Sultanato de Adal

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سُلطَنَه عَدَال
Suldaanada Cadaal

Sultanato de Adal

Reino de Adal

Flag of Adal.png
1415 – 1559 Flag of Adal.png
 
Flag of Egypt (1844-1867).svg

Bandeira de Sultanato de Adal

Bandeira

Localização de Sultanato de Adal
Território do Sultanato de Adal e seus estados vassalos por volta de 1500
Continente África
Região Corno de África
País partes de Djibouti, Eritrea, Etiópia e Somália
Capital Zeila (capital original, como Emirado)[1]
Dakkar (nova capital, como Sultanato)[1]
Harar (última capital)[1]
Língua oficial somali, oromo, afar, árabe e harari
Religião Islamismo
Governo Monarquia
Período histórico Idade Média
 • 1415 Fundação
 • 1415-1429 Guerra contra Yeshaq I
 • 1433 Mudança da capital para Dakkar
 • 1518-1526 Crise de sucessão
 • 1520 Mudança da capital para Harar
 • 1559 Dissolução

O Sultanato de Adal ou o Reino de Adal (Somali: Saldaanada Cadal, Ge'ez: አዳል ʾAdāl, em árabe: سلطنة عدل) (c. 1415 - 1577[2]) foi um estado muçulmano medieval multi-étnico localizado no corno da África. No seu auge, controlava partes do que hoje pertence a Somália, Etiópia, Djibouti e Eritrea.

História[editar | editar código-fonte]

O nome Adal é mencionado pela primeira vez no século XIV durante as batalhas entre os muçulmanos do norte da Somália e da costa de Afar e as tropas cristãs do Rei Abissínio Amda Seyon I.[3] Adal teve originalmente sua capital na cidade portuária de Zeila, atualmente a situada na região homônima de Awdal no noroeste da Somália. O regime de governo na época era o de Emirado na maior parte do Sultanato de Ifat governado pela dinastia Walashma.[1]

Ruínas do Sultanato de Adal em Zeila, Somália.

Em 1332, o Rei de Adal foi morto em uma campanha militar durante a marcha de Amda Seyon para invadir Zeila.[3] Quando o último sultão de Ifat, Sa'ad ad-Din II, também foi morto por Dawit I da Etiópia em Zeila em 1410, seu filho escapou para o Iémen, ante de retornar em 1415.[4] No início do século XV a capital de Adal foi transferida para a cidade de Dakkar, onde Sabr ad-Din II, o filho mais velho de Sa'ad ad-Din II, estabeleceu um novo sultanato depois de seu retorno do Iémen.[1][5] As terras além do Rio Awash fora deixadas aos Imperadores salomónicos etíopes.[6] Durante esse período, Adal surgiu como o centro da resistência muçulmana contra a expansão cristã do Reino Abissínio.[1]

Depois de 1468, uma nova geração de governantes surgiu no cenário político de Adal. Os dissidentes se opuseram as regras de Walashma devido ao tratado que o Sultão Muhammad ibn Badlay assinou com o Imperador Baeda Maryam da Etiópia, em que Badlay concordava em pagar um tributo anual. O Emir de Adal, que administrava as províncias, interpretou o acordo como uma traição de sua independência e um recuo do governo na política de longa data de resistência às incursões dos abissínios. O principal líder da oposição foi o Emir de Zeila, o Sultanato mais rico da província. Como tal, era esperado que ele pagasse a maior parte do tributo anual a ser dado ao imperador da Abissínia.[7] O Emir Laday Usman em seguida marchou para Dakkar e tomou o poder em 1471. Entretanto, Usman não retirou o sultão do cargo, mas em vez disso deu-lhe uma posição cerimonial, mantendo o poder real para si mesmo.[8]

O Sultão de Adal (direita) e suas tropas combatendo o Rei Yagbea-Sion e seus homens. Do Le Livre des Merveilles, século XV.

Emir Mahfuz que lutou contra sucessivos Imperadores causou a morte do Imperador Na'od em 1508, mas foi morto pelas forças do Imperador Lebna Dengelem 1517. Depois de Mahfuz, começou uma guerra civil, tendo passado pelo poder 5 Emirs em 2 anos. Por último, um líder forte e experiente chamado Garad Abuun Addus (Garad Abogn) assumiu o poder e foi amado pelo povo de Adal. Quando Garad Abogne estava no poder foi derrotado e morto por Abu Bakr ibn Muhammad, Em 1554, sob a iniciativa do Sultão Abu Bakr ibn Muhammad, Harar tornou-se a capital de Adal. Dessa vez, não apenas o mais jovem Emir revoltou-se, mas toda Adal se levantou contra o acordo do Sultão Abubeker. Muitas pessoas se juntaram as forças do novo cavaleiro Ahmad ibn Ibrahim al-Ghazi que reivindicou uma revanche por Garad Abogne.[9]

No século XVI, a capital de Adal mudou novamente, dessa vez para Harar. De sua nova capital, Adal organizou um exército liderado pelo Imam Ahmad ibn Ibrihim al-Ghazi que invadiu o império Abissínio.[1] Essa campanha ficou conhecida como a Conquista da Abissínia ou Futuh al Habash. Durante a guerra, Ahmed inovou com o uso de canhões fornecidos pelo Império Otomano, que foram enviados contra as forças salomônicas e seus aliados portugueses liderados por Cristóvão da Gama. Alguns estudiosos afirmam que esse conflito provou, pelo uso de ambos os lados, o valor das armas de fogo, como o mosquete de fecho de mecha, canhões e o arcabuz sobre as armas tradicionais.[10]

Sultões de Adal[editar | editar código-fonte]

Nome Reino Nota
1 Sultão SabiradDīn SaʿadadDīn 1415 - 1422 Filho de SaʿadadDīn Aḥmed, obteve algumas vitórias antes de ser derrotado pelo Imperador Yeshaq
2 Sultão Mansur SaʿadadDīn 1422 - 1424 Filho de SaʿadadDīn Aḥmed, derrotou os Abissínios em Yedaya, sendo depois derrotado e preso por Yeshaq
3 Sultão JamaladDīn SaʿadadDīn 1424 - 1433 Ganhou diversas batalhas antes de ser derrotado por Harjai, foi assassinado em 1433
4 Sultão AḥmedudDīn "Badlay" SaʿadadDīn 1433 - 1445 Filho de SaʿadadDīn Aḥmed, conhecido pelos abissínios como "Arwe Badlay" ("Badlay o Monstro").
5 Sultão Maḥamed AḥmedudDīn 1445 - 1472 Filho de AḥmedudDīn "Badlay" SaʿadadDīn
6 Sultão ShamsadDin Maḥamed 1472 - 1488 Filho de Maḥamed AḥmedudDīn, foi atacado pelo Imperador Eskender da Abissínia em 1479, que saqueou Dakkar e destruiu grande parte da cidade.
7 Sultão Maḥamed ʿAsharadDīn 1488 - 1518 Bisneto de SaʿadadDīn Aḥmed de Ifat.
8 Sultão Maḥamed Abūbakar Maḥfūẓ 1518 - 1519 Tomou o trono, o que provocou um conflito entre o Karanle e Walashma
9 Sultão Abūbakar Maḥamed 1518 - 1526 Matou Garād Abūn e restaurou a dinastia Walashma.
10 Garād Abūn ʿAdādshe 1519 - 1525 Sucessor de Maḥamed Abūbakar Maḥfūẓ.
11 Sultão ʿUmarDīn Maḥamed 1526 - 1553 Filho de Maḥamed ʿAsharadDīn.
12 Sultão ʿAli ʿUmarDīn 1553 - 1555 Filho de ʿUmarDīn Maḥamed
13 Sultão Barakat ʿUmarDīn 1555 - 1559 Filho de ʿUmarDīn Maḥamed, último dos Sultões Walashma. Foi morto defendendo Harar do Imperador Gelawdewos.

Etnia[editar | editar código-fonte]

Os governantes do Sultanato anterior do Shewa e a princesa Walashma de Ifat e Adal possuiam todas as tradições genealógicas árabes.[11]

Durante os primórdios de Adal, quando a capital ainda era Zeila, o reino era basicamente composto por Somalis, Afares e Árabes.[12]

Referências

  1. a b c d e f g Lewis, I. M. (1999). A Pastoral Democracy: A Study of Pastoralism and Politics Among the Northern Somali of the Horn of Africa. James Currey Publishers. p. 17. ISBN 0852552807 
  2. elrik, Haggai (2007). «The Cambridge History of Africa: From c. 1050 to c. 1600». USA: Lynne Rienner. Basic Reference. 28: 36. doi:10.1017/S0020743800063145. Consultado em 27 de abril de 2012 
  3. a b Houtsma, M. Th (1987). E.J. Brill's First Encyclopaedia of Islam, 1913-1936. BRILL. pp. 125–126. ISBN 9004082654 
  4. mbali, mbali (2010). «Somaliland». London, UK: mbali. Basic Reference. 28: 217–229. doi:10.1017/S0020743800063145. Consultado em 27 de abril de 2012 
  5. Briggs, Philip (2012). Bradt Somaliland: With Addis Ababa & Eastern Ethiopia. Bradt Travel Guides. p. 10. ISBN 1841623717 
  6. zum, zum (2005). «History of Adal». New York, USA: WHKMLA. Basic Reference. 28: 217–229. doi:10.1017/S0020743800063145. Consultado em 27 de abril de 2012 
  7. zum, zum (2007). «Event Documentation». USA: AGCEEP. Basic Reference. 28: 217–229. doi:10.1017/S0020743800063145. Consultado em 27 de abril de 2012 
  8. Trimingham, John (2007). «Islam in Ethiopia». UK: Oxford University Press. Basic Reference. 28: 167. Consultado em 27 de abril de 2012 
  9. fage, J.D (2007). «The Cambridge History of Africa: From c. 1050 to c. 1600». USA: Cambridge University Press. Basic Reference. 28: 167. doi:10.1017/S0020743800063145. Consultado em 27 de abril de 2012 
  10. Jeremy Black, Cambridge Illustrated Atlas, Warfare: Renaissance to Revolution, 1492-1792, (Cambridge University Press: 1996), p.9.
  11. M. Elfasi, Ivan Hrbek (1988). Africa from the Seventh to the Eleventh Century, General History of Africa, Volume 3. UNESCO. pp. 580–582. ISBN 9231017098 
  12. David Hamilton Shinn, Thomas P. Ofcansky (2004). Historical Dictionary of Ethiopia. Scarecrow Press. p. 5. ISBN 0810849100