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Golfo da Tailândia

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Golfo da Tailândia
Golfo de Sião
Localização do Golfo da Tailândia na região.
Mapa
TipoGolfo (braço do mar da China Meridional)
Nascentes do rioChao Phraya, Mae Klong, Bang Pakong, Tha Chin, Tapi e Mekong (via delta)
Fontes oceânicasPacífico (por meio do mar da China Meridional)
Países da baciaTailândia, Camboja, Vietnã e Malásia
Comprimento máx.c. 800 km
Largura máx.c. 560 km
Profundidade média45–58 m

O Golfo da Tailândia, historicamente conhecido como Golfo de Sião, é uma reentrância marítima rasa situada a sudoeste do mar da China Meridional, no oceano Pacífico. É delimitado pelas costas do Sudeste Asiático continental e pela metade norte da Península Malaia, sendo banhado por quatro países: Tailândia, Camboja, Vietnã e Malásia. Abre-se para o mar da China Meridional a sudeste.

Com cerca de 800 km de comprimento e até 560 km de largura, o golfo ocupa uma área de aproximadamente 320 000 km². Sua pouca profundidade, o forte aporte de água doce de grandes rios e a lenta troca de água com o mar aberto conferem-lhe salinidade relativamente baixa e grande riqueza de sedimentos e nutrientes. Essas características sustentam uma intensa atividade pesqueira e ecossistemas tropicais diversos, ao mesmo tempo em que o golfo abriga reservas significativas de petróleo e gás natural e alguns dos destinos turísticos mais conhecidos do Sudeste Asiático.

Nome e etimologia

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Até 1939, o golfo era designado internacionalmente como Golfo de Sião (em tailandês: อ่าวไทย, Ao Thai). A mudança de nome acompanhou a alteração do nome do próprio país, quando o Sião passou a chamar-se Tailândia; desde então, "Golfo da Tailândia" tornou-se a forma predominante, embora "Golfo de Sião" ainda apareça ocasionalmente.[1] O termo Sião é um exônimo cuja origem costuma ser associada à palavra sânscrita śyāma, que significa "escuro" ou "moreno". Cartógrafos gregos, romanos, árabes, persas e renascentistas já registravam a região; em mapas antigos derivados da Geografia de Ptolomeu, o golfo aparece sob o nome latino Sinus Magnus ("Grande Golfo").

Geografia e limites

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O golfo estende-se aproximadamente entre as latitudes 6°N e 13°30'N e as longitudes 99°E e 104°E. A Tailândia responde por cerca de 70% de seu litoral, o que motivou o nome atual; o restante da costa é dividido entre Camboja, Vietnã (na região do delta do Mekong) e Malásia.[2] Na extremidade norte encontra-se a enseada de Banguecoque, na foz do rio Chao Phraya, e a oeste situa-se o istmo de Kra, faixa estreita de terra que separa o golfo do mar de Andamão. Trata-se de um mar semifechado de plataforma continental, cuja área de fundo é estimada em cerca de 304 000 km².[2]

A delimitação formal do golfo segue a convenção da Organização Hidrográfica Internacional, que define seu limite meridional por uma linha traçada entre o cabo Cà Mau, no Vietnã, e a foz do rio Kelantan, na Malásia. Ao longo de suas margens abrem-se diversas baías, como as de Banguecoque, Prachuap e Sattahip (Tailândia) e as de Kompong Som e Kep (Camboja).

Geologia e batimetria

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Naufrágio abandonado em lagoa tropical no Golfo da Tailândia. Uma homenagem ao conceito auto-reflexivo de contar histórias de The Fall (2006)/Tarsem Singh. Essas cores parecem incrivelmente turquesa. As intensas cores aquáticas tropicais vêm das águas rasas, onde a luz solar reflete na areia e nos recifes próximos à superfície. Koh Mak, ilha tropical, Tailândia.

O Golfo da Tailândia é notavelmente raso. As estimativas variam conforme a fonte: a profundidade média é indicada entre cerca de 45 m e 58 m, e a máxima entre 80 m e 85 m, atingida na depressão central da bacia. Essa configuração faz com que a circulação da água seja lenta.

Geologicamente, o golfo é uma feição recente. Durante o auge da última idade do gelo, o nível do mar era muito mais baixo e a área hoje submersa constituía terra firme, funcionando como prolongamento do vale do rio Chao Phraya. Com o degelo, ao fim do período glacial — há cerca de dez mil anos —, a elevação do nível do mar inundou esse antigo vale, formando o golfo atual. No fundo da depressão central, correntes de orientação estável e processos de expulsão de fluidos dos sedimentos moldaram um relevo característico de montículos e cristas alongadas, acompanhado de pequenas depressões conhecidas como pockmarks.

Hidrografia e clima

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Vários rios importantes desaguam no golfo, entre eles o Chao Phraya e seus distributários (Bang Pakong, Tha Chin e Mae Klong), além do Tapi, do Nakhon Chai Si e, indiretamente, do Mekong, por meio de seu delta no Vietnã. O forte influxo dessas águas continentais, somado à troca lenta com o mar da China Meridional, explica a baixa salinidade e a alta concentração de nutrientes e sedimentos.[3] Do ponto de vista oceanográfico, costuma-se distinguir o golfo interno, mais influenciado pela descarga fluvial, do golfo externo, sujeito à intrusão de água salgada oceânica.

As águas superficiais mantêm-se quentes o ano todo, em geral entre 27 °C e 30 °C. O regime climático é governado pelas monções: a monção de sudoeste, de maio a outubro, traz chuvas intensas à costa oeste, enquanto a monção de nordeste, de novembro a fevereiro, provoca mares mais agitados e tempestades ocasionais no lado leste. A circulação interna é complexa, condicionada por marés, ventos e diferenças de densidade da água.

O golfo abriga centenas de ilhas, muitas delas de grande importância turística e ambiental. No setor tailandês, destacam-se Ko Samui — a maior do lado tailandês, com cerca de 240 km² —, Ko Pha Ngan, Ko Tao, Ko Chang (aproximadamente 219 km²), Ko Samet e Ko Kut. O Arquipélago de Samui reúne mais de oitenta ilhas, e o Parque Nacional Marinho de Ang Thong é formado por 42 delas. A maior ilha do Camboja no golfo é Koh Kong, enquanto a maior de todo o golfo é Phú Quôc, no Vietnã, com cerca de 574 km².[3]

As águas quentes e rasas do golfo sustentam ecossistemas tropicais ricos, que incluem recifes de coral, bancos de ervas marinhas e manguezais. Estimativas apontam a ocorrência de mais de 300 espécies de corais e mais de 800 espécies de peixes, o que faz do golfo um dos ambientes marinhos mais diversos do Sudeste Asiático.[4] Entre a fauna notável estão dugongos — que se alimentam nos bancos de ervas marinhas —, tartarugas-marinhas e tubarões-baleia, que frequentam a região sazonalmente.[4]

Esse patrimônio, contudo, está sob pressão. Boa parte dos recifes encontra-se degradada, e episódios severos de branqueamento de corais foram registrados em 2010 e novamente em meados da década de 2010. No conjunto da Tailândia, estima-se que a grande maioria dos recifes esteja ameaçada por fatores como pesca com explosivos, poluição, derramamentos de óleo, aquicultura de camarão e atividades turísticas.[4]

As águas costeiras rasas do golfo constituem importantes áreas de pesca, exploradas há séculos pelas comunidades locais e responsáveis por parte significativa da produção pesqueira dos países ribeirinhos. A sobre-explotação, porém, reduziu drasticamente os estoques: estima-se que a captura por unidade de esforço tenha caído mais de 80% desde a década de 1960.

Petróleo e gás natural

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O Golfo da Tailândia abriga diversos campos offshore de petróleo e, sobretudo, de gás natural, concentrados na bacia central e ao longo da porção peninsular do país. O gás produzido nesses campos abastece o sistema elétrico e serve de matéria‑prima para o complexo petroquímico tailandês, que figura entre os principais polos da indústria química do Sudeste Asiático.[5][6]

Parte dessas reservas encontra-se em uma Área de Reivindicações Sobrepostas (OCA, na sigla em inglês), faixa de aproximadamente 26 000 a 27 000 km² disputada por Tailândia e Camboja.[7] A sobreposição decorre de reivindicações unilaterais traçadas no início dos anos 1970 — a delimitação cambojana de 1972, a oeste, e a contrarreivindicação tailandesa de 1973, a leste. Estimativas variam, mas apontam a existência de cerca de 10 a 12 trilhões de pés cúbicos de gás natural e centenas de milhões de barris de petróleo, com valor da ordem de US$ 300 bilhões.[7][8] Nenhuma exploração foi autorizada na área devido ao impasse. Um memorando de entendimento firmado em 2001 chegou a estabelecer um marco para negociações, mas foi abandonado pela Tailândia; em 2025, diante de novas tensões — inclusive uma disputa territorial em torno da ilha de Koh Kut —, o país voltou a rescindir o acordo, e o Camboja recorreu a um mecanismo de conciliação previsto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.[9] Como precedente de cooperação, cita-se com frequência a área de desenvolvimento conjunto acordada entre Tailândia e Malásia em 1979.

Turismo e portos

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Horizonte de Pattaya visto do cais em uma manhã.

O turismo é atividade econômica de grande relevância, atraindo milhões de visitantes por ano a estâncias litorâneas como Pattaya, Hua Hin e Cha-am e a ilhas como Ko Samet, Ko Samui e Ko Pha Ngan. Os recifes tornam o golfo um destino popular para o mergulho. Entre os principais portos estão Banguecoque, Songkhla, Pattani e Chanthaburi, na Tailândia; Kep, Kâmpôt e Réam, no Camboja; e Rach Gia, no Vietnã.

Questões ambientais

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Além da sobrepesca e do branqueamento de corais, o golfo enfrenta poluição crescente, com destaque para os resíduos plásticos — a Tailândia figura entre os maiores contribuintes mundiais para a poluição plástica dos oceanos.[10] O aporte de nutrientes trazidos pelos rios, embora sustente a alta produtividade biológica, também favorece episódios de eutrofização. Um caso emblemático ocorreu em 2019, quando um filhote de dugongo apadrinhado por biólogos tailandeses morreu após ingerir plástico, episódio que ampliou o debate público sobre a poluição marinha no país.[11][12]

Referências

  1. ↑ "Limits of Oceans and Seas" (PDF) (3 ed.). International Hydrographic Organization. 1953. p. 23. Archived from the original (PDF) on 8 October 2011. Retrieved 28 December 2020.
  2. 1 2 «Gulf of Thailand | Map, Length, & Facts | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026
  3. 1 2 «Golfo de Tailandia | La guía de Geografía». geografia.laguia2000.com. Consultado em 13 de julho de 2026
  4. 1 2 3 «IW:LEARN | Projects - Waterbodies - Gulf of Thailand (LME)». iwlearn.net. Consultado em 13 de julho de 2026
  5. ↑ «Mercado de Upstream de Petróleo e Gás da Tailândia - Tamanho, Participação e Análise do Setor». Mordor Intelligence. 16 de janeiro de 2026. Consultado em 13 de julho de 2026
  6. ↑ Nogueira, Paulo (5 de janeiro de 2024). «PTTEP e Inpex explorarão o potencial de captura e armazenamento de carbono (CCS) no Golfo da Tailândia.». CPG Click Petróleo e Gás. Consultado em 13 de julho de 2026
  7. 1 2 Silverstein, Ken. «Cambodia, Thailand Sit On Billions In Oil And Gas That's Untouchable». Forbes (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026
  8. ↑ «Thailand eyes $300 billion gas field frozen by Cambodia dispute». worldoil.com (em inglês). 10 de outubro de 2024. Consultado em 13 de julho de 2026
  9. ↑ RFA, Pimuk Rakkanam for (5 de novembro de 2024). «EXPLAINED: Thai holiday island at center of dispute with Cambodia over offshore gas». Benar News (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026
  10. ↑ «Misteriosa doença mata corais da Tailândia». IstoÉ Dinheiro. 28 de dezembro de 2022. Consultado em 13 de julho de 2026
  11. ↑ «Dugongo, animal marinho 'primo' do peixe-boi, morre depois de engolir pedaços de plástico». BBC News Brasil
  12. ↑ «Parque encontra cueca, sacos e cordas em veado morto com 7 kg de lixo no estômago». G1. 28 de novembro de 2019. Consultado em 13 de julho de 2026