta da Prússia, formada em resposta às Revoluções de 1848 nos Estados Alemães, auxiliou o governo conservador a permanecer no poder. A constituição prussiana liberalizou-se somente após a Prússia tornar-se República, em 1918, o que fez com que os junkers perdessem boa parte de suas propriedades rurais para o território da Polônia, cedido pela Prússia, mas continuaram exercendo influência nos bastidores até 1932, quando Franz von Papen tornou-se chanceler da Prússia.

Subdivisões da Prússia[editar | editar código-fonte]

As regiões que deram início ao Reino da Prússia foram a Marca de Brandemburgo e o Ducado da Prússia que juntas formavam a Brandemburgo-Prússia. A Pomerânia Posterior havia sido adquirida pela Prússia a partir de 1648. Somada à Pomerânia sueca, conquistada da Suécia em 1720 e 1815, essa região formava a província da Pomerânia. As aquisições prussianas nas Guerras da Silésia levaram à formação da província da Silésia em 1740.

Após a Primeira Partição da Polônia em 1772, as recém anexadas Prússia Real e Vármia tornaram-se a província da Prússia Ocidental, enquanto que o Ducado da Prússia (juntamente com parte da Vármia) tornou-se a província da Prússia Oriental. Outras anexações ao longo do rio Noteć (Netze) formaram o Distrito de Netze. Após a segunda e terceira partições (1793 1795), as novas aquisições prussianas constituíram as províncias da Nova Silésia, Prússia Meridional e Nova Prússia Oriental, com o Distrito de Netze sendo revivido entre as Prússias Ocidental e Meridional. Essas três províncias foram por fim perdidas para o Congresso da Polônia depois do Congresso de Viena em 1815, exceto a parte ocidental da Prússia Meridional, que faria parte do Grão-Ducado da Posnânia.

As dez províncias do Reino da Prússia, depois do Congresso de Viena (1815). Os outros Estados membros da Confederação Germânica estão mostrados em cinza. O Cantão de Neuchâtel no sudoeste esteve sob a administração prussiana até 1848.
Mapa da atual Alemanha que são totalmente, ou na maior parte, situada dentro das antigas fronteiras da Alemanha Imperial e do Reino da Prússia.

Após a maior parte das conquistas territoriais feitas pela Prússia depois do Congresso de Viena, um total de dez províncias foram criadas, cada uma delas subdivididas em regiões administrativas menores conhecidas por Regierungsbezirke. As províncias eram:

Em 1822, as províncias de Jülich-Cleves-Berg e do Baixo Reno fundiram-se para formar a Província do Reno. Em 1829, as províncias das Prússias Oriental e Ocidental fundiram-se para formar a Província da Prússia, as demais províncias ainda sofreram reformas em 1878. Os principados de Hohenzollern-Sigmaringen e Hohenzollern-Hechingen foram anexados em 1850 e vieram a formar a Província de Hohenzollern.

Depois da vitória da Prússia na Guerra Austro-prussiana, os territórios anexados pela Prússia foram reorganizados em três novas províncias: Hanôver, Hesse-Nassau e Eslésvico-Holsácia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

  1. Christopher Clark, Iron Kingdom: The Rise and Downfall of Prussia, 1600–1947 (2006).
  2. Fueter, Eduard (1922). World history, 1815–1920. United States of America: Harcourt, Brace and Company. pp. 25–28, 36–44. ISBN 1-58477-077-5.
  3. Danilovic, Vesna. "When the Stakes Are High—Deterrence and Conflict among Major Powers", University of Michigan Press (2002), p 27, p225-p228
  4. [1] Aping the Great Powers: Frederick the Great and the Defence of Prussia's International Position 1763–86, Pp. 286-307.
  5. [2] The Rise of Prussia
  6. H. W. Koch, A History of Prussia (1978) p. 35.
  7. Robert S. Hoyt & Stanley Chodorow, Europe in Middle Ages (1976) p. 629.
  8. Norman Davies, God's Playground: A History of Poland Vol. l (1982) p. 81.
  9. a b c d Büsch, Otto; Ilja Mieck, Wolfgang Neugebauer (1992). Otto Büsch, : . Handbuch der preussischen Geschichte (em German) 2 (Berlin: de Gruyter). p. 42. ISBN 978-3-11-008322-4. 
  10. Hajo Holborn, History of Modern Germany: 1648–1840 2:274
  11. Wilhelm, Friedrich and Robinson, James. Supplement: Constitution of the Kingdom of Prussia. Annals of the American Academy of Political and Social Science Vol. 5 Supplement 8. pp 1–54. Publisher: Sage Publications Inc. in association with the American Academy of Political and Social Science (1894). found at http://www.jstor.org/stable/1009032
  12. Burgess, John. "The Cultureconflict" in Prussia. Political Science Quarterly Vol. 2 No. 2. pp 313–340 Publisher: The Academy of Political Science(1887). found at http://www.jstor.org/stable/2139282
  13. Hebeler, Bernard. Statistics of Prussia. Journal of the Statistical Society of London Vol. 10 No. 2. pp 154–186. Publisher: Wiley for the Royal Statistical Society (1847). found at http://www.jstor.org/stable/2337688
  14. a b c d Feuchtwanger, E. J. Prussia: Myth and Reality: The Role of Prussia in German History. Chicago: Henry Regnery Company, 1970.
  15. Marriott, J. A. R., and Charles Grant Robertson. The Evolution of Prussia, the Making of an Empire,. Rev. ed. Oxford: Clarendon Press, 1946.
  16. Shennan, Margaret. The Rise of Brandenburg-Prussia. London: Routledge, 1995
  17. «L'esercito prussiano» (em italiano). Corriere Salentino. 08/07/2012. Consultado em 14/11/2015. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Clark, Christopher (2006) Iron Kingdom. The rise and the downfall of Prussia, 1600-1947, Allen Lane Penguin Books, 777 blz. ISBN 0-713-99466-5
  • Morrison, J. Michael (2005) King of Prussia, Arcadia-EUA, ISBN 0-7385-3917-1
  • Craig, Gordon A. (2003) The end of Prussia, Wisconsin University, ISBN 0-299-09734-X
  • Shennan, Margaret (1995) The rise of Brandenburg-Prussia 1618-1740, Routledge-EUA, ISBN 0-415-12938-9
  • Köbler, G. (1990) Historisches Lexikon der deutschen Länder. Die deutschen Territorien vom Mittelalter bis zur Gegenwart. 3., verbesserte, um ein Register erweiterte Auflage. C.H. Beck, München, ISBN 3-406-34838-6
  • Haffner, Sebastian (1979) Preußen ohne Legende. Gruner + Jahr, Hamburg, ISBN 3-442-75544-1
  • Koch, H.W. (1978) A History of Prussia. Longman, London, ISBN 0-582-48190-2
  • Meyers Konversations-Lexikon. Eine Encyklopädie des allgemeinen Wissens. 4., gänzlich umgearbeitete Auflage (1885-1890) Bibliographisches Institut, Leipzig, [3].

Ligações externas[editar | editar código-fonte]