Canárias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde março de 2016). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde março de 2016). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Canaria.
Espanha Canárias

Canarias

 
—  Comunidade autónoma  —
Bandeira de Canárias
Bandeira
Brasão de armas de Canárias
Brasão de armas
Canary Islands, Spain (orthographic projection).png
Hino: Arrorró
Capital Santa Cruz de Tenerife e Las Palmas de Gran Canaria (status compartilhado)[1] [2]
Administração
 - Presidente Fernando Clavijo Batlle (CC)
Área
 - Total 7 446 95 § km²
População (2012)
 - Total 2 218 344[3]
    • Densidade 284,46/km2 
Gentílico: canário, -a
Províncias Las Palmas, Santa Cruz de Tenerife
Idioma oficial Castelhano
Estatuto de autonomia 16 de Agosto de 1982
ISO 3166-2 ES-CN
Congresso
Senado
15 ¹ assentos
14 ² assentos
Sítio Governo das Canárias
§ 1,5% da área total de Espanha
4,51% da população total de Espanha

¹ 8 de Las Palmas e 7 de Santa Cruz de Tenerife

² 1 de eleição directa, 3 por Tenerife, 3 por Gran Canaria, 1 por cada uma das restantes ilhas; e 2 de eleição indirecta pela comunidade

As Ilhas Canárias são um arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, ao largo de Marrocos, constituindo uma Região Autónoma da Espanha. É também uma das oito regiões com uma consideração especial da Nacionalidade histórica reconhecidos como tal pelo Governo espanhol.[4] [5] A área é de 7 447 km², sendo assim a décima-terceira Comunidade espanhola em área, a população em 2003 era de 1 843 755 e em 2005 já quase 2 000 000. A densidade demográfica é de 247,58 hab/km².

As ilhas Canárias são o território mais próximo do arquipélago português da Madeira, com esta compartilhando a região da Macaronésia, junto ainda dos Açores e de Cabo Verde. Das Ilhas Canárias é a maior e mais populoso arquipélago da região da Macaronésia.[6] As suas capitais são Santa Cruz de Tenerife e Las Palmas de Gran Canaria.[1] [2]

O arquipélago das Canárias[editar | editar código-fonte]

Mapa do arquipélago das Canárias.

O arquipélago das Canárias é constituído por sete ilhas principais, divididas em duas províncias e várias pequenas ilhas e ilhéus costeiros:

Há ainda um conjunto de pequenos ilhéus costeiros, penedos e ilhotas (Anaga, Salmor, Garachico).

História[editar | editar código-fonte]

Parlamento das Ilhas Canárias (Santa Cruz de Tenerife)

Antes da chegada dos aborígines, das ilhas Canárias foi habitada por animais endêmicas, como alguns extintos; lagartos gigantes (Gallotia goliath), ratos gigantes (Canariomys bravoi e Canariomys tamarani)[7] e tartarugas gigantes (Geochelone burchardi e Geochelone vulcanica),[8] entre outros.

As ilhas Canárias são conhecidas desde a Antiguidade: existem relatos fidedignos e vestígios arqueológicos da presença cartaginesa na ilha. Foram descritas no período greco-romano a partir da obra de Juba II, rei da Numídia, que as mandou reconhecer e que, afirma-se, por nelas ter encontrado grande números de cães, deu-lhes o nome de "Canárias" ("ilhas dos cães"). São referidas por autores posteriores como "Ilhas Afortunadas".

Depois de um período de isolamento, resultado da crise e queda do Império Romano do Ocidente, e das invasões dos povos bárbaros, as ilhas foram redescobertas e novamente visitadas com regularidade por embarcações europeias a partir de meados do século XIII.

A sua redescoberta é reivindicada por Portugal em período anterior a Agosto de 1336. A sua posse, entretanto, foi atribuída ao reino de Castela pelo Papa Clemente VI, o que suscitou um protesto diplomático de Afonso IV de Portugal, por carta de 12 de Fevereiro de 1345 [9] :

"Ao Santíssimo Padre e Senhor Clemente pela Divina Providência Sumo Pontífice da Sacrossanta e Universal Igreja, Afonso rei de Portugal e do Algarve, humilde e devoto filho Vosso, com a devida reverência e devotamento beijo os beatos pés. (...)
Respondendo pois à dita carta o que nos ocorreu, diremos reverentemente, por sua ordem, que os nossos naturais foram os primeiros que acharam as mencionadas Ilhas [Afortunadas].
E nós, atendendo a que as referidas ilhas estavam mais perto de nós do que qualquer outro Príncipe e a que por nós podiam mais comodamente subjugar-se, dirigimos para ali os olhos do nosso entendimento, e desejando pôr em execução o nosso intento mandámos lá as nossas gentes e algumas naus para explorar a qualidade daquela terra.
Abordando às ditas Ilhas se apoderaram, por força, de homens, animais e outras coisas e as trouxeram com muito prazer aos nossos reinos.
Porém, quando cuidávamos em mandar uma armada para conquistar as referidas Ilhas, com grande número de cavaleiros e peões, impediu o nosso propósito a guerra que se ateou primeiro entre nós e El-rei de Castela e depois entre nós e os reis Sarracenos. (...)"

Nos séculos seguintes, com o apoio da Coroa castelhana, organizaram-se várias expedições comerciais em busca de escravos, peles e tinta. Porém, em 1435, o Papa Eugênio IV emitiu a Bula Sicut Ducum, a qual ordenou a libertação dos escravos[10] .

Em 1402, iniciou-se a conquista destas ilhas com a expedição a Lançarote dos Normandos Jean de Bethencourt e Gadifer de la Salle, mas prestando vassalagem aos reis de Castela e com o apoio da Santa Sé. Devido à localização geográfica, à falta de interesse comercial e à resistência dos Guanches ao invasor, a conquista só foi concluída em 1496 quando os últimos Guanches em Tenerife se renderam.

A conquista das Canárias foi a antecedente da conquista do Novo Mundo, baseada na destruição quase completa da cultura indígena, rápida assimilação do cristianismo, miscigenação genética dos nativos e dos colonizadores.

Uma vez concluída a conquista das ilhas, estas passam a depender do reino de Castela, impondo-se um novo modelo económico baseado na monocultura (primeiro, a cana-de-açúcar e, posteriormente, o vinho, tendo grande importância o comércio com Inglaterra). Foi nesta época que se constituíram as primeiras instituições e órgãos de governo (cabildos e concelhos).

As Canárias converteram-se em ponto de escala nas rotas comerciais com a América e África (o porto de Santa Cruz de La Palma chegou a ser um dos pontos mais importantes do Império Espanhol), o que trouxe grande prosperidade a determinados sectores da sociedade, mas as crises da monocultura no século XVIII e a independência das colónias americanas no século XIX provocaram graves recessões.

No século XIX e na primeira metade do século XX, a razão das crises económicas foi a emigração, cujo destino principal era o continente americano.

No início do século XX, foi introduzida, nas ilhas Canárias, pelos ingleses, uma nova monocultura: a banana, cuja exportação será controlada por companhias comerciais como a Fyffes.

A rivalidade entre as elites das cidades de Santa Cruz e Las Palmas pela condição de capital das ilhas fez com que, em 1927, se tomasse a decisão da divisão do arquipélago em províncias. Actualmente, a capital está dividida entre essas duas cidades.

Povoamento das Canárias[editar | editar código-fonte]

Representação de um povoado guanche antes da colonização espanhola.

As Ilhas Canárias já eram povoadas pelos guanches, antes da chegada dos espanhóis no século XV. A conquista do arquipélago se deu de forma violenta, vez que os guanches resistiram e lutaram de forma impetuosa contra a ocupação espanhola. Uma vez dominados, os nativos foram escravizados em larga escala para custear os gastos com as expedições militares. Em retaliação, os rebeldes, sobretudo os homens, foram massacrados e deportados das ilhas pelos espanhóis.[11]

Por muito tempo, a origem dos guanches permaneceu um mistério. Porém, desde o início da colonização, já existia evidência de que eles eram originários das populações berberes do Norte da África, vez que as línguas e as tradições guanches se assemelhavam a de seus vizinhos do continente africano. Recentes pesquisas genéticas comprovam a origem berbere norte-africana dos nativos canários. Todavia, continua a dúvida sobre de que maneira os guanches chegaram às ilhas, pois só poderia ter sido por via marítima, vez que o arquipélago nunca foi conectado à África por via terrestre. Porém, quando os espanhóis chegaram às ilhas, os guanches não dominavam a técnica naval. Portanto, existem duas hipóteses: eles chegaram sozinhos por via marítima e depois esqueceram suas habilidades de navegação ou eles foram levados para as ilhas por algum outro povo que dominava a técnica naval.[11]

Mesmo com a escravização e o massacre em massa da população nativa, pesquisas genéticas mostram que os atuais habitantes das Ilhas Canárias descendem, em parte, dos guanches. 41,8% das linhagens maternas dos canários atuais tem origem guanche, 55,4% ibérica e 2,8% africana subsaariana (resultado do tráfico de escravos negros durante a colonização). Por outro lado, no lado paterno, apenas 16,1% das linhagens são guanches e 83% são ibéricas e 0,9% africanas subsaarianas. Isso mostra que houve uma miscigenação preferencial entre homens europeus e mulheres nativas.[11]

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia é baseada no sector terciário (74,6%), principalmente turismo que tem proporcionado o desenvolvimento da construção civil, sendo a origem dos turistas: espanhóis (30%), alemães, britânicos, suecos, franceses, russos, austríacos, neerlandeses, portugueses e de outras nacionalidades européias.

As Canárias são um destino turístico importante na Europa.

A indústria é escassa, basicamente agroalimentária, de tabaco e de refinação de Petróleo (A refinaria de petróleo de Tenerife é a maior de Espanha). Depois da ocupação do Saara Ocidental por Marrocos, as indústrias de conserva e de salga de pescado desapareceram.

Só esta cultivado 10% do solo sendo a maioria de secano (cevada e trigo), e de regadio uma minoria (tomates, bananas e tabaco), orientados para o comércio com o resto da Espanha e da União Europeia. Também se iniciou a exportação de frutas tropicais (abacate e manga) e flores. A pecuária, principalmente a caprina e a bovina, tem sofrido um importante retrocesso nas últimas décadas.

Religião[editar | editar código-fonte]

Como ocorre no resto da Espanha, a sociedade da Ilhas Canárias é predominantemente cristã,[12] principalmente católica.[13] A religião católica tem sido desde a conquista do arquipélago das Canárias a religião majoritária (por mais de cinco séculos atrás). Nas Ilhas Canárias nasceram duas grandes santos católicos: Pedro de Betancur[14] e José de Anchieta.[15] Ambos nascidos na ilha de Tenerife, foram, respectivamente, missionários na Guatemala e no Brasil.

Contudo, o aumento dos fluxos migratórios (turismo, imigração, etc.) estão a aumentar o número de seguidores de outras religiões se reúnem nas ilhas, como muçulmanos,[16] protestantes[17] e praticantes do hinduísmo.[18] Religiões minoritárias significativamente importantes nas Ilhas Canárias são religiões afro-americanas,[19] Religião tradicional chinesa,[20] budista,[21] Judaísmo[22] e da Fé Bahá'í.[23] Também existe em uma forma de arquipélago nativo neo-paganismo, a Igreja do Povo Guanche.[24]

Referências

  1. a b Real Decreto de 30 de noviembre de 1833 en wikisource
  2. a b Real Decreto de 30 de noviembre de 1833 en el sitio web oficial del Gobierno de Canarias
  3. Datos demográficos, INE 2012
  4. Reforma de Estatuto de las Islas Canarias
  5. Canarias en la España contemporánea: La formación de una nacionalidad histórica
  6. La Macaronesia. Consideraciones geológicas, biogeográficas y paleoecológicas
  7. Algunas extinciones en Canarias Consejería de Medio Ambiente y Ordenación Territorial del Gobierno de Canarias
  8. «La Paleontología de vertebrados en Canarias.» Spanish Journal of Palaeontology (antes Revista Española de Paleontología). Consultado el 17 de junio de 2016.
  9. Questão das Canárias (séc. XIV-XV). In Infopédia (Em linha). Porto: Porto Editora, 2003-2013. Consult. 2013-09-26. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$questao-das-canarias-(sec.-xiv-xv)>
  10. http://www.papalencyclicals.net/Eugene04/eugene04sicut.htm
  11. a b c http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2728732/#B4
  12. Religiones entre continentes. Minorías religiosas en Canarias. Editado por la Universidad de La Laguna
  13. , aunque el nivel de práctica religiosa es de los más bajos de España.Información turística de España
  14. Pedro de San José Betancurt, Santo
  15. José de Anchieta, Santo
  16. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  17. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  18. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  19. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  20. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  21. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  22. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  23. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria
  24. Un 5% de canarios profesa una religión minoritaria

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]