Charles de Gaulle

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Charles de Gaulle
Charles de Gaulle em 1961
18º Presidente da França França
Co-Príncipe de Andorra
Período 8 de Janeiro de 1959
a 28 de Abril de 1969
Antecessor(a) René Coty
Sucessor(a) Georges Pompidou
Primeiro Ministro da França
Período 01 de junho de 1958 - 08 de janeiro de 1959
Presidente René Coty
Antecessor(a) Pierre Pflimlin
Sucessor(a) Michel Debré
Chefe do Governo Provisório da República da França
Período 20 de agosto de 194420 de janeiro de 1946
Antecessor(a) Philippe Pétain (Presidente da França de Vichy)
Sucessor(a) Félix Gouin
Presidente da França Livre
Período 18 de junho de 194003 de julho de 1944
Antecessor(a) Posição estabelecida
Sucessor(a) Posição abolida
Vida
Nome completo Charles André Joseph Marie de Gaulle
Nascimento 22 de novembro de 1890
Lille
Morte 9 de novembro de 1970 (79 anos)
Colombey-les-Deux-Églises
Nacionalidade Francesa
Dados pessoais
Alma mater Escola Militar Especial de Saint-Cyr
Primeira-dama Yvonne de Gaulle
Partido RPF (até - 1955)
CNRS (1955–1958)
UNR (1958–1968)
Religião Católico romano
Profissão Militar e Estadista
Assinatura Assinatura de Charles de Gaulle
Serviço militar
Lealdade  Terceira República Francesa
 França Livre
Serviço/ramo Exército de Terra
Forças Armadas da França
França combatente
Anos de serviço 1912–1944
Graduação General de brigada
Unidade Infantaria
Cavalaria Armada
Comandos França combatente
Batalhas/guerras Primeira Guerra Mundial
 •Batalha de Verdun
 •Batalha do Somme
Segunda Guerra Mundial
 •Batalha da França
 •Batalha de Montcornet
 •Batalha de Dakar
 •Liberação de Paris

Charles André Joseph Marie de Gaulle (francês: [ʃaʁl də ɡol] ( ouvir), Lille, 22 de novembro de 1890Colombey-les-Deux-Églises, 9 de novembro de 1970) foi um general, político e estadista francês que liderou as Forças Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial. Mais tarde fundou a Quinta República Francesa em 1958 e foi seu primeiro Presidente, de 1959 a 1969.[1]

Primeiros anos e carreira militar[editar | editar código-fonte]

De Gaulle nasceu na região industrial de Lille, no Flandres francês, sendo o terceiro dos cinco filhos de Henri de Gaulle, um professor de historia e literatura em uma faculdade jesuíta que mais tarde criou sua própria escola.[2] Foi criado em uma família de devotos católicos, nacionalistas e tradicionalistas, mas também bastante progressistas.[3]

O pai de de Gaulle, Henri, descendia de uma longa linhagem de aristocratas da Normandia e da Borgonha, enquanto sua mãe, Jeanne Maillot, pertencia a uma família de ricos empresários de Lille.[4]

I Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Primeira Guerra Mundial, foi feito prisioneiro e esteve no mesmo campo de prisioneiros[5] onde estava o marechal soviético Mikhail Tukhachevsky, que foi executado em 1937 durante o Grande Expurgo. Nos anos 1920 e 1930 de Gaulle destacou-se como um proponente da guerra de blindados e defensor da aviação militar, que ele considerava um meio para romper o impasse da guerra de trincheira.

II Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi promovido ao posto temporário de brigadeiro, liderando um dos poucos contra-ataques de cargos bem sucedidos, antes da queda da França, em 1940. Em seguida, serviu por pouco tempo ao governo francês, antes do início da hierarquia, e logo refugiou-se na Inglaterra, de onde proferiu um famoso discurso, transmitido pelo rádio, em junho de 1940, no qual exortava o povo francês a resistir à Alemanha Nazista[6] e organizando as forças francesas livres com oficiais franceses exilados no Reino Unido.[7]

Durante a Segunda Guerra Mundial rivalizou com o general Henri Giraud na liderança das forças militares e da Resistência francesa. Ao passo que o general Giraud tinha o apoio de Franklin Delano Roosevelt e dos Estados Unidos, De Gaulle foi preferido pelos sectores de esquerda da Resistência, que preferiam a postura mais antiamericana de De Gaulle, mesmo durante a guerra.

Gradualmente, obteve o controle de todas as colônias francesas - a maioria das quais haviam sido inicialmente controladas pelo regime pró-alemão de Vichy. À época da libertação da França, em 1944, de Gaulle dirigia um governo no exílio - a França Livre - insistindo que a França deveria ser tratada como uma potência independente pelos outros aliados. Após a libertação, tornou-se primeiro-ministro do Governo Provisório Francês, renunciando em 1946 devido a conflitos políticos.[8]

Política[editar | editar código-fonte]

Após a guerra, fundou seu próprio partido político, o RPF. Embora se tivesse retirado da política em 1950, após a derrota do RPF, foi escolhido pela Assembleia Nacional Francesa para voltar ao poder como primeiro-ministro, durante a crise de maio de 1958. De Gaulle liderou a redação de uma nova Constituição, fundando a Quinta República[9] e foi eleito Presidente da França, um cargo que agora detinha um poder muito maior do que na Terceira e Quarta Repúblicas.[10]

Presidência[editar | editar código-fonte]

Como presidente, Charles de Gaulle pôs fim ao caos político que precedeu o seu regresso ao poder. Durante seu governo, promoveu o controle da inflação e instituiu uma nova moeda em janeiro de 1960. Também fomentou o crescimento industrial. Apesar de ter apoiado inicialmente o domínio francês sobre a Argélia, decidiu mais tarde conceder a independência àquele país, encerrando uma guerra cara e impopular. A decisão dividiu a opinião pública francesa, e de Gaulle teve que enfrentar a oposição dos colonos pieds-noirs e dos militares franceses que tinham inicialmente apoiado seu retorno ao poder.

De Gaulle empreendeu o desenvolvimento de armas nucleares francesas e promoveu uma política externa pan-europeia, buscando livrar-se das influências norte-americana e britânica. Retirou a França do comando militar da OTAN - apesar de continuar a ser membro da aliança ocidental - e por duas vezes vetou a entrada do Reino Unido na Comunidade Europeia.

Viajou frequentemente pela Europa Oriental e por outras partes do mundo e reconheceu a China comunista. Em 1967, durante uma visita oficial ao Canadá, incentivou publicamente o Movimento pela independência de Quebec, o que causou a mais grave crise diplomática entre a França e o Canadá. Seu discurso pronunciado em Montreal, no dia 24 de julho, foi concluído exatamente com o slogan dos separatistas: "Viva o Quebec livre!", o que foi interpretado pelas autoridades canadenses como apoio do presidente francês ao movimento autonomista.

Durante seu mandato, de Gaulle também enfrentou a oposição política dos comunistas e dos socialistas. Apesar de ter sido reeleito presidente em 1965, desta vez por voto popular direto, em maio de 1968 parecia provável que perdesse o poder, em meio a protestos generalizados de estudantes e trabalhadores. No entanto, sobreviveu à crise com uma ampliação da maioria na Assembléia. Pouco depois, em 1969, depois de perder um referendo sobre a reforma do Senado e a regionalização, renunciou.

Morte[editar | editar código-fonte]

De Gaulle faleceu em 9 de novembro de 1970, na cidade de Colombey-les-Deux-Églises, vítima de um aneurisma cerebral.[11] Encontra-se sepultado em Colombey-les-Deux-Eglises Parish Churchyard, Colombey-les-Deux-Églises, Champanha-Ardenas na França.[12]

De Gaulle é considerado como o líder mais influente da história da França moderna. Sua ideologia e seu estilo político - o gaullismo - ainda têm grande influência na vida política francesa atual.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Cinquième République». Assemblée Nationale Française. 2008. Consultado em 2008-11-02. 
  2. «Charles de Gaulle». Grolier Online. Consultado em 2008-12-27. 
  3. «Fondation Charles de Gaulle - La Genèse 1890–1940 : une famille du Nord». Consultado em 2009-09-10. 
  4. Crawley, Aidan (1969). De Gaulle (London: The Literary Guild). pp. 13–16. 
  5. Max Gallo De Gaulle, tome premier : L'Appel du destin, III, 10.
  6. Berthon, Simon (2001). Allies at war (London: Collins). p. 21. ISBN 0007116225. 
  7. «Fondation Charles de Gaulle». Consultado em 2009-09-10. 
  8. «Fondation Charles de Gaulle». Consultado em 2009-09-10. 
  9. «Fondation Charles de Gaulle». Consultado em 2009-09-10. 
  10. "Gen. De Gaulle At Élysée To-Day New President Faces Growing Threat Of Labour Unrest", The Times, 08 Jan 1959 
  11. «Morre, aos 80 anos, Charles de Gaulle». Estadão. Consultado em 7 de março de 2016. 
  12. Charles de Gaulle (em inglês) no Find a Grave
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Primeiro-ministro da França
1958 - 1959
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Presidente da República Francesa
1959 - 1969
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Georges Pompidou