Caicosroes II

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Caicosroes II
11º Sultão de Rum
Reinado 12371246
Consorte Tamar
Antecessor(a) Caicobado I
Sucessor(a) Caicaus II
 
Morte 1246
Pai Caicobado I
Mãe Hunata Hatum

Giate Aldim Caicosroes ibne Caicobado (em árabe e persa: غياث الدين كيخسرو بن كيقباد; transl.: Ghiyath al-Din Kaykhusraw bin Kayqubad), melhor conhecido como Giaçadim Caicosroes II (em turco: II. Gıyaseddin Keyhüsrev), Caicosroes II (em latim: Caichosroes II), Caicosru II[1] ou Gaiasadino Menor (em latim: Gaiasadinus Minor), foi o sultão seljúcida de Rum que reinou de 1237[2] até à data da sua morte, em 1246. Era o sultão reinante aquando da revolta de Baba Ixaque e da invasão mongol da Anatólia. Foi ele o comandante das tropas seljúcidas e seus aliados cristãos na Batalha de Köse Dağ, em 1243, na qual foi derrotado. Foi o último dos sultões seljúcidas a deter algum poder e morreu vassalo dos mongóis.

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Caicosroes era o filho de Caicobado I e da sua mulher Hunata Hatuna,[a] a filha do nobre arménio Kir Fard.[a] Apesar de Caicosroes ser o primogénito, o seu pai escolheu como seu sucessor o irmão mais novo Izaldim, um dos seus dois filhos com outra esposa, uma princesa aiúbida. Em 1226, Caicobado entregou o governo da recentemente anexada Erzincan a Caicosroes. Juntamente com o general Camiar, o jovem príncipe participou na conquista de Erzurum e, posteriormente, de Ahlat.

Em 1236-37, razias mongóis apoiadas pelos Bagrationi da Geórgia devastaram os campos da Anatólia até às muralhas de Sivas e Malátia. Como os cavaleiros mongóis desapareciam tão rapidamente como apareciam, Caicobado resolveu punir os georgianos, aliados dos mongóis. Quando o exército seljúcida se aproximava dos seus territórios, a rainha Rusudan da Geórgia pediu a paz, oferecendo a sua filha Tamar (em turco: Gürcü Hatun, também conhecida por Tamara) em casamento a Caicosroes. A paz foi celebrada e o casamento realizou-se em 1240.

Após a morte de de Caicobado em 1237, Caicosroes tomou o trono com o apoio de diversos emires poderosos da Anatólia. O arquiteto do início do seu reinado foi Sadedim Copeque, mestre da caça e ministro das obras públicas. Copeque distinguiu-se pelos assassínios políticos e defendeu a sua forte influência na corte com uma série de execuções.[3] Foi também responsável pela captura de Diarbaquir, no que é hoje o sudeste da Turquia, aos aiúbidas em 1241.

A revolta de Baba Ixaque[editar | editar código-fonte]

Ao mesmo tempo que os mongóis ameaçavam o estado seljúcida do exterior, um novo perigo surgiu no interior: um pregador carismático, Baba Ixaque, fomentou a rebelião entre os turcomenos da Anatólia.

Os turcomenos, um povo turco nómada, tinham começado a vir para a Anatólia uns anos antes da Batalha de Manziquerta (1071). Depois disso, as migrações turcas prosseguiram praticamente sem entraves. Tanto o seu número como o poder de persuasão dos seus líderes religiosos, xamãs islamizados conhecidos como babas ou dedes,[4] tiveram um papel importante na conversão ao islamismo de cristãos anatólios. A classe militar seljúcida persianizada esforçou-se por impedir que os esses nómadas invadissem áreas ocupadas por agricultores e importunassem os estados cristãos vizinhos. Os turcomenos foram empurrados para terras marginais, a maior parte delas montanhosas ou em zonas fronteiriças.

Baba Ixaque era um desses líderes religiosos turcomenos, mas ao contrário dos seus predecessores, cuja influência se limitava a pequenos grupo tribais, a sua autoridade estendia-se sobre uma vasta população turcomena. Não se conhece o conteúdo das suas pregações, mas o facto de se ter intitulado raçul (profeta ou mensageiro), um título normalmente aplicado a Maomé, sugere algo para além do Islão ortodoxo.

A revolta iniciou-se cerca de 1240, na área fronteiriça remota de Cafarçude, na parte oriental dos Montes Tauro e espalhou-se rapidamente até à região de Amásia, bastante a norte. As tropas seljúcidas de Malátia e de Amásia foram destruídos e rapidamente as regiões à volta de Kayseri, Sivas e Tocate estavam sob o controle dos rebeldes. Baba Ixaque foi morto, mas os turcomenos continuaram a rebelião contra a autoridade central seljúcida. A revolta foi finalmente contida quando os rebeldes foram encurralados e derrotados perto de Kırşehir, provavelmente em 1242 ou 1243. O frade dominicano Simon de Saint-Quentin, que integrou a embaixada enviada pelo Papa Inocêncio IV aos mongóis em 1245 atribuiu a vitória sobre os rebeldes a um grupo numeroso de mercenários francos ao serviço dos seljúcidas.[5]

Batalha de Köse Dağ[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha de Köse Dağ

Legado[editar | editar código-fonte]

Caicosroes morreu deixando três filhos: Izaldim Caicaus, com onze anos, neto de um padre grego; Ruquenaldim Quilije Arslam, com nove anos, filho de uma mulher turca de Cônia; Caicobado, filho da princesa georgiana Tamar, de sete anos.[6]

Caicosroes nomeou como seu herdeiro o filho mais novo, mas dado que era uma criança fraca, o novo vizir Xamece Aldim de Ispaã colocou no trono como cogovernantes os outros dois irmãos, numa tentativa de manter o controle seljúcida da Anatólia face à ameaça mongol. Embora enfraquecido, o poder seljúcida manteve-se em grande parte intacto até à morte de Caicosroes em 1246. Os mongóis fracassaram em apoderar-se tanto do tesouro do sultão como da sua capital, Cônia, e as terras do sultanato escaparam às piores depredações dos invasores. O que determinou a queda da dinastia foi Caicosroes não ter sido capaz de nomear um sucessor competente. Com a escolha dos três jovens irmãos para o trono, o poder seljúcida passou das mãos dos príncipes para as mãos dos administradores da corte.

Numismática[editar | editar código-fonte]

Dirrã cunhada em Sivas em 1240 ou 1241, durante o reinado de Caicosroes

Entre 638 e 641 do calendário islâmico (1240-1243), foram cunhadas uma série de notáveis dirrãs em nome de Caicosroes em Sivas e Cônia, mostrando um leão e um sol.[7] Embora moedas com imagens não sejam desconhecidas em terras islâmicas, particularmente nos séculos a seguir às Cruzadas, algumas tradições muçulmanas proíbem a representação de coisas vivas.

Teem sido avançadas diversas explicações sobre o significado do leão e o sol. Alguns sugerem que as imagens representam a constelação Leo, símbolo da signo astrológico da sua esposa georgiana Tamar. Outa explicação avançada é que o leão representa Caicosroes e o sol representa Tamar.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Caicosroes II
(1237-1246)
Precedido por: WLA lacma Anatolia Konya Silver Dirham Coin 1242-1243.jpg
Sultões de Rum
Sucedido por:
Caicobado I 11.º Caicaus II


Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Kaykhusraw II».
[a] ^ Outros nomes ou grafias usadas para designar Hunat Hatun são Mahperi Hunat Hatun, Honat Hatun e Mah-Peri Khatun. O seu pai, Kir Fard, é por vezes designado como Kyr Vart.[8]
  1. de Tersan & 1788 690.
  2. Cahen, p. 748
  3. Bearman, P. «Sa'd al-Din Köpek b. Muhammadyear=2007». In: Hillenbrand, Carole. Encyclopaedia of Islam (em). Brill 
  4. Vryonis, Speros (1971). The Decline of Medieval Hellenism in Asia Minor and the Process of Islamization from the Eleventh through the Fifteenth Century (em inglês). [S.l.]: (University of California Press. 272 páginas 
  5. S. Saint-Quentin, p. 140
  6. Cahen, p. 271
  7. Stephen Album (1998). A Checklist of Islamic Coins (em inglês) 2ª ed. [S.l.: s.n.] 62 páginas 
  8. a b Eti, Mehmet. «Thamara». mehmeteti.150m.com (em inglês). Anatolian Coins. Consultado em 4 de outubro de 2010.. Cópia arquivada em 4 de outubro de 2010 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bearman, P. (2007). «Kaykhusraw II». Encyclopaedia of Islam (em). Brill 
  • Cahen, Claude; trad. Jones-Williams, J. (1968). Pre-Ottoman Turkey: a general survey of the material and spiritual culture and history c. 1071-1330 (em inglês). Nova Iorque: Taplinger. pp. 127–38, 269–71. ISBN 159740456X 
  • de Tersan, Charles Philippe Campion (1788). Catalogue de médailles antiques et modernes, principalement des inédits et des rares, en or, argent, bronze, etc., du cabinet de M. d'Ennery. [S.l.: s.n.] 
  • Simon de Saint-Quentin. Histoire des Tartares (em francês). xxxi. [S.l.: s.n.] 
  • Bryer, Anthony; Winfield, Richard (1985). The Byzantine Monuments and Topography of the Pontos (em inglês). 1. Washington, D.C.: Dumbarton Oaks. pp. 172, 353 
  • Köy Köy Türkiye Yol Atlası. mapa 61 (em inglês). Istambul: Mapmedya. 2006