Oceano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Oceano (desambiguação).
Os oceanos do planeta Terra. Um corpo de água contínuo que cerca a terra, o oceano global é dividido em áreas principais. Cinco divisões oceânicas são contadas geralmente: Pacífico, Atlântico, Índico, Ártico, e Antártico. Os últimos dois listados são, às vezes, considerados parte dos primeiros três

Um oceano (em grego: Ωκεανός, "Okeanos") é o componente principal da superfície da Terra, constituído por água salgada. Forma a maior parte da hidrosfera: aproximadamente 71% da superfície da Terra (uma área de uns 361 milhões de quilômetros quadrados). Mais do que a metade desta área tem profundidades maiores que 3.000 metros.

Embora a noção de “oceano global”, como um corpo contínuo de água, seja importante para a oceanografia[1] , o oceano terrestre é, para efeitos práticos, normalmente dividido em várias partes, demarcadas por continentes e grandes arquipélagos. A tabela abaixo mostra a divisão mais comum, em cinco oceanos; é a oficialmente adotada, desde 2000, pela Organização Hidrográfica Internacional, da qual Brasil e Portugal são membros. Regiões menores dos oceanos são conhecidas como mares, golfos e estreitos.

# Oceano Comentários
1 Oceano Pacífico Separa Ásia e Oceania das Américas[2]
2 Oceano Atlântico Separa as Américas da Eurásia e da África
3 Oceano Índico Banha o sul da Ásia e separa África e Austrália[2] [3]
4 Oceano Glacial Antártico Circunda a Antártida; em alguns casos é considerado a simples extensão sul dos outros três oceanos[4] [5]
5 oceano Glacial Ártico Banha os entornos do Polo Norte, entre as porções norte da América do Norte e Eurásia. Em alguns casos, é considerado um mar do Atlântico.

Características físicas[editar | editar código-fonte]

Mais informações: Água do mar e Salinidade
Evaporação da água do mar.

Os oceanos são ambientes totalmente diferentes do terrestre. Assim, esse ambiente é dominado por fenômenos muito peculiares que não ocorrem em terra, como as marés, as ondas, as correntes marinhas, vórtices, etc.

Origem[editar | editar código-fonte]

No meio ambiente terreno a água na forma como a conhecemos encontra-se num estado intermediário entre o estado gasoso vapor e o sólido gelo, quando exposta as intempéries, o calor da crosta terrestre, os raios solares, aos ventos, a pressão atmosférica, promove a evaporação e precipitação desse liquido sobre o próprio mar e os continentes, dando início ao ciclo das águas, responsável pela sedimentação do fundo do mar e a salinização dos oceanos.

Biologia[editar | editar código-fonte]

Segundo a hipótese de Oparin, a vida surgiu no oceano e evoluiu durante muito tempo nesse ambiente, vindo a ocupar o ambiente terrestre apenas em épocas mais recentes (veja escala de tempo geológico e Experiência de Miller-Urey). Dessa forma, os organismos mais primitivos na linha da vida encontram-se no oceano, como as esponjas e cnidários. Veja Biologia Marinha para uma descrição sucinta dos organismos marinhos.

Aumento da Temperatura[editar | editar código-fonte]

Em 20 de julho de 2009, cientistas do Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos, informaram à imprensa que os oceanos estão com a temperatura média de 17 °C, a mais alta desde 1880, quando iniciou-se os registos.[6]

Exploração[editar | editar código-fonte]

O estudos dos oceanos da Terra é chamado oceanografia. As viagens na superfície do oceano com o uso de botes datam de tempos pré-históricos, mas só nos últimos tempos as explorações submarinas se tornaram possíveis e comuns.

O ponto mais profundo do oceano são as Fossas Marianas, localizadas no oceano Pacífico, próximos às Ilhas Marianas, com uma profundidade máxima de 11.037 metros, de acordo com a inspeção feita em 1960, pelo batiscafo da Marinha britânica "Challenger 2", que deu seu nome à parte mais profunda da fossa, "Challenger Deep".

Morfologia do fundo marinho[editar | editar código-fonte]

Idade do fundo marinho.

A margem continental é a porção do fundo marinho que está mais próxima a terra firme. Divide-se em:

  • Plataforma continental ou plataforma submarina: é a menos profunda, chega aos 200 m de profundidade, sendo bastante plana. O água que a cobre costuma conter vida marinha em abundância e a maior parte da pesca realiza-se nesta zona. Aqui encontra-se a quarta parte da produção mundial de petróleo e gás procedente das rochas que se encontram abaixo destas plataformas.
  • Talude continental, escarpada ou escarpa continental. A extensão do talude varia dependendo do oceano em que se encontre. Tem uma pendente mais pronunciada que a anterior e se situa entre os 200 até 3000 metros de profundidade aproximadamente.
  • Borda continental. Encontra-se na parte final do talude e marcaria o limite com os fundos oceânicos.
  • Dorsal centro-oceânica. São correntes montanhosas submarinas, vastas e escarpadas, geralmente localizadas no centro dos oceanos. Em média medem 1000 km de largura com uma altura de 3000 m. Formam um sistema mais ou menos conectado de 80 000 km de cumprido, recebendo diferentes nomes, por exemplo, dorsal Mesoatlântica, dorsal de Reykjanes, dorsal do Pacífico Oriental.
  • Planícies abissais. Formam-se entre as dorsais oceânicas e as margens continentais. São zonas muito planas e uniformes, em torno dos 4.000 m de profundidade. Supõem aproximadamente 40 % do fundo do oceano.
  • Vulcões submarinos
  • Fossas oceânicas ou abisassais. São as partes mais profundas dos oceanos, com uma média de 7000 a 8000 m de profundidade, que podem chegar a medir milhares de quilómetros de distância. A fossa das Marianas tem a maior profundidade do planeta com mais de 11 000 m abaixo do nível do mar.
  • Falésias: são formas de relevo litorâneo abruptas, com declive acentuado e alturas variadas, origina-se da acção das ondas do mar sobre as rochas.
Fossa oceânica Localização Profundidade (m)
Fossa Challenger ou das Marianas Pacífico (sul das ilhas Marianas) 11 034
Fossa de Tonga Pacífico (noroeste da Nova Zelândia) 10 822
Fossa do Japão Pacífico (este do Japão) 10 554
Fossa das Curilas ou da Kamchatka Pacífico (Sul das ilhas Curilas) 10 542
Fossa das Filipinas Pacífico (este das Filipinas) 10 540
Fossa de Kermadec Pacífico (Nordeste da Nova Zelândia) 10 047
Fossa de Porto Rico Atlântico (este de Porto Rico) 8 800
Fossa de Bougainville Pacífico (E Nova Guiné) 9 140
Fossa Sandwich do Sul Atlântico (este das ilhas Sandwich) 8 428
Fossa do Peru-Chile Pacífico (oeste do Peru e Chile) 8 065
Fossa das Aleutas Pacífico (S Ilhas Aleutas) 7 822
Fossa das Caimão Mar do Caribe (sul de Cuba) 7 680
Fossa de Java Índico (sul da ilha de Java) 7 450
Fossa de Cabo Verde Atlântico (oeste das Ilhas Cabo Verde) 7 292

Contaminação[editar | editar código-fonte]

Os oceanos da Terra também desempenham um papel vital em limpar a atmosfera, e algumas actividades do homem podem os alterar severamente. Os oceanos absorvem enormes quantidades de dióxido de carbono. Por sua vez, o fitoplâncton absorve o dióxido de carbono e desprende oxigénio. O Dr. George Small explica a importância deste ciclo de vida: «Os 70 % do oxigénio que se acrescenta à atmosfera a cada ano provem do plâncton que há no mar». Não obstante, alguns cientistas advertem que o fitoplâncton pudesse diminuir gravemente devido à redução do ozono na atmosfera, do qual se acha que o homem é responsável.

Alguns países acedem a limitar os dejetos permitidos que se atirem ao mar, outros negam-se a faze-lo. O famoso navegador oceânico Jacques Cousteau advertiu: «Temos que salvar os oceanos se queremos salvar a humanidade».

É significativa a concentração de peixes em pequenas zonas do oceano e sua escassez em outras partes. Tal como advertiu William Ricker, biólogo de pesca: O mar não é «um depósito ilimitado de energia alimentar». E o navegador subaquático Jacques-Yves Cousteau advertiu, ao regressar de uma exploração submarina mundial, que a vida nos oceanos tem diminuído nuns 40 % desde 1950 devido à sobrepesca e à contaminação.

O cientista marinho suíço Dr. Jacques Piccard previu que em vista da proporção atual da contaminação, os oceanos do mundo ficariam desprovidos de vida em 25 anos. Disse que devido a sua pouca profundidade o mar Báltico seria o primeiro a morrer. Depois morreriam o Adriático e o Mediterrâneo, os quais não têm correntes o suficientemente fortes para transportar a contaminação. Também, o navegador submarino francês Jacques-Yves Cousteau disse que a destruição dos oceanos já se efectuou em 20-30 %. E previu «o fim de tudo em 30 a 50 anos a não ser que se tome acção imediata». Parte desta contaminação deve-se a que a sociedade tem tido durante séculos o conceito equivocado de que estes têm uma capacidade inesgotável para os dejetos.

Oceanos extraterrestres[editar | editar código-fonte]

A Terra é o único planeta conhecido com a água líquida em sua superfície e é certamente o único no nosso próprio sistema solar. No entanto, existem as hipóteses de:

  • Algumas luas possuirem água líquida escondidas sob a superfície, como Europa e, com menos certeza, Calisto e Ganimedes;
  • Luas e planetas terem tido água líquida em sua superfície, no passado -- como parece ser o caso da camada sobre o pólo norte de Marte (resultados recentes da missão Mars Exploration Rovers indicam que Marte teve água parada por um longo período em pelo menos um local, mas sua extensão não é conhecida);
  • Luas e planetas possuirem outros líquidos, que não água, em sua superfície, como foi observado em Titã (embora sua extensão seja pequena e lagos possa ser um termo mais preciso)

A missão espacial Cassini-Huygens descobriu inicialmente apenas o que parece ser leitos de lagos secos e canais de rios vazios, o que sugere que Titã tinha perdido a superfície de líquidos que possa ter tido. O vôo mais recente da Cassini por Titã oferece imagens de radar que sugerem fortemente lagos de hidrocarbonetos próximos das regiões polares mais frias. Uma hipótese é que Titã tenha um oceano de água subterrâneo sob o gelo e a mistura de hidrocarbonetos que formam a sua crosta externa.

Geysers foram encontrados na lua de Saturno Encelado, embora isto pode não envolver corpos de água em estado líquido. Outras luas geladas podem uma vez ter tido oceanos internos que já tenham congelado, tais como Tritão. Os planetas Urano e Netuno podem também possuir grandes oceanos de água líquida sob sua atmosfera espessa, embora a sua estrutura interna não é bem compreendida.

Os astrônomos acreditam que Vênus teve água em estado líquido e, talvez, oceanos em sua história muito recente. Se eles existiram, todos depois desapareceram devido ao recobrimento de sua superfície.

Extrassolares[editar | editar código-fonte]

Além do sistema solar, já foram detectados planetas com valores adequados d e distância à sua estrela central, massa e tamanho para abrigar oceanos ou outras massas de água líquida, mas até o momento pouco se sabe sobre sua composição química. Merecem destaque os planetas que orbitam a estrela Gliese 581: o terceiro, Gliese 581 c, tem a distância certa de seu sol para permitir água líquida na sua superfície (mas seu efeito estufa poderia torná-lo demasiado quente para os oceanos existirem na superfície); já em Gliese 581 d, o efeito estufa pode trazer temperaturas adequadas para a superfície dos oceanos; Gliese 581 g, por outro lado, parece ser o mais similar à Terra.[7]

Astrônomos polemizam se HD 209458 b tem vapor de água em sua atmosfera. Acredita-se que Gliese 436 b possa ter "gelo quente". Nenhum desses planetas são suficientemente frios para possuírem água líquida, mas se as moléculas de água ali existem, eles são também suscetíveis de serem encontradas em planetas a uma temperatura adequada.[8] Descobriram-se evidências de que o planeta GJ 1214 b, detectado pelo trânsito, tem oceanos feitos de forma exótica de gelo VII, que compõem 75% da massa de todo o planeta.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Spilhaus, Athelstan F. (July 1942). "Maps of the whole world ocean". 32 (3) American Geographical Society [S.l.]: 431–5. 
  2. a b "Pacific Ocean - University of Delaware". Ceoe.udel.edu. Consult. 8-11-2012. 
  3. "Indian Ocean -- Britannica Online Encyclopedia". Britannica.com. Consult. 8-11-2012. 
  4. "Ocean". Sciencedaily.com. Consult. 8-11-2012. 
  5. "Limits of Oceans and Seas, 3rd edition" (PDF). International Hydrographic Organization. 1953. Consult. 7 February 2010. 
  6. Veja. Temperatura dos oceanos bate recorde. Visitado em 22/08/2009.
  7. Paula Rothman (30/09/2010). Achado primeiro planeta possivelmente habitável Portal Exame. Visitado em 30/09/2010.
  8. Hot "ice" may cover recently discovered planet
  9. David A. Aguilar (2009-12-16). "Astronomers Find Super-Earth Using Amateur, Off-the-Shelf Technology". Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics. Consult. January 23, 2010. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote
Os cinco oceanos
800px-LocationSouthernOcean.png
Antártico
800px-LocationArcticOcean.png
Ártico
800px-LocationAtlanticOcean.png
Atlântico
800px-LocationIndianOcean.png
Índico
800px-LocationPacificOcean.png
Pacífico