Guerra Polaco-Soviética

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Guerra Polaco-Soviética
Polish-soviet war montage.jpg
Data 1919-1921
Local Europa Central e Oriental
Desfecho Reconhecimento da Independência da Polônia
Combatentes
Polónia Segunda República Polonesa

República Popular da Ucrânia

República Socialista Federativa Soviética Russa
República Socialista Soviética da Ucrânia
Principais líderes
Polónia Józef Piłsudski
Polónia Tadeusz Rozwadowski
Polónia Edward Rydz-Śmigły
Polónia Władysław Sikorski
Symon Petliura
Leon Trotsky
Mikhail Tukhachevsky (Frente Ocidental)
Joseph Stalin (Front Lviv/Lwów)
Alexander Ilyich Yegorov (Frente Sudoeste)
Semyon Budyonny
Forças
~50,000 início de 1919 para ~738,000 em agosto de 1920 ~50,000 início de 1919 para 800,000 no verão de 1920
Vítimas
48,000 mortos 60,000 mortos

A Guerra Polaco-Soviética (português europeu) ou Polonesa-Soviética (português brasileiro) foi um conflito armado envolvendo a Rússia Soviética e a Polónia de fevereiro de 1919 a março de 1921.

História[editar | editar código-fonte]

Por 123 anos a Polônia ficou subjugada pelo Império Alemão, Monarquia de Habsburgo e Império Russo. Então, após a Primeira Guerra Mundial, os países vencedores (Tríplice Entente) decidiram restaurar a independência do país.

Logo estourou a Revolta na Grande Polônia, militares revoltam-se contra os alemães que ocupavam a parte oeste do país, que, sem condições para reprimir a revolta e com uma revolução comunista que deveria ser detida em seu país, retiraram suas tropas da região.

Finalmente a Polônia ressurgiu, proclamando a criação da Segunda República da Polônia, onde, pelo Tratado de Versalhes, a Alemanha teve que entregar à Polônia a cidade portuária de Danzig.

A guerra[editar | editar código-fonte]

Propaganda polonesa contra os bolcheviques

Na Rússia, desde a tomada do poder pelos bolcheviques, Vladimir Lênin desejava instaurar regimes socialistas em toda a Europa e, aproveitando as greves e revoltas comunistas na Alemanha, viu na conquista da Polônia uma ponte para que o Exército Vermelho pudesse vir em auxílio destes movimentos [1] .

Do lado polonês, a Guerra Civil Russa, de resultado ainda incerto, causava insegurança quanto às fronteiras orientais da Polônia. Józef Piłsudski, chefe de estado polonês, viu nesta instabilidade a oportunidade para expandir as fronteiras do jovem estado e, talvez, criar uma federação com a Ucrânia e os países do Báltico[2] .

Em 1919, o Exército Branco estava sofrendo vários reveses, os comunistas estavam vencendo a Guerra Civil Russa e, com os ânimos exaltados nas cidades alemãs desde a derrota na guerra e a abdicação do kaiser Guilherme II, os comunistas conseguiam se fortalecer. Lênin então ordenou a invasão da Polônia.

A Polônia então recrutou urgentemente novas tropas, comprou armas e enviou diplomatas para conseguir apoio de outros países e da Liga das Nações.

Avião polonês durante a Ofensiva de Kiev

A República Popular da Ucrânia, sob a liderança de Symon Petliura, decidiu apoiar os poloneses fornecendo apoio logístico além de aeródromos e estradas com o propósito de também expulsar os comunistas que haviam invadido a Ucrânia durante a Guerra Civil Russa para instalar uma república socialista. Os polaco-ucranianos conseguiram avançar e lançaram a Ofensiva de Kiev, num grande ataque para reconquistar a capital ucraniana e derrubar o governo comunista. Entretanto o ataque fracassou e logo as tropas polacas e ucranianas sofreram terríveis reveses.

No campo diplomático, os poloneses conseguiram, apesar da insatisfação do primeiro-ministro britânico Lloyd George, o apoio do Reino Unido, que promoveu embargos econômicos à Rússia. A França também decidiu assinar uma aliança com os polacos e enviou o Exército Azul, comandado pelo general Joséf Haller, que continha oficias franceses para auxiliar os polacos (dentre eles estava Charles de Gaulle). Além disso, vários soldados e pilotos de vários outros países também foram socorrer os poloneses.

A jovem Polônia estava com dificuldades de receber as armas. A Hungria havia enviado uma grande quantidade de armamentos, mas a Tchecoslováquia recusava-se a permitir a passagem do material, que só foi feito de modo clandestino. A Polônia tentou aliar-se à Lituânia, mas esta preferiu se aliar aos bolcheviques, pois temia ser anexada futuramente pela Polônia, que desejava reconquistar os antigos territórios que pertenciam à República das Duas Nações, nos séculos XVII e XVIII. Isso ocasionou a Guerra polaco-lituana, e, apesar da perda da capital Vilnius para a Polônia, os lituanos conseguiram a sua independência e as relações diplomáticas entre os dois países só foi restabelecida em 1938.

A Batalha de Varsóvia[editar | editar código-fonte]

Józef Piłsudski

Em cinco semanas o exército polonês recuou cerca de 500 quilômetros, destroçando o moral da tropa e espalhando o pânico na sociedade. No início de agosto os russos capturaram Brest, atravessando o rio Bug e rompendo a penúltima linha de defesa na direção de Varsóvia.

A Batalha de Varsóvia (13 a 25 de agosto de 1920) marcou o ponto de virada a favor das forças armadas polacas. O estadista e general Józef Piłsudski decidiu retirar as forças polacas para o rio Vístula e lá resistirem ao ataque soviético, com o apoio dos generais Władysław Sikorski e Joséf Haller que deveriam atacar o Norte por trás de Varsóvia e resistir entrincheirado ao ataque inimigo, respectivamente. Enquanto no centro, o exército de Piłsudski atacaria um ponto fraco descoberto pelo serviço de inteligência polaca que interceptou mensagens de rádio e as decodificou. O Exército Vermelho comandado pelo jovem general Mikhail Tukhachevsky avançava já cantando vitória, assim que conquistasse a Polônia, diziam eles, logo rumariam para a Alemanha, França, Inglaterra e toda a Europa. A Polônia apelou ao mundo declarando que só ela poderia impedir o avanço comunista, com isso conseguiu mais apoio.

Quando os soviéticos chegaram ao rio Vístula, perto de Varsóvia, os poloneses de Piłsudski atacaram enquanto os de Haller resistiram aos soviéticos, depois de alguns dias, os polacos fecharam o cerco ao Exército Vermelho empurrando-o até a fronteira com a Prússia Oriental, onde esmagaram definitivamente os comunistas e afastaram a Europa do avanço revolucionário.

Fim da guerra[editar | editar código-fonte]

Após a vitória em Varsóvia, também chamada de "Milagre no Vístula", os polacos retomaram a ofensiva reconquistando antigos territórios. Diante do fracasso, Lênin decidiu acabar com a guerra assinando o Tratado de Riga, que reconhecia a independência da Polônia. Entretanto, os polacos não conseguiram expulsar os bolcheviques da Ucrânia, que tornou-se então uma república soviética, e Symon Petliura e os membros do antigo governo exilaram-se na França.

A Polônia aumentou significamente seu território, iniciando um período de rápido desenvolvimento. O marechal Józef Piłsudski tornou-se, em 1926, após um golpe de Estado, ditador. Adquiriu a simpatia do povo, que o chamava carinhosamente de Vovô ou O Marechal, tornando-se um herói polonês.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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  1. ZAMOYSKI, Adam. Varsóvia 1920. Record, Rio de Janeiro, 2013, p.15-24
  2. ZAMOYSKI, Adam. Varsóvia 1920. Record, Rio de Janeiro, 2013, p.15-24