Cnidários

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Como ler uma caixa taxonómicaCnidaria
medusas, anémonas e similares
Ocorrência: Ediacariano - Recente
Antozoários: anémona-do-mar (Actiniaria) e coral-mole (Alcyonacea).

Antozoários: anémona-do-mar (Actiniaria) e coral-mole (Alcyonacea).
Medusa.
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Cnidaria
Hatschek, 1888
Classes

Cnidaria (grego: κνίδη knidē 'urtiga' + latim: aria, sufixo plural) é um filo de animais aquáticos, agrupando os organismos conhecidos pelo nome comum de cnidários, entre os quais as medusas e as alforrecas (ou águas-vivas), as caravelas, as anémonas-do-mar, os corais-moles e as hidras de água doce.[1] São organismos multicelulares, com estrutura simples, providos de cápsulas urticantes, maioritariamente marinhos, que habitam as costas, os fundos e as água abertas dos oceanos.[2] [3] O taxon inclui atualmente mais de 11 000 espécies extantes.[4] Alguns cnidários, como a espécie Polypodium hydriforme e os Myxozoa, evoluíram para formas parasitas. Os cnidários foram incluídos durante muito tempo em conjunto com os Ctenophora (ctenóforos) no filo Coelenterata (os celenterados).[5] [6] [7]

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Ao redor da abertura os celenterados ostentam um anel de tentáculos com células urticantes, os cnidócitos, capazes de injetar um minúsculo espinho, o nematocisto que contém uma toxina ou material mucoso. Estes "aparelhos" servem não só para se defenderem dos predadores, mas também para imobilizarem as presas, incluindo pequenos peixes, de que se alimentam - os cnidários são tipicamente carnívoros. Algumas células da gastroderme da cavidade central, o celêntero, segregam enzimas digestivas, enquanto que outras absorvem a matéria digerida. Na mesogleia, encontram-se dispersas células nervosas e outras com função muscular que promovem o fluxo de água para dentro e fora da cavidade central.[1]

Os cnidários apresentam polimorfismo, ou seja, possuem duas formas corporais possíveis: o pólipo e a medusa.[1]

Os pólipos têm corpo cilíndrico e podem viver fixos a um substrato ou se locomoverem através de cambalhotas. A boca é situada na região superior, rodeada de tentáculos, com grande concentração de cnidócitos. Já as medusas são planctónicas; sua boca se situa no centro da face inferior do corpo, que também é rodeada de tentáculos urticantes de efeito paralisante em pequenos animais, funcionando como forma de predar ou como maneira de se defender.

Os cnidários são diblásticos, protostômios e com simetria radial. Podem formar colônias como é o caso das caravelas e dos corais.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Os cnidários podem se reproduzir de forma sexuada e assexuada. A reprodução clonal, ou assexuada, ocorre em grande parte dos cnidários, entretanto não é universal. Tanto pólipos quanto medusas podem sofrer este tipo de reprodução, mas esta é mais comum entre os pólipos. Dentre as formas de reprodução clonal,encontram-se: fissão transversal, fissão longitudinal, brotamento e fragmentação. Os cnidários possuem uma grande capacidade de reorganizarem e regenerarem partes perdidas após um dano físico. Este evento pode ocorrer tanto em pólipos, quanto em medusas e inclusive em algumas larvas plânulas. A reprodução sexuada dá-se na fase de medusa(na maioria dos Medusozoa), ou de pólipo (em Anthozoa, principalmente). Os cnidários são geralmente dioicos, entretanto existem algumas espécies hermafroditas. As células germinativas têm origem endodérmica e geralmente se diferenciam na gastroderme, com exceção alguns hidrozoários em que elas migram para a epiderme. A fertilização, primitivamente é externa, na água.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Diferentes padrões de clivagem encontrados em Obelia loveni: a. clivagem sincicial, b. clivagem radial, c. clivagem "pseudoradial", d. clivagem anarquica, e. clivagem desigual
Diferentes padrões de clivagem encontrados em Obelia loveni

Os óvulos de cnidários apresentam uma polaridade animal-vegetal clara, que pode ser reflexo do posicionamento do pronúcleo feminino, da alocação dos corpúsculos polares e em alguns casos pela distribuição de componentes citoplasmáticos e simbiontes. O primeiro sulco de clivagem se inicia no polo animal, que posteriormente se tornará a região oral da larva plânula. Os cnidários demonstram uma grande variedade de padrões de clivagem do zigoto, sendo caracterizadas pela irregularidade e caoticidade. Os zigotos de diferentes espécies ou até mesmo da mesma espécie podem possuir um padrão de clivagem diferente. Em hidrozoários, a clivagem apresenta um padrão de indeterminação no desenvolvimento. Blastômeros isolados de um zigoto de 2, 16 ou até mesmo 32 células são capazes de se desenvolver em uma larva plânula normal, porém com menor tamanho. Além disso o desenvolvimento não é afetado pela reorganização artificial dos blastômeros. Em cifozoários também é possível observar uma grande variação no arranjo dos blastômeros, sendo muitas vezes impossível de se encontrar dois zigotos com disposição semelhante dos blastômeros. Evolutivamente o padrão de clivagem anárquico tem sido reconhecido como ancestral em relação aos demais tipos de clivagem. Nos cnidários, independentemente do tipo de clivagem, ela origina duas formas comuns de blástula: uma celoblástula oca ou uma estereoblástula sólida. A partir do estágio de blástula, o zigoto sofre a gastrulação na extremidade do polo animal. A gastrulação pode pode ocorrer de várias maneiras como a invaginação, ingressão unipolar, ingressão multipolar, delaminação ou epibolia. Na gastrulação ocorre a formação da endoderme (que se diferenciará em gastroderme) e ectoderme (que se diferenciará em epiderme). A blastocele origina a mesogleia e o blastóporo origina a boca. O desenvolvimento do zigoto dá origem à uma larva planctônica, denominada plânula.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O filo Cnidaria está dividido em cinco classes de organismos atuais e mais uma de fósseis:

Referências

  1. a b c .ColégioSãoFrancisco.com – Filo Cnidaria
  2. P. A. Meglitsch. Zoología de Invertebrados. (1986). Pirámide. Páxina 117. ISBN 84-368-0316-7.
  3. Ruppert, E.E., Fox, R.S., and Barnes, R.D. (2004). Invertebrate Zoology (7 ed.). Brooks / Cole. ISBN 0-03-025982-7.
  4. Marymegan Daly, Mercer R. Brugler, Paulyn Cartwright, Allen G. Collin, Michael N. Dawson, Daphne G. Fautin, Scott C. France, Catherine S. McFadden, Dennis M. Opresko, Estefania Rodriguez, Sandra L. Romano & Joel L. Stake: The phylum Cnidaria: A review of phylogenetic patterns and diversity 300 years after Linnaeus. Zootaxa, 1668: 127–182, Wellington 2007 ISSN 1175-5326 Abstract - PDF
  5. Encyclopaedia Britannica (ver Classification) Ctenophore Citação: "Os ctenóforos e cnidários eram antes situados conjuntamente no filo Coelenterata. As autoridades modernas, porém, separaram os cnidários dos ctenóforos..."
  6. Tree of Life web project (ver a secção Discussion of Phylogenetic Relationships) Cnidaria Citação: "A sua estrutura diploblástica e a sua única abertura corporal e cavidade levaram a que fossem associados os cnidários com os ctenóforos. De facto, até tempos relativamente recentes o filo Coelenterata considerava-se como incluindo os animais hoje situados em Cnidaria e Ctenophora."
  7. Steven H.D. Haddock. A golden age of gelata: past and future research on planktonic ctenophores and cnidarians. (2004). Hydrobiologia 530/531: 549–556, 2004. Gelata. Citação: "O nome 'coelenterata' foi utilizado durante longo tempo como uma forma conveniente de descrever os organismos dos filos Ctenophora e Cnidaria. Como isso implica um grau de parentesco que se considera hoje inexacto, este termo é normalmente evitado em contexto taxonómico ou filogenético rigoroso".

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Campbell, Reece, & Mitchell. Biology. 1999.
  • Solomon, E.P., Berg, L.R., Martin, D.W. 2002. Biology. Sixth Edition. Brooks/Cole Thomson Learning, Australia, Canada, Mexico, Singapore, Spain, United Kingdom, and United States.
  • Apostila CNEC, Química - Biologia, 2ª série ensino médio, 2010.
  • Apostila Anglo, Biologia, 2ª Série Ensino Médio, 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikispecies
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