Argélia

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الجمهورية الجزائرية الديمقراطية الشعبية
(Al-Jumhūriyyah Al-Jazāʾiriyyah Ad-Dīmuqrāṭiyyah Ash-Shaʿbiyyah)

ⵟⴰⴳⴷⵓⴷⴰ ⵜⴰⵎⴻⴳⴷⴰⵢⵜ ⵜⴰⵖⴻⵔⴼⴰⵏⵜ ⵜⴰⵣⵣⴰⵢⵔⵉⵜ
(Tigduda tamegdayt taɣerfant tažžayrit)

République algérienne démocratique et populaire
República Argelina Democrática e Popular

Bandeira da Argélia
Brasão da Argélia
Bandeira Brasão de armas
Lema: بالشعب وللشعب
(A revolução do povo e para o povo)
Hino nacional: Kassaman ("O Juramento")
Gentílico: Argelino [a]

Localização da Argélia

Capital Argel
36°42'N 3°13'L
Cidade mais populosa Argel
Língua oficial Árabe e berbere [b]
Língua não-oficial Francês [c]
Governo República semipresidencialista
 - Presidente Abdelaziz Bouteflika
 - Primeiro-ministro Abdelmalek Sellal
Independência da França 
 - Declarada 5 de julho de 1962 
Área  
 - Total 2 381 741 km² (10.º)
 - Água (%) desprezível
 Fronteira Tunísia, Líbia, Níger, Mali, Mauritânia, Saara Ocidental e Marrocos
População  
 - Estimativa para 2016 40 400 000[1] (33°) hab. (36.º)
 - Densidade 15,9 hab./km² (208º) hab./km² 
PIB (base PPC) Estimativa de 2014
 - Total US$ 551,720 bilhões*[2] 
 - Per capita US$ 14 256[2] 
PIB (nominal) Estimativa de 2014
 - Total US$ 227,802 bilhões *[2] 
 - Per capita US$ 5 886[2] 
IDH (2015) 0,745 (83.º) – elevado[3]
Moeda Dinar argelino (DZD)
Fuso horário CET (UTC+1)
Org. internacionais OPEP, Liga Árabe, União Africana, ONU, (FMI, OMS, FAO)
Cód. ISO DZA/DZ
Cód. Internet .dz
Cód. telef. +213
Website governamental www.el-mouradia.dz

Mapa da Argélia

[a] ^ Também pode utilizar-se argeliano[4]
[b] ^ As línguas berberes são consideradas línguas nacionais.[5] · Berbere [6]
[c] ^ O francês, além de ser língua franca, é utilizado na administração, mídia, comércio e educação.[7]

A Argélia (em árabe: الجزائر; transl.: al-Jazā’ir; em árabe argelino e tamazight: الدزاير, transl.: Dzayer, الجازاير, transl.: Djazaïr ou لدزاير , transl.: Ldzayer; em tifinagh: ⵍⵣⵣⴰⵢⴻⵔ, transl.: Lezzayer; em francês: Algérie, pronunciado: [al.ge.ʁi] ( ouvir)), oficialmente República Argelina Democrática e Popular,[nota 1] é um país da África do Norte que faz parte do Magrebe. Sua capital é Argel, no norte do país, sendo a cidade mais populosa na costa do Mediterrâneo. Com uma superfície de 2 381 741 km², é o maior país da bacia do Mediterrâneo e o mais extenso de todo continente africano, após a divisão entre o Sudão e o Sudão do Sul. Partilha suas fronteiras terrestres ao nordeste com a Tunísia, a leste com a Líbia, ao sul com o Níger e o Mali, a sudoeste com a Mauritânia e o território contestado do Saara Ocidental, e ao oeste com Marrocos.

A nação possui uma rica história, tendo conhecido muitos impérios e dinastias, incluindo os antigos numídios, fenícios, romanos, vândalos, bizantinos, omíadas, abássidos, idríssidos, aglábidos, rustamidas, fatimidas, ziridas, hamaditas, almorávidas, almóadas, otomanos e o império colonial francês. Berberes são geralmente considerados os primeiros habitantes da Argélia. Após a conquista árabe do Norte da África, a maioria dos habitantes nativos foram arabizados. Assim, embora a maioria dos argelinos são berberes na origem, se identificam na identidade árabe. No geral, argelinos são uma mistura de berberes com alguns elementos adicionais de árabes, turcos, africanos subsarianos e andaluzes (muçulmanos ibéricos emigraram após a Reconquista).

A Argélia é tida como uma potência regional e média. O país fornece grandes quantidades de gás natural para a Europa, e as exportações de energia são um dos principais contribuintes na economia argelina. De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Argélia tem a 17ª maior reserva de petróleo do mundo e a segunda maior da África, ao mesmo tempo que tem a 9ª maior reserva de gás natural no mundo. Sonatrach, a empresa nacional de petróleo, é a maior empresa na África. A Argélia tem uma das maiores forças armadas na África e um dos maiores orçamentos de defesa no continente. A maioria das armas da Argélia são importadas da Rússia, com quem eles mantém uma aliança próxima.[8][9]

O país é membro da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Africana (UA) e da Liga Árabe praticamente depois de sua independência, em 1962, e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) desde 1969. Em fevereiro de 1989, a Argélia participou com os outros estados magrebinos, para a criação da União do Maghreb Árabe. A Constituição argelina define "o islã, os árabes e os berberes" como "componentes fundamentais" da identidade do povo argelino, e o país como "terra do islã, parte integrante do Grande Magreb, do Mediterrâneo e da África".

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Argélia

Pré-história e Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Arco de Trajano em Timgad.

Na região de Ain Hanech (Província de Saïda), foram encontrados remanescentes precoces (200 000 a.C.) de ocupação de hominídeos na África do Norte. Neandertais fabricantes de ferramentas produziam machados de mão nos estilos levallois e musteriense semelhantes aos do Levante por volta de 43 000 a.C.[10][11]

A Argélia é habitada por berberes desde pelo menos 10 000 a.C. A partir de 1 000 a.C., os cartagineses passaram a exercer influência sobre os berberes ao instalarem assentamentos ao longo da costa. Os primeiros reinos berberes começaram a surgir, destacando-se o Reino da Numídia, e aproveitaram a oportunidade oferecida pelas guerras púnicas para se tornarem independentes de Cartago.

Sua independência, no entanto, não durou muito já que em 200 a.C. eles foram anexados por Roma, então uma república. Com a queda do Império Romano do Ocidente os berberes tornaram-se independentes outra vez retomando o controle da maior parte do seu antigo território, com exceção de algumas zonas que foram ocupadas pelos Vândalos que por sua vez foram expulsos pelos bizantinos. Com sua vitória o Império Bizantino manteve, ainda que com dificuldades, o domínio sobre a parte leste do país até a chegada dos árabes no século VIII.

Domínio otomano e francês[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Argélia otomana e Argélia francesa
Mapa da Argélia francesa do século XIX

A Argélia foi anexada ao Império Otomano por Khair-ad-Don e seu irmão Aruj que estabeleceram as atuais fronteiras argelinas ao norte e fizeram da costa uma importante base de corsários. As atividades dos corsários atingiram seu pico por volta do século XVII. Ataques constantes a navios norte-americanos no mediterrâneo resultaram na primeira e segunda guerras berberes. Sob o pretexto de falta de respeito para com seu cônsul, a França invade a Argélia em 1830. A forte resistência de personalidades locais e da população dificultou a tarefa da França, que só no século XX obtém o completo controle do país.

Mesmo antes da obtenção efetiva desse controle, a França já havia tornado a Argélia parte integrante de seu território, uma situação que só acabaria com o colapso da Quarta República. Milhares de colonizadores da França, Itália, Espanha e Malta se mudaram para a Argélia para cultivar as planícies costeiras e morar nas melhores partes das cidades argelinas, beneficiando-se do confisco de terras populares realizado pelo governo francês. Pessoas de descendência europeia (conhecidos como pieds-noirs, ou pés pretos), assim como judeus argelinos eram considerados cidadãos franceses, enquanto que a maioria da população muçulmana argelina não era coberta pelas leis francesas, não tinha cidadania francesa e não tinha direito a voto.

Independência[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra de Independência Argelina
Rua de Argel em 1960, durante a guerra da independência

A crise social chegou ao seu limite, com índices de analfabetismo subindo cada vez mais enquanto que a tomada de terras desapropriou boa parte da população nativa. A Argélia foi obrigada a enfrentar uma guerra prolongada de libertação em virtude da resistência dos colonos franceses, que dominam as melhores terras. Em 1947, a França estende a cidadania francesa aos argelinos e permite o acesso dos muçulmanos aos postos governamentais, mas os franceses da Argélia resistem a qualquer concessão aos nativos. Nesse mesmo ano é fundada a Frente de Libertação Nacional (FLN), para organizar a luta pela independência. Uma campanha de atentados anti-árabes (1950-1953) desencadeada por colonos direitistas, tem como reação da FLN uma onda de atentados nas cidades e guerra de guerrilha no campo. Em 1958, rebeldes exilados fundam no Cairo um governo provisório republicano. A intervenção de tropas de elite da metrópole (Legião Estrangeira e paraquedistas) amplia a guerra. Ações terroristas, tortura e deportações caracterizam a ação militar da França. Os nacionalistas e oficiais de ultra-direita dão um golpe militar na Argélia em 1958.

No ano seguinte o presidente francês, Charles de Gaulle, concede autodeterminação aos argelinos. Mas a guerra se intensifica em 1961, pela entrada em ação da organização terrorista de direita OAS (Organização do Exército Secreto), comandada pelo general Salan, um dos protagonistas do golpe de 1958. Ao terrorismo da OAS a FLN responde com mais terrorismo. Nesse mesmo ano fracassam as negociações franco-argelinas, por discordâncias em torno do aproveitamento do petróleo descoberto em 1945. Em 1962 é acertado o Armistício de Evian, com o reconhecimento da independência argelina pela França em troca de garantias aos franceses na Argélia. A República Popular Democrática da Argélia é proclamada após eleições em que a FLN apresenta-se como partido único. Ben Bella torna-se presidente.

Com a saída dos franceses, após a independência, os cristãos ficaram reduzidos a 1% da população, dos quais, 0,5% são estrangeiros. Foi aprovado o decreto 06/03 que restringe cultos não islâmicos e a minoria cristã passou a ser perseguida.[12] Apesar da legislação local tentar evitar medidas extremas contra minorias religiosas, incidentes contra pregadores e padres são constantes, como em dezembro de 2009, quando uma igreja foi incendiada e seu pastor ameaçado.[13]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite da Argélia
Ver artigo principal: Geografia da Argélia

A Argélia tem duas regiões geográficas principais, a região norte e a região do deserto do Saara, na região ao sul do país. A região norte é formada por quatro zonas: uma pequena faixa de planície acompanhando a costa do Mediterrâneo; a região da cadeia de montanhas do Atlas, que possuem um clima mediterrâneo e solo fértil abundante; a região semi-árida e parcamente povoada do Chotts, o qual contém lagos salgados (chotts) e onde se localizam em maior número os criadores de ovelhas e cabras; e a região das montanhas do Atlas do Saara, uma série de montanhas e massivos, também sendo uma região semi-árida e usada essencialmente como pastagem. O rio Chéliff é o maior do país. A maior parte da região árida do Saara é coberta com cascalhos e pedras, com pouca vegetação; há também grandes áreas de dunas de areia no norte e no leste. Alguns oásis importantes são: Touggourt, Biskra, Chenachane, In Zize, e Tin Rerhoh.

O norte argelino está sujeito a terremotos e, como em 1954, 1980 e 2003, podem causar grande devastação. A maior parte da área costeira da Argélia é acidentada, por vezes mesmo montanhosa, e há poucos bons portos. A área imediatamente a sul da costa, conhecida como o Tell, é fértil. Mais para sul situam-se os montes Atlas e o deserto do Saara. Argel, Oran e Constantina são as principais cidades.

Clima[editar | editar código-fonte]

Mapa da Argélia de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger.

O clima da Argélia é árido e quente, se bem que o clima da costa seja suave, e os invernos nas áreas montanhosas possam ser rigorosos. Apenas no norte do país o clima é mediterrâneo. A Argélia é afectada pelo siroco, um vento quente e carregado de pó e areia, especialmente comum no verão. Nesta região, as temperaturas do deserto do meio-dia podem ser quentes durante todo o ano. Depois do pôr-do-sol, no entanto, o ar claro e seco permite rápida perda de calor e as noites são frias. Registram-se enormes intervalos diários de temperatura.[14]

A precipitação é bastante abundante ao longo da parte costeira da Cordilheira do Atlas, variando de 400 a 670 m por ano, a quantidade de precipitação aumenta de oeste para leste. A precipitação é mais forte na parte norte do leste do país, onde atinge até 1.000 mm em alguns anos. Mais para o interior, as chuvas são menos abundantes. A Argélia também tem dunas de areia entre montanhas. Entre elas, no verão, quando os ventos são fortes, as temperaturas podem chegar até 43,3 °C.[14]

Biodiversidade[editar | editar código-fonte]

A vegetação variada da Argélia inclui regiões litorâneas, montanhosas e gramíneas como o deserto, que apoiam uma grande variedade de vida selvagem. Muitas das criaturas que compõem a vida selvagem argelina vivem em estreita proximidade com a civilização. Os animais mais comumente vistos incluem os javalis, chacais e gazelas, embora não seja incomum detectar fenecos e jerboas. A Argélia também tem uma pequena população africana de leopardo-africano e de guepardo-do-noroeste-africano, mas raramente são vistos. Uma espécie de cervo, o Cervus elaphus barbarus, habita as densas florestas úmidas nas áreas do nordeste do país.[15]

Uma variedade de espécies de aves torna o país uma atração para observadores de pássaros. O macaco-de-gibraltar é o único macaco nativo. As serpentes, os lagartos-monitor e de vários répteis podem ser encontrados atrás de roedores nas regiões semiáridas. Muitos animais estão agora extintos, como o leão-do-atlas, o urso-do-atlas e o crocodilo-do-oeste-africano.[16]

No norte, uma parte da flora nativa inclui maquis, oliveiras, carvalhos, cedros e outras coníferas. As regiões de montanha contêm grandes florestas de pinheiro-de-alepo, zimbro e carvalho verde, além de algumas árvores caducifólias. Figueiras, eucaliptos, agaves e várias palmeiras crescem nas áreas mais quentes. A vinha é nativa da costa. Na região do Saara, alguns oásis têm palmeiras. Acacias com azeitonas selvagens são a flora predominante no restante do Sahara.[15]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Densidade populacional por província em 2008.
Ver artigo principal: Demografia da Argélia

Em janeiro de 2016, a população da Argélia era estimada em 40,4 milhões de pessoas, que são principalmente árabes e berberes.[17][18][19] No início do século XX, sua população era de aproximadamente de 4 milhões de habitantes.[20] Cerca de 90% dos argelinos vivem no norte, na área costeira; os habitantes do deserto do Saara se concentram principalmente em oásis, embora cerca de 1,5 milhão permaneçam nômades ou seminômades. Cerca de 28,1% dos argelinos são menores de 15 anos.[17]

As mulheres compõem 70% dos advogados do país e 60% dos juízes e também dominam o campo da medicina. Cada vez mais, as mulheres estão a contribuir mais para a renda familiar do que os homens. 60% dos estudantes universitários são mulheres, de acordo com pesquisadores universitários.[21]

Entre 90.000 e 165.000 saarauís do Saara Ocidental vivem nos campos de refugiados[22][23] no deserto ocidental do Saara argelino.[24] Há também mais de 4.000 refugiados palestinos, que estão bem integrados e não pediram ajuda ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).[22][23] Em 2009, 35.000 trabalhadores migrantes chineses também viviam na Argélia.[25]

A maior concentração de migrantes argelinos fora da Argélia está na França, que, segundo relatos, tem mais de 1,7 milhão de argelinos até a segunda geração.[26]

Composição étnica[editar | editar código-fonte]

Os berberes nativos, bem como fenícios, romanos, bizantinos, árabes, turcos, vários africanos subsaarianos e franceses contribuíram para a história da Argélia.[27] Descendentes de refugiados andaluzes também estão presentes na população de Argel e de outras cidades.[28] Além disso, o espanhol foi falado por esses descendentes de mouriscos aragoneses e castelhanos no início do século XVIII e até o catalão foi falado ao mesmo tempo por descendentes de mouriscos catalães na pequena cidade de Grish El-Oued.[29]

Existem 600.000 a 2 milhões de turcos argelinos, descendentes de governantes, soldados, médicos e outros turcos que governaram a região durante o domínio do Império Otomano no norte da África.[30][31] Os descendentes turcos atuais são chamados frequentemente kouloughlis, significando descendentes de homens turcos e de mulheres argelinas nativas.[32][33]

Apesar do domínio da cultura e da etnia berbere na Argélia, a maioria dos argelinos se identifica com uma identidade árabe, especialmente depois que o nacionalismo árabe se levantou no século XX.[34][35] Os berberes e os argelinos que falam berbere são divididos em muitos grupos com línguas variadas. O maior destes são os cabiles, que vivem na região de Cabília ao leste de Argel, os chaoui do Nordeste Argélia, os tuaregs no deserto do sul e os shenwa do norte do país.[36]

Durante o período colonial, havia uma grande (10% em 1960)[37] população de europeus que se tornou conhecida como Pied-Noirs. Eles eram principalmente de origem francesa, espanhola e italiana. Quase toda esta população partiu durante a guerra da independência ou imediatamente após seu fim.[38]

Língua[editar | editar código-fonte]

Placas na Universidade de Tizi Ouzou em árabe, berbere e francês

O berbere e o árabe moderno padrão são as línguas oficiais.[39] O árabe argelino (Darja) é a língua utilizada pela maioria da população. O árabe argelino coloquial é infundido pesadamente com empréstimos do francês e do berbere.

O berbere foi reconhecido como uma "língua nacional" pela emenda constitucional de 8 de maio de 2002.[40] O cabile, a língua berbere predominante, é ensinado e é parcialmente cooficial (com algumas restrições) em partes da Cabília. Em fevereiro de 2016, a constituição argelina aprovou uma resolução que faria do berbere uma língua oficial ao lado do árabe.

Embora o francês não tenha um estatuto oficial, a Argélia é o segundo maior país francófono do mundo em termos de falantes[41] e o francês é largamente utilizado no governo, nos meios de comunicação (jornais, rádio, televisão local) e no sistema educacional devido à história colonial do país. Pode ser considerada como a língua cooficial de facto da Argélia. Em 2008, 11,2 milhões de argelinos podiam ler e escrever em francês.[42] Um estudo do Instituto Abassa em abril de 2000 descobriu que 60% dos domicílios podiam falar e entender francês ou 18 milhões de pessoas em uma população de 30 milhões. Nas últimas décadas, o governo reforçou o estudo do francês e programas de TV têm reforçado o uso do idioma.

A Argélia emergiu como um Estado bilíngue depois de 1962.[43] O árabe argelino coloquial é falado por cerca de 72% da população e o berbere por 27-30%.[44]

Religião[editar | editar código-fonte]

Antiga sinagoga e atual mesquita em Orã.

O islã é a religião predominante na Argélia, sendo que seus adeptos representando 99% da população.[17] Existem cerca de 150.000 ibadistas no vale M'zab na região de Ghardaia.[45]

As estimativas do número de cristãos na Argélia variam. Um artigo da BBC de 2008 estimou que havia cerca de 10 mil cristãos no país.[46] Num estudo de 2009, a ONU calculou que havia 45.000 católicos[47] e 50.000 a 100.000 protestantes na Argélia.[48] Um estudo de 2015 estimou que havia 380.000 "crentes em Cristo de origem muçulmana" no país.[49]

Após a revolução e a independência argelina, cerca de 6.500 dos 140.000 judeus do país deixaram o país, dos quais cerca de 90% se mudaram para a França com os Pied-Noirs e 10% partiram para Israel.[carece de fontes?]

A Argélia deu ao mundo muçulmano uma série de pensadores proeminentes, como Emir Abdelkader, Abdelhamid Ben Badis, Mouloud Kacem Nait Belkacem, Malek Bennabi e Mohammed Arkoun.

Maiores cidades[editar | editar código-fonte]

Política[editar | editar código-fonte]

Abdelaziz Bouteflika, presidente da Argélia
Ver artigo principal: Política da Argélia

A Argélia é governada sob a Constituição de 1976, a qual foi revista inúmeras vezes. O poder Executivo é liderado pelo presidente, eleito pelo voto popular para um mandato de 5 anos. O primeiro-ministro é indicado pelo presidente. O Parlamento bicameral consiste em 380 cadeiras para a Assembleia Nacional Popular e 144 assentos no Conselho de Nações. O sistema legal argelino é baseado nas leis francesa e islâmica.

Após a independência, a Frente de Libertação Nacional (FLN) torna-se o único partido do país. Após os motins de outubro de 1988 o multipartidarismo é instaurado. O país conta com mais de 30 partidos políticos, porém o mais importante continua sendo a FLN.

A imprensa argelina obteve uma relativa independência nos anos 90, apesar do assassinato de vários jornalistas. Em contrapartida, o Estado manteve seu monopólio no setor audiovisual. Desde 2004, a imprensa enfrenta novamente uma pressão das autoridades. A década de terrorismo entre 1992 e fim dos anos 90 custou a vida de vários jornalistas, intelectuais e agentes de Estado. 1992 é o ano da instauração do estado de urgência. Esta foi decretada pelo Exército após a vitória dos islamistas do FIS (Frente Islâmica de Salvação) nas eleições legislativas.

Em 1999, e novamente em 2005, a política de paz e segurança nacional levada a cabo pelo presidente Bouteflika tenta erradicar os focos radicais.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Subdivisões da Argélia
Subdivisões da Argélia

A Argélia é dividida em 48 wilayas. Além da capital, as maiores cidades incluem Annaba, Blida, Constantina, Mostaganem, Oran, Setif, Sidi Bel Abbes, Skikda e Tlemcen.

Economia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Economia da Argélia

O sector dos hidrocarbonetos é o pilar da economia da Argélia, sendo responsável por cerca de 60% das receitas orçamentais, 30% do PIB e mais de 95% das receitas de exportação. A Argélia tem a sétima maior reserva de gás natural do mundo e é o segundo maior exportador de gás. É ainda o 14º país com maiores reservas de petróleo.

As finanças argelinas em 2000 e 2001 beneficiaram dos aumentos nos preços do petróleo e de uma política fiscal apertada por parte do governo, que levou a um grande aumento no excedente comercial, a máximos históricos nas reservas de divisas e a uma redução na dívida externa. Os esforços do governo para diversificar a economia através da atracção de investimento estrangeiro e doméstico fora do sector energético tem tido pouco sucesso na redução do elevado nível de desemprego e na melhoria do nível de vida. Em 2001, o governo assinou um Tratado de Associação com a União Europeia que irá, eventualmente, baixar as tarifas e aumentar as trocas comerciais. A dívida externa da Argélia foi em 2004 de 21,9 bilhões de dólares, contra US$ 24 bilhões em 2000.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Universidade de Bugia

A educação é oficialmente compulsória na Argélia para crianças com idade entre 6 e 15 anos. Em 1997 havia uma quantidade enorme de professores e estudantes nas escolas primárias.

Nouria Benghabrit-Remaoun, Ministra da Educação Nacional

Na Argélia há 43 universidades, 10 colégios, e 7 instituições de ensino superior. A University of Algiers (fundada em 1909), localizada na capital da Argélia, possui cerca de 267,142 estudantes.[50]

O sistema escolar da Argélia é estruturado em níveis "Básico", "Secundário geral", "Secundário Técnico":

  • Básico: Ecole fondamentale (Escola Fundamental)
    Duração: 16 anos
    Faixa de idade: 6 a 15
    Certificado/diploma recebido: Brevet d'Enseignement Moyen B.E.M.
  • Secundário geral: Lycée d'Enseignement général (Escola de ensino geral), lycées polyvalents (Escola de propósitos gerais)
    Duração: 3 anos
    Faixa de idade: 15 a 18
    Certificado/diploma recebido: Baccalauréat de l'Enseignement secondaire
    (Bachelor's Degree of Secondary School)
  • Secundário Técnico: Lycées d'Enseignement technique (Escola Técnica)
    Duração: 3 anos
    Certificado/diploma recebido: Baccalauréat technique (Technical Bachelor's Degree)

Cultura[editar | editar código-fonte]

Músicos argelinos em Tlemcen; pintura por Bachir Yellès
Ver artigo principal: Cultura da Argélia

A grande maioria dos argelinos é de descendentes de árabes e berberes; os berberes, a partir do século VII adotaram a língua árabe e o islamismo dos poucos árabes que habitavam a região.

A Argélia conheceu um período de esplendor cultural na época do Califado Almóada, nos séculos XII e XIII, que coincidiu com o apogeu da civilização andaluza. A influência berbere se manifestou sobretudo no campo da literatura, em que se destacaram os poetas al-Qalami (século XII) e ibn al-Qafun. Mais tarde continuou-se a cultivar as ciências e os estudos de tecnologia, história e direito, até que, com o início da colonização francesa em 1830, a cultura argelina se foi assimilando progressivamente à da metrópole. O árabe se manteve como língua literária na obra de alguns autores nativos, como os dramaturgos Ksentini e Mahiedine, além do poeta Mohamed al-Id, e ganhou novo impulso depois da independência, embora o francês continuasse a ser amplamente utilizado.

Notas

    • Em árabe: الجمهورية الجزائرية الديمقراطية الشعبية, transl.: Al-Jumhūriyyah Al-Jazāʾiriyyah Ad-Dīmuqrāṭiyyah Ash-Shaʿbiyyah;
    • em tamazight: ⵟⴰⴳⴷⵓⴷⴰ ⵜⴰⵎⴻⴳⴷⴰⵢⵜ ⵜⴰⵖⴻⵔⴼⴰⵏⵜ ⵜⴰⵣⵣⴰⵢⵔⵉⵜ, transl.: Tagduda tamegdayt taɣerfant tazzayrit
    • em francês: République algérienne démocratique et populaire.

Referências

  1. ONS. «Démographie ONS». Consultado em 29 de novembro de 2016 
  2. a b c d Fundo Monetário Internacional (FMI), ed. (Outubro de 2014). «World Economic Outlook Database». Consultado em 29 de outubro de 2014 
  3. «Human Development Report 2016 – "Human Development for Everyone"» (PDF) (em inglês). Human Development Report (Human Development Report Office) - United Nations Development Programme. Consultado em 22 de março de 2017 
  4. Portal da Língua Portuguesa - Dicionário de Gentílicos e Topónimos
  5. Constitution of Algeria; Art. 3". Apn-dz.org. 28 November 1996. Archived from the original on 25 July 2013. Retrieved 17 January 2013.
  6. "APS" (PDF). Algeria Press Service. 6 January 2016. Retrieved 6 January 2016.
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  11. «Research at Ain Hanech, Algeria». Stoneageinstitute.org. Consultado em 14 January 2013  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  12. Peril Portas Abertas
  13. Missionário ameaçado Profético
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