Bolchevique

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Bolshevik, por Boris Kustodiev, 1920

Bolchevique (russo: большевик; transliteração francesa: "bolchevik"; transliteração inglesa: "bolshevik") é o nome dado aos integrantes de um dos dois grupos que se formaram a partir da divisão do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), fundado em 1898. Os apoiantes de Vladmir Lenin ficaram conhecidos como bolcheviques, enquanto os apoiantes de Julius Martov e Georgy Plekanov ficaram conhecidos como mencheviques. Em russo, a palavra bolchevismo (bolscinstvó) significa maioria.[1]

Os bolcheviques defendiam a revolução socialista, a instalação da ditadura do proletariado, com a aliança de operários e camponeses, enfim, acreditavam que o governo deveria ser diretamente controlado pelos trabalhadores. O segundo grupo, os mencheviques, ou minoria, (em russo: menscinstvó) acreditava em uma maneira mais moderada de socialismo, que deveria ser implantado após o pleno amadurecimento do capitalismo em terras russas.[1]

No início do século XX, tanto em Portugal como no Brasil, foram inicialmente designados maximalistas.

História[editar | editar código-fonte]

Os bolcheviques ficaram assim conhecidos no Segundo Congresso do POSDR em 1903 da cisão do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Os mencheviques se opuseram a Lenin quando este propôs que o partido deveria constituir-se de uma elite revolucionária profissional, que deveria se dedicar exclusivamente ao ativismo político, e que seria sustentada por apoiadores e simpatizantes não-membros do partido. Os mencheviques se opuseram porque preferiam um partido com grande representação. Os mencheviques obtiveram o apoio da maioria dos delegados ao congresso, que se juntaram àquela facção, enquanto que a maior parte do comitê central, que era a instância máxima de decisão do partido, optou por apoiar as ideias de Lenin.[2]

Os bolcheviques defendiam uma mudança radical de política para o povo, defendendo uma revolução socialista armada, caso necessário. Os mencheviques defendiam uma revolução moderada, permitindo primeiro a democracia e o pleno desenvolvimento do capitalismo para só depois implantar o socialismo.

Pouco depois de os bolcheviques terem chegado ao poder durante a Revolução Russa de 1917, eles mudaram o seu nome para o Partido Comunista de Toda a Rússia (Bolcheviques) em 1918 e passaram a ser conhecidos apenas como Partido Comunista da União Soviética - PCUS após esse ponto.

No entanto, não seria antes de 1952 que esse partido removeria formalmente a palavra bolchevique do seu nome.

Velha Guarda[editar | editar código-fonte]

A Velha Guarda Bolchevique era formada pelos primeiros membros do grupo, que fundaram em 1900 ou que ingressaram antes da Revolução de 1917. O termo Velho Bolchevista (старый большевик) ficou como designação não-oficial dos membros do partido pré-1917.

Durante o governo de Stalin, grande parte da velha guarda foi removida do poder, durante os expurgos da década de 1920. Nos anos seguintes, inúmeros foram julgados, condenados, sentenciados à morte e executados por supostos crimes de traição à União Soviética e à revolução proletária. Outros foram enviados para prisões onde eram torturados e sofriam de trabalho forçado (Gulags).

Alguns, como Alexandra Kollontai e Anatóli Lunatcharski, foram enviados ao exterior como diplomatas. Vários opositores, notoriamente os trotskistas, estavam entre os supostos "criminosos" e "contra-revolucionários".

Por outro lado, o termo "Velho Bolchevique" e a expressão "Velha Guarda Bolchevique" também foram utilizados como autodescrição pelos líderes do Partido que se opuseram a Trotsky imediatamente após a Revolução de Outubro de 1917, aludindo ao fato de que, até às vésperas do evento, Trotsky não era membro do Partido Bolchevique, tendo se juntado ao pequeno grupo social-democrata dos Mejraiontsi e tendo entrado no partido de Lenin, a convite deste, apenas no fim do primeiro semestre de 1917.

Vários estabelecimentos e objetos na União Soviética e na Rússia foram batizados com o nome "Velho Bolchevique", como editoras, navios, embarcações, kolkhozes e assentamentos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «Bolcheviques - História». InfoEscola. Consultado em 18 de maio de 2021 
  2. Suny, Ronald Grigor (1998). The Soviet Experiment. Londres: Oxford University Press. p. 57. ISBN 978-0-19-508105-3 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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