Guerra Polaco-Soviética

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Guerra Polaco-Soviética
Polish-soviet war montage.jpg
Data 14 de fevereiro de 191918 de outubro de 1920
Local Europa Central e Oriental
Desfecho Vitória polonesa; Paz de Riga
Combatentes
Polónia Polônia
Flag of the Ukrainian State.svg República Popular da Ucrânia
 Letônia
Flag of Belarus (1918, 1991–1995).svg República Popular Bielorrussa
Flag of the Russian Soviet Federative Socialist Republic (1918–1937).svg Rússia Soviética
Flag of the Ukrainian Soviet Socialist Republic (1929-1937).svg Ucrânia Soviética
Flag of the Byelorussian Soviet Socialist Republic (1951–1991).svg Bielorrúsia Soviética
Socialist red flag.svg Poloneses comunistas
Líderes e comandantes
Polónia Józef Piłsudski
Polónia Tadeusz Rozwadowski
Polónia Edward Rydz-Śmigły
Polónia Władysław Sikorski
Symon Petliura
Leon Trotsky
Mikhail Tukhachevsky (Frente Ocidental)
Joseph Stalin (Front Lviv/Lwów)
Alexander Ilyich Yegorov (Frente Sudoeste)
Semyon Budyonny
Forças
~ 70 000 no início de 1919; 738 000 – 1 000 000 no verão de 1920 ~ 50 000 no início de 1919; ~ 950 000 em agosto de 1920
Vítimas
47 000 mortos
113 518 feridos
51 351 aprisionados
67 000 – 70 000 mortos
80 000 – 157 000 aprisionados

A Guerra Polaco-Soviética (pt) ou Polonesa-Soviética (pt-BR) foi um conflito armado envolvendo a Rússia Soviética e a Polônia de fevereiro de 1919 a março de 1921. O objetivo do ataque soviético foi tentar expandir o comunismo para a Europa Central, passando pelo território polonês primeiro. A guerra seguiu como um impasse até a vitória da Polônia na Batalha de Varsóvia, em agosto de 1920. Em março do ano seguinte, foi firmado a Paz de Riga, com ganhos territoriais limitados para ambos os lados.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Durante 123 anos a Polônia ficou subjugada pelo Império Alemão, Monarquia de Habsburgo e Império Russo. Então, após a Primeira Guerra Mundial, os países vencedores (Tríplice Entente) decidiram restaurar a independência do país.

Logo estourou a Revolta na Grande Polônia, na qual militares revoltam-se contra os alemães que ocupavam a parte oeste do país. Estes, sem condições para reprimir a revolta e com uma revolução comunista que deveria ser detida em seu país, retiraram as suas tropas da região.

Finalmente a Polônia ressurgiu, proclamando a criação da Segunda República da Polônia, onde, pelo Tratado de Versalhes, a Alemanha teve que entregar à Polônia a cidade portuária de Danzigue.

A guerra[editar | editar código-fonte]

Propaganda polonesa contra os bolcheviques

Na Rússia, desde a tomada do poder pelos bolcheviques, Vladimir Lênin desejava instaurar regimes socialistas em toda a Europa e, aproveitando as greves e revoltas comunistas na Alemanha, viu na conquista da Polônia uma ponte para que o Exército Vermelho pudesse vir em auxílio destes movimentos.[2].

Do lado polonês, a Guerra Civil Russa, de resultado ainda incerto, causava insegurança quanto às fronteiras orientais da Polônia. Józef Piłsudski, chefe de estado polonês, viu nesta instabilidade a oportunidade para expandir as fronteiras do jovem estado e, talvez, criar uma federação com a Ucrânia e os países do Báltico.[2]

Em 1919, o Exército Branco estava sofrendo vários reveses, os comunistas estavam vencendo a Guerra Civil Russa e, com os ânimos exaltados nas cidades alemãs desde a derrota na guerra e a abdicação do kaiser Guilherme II, os comunistas conseguiam se fortalecer. Lênin então ordenou a invasão da Polônia.

A Polônia então recrutou urgentemente novas tropas, comprou armas e enviou diplomatas para conseguir apoio de outros países e da Liga das Nações.

Avião polonês durante a Ofensiva de Kiev

A República Popular da Ucrânia, sob a liderança de Symon Petliura, decidiu apoiar os poloneses fornecendo apoio logístico além de aeródromos e estradas com o propósito de também expulsar os comunistas que haviam invadido a Ucrânia durante a Guerra Civil Russa para instalar uma república socialista. Os polaco-ucranianos conseguiram avançar e lançaram a Ofensiva de Kiev, num grande ataque para reconquistar a capital ucraniana e derrubar o governo comunista. Entretanto o ataque fracassou e logo as tropas polacas e ucranianas sofreram terríveis reveses.

No campo diplomático, os poloneses conseguiram, apesar da insatisfação do primeiro-ministro britânico Lloyd George, o apoio do Reino Unido, que promoveu embargos econômicos à Rússia. A França também decidiu assinar uma aliança com os polacos e enviou o Exército Azul, comandado pelo general Joséf Haller, que continha oficias franceses para auxiliar os polacos (dentre eles estava Charles de Gaulle). Além disso, vários soldados e pilotos de vários outros países também foram socorrer os poloneses.

A jovem Polônia estava com dificuldades de receber as armas. A Hungria havia enviado uma grande quantidade de armamentos, mas a Tchecoslováquia recusava-se a permitir a passagem do material, que só foi feito de modo clandestino. A Polônia tentou aliar-se à Lituânia, mas esta preferiu se aliar aos bolcheviques, pois temia ser anexada futuramente pela Polônia, que desejava reconquistar os antigos territórios que pertenciam à República das Duas Nações, nos séculos XVII e XVIII. Isso ocasionou a Guerra polaco-lituana, e, apesar da perda da capital Vilnius para a Polônia, os lituanos conseguiram a sua independência e as relações diplomáticas entre os dois países só foi restabelecida em 1938.

A Batalha de Varsóvia[editar | editar código-fonte]

Józef Piłsudski

Em cinco semanas o exército polonês recuou cerca de 500 quilômetros, destroçando o moral da tropa e espalhando o pânico na sociedade. No início de agosto os russos capturaram Brest, atravessando o rio Bug e rompendo a penúltima linha de defesa na direção de Varsóvia.

A Batalha de Varsóvia (13 a 25 de agosto de 1920) marcou o ponto de virada a favor das forças armadas polacas. O estadista e general Józef Piłsudski decidiu retirar as forças polacas para o rio Vístula e lá resistirem ao ataque soviético, com o apoio dos generais Władysław Sikorski e Joséf Haller que deveriam atacar o Norte por trás de Varsóvia e resistir entrincheirado ao ataque inimigo, respectivamente. Enquanto no centro, o exército de Piłsudski atacaria um ponto fraco descoberto pelo serviço de inteligência polaca que interceptou mensagens de rádio e as decodificou. O Exército Vermelho comandado pelo jovem general Mikhail Tukhachevsky avançava já cantando vitória, assim que conquistasse a Polônia, diziam eles, logo rumariam para a Alemanha, França, Inglaterra e toda a Europa. A Polônia apelou ao mundo declarando que só ela poderia impedir o avanço comunista, com isso conseguiu mais apoio.

Quando os soviéticos chegaram ao rio Vístula, perto de Varsóvia, os poloneses de Piłsudski atacaram enquanto os de Haller resistiram aos soviéticos, depois de alguns dias, os polacos fecharam o cerco ao Exército Vermelho empurrando-o até a fronteira com a Prússia Oriental, onde esmagaram definitivamente os comunistas e afastaram a Europa do avanço revolucionário.

Fim da guerra[editar | editar código-fonte]

Após a vitória em Varsóvia, também chamada de "Milagre no Vístula", os polacos retomaram a ofensiva reconquistando antigos territórios. Diante do fracasso, Lênin decidiu acabar com a guerra assinando o Tratado de Riga, que reconhecia a independência da Polônia. Entretanto, os polacos não conseguiram expulsar os bolcheviques da Ucrânia, que tornou-se então uma república soviética, e Symon Petliura e os membros do antigo governo exilaram-se na França.

A Polônia aumentou significativamente seu território, iniciando um período de rápido desenvolvimento. O marechal Józef Piłsudski tornou-se, em 1926, após um golpe de Estado, ditador. Adquiriu a simpatia do povo, que o chamava carinhosamente de Vovô ou O Marechal, tornando-se um herói polonês.

Referências

  1. Davies, Norman Richard (2003) [1972]. White Eagle, Red Star: the Polish-Soviet War, 1919–20 New ed. New York: Pimlico / Random House Inc. ISBN 978-0-7126-0694-3 
  2. a b ZAMOYSKI, Adam. Varsóvia 1920. Record, Rio de Janeiro, 2013, p.15-24

Ver também[editar | editar código-fonte]

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