Reino da Geórgia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa



საქართველოს სამეფო
Sak’art’velos Samep’o

Reino da Geórgia

Reino

1008 – 1490 Coat of arms of Kartli Georgia1.png
 
Kakheti COA.JPG
 
Geo imereti.JPG

Bandeira de Geórgia

Bandeira

Localização de Geórgia
Reino da Geórgia em 1124, no auge de seu poder sob David IV
Continente Europa
Região Cáucaso
Capital Cutaisi (1008–1122)
Tbilisi (1122–1490)
Língua oficial Georgiano
Religião Ortodoxia
Governo Monarquia feudal
Rei
 • 978–1014 Bagrate III (primeiro)
 • 1089–1125 David IV (apogeu)
 • 1446–1465 Jorge VIII (último)
Período histórico Alta Idade Média
 • 1008 Fundado por Bagrate III
 • 1238–1327 Domínio mongol
 • 1386-1403 Invasões timúridas
 • 1490 Dissolução
 • 1490–1493 Constantino II reconhece a independência de Cachétia e Imerícia
Precedido por
Sucedido por
Blank.png Principado da Ibéria
Blank.png Tao-Clarjétia
Blank.png Reino da Abecásia
Blank.png Armênia Seljúcida
Blank.png Emirado de Tbilisi
Reino de Cártlia Coat of arms of Kartli Georgia1.png
Reino da Cachétia Kakheti COA.JPG
Reino de Imerícia Geo imereti.JPG
Atualmente parte de

O Reino da Geórgia (em georgiano: საქართველოს სამეფო; transl.: Sak’art’velos Samep’o) foi um estado monárquico fundado, em 975, por Bagrate III que alcançou seu apogeu nos séculos XI e XII, a chamada "era de ouro da Geórgia". Seu declínio começou com a invasões mongóis do século XIII, quando o reino foi transformado num vassalo dos Ilcânidas, uma situação que só se reverteu na década de 1340. A partir de 1386, o renascimento do poderio mongol levou às invasões timúridas que levaram o reino ao colapso em 1466 e finalmente à desintegração em três reinos independentes, Cártlia, Cachétia e Imerícia entre 1490 e 1493.

Origens[editar | editar código-fonte]

A ascendência da dinastia Bagrationi na região remonta ao Principado da Ibéria, cujos monarcas passaram a governar Tao-Clarjétia no século VIII. A fundação da monarquia georgiana começou em 888, quando Adarnase IV da Ibéria se auto-proclamou "rei dos georgianos". O Reino Unificado da Geórgia foi fundado em 1008, quando Bagrate III, filho de Gurgen II, tornou-se o monarca do Reino da Abecásia ("Geórgia Ocidental"), incluindo os principados de Imerícia, Samegrelo, Abecásia, Guria e Svanécia. Ele era filho da rainha Gurandukht, filha de Jorge II da Abecásia.

Era de ouro[editar | editar código-fonte]

A monarquia unificada conseguiu defender sua precária independência contra os poderosos vizinhos bizantinos e seljúcidas por todo o século XI até finalmente prosperar sob o comando de David IV, o Construtor (r. 1089–1125), que repeliu os ataques seljúcidas e consolidou a unificação georgiana reconquistando Tbilisi em 1122.

Com o declínio do poder bizantino e a dissolução do Grande Império Seljúcida, a Geórgia tornou-se uma das mais poderosas nações cristãs da região, estabelecendo seu domínio,[1] no auge, estendendo-se do norte do Cáucaso até o norte do Irã e para o leste, até a Ásia Menor.

Apesar de repetidos incidentes de conflitos dinásticos, o reino continuou a prosperar durante os reinados de Demétrio I (r. 1125–1156), Jorge III (r. 1156–1184) e, especialmente, sua filha, Tamara, a Grande (r. 1184–1213).

Com a morte de Jorge III, a principal linhagem masculina se extinguiu e a dinastia continuou através do casamento da rainha Tamara com o príncipe alano David Soslan, que reivindicava uma ascendência bagrátida[nota 1].

Domínio mongol[editar | editar código-fonte]

As invasões dos corásmios em 1225 e dos mongóis em 1236 acabaram com a "era de ouro" da Geórgia. A batalha contra o domínio mongol levaram ao estabelecimento de uma diarquia, com um ambicioso ramo lateral da dinastia Bagrationi controlando a região de Imerícia (a Geórgia ocidental). Muitas poderosas famílias georgianas e armênias também se tornaram praticamente independentes do rei contando com o apoio dos mongóis e os georgianos participaram de todas as grandes campanhas militares do Ilcanato.[2]

Em 1327, se desenrolou na Pérsia mongol o mais dramático evento do reinado do Abu Saide: a queda e execução de Chupan, protegido do rei georgiano Jorge V. O filho de Chupan, Mahmud, que comandava a guarnição mongol da Geórgia foi preso por suas próprias tropas e executado. Depois disso, Iqbalshah, filho de Qutlughshah, foi nomeado para ser o governador mongol da Geórgia (chamada de Gurjistão na época).[3] Em 1330/31, Jorge V anexou Imerícia e iniciou a reunificação da Geórgia quatro anos da queda do último cã efetivo na Geórgia, Abu Sai'd. Em 1334, a posição foi dada a xeique Haçane dos jalayir por Abu Sai'd.[4]

Desintegração final[editar | editar código-fonte]

Depois disso, a Geórgia gozou de um período de renascimento durante o reinado de Jorge V, o Brilhante (r. 129–1302; 1314–1346), mas oito devastadores raides do conquistador turco-mongol Tamerlão entre 1386 e 1403 praticamente destruíram o reino. A precária unidade resultante foi finalmente estilhaçada entre 1490 e 1493, quando três reinos independentes — Cártlia (Geórgia centro-oriental), Cachétia (Geórgia oriental) e Imerícia (Geórgia ocidental) — liderados por ramos rivais da dinastia Bagrationi, e em cinco principados semi-independentes — Odishi, (Mingrélia), Guria, Abecásia, Svanécia e Samtskhe — dominados por seus próprios clãs feudais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. De acordo com o príncipe Vakhushti de Cártlia, David Soslan era descendente do príncipe refugiado David, um neto de Jorge I da Geórgia (r. 1014–1027) e sua esposa alana Alde.

Referências

  1. «Georgia.». Encyclopædia Britannica Premium Service. Consultado em 25 de maio de 2006 
  2. C.P.Atwood- Encyclopedia of Mongolia and the Mongol Empire, p.197
  3. D. M. Lang - Georgia in the Reign of Giorgi the Brilliant (1314-1346). Bulletin of the School of Oriental and African Studies, University of London, Vol. 17,No. 1 (1955), p.84
  4. Ta'rfkh-i Shaikh Uwais (History of Shaikh Uwais), trans. and ed. J. B. van Loon, The Hague, 1954, 56-58.