Itália

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Repubblica Italiana
República Italiana
Bandeira da Itália
Brasão das Armas da Itália
Bandeira Brasão de Armas
Hino nacional: Il canto degli Italiani (italiano)
Também conhecido como Fratelli d'Italia ou Inno di Mameli.

("O canto dos italianos")
Gentílico: Italiano

Localização da Itália

Localização da Itália (em vermelho)
No continente europeu (em cinza)
Na União Europeia (em branco)
Capital Roma
41º51' N 12º29' E
Cidade mais populosa Roma
Língua oficial Italiano¹
Governo República parlamentarista
 - Presidente Sergio Mattarella
 - Primeiro-ministro Paolo Gentiloni
Formação  
 - Unificação 17 de março de 1861 (157 anos) 
 - República 2 de junho de 1946 (71 anos) 
Entrada na UE 25 de março de 1957 (membro co-fundador)
Área  
 - Total 301,338 km² (69.º)
 - Água (%) 2,4
 Fronteira França, Suíça, Áustria, Eslovénia, San Marino e Cidade do Vaticano
População  
 - Estimativa para 2015 60 802 085[1] hab. (23.º)
 - Censo 2013 59 831 093[2] hab. 
 - Densidade 201,32 hab./km² (42.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2017
 - Total US$ 2,307 trilhões*[3] (12.º)
 - Per capita US$ 38 000[4] (36.º)
PIB (nominal) Estimativa de 2017
 - Total US$ 1,937 trilhões*[5] (9.º)
 - Per capita US$ 31 984[6] (25.º)
IDH (2015) 0,887 (26.º) – muito elevado[7]
Gini (2006) 32[8]
Moeda Euro² (EUR)
Fuso horário CET (UTC+1)
 - Verão (DST) CEST (UTC+2)
Clima Mediterrânico, alpino e continental
Org. internacionais ONU, OMC, OTAN, UE, CE, OCDE, G8, G20
Cód. ISO ITA
Cód. Internet .it ³
Cód. telef. +39
Website governamental http://www.governo.it

Mapa da Itália

¹ Alemão e ladino, no Tirol do Sul; esloveno, no Friuli-Venezia Giulia; francês, no Vale de Aosta.
² Antes de 1999: Lira italiana
³ o domínio .eu também é utilizado juntamente com os outros Estados membros da União Europeia.

Itália (em italiano: Italia [iˈtaːlja]), oficialmente República Italiana (em italiano: Repubblica Italiana), é uma república parlamentar unitária localizada no centro-sul da Europa (Europa meridional). Ao norte, faz fronteira com França, Suíça, Áustria e Eslovênia ao longo dos Alpes. Ao sul, que consiste na totalidade da península Itálica, Sicília, Sardenha, as duas maiores ilhas no Mar Mediterrâneo, e muitas outras ilhas menores ficam no entorno do território italiano. Os Estados independentes de San Marino e do Vaticano são enclaves no interior de Itália, enquanto Campione d'Italia é um exclave italiano na Suíça. O território do país abrange cerca de 301 338 km² e é influenciado por um clima temperado sazonal. Com 60,6 milhões de habitantes, é a quinta nação mais populosa da Europa e a 23ª do mundo.

Roma, a capital italiana, foi durante séculos o centro político e religioso da civilização ocidental como a capital do Império Romano e como sede da Santa Sé. Após o declínio dos romanos, a Itália sofreu inúmeras invasões de povos estrangeiros, desde tribos germânicas, como os lombardos e ostrogodos, aos bizantinos e, mais tarde, os normandos, entre outros. Séculos mais tarde, Itália tornou-se o berço das repúblicas marítimas e do Renascimento,[9] um movimento intelectual extremamente frutífero que viria a ser parte integrante na formação subsequente do pensamento europeu.

Durante grande parte de sua história pós-romana, a Itália foi fragmentada em vários reinos (tais como o Reino da Sardenha; o Reino das Duas Sicílias e o Ducado de Milão) e cidades-Estado, mas foi unificada em 1861,[10] após um período tumultuado da história conhecido como "Il Risorgimento" ("O Ressurgimento"). No final do século XIX, através da Primeira e Segunda Guerra Mundial, a Itália possuiu um império colonial que estendia seu domínio até a Líbia, Eritreia, Somália, Etiópia, Albânia, Dodecaneso e uma concessão em Tianjin, na China.[11]

A Itália moderna é uma república democrática, classificada como o 24º país mais desenvolvido do mundo[7] e com índice de qualidade de vida entre os dez primeiros do planeta.[12] O país goza de um alto padrão de vida e tem um elevado PIB nominal per capita.[13][14] É um membro fundador da União Europeia e parte da zona euro, além de ser membro do G8, G20, OTAN, OCDE, Organização Mundial do Comércio (OMC), Conselho da Europa, União da Europa Ocidental e as Nações Unidas. A Itália tem a quarta maior reserva de ouro, o oitavo maior PIB nominal, o décimo maior PIB (PPC)[13] e o sexto maior orçamento público do mundo.[15] A República Italiana tem o nono maior orçamento de defesa do mundo, acesso às armas nucleares da OTAN e um papel proeminente nos assuntos militares, culturais e diplomáticos europeus e mundiais, o que a torna uma das principais Potências Médias do mundo e uma Potência Regional de destaque na Europa.[16][17] O país tem um elevado nível de escolaridade pública e é uma nação altamente globalizada.[18]

Etimologia

Várias hipóteses para o nome da Itália foram formuladas.[19] Umas da quais teoriza que o nome se origina de um empréstimo linguístico, quando a hegemonia etrusca ia chegando a seu ocaso com a expansão dos latinos, os povos do Sul, em particular os oscos, úmbrios e outros povos do centro e Sul da península Itálica possuíam um numeroso rebanho bovino. Na língua dos oscos, o acusativo ‘vitluf’ (aos bezerros) deu lugar em latim a ‘vitellus’ (bezerrinho), palavra proveniente de vitulos (bezerro de entre um e dois anos) e similarmente no úmbrio como vitlo . Estas palavras se derivaram do indo-europeu ‘wet-olo’ (de um ano cumprido), formada por sua vez a partir de ‘wet-‘ (ano), também presente nos vocábulos "veterano" e "veterinário".[20][21]

O gado era tão importante para esses povos que adotaram como emblema a imagem de um touro jovem, que aparece em algumas moedas da época, com o nome de vitalos, que em pouco tempo converteu-se em ‘italos’, nome com que se denominou as tribos do Sul,[22] de acordo com Antíoco de Siracusa, a porção sul da península Bruttium moderna calábria: província de Régio da Calábria, e parte das províncias de Catanzaro e Vibo Valentia). Mas no seu tempo, Itália e Enótria já haviam se tornado sinônimos, e o nome também era aplicado também a maioria da Lucânia. Os gregos gradualmente aplicaram o nome Itália para uma região maior, mas foi durante o reino do imperador Augusto (fim do século I a.c.) que o termo foi expandido para cobrir toda a península até os alpes.[23] e ‘itali – orum’ foi usado como gentílico para seus habitantes.[22]

O historiador grego Dionísio de Halicarnasso declara essa versão, junto da lenda de que a Itália seria nomeada a partir do Rei Ítalo,[24] o que também é mencionado por Aristóteles[25] e Tucídides.[26]

História

Ver artigo principal: História da Itália

A história da Itália influenciou fortemente a cultura e o desenvolvimento social, tanto na Europa como no resto do mundo. Foi o berço da civilização etrusca, da Magna Grécia, da civilização romana, da Igreja Católica, das repúblicas marítimas do Humanismo, do Renascimento e do fascismo. Foi o lugar de nascimento de muitos artistas, cientistas, músicos, literatos, exploradores.[20]

Pré-história e Antiguidade

Templo de Hera em Pesto, o maior e mais bem preservado templo dórico.

As escavações em toda a Itália revelaram uma presença de neandertais que remonta ao período paleolítico, cerca de 200 mil anos atrás.[27] Os humanos modernos apareceram há cerca de 40 mil anos na região. Os sítios arqueológicos deste período incluem locais como Ceprano e Gravina in Puglia.[28]

Civilizações importantes que desapareceram há milhares de anos nasceram na Itália, como a civilização de Nurago. Durante a Idade do Ferro existiram várias culturas que podem ser diferenciadas em três grandes núcleos geográficos, a do Lácio Antigo, a da Magna Grécia e a de Etrúria. Uma destas culturas, os lígures, foram um enigmático povo que habitava o norte de Itália, Suíça o sul de França.[29]

Entre os diversos povos da Antiguidade destacam-se os lígures, os vênetos e os celtas no norte, os latinos e os etruscos samnitas no centro, enquanto no sul prosperaram colônias gregas (Magna Grécia), e na Sardenha desde o segundo milênio a.C. floresceu a antiga civilização dos sardos.[30]

Roma antiga

O Coliseu, construído ca. 70-80 dC.
Império Romano em sua extensão máxima.

Uma das mais importantes culturas antigas desenvolvidas em solo italiano foi a etrusca (a partir do século VIII a.C.), que influenciou profundamente Roma e sua civilização, na qual muitas tradições importantes de origem Mediterrânea e Eurasiática encontraram a mais original e duradoura síntese política, econômica e cultural.[30]

Nascida na península Itálica, Roma, um assentamento em um vau no rio Tibre,[31] com fundação convencionalmente em 753 a.c., foi regida por um período de 244 anos por um sistema monárquico, inicialmente com soberanos de origem das tribos latina e sabina, depois por reis etruscos. A tradição conta sete reis: Rômulo, Numa Pompilius, Tullus Hostilius, Ancus Marcius, Tarquinius Priscus, Servius Tullius e Tarquinius Superbus. Em 509 a.c., os romanos expulsam o último rei da sua cidade[32] e estabelecem a República Romana.Desde sempre terra de origem e de encontro entre diversos povos e culturas, a civilização romana foi capaz de explorar as contribuições provenientes dos etruscos e de outros povos itálicos, da Grécia e de outras regiões do Mediterrâneo Oriental (Palestina - o berço do cristianismo - Síria, Fenícia e Egito). Graças ao seu império, Roma difundiu a cultura heleno-romana pela Europa e pelo Norte de África que foram os limites de sua civilização.[30]

O Império Romano estava entre as forças econômicas, culturais, políticas e militares mais poderosas do mundo de seu tempo. Foi um dos maiores impérios da história mundial. Em seu auge, sob o governo de Trajano, cobriu 5 milhões de quilômetros quadrados.[33][34] O legado romano influenciou profundamente a civilização ocidental, moldando a maior parte do mundo moderno; entre os muitos legados do domínio romano estão o uso generalizado das línguas românicas derivadas do latim, do sistema numérico, do alfabeto e do calendário do Ocidente e do surgimento do cristianismo como uma religião mundial importante.[35]

Em um lento declínio desde o século III, o Império dividiu-se em dois no ano de 395. O Império Ocidental, sob a pressão das invasões bárbaras, entrou em colapso em 476, quando seu último imperador foi deposto pelo chefe germânico Odoacro, enquanto o Império Oriental ainda sobreviveria por mais mil anos.[30]

Idade média

Bandeiras das repúblicas marítimas. Do topo, em sentido horário: Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi.

Após a queda do Império Romano do Ocidente, o território da península se dividiu em vários Estados, alguns independentes, alguns parte de estados maiores (inclusive fora da península Itálica). O mais duradouro entre eles foram os Estados Pontifícios, que resistiram até a tomada italiana de Roma em 1870 e que foi mais tarde reconstituído como o Vaticano, no coração da capital italiana. Depois da queda do último imperador romano do Ocidente, seguiu-se a o domínio dos hérulos e, em seguida, dos ostrogodos.[36] A reanexação da Itália ao Império Romano do Oriente realizado por Justiniano I, em virtude das Guerras Góticas, na metade do século VI d.C., foi curta, uma vez que, já entre 568 e 570, os lombardos, povos germânicos provenientes do território da atual Hungria, ocuparam parte da península, reduzindo os domínios bizantinos na Itália ao Exarcado de Ravena, mas representaram uma formidável continuidade política e cultural e a garantia da prosperidade económica da península e de toda a Europa por muitos anos.[30][37]

Depois a área sob domínio romano-bizantino foi sujeita a fragmentações territoriais, mas conseguiu resistir até o final do século XI, enquanto os lombardos tiveram que se submeter aos francos comandados por Carlos Magno a partir da segunda metade do século VIII, os francos ajudaram na formação dos Estados Papais. No ano 800, a Itália central tornou-se parte do Sacro Império Romano-Germânico; Até o século XIII a política italiana foi dominada pela relação entre os imperadores do Sacro Império e os papas, com a maioria das cidades italianas se aliando com os primeiro (gibelinos) ou com os últimos (guelfos) de acordo com a conveniência do momento.[38]

Marco Polo, explorador do século XIII, registrou as viagens durante 24 anos no seu livro, introduzindo europeus na Ásia Central e China.[39]

Foi durante essa época caótica que as cidades italianas viram a ascensão de uma instituição peculiar, as comunas medievais. Devido ao vácuo de poder causado pela extrema fragmentação territorial e a luta entre o império e a Santa Sé, as comunidades locais buscaram maneiras autônomas de manter a lei e a ordem.[40] A Questão das Investiduras, um conflito sobre duas visões radicalmente diferentes sobre as autoridades seculares tais como reis, condes ou duques, terem qualquer papel legítimo no apontamento de instituições eclesiásticas tais como bispados, foi finalmente resolvido pela Concordata de Worms. Em 1176 uma liga de cidades estado, a Liga Lombarda, derrotou o imperador germânico Frederico Barbarossa na Batalha de Legnano, assim certificando a independência efetiva para a maioria das cidades do centro e norte da Itália.

Nas áreas costais e do sul, as repúblicas marítimas cresceram para finalmente dominarem o Mediterrâneo e monopolizar as rotas de comércio com o Oriente. Elas eram cidades-estados talassocráticas e independentes, ainda que a maioria delas tenha se origina de territórios que pertenciam ao Império Bizantino. Todas essas cidades durante o seu tempo independente tiveram sistemas de governo similares nos quais a classe mercante detinha considerável poder. Na prática, as repúblicas eram oligárquicas e pouco se assemelhavam a democracia moderna, a relativa liberdade política que elas detinham eram condutivas para o avanço acadêmico e artístico.[41]

As quatro mais proeminentes repúblicas marítimas foram a Veneza, Gênova, Pisa e a Amalfi, enquanto que as menos conhecidas são a Ragusa, Gaeta, Ancona e Noli. Veneza e Gênova eram portas de entrada da Europa para o comércio com o Oriente, e produtoras de vidro fino, enquanto que a Florença foi a capital da seda, lã, bancos e joalheria. A riqueza desses negócios trazidos à Itália significou o comissionamento úblico e privado de grandes projetos artísticos. As repúblicas estiveram pesadamente envolvidas com as Cruzadas, providenciando suporte mas especialmente, tomando vantagem das oportunidades políticas e de comércio resultante dessas guerras.[41]

No sul, a Sicília se tornou um emirado islâmico no século IX, prosperando até que os ítalo-normandos o conquistaram no fim do século XI junto com a maioria dos principados lombardos e bizantinos no sul da Itália.[42] Por uma série de eventos complexos, o sul da Itália desenvolveu um reino unificado, primeiro sob a Dinastia de Hohenstaufen, depois sob a Casa capetiana de Anjou e a partir do século XV com a Dinastia de Aragão. Na Sardenha, as antigas províncias bizantinas se tornaram estados independentes conhecidos como Giudicati, ainda que algumas partes da ilha se tornaram controladas por Gênova ou Pisa até a anexação aragonesa no século XV. A Pandemia de Peste Negra de 1348 deixou a sua marca na Itália ao matar talvez cerca de um terço da população.[43][44] Contudo, a recuperação da praga levou a ressurgência das cidades, comércio e economia, que permitiu o florescimento do humanismo e da Renascença, que depois se espalhou pela Europa.

Era moderna

A península itálica em 1494.

Nos séculos XIV e XV, a o centro-norte da Itália foi dividida em várias cidades-Estados em guerra, sendo o restante da península ocupada pelos Estados Papais e pelo Reino da Sicília, referido aqui como Nápoles. Embora muitas dessas cidades tenham sido muitas vezes subordinadas formalmente a governantes estrangeiros, como no caso do Ducado de Milão, que era oficialmente um Estado constituinte do Sacro Império Romano-Germânico, elas geralmente conseguiram manter a independência que haviam conquistado em terras italianas após o colapso do Império Romano do Ocidente. A mais forte entre estas cidades-Estados absorveu gradualmente os territórios circundantes que dão à luz os estados regionais de signoria, muitas vezes liderados por famílias mercantes que fundaram dinastias locais. A guerra entre as cidades-estados era endêmica e principalmente lutada por exércitos de mercenários conhecidos como condottieri, grupos de soldados provenientes de toda a Europa, especialmente a Alemanha e a Suíça, liderados em grande parte por capitães italianos.[45]

Décadas de luta finalmente viram Florença, Milão e Veneza emergiram como as potências dominantes que concordaram com o Tratado de Lodi em 1454, que trouxe calma relativa para a região pela primeira vez em séculos. Esta paz seria válida para os próximos quarenta anos.

Florença, o berço do Renascimento.

O Renascimento, um período de vigoroso renascimento das artes e da cultura, originou-se na Itália graças a uma série de fatores, como a grande riqueza acumulada pelas cidades mercantes, o patrocínio de suas famílias dominantes[46] e a migração de estudiosos e textos gregos para a Itália após a conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos.[47][48][49] O Renascimento italiano atingiu o pico em meados do século XVI, enquanto as invasões estrangeiras mergulhavam a região na turbulência das Guerras Italianas.

Os Médici se tornaram a principal família de Florença e fomentaram e inspiraram o nascimento do Renascimento italiano,[46][50] juntamente com outras famílias da Itália, como os Visconti e Sforza de Milão, os Este de Ferrara e os Gonzaga de Mantua. Os melhores artistas, como Leonardo da Vinci, Brunelleschi, Botticelli, Michelangelo, Giotto, Donatello, Ticiano e Rafael produziram trabalhos inspirados - sua pintura era mais realista do que tinha sido criada por artistas medievais e suas estátuas de mármore rivalizavam e às vezes superavam as da Antiguidade Clássica. O historiador humanista Leonardo Bruni também dividiu a história na Antiguidade, na Idade Média e Idade Moderna.[51] As ideias e ideais do Renascimento logo se espalharam para França, Inglaterra e grande parte da Europa. Enquanto isso, no entanto, a descoberta da América, as novas rotas para a Ásia encontradas pelos portugueses e o surgimento do Império Otomano, foram todos fatores que corromperam com o tradicional domínio italiano no comércio com o Oriente e provocaram um longo declínio econômico na península.

Cristóvão Colombo descobriu a América em 1492, abrindo uma nova era na história da humanidade.

Após as Guerras Italianas (1494 a 1559), provocadas pela rivalidade entre a França e a Espanha, as cidades-estados gradualmente perderam sua independência e subiram a dominação estrangeira, primeiro pela Espanha (1559 a 1713) e depois pela Áustria (1713 a 1796). Em 1629-1631, uma nova explosão de praga afetou cerca de 14% da população da Itália.[52] Além disso, à medida que o Império Espanhol começou a declinar no século XVII, suas posses em Nápoles, Sicília, Sardenha e Milão também entraram em decadência. Em particular, o sul da Itália foi empobrecido e cortado da corrente principal de eventos na Europa.[53]

No século XVIII, como resultado da Guerra da Sucessão Espanhola, a Áustria substituiu a Espanha por poder estrangeiro dominante, enquanto a Casa de Saboia surgiu como uma potência regional que se expandia para o Piemonte e a Sardenha. No mesmo século, o declínio de 200 anos foi interrompido pelas reformas econômicas e estatais prosseguidas em diversos estados pelas elites governantes.[54] Durante as Guerras Napoleônicas, o norte e o centro da Itália foram invadidos e reorganizados como um novo Reino da Itália, um Estado cliente do Império Francês,[55] enquanto a metade sul da península era administrada por Joachim Murat, o cunhado de Napoleão, que foi coroado como Rei de Nápoles. O Congresso de Viena de 1814 restaurou a situação no final do século XVIII, mas os ideais da Revolução Francesa não podiam ser erradicados e, em breve, ressurgiram durante os convulsões políticas que caracterizaram a primeira parte do século XIX.[30]

Unificação

A Itália contemporânea nasceu como um Estado unitário, quando em 17 de março de 1861, a maioria dos estados da península e as duas principais ilhas foram unidas sob o comando do rei da Sardenha Vitor Emanuel II da casa de Saboia. O arquiteto da unificação da Itália era o primeiro-ministro da Sardenha, conde Camillo Benso de Cavour, que apoiou (embora não reconhecendo diretamente) Giuseppe Garibaldi, permitindo a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha-Piemonte.[30]

O processo de unificação teve a ajuda da França, que - juntamente com o Reino Unido - tinha um interesse em criar um estado anti-Habsburgo comandado por uma dinastia amiga (Sabóia) e capaz de impedir o surgimento de um estado republicano e democrático na Itália (desejada por alguns "patriotas", como Mazzini e como já tinha acontecido em parte, em Roma, Milão, Florença e Veneza durante o movimento revolucionário de 1848).[30]

A primeira capital do reino foi Turim, a antiga capital do Reino de Sardenha e ponto de partida do processo de unificação da Itália. Depois da convenção de setembro de 1864, a capital foi transferida para Florença.[56]

Altare della Patria ("Altar da Pátria"), em honra a Vítor Emanuel II, primeiro rei da Itália.

Em 1866, a Itália adquiriu do Império Austríaco o Vêneto, após a guerra, na qual a Itália era aliada à Prússia de Bismarck. Na unificação, permaneceram excluídos a Córsega e a região de Nice, cidade natal de Garibaldi, assim como Roma e os territórios vizinhos que estavam sob o controle do Papa e protegido por Napoleão III. Graças à derrota da França pelos prussianos, após uma rápida ação militar em 20 de setembro de 1870, também fora anexada Roma e proclamada a capital do reino. Mais tarde, com o Tratado de Latrão em 1929, o Papa obteve a soberania da Cidade do Vaticano. Outra entidade autônoma dentro das fronteiras italianas é a República de San Marino.[30]

Mas mesmo após a conquista de Roma em 1870, a Unificação da Itália ainda não estava completa, pois faltavam ainda as chamadas "terras irredentas": o Trentino, Trieste, a Ístria e a Dalmácia, que os nacionalistas clamavam como pertencentes à Itália. O Trentino, Trieste, a Ístria e Fiume foram anexados depois dos tratados de paz, após a Primeira Guerra Mundial, impostos pela França, Reino Unido e Estados Unidos aos Impérios Centrais, perdedores da guerra.[30]

Fascismo

A turbulência que se seguiu à devastação da Primeira Guerra Mundial, inspirado pela Revolução Russa de 1917, levou à turbulência e anarquia. O governo liberal, temendo uma revolução socialista, começou a endossar o pequeno Partido Nacional Fascista, liderada por Benito Mussolini. Em outubro de 1922, os fascistas tentaram um golpe de Estado (a "Marcha sobre Roma"), apoiado pelo rei Victor Emmanuel III. Nos anos seguintes, Mussolini proibiu todos os partidos políticos e liberdades pessoais, formando assim uma ditadura.[30]

Em 1935, Mussolini invadiu a Etiópia, resultando em uma alienação internacional e levando à retirada da Itália da Liga das Nações. Consequentemente, a Itália aliada com a Alemanha nazista e o Império do Japão e dando forte apoio à Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola. Em 1939, a Itália ocupou a Albânia, um protetorado de facto durante décadas, e entrou na Segunda Guerra Mundial em junho de 1940 ao lado das potências do Eixo.[30][57]

Mussolini, querendo uma vitória rápida como a blitzkriegs de Adolf Hitler na Polônia e na França, invadiu a Grécia em outubro de 1940, mas foi forçado a aceitar um empate humilhante depois de alguns meses. Ao mesmo tempo, a Itália, depois de inicialmente conquistar a Somalilândia Britânica e partes do Egito, sofreu um contra-ataque Aliado que acabou com todas as suas possessões no Corno de África e no Norte da África.[30]

Extensão máxima do Império colonial italiano (1940-1943).

Itália foi então invadida pelos Aliados em julho de 1943, levando ao colapso do regime fascista e à queda de Mussolini. Em setembro de 1943, a Itália se rendeu. O país manteve-se em campo de batalha durante o resto da guerra, enquanto os aliados estavam se movendo a partir do sul e o norte era a base para italiano leais ao regime fascista e forças nazistas alemães, lutando também através do movimento de resistência italiano.[30][58]

As hostilidades terminaram em 2 de maio de 1945. Quase meio milhão de italianos (incluindo civis) morreram no conflito[30] e a economia italiana tinha sido completamente destruída; a renda per capita em 1944 estava em seu ponto mais baixo desde o início do século XX.[59]

República

Ver artigo principal: Itália republicana
A Constituição da Itália entrou em vigor em 1948.

A Itália se tornou uma república, após um referendo realizado em 2 de junho de 1946, um dia comemorado desde então como o Dia da República. Esta foi também a primeira vez que as mulheres italianas tiveram direito ao voto.[60] O filho de Vítor Emmanuel III, Humberto II, foi forçado a abdicar e foi exilado. A constituição republicana entrou em vigor em 1 de janeiro de 1948. Nos termos dos Tratados de Paz de Paris de 1947, a área da fronteira oriental foi perdida para a Iugoslávia e, mais tarde, o Território Livre de Trieste foi dividido entre os dois Estados. O medo no eleitorado italiano de uma possível tomada comunista provou ser crucial para o resultado da primeira eleição com sufrágio universal em 18 de abril de 1948, quando os democratas-cristãos, sob a liderança de Alcide De Gasperi, obtiveram uma vitória esmagadora. Consequentemente, em 1949, a Itália tornou-se membro da OTAN. O Plano Marshall ajudou a reavivar a economia italiana, que, até final dos anos 1960, desfrutou de um período de crescimento econômico sustentado, o que foi comumente chamado de "Milagre Econômico". Em 1957, a Itália foi um membro fundador da Comunidade Econômica Europeia (CEE), que posteriormente se tornou a União Europeia (UE) em 1993.[61][62]

Do final dos anos 1960 até o início dos anos 1980, o país experimentou os "Anos de Chumbo", um período caracterizado pela crise econômica (especialmente após a crise do petróleo de 1973), generalizados conflitos sociais e massacres terroristas realizados por grupos extremistas opostos, com o suposto envolvimento da inteligência dos Estados Unidos.[63][64][65]

A Itália é um dos membros fundadores da União Europeia.

Os Anos de Chumbo culminaram com o assassinato do líder democrata-cristão Aldo Moro em 1978, um evento que afetou profundamente todo o país. Na década de 1980, pela primeira vez desde 1945, dois governos foram conduzidos por primeiros-ministros que não eram democratas-cristãos: um liberal (Giovanni Spadolini) e um socialista (Bettino Craxi), o Partido Democrata Cristão permaneceu, no entanto, como o principal partido do governo. Durante o governo Craxi, a economia se recuperou e a Itália se tornou a quinta maior nação industrial do mundo, ganhando ingresso no G7. No entanto, como resultado de suas políticas de gastos, a dívida nacional italiana disparou durante a era Craxi, logo passando de 100% do Produto interno bruto (PIB).[66]

No início de 1990, a Itália enfrentou desafios significativos, com eleitores - desencantados com a paralisia política, a dívida pública enorme e extensa corrupção do sistema (conhecida como Tangentopoli) descoberto pela "Operação Mãos Limpas" - exigindo reformas radicais. Os escândalos envolveram todos os principais partidos, mas especialmente os da coalizão de governo: os democratas-cristãos, que governaram o país por quase 50 anos, sofreram uma grave crise e, eventualmente dissolvidos, dividiram-se em várias facções. Os comunistas reorganizam-se como uma força social-democrata. Durante os anos 1990 e 2000, a centro-direita (dominada pelo magnata da mídia Silvio Berlusconi) e coalizões de centro-esquerda alternativamente governaram o país, que entrou em um período prolongado de estagnação econômica.[67]

Geografia

Ver artigo principal: Geografia da Itália
Mapa topográfico da Itália.

A Itália está localizada no sul da Europa e compreende a península Itálica e uma série de ilhas, incluindo as duas maiores, Sicília e Sardenha. Situa-se entre as latitudes 35° e 47° N e longitude 6° e 19° E. Embora o país compreenda a totalidade península e a maior parte da bacia sul alpina, alguns do território da Itália se estendem além da bacia alpina e algumas ilhas estão localizadas fora da plataforma continental da Eurásia. Esses territórios são as comunas de Livigno, Sesto, Innichen, Dobbiaco (em parte), Chiusaforte, Tarvisio, Curon Venosta (em parte), que fazem parte da bacia do rio Danúbio, enquanto o Val di Lei constitui parte do bacia do Reno e as ilhas de Lampedusa e Lampione estão na plataforma continental africano.

A área total do país é de 301 230 km², dos quais 294 020 km² são terra e 7 210 km² água. Incluindo as ilhas, a Itália tem um litoral e uma fronteira de 7.600 km nos mares Adriático, Jônico e Tirreno (740 km) e as fronteiras comuns com a França (488 km), Áustria (430 km), Eslovênia (232 km) e Suíça; San Marino (39 km) e Cidade do Vaticano (3,2 km), ambos enclaves, também entram como fronteiras.

Os Apeninos formam a espinha dorsal da península e os Alpes formam a sua fronteira norte, onde está o ponto mais alto da Itália, o monte Branco (4.810 m). O , maior rio da Itália (652 km), flui dos Alpes na fronteira oeste com a França e atravessa a planície da Padânia em seu caminho para o mar Adriático. Os cinco maiores lagos são (em ordem de tamanho decrescente):[68] Garda (367,94 km²), Maggiore (212,51 km²), Como (145,9 km²), Trasimeno (124,29 km²) e Bolsena (113,55 km²/44 sq mi).

Península itálica vista da EEI à noite

O país está situado no ponto de encontro da placas da eurasiática e africana, levando a uma atividade sísmica e vulcânica considerável. Existem 14 vulcões na Itália, três dos quais estão ativos: Etna (o tradicional local de forja de Vulcano), Stromboli e Vesúvio. O Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa continental e é o mais famoso pela destruição de Pompeia e Herculano. Várias ilhas e colinas foram criadas pela atividade vulcânica e ainda há uma grande caldeira ativa, os Campos Flégreos, no noroeste de Nápoles.

Ambiente

Depois do seu rápido crescimento industrial, a Itália levou um longo tempo para confrontar os seus problemas ambientais. Depois de várias melhorias, ela agora se posiciona na 84° posição no mundo com relação a sustentabilidade ecológica.[69] Parques nacionais cobrem cerca de 5% do país.[70] Na última década, a Itália se tornou um dos maiores líderes do mundo em produção de energia renovável, sendo o país com a quarta maior capacidade instalada de energia solar no mundo e o país com a maior penetrância de energia solar.[71][72] além de ter a sexta maior capacidade instalada de energia eólica em 2010.[73] Atualmente as formas de energia renovável são cerca de 12% da energia total primária e do consumo total final de energia da Itália, com metas para aumentar a porção para 17% no ano de 2020.[74]

Parques nacionais (verde) e regionais (vermelho) na Itália.

No entanto, a poluição aérea continua sendo um problema severo, especialmente no norte industrializado, atingindo o décimo maior nível mundial de emissão de dióxido de carbono industrial no anos 1990s.[75] A Itália é a 12° maior lançadora global de dióxido de carbono na atmosfera.[76]Tráfico extensivo e congestão nas maiores áreas metropolitanos continuam a causar severos problemas ambientais e de saúde pública, mesmo que os níveis de smog tenham diminuído dramaticamente entre os anos de 1970s e 1980s, com a presença de smog se tornando um fenômeno cada vez mais raro e os níveis de dióxido de enxofre estão diminuindo.[77]

Muitos cursos de água e seções costais tem sido contaminados pela atividade industrial e agricultural, enquanto que em decorrência dos níveis crescentes da água, Veneza tem sido regularmente inundada pelos anos recentes. Lixo e contaminantes da atividade industrial nem sempre foram descartados por meios legais e têm levado a problemas permanentes de saúde na população das áreas afetadas, como no caso do Acidente de Seveso. O país também operou várias usinas nucleares entre 1963 e 1990, mas após o Desastre de Chernobyl e um referendo sobre o assunto o programa nuclear civil foi terminado, uma decisão que foi revogada pelo governo em 2008, planejando construir até 4 usinas nucleares com tecnologia francesa. O que foi por sua vez foi cancelado após o referendo sobre a questão nuclear logo depois do Desastre de Fukushima.[78]

Desmatamento, desenvolvimentos de construção ilegais e pobres políticas de manejo do solo levaram a erosão significativa de todas as regiões montanhosas da Itália, levando a desastres ecológicos de grandes proporções como a inundação da Barragem Vajont em 1963, deslizamentos de terra em 2008 em Sarno[79] e em 2009, em Messina.

Gran Paradiso, estabelecido em 1922, é o mais antigo parque nacional italiano.

Clima

O clima da Itália varia de região para região. O norte da Itália (Milão, Turim e Bolonha) tem um clima continental, quando ao sul de Florença apresenta o clima mediterrânico, com verões tipicamente secos e ensolarados. O clima das áreas litorâneas da península é muito diferente do interior, particularmente nos meses de inverno. As áreas mais elevadas são frias, úmidas e frequentemente recebem a precipitação de neve.

As regiões litorâneas têm um clima mediterrâneo típico com invernos amenos e verões quentes, geralmente secos. Há diferenças notáveis nas temperaturas, sobretudo durante o inverno: em certos dias em dezembro ou janeiro pode nevar em Milão a -2 °C, enquanto em Nápoles as temperaturas estão em +12 °C. Certas manhãs, Turim pode amanhecer com -12 °C, quando ao mesmo tempo Roma se encontra com +6 °C e Reggio Calabria +10 °C. No verão a diferença é mais clara, a costa leste não está tão úmida como a costa ocidental, mas no inverno está geralmente mais fria.

Também a altitude influencia fortemente o clima e as temperaturas médias. Cidades meridionais como Potenza (na Basilicata), Campobasso (no Molise) ou Enna (na Sicília) têm invernos rigorosos e temperaturas médias bastante inferiores a outras localidades costeiras das mesmas regiões. Nos Apeninos, neva regularmente durante o inverno. Geralmente o mês mais quente é agosto no sul, e julho no norte. Nesses meses os termômetros podem marcar 42 °C no sul e 33 °C no norte. O mês mais frio é janeiro, com médias no vale do rio Pó de 0 °C, Florença 5 °C, Roma 8 °C. Mas as mínimas podem chegar a -14 °C no Vale do Rio Pó, -5 °C em Florença, -4 °C em Roma, -2° em Nápoles e em Palermo +1 °C.

Demografia

Ver artigo principal: Demografia da Itália

Em janeiro de 2009, a população italiana passou de 60 milhões,[80] a quarta maior da União Europeia, e a 23ª maior do mundo. A densidade populacional é de 199,3 habitantes por km², o quinto maior da União Europeia, sendo o norte a parte mais densa; um terço do país contém quase a metade da população.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Itália passou por um grande crescimento econômico que levou a população rural a mover-se para as cidades, e ao mesmo tempo passou de uma nação caracterizada por massiva emigração a um país receptor de imigrantes. A alta fertilidade persistiu até a década de 1970, e depois passou para abaixo da taxa de reposição como em 2007, um em cada cinco italianos é aposentado. Apesar disso, graças principalmente a imigração das décadas de 80 e 90, nos anos 2000 a Itália viu um acréscimo populacional natural pela primeira vez em anos.[81]

Grupos étnicos

Ver artigo principal: Italianos

Cerca de 95% da população italiana tem origem na península. Os italianos são descendentes de uma grande quantidade de povos que se estabeleceram na península Itálica durante os séculos. Os italianos são uma mistura de povos que já viviam na região, incluindo os povos latinos (a Oeste), os sabinos (no vale superior do Tibre), os úmbrios (no centro), os samnitas (no Sul), oscanos, entre outros, com os etruscos que se estabeleceram no centro do país, os gregos no Sul e os celtas no Norte.

Posteriormente, estabeleceram-se no Norte povos germânicos (ostrogodos, visigodos, lombardos) e, no Sul, os sarracenos (de origem árabe) e os normandos (de origem escandinava). Esses últimos deixaram uma menor influência na etnia italiana.

Emigração e imigração

Ver artigo principal: Emigração italiana
Little Italy, em Lower East Side, na cidade de Nova York, Estados Unidos, ano de 1900.
Imigrantes italianos posando para fotografia no pátio central da Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, Brasil, ca. 1890.

Depois da unificação italiana, o feudalismo que controlava por séculos as terras do país ruiu, e muitos italianos passaram por severas situações de pobreza.[82] O norte foi o primeiro afetado, e grandes levas de emigrantes saíram do país principalmente em direção ao Brasil e à Argentina, a partir da década de 1870. Anos depois, a região sul também sentiu os efeitos da mudança política na agricultura, e a emigração dobrou de número em 1900 e o destino principal agora era os Estados Unidos. O pico foi em 1913, quando 872.598 pessoas deixaram a Itália.[83] O fenômeno só diminuiu devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, quando a Itália precisou da população para reconstruir o país e a instalação do regime fascista, que restringiu a emigração na década de 1920.[83]

O primeiro grande movimento migratório de italianos em direção ao Brasil ocorreu logo após a unificação, em 1875, pioneiramente para o sul do país, embora a maior massa de imigrantes tenha se instalado em São Paulo, para trabalhar na colheita do café. A imigração italiana foi massiva até o começo do século XX, mas depois das constantes notícias de trabalho semi-escravo no Brasil,[84] a Itália decretou o "decreto Prinetti" que proibia a imigração subsidiada em direção ao país, direcionando o fluxo imigratório italiano para os Estados Unidos e a Argentina. As maiores comunidades italianas se encontram em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo, onde profundamente fazem parte da cultura local.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o país que era uma das maiores fontes de imigrantes do mundo, passou a receber imigrantes vindos do mundo todo, intensificado principalmente depois da década de 1970. No fim de 2006, estrangeiros compreendiam 5% da população ou quase 3 milhões de pessoas,[85] um aumento de 270.000 desde o ano antecedente. Em algumas cidades italianas, como Bréscia, Milão e Pádua, o total de imigrantes é maior que 10% da população.

A mais recente onda de migração tem vindo principalmente das nações europeias (47,75%), particularmente da Europa oriental, substituindo o Norte da África (17,43%) como a maior fonte de imigrantes. Por volta de 500.000 romenos estão oficialmente registrados como habitantes da Itália, mas estimativas não-oficiais afirmam que o número atual pode ser duas vezes maior, ou ainda mais.[86] Em 2006, os outros imigrantes vinham da Ásia (17,43%) e América Latina (8,90%). Pequenos grupos vinham da África subsaariana e América do Norte.[85]

Idioma

Distribuição da língua italiana no mundo:
  língua nativa
  língua secundária
  minorias italófonas
Ver artigo principal: Línguas da Itália

O idioma oficial é o italiano, falado por quase toda a população. O italiano padrão é uma língua derivada do dialeto da Toscana, sobretudo aquele falado na região de Florença.

Existem diversas línguas e dialetos falados no dia a dia pela população italiana, como o sardo (na Sardenha), napolitano (em Campânia), calabrês em duas variações (na Calábria), vêneto (no Vêneto), friulano (em Friuli-Venezia Giulia), francês (no Vale d'Aosta), alemão (na Província autónoma de Bolzano), esloveno (em Trieste), entre outras.

A Itália, ainda hoje, pode ser considerada um país de bilíngues. Em muitas regiões do país a diglossia é predominante, pois o uso dos dialetos no cotidiano não foi eliminado, inclusive entre a população mais culta.[87]

Religião

Ver artigo principal: Religião na Itália
Basílica de São Pedro, Vaticano. 87,8% da população italiana segue o Catolicismo Romano.

O Catolicismo Romano é a maior religião do país, embora a Igreja Católica não seja mais a religião oficial do estado. 87,8% dos italianos identificam-se como católicos romanos,[88] contudo apenas um terço descrevem-se como membros ativos (36,8%). A sede mundial da Igreja Católica situa-se no Vaticano desde o terceiro século, quando o bispo de Roma passou a ser considerado bispo supremo e recebeu o título "papa".

Historicamente, a Igreja exerceu grande influência na vida política e social dos italianos. Embora continue influente, nos últimos anos, com o aumento da secularização, a religião vem perdendo força na Itália e em outros países desenvolvidos. Em pesquisa de 2012, 73% dos italianos se disseram religiosos, 15% não religiosos, 8% ateus convictos e 4% não responderam.[89] Apenas 25% dos católicos italianos dizem que a religião "é muito importante" e 31% dizem que rezam todos os dias, embora 95% da população em 2010 fosse batizada na igreja.[90] Apesar de cerca de 30% da população italiana afirmar que comparece à missa todos os domingos, uma pesquisa mostrou que o comparecimento real é de apenas 18,5%.[91]

Religião na Itália
Religião Percentagem
Catolicismo
  
87,8%
Sem religião
  
5,8%
Outros cristãos
  
3,8%
Islamismo
  
1,9%
Outros
  
0,7%

Outros grupos cristãos na Itália incluem mais de 700 000 cristãos ortodoxos,[92][não consta na fonte citada] incluindo 470 000 imigrantes,[93] e por volta de 180 000 gregos ortodoxos, 550 000 pentecostais e evangélicos (0,8%) (dos quais 400 000 são membros da Assembleia de Deus da Itália), 245 657 Testemunhas de Jeová (0,4%),[94] e 104 000 de outras religiões.[95]

A minoria religiosa mais antiga do país é comunidade judaica, que compreende por volta de 28.400 pessoas,[96] mas não é mais o maior grupo não-cristão da Itália. Como resultado da significante imigração de outras partes do mundo, 825.000 muçulmanos (1,4% da população total) moram no país,[97] mas apenas 50 000 são cidadãos italianos. Ainda, tem 110 000 budistas (0,2%),[93][98][99] 70 000 sikhs,[100] e 70 000 hindus (0,1%) na Itália.

Cidades mais populosas

Política

Ver artigo principal: Política da Itália

A constituição italiana de 1948 estabeleceu um parlamento bicameral, que é formado por uma câmara de deputados (Camera dei Deputati) e de um senado (Senato della Repubblica) além de um sistema judiciário; e um sistema executivo composto de um conselho de ministros (Consiglio dei Ministri), encabeçado pelo primeiro-ministro (Presidente del consiglio dei ministri).[101][102]

O presidente da república (Presidente della Repubblica) tem um mandato de sete anos. O presidente escolhe o primeiro-ministro, e este propõe os outros ministros, que são aprovados pelo presidente. O conselho de ministros precisa ter apoio (fiducia - confiança) de ambas as casas do parlamento.[101][102]

Os deputados que são eleitos para o parlamento são eleitos diretamente pela população. De acordo com a legislação italiana de 1993, a Itália tem membros únicos de cada distrito do país, para 75% dos postos no parlamento. Os outros 25% dos postos parlamentares são distribuídos regularmente. A câmara de deputados possui oficialmente 630 membros (mas de fato, são apenas 619 depois das eleições italianas de 2001).[101][102]

O senado é composto por 315 senadores, eleitos pelo voto popular, bem como ex-presidentes e outras pessoas (não mais que cinco), indicadas pelo presidente da república, de acordo com provisões constitucionais especiais. Ambos, a câmara de deputados e o senado, são eleitos para um mandato de no máximo cinco anos de duração, mas eles podem ser dissolvidos antes do término do mandato. Leis podem ser criadas na câmara de deputados ou no Senado, e para serem aprovadas, precisam da maioria em ambas as câmaras.[101][102]

O sistema judiciário italiano é baseado nas leis romanas, modificadas pelo Código Napoleônico e outros estatutos adicionados posteriormente. Há também uma corte constitucional (Corte Costituzionale), uma inovação posterior à Segunda Guerra Mundial.[101]

Forças armadas

Ver artigo principal: Forças armadas da Itália
Soldados do Exército Italiano.

O exército, marinha, força aérea, Arma dos Carabineiros e a Guarda de Finanças coletivamente formam as forças armadas italianas, sob o comando do Conselho Supremo de Defesa, presidido pelo Presidente da República Italiana. Desde 1999, o serviço militar é voluntário.[103] Em 2010, o exército italiano tinha 293.202 soldados ativos,[104] dos quais 114.778 na guarda nacional.[105]

Os gastos militares italianos totais em 2010 foram os décimos maiores do mundo, situando-se em 35,8 bilhões dólares, equivalente a 1,7% do PIB nacional. A Itália faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar entre países da América do Norte e da Europa; fazendo parte do Quinteto da OTAN, um diretório informal das grandes potências que compõem a organização.[106][107]

Como parte da partilha estratégia de armas nucleares da OTAN, a Itália também abriga 90 bombas nucleares B61 dos Estados Unidos, localizadas nas bases aéreas de Ghedi e Aviano, e destinadas a serem usadas pelos caça-bombardeiros Panavia Tornado e futuramente F-35 Lightning II da força aérea.[108][109]

O Exército Italiano é a força de defesa terrestre nacional. Dentre os seus veículos de combate estão o Veículo de combate de infantaria Dardo, o Centauro B1 na função de destruidor de tanques e o tanque Ariete. Dentre as suas aeronaves estão o helicóptero de ataque Mangusta que foi empregado em missões da União Européia, OTAN e da ONU. Também tem a sua disposição um grande número de M113.

A Marinha Italiana possui em 2018 cerca de 118 embarcações à sua disposição,[110] a sua frota possui 2 porta-aviões, três pequenas docas de transporte anfíbio de 8 000 toneladas, quatro contra-torpedeiros de defesa aérea, quatro fragatas de propósito geral, 10 fragatas anti-submarinas e oito submarinos de ataque. Unidades de guerra litorânea e patrulha incluem uma fragata leve de patrulha, 10 navios de patrulha e duas corvetas. No suporte da frota estão dez navios de contra medidas à minas, quatro barcos de patrulha costeira e vários navios auxiliares. Atualmente a Marinha por um extenso processo de renovação, com o resto da sua frota remanescente da Guerra Fria de 50 navios sendo substituída por 30 navios maiores e em geral, polivalentes. é considerada como uma marinha de águas azuis.[111]

A Força Aérea Italiana é uma das maiores forças aéreas da OTAN. Em 2016 tinha a sua disposição 85 caças Eurofighter Typhoon, 9 F-35 e 56 Panavia Tornado, além de 53 AMXs na função de ataque ao solo, configurando 202 aeronaves de combate a jato, de um número total de 716 aeronaves.[112] A função de transporte aéreo é realizada pelos C-130 Hercules e Alenia C-27J Spartan, o último de fabricação italiana.

Um corpo autônomo das forças militares, os carabineiros, são a gendarmarie e a polícia militar da Itália, policiando a população civil e militar junto dos outros serviços de polícia da Itália. Enquanto que diferentes ramos dos carabineiros reportam para ministros diferentes para cada uma das suas funções individuais, os corpos reportam para o Ministros de Negócios Internos enquanto mantêm a segurança e ordem pública.[113]

Crime e aplicação da lei

A aplicação da lei na Itália é providenciada por múltiplas forças policiais, 5 das quais são agências nacionais italianas. A Polizia di Stato (polícia do estado) é a polícia civil nacional da Itália. Junto com os deveres de patrulha, investigação e aplicação da lei, ela patrulha as autoestradas da Itália e vigia a segurança das ferrovias, pontes e cursos de água. Os carabinieri, nome comum para a Arma dos Carabineiros que também fazem parte das Forças Armadas da Itália, também tem deveres de polícia, atuando como a polícia militar da Itália. Outro ramo das forças armadas, a Guarda de Finanças também atua com funções policiais na Itália, respondendo sob a autoridade do Ministro da Economia e Finanças, também com função de polícia militar, estão em cargo da segurança financeira, econômica, judiciária e pública. A Polizia Penitenciaria (polícia penitenciária) opera no sistema prisional italiano e manejam o transporte dos detentos.

O Sistema Judiciário italiano é baseado no direito Romano, modificada pelo código napoleônico e estatutos posteriores. A Suprema Corte de Cassação é a mais alta corte da Itália para recurso tanto em casos civis quanto criminais. A Corte Constitucional da República Italiana (Corte Costituzionale) rege em conformidade com as leis da constituição é uma inovação pós-Segunda Guerra Mundial. Desde a sua aparição no meio do século XIX, o crime organizado italiano e organizações criminais tem se infiltrado na vida social e econômica de muitas regiões no Sul da Itália, A mais notória organização é a Máfia Siciliana, também conhecida como Cosa Nostra, que também se expandiu para outras localidades em diferentes países, incluindo os Estados Unidos. As receitas da máfia podem chegar a 9%[114][115] do PIB da Itália.[116]

Um relatório de 2009, identificou 610 comunas com forte presença da máfia, onde 13 milhões de italianos vivem e 14,6% do PIB italiano é produzido.[117][118] A 'Ndrangheta, na Calábria, é provavelmente a organização criminosa mais poderosa atualmente na Itália, possuindo poder sobre 3% do PIB do país.[119]

No entanto, com 0,013 homicídios por 1 000 habitantes, a Itália tem somente o 47° maior taxa de homicídios[120] (em um grupo de 62 países) e a 43° maior taxa de estupros por 1 000 habitantes (em um grupo de 65 países), índices relativamente baixos entre países desenvolvidos.

Relações exteriores

A Itália foi um membro fundador da Comunidade Europeia - agora União Europeia (UE). A Itália foi aceita nas Nações Unidas em 1955 e é um membro e um forte braço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio/Organização Mundial do Comércio (GATT/OMC), a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), e o Conselho da Europa.[121]

A Itália apoia as Nações Unidas e as suas atividades internacionais de segurança. O país já forneceu tropas de apoio a missões de paz da ONU na Somália, Moçambique, e no Timor-Leste e dá suporte para operações da OTAN e da ONU na Bósnia, Kosovo e Albânia. A Itália mobilizou também mais de 2000 soldados para o Afeganistão, em apoio à Operação Liberdade Duradoura (OEF, do inglês Operation Enduring Freedom) em fevereiro de 2003 e apoia ainda os esforços internacionais para reconstruir e estabilizar o Iraque, mas o país retirou o seu contingente militar de cerca de 3.200 soldados em novembro de 2006, mantendo apenas trabalhadores humanitários e pessoal civil. Em agosto de 2006, a Itália enviou cerca de 2.450 soldados para o Líbano a serviço das Nações Unidas em uma missão de paz, a FINUL.[122][121]

Divisões administrativas

As vinte regiões da Itália são a primeira subdivisão do país, tendo sido instituídas com a constituição de 1948 com o objetivo de reconhecer, proteger e promover a autonomia local.

Cinco regiões possuem um estatuto especial (Friuli-Venezia Giulia, Sardenha, Sicília, Trentino-Alto Ádige, e Vale de Aosta), o que lhes garante mais ampla autonomia para legislar sobre diversas matérias independentes do governo central. Estas cinco regiões são autônomas por fatores culturais, linguísticos e geográficos. Cada região tem um conselho (consiglio regionale, na Sicília assemblea regionale) eleito e uma junta (giunta regionale) encabeçada por um presidente.

As quinze regiões de estatuto ordinário foram estabelecidas nos anos 1970 e elas serviam prioritariamente para descentralizar a máquina de governo do Estado. Depois duma reforma da constituição em 2001, as competências legislativas das regiões de estatuto ordinário foram ampliadas e os controlos estatais foram significativamente reduzidos senão completamente apagados, como o comissário do governo central. Mas a autonomia financeira é ainda muito limitada.

Além da capital, Roma, três outras cidades têm mais de um milhão de habitantes: Milão, a mais rica do país, Nápoles e Turim. Outras cidades importantes são Gênova, Veneza, Florença e Bolonha.

Bandeira Região Capital Área (km²) População
Flag of Abruzzo.svg
Abruzos Áquila 10 794 1 324 000
Flag of Basilicata.svg
Basilicata Potenza 9 992 591 000
Flag of Calabria.svg
Calábria Catanzaro 15 080 2 007 000
Campania-Bandiera.png
Campânia Nápoles 13 595 5 811 000
Emilia-Romagna-Bandiera.png
Emília-Romanha Bolonha 22 124 4 276 000
Friuli-Venezia Giulia-Flag.png
Friul-Veneza Júlia* Trieste 7 855 1 222 000
Flag of Lazio.svg
Lácio Roma 17 207 5 561 000
Liguria-Bandiera.png
Ligúria Gênova 5 421 1 610 000
Flag of Lombardy.svg
Lombardia Milão 23 861 9 642 000
Flag of Marche.svg
Marcas Ancona 9 694 1 553 000
Flag of Molise.svg
Molise Campobasso 4 438 320 000
Flag of Piedmont.svg
Piemonte Turim 25 399 4 401 000
Flag of Apulia.svg
Apúlia Bari 19 362 4 076 000
Bandiera ufficiale RAS.jpg
Sardenha* Cagliari 24 090 1 666 000
Valle d'Aosta-Bandiera.png
Vale de Aosta* Aosta 3 263 126 000
Flag of Tuscany.svg
Toscana Florença 22 997 3 677 000
Flag of Trentino-South Tyrol.svg
Trentino-Alto Ádige* Trento 13 607 1 007 000
Flag of Umbria.svg
Úmbria Perúgia 8 456 884 000
Flag of Sicily.svg
Sicília* Palermo 25 708 5 030 000
Flag of Veneto.svg
Vêneto Veneza 18 391 4 832 000
Fonte: ISTAT - Censo Geral da população italiana (2001)

Economia

Ver artigo principal: Economia da Itália
Vista do centro financeiro de Milão, cidade onde está sediada a Borsa Italiana, a principal bolsa de valores do país.
Vinhedos na área montanhosa de Langhe, Piemonte. A Itália é o maior produtor mundial de vinhos de alta qualidade.[123]

A Itália tem uma economia de mercado caracterizada por um elevado PIB per capita e taxas de desemprego baixas. Em 2010, era a oitava maior economia do mundo e a quarta maior da Europa em termos de PIB nominal.[124] Por paridade do poder de compra (PPC), o país possui o décimo maior PIB do mundo e o quinto maior da Europa.[125] É um membro fundador do G8, da Zona Euro e da OCDE.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Itália foi rapidamente transformada de uma economia baseada na agricultura para um dos países mais industrializados do mundo[126] e um país líder em comércio mundial e exportações. É um país desenvolvido, com a oitava melhor qualidade de vida do mundo[12] e o 23º melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).[7] Apesar da recente crise econômica global, o PIB per capita italiano em PPC mantém-se aproximadamente igual à média da União Europeia (UE),[127] enquanto a taxa de desemprego (8,5%) se destaca como uma das mais baixas da UE.[128] O país é bem conhecido por seu setor de negócios econômicos influente e inovador,[129] um setor trabalhista e agrícola competitivo[129] (a Itália é o maior produtor mundial de vinho)[123] e por seus automóveis, indústria, eletrodomésticos e design de moda de alta qualidade.[129]

A Itália tem um número menor de empresas multinacionais globais quando comparada a outras economias de tamanho similar, mas há um grande número de pequenas e médias empresas, notoriamente agrupadas em vários distritos industriais, que são a espinha dorsal da indústria italiana. Isso produziu um setor industrial focado principalmente na exportação de nicho de mercado e produtos de luxo, que, se por um lado é menos capaz de competir em quantidade, do outro é mais capaz de enfrentar a concorrência da China e de outras economias emergentes da Ásia com base em custos laborais mais baixos e com produtos de maior qualidade.[130] Em 2009, o país era o sétimo maior exportador do mundo.[131] Existem fortes laços comerciais da Itália com outros países da União Europeia, com quem realiza cerca de 59% seu comércio total. Seus maiores parceiros comerciais da UE, a fim de quota de mercado, são a Alemanha (12,9%), França (11,4%) e Espanha (7,4%).[132] Finalmente, o turismo é um dos setores de maior crescimento e rentabilidade da economia nacional: com 43,6 milhões de chegadas de turistas internacionais e receitas totais estimadas em US$ 38,8 bilhões em 2010, a Itália é ao mesmo tempo o quinto país mais visitado e que mais lucra com o turismo no mundo.[133]

Um Ferrari 488. A Itália tem uma indústria automotiva sofisticada e é o sétimo maior exportador de mercadorias do mundo.
Loja da Prada em Milão.
Veneza, construída sobre 117 ilhas. A Itália recebe 37 milhões de turistas anualmente.[134]

Apesar dessas importantes conquistas, a economia italiana hoje sofre de muitos e relevantes problemas. Depois de um forte crescimento do PIB, entre 5 e 6% ao ano, da década de 1950 aos anos 1970[135] e um abrandamento progressivo nas décadas de 1980 e 1990, as taxas médias de crescimento anual da Itália tiveram uma performance ruim, de 1,23%, em comparação com uma média taxa de crescimento anual de 2,28% em toda a UE.[136] Diante da estagnação econômica, os esforços do governo para reavivar a economia através de maciços gastos públicos a partir dos anos 1980, geraram um forte aumento da dívida pública. De acordo com estatísticas do Eurostat, a dívida pública italiana ficou em 116% do PIB em 2010 - a segunda maior relação dívida/PIB, somente superada pela Grécia, com 126,8%.[137]

No entanto, a maior fatia da dívida pública italiana é de propriedade de temas nacionais, o que é uma grande diferença entre a Itália e a Grécia.[138] Além disso, os padrões de vida dos italianos também têm uma considerável desigualdade entre as regiões norte e sul do país. A média do PIB per capita no norte excede em muito a média da União Europeia, enquanto que muitas regiões do sul italiana têm uma renda dramaticamente baixa.[139] A Itália tem sido muitas vezes referida o "homem doente da Europa",[140][141] caracterizado pela estagnação econômica, instabilidade política e problemas em realizar programas de reforma.

Mais especificamente, a Itália sofre de deficiências estruturais, devido à sua conformação geográfica e a falta de matérias-primas e recursos energéticos: em 2006 o país importou mais de 86% do seu consumo total de energia (99,7% dos combustíveis sólidos, 92,5% de óleo, 91,2% de gás natural e 15% da electricidade).[142][143] A economia italiana está enfraquecida pela falta de desenvolvimento da infraestrutura, reformas de mercado e investimento em pesquisa, além de um também elevado déficit público.[129] No Índice de Liberdade Econômica de 2008, o país ocupou o 64º lugar no mundo e o 29º na Europa, a classificação mais baixa da zona euro. A Itália ainda recebe a ajuda ao desenvolvimento da União Europeia a cada ano. Entre 2000 e 2006, a Itália recebeu 27,4 bilhões de euros da UE.[144]

O país tem uma burocracia estatal ineficiente, baixa proteção aos direitos de propriedade e altos níveis de corrupção política, além de uma tributação pesada e gastos públicos que representam cerca da metade do PIB nacional.[145] Além disso, os dados mais recentes mostram que os gastos do país em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2006 foram equivalentes a 1,14% do PIB, abaixo da média da UE de 1,84% e o alvo Estratégia de Lisboa de dedicar 3% do PIB para atividades de P&D.[146] De acordo com os Confesercenti, uma associação empresarial importante na Itália, o crime organizado na Itália representou o "maior segmento da economia italiana", respondendo por € 90 bilhões em receitas e 7% do PIB da Itália.[147]

Turismo

O turismo também é muito importante para a economia italiana: com mais de 37 milhões de turistas por ano, a Itália é classificada como o quinto principal destino turístico do mundo.[134]

A Itália é o quinto país que recebe mais turistas no mundo e Roma é a terceira cidade mais visitada da União Europeia,[148] sendo constantemente considerada como uma das mais belas cidades antigas do mundo.[149] Veneza também é considerada a cidade mais bonita do mundo, segundo o New York Times, que descreve a cidade como "sem dúvida a mais bela cidade construída pelo homem".[150] O país também foi classificado com tendo a sexta melhor reputação internacional de 2009.[151]

Infraestrutura

Transportes

O Frecciarossa 1000 da FS chega a 400 km/h[152] e é o trem mais rápido da Europa

Em 2004 o setor de transporte na Itália gerou um valor de negócios de 119,4  bilhões de euros, empregando 935.500 pessoas em 153.700 empresas. Com relação a rede nacional de estradas, haviam 668 721 km (420 000 mi) de rodovias utilizáveis na Itália, incluindo 6 487 km (4 000 mi) de autoestradas,[153] possuídas pelo estado italiano mas operados pela empresa privada da Atlantia. Em 2005, haviam na Itália cerca de 34.667.000 carros de passageiros (590 carros por 1 000 pessoas).[154]

As linhas férreas na Itália totalizam 16.627 km, a 17ª maior do mundo, e são operadas pela Ferrovie dello Stato. Trens de alta velocidade incluem os trens classe ETR, dos quais o ETR 500 viaja a 300 km/h. Em 1991, a Treno Alta Velocità SpA foi criada, uma sociedade de propósito específico pertencente à RFI (controlada pela Ferrovie dello Stato) para o planejamento e construção de linhas para trem de alta velocidade ao longo das linhas mais importantes e saturadas da Itália. O objetivo da construção do TAV é de melhorar a viagem ao longo das linhas ferroviárias mais saturadas da Itália e adicionar novos trilhos a estas linhas, notadamente Milão-Nápoles e Turim-Milão-Veneza.[155]

Existem cerca de 133 aeroportos na Itália, incluindo os dois hubs de Malpensa Internacional (perto de Milão) e o Internacional Leonardo Da Vinci-Fiumicino (perto de Roma).[154] O país tem 27 grandes portos, sendo o maior em Gênova, que também é o segundo maior do mar Mediterrâneo, depois de Marselha. 2 400 km de hidrovias passam pela Itália.[154]

Educação, ciência e tecnologia

A Universidade de Bologna é a mais antiga instituição acadêmica do mundo, fundada em 1088.
Do alto a esquerda em sentido horário: Volta, Galilei, Marconi e Fermi
Ver artigo principal: Ciência e tecnologia na Itália

A educação na Itália é gratuita e obrigatória entre os 6 e 16 anos de idade[156] e consiste em cinco fases: ensino infantil (dell'infanzia scuola), escola primária (scuola primaria), ensino secundário de primeiro grau (scuola secondaria di primo grado), ensino secundário de segunda grau (scuola secondaria di secondo grado) e universidade (Università).[157]

A educação primária dura oito anos. Os alunos recebem uma educação básica em inglês, matemática, ciências naturais, história, geografia, estudos sociais, educação física e artes visuais e musicais. O ensino secundário tem a duração de cinco anos e inclui três tipos tradicionais de escolas voltadas para diferentes níveis de ensino: o liceu prepara os alunos para os estudos universitários com um currículo clássico ou científico, enquanto o tecnico istituto e o professionale istituto preparam os alunos para o ensino profissional. Em 2012, o ensino secundário italiano foi classificado como ligeiramente abaixo da média da OCDE, com uma melhoria forte e constante nas notas de ciências e matemática desde 2003;[158] No entanto, existe uma grande diferença entre as escolas do Norte, que tiveram um desempenho significativamente melhor do que a média nacional (entre os melhores do mundo em alguns casos), e as escolas no Sul, que tiveram resultados muito mais pobres.[159]

O ensino superior na Itália é dividido entre as universidades públicas, universidades privadas e as prestigiadas e seletivas escolas de graduação superior, como a Escola Normal Superior de Pisa. O sistema universitário na Itália é geralmente considerado como pobre para uma potência cultural mundial do nível do país, sem universidades classificado entre os 100 melhores do mundo e apenas 20 entre as 500 melhores.[160] No entanto, o atual governo tem agendado grandes reformas e investimentos a fim de melhorar a internacionalização e a qualidade global do sistema.[161]

Entre os cientistas se destacam Galileo Galilei, o fundador da ciência moderna e[162] e Leonardo da Vinci, um dos grandes gênios da humanidade;[163] pintor, escultor, engenheiro, arquiteto, anatomista, musicista e inventor,[164] representa no Renascimento Italiano, o espírito universalista que o leva a maiores formas de expressão nos diversos campos da arte e do conhecimento.[163]

Saúde

Hospital de San Raffaele em Milão

O Estado italiano mantém um sistema de saúde pública universal desde 1978.[165] No entanto, ele é fornecido a todos os cidadãos e residentes através de um sistema misto público-privado. A parte pública é o Servizio Sanitario Nazionale, que é organizado no âmbito do Ministério da Saúde e administrado numa base regional desconcentrada. As despesas de saúde na Itália foram responsáveis por 9,2% do PIB nacional em 2012, muito próximo da média dos países da OCDE de 9,3%.[166]

Em 2000, o sistema de saúde italiano foi classificado como o segundo melhor do mundo.[165][167] A expectativa de vida na Itália é de 80 para os homens e 85 para as mulheres, colocando o sexto país do mundo em expectativa de vida. Em comparação com outros países ocidentais, a Itália tem uma taxa relativamente baixa de obesidade adulta (abaixo de 10%[168]), provavelmente graças aos benefícios de saúde da dieta mediterrânica. A proporção de fumantes diários foi de 22% em 2012, abaixo dos 24,4% em 2000, mas ainda ligeiramente acima da média da OCDE.[166] Fumar em locais públicos, incluindo bares, restaurantes, discotecas e escritórios tem sido restrito a quartos especialmente ventilados desde 2005.[169]

Em 2013, a UNESCO acrescentou a dieta mediterrânica à lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade de Itália (promotor), Marrocos, Espanha, Portugal, Grécia, Chipre e Croácia.[170][171]

Energia

A Itália com relação a outros países da União Europeia, apresenta uma dependência maior da importação de matérias primas e de hidrocarbonetos (gás e petróleo). Em 2010, o total de energia primária consumida pelo país totalizou 185 Mtoe.[172] Em 2016, a Itália produziu 70,675 barris de petróleo diariamente,[173] enquanto tinha um consumo diário de 1.253.000 barris de petróleo.[174] Os depósitos de Val d'Agri, os maiores da Europa Continental,[175] foram descobertos na primeira metade do século XX, mas utilizados somente nos anos de 1980, fornecendo cerca de 10% da demanda nacional.[176] Estima-se que cerca de 800 milhões de barris de petróleo se encontram em depósitos que ainda não foram descobertos.[177]

Com relação ao consumo de energia elétrica, a Itália em 2014 consumiu 291.083 TWh (4790 kWh/per capita), o consumo residencial foi de 1057 kWh/pessoa.[178] O país é um importador líquido de eletricidade, importando 46,747.5 GWh e importando 3,031.1 GWh em 2014; a produção bruta no mesmo ano foi de 279.8 TWh, com as principais fontes de energia sendo obtida pela queima do gás e da hidroeletricidade.[178]

A energia nuclear na Itália é um tópico controverso, sendo uma das primeiras nações a produzir energia nuclear no início dos anos 1960, mas todas as usinas nucleares foram fechadas em 1990, seguindo o referendo em 1987 em que a população italiana escolheu se opor a energia nuclear. Uma tentativa para mduar essa decisão ocorreu em 2008 pelo governo, que chamou o fim da produção de energia nuclear um "grande erro, cujos custos totalizam mais de 50  bilhões de euros".[179] O Ministro do Desenvolvimento Econômico Claudio Scajola propôs construir até 10 novos reatores, visando estabelecer a energia nuclear contribuindo com cerca de 25% da demanda de eletricidade da Itália por volta de 2030.[180] No entanto, o Desastre Nuclear de Fukushima em 2011 levou o governo italiano a declarar uma moratória de um ano nos planos para reviver a energia nuclear.[181] Em 11 e 12 de junho de 2011, o povo italiano votou no referendo para cancelar os planos para novos reatores[182]

A Itália tinha uma meta(programada pela União Europeia( de atingir 17% do seu uso total de energia com o uso de energia renovável em 2020, no entanto já excedeu essa porcentagem em 2014, alcançando 17,1%.[183] O consumo bruto de energia por fontes renováveis aumentou de 17,36 Mtoe em 2010 par 21,14 Mtoe no fim de 2015. A maior parte do crescimento se deu na eletricidade, no qual o setor aumentou em 58,3%. O setor termal registrou um aumento de 5,7% enquanto que o de transporte mostrou uma queda de 16,9%. A hidroeletricidade é o maior contribuinte para a energia renovável, com 18,531 MW de capacidade instalada em 2015.[184] Entretanto a produção varia entre os anos devido ao fluxo inconstante de água, com o recorde atual sendo de 2014, com produção de 58,545 GWh.

Cultura

Ver artigo principal: Cultura da Itália
Dante, situado entre a montanha do Purgatório e a cidade de Florença, exibe o famoso incipit "Nel mezzo del cammin di nostra vita" da Divina Comédia em um detalhe da pintura de Domenico di Michelino, 1465.

A Itália é um dos países que mais influência teve e tem na cultura europeia e mundial, em todas as áreas da arte e cultura. Enquanto país, não existia antes da unificação das Cidades-Estado. A unificação só se concluiu em 1870. Em função disto, muitas tradições culturais que hoje reconhecemos como italianas são mais associadas a regiões específicas do país.

Os italianos podem vangloriar-se de uma longa tradição cultural das artes às ciências e tecnologia, e uma forte tradição de excelência em todas as artes, culturas, literatura e ciências,corroborado no facto de o país possuir o maior número de patrimônios da UNESCO, totalizando 44. São nomes italianos grandes polímatas, artistas e gênios, como Dante, Leonardo da Vinci, Michelangelo e Enrico Fermi.[185][186]

Literatura

A base da moderna língua italiana foi estabelecida pelo poeta florentino Dante Alighieri, cuja obra A Divina Comédia é considerada a mais importante do período medieval. Em italiano escreveram Boccaccio, Castiglione e Luigi Pirandello, além dos poetas Tasso, Ariosto, Leopardi, e Petrarca, cujo mais famoso estilo é o soneto, uma invenção italiana. Grandes filósofos são Bruno, Ficino, Maquiavel, Vico, Gentile, e Eco.

Arquitetura

A Torre e o Duomo de Pisa, na Piazza dei Miracoli, um Patrimônio Mundial pela UNESCO[187] e exemplos de arquitetura românica.[188]

A Itália tem um estilo muito amplo e diversificado de arquitetura, que não pode ser simplesmente classificado por período, mas também por região, devido à divisão da Itália em várias cidades-Estado até 1861. No entanto, isso criou uma gama muito diversificada e eclética em projetos arquitetônicos. O país é conhecido por suas consideráveis ​​realizações arquitetônicas,[189] como a construção de arcos, cúpulas e estruturas semelhantes durante a Roma antiga, e ser o fundador do movimento renascentista de arquitetura do final do século XIV ao século XVI e sendo a terra natal do Palladianismo, um estilo de construção que inspirou movimentos como o da arquitetura neoclássica e influenciou os desenhos que os nobres construíram suas casas de campo em todo o mundo, nomeadamente no Reino Unido, Austrália e Estados Unidos durante a o final do século XVII ao início do século XX. Várias das mais belas obras da arquitetura ocidental, como o Coliseu, a Catedral de Milão e a Catedral de Florença, a Torre de Pisa e os projetos de construção de Veneza, são encontradas na Itália.

A arquitetura italiana também amplamente influenciou a arquitetura mundial. O arquiteto britânico Inigo Jones, inspirado pelos projetos de edifícios e cidades italianas, trouxe de volta as ideias de arquitetura renascentista italiana para a Inglaterra do século XVII, sendo inspirado por Andrea Palladio.[190] Além disso, a arquitetura italiana, popular no exterior desde o século XIX, foi usada para descrever a arquitetura externa que foi construída em estilo italiano, especialmente modelado na arquitetura renascentista.

A primeira metade do século XVIII remonta ao exemplo mais significativo do barroco tardio e rococó: a Palazzina di caccia di Stupinigi, projetado por Filippo Juvarra.[191] Ao mesmo tempo, no Reino de Nápoles, Luigi Vanvitelli inicia, em 1752, a construção do Reggia di Caserta, a última grande criação do barroco italiano.[37] Após a segunda metade do "século da arquitetura neoclássica italiana", mesmo na sua variante do grego moderno, várias obras valiosas, tais como a grande Basílica de São Francisco de Paula, em Nápoles, foram erguidas.[37] Com a unificação da Itália, o que prevaleceu foi o estilo neorenascentista ou, mais comumente, o ecletismo.[37]

Artes

Ver artigo principal: Arte da Itália
Ver artigo principal: Pintura da Itália
A Última Ceia de Leonardo da Vinci: igualmente a Mona Lisa, é a mais famosa, reproduzida e parodiada pintura de todos os tempos.[192]

A Itália é o local de nascimento de diversos movimentos artísticos e intelectuais que se espalharam pela Europa e pelo mundo, como o Renascimento e o Barroco. A contribuição italiana para a arte e cultura surge das obras de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Donatello, Botticelli, Fra Angelico, Tintoretto, Caravaggio, Bernini, Ticiano e Rafael, entre outros. Além da pintura, escultura e arquitetura, as contribuições da Itália para a literatura, ciência e música são indiscutíveis.[193]

Música

Ver artigo principal: Música da Itália
Luciano Pavarotti, um dos mais famosos tenores de todos os tempos.

Da música popular à clássica, a expressão dos sons tem um papel importantíssimo na cultura italiana. A Itália é o local onde nasceu a ópera, por Claudio Monteverdi. Instrumentos inventados em Itália como o piano e violino permitem executar formas artísticas como a sinfonia, concerto, e sonata. Alguns dos compositores italianos mais célebres são Palestrina e Monteverdi, ambos da época da Renascença, os compositores do Barroco Corelli e Vivaldi, os clássicos Paganini e Rossini, os românticos Verdi e Puccini e os contemporâneos Berio e Nono.

Cinema

Ver artigo principal: Cinema da Itália

O cinema italiano também exerceu decisiva influência com o movimento do neorealismo, movimento nascido no país e que revelou grandes diretores como Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti. Outros diretores se incluem no panteão dos maiores mestres da sétima arte, como Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Sergio Leone, Pier Paolo Pasolini, Ettore Scola, Bernardo Bertolucci, Mario Monicelli, Giuseppe Tornatore, Dino Risi, Marco Bellocchio, e mais recentemente, Nanni Moretti. Todos eles, de estilos diversos e fascinantes, possuem ao menos um ponto em comum: são alguns dos mais polêmicos, criativos e mordazes investigadores e críticos da sociedade contemporânea, isso nas artes em geral. Atores como Sophia Loren, Gina Lollobrigida, Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Anna Magnani, Monica Vitti, Roberto Benigni são alguns dos mais conhecidos de todos os tempos.

Esportes

Estádio Giuseppe Meazza em Milão, com uma capacidade de 80.000 pessoas, é um dos maiores da Europa.

A Itália tem uma longa tradição esportiva. Em diversos esportes, tanto individuais quanto em equipe, a Itália tem uma boa representação e muitos sucessos. O esporte mais popular é de longe o futebol. Basquete e vôlei são os próximos mais populares, com a Itália com uma rica tradição em ambos. A Itália também tem fortes tradições no ciclismo, esgrima, tênis, atletismo, polo aquático, rugby, e esportes de inverno.

A Itália já sediou os Jogos Olímpicos de Verão de 1960 na capital Roma, e até os Jogos Olímpicos de Verão de 2008 realizados em Pequim, China, havia ganho 191 medalhas de ouro - 45 na esgrima, 33 no ciclismo, 19 no atletismo, 14 no boxe e na ginástica, 10 no remo e no tiro, entre outras. Também já sediou os Jogos de Inverno em 1956 e 2006, e até os Jogos de Vancouver 2010, a Itália obteve 37 medalhas de ouro.[194][195][196]

A Azzurri em 2012.

No futebol masculino, a Itália ganhou a Copa do Mundo FIFA de 2006, e atualmente é o segundo time de futebol mais bem sucedido do mundo, depois do Brasil, tendo vencido quatro Copas do Mundo FIFA.[197] No vôlei masculino, a Itália é detentora de 3 títulos do Campeonato Mundial e 8 títulos da Liga Mundial.[198]

No automobilismo, a italiana Scuderia Ferrari é a mais antiga equipe dos Grandes Prêmios, tendo competido desde 1948 e, estatisticamente, a mais bem sucedida equipe de Fórmula Um na história com um recorde de campeonatos.

Culinária

Pratos italianos: pizza (margherita); pasta (carbonara); espresso e gelato.
Ver artigo principal: Culinária da Itália

A culinária italiana moderna evoluiu através de séculos de mudanças sociais e políticas, com suas raízes que remontam ao século IV a.C. Mudanças significativas ocorreram com a descoberta do Novo Mundo, quando alguns vegetais, tais como batatas, tomates, pimentões e milho, tornaram-se disponíveis. No entanto, estes ingredientes centrais da cozinha italiana moderna não foram introduzidos em escala antes do século XVIII.[199]

Ingredientes e pratos variam conforme a região. No entanto, muitos pratos que antes eram regionais têm proliferado em diferentes variações em todo o país. Queijo e vinho são partes importantes da cozinha, desempenhando diferentes papéis tanto regionalmente quanto nacionalmente com suas muitas variações e leis Denominazione di origine controllata (denominação regulamentada). Café e, mais especificamente o café expresso, tornou-se muito importante para a cozinha cultural da Itália. Alguns pratos famosos e artigos incluem massas, pizzas, lasanhas, focaccia e gelato.

Feriados

Feriados
Data Nome em português Nome local Observações
1 de janeiro Ano novo Capodanno
6 de janeiro Epifania Epifania
Variável Páscoa Pasqua
Variável Segunda-feira de Páscoa Lunedì dell'Angelo
25 de abril Dia da Libertação Festa della Liberazione Comemora a libertação da Itália da ocupação nazista.
1 de maio Dia do Trabalhador Festa del Lavoro
2 de junho Dia da República Festa della Repubblica Comemora a implantação da República
15 de agosto Assunção de Nossa Senhora Assunzione della B.V. Maria
1 de novembro Dia de Todos os Santos Ognissanti
8 de dezembro Imaculada Conceição Immacolata Concezione
25 de dezembro Natal Natale
26 de dezembro Santo Estêvão Santo Stefano Primeiro mártir cristão

Ver também

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Referências

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