Sultanato de Rum

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Sultanato de Rum
1077 — 1308 
Seljuk Sultanate of Rum 1190 Locator Map-pt.svg
Sultanato de Rum em 1090
Região Anatólia
Capital Cônia (Icônio)
Países atuais Turquia

Língua oficial turco

Sultão
• 1077–1086  Solimão ibne Cutalmiche
• 1303–1308  Maçude II

Período histórico Idade Média
• 1077  Fundação
• 1308  Dissolução

O Sultanato de Rum (Saljuqiyān-e Rum, em farsi: سلجوقیان روم, também conhecido como Sultanato Seljúcida da Anatólia. Historiadores turcos modernos usam o termo Anadolu Selçukluları (Sultanato Seljúcida da Anatólia ou Estado Seljúcida da Anatólia) (em turco: Anadolu Selçuklu Devleti, ou, mais recentemente, Türkiye Selçukluları (Seljúcidas da Turquia ou Estado Seljúcida da Turquia) (em turco: Türkiye Selçuklu Devleti). O Estado é chamado ocasionalmente de Sultanado de Cônia ou Sultanato de Icônio, em fontes ocidentais mais antigas.[1] Era um estado muçulmano turco-persa,[2] [3] [4] [5] estabelecido nas partes da Anatólia, que foi conquistada do Império Bizantino pelos turcos Seljúcidas.

Introdução à história[editar | editar código-fonte]

O termo "Rûm" era sinônimo de grego, como permanece no turco moderno, embora derive do nome árabe para Roma / romanos, designando o Império Romano; os seljúcidas chamavam as terras de seu sultanato de الرُّومُ ar-Rūm, pois localizavam-se sobre um território que era considerado "romano", isto é, bizantino, pelos exércitos islâmicos, [6] [7] [8] [9] sendo ele próprio um empréstimo do grego Ῥωμαῖοι, para o romano (Ῥωμαῖοι); designando cidadãos superordenadamente latinos. [10]

História[editar | editar código-fonte]

O Sultanato de Rum governou a maior parte da Anatólia, através de uma linhagem direta, de 1077 até 1307, com a capital em Niceia e, posteriormente, em Cônia (embora como a corte do sultanato era extremamente móvel, cidades como Caiseri e Sivas também funcionaram como capitais). Em sua extensão máxima o sultanato se estendeu por toda a Turquia central, da costa de Antália-Alânia, no Mediterrâneo, até ao território de Sinope, no mar Negro. A leste, o sultanato absorveu outras nações turcas e chegou até as margens do lago de Vã. Seu limite ocidental localizava-se próximo a Denizli, às portas da bacia do Egeu.

O Sultanato de Rum separou-se do Império Seljúcida sob Solimão ibne Cutalmiche em 1077, após a Batalha de Manziquerta, com as capitais primeiro em Niceia e depois em Cônia. Chegou ao auge de sua potência durante o final do século XII e início do século XIII, quando conseguiu tomar portos-chave bizantinos nas costas do Mediterrâneo e do mar Negro. No leste, o sultanato absorveu outros estados turcos e chegou ao lago de Vã. O comércio do Irã e da Ásia Central em toda a Anatólia foi desenvolvido por um sistema de caravançarai. O aumento da riqueza permitiu que o sultanato absorvesse outros estados turcos que haviam sido estabelecidos no leste da Anatólia (dinamarquês, Mengujequidas, Saltúquidas, Artúquidas).

O sultanato prosperou especialmente durante o fim do século XII e início do século XIII, quando conquistou os principais portos bizantinos nas costas do Mediterrâneo e do mar Negro. Na Anatólia, os seljúcidas fomentaram o comércio mediante um programa de construção de caravançarais, que facilitavam o fluxo de mercadorias do Irã e Ásia Central até os portos. Formaram-se laços comerciais especialmente fortes com a República de Gênova durante este período, e a riqueza proveniente destas atividades comerciais permitiu ao sultanato absorver outros estados turcos que haviam sido fundados na Anatólia antes da Batalha de Manziquerta: os danismendidas, os mangujequidas, os saltúquidas e os artúquidas. Os sultões seljúcidas suportaram com sucesso seguidos ataques durante as Cruzadas, porém em 1243 sucumbiu ao avanço dos mongóis. Os seljúcidas tornaram-se vassalos dos mongóis, e apesar dos esforços de administradores astutos para preservar a integridade do Estado, o poder do sultanato se desintegrou durante a segunda metade do século XIII, e já havia desaparecido completamente na primeira década do século seguinte.

Em suas décadas finais, o território do Sultanato Seljúcida de Rum viu o surgimento de diversos pequenos principados (beilhiques) entre os quais estava o dos Osmanoğlu, conhecidos posteriormente como otomanos, que acabaram assumindo posteriormente o poder na região.

Lista de sultões[editar | editar código-fonte]

Sultão Reinado Comentárioa
(Turco) (Latin)
Cutalmiche 1060-1077 Enfrentou o Alparslano pelo trono do Império Seljúcida.
Solimão ibne Cutalmiche 1077-1086 Fundador do Sultanato seljúcida de Anatólia (Rum) com capital em Niceia
Quilije Arslã I 1092-1107 Primeiro sultão em Cônia (Icônio)
Malique Xá 1107-1116
Maçude I 1116-1156
'Izaldim Quilije Arslã II 1156-1192
Guiatadim Caicosroes I 1192-1196 Primeiro reinado
Roquonadim Solimão Xá II 1196-1204
Quilije Arslã III 1204-1205
Guiatadim Caicosroes I 1205-1211 Segundo reinado
Izaldim Caicaus I I. Izzeddin Keykavus Caicaus I 1211-1220
Aladino Caicobado I I. Alâeddin Keykubad Caicobado I 1220-1237
Guiatadim Caicosroes II II. Gıyaseddin Keyhüsrev Caicosroes II 1237-1246 Após a súa morte, ate 1260 quando Quilije Arslã IV se converte no único soberano
Izaldim Caicaus II II. Izzeddin Keykavus Caicaus II 1246-1260
Roquonadim Quilije Arslã IV 1248-1265
'Aladino Caicobado II 1249-1257
Guiatadim Caicosroes III 1265-1284
Guiatadim Maçude II 1284-1296 Primeiro reinado
'Aladino Caicobado III 1298-1302
Guiatadim Maçude II 1303-1308 Segundo reinado

Referências

  1. «Cópia arquivada» (PDF). Consultado em 14 de abril de 2019. Arquivado do original (PDF) em 19 de julho de 2018 
  2. Bernard Lewis, Istanbul and the Civilization of the Ottoman Empire, 29; "Even when the land of Rum became politically independent, it remained a colonial extension of Turco-Persian culture which had its centers in Iran and Central Asia","The literature of Seljuk Anatolia was almost entirely in Persian ..."
  3. "Institutionalisation of Science in the Medreses of pre-Ottoman and Ottoman Turkey", Ekmeleddin Ihsanoglu, Turkish Studies in the History and Philosophy of Science, ed. Gürol Irzik, Güven Güzeldere, (Springer, 2005), 266; "Thus, in many of the cities where the Seljuks had settled, Iranian culture became dominant."
  4. Andrew Peacock and Sara Nur Yildiz, The Seljuks of Anatolia: Court and Society in the Medieval Middle East, (I.B. Tauris, 2013), 71-72
  5. Turko-Persia in Historical Perspective, ed. Robert L. Canfield, (Cambridge University Press, 1991), 13.
  6. Kazhdan, Alexander. "Rūm" The Oxford Dictionary of Byzantium (Oxford University Press, 1991), vol. 3, p. 1816.
  7. Paul Wittek, Rise of the Ottoman Empire, Royal Asiatic Society Books, Routledge (2013), p. 81."This state too bore the name of Rûm, if not officially, then at least in everyday usage, and its princes appear in the Eastern chronicles under the name 'Seljuks of Rûm' (Ar.: Salâjika ar-Rûm).
  8. A. Christian Van Gorder, Christianity in Persia and the Status of Non-muslims in Iran p. 215:
  9. "The Seljuqs called the lands of their sultanate Rum because it had been established on territory long considered 'Roman', i.e. Byzantine, by Muslim armies."
  10. Alexander Kazhdan, "Rūm" The Oxford Dictionary of Byzantium (Oxford University Press, 1991), vol. 3, p. 1816.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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