Império Romano

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Senatus Populusque Romanus
"O Senado e o Povo Romano" ou
Imperium Romanum[nota 1]

Império Romano

Império

Spqrstone.jpg
27 a.C. – 476 d.C.
1453 d.C.
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Vexilo, com a águia e o acrônimo do Estado romano de Império Romano

Vexilo, com a águia e o acrônimo do Estado romano

Lema nacional
Senatus Populusque Romanus
(Senado e Povo de Roma)
Localização de Império Romano
Extensão máxima do Império Romano durante o reinado de Trajano, em 117 d.C.
Continente Europa, Bacia Mediterrânea da África e da Ásia
Capital Roma
(27 a.C. - 286 d.C.)
Constantinopla
(A partir de 330)
Língua oficial Latim, grego
Religião Politeísmo romano (27 a.C. - 380 d.C.) / cristianismo (380 d.C. - 476 d.C.)
Governo De jure: República
De facto: Oligarquia
Principado: 27 a.C.-295
Dominato: 235 - 395
Imperador
 • 27 a.C. - 14 d.C. Augusto
 • 379 - 395 Teodósio I
 • 475 - 476
1449 - 1453
Rômulo Augusto / Constantino XI Paleólogo 
Legislatura Senado romano
Período histórico Antiguidade clássica
 • 31 a.C. Batalha de Áccio
 • 27 a.C. Otaviano é proclamado Augusto.
 • 285 Diocleciano divide o império entre Ocidente e Oriente
 • 330 Constantino declara Constantinopla como a nova capital do império.
 • 395 Morte de Teodósio I, selando a divisão permanente entre Leste e Oeste.
 • 476 d.C.
1453 d.C.
Rômulo Augusto é deposto/ Queda de Constantinopla
Área
 • 25 a.C.[1] [2] 2 750 000 km2
 • 50[1] 4 200 000 km2
 • 117[1] 6 500 000 km2
 • 390 [1] 4 400 000 km2
População
 • 25 a.C.[1] [2] est. 56 800 000 
     Dens. pop. 20,7/km²
 • 117[1] est. 88 000 000 
     Dens. pop. 13,5/km²
Moeda Denário, sestércio, soldo
Deu origem a

Império Romano (em latim: Imperium Romanum) foi um Estado que se desenvolveu a partir da península Itálica, durante o período pós-republicano da antiga civilização romana, caracterizado por uma forma de governo autocrática e por grandes propriedades territoriais na Europa e em torno da bacia do mar Mediterrâneo.[3]

Os 500 anos de existência da República Romana, que precedeu o império, foram enfraquecidos e subvertidos por várias guerras civis.[nota 2] Muitas datas são habitualmente propostas para marcar a transição da república para o império, como a data da indicação de Júlio César como ditador perpétuo (44 a.C.); a vitória de seu herdeiro, Otaviano, na Batalha de Áccio (2 de setembro de 31 a.C.); ou a data em que o senado romano outorgou a Otaviano o título honorífico de Augusto (16 de janeiro de 27 a.C.).[nota 3] Assim, o termo "Império" tornou-se a designação utilizada, por convenção, para se referir ao Estado romano nos séculos que se seguiram à reorganização política efetuada pelo primeiro imperador, Augusto. Embora Roma possuísse colônias e províncias antes desta data, o Estado pré-Augusto é conhecido como República.

A expansão territorial romana começou na época da república, mas o império alcançou sua maior extensão sob o governo do imperador Trajano: durante o seu reinado o Império Romano controlava aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados da superfície terrestre.[4] Por causa da vasta extensão do império e de seu longo tempo de existência, as instituições e a cultura de Roma tiveram uma profunda e duradoura influência sobre o desenvolvimento dos idiomas, da religião, da arquitetura, da filosofia, do direito e das formas de governo nos território governados pelo romanos, particularmente na Europa e, por meio do expansionismo europeu, em todo o mundo moderno.

No final do século III, Diocleciano estabeleceu a prática de dividir a autoridade entre quatro co-imperadores, a fim de melhor proteger o vasto território, pondo fim à crise do terceiro século. Durante as décadas seguintes o império era frequentemente dividido ao longo de um eixo Ocidente-Oriente. Após a morte de Teodósio I em 395, o império foi dividido pela última vez.[5] O Império Romano do Ocidente acabou em 476, quando Rômulo Augusto foi forçado a se render ao chefe militar germânico Odoacro.[6] O Império Romano do Oriente (conhecido como Império Bizantino) chegou ao fim em 1453, com a morte de Constantino XI Paleólogo  e com a invasão da cidade de Constantinopla pelos turcos otomanos, liderados por Maomé II, o Conquistador.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Roma iniciou a anexação de províncias no século III a.C., quatro séculos antes de alcançar a sua maior extensão territorial e, nesse sentido, constituía já um "império", apesar de ainda ser governado enquanto república.[8] [9] [10] As províncias republicanas eram administradas por antigos cônsules e pretores, que eram eleitos para um mandato de um ano com plenos poderes e autonomia.[11] A acumulação desproporcional de riqueza e poder por parte de alguns destes líderes provinciais foi um dos principais fatores que motivaram a transição de um regime republicano para uma autocracia imperial.[12]

O assassinato de Júlio César em 44 a.C. esteve na origem de um período de instabilidade e turbulência política. No ano seguinte, Augusto, um dos mais destacados generais republicanos, torna-se um dos três membros do Segundo Triunvirato, uma aliança política com Lépido e Marco António.[13] As tensões entre Augusto e Marco António no período que se seguiu à Batalha de Filipos levariam à dissolução do triunvirato em 32 a.C. e ao confronto entre ambos na Batalha de Áccio, da qual Marco António e a rainha Cleópatra sairam derrotados e que proporcionou a anexação do reino egípcio por Augusto.[14]

Sendo agora o único governador de Roma, Augusto iniciou uma série de reformas militares, políticas e económicas em larga escala. O senado atribuiu-lhe o poder de nomear os próprios senadores e autoridade sobre os governadores de província, criando de facto o cargo que mais tarde seria denominado imperador romano. Em 27 a.C., Augusto tentou devolver o poder ao senado, o qual recusou, confirmando assim o novo regime político. Otaviano recebeu do senado o título de Augustus e escolheu para si o título de princeps (o primeiro).[15]

O reinado de Augusto, que durou mais de 40 anos, foi retratado na literatura e na arte augustina como uma nova "Era Dourada". Augusto consolidou uma duradoura fundação ideológica para os três séculos do império conhecido como o Principado (27 a.C.-284 d.C.), os primeiros 200 anos do que é tradicionalmente considerado como a Pax Romana. Mas, mesmo durante esse período, várias revoltas foram controladas e sufocadas, como na Grã-Bretanha (revolta de Boadiceia) e na Judeia (Guerras judaico-romanas).

Os tetrarcas, escultura porfírica saqueada de um palácio bizantino em 1204, tesouro de São Marcos, Veneza.

O sucesso de Augusto em estabelecer princípios de sucessão dinástica foi limitado por uma série de talentosos herdeiros potenciais: a dinastia júlio-claudiana durou por mais quatro imperadores: Tibério, Calígula, Cláudio e Nero; antes produziu, em 69 d.C., o conflituoso ano dos quatro imperadores, a partir do qual Vespasiano emergiu como vencedor.

Vespasiano tornou-se o fundador da breve dinastia flaviana, seguida pela dinastia Nerva-Antonina, que produziu os "cinco bons imperadores": Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio. Na visão do historiador grego Dião Cássio, um observador da época, a adesão do imperador Cómodo em 180 d.C. marcou a queda "de um reino de ouro para um de ferrugem e ferro",[16] um famoso comentário de que tem levado alguns historiadores, como Edward Gibbon, a considerar o reinado de Cómodo como o início da queda do Império Romano.

Em 212, durante o reinado de Caracala, a cidadania romana foi concedida a todos os habitantes nascidos livres no império. Mas, apesar deste gesto de universalidade, a dinastia severa foi tumultuada, o reinado do imperador foi encerrado rotineiramente por seu assassinato ou execução e após a sua queda, o Império Romano foi engolido pela crise do século terceiro, um período de invasões, guerra civil, depressão econômica e pestes.[17] Na definição das épocas históricas, esta crise é por vezes vista como a marca da transição da Antiguidade Clássica para a Antiguidade Tardia.

A divisão do império após a morte de Teodósio I, ca. 395 d.C. sobreposta às fronteiras atuais.

A ilusão da antiga república foi sacrificada pela imposição da ordem: Diocleciano (reinou entre 284 e 305) trouxe o império de volta da crise, mas recusou o papel de princeps e se tornou o primeiro imperador a ser abordado regularmente como dominus, "mestre" ou "senhor".[18] O estado de absolutismo autocrático que resultou no Dominato, que durou até a queda do Império Romano do Ocidente em 476. O reinado de Diocleciano trouxe também um maior esforço concentrado do império contra a ameaça do cristianismo, o que foi chamado de a "Grande" Perseguição.

Foi a partir desse ponto que a unidade do Império Romano se tornou uma ilusão, como ficou graficamente revelado pela divisão de poder implementada por Diocleciano entre quatro "co-imperadores", a chamada Tetrarquia.[19] A ordem foi novamente abalada logo depois, mas foi restaurada por Constantino, que se tornou o primeiro imperador a se converter ao cristianismo e que estabeleceu Constantinopla como a nova capital do Império Romano do Oriente. Durante as décadas das dinastias Constantina e Valentiniana, o império foi dividido ao longo de um eixo leste-oeste, com dois centros poder em Constantinopla e Roma. O reinado de Juliano, que tentou restaurar a religião helenística e romana clássica, apenas interrompeu brevemente a sucessão de imperadores cristãos. Teodósio I, o último imperador a governar Oriente e o Ocidente, morreu em 395 d.C., depois de tornar o cristianismo a religião estatal.[20]

No final do século IV, o império começou a se desintegrar com bárbaros do norte desafiando o controle da Roma cristã. A maioria das cronologias colocam o fim do Império Ocidental em 476, quando Rômulo Augusto foi forçado a se render ao chefe militar germânico Odoacro.[21] O Império do Oriente, hoje conhecido como o Império Bizantino, mas chamado no seu tempo como o "Império Romano" ou por vários outros nomes, terminou em 1453 com a morte de Constantino XI Paleólogo  e com a queda de Constantinopla para os turcos otomanos.[22]

Geografia e demografia[editar | editar código-fonte]

O Império Romano foi um dos maiores da história e o único a ter alcançado territórios no norte da Europa, Oriente Médio e Norte da África.[23] A expressão latina imperium sine fine ("império sem fim"[24] ) expressa a ideologia que nem tempo e nem espaço limitavam o império. No poema épico Eneida de Virgílio, a vastidão do império é tratada como uma concessão aos romanos de sua divindade suprema, Júpiter.[25] Esta reivindicação de domínio universal foi renovada e perpetuada quando o império caiu sob o domínio cristão no século IV.[26]

Um segmento das ruínas da Muralha de Adriano.

Na realidade, a expansão romana foi principalmente realizada durante a república, apesar de partes do norte da Europa terem sido conquistadas no século I, quando o domínio romano na Europa, África e Ásia foi reforçado. Durante o reinado de Augusto, um "mapa global do mundo conhecido" foi exibido pela primeira vez em público, em Roma, coincidindo com a composição do trabalho mais abrangente sobre a geografia política que sobrevive desde a antiguidade, Geografia do escritor grego Estrabão.[27] Quando Augusto morreu, a descrição comemorativa de suas realizações (Res Gestae) tomou lugar de destaque na catalogação geográfica dos povos e lugares sob o domínio romano.[28] A geografia, o censo e a manutenção meticulosa de registros escritos eram preocupações centrais da administração imperial romana.[29]

O império atingiu sua maior extensão sob o reinado de Trajano (98-117)[30] e compreendia uma área de cinco milhões de quilômetros quadrados, que em 2009 estava dividida entre 40 países modernos diferentes.[31] A estimativa populacional tradicional de 55-60 milhões de habitantes[32] representava entre um sexto e um quarto da população total do mundo na época[33] e fez de Roma a mais populosa entidade política unificada no Ocidente até meados do século XIX.[34] Estudos demográficos recentes têm defendido um pico populacional que varia entre 70 e 100 milhões de pessoas.[35] Cada uma das três maiores cidades do império (Roma, Alexandria e Antioquia) tinham quase duas vezes o tamanho de qualquer cidade europeia do início do século XVII.[36]

Como o historiador clássico Christopher Kelly descreveu:

Então o império se estendia desde a Muralha de Adriano, na garoa encharcada do norte da Inglaterra, até para as tórridas margens do Eufrates, na Síria; do grande sistema pluvial Reno-Danúbio, que serpenteia pelas férteis terras planas da Europa a partir dos Países Baixos ao mar Negro, até as ricas planícies do litoral norte Africano e do luxuriante corte do vale do Nilo, no Egito. O império circulava o Mediterrâneo por completo ... era referido por seus conquistadores como mare nostrum—'nosso mar'.[37]

O sucessor de Trajano, Adriano, adotou uma política de manutenção, em vez de expandir o império. Os limites (fines) foram definidos e as fronteiras (limes) patrulhadas.[38] As fronteiras mais fortificadas eram as mais instáveis.[39] A Muralha de Adriano, que separava o mundo romano daquilo que era visto como uma ameaça constante dos bárbaros, é o principal monumento sobrevivente deste esforço.[40]

Roma, as províncias e Constantinopla[editar | editar código-fonte]

Uma placa de mármore romana bilíngue na Léptis Magna, África Proconsular (atual Líbia).

Estima-se que um em cada dez habitantes do mundo romano vivia em áreas urbanas, o que facilitava a interação social e as atividades valorizadas pela cultura romana.[41] A vida política, econômica e social durante os primeiros séculos do império gravitava em torno da Urbe, termo latino para "cidade", como se referiam a Roma. Roma era a sede da autoridade imperial e da administração, principal lugar de trocas comerciais entre Ocidente e Oriente, além de ser de longe a cidade mais populosa do mundo antigo, com mais de um milhão de habitantes. Por isso, milhares de pessoas afluíam diariamente à cidade, por mar e terra, enriquecendo-a de artistas e escritores de todas as regiões do império.

Existia uma clara diferença entre viver em Roma ou nas províncias: os habitantes da capital gozavam de privilégios, enquanto o peso fiscal era reservado pesadamente às províncias. Também entre a cidade e o campo, a qualidade de vida era melhor e mais agitada para os citadinos, que usufruíam de serviços públicos como termas romanas, aquedutos, teatros e circos.

Com a crise do terceiro século, recursos foram deslocados da região do Mediterrâneo para as regiões de fronteiras, onde os imperadores precisavam passar mais tempo. Assim, no século III, cidades como Mediolano (atual Milão) Augusta Treveroro (atual Trier), no vale do rio Mosela, e Sirmio (atual Sremska Mitrovica, na Sérvia), Naisso (atual Niš) e Sérdica (atual Sófia) na região do Danúbio, Nicomédia (atual İzmit) na Ásia Menor serviram como capitais temporárias do império.[42]

No século V, como desejado antes por Constantino, Constantinopla (atual Istambul) se impôs devido ao relacionamento de força entre um Oriente ainda próspero e um Ocidente às voltas com hordas bárbaras e sempre prostrado pela crise econômica, política e demográfica.

Depois da crise, que paralisou o império nos decênios centrais do século III, as fronteiras se tornaram mais seguras a partir do reinado de Diocleciano (284-305), o qual introduziu profundas mudanças na administração e no exército. O império pôde assim viver um período de relativa estabilidade ao menos até a batalha de Adrianópolis (378)[43] e, no Ocidente, até os primeiros anos do século V, quando iniciaram as perigosas incursões por parte dos visigodos de Alarico I (401-402) que continuaram até culminarem no célebre saque de Roma em 410,[43] referido pelo contemporâneo Agostinho de Hipona, como um acontecimento notável da época e, por alguns, como o fim do mundo. Os últimos dias do Império Romano do Ocidente (o do Oriente sobreviveu por mais um milênio) foram em um clima de morte e miséria pela população de muitas regiões do império, assoladas por guerra, carestia e epidemias. A consequência final foi a queda da própria estrutura imperial.

Línguas[editar | editar código-fonte]

A língua de Roma antes de sua expansão foi o latim e essa se tornou a língua oficial do império. Até o momento do período imperial o latim tinha desenvolvido dois registros: o "alto", escrito em latim clássico, e o "baixo", o latim vulgar.

Enquanto latim clássico permaneceu relativamente estável, mesmo durante a Idade Média, o latim vulgar como em qualquer língua falada era fluido e em constante evolução. O latim vulgar se tornou a lingua franca nas províncias ocidentais, mais tarde evoluindo para as línguas românicas modernas: italiano, francês, português, espanhol, romeno, etc. Regiões anteriormente pertencentes ao império onde as línguas neolatinas extinguiram-se (África Proconsular, Britânia, Dalmácia, etc.) são denominadas Romania submersa.[44] O grego e o latim clássico eram as línguas da literatura e da educação.

Um papiro do século V com texto em latim e em grego de um discurso de Cícero.[45]

Embora o latim tenha continuado a ser a língua mais falada no Ocidente até a queda de Roma e por alguns séculos depois, no Oriente a língua grega era a língua literária e a lingua franca.[46] Os romanos geralmente não tentaram suplantar as línguas locais. Eles geralmente deixaram costumes estabelecidos intactos e só gradualmente introduziam elementos culturais tipicamente romanos, incluindo a língua latina[47] (ver: Romanização). Juntamente com o grego, muitas outras línguas de tribos diferentes foram usadas, mas quase sem expressão na escrita.

O grego já era falado em muitas cidades no Oriente, e, como tal, os romanos mantiveram-na como a língua administrativa oriental em vez de impedir a sua eficiência burocrática. Assim, dois secretários oficiais serviam no tribunal do Império Romano, um responsável pela correspondência em latim e outro pela correspondência em grego para o Oriente.[48] Assim, na Província Oriental, como aconteceu com todas as províncias, as línguas originais foram mantidas.[49] [50]

Além disso, o processo de helenização alargou o âmbito do idioma grego durante o período romano, sendo que os romanos perpetuaram a cultura helênica,[51] [52] , mas com toda a pompa de melhorias romanas.[53] [54] [55] A propagação da cultura helênica (e, portanto, da linguagem) aconteceu em grande parte devido à extensa infraestrutura romana (na forma de entretenimento, saúde, educação e extensas redes de transporte) e pela tolerância dos romanos em incluir outras culturas, uma característica que os diferenciava da natureza xenófoba dos gregos antigos.[47]

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Banquete entre gerações representado numa pintura mural de Pompeia, século I d.C.

O Império Romano era consideravelmente multicultural, com uma surpreendente capacidade de coesão capaz de criar uma noção de identidade comum, ao mesmo tempo que ao longo de vários séculos foi capaz de assimilar os mais diversos povos no seu sistema político.[56] A preocupação romana em criar monumentos públicos e espaços comunitários abertos a todos, como os fóruns, anfiteatros, circos ou as termas, ajudou a estabelecer a sensação de romanidade.[57]

A sociedade romana tinha múltiplas hierarquias sociais que se sobrepunham entre si, cujo conceito contemporâneo de classe não define de forma precisa.[58] As duas décadas de guerra civil, a partir da qual Augusto ascendeu sozinho ao poder, deixaram a sociedade tradicional romana num estado de confusão e sobressalto,[59] embora não se tenham manifestado de forma imediata na redistribuição de riqueza e nas relações sociais de poder. Na perspetiva das classes inferiores, foi apenas acrescentada mais uma hierarquia no topo da pirâmide social.[60] As relações pessoais – clientelismo, amizade (amicitia), família, casamento – continuaram a influenciar o trabalho de políticos e governo, tal como o haviam feito na república.[61] No governo de Nero, porém, não era invulgar encontrar um escravo que fosse mais rico do que um cidadão nascido livre, ou um eques mais influente do que um senador.[62]

A diluição da hierarquia rígida da república levou a uma cada vez maior mobilidade social entre os romanos,[63] tanto ascendente como descendente, e mais expressiva do que em qualquer outra sociedade da Antiguidade documentada.[64] As mulheres, os libertos e os escravos tinham agora oportunidades econômicas e de exercício de influência através de meios que anteriormente lhes estavam vedados.[65] A vida em sociedade do império, particularmente para os que tinham recursos limitados, foi ainda impulsionada pela proliferação de associações voluntárias e confrarias (collegia e sodalitates) formadas com diversas finalidades: guildas profissionais e comerciais, grupos de veteranos, associações religiosas, clubes gastronómicos,[66] e trupes artísticas.[67]

Estatuto jurídico[editar | editar código-fonte]

De acordo com o jurista Gaio, a principal distinção entre pessoas no direito romano dava-se entre cidadãos livres (liberi) e escravos (servi).[68] [69] O estatuto jurídico dos cidadãos livres podia ainda ser precisado de acordo com a sua cidadania. Durante o início do império, só um número limitado de homens é que tinha pleno direito à cidadania romana, o que lhes permitia votar, candidatar-se a eleições e serem ordenados sacerdotes. A maior parte dos cidadãos tinha apenas direitos limitados, tendo, no entanto, direito a proteção jurídica e outros privilégios que eram vedados àqueles que não tinham cidadania. Os homens livres que viviam no interior do império, mas que não eram considerados cidadãos, tinham o estatuto de peregrini, ou não-romanos.[70] Em 212 a.C., através do Édito de Caracala, o imperador Caracala alarga o direito de cidadania a todos os habitantes do império, revogando e revendo todas as leis que distinguiam cidadãos de não-cidadãos.[71]

Estatuto da mulher[editar | editar código-fonte]

Ao longo da república e durante o império, as mulheres romanas livres eram consideradas cidadãs, embora não pudessem votar, ocupar cargos políticos ou servir no exército.[72] [73] A mulher romana conservava o apelido de solteira (nomen) ao longo da vida. Na maior parte das vezes, os filhos escolhiam o apelido do pai, embora no período imperial pudessem também manter o apelido da mãe.[74]

Estatueta de bronze de uma mulher a ler. século I d.C.

A forma arcaica de casamento cum manum, pelo qual a mulher era sujeita à autoridade do marido, caiu em desuso durante o período imperial. Uma mulher casada continuava a ser proprietária dos bens que levava para o casamento. Tecnicamente, mesmo após a mudança para a residência do marido, continuava ainda sob a autoridade do pai, e só quando o pai morria é que se emancipava em termos legais.[75] Este princípio constituía um dos factores do relativo grau de independência das mulheres romanas em comperação com outras culturas da antiguidade e até à idade moderna.[76] [77] Embora tivesse que responder perante o pai em assuntos jurídicos, a mulher romana era livre para gerir a vida quotidiana e o marido não tinha qualquer poder jurídico sobre ela.[78] [79] Embora fosse motivo de orgulho social ter casado apenas uma vez, o estigma social em relação ao divórcio ou ao segundo casamento era praticamente inexistente.[80]

A mulher romana podia possuir propriedade, realizar contratos e concretizar negócios, incluindo manufatura, transportes e empréstimos bancários,[81] sendo também comum financiarem obras públicas, indicativo da posse a administração de fortunas consideráveis.[82] As mulheres tinham os mesmos direitos que os homens em relação a heranças, caso o pai morresse sem deixar um testamento.[83] [84] O direito a possuir e gerir propriedade, incluindo os termos do seu próprio testamento, proporcionavam à mulher romana uma enorme influência sobre os filhos, mesmo em adultos.[85]

Parte do programa de Augusto para restaurar a tradição moral e a ordem social, a legislação moral tentou regular a conduta da mulher enquanto forma de promover os valores da família.O adultério, que durante a república tinha sido do foro privado, foi criminalizado,[86] e definido enquanto ato sexual ilícito (stuprum) que ocorra entre um homem e uma mulher casada.[nota 4] [87] [88] [89] [90]

Escravos[editar | editar código-fonte]

Um escravo entrega ao amo tábuas para escrita. Relevo de um sarcófago do século IV.

Na época de Augusto, cerca de 35% dos habitantes da província de Itália eram escravos.[91] A escravatura era uma instituição complexa e de utlidade económica que sustentava a estrutura social romana.[92] Nas cidades, os escravos podiam exercer diversas profissões, entre as quais professores, médicos, cozinheiros e contabilistas, embora a maioria realizasse apenas tarefas pouco qualificadas. A indústria e a agricultura dependiam da mão de obra escrava. Fora de Itália, os escravos constituíam em média entre 10 a 20% da população.[93] Embora a escravatura tenha diminuído nos séculos III e IV, permaneceu parte integrante da sociedade romana até ao século V até desaparecer gradualmente ao longo dos séculos VI e VII, a par do declínio dos centros urbanos a da desintegração do complexo sistema económico que criava a procura.[94]

A legislação sobre escravatura era bastante complexa.[95] Perante a lei romana, os escravos eram considerados propriedade e não tinham personalidade jurídica. Um escravo podia ser sujeito a formas de castigo corporal vedadas a cidadãos, serem explorados sexualmente, torturados e executados sumariamente. Em termos jurídicos, um escravo não podia ser violado, uma vez que a violação só podia ser exercida sobre pessoas livres; um violador de um escravo teria de ser acusado pelo dono por danos materiais.[96] Os escravos não tinham direito a contrair matrimónio, embora por vezes fossem reconhecidas uniões e pudessem casar no caso de ambos serem libertados.[97]

No seguimento das Guerras Servis, a legislação tentou limitar a ameaça de rebeliões de escravos através da limitação da dimensão dos grupos de trabalho e da perseguição a escravos fugitivos.[98]

Tecnicamente, um escravo não podia possuir propriedade,[99] embora um escravo que realizasse negócios pudesse ter acesso a um fundo ou conta individual (peculium), da qual podia dispor livremente. Os termos desta conta variavam em função da relação de confiança entre o proprietário e o escravo. Um escravo com aptidão para os negócios podia ter autonomia considerável para realizar lucros e gerir outros escravos.[100] Dentro de uma residência ou de uma oficina, era comum a existência de uma hierarquia entre escravos, em que um deles administrava os restantes.[101]

Com o decorrer dos séculos, os escravos foram ganhando cada vez maior proteção jurídica, incluindo o direito de apresentar queixa em relação aos amos. Um contrato de compra podia ter uma cláusula que determinasse que o escravo não podia ser destinado a prostituição, já que grande parte dos prostitutos e prostitutas eram escravos.[102] O crescimento do comércio de escravos eunucos durante o fim do século I promoveu legislação que proibia a castração de um escravo contra a sua vontade.[103]

A escravatura romana não tinha por base discriminação racial.[104] [105] Durante a expansão republicana, período em que se dá a generalização da escravatura, a principal fonte de escravos eram prisioneiros de guerra das mais diversas etnias. A conquista da Grécia levou para Roma um grande número de escravos extremamente qualificados e instruídos. Os escravos eram também trocados em mercados e por vezes vendidos por piratas. Entre outras fontes de escravos estão o abandono infantil e a auto-escravização entre os mais pobres.[106] Os vernae, pelo contrário, eram escravos filhos de uma mãe escrava que nascessem e crescessem nessa propriedade. Embora não tivessem qualquer proteção jurídica em particular, o dono que maltratasse ou não cuidasse dos seus vernae era mal visto pela sociedade, já que estes eram considerados parte da sua família, podendo até ser filhos dos homens livres da família.[107] [108]

Os escravos bem sucedidos tinham a possibilidade de acumular dinheiro suficiente para comprar a sua liberdade ou serem libertados pelos serviços prestados. A manumissão tornou-se tão frequente que, no século II a.C., uma lei limitou o número de escravos que um proprietário podia libertar.[109]

Libertos[editar | editar código-fonte]

Ao contrário das cidades-estado gregas, Roma permitia que os escravos libertos se tornassem cidadãos, tendo inclusive direito ao voto.[110] Um escravo que conseguisse a libertas era denominado um libertus ("pessoa liberta," fem. liberta) em relação ao seu antigo amo, o qual se tornava então o seu patrão (patronus). No entanto, as duas partes continuavam a ter obrigações habituais e jurídicas entre si. A classe social dos libertos era denominada libertini, embora mais tarde os termos libertus e libertinus fossem usados indistintamente.[111] Um libertinus não podia ocupar cargos na administração pública ou no sacerdócio de estado, embora pudesse exercer sacerdócio no culto imperial. Um liberto não podia também casar com uma mulher de uma família da ordem senatorial ou ele próprio fazer parte dessa ordem de forma legítima, embora durante o início do império os libertos ocupassem lugares cimeiros na administração.[112]

Ordens[editar | editar código-fonte]

Fragmento de um sarcófago no qual estão representados Gordiano III e vários senadores. século III.

No contexto do Império Romano, uma ordem (ordo; pl. ordine) significa uma classe aristocrática. Uma das finalidades dos censos era determinar a ordem (ordo; pl. ordine) a que determinada pessoa pertencia. Em Roma, as duas ordens de maior estatuto eram a ordem senatorial (ordo senatorius) e a ordem equestre (ordo equester). Fora de Roma, os decuriões (ordo decurionum) representavam a aristocracia local. A posição de "senador" não era um cargo eletivo. Um cidadão era admitido no senado depois de ser eleito e servir durante pelo menos um mandato enquanto magistrado. Um senador deveria também ter uma riqueza de, no mínimo, um milhão de sestércios.[113] [114] Nem todos os homens que cumpriam os critérios para a ordo senatorius aceitavam um lugar no senado, o qual exigia domicílio em Roma. Dado que o senado compreendia 600 lugares, os imperadores muitas vezes preenchiam os assentos vagos por nomeação direta.[115] O filho de um senador perencia por direito à ordo senatorius, embora tivesse que se qualificar por mérito próprio para ser admitido no senado. Os senadores podiam ser expulsos por violar as normas de conduta moral; por exemplo, não podiam casar com uma mulher liberta ou lutar na arena.[116] Na época de Nero, os senadores eram oriundos principalmente de Roma e de outras partes de Itália, sendo alguns da península ibérica e do sul de França. Durante o governo de Vespasiano começaram a ser acrescentados senadores das províncias orientais.[117] Durante a dinastia severa, os italianos eram já menos de metade do senado.[118]

O cargo de senador correspondia à máxima posição de prestígio e ao culminar do percurso político (cursus honorum). No entanto, os membros da ordo equester em muitos casos possuíam maior riqueza e poder. A admissão à ordem tinha como critério a riqueza e posses de uma pessoa, a qual se qualificava mediante uma avaliação censitária de 400 000 sestércios e pelo menos três gerações de nascimentos livres.[119] Os eques progrediam ao longo de uma carreira militar (tres militiae) com o intuito de virem a ser prefeitos e procuradores no quadri da administração imperial.[120] [121]

A integração nas ordens de homens das províncias revela a mobilidade social existente nos primeiros três séculos do império.[122] A aristocracia romana baseava-se na competição e, ao contrário da posterior nobreza europeia, uma família romana não podia manter o seu estatuto apenas através da herança de títulos ou terras.[123] A admissão às ordens de topo trazia consigo não só privilégios e prestígio, mas também uma série de responsabilidades. A manutenção do estatuto exigia despesas pessoais avultadas, uma vez que o financiamento de obras públicas, eventos, e serviços das cidades romanas dependia dos seus cidadãos mais proeminentes e não dos impostos coletados, os quais se destinavam principalmente a financiar o exército.[124]

Governo e administração militar[editar | editar código-fonte]

Os três principais elementos do estado imperial romano foram o governo central, as forças armadas e os governos provinciais.[125] As forças militares impunham o domínio sobre um território através de campanhas militares. No entanto, depois de uma cidade ou povo assinarem tratados de cooperação, as missões militares convertiam-se em missões de policiamento, protegendo cidadãos romanos e, a partir de 212 d.C, todos os homens livres do império, os campos de cultivo e locais religiosos.[126] Sem recursos modernos de comunicação ou destruição em massa, os romanos não dispunham de capital humano suficiente para impor o seu domínio apenas através da força. Era necessária a cooperação com as elites locais para manter a ordem, recolher informações e coletar os impostos. Os romanos muitas vezes exploravam divisões políticas internas entre os povos assimilados, apoiando uma facção contra outra.[127] As comunidades que demonstrassem a sua lealdade perante Roma podiam menter as suas próprias leis, coletar os seus próprios impostos e, em casos excecionais, estavam isentas dos impostos centrais. Os privilégios jurídicos e a relativa independência constituíam um incentivo a que fosse do interesse da população manter a sua reputação perante Roma.[128] Assim, o poder do governo central romano era limitado, embora eficiente no uso dos recursos disponíveis.[129]

Governo central[editar | editar código-fonte]

Augusto, o primeiro imperador, na estátua da Prima Porta.

Os poderes do imperador (seu imperium) existiam, ao menos em teoria, em virtude de seus "poderes tribunícios" (potestas tribunicia) e seus "poderes proconsulares" (imperium proconsulare). Em teoria, os "poderes tribunícios" (que eram similares àqueles do tribuno do povo na república tornavam a pessoa e ofício do imperador sacrossantos, e lhe davam autoridade sobre o governo civil romano, inclusive o poder de presidir e controlar o senado. Os poderes proconsulares (similar àqueles dos governadores militares, ou procônsules, na república) davam-lhe autoridade sobre o exército romano. Ele também tinha poderes que, na república, eram reservados ao senado romano e às assembleias romanas, inclusive o direito de declarar guerra, ratificar tratados e negociar com líderes estrangeiros.

O imperador também tinha autoridade para conduzir um conjunto de deveres que tinham sido conduzidos pelos censores, incluindo o poder de controlar os membros do senado. Adicionalmente, o imperador controlava a religião, uma vez que, como imperador, ele era sempre pontifex maximus e membro de cada uma das quatro maiores congregações. Enquanto estas funções eram claramente distinguíveis no início do império, com o tempo foram perdidas e o poder do imperador tornou-se menos constitucional e mais monárquico. Realmente, o maior apoio do poder do imperador era o exército. Pago pelo tesouro imperial, os legionários prestavam anualmente juramento de lealdade ao imperador, chamado sacramentum.

A morte de um imperador iniciava um período de incerteza e crise. Em teoria, o senado devia escolher o novo imperador, mas a maioria dos imperadores escolhia seu próprio sucessor, usualmente um membro de sua família. O novo imperador tinha que buscar um conhecimento de seu novo status e autoridade, de forma a estabilizar o cenário político. Nenhum imperador podia ter esperança de sobreviver, muito menos de reinar, sem a aliança e lealdade da guarda pretoriana e das legiões. Para assegurar sua lealdade, vários imperadores lhes pagavam o donativum, uma recompensa monetária.

Embora as assembleias romanas da época da república continuassem a existir depois da fundação do império, seus poderes foram todos transferidos ao senado, e assim os decretos senatoriais (senatus consultum) adquiriram total força de lei.

Cícero denuncia Catilina, afresco que representa o senado romano reunido na Cúria Hostília. Palazzo Madama, Roma.

Em teoria, o imperador e o senado eram dois ramos iguais do governo, mas a autoridade real do senado era pequena e mais um meio de o imperador disfarçar seus poderes autocráticos sob um manto de republicanismo. Ainda que prestigiado e respeitado, o senado era uma instituição glorificada que tinha sido subtraída da maioria de seus poderes e ficava à mercê do imperador.

Muitos imperadores mostraram certo grau de respeito com esta antiga instituição, enquanto outros foram notórios por ridicularizá-la. Durante as sessões do senado, o imperador sentava entre os dois cônsules e usualmente atuava presidindo as sessões. Senadores mais prestigiados falavam antes dos demais, embora o imperador pudesse falar a qualquer tempo. Por volta do século III, o senado tinha sido reduzido a um órgão municipal glorificado.

Nenhum imperador poderia governar sem a ordem senatorial e sem a ordem equestre. A maioria dos postos importantes do governo era reservada para os membros dessas duas ordens aristocráticas. Era entre elas que governadores provinciais, comandantes de legiões e oficiais similares eram escolhidos. Estas duas classes eram hereditárias e majoritariamente fechadas a novos membros. Indivíduos de muito sucesso podiam entrar, mas esta era uma ocorrência rara. As carreiras dos jovens aristocratas eram influenciadas pelas suas conexões familiares e pelo favor dos patronos. Tão importante quanto habilidade, conhecimento ou competências, o patronato era considerado vital para uma carreira de sucesso e os postos mais altos requeriam o favor e a confiança do imperador.

Era esperado que os filhos de senadores seguissem o cursus honorum, um meio de ascensão, e as posições mais prestigiadas eram restritas somente a senadores. Também se esperava que um senador fosse rico; um dos requisitos básicos era a posse de doze mil áureos [130] (cerca de 100 kg de ouro), uma quantia que seria aumentada nos séculos seguintes. Abaixo da ordem senatorial estava a ordem equestre. Os requisitos e postos reservados a esta classe, embora não tão prestigiados, ainda eram muito importantes. Alguns postos vitais, como o governo do Egito, eram proibidos aos membros da ordem senatorial e permitidos somente a membros da ordem equestre.

Governo provincial[editar | editar código-fonte]

O anfiteatro de Pula, na Croácia, é um dos maiores e mais bem preservados anfiteatros romanos.

Um território anexado pelo império tornava-se uma província em um processo de três etapas: fazer um registro das cidades, um censo da população e um levantamento da terra.[131] Além disso, governo romano também registrava nascimentos e mortes, transações imobiliárias, impostos e processos jurídicos.[132] Nos séculos I e II, o governo central de Roma enviou cerca de 160 funcionários por ano para governar áreas fora da península Itálica.[133] Entre esses funcionários estavam os "governadores romanos": tanto magistrados eleitos em Roma, que em nome do povo romano administrava as províncias senatoriais, quanto governadores, geralmente da ordem equestre, que governavam o império em nome do imperador nas províncias fora do controle senatorial, principalmente o Egito romano.[134] O governador tinha que estar acessível para as pessoas que ele governava, mas ele também podia delegar várias tarefas.[135] Sua equipe, no entanto, era mínima: seus assistentes oficiais (apparitores), como lictores , arautos, mensageiros, escribas e guarda-costas; legados, tanto civis quanto militares, geralmente da ordem equestre, e amigos, que variavam em idade e experiência, também acompanhavam os governadores não oficialmente.[135]

Outros oficiais romanos eram designados como supervisores das finanças públicas.[133] Separar responsabilidade fiscal da justiça e da administração foi uma reforma da época imperial. Durante a república, os governadores provinciais e agricultores fiscais poderiam explorar as populações locais com mais liberdade em busca ganho pessoal.[136] Os procuradores equestres, cuja autoridade era originalmente "extra-judicial e extra-constitucional", administravam a propriedade do Estado e grande parte da propriedade pessoal do imperador (res privata).[135] Como os funcionários do governo romano eram poucos, um provincial que precisasse de ajuda em uma disputa legal ou em um processo criminal poderiam procurar qualquer romano identificado como possuidor de alguma capacidade oficial, como um procurador ou um oficial militar, ou até mesmo centuriões.[137]

Forças armadas[editar | editar código-fonte]

Relevo do sarcófago Grande Ludovisi (250-260) ilustrando uma batalha entre guerreiros romanos e germânicos; acredita-se que a figura central seja o imperador Hostiliano (d. 251)

Durante e depois da Segunda Guerra Civil da República de Roma, Otaviano reduziu o enorme número de legiões (acima de 60)[138] a um tamanho muito mais gerenciável e acessível (28).[138] Várias legiões, particularmente aquelas de lealdade duvidosa, foram simplesmente dissolvidas. Outras legiões foram amalgamadas, um fato sugerido pelo título Gemina (gêmeo).[138]

Em 9 d.C., tribos germânicas eliminaram três legiões na Batalha da Floresta de Teutoburgo. Este evento desastroso reduziu o número das legiões a 25. O total de legiões voltaria a aumentar posteriormente e nos próximos trezentos anos manteve-se por volta de trinta.[139]

Augusto também criou a guarda pretoriana: nove coortes ostensivas para manter a paz pública, que foram guarnecidas na Itália. Melhor remunerados do que os legionários, a pretorianos também serviam menos tempo: em vez de servir o padrão de 25 anos dos legionários, eles se aposentavam após 16 anos de serviço.[140]

Mesmo as auxilia (em português: apoio) não sendo tão famosas quanto as legiões, foram de grande importância para o império. Ao contrário dos legionários, os auxilia foram recrutados entre os não-cidadãos. Organizados em unidades menores com a força bruta dos coortes, recebiam pagamentos piores do que os dos legionários e depois de 25 anos de serviço eram recompensados ​​com a cidadania romana, que também se estendia a seus filhos. De acordo com Tácito,[141] havia tantos auxilias quanto legionários. Enquanto que neste momento havia 25 legiões de cerca de 5.000 homens cada uma, os auxilia tinham cerca de 125.000 homens, o que implica cerca de 250 regimentos auxiliares.[142]

A marinha romana (em latim: classis, lit. "frota".), não só ajudava no fornecimento e no transporte das legiões, mas também ajudaram na proteção das fronteiras nos rios Reno e Danúbio. Outra das suas funções era a proteção das rotas marítimas de comércio mais importantes contra a ameaça dos piratas. Por isso, patrulhava todo o Mediterrâneo, partes do Atlântico Norte (costa da Hispânia, Gália e Britânia) e teve também uma presença naval no mar Negro. No entanto, o exército foi considerado o ramo mais antigo e mais prestigiado das forças militares romanas.[143]

Direito romano[editar | editar código-fonte]

Os tribunais romanos possuíam jurisdição para deliberar sobre processos que envolvessem cidadãos romanos em todos o império, embora houvesse poucos funcionários para impôr a lei de forma uniforme entre as províncias. A maior parte dos territórios do império oriental tinha já implementados códigos de direito e procedimentos jurídicos.[144] Regra geral, a política romana consistia em respeitar a mos regionis, a "tradição local" ou "leis da terra", vendo-as como fonte de precedentes jurídicos e fonte de estabilidade social.[145] [146] A compatibilidade entre o direito romano e o direito local era vista como reflexo da Ius gentium, a lei das gentes ou direito internacional, comum e habitual entre todas as comunidades humanas.[147] Quando determinados aspetos das leis provinciais entravam em conflito com as leis ou costumes romanos, podiam ser feitos apelos aos tribunais romanos, tendo o imperador autoridade para promulgar uma decisão final.[nota 5] [148]

A ocidente, o direito tinha sido administrado numa base tribal e o direito à propriedade privada pode ter constituído uma novidade da era romana, sobretudo entre os povos celtas. O direito romano facilitava a aquisição de riqueza por parte da elite pró-romana, a qual via vantagens nos seus novos privilégios enquanto cidadãos do império.[149] O alargamento da cidadania de forma universal a todos os habitantes do império em 212 exigiu a aplicação uniforme do direito romano, substituíndo os códigos de direito locais que eram aplicados a não cidadãos. A tentativa de Diocleciano em estabilizar o império após a crise do terceiro século incluiu duas compilações jurídicas notáveis em apenas quatro anos, o Codex Gregorianus e o Codex Hermogenianus, destinadas a auxiliar os administradores de província a implementar padrões jurídicos consistentes.[150]

Impostos[editar | editar código-fonte]

Personificação do rio Nilo e da sua prole. século I d.C.

O valor de impostos coletados no império correspondia a 5% do produto interno bruto romano.[31] A taxa de imposto comum sobre rendimentos individuais variava entre 2 e 5%.[151] O direito contributivo era confuso e conflituoso e determinava um sistema complexo de impostos diretos e indiretos, alguns pagos em dinheiro e outros em géneros. Os impostos podiam ser específicos de eterminada província, podiam incidir apenas sobre determinado tipo de propriedades, como a pesca ou salinas ou podiam ainda ser aplicados apenas durante determinado intervalo de tempo.[152] A coleta de impostos era justificada também pela necessidade de manutenção do exército,[153] pelo que os contribuintes tinham direito a um reembolso quando o exército capturava despojos ou excedentes.[154] Em regiões pouco monetarizadas eram aceites pagamentos em géneros, particularmente daquelas que eram capazes de fornecer cereais ou bens para os campos militares.[155]

A principal fonte da receita fiscal proveniente de impostos diretos eram os cidadãos, os quais pagavam imposto per capita e pelos seus terrenos, com base na sua produção ou na capacidade produtiva.[151] O código previa exceções; por exemplo, os agricultores egípcios podiam estar isentos dependendo do ciclo de cheias do rio Nilo.[156] As obrigações fiscais eram determinadas pelos censos, os quais exigiam que cada chefe de família se apresentasse perante o administrador encarregado e indicasse a constituição da sua família e as propriedades que possuía adequadas a agricultura ou habitação.[156]

Uma das principais fontes de impostos indiretos era a portoria, o rendimento obtido em alfândegas e portagens sobre importações e exportações, inclusive entre províncias.[151] Existiam também impostos especiais sobre o comércio de escravos. Augusto instituiu uma taxa de 4% sobre a venda de escravos, cujo encargo Nero transferiu do comprador para os comerciantes, inflacionando o preço. Um proprietário que libertasse um escravo pagava uma taxa de liberdade, calculada em 5% do seu valor (vicesima libertatis).[157] Era ainda cobrado um imposto de 5% a todos os cidadãos romanos acima de determinadas posses que deixassem uma herança a outras pessoas que não a sua família próxima. Os impostos sobre bens do estado e 1% dos valores de leilão revertiam a favor do fundo de pensão militar (aerarium militare).[151]

As taxas de imposto reduzidas ajudaram a aristrocracia romana a acumular riqueza, a qual igualava ou excedia a receita do próprio governo central. Por vezes, um imperador repunha o tesouro do estado através da apreensão das propriedades dos imensamente ricos. A recusa no pagamento de impostos por parte dos mais abastados foi um dos factores que contribuiu para o colapso do império.[33]

Economia[editar | editar código-fonte]

Moses Finley foi o principal defensor da visão primitivista que a economia romana era "subdesenvolvida e subaproveitada", caracterizada pela agricultura de subsistência; centros urbanos que consumiam mais do que produziam em termos de comércio e indústria; artesão de baixo nível; lentidão no desenvolvimento tecnológico; e "falta de racionalidade econômica."[158] As análises atuais, no entanto, são mais complexas. As conquistas territoriais de Roma permitiram uma reorganização em grande escala do uso da terra, que resultou em especialização e superávit agrícola, particularmente no norte da África.[159] Algumas cidades eram conhecidas por determinadas atividades industriais ou comerciais e a escala de construção em áreas urbanas indica uma significativa indústria de construção.[160] Papiros preservaram métodos contábeis complexos que sugerem elementos do racionalismo econômico[161] e o império era altamente rentabilizado.[162] Embora os meios de comunicação e transporte fossem limitados na antiguidade, nos séculos I e II ele desenvolveram-se muito e as rotas de comércio ligavam as economias regionais.[163] Os contratos de fornecimento para o exército, que permeava todas as partes do império, baseavam-se em fornecedores locais perto da base (castro), em toda a província e através das fronteiras provinciais.[164] O império talvez seja melhor analisado como uma rede de economias regionais, com base em uma forma de "capitalismo político", onde o Estado monitora e regula o comércio, com o objetivo de assegurar os seus próprios rendimentos.[165] O crescimento econômico, embora não comparável ao das economias modernas, era maior do que a maioria das outras sociedades antes da Revolução Industrial.[166]

Mineração e metalurgia[editar | editar código-fonte]

Relevo resultante da técnica de mineração ruina montium, em Las Médulas, Hispânia, uma das mais importantes minas de ouro do império.

A invenção e aplicação generalizada de mineração hidráulica, auxiliada pela capacidade romana de planejar e executar operações de mineração em grande escala, permitiu a extração de vários metais preciosos de modo proto-industrial.[167]

Por ano, a produção total de ferro era estimada em 82.500 toneladas,[168] assumindo uma capacidade produtiva de c. 1,5 kg per capita.[169] O cobre foi produzido a uma taxa anual de 15.000 toneladas[170] e chumbo em 80.000 toneladas,[171] ambos os níveis de produção não seriam emparelhados até a Revolução Industrial;[172] a Hispânia sozinha tinha 40% de quota de produção de chumbo mundial.[173] A alta saída de chumbo foi um subproduto da extensa mineração de prata que atingiu um montante de duzentas toneladas por ano.[174] Em seu pico, por volta do século II a.C., o estoque romano de prata é estimado em 10.000 toneladas, de cinco a dez vezes maior do que a massa de prata combinado da Europa medieval e do Califado por volta do ano 800 d.C.[175] Qualquer uma das principais províncias mineradoras do império produzia tanta prata quanto o contemporâneo Império Han e mais ouro por toda uma ordem de magnitude.[176]

A elevada quantidade de moedas metálicas em circulação fez com que mais dinheiro cunhado estivesse disponível para negociação ou poupança na economia.[177]

Moeda[editar | editar código-fonte]

O governo imperial era, como todos os governos, interessado na emissão e no controle da moeda em circulação. Cunhar moedas era um ato político: a imagem do imperador da época aparecia na maioria das emissões e moedas eram um meio de mostrar a sua imagem por todo o império. Caracterizados também foram antecessores, imperatrizes, outros membros da família e herdeiros aparentes do imperador. Mediante a emissão de moedas com a imagem de um herdeiro, a sua legitimidade e sucessão futura era proclamada e reforçada. Mensagens políticas e de propaganda imperial, como proclamações de vitória e reconhecimentos de lealdade também apareciam em algumas moedas.

Legalmente somente o imperador e o senado tinham autoridade para cunhar moedas no interior do império.[178] No entanto a autoridade do senado era principalmente e apenas no nome. Em geral, o governo imperial emitia moedas de ouro e prata, enquanto o senado emitia moedas de bronze marcadas pela legenda "SC", abreviação de senatus consultum ("por decreto do senado"). No entanto, moedas de bronze poderiam ser emitidas sem essa legenda. Algumas cidades gregas foram autorizados a emitir moedas de prata e bronze, que hoje são conhecidos como "imperiais gregas".[179] Casas da moeda imperiais estavam sob o controle de um ministro-chefe financeiro e as emissões provinciais estavam sob o controle dos procuradores imperiais provinciais. As casas da moeda senatoriais eram governadas por funcionários da tesouraria do senado.

Transportes e comunicações[editar | editar código-fonte]

Relevo galo-romano representando uma barcaça fluvial que transporta pipas de vinho, uma invenção dos gauleses que se tornou de uso comum durante o século II. Na parte superior pode-se observar as ânforas nas quais o vinho é armazenado.[180] [181]

O Império Romano rodeava por completo o Mediterrâneo, o qual denominavam o "nosso mar" (mare nostrum).[182] As embarcações à vela romanas navegavam não só o Mediterrâneo, como todos os principais rios do império, entre os quais o Guadalquivir, o Ebro, o Ródano, o Reno, o Tibre e o Nilo.[183] O transporte por via marítima ou fluvial era preferido sempre que possível, uma vez que o transporte de mercadoria por terra era mais difícil.[184]

O transporte por via terrestre fazia uso de uma rede complexa e avançada de estradas romanas. Os impostos em género pagos pelas comunidades locais exigiam a deslocação frequente de funcionários administrativos, animais e veículos do cursos publicus, o sistema estatal de correios e serviço de transporte estabelecido por Augusto.[155] A cada sete ou doze milhas romanas situavam-se postos de serviço, os quais podiam crescer para pequenas vilas ou entrepostos comerciais.[185] Um mansio era uma estação de serviço destinada ao cursos publicos, cencessionada pela burocracia local a privados. Entre os funcionários destes postos estavam condutores, secretários, ferreiros, um veterinário e slguns carteiros e polícias militares. A distância entre as mansiones era determinada pela distância que uma carroça podia percorrer ao longo de um dia.[185] Os animais de tração mais comuns eram as mulas, as quais viajavam a uma velocidade de quatro milhas por hora.[186] Para ter uma ideia do ritmo de comunicação, um mensageiro precisava de nove dias para viajar entre Roma e Mogúncia, na província da Germânia Superior.[187] Para além das mansiones, algumas tabernas ofereciam alojamento, restauração, alimentação para os animais e, eventualmente, serviços de prostituição.[188]

Comércio externo[editar | editar código-fonte]

Embora as províncias romanas efetuassem grande parte das trocas comerciais entre si, as rotas comerciais estendiam-se muito para além das fronteiras do império, chegando a regiões tão remotas como a China e a Índia[189] O comércio com a China era realizado principalmente através de intermediários ao longo da Rota da Seda. No entanto, o comércio com a Índia era também feito por via marítima a partir dos portos egípcios no mar Vermelho. A principal mercadoria transacionada eram os cereais,[190] sendo para além disso comercializados diversos alimentos, entre os quais azeite e garum (molho de peixe), escravos, minério, utensílios de metal, tecidos, fibras naturais, madeira, olaria, artefactos de vidro, mármore, papiro, especiarias, plantas medicinais, marfim, pérolas e pedras preciosas.[191]

Embora a maior parte das províncias fosse capaz de produzir vinho, havia preferência por determinadas regiões e castas, pelo que o vinho correspondia a um dos principais produtos comerciais. A escassez de vinho era rara.[192] Os principais fornecedores da cidade de Roma eram a costa ocidental da panínsula itálica, o sul da Gália, a região Tarraconense e Creta. Alexandria, a segunda maior cidade, importava vinho de Lataquia na Síria e do mar Egeu.[193] A nível de retalho, o vinho era vendido ao copo ou a granel em tabernas ou lojas próprias (vinaria), consumido no local ou transportado, cujo preço variava em função da qualidade do produto.[194]

Trabalho e profissões[editar | editar código-fonte]

Trabalhadores de uma oficina têxtil.

Estão registadas em incrições 268 diferentes profissões na cidade de Roma e 85 em Pompeia.[195] Existiam associações profissionais (collegia) para as mais diferentes profissões, entre as quais os pescadores (piscatores), mercadores de sal (salinatores), comerciantes de azeite (olivarii), artistas (scaenici), comerciantes de gado (pecuarii), ourives (aurifices), condutores (asinarii ou muliones) e pedreiros (lapidarii).[196]

O trabalho realizado pelos escravos divide-se em cinco categorias: doméstico, para o qual os epitáfios registam pelo menos 55 profissões; serviço público ou imperial; ofícios urbanos; agricultura e mineração.[197] Os condenados realizavam grande parte do trabalho em minas e pedreiras, nas quais as condições eram notoriamente violentas.[198] Na prática, existia pouca divisão de trabalho entre os escrevos e os homens livres,[199] e grande parte dos trabalhadores eram analfabetos e não qualificados.[200] A maior parte dos trabalhadores não qualificados estava empregada na agricultura. No sistema de produção agrícola italiano, os trabalhadores eram sobretudo escravos, embora nas restantes províncias o seu peso fosse muito menor em relação a outros trabalhadores dependentes.[199]

A produção têxtil era uma das principais fontes de emprego. Tanto tecido como vestuário eram duas das principais mercadorias de troca entre as províncias.[201] O vestuário de melhor qualidade era exportado por homens de negócios (negotiatores ou mercatores), os quais eram muitas vezes residentes abastados dos centros de produção.[202] O pronto-a-vestir podia ser vendido por intermédio de vendedores (vestiarii) ou mercadores itinerantes.[202] Os produtores têxteis geriam muitas vezes pequenos negócios, empregando aprendizes, trabalhadores livres assalariados e escravos.[203] Tanto os fiadores (fullones) como os tintureiros (coloratores) tinham as suas próprias guildas.[204] Os centonarii eram trabalhadores especializados na produção têxtil e na reciclagem de tecidos em retalhos.[205]

PIB e distribuição de riqueza[editar | editar código-fonte]

A estimativa do produto interno bruto da economia romana difere entre os vários historiadores.[206] Nos anos de amostragem de 14, 100 e 150 d.C., as estimativas do PIB variam entre 166 e 380 HS. Estima-se que o PIB per capita da província de Itália tenha sido de 40[207] a 66%[208] superior à média do império, devido às transferências fiscais das províncias e à concentração do rendimento da elite no centro do império. Segundo o modelo económico de Scheidel-Friesen, o rendimento anual total gerado no império ascende a cerca de 20 mil milhões HS, dos quais cerca de 5% são coletados pelos governos locais e central. Os 1,5% mais ricos recebiam cerca de 20% da distribuição de riqueza. Outros 20% eram distribuídos por 10% da população de classe média. A maioria da população produzia mais de metade do rendimento anual, embora vivesse numa economia de subsistência.[209]

Religião[editar | editar código-fonte]

Sacerdote romano; a cabeça está coberta em capile velato com uma dobra da toga e a mão estendida num gesto de libação. Século II-III.

A religião na Roma Antiga engloba as práticas e crenças que os romanos viam como suas, assim como os diversos cultos importados para Roma ou praticados pelo povo ao longo das províncias. Os romanos viam-se a si próprios como profundamente religiosos, atribuindo o seu bem-sucedido domínio regional à sua boa relação com os deuses (pax deorum). A religião arcaica que se acredita ter sido herdada dos primeiros reis de Roma constituiu a fundação do mos maiorum, ou "tradição", vista como central na identidade romana. Não existia qualquer princípio análogo à separação Igreja-Estado. Os lugares de sacerdote na religião do estado eram preenchidos pelas mesmas pessoas que ocupavam lugares na administração pública e, durante o período imperial, o pontifex maximus era o próprio imperador.

A religião romana era prática e contratual, baseada no princípio do do ut es ("dou-te aquilo que possas oferecer"). A religião dependia do conhecimento e da prática correta da oração, dos rituais e do sacrifício, e não da ou de dogmas, embora a literatura latina conserve alguma especulação em relação ao divino e à sua relação com a vida humana. Para o cidadão comum, a religião era parte do quotidiano.[210] Cada residência tinha um altar doméstico, no qual se faziam as orações e eram oferecidas libações. As cidades eram pontuadas por altares de bairro e locais sagrados, como nascentes de água e cavernas. Apuleio descreveu a influência quotidiana da religião, através da observação da forma como as pessoas que passavam por um local de culto faziam um voto ou ofereciam alguns frutos, ou então sentando-se apenas.[211] O calendário romano era organizado em função das comemorações religiosas. Durante o período imperial, havia 135 dias do ano dedicados a festividades religiosas e jogos (ludi).[212]

Estatuetas que representam divindades romanas e gaulesas, destinadas a devoção pessoal em altares privados

Durante a crise republicana, a religião do estado adaptou-se de forma a apoiar o novo regime de imperadores. Enquanto primeiro imperador romano, Augusto justificou a novidade da governação por parte de uma única pessoa com um vasto programa de revivalismo e reformas religiosas. Os votos públicos, anteriormente feitos para a segurança da república, foram então direcionados para o bem-estar do imperador. O culto da personalidade alargou significativamente as práticas de veneração dos ancestrais e do génio, a divindade tutelar de cada indivíduo. Antes de morrer, um imperador podia-se tornar uma divindade de estado mediante votação no senado. O culto imperial, influenciado pela religião helenística, tornou-se uma das principais formas de Roma anunciar a sua presença nas províncias, cultivando em toda a extensão do império a lealdade e partilha da mesma identidade cultural. O precedente cultural nas províncias orientais facilitou a rápida disseminação do culto imperial, alargando-se a regiões tão longínquas como a atual Arábia Saudita[213] A rejeição da religião do Estado tornou-se sinónimo de traição ao imperador, facto que esteve na origem do conflito de Roma com os primeiros cristãos, já que os romanos viam o cristianismo enquanto uma nova forma de ateísmo e um novo superstitio.

Uma das características da religião romana é o grande número de divindades a que prestavam culto.[214] À medida que os romanos alargavam o seu domínio no Mediterrâneo, a sua política consistia na assimilação de divindades e cultos dos povos conquistados, e não na sua erradicação. [215] Uma das formas de Roma promover a estabilidade entre os seus diversos povos foi através do apoio das suas diferentes heranças religiosas, construindo templos destinados a divindades locais e que enquadravam estas diferentes práticas religiosas na hierarquia da religião romana. As várias incrições por todo o império registam a reverência em paralelo de divindades romanas com divindades locais.[216] No apogeu do império, eram adoradas em Roma divindades internacionais, cujo culto tinha sido difundido para as mais remotas províncias, entre elas Cibele, Ísis, Epona e os deuses do monismo solar, como Mitra e Sol Invicto. Uma vez que os romanos nunca foram obrigados a adorar apenas um único deus ou culto, a tolerância religiosa nunca representou um problema, da forma em que o é para sistemas monoteístas.[217]

Relevo no Arco de Tito em Roma, representando o transporte triunfal de despojos do Templo de Jerusalém
Relevo no Arco de Tito em Roma, representando o transporte triunfal de despojos do Templo de Jerusalém
Esta estela funerária do século III está entre as mais antigas incrições cristãs, escrita simultâneamente em grego e latim. A abreviatura "D.M." no topo refere-se a Di Manes, os espíritos tradicionais romanos da morte, mas é acompanhada pelo símbolo cristão
Esta estela funerária do século III está entre as mais antigas incrições cristãs, escrita simultâneamente em grego e latim. A abreviatura "D.M." no topo refere-se a Di Manes, os espíritos tradicionais romanos da morte, mas é acompanhada pelo símbolo cristão

As religiões de mistério, que ofereciam aos iniciados salvação após a morte, eram uma questão de escolha pessoal, praticada de forma complementar aos rituais familiares e à participação na religião pública. No entanto, os mistérios envolviam secretismo e juramentos exclusivos, o que os conservadores romanos viam com suspeição e características de magia, conspiração e atividade subversiva. Foram feitas tentativas esporádicas de suprimir seitas que aparentavam ameaçar a unidade e moral tradicionais, algumas delas de forma brutal. Na Gália, foram feitas tentativas de controlar o poder dos druidas, inicialmente através da proibição dos cidadãos romanos em pertencer à ordem e depois através da proibição do druidismo por completo. No entanto, ao mesmo tempo as tradições celtas foram reinterpretadas no contexto da teologia imperial, dando origem a uma nova religião galo-romana e estabelecendo o precedente para o culto Ocidental enquanto forma de identidade regional romana.[218]

O rigor monoteísta do judaísmo colocava dificuldades à política de tolerância religiosa romana, obtida através de compromisso e de isenções excepcionais. A religião judaica, ao contrário da cristã, era considerada legítima (religio licita). No entanto, quando os conflitos políticos e religiosos se tornaram irreconciliáveis despoletaram-se várias revoltas entre judeus e romanos. O cerco de Jerusalém em 70 d.C. esteve na origem do saque ao templo da cidade e da dispersão do poder político judaico.[219]

O cristianismo surgiu na província da Judeia no primeiro século d.C. enquanto seita religiosa judaica. A religião espalhou-se gradualmente até Jerusalém, estabelecendo inicialmente centros importantes em Antioquia e Alexandria, e a partir daí por todo o império. As perseguições oficiais foram muito poucas e esporádicas, e a maior parte dos martírios ocorreu por iniciativa de autoridades locais.[220] [221] [222]

Durante o início do século IV, Constantino tornou-se o primeiro imperador a se converter ao cristianismo, dando assim início à era de hegemonia cristã. O imperador Juliano realizou uma breve tentativa de reavivar as religiões tradicionais e helenística e de afirmar o estatuto especial do Judaísmo. No entanto, em 391 e durante o governo de Teodósio I, o Cirstianismo torna-se a religião estatal de Roma, excluindo todas as outras. A partir do século II, os Padres da Igreja começam a condenar todas as diferentes práticas religiosas praticadas no império, denominando-as coletivamente por "pagãs".[223] Ao mesmo tempo, são rejeitados apelos à tolerância religiosa por parte de tradicionalistas e o monoteísmo cristão torna-se uma das características do domínio imperial. Todos os hereges e não cristãos estavam sujeitos a ser perseguidos ou a ser excluídos da vida pública. No entanto, as práticas cristãs foram influenciadas por grande parte da hierarquia religiosa romana e por muitos aspetos dos rituais romanos, tendo ainda muitas destas práticas sobrevivido através de festivais e tradições locais cristãs.[224] [225]

Arquitetura e engenharia[editar | editar código-fonte]

Coliseu de Roma, uma das mais notáveis obras de engenharia clássica, mandado erigir por Vespasiano, serviu para vários espectáculos, inclusive dramatizações de batalhas navais
Coliseu de Roma, uma das mais notáveis obras de engenharia clássica, mandado erigir por Vespasiano, serviu para vários espectáculos, inclusive dramatizações de batalhas navais
O aqueduto da Ponte do Gard, no rio Gardon, no sul da França (antiga Gália), é um Patrimônio Mundial pela UNESCO
O aqueduto da Ponte do Gard, no rio Gardon, no sul da França (antiga Gália), é um Patrimônio Mundial pela UNESCO

Os romanos notabilizaram-se como pioneiros na engenharia e construção de sofisticadas infraestruturas como canalizações, aquedutos, estradas e pontes.[226] As obras estenderam-se por todo o império, cujo sucesso se deveu em grande parte à extensa rede viária. Além do saneamento básico, as infraestruturas incluíam equipamentos como termas, fóruns, teatros, anfiteatros e monumentos.[227]

A invenção do concreto (betão) como material de construção foi uma importante evolução no Império Romano,[228] quando se descobriu as pozolanas, cinzas vulcânicas nas imediações do Vesúvio que finamente trituradas e misturadas com cal produziam uma argamassa resistente e duradoura. Descobertas as suas propriedades aglomerantes, os romanos fizeram uso alargado das pozolanas, utilizando-as na feitura do opus coementicium (o cementizio), uma argamassa criada pela mistura de pozolanas com cal (tipicamente na proporção de 2:1) imediatamente antes da adição de água. Esta argamassa constitui um ligante suficientemente poderoso para construir grandes estruturas, como pontes, cúpulas e vigas longas, com a particularidade de ganhar presa mesmo quando submersa. Exemplos da sua utilização são a cúpula do Panteão de Roma e os molhes do porto romano de Cosa. A utilização das argamassas pozolânicas perdeu-se com a desagregação do Império Romano, mas foi retomada a partir do Renascimento.[229]

As estradas romanas foram vitais para ligar Roma a todo o império.[230] [231] A primeira via foi criada em 312 a.C. por Ápio Cláudio Cego, para ligar Roma à cidade de Cápua: a Via Ápia.[232] À medida que o império se expandiu, a administração adaptou o mesmo esquema nas províncias. No seu apogeu, a rede viária romana atingiu cerca de 400.000 km de estradas, 80.500 km das quais pavimentadas.[233] [234] Enquanto outras civilizações mediterrânicas fundaram o seu desenvolvimento comercial nos portos, os romanos utilizaram a rede de estradas em paralelo com a frota comercial. Isto favoreceu os intercâmbios no interior continental, provocando uma expansão mercantil fulgurante. Regiões inteiras especializaram-se e comerciaram entre si (vinhos e azeite na Hispânia, cereais na Numídia, cerâmicas e carnes na Gália, por exemplo).

As estradas estavam balizadas por marcos miliários (miliarium) colocados em intervalos de cerca de mil passos (1480 metros). Na rede viária romana funcionava também um vasto sistema de correiro, o cursus publicos[235] regulamentado por lei, que garantia a transmissão de notícias, a viagem dos funcionários e o transporte de bens em nome do estado. O Estado mantinha as mutationes (postos de troca de animais) e as mansiones ou stationes (escalas com estalagens e instalações para viajantes). A extensão e funcionalidade da rede de estradas romanas perdurou muito além do fim do império, com muitas estradas actuais seguindo o seu traçado.

A rede das principais estradas romanas durante o governo de Adriano (117-138 d.C.)

Aquedutos construídos por todo o império abasteciam as explorações agrícolas e as cidades com água potável[226] . O escoamento era geralmente com superfície livre, apresentando uma inclinação mínima para que a água pudesse correr, e eram edificados em alvenaria. O atravessamento de vales era feito sobre estruturas em arcaria. Contavam ainda com a ajuda de bombas hidráulicas.

As águas residuais eram recolhidas numa sofisticada rede de esgotos, de que é exemplo a cloaca Máxima, em Roma, uma das mais antigas redes de esgotos do mundo,[236] construída em Roma nos finais do século VI a.C., iniciada por Tarquínio Prisco,[237] que usufruía da experiência desenvolvida pela engenharia etrusca para drenar os esgotos para o rio Tibre. O funcionamento da cloaca Máxima e outras redes de esgotos romanas, como a de Eboraco (actual cidade inglesa Iorque) prosseguiu durante bastante tempo após a queda do Império Romano.[238]

O desenvolvimento dos aquedutos facilitou construção generalizada de termas (as thermae) e balneários (balneae) no império.[239] Estes locais destinados aos banhos públicos asseguravam a higiene corporal e a hidroterapia.[240] As mais antigas termas romanas conhecidas datam do século V a.C. em Delos e Olímpia, embora as mais conhecidas sejam as termas de Caracala. Homens e mulheres tomavam banhos diariamente (à tarde depois do trabalho)[241] , costume relacionado a assimilação do culto à deusa grega Hígia (equivalente romana: Salus) e Panaceia, filhas de Esculápio, deusas da saúde e limpeza, como a recomendações da medicina hipocrática continuada pelos romanos.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Uma família romana durante um banquete. Afresco em Pompeia
Uma família romana durante um banquete. Afresco em Pompeia
Mulheres com roupas típicas. Afresco em Pompeia
Mulheres com roupas típicas. Afresco em Pompeia
Homem condenado atacado por um leopardo em uma arena.  Mosaico na  Tunísia, século III
Homem condenado atacado por um leopardo em uma arena. Mosaico na Tunísia, século III

A vida no Império Romano girava em torno da cidade de Roma e suas famosas sete colinas. A cidade também tinha vários teatros,[227] ginásios e muitas tabernas, termas e lupanares. Em todo o território sob o controle de Roma, a arquitetura residencial variou desde casas muito modestas até vilas rurais e, na capital, elegantes residências no monte Palatino, da qual a palavra "palácio" é derivada. A maioria da população vivia no centro da cidade, em blocos de apartamentos.

A maioria das cidades e vilas romanas tinha um fórum e templos, assim como a própria cidade de Roma. Aquedutos foram construídos para levar água para os centros urbanos [226] e serviram como uma via para importação de vinho e óleo[necessário esclarecer]. Senhores patrícios geralmente residiam nas cidades e suas propriedades rurais eram deixadas sob os cuidados de dirigentes agrícolas. Para estimular uma maior produtividade do trabalho, muitos proprietários libertaram um grande número de escravos. No reinado de Augusto, escravos domésticos gregos ensinaram os jovens romanos (às vezes até mesmo as meninas). Esculturas gregas adornaram o paisagismo helenístico no Palatino ou nas vilas.

Muitos aspectos da cultura romana foram retirados da cultura grega.[242] Na arquitetura e na escultura, a diferença entre os modelos gregos e romanos são aparentes. As principais contribuições para a arquitetura romana eram o arco e a cúpula.

O centro da estrutura social inicial era a família,[243] que não foi apenas marcado por relações de sangue, mas também pela relação legalmente construída de patria potestas.[244] O pater familias era o chefe absoluto da família; ele era o mestre sobre sua esposa, seus filhos, as noras, os sobrinhos, os escravos e os libertos, eliminando os seus bens à vontade ou, até mesmo, colocando-os à morte.[245] Inicialmente, apenas a aristocracia patrícia o privilégio de formação de clãs familiares, ou Gens, como pessoas jurídicas; mais tarde, na esteira das lutas políticas e de guerra, os clientes também foram alistados. Assim, tais gentes plebeus foram os primeiros formados, imitando os seus homólogos patrícios.[246]

A escravidão e os escravos eram parte da ordem social. Havia mercados de escravos, onde eles podiam ser comprados e vendidos. Muitos escravos foram libertados pelos mestres por serviços prestados, alguns escravos podiam economizar dinheiro para comprar sua liberdade. Geralmente a mutilação e o assassinato de escravos eram proibidos pela legislação. Estima-se que mais de 25% da população romana era escravizada.[247] [248] O professor Gerhard Rempel do Western New England College, Estados Unidos, afirma que apenas na cidade de Roma, durante o império, havia cerca de 400 mil escravos.[249]

A cidade de Roma tinha um lugar chamado Campo de Marte (Campus Martius) que era, inicialmente, uma área de preparação para os soldados romanos. Mais tarde, o campo tornou-se uma área de entretenimento onde os jovens se reuniam para jogar e se exercitar, o que incluía salto em distância, luta livre, boxe e corridas. A equitação e a natação também eram algumas das atividades físicas preferidas.[250] No campo, os passatempos incluíam também a pesca e a caça. Jogos de tabuleiro jogados em Roma incluíam o dado (tesserae ou tali), o xadrez romano (ludus latrunculorum), o jogo de damas romano (Calculi), jogo da velha (terni lapilli) e ludus duodecim scriptorum e tabula, antecessores do gamão.[250] Também havia várias outras atividades para manter as pessoas entretidas, como corridas de bigas, performances musicais e teatrais.

Recreação e espetáculo[editar | editar código-fonte]

Pintura mural representando um motim desportivo no anfiteatro de Pompeia, o qual levou à interdição total de combates de gladiadores na cidade.
Pintura mural representando um motim desportivo no anfiteatro de Pompeia, o qual levou à interdição total de combates de gladiadores na cidade.
Victor na sua quadriga
Victor na sua quadriga
O Mosaico de Zliten, de uma residência privada na província onde hoje é a Líbia, representa uma série de cenas de arena: no topo, músicos tocam uma tuba romana, um órgão de água e dois cornus; seis pares de gladiadores com dois árbitros; quatro bestiários; e três condenados a morrer nas bestas.[251]
O Mosaico de Zliten, de uma residência privada na província onde hoje é a Líbia, representa uma série de cenas de arena: no topo, músicos tocam uma tuba romana, um órgão de água e dois cornus; seis pares de gladiadores com dois árbitros; quatro bestiários; e três condenados a morrer nas bestas.[251]

Quando Juvenal se queixou de que os romanos tinham trocado a sua liberdade política por "pão e circo", estava-se a referir à doação de cereais por parte do Estado e os eventos circenses realizados num recinto de espetáculos denominado circo. O maior destes recintos em Roma foi o Circo Máximo, palco de corridas de cavalos, corridas de bigas, encenação de caçadas (venatio), competições atléticas, recriações históricas e combates de gladiadores. Desde a antiguidade que várias festas religiosas tinham em destaque jogos (ludi), sobretudo corridas de cavalos e bigas (ludi circenses).[252] Embora o seu valor recreativo tendesse a se sobrepor em relação ao significado ritualístico, as corridas continuaram a fazer parte das festividades religiosas da antiguidade que celebravam a agricultura, rituais e o ciclo da vida e da morte.[253]

Durante o governo de Augusto, os espetáculos públicos ocupavam 77 dias do ano; por volta do reinado de Marco Aurélio, o número de dias aumentou para 135.[254] Os jogos circenses eram antecedidos por um desfile bastante elaborado (pompa circensis) que terminava no recinto.[255] Os eventos de competição também eram realizados em recontos mais pequenos, como anfiteatros e estádios. Entre as modalidades desportivas, inspiradas nos modelos gregos, estavam as corridas a pé, boxe, luta livre e o pancrácio.[256] Havia várias modalidades que tinham lugar em piscinas próprias, como a naumaquia e uma modalidade de ballet aquático.[257] Os eventos teatrais financiados pelo Estado (ludi scaenici) tinham lugar nas escadarias dos tempos, nos grandes teatros de pedra, ou em teatros de pequena dimensão denominados odeão.[258]

Os circos eram a maior estrutura construída de forma regular no mundo romano,[259] inspirada pelo hipódromo grego. O Anfiteatro flaviano, conhecido por Coliseu de Roma, tornou-se arena regular de desportos violentos na cidade de Roma após a sua abertura em 80 d.C.[260] As corridas circenses continuaram a ser realizadas de forma mais frequente.[261] O Circus Maximus tinha uma plateia de cerca de 150 000 espectadores, enquanto que o Coliseu tinha 50000 lugares sentandos e mais 10000 de pé.[262] As ruínas de grande parte dos anfiteatros, circos e teatros construídos em cidades fora de Itália podem ainda ser observadas.[263] As elites locais eram responsáveis pelo mecenato dos eventos e espetáculos das arenas, os quais enfatizavam o seu estatuto social, embora também consumissem recursos financeiros significativos.[264]

A disposição física do anfiteatro representava a hierarquia da sociedade romana: o imperador presidia no seu púlpito opulento; os senadores e altas patentes militares tinham os melhores lugares reservados; as mulheres sentavam-se resguaradadas da ação; os escravos sentavam-se nos piores lugares e os restantes sentavam-se onde houvesse lugar entre os dois grupos.[265] A multidão podia exigir um resultado assobiando ou aplaudindo, embora fosse o imperador que tivesse a palavra final. Os espetáculos podiam rapidamente tornar-se locais de protestos políticos e sociais, pelo que muitas vezes os imperadores recorriam à força para dominar a população. Um dos casos mais notáveis foi a Revolta de Nika em 532, quando o exército sob o comando de Justiniano massacrou milhares de cidadãos.[266]

As equipas de bigas distinguiam-se pelas cores envergadas, sendo os azuis e verdes as mais populares. A lealdade dos fãs era acérrima, convergindo muitas vezes para cenas de violência.[267] A competição era perigosa, mas os condutores estavam entre os mais celebrados e recompensados atletas da antiguidade.[268] Uma das estrelas desportivas foi Diocles da Lusitânia (atualmente Portugal), que conduziu bigas ao longo de 24 anos e acumulou ganhos de 35 milhões de sestércios.[269] Os cavalos também foram populares, celebrados na arte e em inscrições, muitas vezes pelo próprio nome.[270] O desenho dos circos romanos evoluiu no sentido de assegurar que nenhuma das equipas possuía qualquer vantagem e de minimizar o número de colisões,[271] as quais, no entanto, continuaram a ser frequentes e a satisfazer o desejo de espetacularidade da multidão.[272] As corridas estavam envoltas numa aura de mistério em função da sua associação com os rituais ctónicos: as imagens circenses eram consideradas protetivas ou de boa sorte, e os condutores muitas vezes suspeitos de feitiçaria.[273] As corridas de bigas continuaram a decorrer ao longo do período bizantino, ainda com o mecenato imperial, embora o declínio das cidades nos séculos VI e VII tenha precipitado o seu desaparecimento.[274]

Os romanos acreditavam que as competições entre gladiadores tinham origem nos jogos fúnebres e sacrificais da antiguidade, nos quais eram selecionados prisioneiros de guerra e forçados e lutar entre si para expiar as mortes de romanos nobres. Alguns dos primeiros estilos de luta entre gladiadores tinham denominações étnicas, como traciano ou gaulês.[275] Os combates encenados eram considerados munera (serviços, ofertas, benfeitorias) e incialmente eram distintos dos jogos de festivais, os ludi.[276] Ao longo do seu reinado de quarenta anos, Augusto financiou oito espetáculos de gladiadores, nos quais lutaram um total de dez mil homens, e 26 espetáculos de caçadas que resultaram na morte de 3500 animais.[277] Para assinalar a abertura do Coliseu, o imperador Tito ofereceu 100 dias de eventos na arena, durante os quais chegaram a competir 3000 gladiadores num único dia.[278] O fascínio romano pelos gladiadores pode ser constatado na forma como são frequentemente representados em mosaicos, pinturas murais e utensílios como lamparinas.[279]

Os gladiadores romanos eram combatentes treinados, podendo ser escravos, condenados ou simplesmente voluntários.[280] Neste tipo de combates, não era necessário, e nem mesmo desejável, que o adversário fosse morto. Os gladiadores eram lutadores com extrema perícia, cujo treino representava um investimento dispendioso de tempo e dinheiro.[281] Por outro lado, os noxii eram condenados sentenciados a lutar na arena, com pouco ou nenhum treino, muitas vezes desarmados e sem qualquer expectativa de sobrevivência. O sofrimento físico e a humilhação eram considerados justiça compensatória pelos crimes cometidos.[282] Estas execuções eram por vezes organizadas enquanto reencenações de mitológicas, e os anfiteatros equipados com artifícios de palco de modo a criar efeitos especiais.[283] Tertuliano considerava as mortes na arenas nada mais do que uma forma encapotada de sacrifício humano.[284]

Os historiadores contemporâneos concluem que o prazer que os romanos tinham com o "teatro da vida e da morte"[285] é uma das perspetivas mais difíceis de explicar e compreender desta civilização.[286] Plínio, o novo argumentava que os espetáculos de gladiadores eram benéficos para o povo e uma forma de o inspirar a desprezar a morte, ao manifestar o amor pela glória e desejo de vitória, mesmo no corpo de escravos e criminosos.[287] Alguns romanos como Séneca eram críticos destes espetáculos brutais, embora vissem virtude na coragem e dignidade no lutador derrotado, e não no vitorioso,[288] atitude que encontra a sua máxima expressão nos cristãos martirizados na arena. No entanto, a própria literatura sobre os mártires oferece descrições detalhadas e luxuriosas de sofrimento corporal,[289] tornando-se um género popular por vezes indistinto da ficção.[290]

Jogos e desporto[editar | editar código-fonte]

Jogos e desporto
Crianças a brincar com uma bola. Relevo do século II, no Museu do Louvre
Crianças a brincar com uma bola. Relevo do século II, no Museu do Louvre
Mosaico denominado "raparigas em biquini" na Villa del Casale, na Sicília
Mosaico denominado "raparigas em biquini" na Villa del Casale, na Sicília
Jogo de tabuleiro em pedra de Afrodísias. Os tabuleiros podiam também ser feitos de madeira, com versões luxuosas feitas de marfim. As peças eram feitas de osso, vidro ou pedra polida, podendo ser coloridas ou com relevos.[291]
Jogo de tabuleiro em pedra de Afrodísias. Os tabuleiros podiam também ser feitos de madeira, com versões luxuosas feitas de marfim. As peças eram feitas de osso, vidro ou pedra polida, podendo ser coloridas ou com relevos.[291]

No plural, ludi refere-se quase sempre a jogos com espectadores em larga escala. O singular ludus ("jogo, desporto, treino") tinha uma grande amplitude de significados, desde jogos de palavras, atuação teatral, jogos de tabuleiro, escola primária e até mesmo escola de treino de gladiadores, como o Ludus Magnus, o maior destes campos em Roma.[292]

As atividades mais praticadas entre crianças e jovens incluíam o aro e o jogo da bugalha. Os sarcófagos de crianças muitas vezes representavam-nas a jogar jogos. As raparigas brincavam com bonecas, geralmente com 15-16 cm de comprimento e feitas de madeira, terracota, osso ou marfim.[293] Entre os jogos com bola o trigon era um dos favoritos, o qual requeria destreza, a par do harpastum, um desporto mais violento.[294] Nos memoriais infantis e na literatura é muito frequente a alusão a animais de estimação, entre os quais aves, gatos, cabras, ovelhas, coelhos e gansos.[295]

Após a adolescência, grande parte do exercício físico destinado aos homens era de natureza militar. O Campo de Marte foi originalmente um campo de treino onde os jovens podiam aperfeiçoar as técnicas bélicas e de cavalaria. A caça também era considerada um passatempo apropriado. De acordo com Plutarco, os romanos conservadores reprovavam o atletismo ao estilo grego que promovia a perfeição do corpo de forma gratuita, condenando a promoção que Nero fazia da ginástica ao estilo grego.[296]

Algumas mulheres treinavam ginástica e dança. O famoso mosaico das "raparigas em biquini" mostra jovens em posições que podem ser comparadas a ginástica rítmica.[297] As mulheres eram, regra geral, encorajadas a promover a saúde através de atividades físicas, como jogos de bola, natação, caminhadas, leitura em voz alta (enquanto exercício de respiração) e viagens.[298]

Os jogos de tabuleiro entre dois adversários eram jogados por pessoas de todas as idade. Entre os mais populares estavam o latrunculi, um jogo de estratégia no qual os oponentes coordenam jogadas e capturam várias peças, e o ludus duodecim scriptorum (doze marcas), jogado com dados de forma a organizar peças numa grelha de letras ou palavras.[299] Era também comum um jogo de dados conhecido por alea ou tabula, no qual o imperador Cláudio se viciou, e que pode ter sido semelhante ao gamão, usando um copo de dados (pyrgus).[300]

Vida urbana e rural[editar | editar código-fonte]

Na Antiguidade, as cidades eram vistas como territórios que fomentavam a civilização ao serem apropriadamente desenhadas, ordenadas e adornadas.[301] Augusto levou a cabo uma vasto programa de construção em Roma, financiou obras de arte pública que expressavam a nova ideologia imperial e reorganizou a cidade em bairros (vici) administrados a nível local, com serviço de polícia e bombeiros.[302] Um dos focos de arquitetura monumental foi o Campo de Marte, uma área descoberta nos arredores do centro que anteriormente estava destinada a desportos equestres e exercício físico dos jovens. Foram aí construídos o Ara Pacis e o obelisco de Montecitorio, importado do Egito, o qual formava o ponteiro (gnómon) de um monumental relógio solar. Dotado de jardins públicos, o Campo de Marte tornou-se uma das principais atrações de Roma.[303]

O planeamento das cidades romanas e o estilo de vida urbano foram influenciados pela civilização grega de períodos anteriores.[304] Na parte oriental do império, o domínio romano veio acelerar o desenvolvimento de cidades que já de si tinham um acentuado carácter helenístico. Algumas cidades, como Atenas, Afrodísias, Éfeso e Gérasa, modificaram alguns aspetos da arquitetura e planeamento urbano em conformidade com os cânones imperiais, embora exprimindo também a sua identidade individual e proeminência regional.[305] Nas áreas mais ocidentais do império, habitadas por povos de língua celta, Roma encorajou o desenvolvimento de centros urbanos planificados, dotados de templos, foruns, fontes monumentais e anfiteatros. Estas novas cidades eram muitas vezes projetadas perto de, ou no próprio local, de assentamentos muralhados preexistentes (ópidos).[306] [nota 6] A urbanização no norte de África expandiu as cidades gregas e púnicas ao longo da costa.[185]

A rede de cidades ao longo do território imperial (colónias, municípios, civitates ou, no termo grego, pólis) era um elemento de coesão durante a Pax Romana.[308] Os romanos dos séculos I e II d.C. eram encorajados pela propaganda imperial a absorver os valores do tempo de paz.[309] Muitas das características associadas à cultura imperial, como o culto público, jogos e banquetes cívicos, competições para artistas, oradores e atletas, assim como a grande maioria da arte e dos edifícios públicos, eram financiados por privados, cujas despesas em benefício da comunidade ajudavam a justificar o seu poder económico e privilégios jurídicos e provinciais.[310]

Até mesmo o polemicista Tertuliano declarou que o mundo do século II era mais ordeiro e culto do que em épocas anteriores: "Por todo o lado existem casas, por todo o lado existem pessoas, por todo o lado a res publica, a causa do povo, por todo o lado existe vida."[311] O declínio das cidades e da vida cívica no século IV, quando as classes abastadas já não eram capazes de financiar a obra pública, foi um dos sinais da dissolução iminente do império.[312]

Sanitários públicos (latrinae) em Óstia

Na cidade de Roma, grande parte da população residia em edifícios de apartamentos de vários pisos (insulas), os quais ofereciam muito pouca segurança em relação a incêndios. Os equipamentos públicos, como as termas (em latim: termae), sanitários (latrinae) e fontanários de água potável,[313] assim como o entretenimento de massas, destinavam-se principalmente ao cidadão comum que residia nas insulas.[314]

As termas públicas tinham função higiénica, social e cultural.[315] Os banhos eram o foco de socialização quotidiana no fim da tarde e antes do jantar.[316] As termas romanas têm por característica uma série diferentes salas que ofereciam banhos comunitários em três temperaturas diferentes, os quais podiam ser complementados por diversos serviços, como salas de exercício e treino, sauna, spa de exfoliação (no qual a pele era massagada com óleos, removidos com um estrígil), campo de jogos ou ainda uma piscina exterior.[317] As termas era aquecidas por hipocausto: o pavimento estava assente sobre condutas nas quais circulava ar quente.[318] Embora algumas termas oferecessem instalações segregadas pera homens e mulheres, o banho nu misto entre sexos era relativamente comum. As termas públicas faziam parte da cultura urbana por todas as províncias, embora a partir do fim do século IV as termas comunitárias tenham começado a dar lugar aos banhos privados.[319] Os cristãos eram aconselhados a frequentar as termas por razões higiénicas e de saúde, e não por prazer,[320] embora fossem também aconselhados a não frequentar os jogos públicos, os quais estavam integrados nos festivais religiosos que consideravam "pagãos".[321]

Reconstrução do jardim da Casa dos Vettii em Pompeia.

As famílias abastadas de Roma geralmente possuíam duas ou mais habitações; uma moradia urbana (domus, plural domūs) e pelo menos uma casa de campo (villa) na província. A domus era uma moradia unifamiliar privada, a qual podia incluir termas privadas (balneum).[322] Embora alguns dos bairros de Roma tivessem uma maior concentração de moradias abastadas, as classes superiores não viviam em enclaves segragados e pretendiam que as suas casas fossem visíveis e acessíveis. O atrium era o espaço de recepção, no qual o chefe de família (pater familias) recebia clientes e visitas todas as manhãs, desde amigos igualmente abastados a dependentes carenciados que recebiam esmola.[323] Era também palco dos rituais religiosos das famílias, no qual estavam presentes altares e imagens dos respetivos ancestrais.[324] As habitações urbanas situavam-se geralmente em caminhos públicos movimentos, pelo que os rés-do-chão voltados para a rua eram muitas vezes arrendados para lojas (tabernae).[325] Para além de uma pequena horta, a qual nas insulas podia ser substituída por floreiras, as habitações urbanas tinham geralmente um jardim formal enquadrado por um peristilo.[326]

Pelo contrário, a villa correspondia a uma evasão do alvoroço urbano, retratada na literatura enquanto símbolo de um estilo de vida que equilibra o apreço pela arte e cultura (otium) com o apreço pela natureza e o ciclo agrícola.[327] As villas situavam-se geralmente em centros de produção agrícola ou em regiões balneares ao longo da costa. Idealmente, teriam uma vista sobre a região envolvente, cuidadosamente enquadrada pelo desenho arquitetónico.[328]

O programa de reabilitação urbana de Roma, levado a cabo por Augusto, e o crescimento da população para um milhão de habitantes, foi acompanhado pela nostalgia da vida rural manifestada na arte. A poesia enaltecia o quotidiano idealizado de agricultores e pastores. O interior das habitações eram muitas vezes decorados com pinturas de jardins, fontes, paisagens, motivos vegetalistas,[328] e animais, em particular aves e espécies marinhas, as quais eram retratadas com tal precisão que os arqueólogos contemporâneos conseguem por vezes identificar as espécies.[329]

O governo central tinha um papel interventivo no fomento da produção agrícola.[330] A produção de alimentos tinha a máxima prioridade na organização do território.[331] As quintas de maior dimensão (latifundia) alcançaram uma economia de escala tal que eram capazes de suster a vida urbana e a divisão do trabalho própria de econimias avançadas.[330] Os pequenos produtores eram beneficiados com a criação de mercados locais em cidades e centros de comércio. Em praticamente todo o território imperial se praticavam diversas técnicas agrícolas avançadas, como a rotação de culturas ou a selecção artificial, e era comum a introdução de novas espécies entre províncias, como a ervilha e a batata na Britânia.[332]

Banca de venda de pão, representada numa pintura mural de Pompeia

A manutenção do fornecimento sustentado de alimentos para a cidade de Roma tornou-se um dos principais tópicos de discussão política no fim da República, época em que o Estado implementou um subsídio pago em cereais (annona) a todos os cidadãos que se registassem para tal.[330] Este subsídio era atribuído a 200 000–250 000 homens adultos em Roma e correspondia a 33 kg por mês, o que totalizava 100 000 toneladas de trigo, proveniente principalmente da Sicília, norte de África e Egito.[333] [nota 7] O subsídio tinha um custo de pelo menos 15% da receita fiscal do estado,[330] mas melhorou significativamente as condições económicas e familiares entre as classes mais desfavorecidas,[334] o que favoreceu também as classes mais abastadas ao impulsionar o consumo de vinho e azeite produzido nas grandes propriedades agrícolas.[330] O subsídio de cereais tinha também um valor simbólico: não só afirmava o papel do imperador enquanto benfeitor universal, como o direito de todos os cidadãos a ter uma parte do lucro do processo de conquista.[330] O anonna, os equipamentos públicos e os espetáculos de entretenimento mitigavam as de outra forma precárias condições de vida das classes desfavorecidas e minimizavam a agitação social. No entanto, o humorista Juvenal via a política de panem et circenses como símbolo da ausência de liberdade política na república.[335]

Vestuário[editar | editar código-fonte]

Numa sociedade consciente do estatuto como a romana, o vestuário e os acessórios pessoas oferecem uma indicação imediata sobre a etiqueta a observar na interação com o portador..[336] Vestir de forma correta deveria refletir uma sociedade ordenada.[337] A toga era o vestuário nacional característico do homem romano, embora fosse pesada e pouco prática, sendo vestida sobretudo para tratar de assuntos políticos, rituais religiosos e presença nos tribunais.[338] Contrariamente à noção popular, o vestuário informal dos romanos era escuro ou colorido, e o conjunto mais comum entre os homens durante o quotidiano seria uma túnica, uma capa e, calças nalgumas regiões.[339] É difícil estudar a forma como os romanos se vestiam no quotidiano devido à falta de evidências diretas, uma vez que a retratística geralmente apresenta a pessoa com vestuário de natureza simbólica e são raros os tecidos sobreviventes deste período.[340]

Togato con tesa dell'imperatore claudio, inv. 2221.JPG
Julien 1.jpg
Uma toga imperial, vestida pelo imperador Cláudio (à esq.), e um pálio, vestido por um sacerdote de Serápis, muitas vezes identificado como o imperador Juliano (imperador) (à dir.)

A peça de vestuário básica para todos os romanos, independentemente do género ou estatuto social, era uma túnica simples com mangas. O comprimento era diferenciado em função do utilizador: as masculinas atingiam metade da altura entre o joelho e o tornozelo, embora as dos soldados fossem mais curtas; as femininas caíam até ao tornozelo e as das crianças até ao joelho.[341] As túnicas para os pobres e escravos eram feitas de cardada e o comprimento determinado em função do tipo de trabalho exercido. As melhores túnicas eram fabricadas em lã ou linho processado. Um homem que pertencesse a uma ordem senatorial ou equestre vestia uma túnica com duas fitas (clavi) púrpura, e quanto maior a dimensão, maior o estatuto do portador.[341]

A toga imperial era fabricada em lã branca e, devido ao seu peso, não era possível vesti-la corretamente sem assistência.[342] Na sua obra sobre oratória, Quintiliano descreve em detalhe a forma como um orador público deveria orquestrar os seus gestos em relação à sua toga.[343] Na arte, a toga é mostrada com a ponta mais longa pendente entre os pés, uma dobra curva na frente e uma aba saliente a meio.[344] Com o decorrer dos séculos, o panejamento torna-se mais intrincado e estruturado e, no final do império, o tecido formava uma dobra firme em volta do peito.[345] A toga praetexta, com uma tira púrpura que representava a inviolabilidade, era usada por crianças até aos dez anos, pelos magistrados executivos e pelos sacerdotes do Estado.[346] Só o imperador é que estava autorizado a vestir uma toga totalmente púrpura (toga picta).[347]

No século II, imperadores e homens de estatuto são muitas vezes retratados a vestir o pálio, um manto de origem grega dobrado em volta do corpo, ocasionalmente retratado também em mulheres. Tertuliano considerava o pálio uma peça de vestuário adequada para os cristãos, ao contrário da toga, e também para pessoas literadas, devido à sua associação com os filósofos.[348] Em meados do século IV, a toga foi praticamente substituída pelo pálio enquanto peça de vestuário simbólica da união social.[349]

A moda e o estilo do vestuário romano sofreram alterações ao longo do tempo.[350] Durante o Dominato, o vestuário de soldados e burocratas da administração torna-se cada vez mais decorado, com listas de tecido bordadas (clavi) e emblemas circulares (orbiculi) aplicados em túnicas e mantos. Estes elementos decorativos consistiam geralmente em pedrões geométricos, motivos vegetalistas estilizados e, em alguns casos, figuras animais ou humanas.[351] O uso de seda foi-se tornando cada vez mais comum, e os mantos de seda eram comuns entre os cortesãos do final do império. A militarização da sociedade romana e o declínio da vida cultural urbana refletiram-se nos hábitos de vestuário; para além do abandono da toga, tornou-se comum o uso de cintas ao estilo militar entre os funcionários públicos.[352]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Uma taberna onde se serviam refeições. No painel por cima do balcão estavam representados ovos, azeitonas, fruta e rabanetes.[353]

A generalidade dos apartamentos em Roma não tinha cozinha, embora fosse frequente o uso de fogareiros.[354] As tabernas, bares, estalagens e termopólios vendiam refeições prontas, embora comer nesses locais ou levar comida para casa fosse comum apenas entre as classes mais baixas.[355] As classes mais abastadas preferiam refeições reservadas na sua própria residência, a qual geralmente tinha à disposição um chef e (archimagirus) e ajudantes de cozinha,[356] ou então em banquetes organizados em clubes privados.[357]

A maior parte da população obtinha 70% da dose diária de calorias através da ingestão de cereais e legumes.[358] Um dos principais preparados romanos era o puls, uma papa feita a partir de legumes cortados, pedaços de carne, queijo ou ervas aromáticas, com a qual se podia confecionar pratos semelhantes à polenta ou ao risotto.[359] A população urbana e o exército preferiam consumir cereais transformados em pão.[360] A moagem e cozedura era geralmente feita na mesma loja.[361] Durante o reinado de Aureliano, o estado começou a distribuir entre os cidadãos de Roma a annona, uma ração diária de pão, azeite, vinho e carne de porco.[362]

Arte[editar | editar código-fonte]

Os cidadãos ou visitantes de Roma e de todas as cidades na extensão do império podiam no seu quotidiano observar arte nos mais diversos estilos e suportes. A arte pública ou oficial, entre a qual obras de escultura, monumentos como as colunas e arcos triunfais e a iconografia numismática, é frequentemente interpretada em função do seu significado histórico ou enquanto expressão da ideologia do império.[363] Nas termas imperiais, mesmo as pessoas de origem humilde podiam observar pinturas murais, mosaicos, estatuária e decoração interior de elevada qualidade.[364] Na esfera privada, os objetos produzidos para práticas religiosas e funerárias, uso doméstico e para venda apresentam diversos graus de qualidade estética e perícia artística.[365] A elite podia manifestar apreciação de arte através do mecenato de pintura, escultura e artes decorativas nas suas residências, embora com qualidade estética bastante diversificada.[366] A Arte da Grécia Antiga exerceu uma influência profunda na tradição romana. Alguns dos mais significativos exemplares de estátuas gregas são conhecidos apenas a partir das suas versões romanas e de eventuais descrições em fontes literárias gregas ou latina.[367] Apesar do enorme valor dado às obras de arte, os artistas detinham um estatuto social inferior, mesmo até os mais renomados. Os romanos e gregos viam artistas e artesãos enquanto trabalhadores braçais. Ao mesmo tempo, era reconhecida a perícia necessária para produzir arte de qualidade, sendo até considerada uma oferenda divina.[368]

Pintura[editar | editar código-fonte]

O Casamento de Zefiro e Clóris (54-68 a.C., Quarto Estilo.

Muito do que se conhece sobre pintura romana baseia-se na decoração do interior de residências privadas, em particular as que foram preservadas em Pompeia e Herculano após a erupção do Vesúvio em 79 d.C.. Para além dos frisos decorativos e de painéis com motivos geométricos e vegetalistas, a pintura mural representa cenas da mitologia e do teatro, paisagem e jardins, recreação e espetáculos, trabalho e vida quotidiana e cenas eróticas. Os pássaros, animais e vida marinha são frequentemente representados com especial cuidado em relação ao detalhe artístico. A sinagoga de Dura Europos é uma fonte ímpar de arte figurativa judaica durante o império,[369] preservada intacta após ter sido soterrada no século III posteriormente à invasão da cidade pelos Persas.[370]

Retratística[editar | editar código-fonte]

A retratística, sobrevivente principalmente em escultura, foi a mais prolífica forma de arte imperial. Durante o período de Augusto, os retratos usam proporções clássicas e feições jovens, evoluindo posteriormente para uma conjugação de realismo e idealismo.[371] Os retratos do período republicano demonstram um realismo intenso, embora após o século II a.C. tenha sido progressivamente adotado o conceito de nudez heroica, muitas vezes para o retrato de generais conquistadores.[372] A escultura imperial pode apresentar uma face adulta, por vezes envelhecida, no topo de um corpo jovem nu ou semi-nu com musculatura perfeita. Aliás, era comum a colocação de bustos num corpo criado para outro efeito.[373] Vestido com a toga ou o uniforme militar, o corpo comunica a patente ou a esfera de atividade, e não as características do retratado.[374]

As mulheres da família imperial eram frequentemente retratadas vestidas de forma semelhante à das deusas ou personificações divinas, como a Pax. Na pintura, a retratística é representada principalmente pelos Retratos de Fayum, os quais evocam as tradições egípcia e romana de celebração dos mortos através de técnicas de pintura realista. Grande parte da escultura retratística teria sido pintada e, embora a tinta raramente tenha sobrevivido ao longo dos séculos, os retratos de Fayum são um indicador da razão pela qual as antigas fontes literárias se maravilhavam com o realismo das representações artísticas.[375]

Mosaicos[editar | editar código-fonte]

O Triunfo de Neptuno, pavimento em mosaico de finais do século II na África Proconsular, atual Tunísia, o qual celebra as boas colheitas agrícolas com alegorias das estações, vegetação, trabalhadores e animais.[376]

Os mosaicos são uma das mais duradouras formas de artes decorativas romanas, podendo ser encontrados nas superfícies de pavimentos, paredes, tetos e colunas. A técnica mais comum é o opus tessellatum, criado a partir de peças uniformes (tessela) de materiais como pedra e vidro.[377] Os mosaicos eram geralmente produzidos no local, embora por vezes fossem produzidos e comercializados em painéis pré-fabricados. Uma oficina de mosaico era dirigida pelo mestre (pictor).[378]

Os mosaicos figurativos partilham muitos dos temas com a pintura e, nalguns casos, representam os mesmos temas em composições praticamente idênticas. Embora os padrões geométricos e cenas mitológicas sejam motivos recorrentes durante ao longo de todo o império, existem também diversas expressões locais. No norte de África, uma fonte particularmente rica de mosaicos, os temas preferidos em propriedades privadas eram cenas da vida quotidiana: caça, agricultura e vida selvagem local.[376] Entre os restantes maiores centros de produção de mosaico estão regiões da atual Turquia, Itália, sul de França, Espanha e Portugal.

O opus sectile é uma técnica relacionada na qual pedra lisa, geralmente mármore colorido, é cortada em formas precisas que compõem os padrões geométricos ou figurativos. Esta técnica, mais complexa, era particularmente valiosa e tornou-se extremamente popular para acabamentos de luxo durante o século IV. Um dos mais notáveis exemplos é a basílica de Junius Bassus.[379]

Artes decorativas[editar | editar código-fonte]

As artes decorativas destinadas a consumidores de luxo englobam peças de cerâmica, recipientes e utensílios de prata e bronze e artefactos de vidro. A produção de cerâmica de várias qualidades e as indústrias de metalurgia e vidro desempenhavam um papel económico importante no comércio e emprego. As importações estimulavam os novos centros de produção regionais. O sul da Gália tornou-se o principal produtor de terra sigillata, cerâmica de elevada qualidade e um dos principais artigos comercializados na Europa durante o século I.[380] Os romanos dominavam também a técnica de sopro de vidro, a qual teve origem na Síria durante o século I a.C..[381]

Escultura[editar | editar código-fonte]

Os exemplos de escultura romana sobrevivente até aos nossos dias são abundantes, embora muitas vezes danificados ou fragmentados. Entre as tipologias mais frequentes estão estátuas e estatuetas em mármore, bronze e terracota e relevos de edifícios públicos, templos e monumentos como a Ara Pacis, a Coluna de Trajano e o Arco de Tito. Os nichos de anfiteatros eram inicialmente preenchidos com estátuas,[382] as quais eram também presença obrigatória nos jardins formais romanos.[383]

Os templos albergavam as imagens de culto de divindades, muitas vezes da autoria de escultores notáveis.[384] A religiosidade dos romanos proporcionava a produção de altares decorados, pequenas representações de divindades para altares domésticos ou ofertas votivas e outras peças para oferendas nos templos. As figuras divinas e mitológicas também eram, por vezes, alvo de repersentações seculares, humorísticas e até obscenas.

Os sarcófagos de mármore e calcário são característicos do período entre os séculos II e IV,[385] do qual existem pelo menos 10000 exemplares sobreviventes.[386] Embora as cenas mitológicas sejam aquelas cujo estudo é mais aprofundado,[387] os relevos em sarcófagos são a mais rica fonte de iconografia romana,[388] podendo também representar a ocupação em vida do morto e cenas militares, entre outros temas. Durante o período final do império foram introduzidos motivos religiosos judaico-cristãos.[389]

Artes performativas[editar | editar código-fonte]

Trupe teatral exclusivamente masculina durante a preparação para uma atuação mascarada.

A tradição grega de teatro mascarado masculino persistiu durante o Império Romano, representada na literatura latina pelas tragédias de Séneca. A mais popular forma de teatro foi, no entanto, o género da mímica (mimus), o qual era caracterizado por peças com argumento escrito, improvisação, linguagem por vezes brejeira, humor, cenas de sexo, sequências de ação e sátira política, a par de números de dança, acrobacias, malabarismo, funambulismo, striptease e ursos dançarinos.[390] A mímica realizava-se sem máscaras e promovia o realismo estilístico em palco. Os papéis femininos eram desempenhados por mulheres, e não por homens com disfarces.[391] O género estava relacionado com outro género denominado pantomimus, uma forma primitiva de ballet narrativo, música instrumental e libreto musical, muitas vezes sobre temas mitológicos que podiam ser trágicos ou cómicos.[392]

Embora por vezes vista enquanto elemento externo à cultura romana, a música e dança existiram em Roma desde a sua fundação.[393] Era habitual haver música em cerimónias fúnebres, enquanto que nos sacrifícios era comum tocar uma tibia, um instrumento de sopro cujo som se acreditava espantar as más influências.[394] A canção Carmen era uma parte integral de praticamente qualquer ocasião social.[395] Acreditava-se que a música refletia a ordem do cosmos, e era associada à matemática e ao conhecimento.[396]

Entre os instrumentos mais comuns estão as madeiras, os metais, os instrumentos de percussão as cordas, como a cítara grega.[397] O cornu, um instrumento de sopro metálico que se curvava ao longo do corpo do músico, era usado em peradas e sinalização militar.[398] O órgão hidráulico (hydraulis) foi um dos mais significativos feitos musicais e técnicos da Antiguidade,[399] acompanhando combates entre gladiadores, eventos nos anfiteatros e atuações em palco.[399]

Embora algumas formas de dança não tivessem aceitação no império e fossem vistas como estrangeiras ou pouco humanas, a dança estava incorporada nos rituais religiosos da Roma arcaica.[400] As danças extasiantes eram uma característica da religião de mistérios, em particular do culto de Cibele praticado pelos seus sacerdotes eunucos,[401] e do culto de Ísis. Na vertente secular, as dançarinas da Síria e de Cádis eram extremamente populares.[402]

Tal como os gladiadores, os artistas de espetáculos eram infames aos olhos da lei e com estatuto pouco superior em relação aos escravos, ainda que tecnicamente fossem livres. As grandes estrelas podiam, no entanto, disfrutar de riqueza e estatuto considerável, podendo envolver-se com as classes superiores, muitas vezes sexualmente, e inclusive com imperadores.[403] Os artistas apoiavam-se entre si através da formação de guildas.[404] O teatro e a dança foram muitas vezes condenados pelos polemicistas cristãos durante o final do império,[405] e cristãos que integrassem dança ou música nas suas práticas religiosas eram vistos pelos Padres da Igreja como pagãos.[406]

Literacia e educação[editar | editar código-fonte]

A retratística demonstra muitas vezes o orgulho existente na literecia, onde o encomendador se faz retratar com objetos associados à leitura e escrita, como neste casal de Pompeia.

As estimativas apontam para uma taxa de alfabetização média do império entre 5 e 30% ou mais, dependendo da definição de alfabetização.[407] [408] [409] A obsessão romana com documentos e inscrições pública é um indicador do valor que a escrita tinha na sociedade.[410] [411] [412] A burocracia romana dependia da capacidade de ler e escrever e tanto as leis como os editais eram afixados em locais públicos. O governo colocava à disposição dos romanos iliterados escribas (scriba) capazes de ler ou redigir documentos oficiais.[413] [414] A administração militar produzia uma quantidade assinalável de registos e relatórios escritos,[415] e a literacia entre o exército era bastante elevada.[416] Qualquer forma de comércio exigia também um mínimo de conhecimento de cálculo matemático.[417] Havia também uma quantidade assinalável de escravos literados, alguns bastante instruídos.[418]

Os livros eram caros, uma vez que cada cópia tinha que ser manuscrita num rolo de papiro (volumen) por escribas especializados.[419] O códice era ainda uma novidade no século I, mas em finais do século III tinha já substituído o volumen[420] [421] e era o suporte mais comum entre os livros de conteúdo cristão.[422] A produção comercial de livros tem início durante o período final da República.[423] Por volta do século I d.C. alguns bairros de Roma eram conhecidos pelas suas livrarias (tabernae librariae), as quais existiam também em muitas das cidades de província ocidentais.[424] </ref> Marshall, "Library Resources and Creative Writing at Rome," p. 253</ref> A qualidade das edições variava significativamente e alguns autores queixavam-se de cópias cheias de erros, plágio ou falsificações, uma vez que não existiam direitos de autor.[425]

Entre os séculos I e III houve um aumento significativo de público literário e, embora continuasse a ser uma minoria entre a população, já não estava restrito a uma elite sofisticada, o que esteve na origem da literatura de consumo destinada a entretenimento e que demonstra a fluidez social do império.[426] Os livros ilustrados, inclusive os eróticos, eram bastante populares.[427] As obras literárias eram lidas com frequência em jantares ou entre grupos de leitura.[428]

Ensino primário[editar | editar código-fonte]

Um professor com dois alunos e um terceiro, em pé, que segura um loculus, uma mala na qual se guardava canetas, um frasco de tinta e uma esponja para corrigir erros.[429]

A educação tradicional romana era moral e prática. As histórias sobre as grandes personalidades, ou lições sobre fracassos individuais, destinavam-se a incutir nos jovens os valores romanos (mores maiorum). Era esperado dos pais e da família que agissem como modelo comportamental e que os pais com uma profissão passassem aos filhos esse conhecimento, os quais se podiam depois tornar aprendizes.[430] O ensino formal era acessível apenas às famílias que o podiam pagar.[431] [432] As crianças mais novas eram ensinadas por um pedagogus, geralmente um escravo ou antigo escravo grego.[433] O pedagogo era responsável pela segurança das crianças, ensinava-lhes autodisciplina e noções de comportamento em público e ministrava aulas de leitura, escrita e aritmética.[434] [435] Em latim, illiteratus podia significar tanto uma pessoa que era incapaz de ler ou escrever como uma sem consciência cultural ou sofisticação.[436]

As crianças mais privilegiadas podiam ter aulas em casa com um pedagogo particular.[437] As restantes frequentavam uma escola particular dirigida por um ludi magister, financiada através de mensalidades dos vários pais.[438] O número de escolas foi aumentando gradualmente durante o império, criando mais e melhores oportunidades de educação.[439] As aulas podiam ser realizadas regularmente num espaço próprio arrendado ou em qualquer espaço público disponível, mesmo que no exterior. O ensino primário era ministrado a crianças entre os 7 e 12 anos de idade e as turmas não eram separadas nem por anos nem por sexos.[440]

Ensino secundário e superior[editar | editar código-fonte]

Mosaico de Pompeia no qual se representa a Academia de Platão.

Aos 14 anos, os homens das classes mais abastadas realizavam o ritual de passagem para a idade adulta. A partir desta idade começavam a receber formação no sentido de vir a desempenhar um eventual cargo de liderança política, religiosa ou militar, formação essa que geralmente era dada por um membro mais velho ou amigo da família.[441] O ensino secundário era ministrado por grammatici ou rhetores.[442] Os grammaticus ensinavam principalmente literatura grega e latina, complementada por explicações do texto que serviam de pretexto para ensinar história, geografia, filosofia e matemática.[443] Após o reinado de Augusto, os autores latinos passaram também a fazer parte do currículo.[444] O rhetor era um professor de oratória e retórica. A arte de bem falar (ars dicendi) era extremamente valorizada enquanto indicador de superioridade social e inelectual, e a eloquência (eloquentia) era considerada o elemento agregador de qualquer sociedade civilizada.[445] A educação superior proporcionava oportunidades de progressão na carreira, sobretudo para os membros da ordem equestre. A eloquência e a cultura eram consideradas características fundamentais dos homens cultivados e dignas de recompensa.[446]

As elites urbanas de todo o império partilhavam uma cultura literária embuída de ideais de educação gregos (paideia).[447] Muitas cidades gregas financiavam escolas superiores e, para além da literacia e numeracia, o currículo incluía também música e desporto.[448] Atenas era o destino de muitos jovens romanos que aí procuravam as mais reputadas escolas de retórica e filosofia no império.[449]

Educação feminina[editar | editar código-fonte]

Retrato de uma mulher letrada de Pompeia (c. 50 d.C.)

A poesia augustiniana enaltece o ideal da mulher instruída, culta, independente e versada em arte,[450] e uma mulher com qualificações elevadas representava uma mais-valia para qualquer família que tivesse ambições sociais.[451] Por norma, todas as filhas de membros das ordens equestre e senatorial recebiam instrução.[452] O nível de qualificação variava, desde aristocratas cultas até mulheres formadas para serem caligrafistas ou escribas.[453] [454]

Declínio da literacia[editar | editar código-fonte]

A literacia entrou abruptamente em declínio durante a Crise do terceiro século.[455] Embora os Padres da Igreja fossem instruídos, consideravam a literatura clássica perigosa e sem valor, pelo que muitas vezes a reinterpretavam através de interpretações metafóricas e alegóricas. Juliano, o único imperador a rejeitar o Cristianismo após a conversão de Constantino, proibiu os cristãos de ensinar o currículo clássico sob a alegação de que corrompiam os jovens.[456]

Enquanto que o formato do livro dava ênfase à continuidade do texto, a adopção progressiva do formato códice encorajava uma leitura parcelar, interpretações fragmentadas e criação de máximas.[457] Durante os séculos V e VI, a capacidade de ler torna-se cada vez mais escassa, mesmo entre os que faziam parte da hierarquia da Igreja.[458]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Estátua em Constanţa, comemorativa do exílio de Ovídio.

No cânone literário ocidental, a literatura durante o período de Augusto até ao fim da república é vista como a idade de ouro da literatura latina, incorporando os ideais clássicos da unidade do conjunto, proporção entre as partes e articulação cuidada da composição.[459] Os três poetas clássicos latinos mais influentes – Virgílio, Horácio e Ovídio – pertencem a este período. Virgílio escreveu a Eneida, criando um épico nacional para Roma da mesma forma que os épicos de Homero o foram para a Grécia. Horácio aperfeiçoou o uso da métrica grega na poesia latina. A poesia erótica de Ovídio foi extremamente popular, embora vítima do programa moral de Augusto, que levou ao seu exílio em Tomis, onde permaneceu até ao resto da sua vida. As Metamorfoses de Ovídio são um poema contínuo ao longo de quinze livros, que abrangem temas desde a mitologia greco-romana até ao culto imperial de Júlio César. As versões de Ovídio dos mitos gregos tornaram-se numa das principais fontes de mitologia clássica. A sua foi tão influente na literatura medieval que os séculos XII e XIII foram denominados de "Idade de Ovídio"."[460]

O período entre meados do século I e meados do século II é convencionalmente denominado de idade de prata da literatura latina. Durante o governo de Nero, os escritores reagiram contra o augustinianismo.[461] Os três principais escritores – o filósofo e dramaturgo Séneca; Lucano, o seu sobrinho, que transformou a Segunda Guerra Civil no épico Pharsalia; e o romancista Petrónio, autor de Satíricon – cometeram todos suicídio após caírem em desgraça junto do imperador. Séneca e Lucano eram da Hispânia, tal como o epigramista Marcial.[462] A obra do poeta Estácio viria a exercer uma enorme influência na literatura do Renascimento.[463]

Legado[editar | editar código-fonte]

A revista estadunidense National Geographic descreveu o legado do Império Romano em O Mundo Segundo Roma:

"A influência duradoura romana é refletida difusamente na linguagem, literatura, códigos legais, governos, arquitetura, engenharia, medicina, esportes, artes, entre muitos outros aspectos da vida contemporânea. Muito disso está tão intricado à nossa cultura que mal nos damos conta da nossa dívida com a Roma antiga. Considerando o idioma, por exemplo.[464]

"A extraordinária grandeza do Império Romano se manifesta sobretudo em três coisas: os aquedutos, as estradas pavimentadas, e a rede de esgotos."

Dionísio de Halicarnasso, Ant. Rom. 3.67.5[465]

Vários estados alegaram ser os sucessores do Império Romano, depois da queda do Império Romano do Ocidente. O Sacro Império Romano, uma tentativa de ressuscitar o império no Ocidente, foi criado em 800, quando o Papa Leão III coroou o rei franco Carlos Magno como imperador romano no dia de Natal, embora o império e o escritório imperial não se tornaram formalizados por algumas décadas. Após a queda de Constantinopla, o Principado de Moscou, como herdeiro da tradição ortodoxa cristã do Império Bizantino, proclamava a si mesmo como a Terceira Roma (Constantinopla teria sido a segunda). Estes conceitos são conhecidos como translatio imperii.

Quando os otomanos, que basearam seu Estado no modelo bizantino, tomaram Constantinopla em 1453, Mehmed II estabeleceu sua capital lá e alegou sentar-se no trono do Império Romano. Ele foi tão longe a ponto de lançar uma invasão à Itália com o propósito de "reunificar o império", embora os exércitos papal e napolitano tenham parado a sua marcha para Roma em Otranto em 1480. Constantinopla somente foi oficialmente renomeada para Istambul em 28 de março de 1930.

Distribuição mundial do alfabeto latino.

Excluindo esses estados que reivindicam a herança romana, se a data tradicional para a fundação de Roma for aceita como verdadeira, pode-se dizer que o Estado romano durou, em alguma forma, de 753 a.C. até a queda em 1461 do Império de Trebizonda (um Estado sucessor e fragmento do Império Bizantino, que escapou da conquista pelos otomanos em 1453), totalizando 2.214 anos de existência. O impacto romano sobre as civilizações ocidental e Oriental existe até os dias atuais. Com o tempo, a maioria das conquistas romanas foram duplicadas por civilizações posteriores. Por exemplo, a tecnologia do cimento foi redescoberta por John Smeaton (1755-1759).

O império contribuiu com muitas coisas para o mundo, como um calendário com anos bissextos, as instituições do cristianismo e aspectos da moderna arquitetura do neoclassicismo e bizantina. O extenso sistema de estradas que foi construído pelo exército romano dura até hoje. Devido a esta rede de estradas, o tempo necessário para viagens entre os destinos na Europa não diminuiu desde a Antiguidade até o século XIX, quando a energia a vapor foi aplicada aos transportes. Mesmo a astrologia moderna veio a nós diretamente dos romanos.

Richmond Virginia Capitol.jpg
Maison Carrée (Nîmes).JPG
O Capitólio Estadual da Virgínia, Estados Unidos (esquerda), construído no final do século XVIII, foi inspirado na Maison Carrée, templo galo-romano construído por volta de 16 a.C. sob o reinado de Augusto.

O Império Romano também contribuiu com sua forma de governo, o que influencia constituições diferentes, incluindo as da maioria dos países europeus e muitas das ex-colônias europeias. Nos Estados Unidos, por exemplo, os autores da constituição observaram, na criação da presidência, que eles queriam inaugurar uma "Era Augusta". O mundo moderno também herdou o pensamento jurídico de direito romano, totalmente codificada na antiguidade tardia. Regendo um vasto território, os romanos desenvolveram a ciência da administração pública de um modo nunca antes concebido ou necessário, criando um amplo serviço civil e métodos formais de cobrança de impostos.

Enquanto no ocidente, o termo "romano" adquiriu um novo significado em conexão com a Igreja e o Papa de Roma. A forma grega romaioi permaneceu ligada à população cristã de língua grega do Império Romano do Oriente e ainda é usada pelos gregos, além de sua denominação comum.[466]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Outras possibilidades são Res publica e Romania. Res publica, como um termo denotando a comunidade romana em geral, pode referir-se tanto à era republicana como à era imperial, enquanto Império Romano é usado para denotar a extensão territorial da autoridade romana. O termo tardio Romania, que foi mais tarde usado para o Império Bizantino, aparece em fontes gregas e latinas do quarto século em diante. (Ver Wolff, R.L. Romania: The Latin Empire of Constantinople. In: Speculum, 23 (1948), pp. 1-34 (pp. 2-3).)
  2. Durante estas lutas, centenas de senadores morreram, e o senado foi renovado com legalistas do primeiro triunvirato e depois do segundo triunvirato.
  3. Augusto oficialmente proclamou ter salvo a República Romana e cuidadosamente disfarçou seu poder sob formas republicanas: cônsules continuaram a ser eleitos, tribunos dos plebeus continuaram a servir a justiça, e senadores ainda debatiam na cúria romana. Porém, era Otaviano, e cada um de seus sucessores após ele, quem influenciava tudo e controlava as decisões finais e, em última análise, tinha as legiões para garanti-lo, caso fosse necessário.
  4. Existia uma dupla moral: uma mulher casada apenas podia ter relações sexuais com o marido; no entanto, um homem casado não estaria a cometer adultério se tivesse relações sexuais com uma prostituta, escrava ou pessoa de estatuto marginal.
  5. Esta prática foi estabelecida durante a República.
  6. Júlio César aplicou pela primeira vez o termo oppidium a este tipo de assentamento, tendo mesmo denominado Avárico uma urbs, ou cidade. A arqueologia indica que os oppida eram centros religiosos, comerciais e de produção industrial, muralhados com o propósito de defesa, embora seja possível que a sua ocupação populacional fosse muito variável ao longo do ano.[307]
  7. Só o excedente da província do Egito era suficiente para as necessidades da cidade de Roma e dos exércitos de província[330]

Referências

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