Mar Báltico

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O mar Báltico, entre a península Escandinava e a costa da Polónia, Estónia, Letónia, Lituânia, Rússia e Finlândia

O mar Báltico, anteriormente conhecido como mar da Alemanha, situa-se no norte da Europa, circundado pela península Escandinava, a Europa continental, e as ilhas dinamarquesas. A sua maior profundidade é de 459 m.[1]

Comunica com o mar do Norte, através do Skagerrak e Kattegat, e através dos estreitos de Öresund, Grande Belt (Storebælt) e Pequeno Belt (Lillebælt).[2]

Os países com costa no mar Báltico são: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia, Estónia, Letônia, Lituânia, Polônia e Alemanha.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Plínio, o Velho (na imagem) pode ter inspirado o escritor Adão de Bremen a cunhar o nome do mar.

Chamado por Públio Cornélio Tácito de Mare Suebicum, por analogia ao povo germânico dos suevos,[nota 1] o primeiro a denominá-lo mar Báltico foi o escritor germânico do século XI Adão de Bremen.

A origem do nome é controversa, e pode estar ligada à palavra alemã belt ("faixa"), utilizada para designar os dois estreitos dinarmaqueses que o conectam ao mar do Norte. Outros acreditam que a origem seja a palavra latina balteus, com o mesmo significado.[4] Mas deve-se notar que os nomes dos belts podem estar ligados à palavra dinamarquesa bælte, que também significa faixa. Além disso, o próprio Adão de Bremen comparou o mar com uma faixa, afirmando que o mar é assim denominado porque ele estica ao longo da terra como uma faixa.[nota 2] Ele também pode ter sido influenciado pelo nome de uma ilha lendária mencionada em A História Natural, de Plínio, o Velho. Plínio menciona uma ilha chamada Baltia (ou Balcia) com referência a notas de Píteas e Xenofonte. É possível que Plínio se referisse a uma ilha chamada Basilia ("reino" ou "real") em Sobre o Oceano (Περι του Ωκεανου), de Píteas. Baltia também pode ser derivada de "faixa" e significar "perto da faixa do mar (estreito)".

Outros ainda defendem que o nome da ilha origina-se da raiz indo-europeia bhel,[5] que significa "branco". Esta raiz e seu sentido básico permaneceram no lituano (como baltas) e no letão (balts). Uma hipótese relacionada sustenta que o nome originou desta raiz indo-europeia por meio de uma língua báltica, como o lituano.[6]

Uma outra explicação é que, derivada da raiz mencionada, o nome do mar é usado para nomear várias formas de água e substâncias similares em várias línguas europeias, o que pode ter sido originalmente associado com as cores encontradas em pântanos. Ou ainda que o nome era relacionadoa pântanos e seu sentido original era de "mar fechado, baía" em oposição a "mar aberto.[7] Alguns historiadores suecos, por sua vez, acreditam que o nome derive do deus secundário Balder, da mitologia nórdica.[8]

Na Idade Média, o mar foi conhecido por uma variedade de nomes. O nome mar Báltico só começou a predominar a partir do século XVI. O uso de báltico e outros termos para denotar a região a leste do mar começou apenas no século XIX. Em sueco, finlandês, alemão e dinamarquês, ele é conhecido como "mar do Leste", enquanto em estoniano, é chamado de "mar do Oeste".[8]

História[editar | editar código-fonte]

O Báltico surgiu com o aumento do nível do mar, após o fim da última glaciação, no último período glacial, ocorrida há cerca de 12 000 anos.[9] Originário de um lago pré-glacial de água doce - o lago Glacial Báltico, portanto sem ligação com o oceano da época, o mar Báltico tornou-se um mar após o derretimento de geleiras que o cercavam, seguido de uma elevação da terra ao redor. Neste fenômeno, conhecido como isostasia, a pressão adicionada pela água em uma região gerou uma tensão de elevação da superfície em seu redor, como em uma alavanca. O derretimento do gelo, por sua vez, reduzia o peso sobre o relevo circundante, facilitando sua elevação.

Salinidade[editar | editar código-fonte]

A salinidade do mar Báltico é muito menor do que a da água dos oceanos. Isso ocorre devido ao abundante escoamento de água doce da terra circundante, que contribui com cerca de um quadragésimo do seu volume total por ano: o volume da bacia é de cerca de 21 000 km³ e o escoamento anual é de cerca de 500 km³. As taxas de precipitação e descarga de água doce superam a evaporação, causando uma diluição da água do mar.[10] Suas águas têm salinidade de 10 a 15 g/kg, enquanto que a do mar Vermelho é de cerca de 40 g/kg.[11]

Poluição[editar | editar código-fonte]

Na Dinamarca, criadores de porcos vêm despejando milhares de toneladas de esterco suíno no mar Báltico, alterando seu equilíbrio e tornando-o um dos mares mais poluídos do mundo.[12]

Partes do mar Báltico[editar | editar código-fonte]

Ilhas e arquipélagos[editar | editar código-fonte]

Escolhos das ilhas Åland, no mar Báltico

Cidades[editar | editar código-fonte]

São Petersburgo é a maior cidade costeira do mar Báltico.

Estima-se que mais de 85 milhões de pessoas habitem a costa do mar Báltico.[13] As maiores cidades costeiras são:

Notas

  1. Ergo iam dextro Suebici maris litore Aestiorum gentes adluuntur, quibus ritus habitusque Sueborum, lingua Britannicae propior.[3]
    (À direita do Mar Suevo, residem as nações éstios que usam os mesmos costumes e dos suevos; sua língua lembra a da Bretanha.)
  2. Balticus, eo quod in modum baltei longo tractu per Scithicas regiones tendatur usque in Greciam

Referências

  1. Ernby, Birgitta; Martin Gellerstam, Sven-Göran Malmgren, Per Axelsson, Thomas Fehrm (2001). «Östersjön». Norstedts första svenska ordbok (em sueco) (Estocolmo: Norstedts ordbok). p. 789. ISBN 91-7227-186-8. 
  2. «Östersjön». Vad varje svensk bör veta (em sueco) (Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB). 2004. p. 200. ISBN 91-0-010680-1.  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (Ajuda)
  3. Tácito. «Germania» (em latim). Consultado em 5 de janeiro de 2013. 
  4. «Balteus» (em sueco). Nordisk familjebok. Consultado em 5 de janeiro de 2013. 
  5. «Indo-European etymology» (em inglês). StarLing. Consultado em 5 de janeiro de 2013. 
  6. Forbes 1910, p. 7
  7. Dini 2000
  8. a b DiMento 2012, p. 34
  9. Schätzing 2009, p. 178
  10. Miranda 2002, p. 35-36
  11. GEPEQ 2005, p. 27
  12. Schätzing 2009, p. 257
  13. DiMento 2012, p. 35

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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