Guerra da Livônia

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A Guerra da Livônia ou Guerra da Livónia de 15581582 foi um longo conflito militar entre a Rússia Czarista e a coalizão da Dinamarca, Grão-Ducado da Lituânia, Reino da Polônia (mais tarde República das Duas Nações) e a Suécia pelo controle da Livônia Maior (o atual território da Estônia e da Letônia).

No final da década de 1550, a Confederação da Livônia tinha se enfraquecido devido à Reforma Protestante, enquanto que seu vizinho oriental, a Rússia, havia se tornado mais forte depois de derrotar os canatos muçulmanos de Kazan e Astrakhan. O conflito entre a Rússia e as forças ocidentais foi exacerbado pelo isolamento da Rússia do comércio marítimo. Nem podia o tsar contratar trabalhadores qualificados na Europa.

Em 1547 Hans Schlitte, o representante comercial do Tsar Ivã IV, contratou artesãos na Alemanha para trabalharem na Rússia. Porém, todos esses artesãos foram presos em Lübeck por solicitação da Livônia.[1] A Liga Hanseática alemã ignorou o novo porto construído pelo tsar Ivã na costa leste da foz do rio Narva, em 1550 e continuou a despachar as mercadorias para os portos pertencentes à Livônia.[2]

O Tsar Ivã IV exigiu então que a Confederação da Livônia pagasse 40000 taleres pelo Bispado de Dorpat, alegando que o território tinha uma vez pertencido à República russa de Novgorod. A disputa terminou com a invasão russa em 1558. As tropas russas ocuparam Dorpat (Tartu) e Narwa (Narva), e iniciaram o cerco a Reval (Tallinn). O alvo do Tsar Ivan era o de conseguir o vital acesso ao Mar Báltico.

O cerco de Narva pelos russos em 1558, Boris Chorikov, 1836.

As ações do Tsar Ivã conflitaram com o interesse de outros países. Após a desastrosa Batalha de Ergeme, a enfraquecida Ordem da Livônia foi dissolvida (Pacto de Wilno, 1560), e suas terras foram divididas entre o Grão-Ducado da Lituânia (Ducatus Ultradunensis), a Suécia (Estland, atualmente a parte norte da Estônia) e a Dinamarca (Ösel). O último Mestre da Ordem da Livônia, Gotardo Kettler, tornou-se o primeiro governante do Estado vassalo lituano (depois República das Duas Nações), o Ducado da Curlândia.

Érico XIV da Suécia e Frederico II da Dinamarca enviaram tropas para protegerem seus novos territórios adquiridos. Em 1561, o conselho da cidade de Reval rendeu-se à Suécia e tornou-se o posto avançado para futuras conquistas suecas na região. Em 1562, a Rússia entrou em guerra com a Lituânia e a Suécia. No começo, os exércitos do Tsar tiveram sucesso, tomando Polotsk (1563) e Pernau (Pärnu) (1575) e conquistando a maior parte do território da Lituânia até Vilnius, o que o levou a não aceitar a proposta de paz de seus inimigos.

Contudo, o Tsar começou a encontrar dificuldades em 1579. Os Tártaros da Crimeia devastaram territórios russos e incendiaram Moscou, um período de secas e epidemias afetou fatalmente a economia e a Opríchnina tinha se separado completamente do governo, enquanto que a Lituânia havia unido-se com a Polônia (1569) e conseguido um líder enérgico, Stefan Batory, apoiado pelo Império Otomano (1576). Batory não apenas reconquistou Polotsk, mas também apossou-se das fortalezas russas em Sokol, Velizh, Usvzat, Velikie Luki e sitiou Pskov (1581–82). A cavalaria da República das Duas Nações devastou as regiões de Smolensk, Chernigov, Ryazan e o sudoeste do território de Novgorod.[3] Em 1581, um exército de mercenários contratado pela Suécia e comandado por Pontus de la Gardie capturou a cidade estratégica de Narva.

Esses acontecimentos levaram à assinatura do Tratado de Jam Zapolski, em 1582 entre a Rússia e a República das Duas Nações no qual a Rússia renunciou ao seu interesse pela Livônia. No ano seguinte, o Tsar também fez um acordo de paz com a Suécia. Através do Tratado de Plussa, a Rússia perdeu Narva e a costa sul do Golfo da Finlândia, sendo este o seu único acesso ao Mar Báltico. A situação foi parcialmente revertida doze anos mais tarde, segundo o Tratado de Tyavzino que encerrou uma nova guerra entre a Suécia e a Rússia.

Referências

  1. Karamzin N.M. "The History of Russia", volume VIII (Documents from the Archive of Koenigsberg)
  2. "The Full Collection of Russian Annals", vol. 13, SPb, 1904
  3. Rheinhold Heidenstein. "The Notes about the Moscow war". (1578–1582), SPb, 1889