Império Medo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Império Medo

Média

Map of Assyria-pt.svg
13-Urartu-9-6mta.gif
678 a.C.[1]550 a.C. 
Standard of Cyrus the Great (White).svg
Median Empire-pt.svg
Império Medo no século VI a.C.
Continente Ásia
Região
Capital Ecbátana (atual Hamadã)
Países atuais Irão Irã
Turquia Turquia
Síria Síria
Iraque Iraque
Azerbaijão Azerbaijão
Arménia Armênia
Geórgia Geórgia
Turquemenistão Turquemenistão
Afeganistão Afeganistão
Paquistão Paquistão

Línguas oficiais Meda
Religião Antiga religião iraniana (aparentada ao mitraísmo, ao antigo masdaísmo e zoroastrianismo)

Forma de governo Monarquia
Rei
• 700–678 a.C.  Déjoces
• 678–625 a.C.  Fraortes ou Castariti[2]
• 625–585 a.C.  Ciaxares
• 585–550 a.C.  Astíages

Período histórico Idade do Ferro
• 678 a.C.[1]  Estabelecimento do estado medo[3]
• 653 a.C.  O governante cita Mádies subjuga os medos
• 625 a.C.  Após 28 anos de domínio cita, Ciaxares derrota os citas e declara a independência dos medos
• 612 a.C.  Medos e babilônios conquistam Nínive
• 585 a.C.  Batalha do Hális
• 553-550 a.C.  Revolta Persa
• 550 a.C.  Conquistado por Ciro, o Grande

Área
 • 585 a.C.  2,000,000 km²

O Império Medo (pronúncia-se "Médo"[4]), ou simplesmente Média (em persa antigo: Māda[5]; em grego: Mēdía[6]; em acadiano: Mādāya[6]) foi uma entidade política que do final do século VII a.C. até meados do século VI a.C. dominava todo o planalto iraniano, precedendo o poderoso Império Aquemênida.[7][8]

Após o colapso da Assíria, a Média emergiu como uma das grandes potências do Oriente Médio. As fronteiras do país foram estendidas para leste e oeste com a subjugação dos povos vizinhos, como os partas e armênios. Dessa forma, a Média se tornou o primeiro império iraniano, que em seu auge, cobria quase metade do Oriente Médio, se tornando uma das mais fortes potências econômicas, políticas e militares do seu tempo, juntamente com a Babilônia, Lídia e Egito. No apogeu da sua extensão territorial, exercia autoridade sobre mais de dois milhões de quilômetros quadrados, estendendo-se das margens orientais do rio Hális até o leste do Irã e sendo um dos maiores impérios da história. No entanto, sua extensão geográfica precisa permanece desconhecida. O império controlava grande parte da Rota da Seda, célebre rota comercial que ligava o país ao Mediterrâneo, no oeste, e a Ásia Central, no leste, e se tornou importante entreposto comercial.

Antes de seu estabelecimento, os povos iranianos viviam em comunidades tribais menores e não havia hierarquia de governo, mas as guerras constantes com os invasores assírios os levaram à unificação, isto é, à criação de uma monarquia poderosa que se tornou base para todas as dinastias iranianas subsequentes.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A fonte original de seu nome e pátria é um nome geográfico iraniano antigo transmitido diretamente, que é atestado como o persa antigo "Māda".[9] O significado desta palavra não é conhecido com precisão.[10] No entanto, o linguista W. Skalmowski propõe uma relação com a palavra proto-indo-europeia "med (h)-", que significa “central, adequado ao meio”, referindo-se ao antigo índico "Madhya-" e ao antigo iraniano "Maidiia", ambas têm o mesmo significado. O latim médio, o grego méso e o alemão mittel são derivados da mesma forma.[9][11]

Os eruditos gregos durante a antiguidade baseavam conclusões etnológicas nas lendas gregas e nas semelhanças de nomes. De acordo com as histórias de Heródoto (440 a.C.):[9]

“Os medos eram anteriormente chamados por todos de arianos, mas quando a mulher colca Medeia, filha de Eetes, governante da Cólquida, veio de Atenas aos arianos, eles mudaram de nome, como os persas [fizeram após Perses, filho de Perseu e Andrômeda.[12] Esta é a própria descrição dos medos.”

Fontes históricas[editar | editar código-fonte]

A Média representa um problema para os estudiosos que tentam descrever esse antigo império.[13] Hoje, quase não existem fontes históricas sobre os medos e o material arqueológico é escasso. Além disso, os medos não deixaram nenhuma fonte textual para reconstruir sua história e portanto sua língua, cultura e estrutura social é desconhecida. A falta de registros medos é compensada por registros de outros povos, que consiste em textos cuneiformes assírios e babilônicos, alguns capítulos da Bíblia, registros persas e gregos, bem como por alguns sítios arqueológicos iranianos, que poderiam ter sido ocupados por medos. O problema é que o registro arqueológico não é claro, e os registros contemporâneos oferecem pouca informação, além disso os textos dos autores gregos não são confiáveis.[13]

Como todas as fontes estrangeiras acima mencionadas vêm de países à oeste da Média, pouco se sabe sobre a história das províncias orientais da Média, como Báctria, Sagárcia, Ária, Drangiana ou Aracósia. Mas apesar dessas fontes esclarecem alguma coisa da história meda, quase tudo que sabemos sobre os medos vem das informações de Heródoto que foi toda preservada.[14]

Crônicas mesopotâmicas[editar | editar código-fonte]

A crônica de Nabonido, hoje exibida no museu britânico.

A maioria dos governantes do Império Neoassírio e do Império Neobabilônico registraram vários documentos escritos mencionando desenvolvimentos políticos, religiosos e sociais. Como os dois impérios interagiram com os medos, são citados registros históricos da primeira metade do primeiro milênio antes de Cristo que são uma fonte significativa de informações sobre a Média. As relações políticas da Média com os dois países da Mesopotâmia diferem; os assírios eram seus grandes inimigos, enquanto os babilônicos eram seus aliados. Outros documentos mesopotâmicos incluem as crônicas dos governantes babilônicos, Nabopolassar e Nabucodonosor II, e a crônica de Nabonido que menciona a conquista do Império Medo por Ciro, o Grande.[15]

Antigo Testamento[editar | editar código-fonte]

Uma Bíblia escrita à mão em latim, em exibição na Abadia de Malmesburg, Wiltshire, Inglaterra

As histórias bíblicas do Antigo Testamento que mencionam os medos incluem os livros de Naum e Daniel. O livro de Naum detalha a queda da cidade assíria de Nínive conquistada pelo governante medo, Ciaxares, em aliança com o rei babilônico Nabopolassar. O livro de Daniel menciona uma visão de quatro bestas, que representam as antigas monarquias do Velho Oriente que governaram a cidade de Babilônia:[16]

  1. O leão com asas de águia: Império Neobabilônico
  2. O urso: Império Medo
  3. O leopardo de quatro cabeças com asas: Império Aquemênida
  4. A besta de dez chifres com dentes de ferro: Império Macedônio

A interpretação que descreve o Império Neobabilônico está correta, pois essas representações são características da arte babilônica. Além disso, os leopardos são motivos comuns na ourivesaria persa, enquanto Alexandre, o Grande é frequentemente representado com os chifres de carneiro de seu pai mitológico Ámon. O problema da interpretação é precisamente o Império Medo, que, de acordo com todas as outras fontes históricas, nunca conquistou a Babilônia.[5] O livro de Daniel menciona um governante chamado Dario, o Medo, que teria conquistado a Babilônia, mas Dario é o nome pessoal exclusivamente dos governantes persas (Dario, o Grande, Dario II e Dario III). Os estudiosos não-bíblicos crêem que o livro de Daniel foi escrito por volta de 165 a.C. e supõe que seu autor tenha sido influenciado pela visão grega da história, e por isso é provável que a importância dada a Média seja exagerada. Outra explicação é que a interpretação da Média se refere ao usurpador medo Gaumata, que em 522 a.C., se declarou rei do Império Aquemênida em detrimento de Cambises II e governou o império por vários meses até que foi derrubado por Dario, o Grande. Essa história é explicada em mais detalhes nos escritos de Beistum e nas obras de Heródoto.[5]

Inscrições de Beistum[editar | editar código-fonte]

As inscrições de Beistum

As Inscrições de Beistum são documentos multilíngues que incluem textos escritos em três idiomas: persa, elamita e acadiano.[17] Eles datam do final do século VI a.C., e foram esculpidas por Dario, o Grande, governante do Império Aquemênida. Esses documentos se referem principalmente à história da dinastia aquemênida, que a partir de 550 a.C. dominou o Império Medo. Esses registros relatam principalmente a repressão de várias rebeliões no império após a ascensão de Dario, incluindo um levante dos medos.[5] Após a morte de Ciro, o Grande em 530 a.C., seu filho Cambises II assumiu o trono persa. Cambises liderava campanhas no Egito e acabou sendo morto em 522 a.C. Aproveitando-se da situação o medo Gaumata, um membro da casta sacerdotal, ocupa o trono persa. Ele isentou todos os sátrapas de pagar impostos por três anos e declarou a cidadela meda de Sicaiauavatis como sua capital. Isso provocou grande indignação entre a elite persa, então sete nobres liderados por Dario, o Grande, derrubaram Gaumata do trono após apenas sete meses de governo.[18] Este evento foi seguido por várias revoltas na Babilônia e na Média, onde o líder Castariti (Fraortes na transcrição grega) afirmou ser descendente da linhagem real de Ciaxares, após o qual recebeu apoio dos sátrapas da Sagárcia, Pártia e Hircânia. No entanto, a rebelião foi esmagada pelo general persa Hidarnes, e Castariti foi capturado perto da cidade de Rages em uma expedição liderada pelo próprio Dario, o Grande.[19][20]

Historiadores gregos[editar | editar código-fonte]

Imagem do mundo segundo Heródoto, século V a.C.

Os historiadores gregos Heródoto e Ctésias, que viveram no século V a.C., também escreveram sobre a dinastia meda, porém, cem anos após a queda do Império Medo. Heródoto nasceu em 484 a.C. em Halicarnasso, capital da então satrapia persa de Cária, e suas obras Histórias escritas entre 440 e 430 a.C. são a fonte mais extensa e, portanto, a mais importante de informações sobre esse império. Elas são uma espécie de romance e têm uma abordagem totalmente nova para escrever a história. Ele foi um grande viajante e, ao longo de sua vida, percorreu o Império Aquemênida, Egito, Líbia, Síria, Babilônia, Susã, Lídia, Frígia, Bizâncio, Trácia, Macedônia e Itália, onde ouviu e registrou as histórias da população local.

Apesar de ter sido criticado pelos modernos historiadores do século XIX, Heródoto melhorou sua reputação drasticamente desde que os numerosos achados arqueológicos confirmaram muitas de suas histórias. A visão moderna de Heródoto é como ele fez um trabalho notável em sua obra Histórias, mas sua cronologia e números são vistas como um ceticismo. Diferentemente de outras fontes históricas, que são principalmente preservadas apenas em fragmentos, a obra Histórias de Heródoto, relativa aos medos (Livro I; 95-144), é preservada em sua totalidade.

Ctésias por sua vez, foi um historiador grego, que nasceu na cidade de Cnido, na província de Cária. Ele trabalhou como médico à serviço do rei persa Artaxerxes II, a quem ele seguiu durante sua marcha contra seu irmão rebelde Ciro, o Jovem. Ctésias escreveu sobre o Império Aquemênida e a Assíria em sua obra Pérsica, que consiste em 23 livros, supostamente baseados em arquivos reais persas.[21] Suas obras representam a revisão mais objetiva da história da Pérsia Antiga e, portanto, são muitas vezes contraditórias à coleção Histórias de Heródoto. No entanto, seus trabalhos sobre o Império Medo (livros 4-6) são preservados apenas em fragmentos.

Outros historiadores incluem Beroso, um sacerdote babilônico, um escritor e astrônomo do período helenístico que viveu no século III a.C., e escreveu em grego.[22] Ele escreve principalmente sobre a história da Babilônia em suas obras (Babyloniaca) e menciona casamentos diplomáticos entre as famílias reais dos medos e babilônios. Como é o caso de Ctésias, o problema com suas análises é a cronologia inconsistente com outros documentos históricos, o que os torna menos confiáveis.

A história sobre os medos, relatada por Heródoto, deixaram uma imagem de um povo poderoso, que teria formado um império no início do século VII a.C. que durou até 550 a.C., desempenhando um papel decisivo na queda do Império Neoassírio e competindo com as poderosas potências do oeste, Lídia e Babilônia. No entanto, uma recente reavaliação das fontes contemporâneas mudou a percepção que os pesquisadores têm do “reino medo”. Esse estado permanece difícil de ser percebido na documentação, o que deixa muitas dúvidas sobre o assunto, alguns especialistas até sugerem que nunca houve um poderoso Império Medo. De qualquer forma, parece que após a conquista do país por Ciro, o Grande, a Média se tornou uma província importante e valorizada pelos impérios que a dominaram sucessivamente (aquemênidas, selêucidas, partas e sassânidas).

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Medos

Os medos eram um povo iraniano que começaram a se estabelecer no noroeste do atual Irã nos últimos séculos do II milênio a.C., logo após o final da Idade do Bronze, ou muito mais tarde, por volta do início do I milênio a.C.[23] Eles entraram em contato com as civilizações da planície, Assíria, Babilônia e Elam, aperfeiçoando suas armas e desenvolvendo sua civilização.[24]

Os medos vieram da Ásia Central, provavelmente ao mesmo tempo que os seus parentes, os persas. Quando eles aparecem na documentação assíria do século IX a.C., provavelmente, já estavam na região por um longo tempo.[23]

Expansão assíria nos Zagros[editar | editar código-fonte]

Império Neoassírio

As primeiras referências que temos aos medos são as fontes assírias, onde eles são mencionados pela primeira vez nos anais do rei Salmanaser III (r. 859–824 a.C.), que em 835 a.C., lidera uma campanha na região ocidental dos Zagros e então submete 36 “reis” medos, que possivelmente eram líderes tribais. Os medos parecem ter se constituído em numerosos pequenos reinos sob chefes tribais, e os jactanciosos relatos dos imperadores assírios referem-se às suas vitórias sobre certos chefes de cidade da distante terra dos medos.[25][26] Embora os assírios conseguissem subjugar vários chefes medos, eles nunca conseguiram dominar todo território medo.[13]

Em 815 a.C., Samsiadade V (r. 824–811 a.C.) marchou contra Saguebita, a "cidade real" do chefe medo Hanasiruca, e a conquistou. Segundo a inscrição assíria, 2.300 medos foram mortos e Saguebita, assim como 1.200 assentamentos localizados em suas proximidades, foram destruídos. Essa campanha foi de grande importância, pois a partir de então a Assíria impunha tributo regular às tribos medas em cavalos, gado e produtos artesanais. Agora os assírios transferiram a direção principal de seus ataques para a Média.[6] É muito provável, que nessa época, o tributo foi imposto somente às tribos medas que habitavam os Zagros, e não àquelas mais a leste ou ao norte, em cujos territórios os assírios ainda não penetraram.[27] Os assírios não conseguiram garantir os resultados das campanhas travadas contra os medos por Adadenirari III (r. 810–781 a.C.) e, posteriormente, uma longa crise política começou a se desenvolver na Assíria. Mais tarde, durante o reinado de Tiglate-Pileser III (r. 745–728 a.C.), a Assíria começou a organizar províncias em países conquistados, o que garantiu uma fonte regular de renda e também serviu de base para a conquista de territórios vizinhos. A leste de seu país, os assírios criaram mais duas províncias, onde foram instalados governadores e guarnições assírias. Em 737 a.C., Tiglate-Pileser invadiu a Média, e desta vez os assírios alcançaram as partes mais remotas do país e exigiram tributo dos "governantes da cidade" dos medos, até o deserto de sal e o monte Bikni. Em um relato dessa campanha, Tiglate-Pileser menciona "as províncias dos poderosos medos" e também afirma que ele deportou 6.500 pessoas do noroeste do Irã para a Síria e a Fenícia.[6]

Assim, no final do século VIII a.C., os primeiros grandes sindicatos e estados baseados em confederações tribais começaram a surgir no oeste do território iraniano, chefiado por chefes locais. Os medos ainda não estavam unidos, mas tinham muitos governantes. O rei Sargão II (r. 722–705 a.C.), que conquistou os babilônios, juntou as fronteiras das províncias assírias no leste com a Média, uma conquista que Tiglate-Pileser não foi capaz de realizar. Em 716 a.C., ele construiu os centros das novas províncias assírias, acrescentando-lhes alguns outros territórios da Média Ocidental, incluindo Saguebita. Em 713 a.C., ele alcançou os limites distantes da Média nas montanhas Bikni. Durante essa campanha, ele recebeu tributo de quarenta e cinco chefes de cidade. Sargão II realizou outra expedição à Média em 708 a.C., mas foi incapaz de realizar seu objetivo de conquistar todas as terras medas e estabelecer um controle estável sobre elas. Posteriormente, Sargão e seu sucessor Senaqueribe (r. 705–681 a.C.) entraram em guerra com os babilônios. Além disso, as tribos do planalto iraniano que se opunham à predominância assíria consolidaram seus esforços contra ela. Manai, um país situado ao noroeste da Média, que havia sido um aliado leal da Assíria desde o final do século IX a.C., em 670 a.C. tornou-se aliado dos medos. Ao mesmo tempo, a penetração de cimérios e citas do norte representava uma séria ameaça à Assíria.[6] Esse novo equilíbrio de poder no leste fez com que o rei assírio Assaradão (r. 681–669 a.C.) empreendesse várias expedições ao território iraniano. Numa das suas inscrições, Assaradão fala de:

“ um distrito na borda do deserto de sal, que jaz na terra dos distantes medos, na beirada do monte Bikni, o monte de lápis-lazúli, [...] poderosos chefes que não se haviam submetido ao meu jugo, — eles mesmos, junto com seu povo, seus cavalos de montaria, seus bois, suas ovelhas, seus jumentos e seus camelos (bactrianos). — enorme despojo, eu levei para a Assíria [...] Meu tributo e meu imposto reais eu lhes impus, anualmente. ”[28]

Em comparação com as realizações de Sargão, os resultados da campanha de Assaradão foram bastante insignificantes.

De fato, é provável que os assírios tenham sido responsáveis pela unificação das tribos medas. Os repetitivos ataques assírios forçaram os vários habitantes dos Zagros e do país a cooperar e desenvolver uma liderança mais eficaz. Os assírios também apreciavam produtos do leste, como lápis-lazúli, e a rota leste-oeste através da Média se tornava cada vez mais importante. Os chefes tribais ao longo da estrada poderiam obter lucros substanciais se estivessem dispostos a abandonar seu modo de vida nômade e se instalar em residências mais permanentes. O comércio pode explicar a ascensão de Ecbátana como a cidade central da Média e pode ter sido o gatilho que iniciou o processo de unificação.[13]

Estabelecimento do Império[editar | editar código-fonte]

Território original dos povos medos, antes de sua expansão

As condições exatas da fundação do reino medo permanecem inacessíveis no estado atual da documentação disponível sobre esse assunto. De acordo com Ctésias, o fundador do império foi Arbaces, um dos generais de Sardanápalo, rei da Assíria. Ele teria liderado uma rebelião contra Sardanápalo em aliança com os persas, babilônios e árabes, e após sua vitória, Arbaces teria se tornado o primeiro rei da Média e governaria por 28 anos. Mas isso não é confirmado por todas as outras fontes históricas, e com toda a probabilidade foi uma história inventada pelo próprio Ctésias.[29] Segundo Heródoto, o primeiro governante e unificador dos medos foi Déjoces, um líder tribal, que consegue astuciosamente ser proclamado rei de seu povo e funda um grande reino organizado no final do século VIII a.C., tendo Ecbátana, supostamente fundada por ele, como capital. Déjoces teria planejado habilmente um plano inteligente para estabelecer um governo autocrático sobre os medos, que naquela época viviam em aldeias autônomas separadas, ou melhor, em distritos. Em um período de grande injustiça em todo o país, ele não poupou esforços para fazer cumprir a justiça em sua própria aldeia; sua reputação de juiz imparcial foi se espalhando gradualmente pela região e muitos medos de aldeias vizinhas se apresentavam a ele para que suas causas fossem solucionadas. Finalmente, Déjoces afirmou que seu papel era muito problemático e se recusou a continuar administrando a justiça. A injustiça, o banditismo, a desordem e a ilegalidade reinaram então, pior do que antes, de modo que os medos se reuniram e finalmente resolveram eleger um rei para governá-los; elegeram Déjoces. Ainda de acordo com Heródoto, Déjoces ordenou que um palácio fosse construído, em torno da qual a capital foi erguida, Ecbátana. Ele estabeleceu um protocolo rigoroso de reclusão e deferência, bem como uma rede nacional de espiões, administrou a justiça e teria governado por 53 anos sobre as seis tribos medas unidas: os búsios, paretacênios, estrucatas, arizantes, búdios e magos.[30][31] No entanto, nada disso é indicado em fontes textuais da época, nem em achados arqueológicos. Déjoces tem sido associado com um “rei” iraniano chamado Daiukku, que é mencionado nas fontes textuais neoassírias como um dos cativos deportados para Assíria por Sargão II em 715 a.C.; no entanto essa associação é altamente improvável e sem dúvida não se trata do mesmo rei mencionado por Heródoto, pois os fatos mencionados estariam localizados ao redor do lago Úrmia e não no território medo.[32] A julgar pelas fontes contemporâneas, nenhum reino medo unificado como Heródoto descreve existia no início do século VII a.C.; na melhor das hipóteses, o que ele está relatando é obviamente uma lenda meda sobre a fundação de seu reino.[33][34] Esse reino certamente não havia sido formado até 671 a.C., quando o rei assírio Assaradão reduziu os medos mais distantes, encontrando-os ainda sob o governo de vários chefes insignificantes.[27] Tudo indica que o poderoso estado medo unificado só surgiu bem mais tarde, durante o reinado de Ciaxares.[35]

Alguns estudiosos modernos supõe que o rei medo no qual esse relato de Heródoto está centrado era na verdade o filho de Déjoces, Fraortes, e, portanto, é possível que ele seja o verdadeiro unificador de todas as tribos medas em um único estado.[36]

Ascensão[editar | editar código-fonte]

Limites aproximados da Média na primeira metade do século VII a.C

Em meados do século VII a.C., a Média era um reino importante, competindo com Elam, Urartu, Manai e Assíria. Urartu, assim como a Assíria, representava uma séria ameaça para a Média e na primeira metade do século VII a.C. continuou sua atividade militar no leste, penetrando em território iraniano. Por volta de 640 a.C., no entanto, todas as fortalezas na parte oriental de Urartu foram destruídas e abandonadas. Isso poderia ser resultado apenas da expansão meda, pois naquela época não existia nenhum outro poder na região que fosse capaz de destruir Urartu. Provavelmente, os medos não apenas atacaram a parte oriental do país, mas também penetraram no interior de Urartu, que assim deixou de existir como um estado independente.[37] Após a queda de Urartu, os medos começaram a conquistar a Pérsia. Mas, de acordo com Heródoto, que aparentemente não sabia nada sobre Urartu e Elam, a Pérsia foi a primeira nação a ser conquistada pelos medos.[38] Acredita-se que a conquista da Pérsia tenha acontecido apenas algum tempo depois de 641 a.C., quando Ciro I, governante persa de Ansã, se tornou um tributário assírio após uma vitória decisiva dos assírios sobre Elam. Heródoto atribui os resultados da conquista da Pérsia ao filho de Déjoces, Fraortes (r. 678–625 a.C.).[6] Textos assírios dessa época mencionam um certo Castariti como líder de uma rebelião contra a Assíria em 672 a.C., durante o reinado de Assaradão. Entre os três chefes medos que lideraram a revolta, Castariti desempenhou o papel principal e começou gradualmente a unir as tribos medas. A revolta foi aparentemente bem-sucedida e os medos alcançaram a independência, embora seu estado ainda não incluísse todas as províncias e tribos medas, mas algumas áreas no oeste do Irã ainda estavam sob o domínio assírio. Não se sabe até que ponto se estendiam as fronteiras da Média durante esse tempo, especialmente no leste e sul. Em um resumo de suas realizações compiladas no final de sua vida, Assaradão não menciona mais nenhuma conquista no Irã, o que também demonstra que a revolta meda foi bem-sucedida. Mais tarde, Manai, temendo a ascensão da Média, retomou sua aliança com a Assíria e permaneceu leal a ela até a queda desta.[6] É possível que Fraortes seja esse Castariti, embora a sugestão não possa ser provada.[39][40] Que um rei medo nesse período exerceu controle político e militar sobre os persas é inteiramente razoável, embora não possa ser provado.[33][41] Hoje não se sabe se houve ameaças nas fronteiras orientais da Média, uma vez que os medos não deixaram documentos escritos, enquanto os assírios não pareciam interessados no que estava acontecendo a leste da Média. O que preocupava tanto os medos quanto os assírios era a ameaça do norte, representada pelos cimérios (provavelmente um dos povos iranianos). No início do século VII a.C. eles atacavam as fronteiras assírias, eles também atacavam a Média. Mas por causa de seus laços familiares com os medos, eles decidiram formar uma aliança contra a Assíria. Pouco tempo depois, ocorreu um ataque a Assíria, mas o poderoso rei assírio, identificado com Assaradão, conseguiu repelir a invasão. Mas nos combates, o próprio Fraortes/Castariti teria morrido, e logo depois os medos seriam confrontados com a invasão de outra tribo poderosa - os citas.[41][42][43][44]

Interregno cita[editar | editar código-fonte]

Nos tempos antigos, as extensas áreas ao norte do Mar Negro e do Cáspio eram habitadas pelos citas. Etnicamente, esse povo parece ter sido conectado com muitos povos meridionais, como os partas e os ibéricos.[27] A partir do século IX a.C., e o crescente impacto no final do século VIII a.C. e início do século VII a.C., grupos de guerreiros nômades entraram no oeste do Irã, provavelmente do outro lado do Cáucaso. Entre os grupos dominantes estavam os citas, e sua entrada nos assuntos do planalto ocidental durante o século VII a.C. talvez possa marcar um dos pontos de virada mais importantes na história da Idade do Ferro. Heródoto fala com alguns detalhes de um período de domínio cita, o chamado interregno cita na dinastia meda. A datação desse evento permanece incerta, mas tradicionalmente é vista como ocorrendo entre os reinados de Fraortes e Ciaxares e abrangendo os anos de 653 a 625 a.C. Se esse interregno realmente ocorreu e, se acorreu, se não deve ser datado depois disso, são questões em aberto.[33]

A fraqueza política da Média após a morte de Fraortes e a ausência de um exército bem estruturado causaram certa instabilidade. Heródoto relata que Ciaxares queria vingar a morte de seu pai, Fraortes, e levantou um grande exército para derrotar os assírios. É possível que os citas tenham se interessado na batalha dos medos.[45][46][47] Se eles entraram no sul da Ásia, eles passariam com muita facilidade, através da Geórgia para o Azerbijão, e do Azerbijão para a Média. Ao irem para o sul, os citas encontraram o exército de Ciaxares. Os dois inimigos não eram incompatíveis. Ambos eram guerreiros resistentes, ambos tinham cavalaria e o arco como sua principal arma. Os medos certamente eram mais disciplinados e tinham uma maior variedade de armas, mas os citas tinham a vantagem numérica, além de ousadia imprudente e táticas difíceis. Os citas, liderados por Mádies, obtiveram a vitória e, segundo Heródoto, o reinado dos citas na Ásia duraria 28 anos. É possível que Ciaxares tenha mantido o governo sob seu país, admitindo a suserania dos citas e concordando em pagar um tributo anual. O domínio cita foi marcado por brutalidade, injustiça e altos impostos.[27]

É muito improvável que os citas tenham dominado os medos por vinte oito anos, os citas eram nômades da Ucrânia moderna e, embora fossem guerreiros ferozes, eram incapazes de governar grandes territórios por um longo período. Isso não significa que a invasão cita não seja um fato histórico; Heródoto conta que eles chegaram a Ascalom, na Palestina, onde o faraó egípcio Psamético I (r. 664–610 a.C.) os subornou para voltar. Não há nada implausível nessa história, exceto pela duração da invasão cita.[48] Após um domínio cita de supostamente vinte oito anos sobre a Ásia, os medos liderados por Ciaxares se revoltaram e em 625 a.C. derrotaram os citas. Heródoto afirma que os citas foram derrotados quando seus reis foram induzidos em uma festa, por Ciaxares, para ficarem tão bêbedos que foram mortos facilmente.[46][49] Os sobreviventes fugiram para a Lídia, levando a tensões políticas entre os medos e lídios.[50] No entanto, é mais provável que, nessa época, os citas se retirassem voluntariamente do oeste do Irã e fossem saquear em outros lugares ou fossem simplesmente absorvidos por uma confederação em rápido desenvolvimento sob a hegemonia meda.[33] Quanto tempo durou a dominação cita ainda é uma questão de incerteza. Heródoto acreditava que desde a derrota de Ciaxares até o assassinato dos líderes citas foi um período de 28 anos. Pode ter se passado vinte e oito anos desde o ataque original à Média até a expulsão final dos citas da Ásia — provavelmente era isso que os informantes de Heródoto queriam dizer.[27] Embora a historicidade desse interregno cita seja duvidosa, os citas são mencionados nos anais de Assaradão, no mesmo período do suposto interregno.[51]

Queda do Império Assírio[editar | editar código-fonte]

Mapa do Império Neoassírio

As fontes assírias mantêm silêncio sobre os iranianos durante o reinado de Assurbanípal (r. 668–627 a.C.), o que pode ou não indicar que a Assíria estava menos preocupada com eles do que durante o reinado de Assaradão.[52] No entanto, tudo parece indicar que os assírios estão gradualmente perdendo o controle sobre as províncias estabelecidas nos Zagros, enquanto suas ofensivas militares prejudicaram várias entidades políticas na região, principalmente Manai e Ellipi. Isso poderia ter ajudado a deixar espaço para o desenvolvimento de um reino medo unificado, que nunca é mencionado nas fontes assírias, que não documentam essa região nos anos que seriam os da ascensão de Ciaxares.[53] Após a morte de Assurbanípal em 627 a.C., o Império Assírio entrou num período de instabilidade política e começou a se desfazer. Em 626 a.C., os babilônios se rebelaram contra a dominação assíria. Nabopolassar, governador das regiões do sul e líder da revolta, foi logo reconhecido como rei da Babilônia, e em 616 a.C. ele estava no controle total de todo o território babilônico; então ele marchou contra a Assíria.[6]

Ciaxares (r. 625–585 a.C.), filho de Fraortes, é uma figura totalmente histórica que aparece nas fontes cuneiformes como Uvakhshatra. Os anos de sua suposta ascensão no poder não são documentados pelas fontes assírias, que nunca deixaram nada além da imagem de um país politicamente fragmentado.[54] O historiador Heródoto fala de como ele reorganizou o exército medo em unidades por tipo de armamento, dividindo-o em lanceiros, arqueiros e cavalaria no lugar das antigas levas estruturados por princípios tribais.[47] Os eventos subsequentes da história meda são bem conhecidos a partir de fontes babilônicas, e seus vários episódios são descritos por Heródoto. Os medos unificados e reorganizados eram páreo para os assírios, a força político-militar mais poderosa da região. Liderados por seu rei Ciaxares, os medos também decidiram guerrear contra os assírios e em novembro de 615 a.C. atacaram uma das importantes cidades fronteiriças assírias, Arrapa (atual Quircuque) e anexaram o território de seu ex-aliado, Manai. Em 614 a.C., os medos apreenderam Tárbis, localizada ao longo do rio Tigre, ao norte de Nínive, a capital da Assíria. Eles também cercaram Nínive, mas não conseguiram capturá-la, e, em vez disso, tomaram com sucesso o centro religioso assírio, Assur.[6] O rei Nabopolassar foi com seu exército ao campo de batalha para ajudar os medos na conquista de Assur, porém, quando chegaram, a cidade já havia sido conquistada.[55][56] A partir deste momento Ciaxares e Nabopolassar uniram forças e atacaram o Império Assírio em duas frentes. O historiador Beroso menciona que essa aliança entre a Babilônia e a Média foi selada com o casamento da neta de Ciaxares, Amitis, com o filho de Nabopolassar, Nabucodonosor II. Mas é impossível que Amitis seja neta de Ciaxares, pois Astíages, o filho dele, era muito jovem; e com toda a probabilidade, Amitis era filha do próprio Ciaxares e portanto, irmã de Astíages.[48] Na primavera de 613 a.C., ocorreu uma revolta contra Nabopolassar em Suhu, uma região no Eufrates Médio, que mais tarde se espalhou pelo centro e sul da Babilônia. Ele estava prestes a perder seu poder para os assírios, mas foi salvo deste perigo pelos medos. Em 612 a.C. os medos e babilônios uniram forças novamente, e finalmente, após três meses de cerco, suas forças militares entraram em Nínive e a conquistaram.[6][33][57] O rei assírio Sinsariscum foi morto, mas parte do exército assírio conseguiu romper as linhas do cerco a Nínive e fugir para Harã, na Alta Mesopotâmia, onde, sob comando de Assurubalite II, continuaram a luta contra os babilônios. Nesse ínterim, os medos voltaram para casa com parte dos despojos, deixando os babilônios para terminar a guerra com os assírios. Os apelos assírios ao Egito por ajuda surtiram efeito m[6] O faraó Neco II invadiu a Palestina com um grande exército, avançando através da Síria até o Eufrates, para ajudar os assírios.[27] Então Nabopolassar parece ter pedido ajuda aos medos, que em novembro de 610 a.C. retornaram a Mesopotâmia em assistência aos babilônios e suas forças unidas derrotaram os assírios. Assurubalite morreu e os egípcios se retiraram para Carquemis, uma cidade no Alto Eufrates, que naquela época pertencia ao Egito. Em 605 a.C., os babilônios marcharam para Carquemis e a conquistaram, derrotando totalmente os assírios e egípcios. Não está claro se os medos também participaram dessa derrota final dos assírios, mas é provável que eles tenham auxiliado os babilônios. A questão, é claro, era como dividir o território assírio entre a Média e a Babilônia. As fontes cuneiformes são comparativamente silenciosas e há controvérsias sobre onde ficava a fronteira entre os dois países. Até recentemente, era uma opinião comum que, como resultado da queda da Assíria, os medos tomaram posse das terras assírias a leste do rio Tigre, bem como da região de Harã. Esta visão está sendo revisada e acredita-se que o núcleo assírio estava sob o domínio babilônico. Em qualquer caso, nenhum conflito direto entre a Média e a Babilônia pela fronteira foi registrado, mas as relações entre os dois países se deterioraram claramente desde a queda da Assíria.[6] Os medos também devem ter tomado posse das áreas montanhosas ao norte da Mesopotâmia e as províncias assírias na Ásia Menor.[33][55][58] Assim, dois impérios consideráveis surgiram ao mesmo tempo — o Império Babilônico em direção ao sul e sudoeste, estendeu-se do Golfo Pérsico às fronteiras do Egito, e o Império Medo ao norte, alcançando desde o deserto de sal até o Alto Eufrates.[27] De fato, a razão para a ascensão da Média sob Ciaxares e um colapso tão rápido da Assíria permanecem inexplicáveis devido à falta de fontes assírias desta época.[59]

Expansão[editar | editar código-fonte]

Um relevo que provavelmente representa Ciaxares, Quizcapã, Suleimânia, Curdistão iraquiano.[60]

O período de expansão do Império Medo não é mencionado nos registros assírios e, uma vez que não há registro dos próprios medos, sua história não pode ser restaurada por materiais históricos contemporâneos. Registros posteriores são as únicas fontes que relatam a expansão meda, mas deve-se ter em mente que esses relatos são baseados em tradições orais.[61]

Após a conquista da Assíria, Ciaxares continuou a expandir as fronteiras de seu império subjugando os países vizinhos do noroeste e leste. A julgar por evidências indiretas posteriores, ele teve sucesso na conquista das regiões ao sul e leste do Mar Cáspio, isto é, Hircânia e Pártia.[6] As batalhas bem-sucedidas travadas por Ciaxares devem ter o estimulado a tentar novas conquistas e possivelmente expandido suas fronteiras ainda mais ao leste. Os medos devem ter subjugado vários povos e suas fronteiras devem ter se estendido até a Ásia Central, entre os países submetidos estariam Ária,[62] Báctria,[63] Carmânia, Drangiana[64] e Aracósia. No entanto, não se sabe ao certo quando essa conquista ocorreu, mas é provável que tenha sido no final do século VII a.C. ou início do século VI a.C.[65][62]

Ciaxares avançou progressivamente para o noroeste, anexando a Armênia e a Capadócia. Os povos que estavam sob o jugo da Assíria foram libertados após sua queda, e certamente usariam a oportunidade para reestabelecer sua independência, caso não lhes fosse mostrado o mais rápido possível que um novo poder político de força similar havia ocupado o lugar dos assírios e estavam prontos para reivindicar sua herança. Em poucas palavras, Heródoto nos diz que Ciaxares subjugou toda a Ásia à leste do rio Hális. Não é possível determinar quanto território pode ser incluído nesta expressão, mas pelo menos parece sugerir que ele se envolveu numa sequência de batalhas com várias tribos e nações da região e conseguiu impor seu jugo sobre elas. A Armênia resistiu por séculos aos esforços assírios para trazê-la aos seus domínios, porém, após um período de declínio, o país se tornou dependente da Assíria.[27] No final do século VII a.C., o país foi conquistado pelos medos. A ideia da conquista da Armênia pelos medos remonta às notícias de Heródoto sobre o avanço dos medos para o rio Hális. Se os medos não avançaram tanto para o oeste, consequentemente, não haveria conquista da Armênia. Por um lado, Heródoto é infundado em sua afirmação sobre o avanço dos medos até o rio Hális, porque ele não o relata em detalhes. Mas, por outro lado, R. Rollinger acha difícil afirmar que a fronteira até o Hális era uma ficção, sendo que, a batalha entre Ciro e Creso ocorreu do outro lado do Hális.[59] A Capadócia estava mais distante das fronteiras assírias e ainda não tinha colidido com nenhuma das grandes potências asiáticas. No início do século VII a.C., os cimérios invadiram o Cáucaso e a Anatólia. Enquanto os cimérios se estabeleciam nas planícies da Capadócia, emergia na Anatólia um reino em rápido desenvolvimento, a Lídia, com capital em Sardes. Os governantes lídios repeliram a invasão ciméria e iniciaram uma ofensiva para o leste, aproximando-se gradualmente da Capadócia. Os medos tornavam-se cada vez mais poderosos e após anexar a Armênia entraram na Ásia Menor, subjugando a Capadócia.[66]

Outras tribos que viviam nesta região eram os ibenanos, colcas, macrões, moscos, marres, mossínecos e tibarenos. A afirmação de Heródoto, de que os medos avançaram até o Hális, parece implicar que todas essas tribos, com exceção dos colcas, foram subjugadas por Ciaxares, que assim estendeu seu império ao Cáucaso e ao Mar Negro até o rio Hális (atual Quizil-Irmaque). Pode ser que a subjugação desses territórios não tenha sido uma conquista, e sim, uma submissão espontânea dos habitantes ao país que aparentava ser suficientemente forte para libertá-los da opressiva dominação dos citas, que provavelmente ainda estavam na Ásia Ocidental. Segundo o geógrafo Estrabão, a Armênia e a Capadócia foram as regiões mais severamente devastadas pelos citas. Tanto os armênios quanto os capadócios devem ter achado a dominação cita tão insuportável que a trocaram alegremente para a dependência de uma nação igualmente civilizada.[27] Uma causa semelhante exerceu uma influência unificadora na Ásia Menor, a necessidade de unir forças contra os invasores cimérios fez com que as tribos que habitavam a oeste do rio Hális se estabelecessem sobre a supremacia dos lídios. Evidentemente, é provável que opressiva dominação cita tenha disposto os povos da margem oriental do rio a adotar o mesmo remédio, pois os medos já haviam demonstrado sua força, primeiramente expulsando os citas de seu país e posteriormente derrotando os assírios.[67][27] De fato, a expansão meda para o oeste permanece em debate, na ausência de evidências concretas.[68]

Outra causa bem distinta também pode ter facilitado a conquista dos medos. Durante a migração meda, ocorreu um influxo ariano nos países situados entre o Cáspio e o Hális. Durante o florescente período da Assíria, as tribos turanianas eram predominantes na Armênia e na Capadócia. Entre meados e o final do século VII a.C., essas tribos parecem ter cedido a supremacia aos arianos. Essa difusão dos arianos nos países da região deve ter contribuído muito para facilitar a supremacia meda nessas regiões. As tribos arianas teriam sentido pouca repugnância em entregar sua independência nas mãos de um povo próximo. Assim, em seu avanço para o norte e noroeste, é provável que Ciaxares fez guerra principalmente contra os citas e as tribos turanianas, enquanto os arianos o recebeu como um campeão que livrou-los da terrível opressão. Colocando-se sob seu jugo, os arianos provavelmente ajudaram Ciaxares a expulsar da Ásia as hordas de bárbaros e quando a expulsão foi completada eles continuaram na posição de súditos que haviam assumido.[27]

Conflitos com a Lídia[editar | editar código-fonte]

Lídia (em amarelo) no mapa

O avanço de sua fronteira ocidental até o rio Hális, colocou os medos em contato com um novo poder político — a Lídia, que se tornara um dos países mais ricos e poderosos da época, e era o poder político dominante na Ásia Menor. Os lídios desejavam dominar toda a Anatólia e não estavam dispostos a dividi-la com os medos. Heródoto observa que havia duas razões para a guerra entre medos e lídios. A primeira foi que ambos os lados queriam possuir as terras da Anatólia, e a segunda foi a vingança. Vários generais citas que haviam saído para caçar retornaram sem sucesso da caça, e Ciaxares os insultou. Em reposta ao insulto, os citas mataram um dos filhos do rei e o serviu em um banquete aos medos, e fugiram para a Lídia. Ciaxares enviou uma embaixada à corte de Sardes para exigir a extradição dos fugitivos, mas o monarca lídio, Alíates da Lídia, recusou-se a atender seu pedido e, como resultado, o rei medo marchou contra a Lídia, levando a uma guerra que durou por cinco anos, de 590 a 585 a.C.

A Lídia, em comparação com o Império Medo, era apenas um estado pequeno, mas seus recursos não eram inferiores. Assim, mesmo sozinha, a Lídia não era um inimigo desprezível; mas é pouco provável que ela teria sido páreo para a Média sem a ajuda de aliados. Nos cinco anos de guerra que se sucederam, tanto os lídios quanto os medos obtiveram várias vitórias. Mas no quinto ano de guerra, aconteceu que no meio do conflito, o dia de repente se transformou em noite por causa de um eclipse solar. Convencidos de que a ira dos deuses caíra sobre eles, as duas nações agora estavam dispostas a concluir um tratado de paz, mediado por Labineto da Babilônia (possivelmente Nabucodonosor II) e Sienésis I da Cilícia, fazendo os dois países aceitarem o rio Hális como sua fronteira. Como as datas dos eclipses podem ser determinadas astronomicamente, a Batalha do Hális deve ter ocorrido em 28 de maio de 585 a.C., representando um dos mais antigos eventos históricos bem definidos. Sob mediação dos babilônios e cilícios, a paz foi estabelecida, e o rio Hális foi fixado como a fronteira entre os dois reinos, sendo assim, todo o território da Anatólia a leste o rio Hális pertencia aos medos. O acordo foi selado com o casamento diplomático entre Astíages, filho de Ciaxares, e Arienis, filha de Alíates, fortalecendo assim sua aliança.[24][69] Assim, um novo equilíbrio de poder foi estabelecido no Oriente Médio entre medos, lídios, babilônios e, muito mais ao sul, egípcios. Ciaxares controlava vastos territórios; toda a Anatólia a leste do rio Hális, todo os oeste do Irã a leste, talvez até a área da moderna Teerã e todo o sudoeste do Irã, incluindo Fars. Se é apropriado chamar essas propriedades de reino, é discutível.[33] Ciaxares morreu em 585 a.C., após um reinado que durou quarenta anos, deixando o trono para seu filho Astíages, que pode ter estabelecido o controle medo sobre Elam.[6]

Período de prosperidade[editar | editar código-fonte]

Mapa do Império Medo em sua extensão máxima

Astíages (r. 585–550 a.C.) se casou com Arienis, filha de Alíates, rei da Lídia, como parte do acordo de paz entre medos e lídios. Deste modo, Astíages se tornou cunhado do futuro rei Creso. Enquanto sua irmã, Amitis, estava casada com o rei da Babilônia, Nabucodonosor II. Através desses casamentos diplomáticos, Astíages se torna parente dos reis dos estados mais ricos e poderosos do Oriente Médio, permitindo ao Império Medo um longo período de paz e prosperidade. Nessa época, o zoroastrismo floresceu em todo o Império Medo, na Lídia surgem cientistas e escritores famosos como Sólon, Esopo e Thales. Nabucodonosor II transforma a Babilônia em uma metrópole que o mundo nunca tinha visto antes. A filha de Astíages, Mandane, se casa com o vassalo governante persa Cambises I, com quem teve um filho, Ciro, o Grande. É possível caracterizar o reinado de Astíages, que prestou grande atenção ao progresso do país, fortalecendo a situação econômica e social nos primeiros anos de seu governo, como um período de desenvolvimento de vários campos da cultura meda.

Aparentemente, o longo reinado de Astíages foi relativamente imperturbado. Algumas razões levam a acreditar, que sob Astíages, os medos conseguiram estender rapidamente os limites de seu império para alguma direção. Na fronteira nordeste vivia os cadúsios, uma poderosa tribo de origem ariana, que mantinha sua independência. Nessa época, eles eram governados por um certo rei, ou chefe, que se chamava Afernes ou Onafernes. Parece que o governante cadusiano temia perder sua posição e por isso se rendeu aos medos, sem qualquer luta hostil. De acordo com Moisés de Corene, Astíages travou uma longa batalha com um rei armênio chamado Tigranes. Embora pouco crédito possa ser dado a essa alegação, é possível que ela tenha algum fundamento verídico. Pode ter ocorrido uma rebelião na Armênia liderada por Tigranes durante o reinado de Astíages, mas a pouca autoridade de Moisés não é suficiente para atribuir veracidade a seu relato, que é internamente incompatível com a narrativa de Heródoto.[27]

Revolta Persa[editar | editar código-fonte]

Os impérios do Oriente Médio por volta de 600 a.C.
  Império Lídio
  Império Medo
  Império Neobabilônico
  Império Egípcio

A Pérsia era um reino vassalo do Império Medo desde o final do século VII a.C., quando os medos, em aliança com a Babilônia, conquistaram o Império Neoassírio e tomaram seus territórios vassalos. Durante o domínio medo, havia dois reinos persas, Ansã e Parsumas, que estavam fortemente ligados em termos políticos e de parentesco.[70] Em 559 a.C., Cambises I morreu em sua capital e seu filho Ciro, o Grande assume o trono do reino de Ansã. Ciro uniu os dois reinos persas e, portanto, é considerado o primeiro rei persa. No início do reinado de Ciro, a Pérsia ainda possuía um status vassalo sob o domínio do poderoso Império Medo, governado por Astíages.[71] Além de vassalo de Astíages, os historiadores gregos fazem de Ciro seu neto. Esses dois aspectos são questionados pelos estudiosos modernos, por causa das incertezas sobre a natureza do reino medo e sua extensão oriental.[72] Em 553 a.C., os persas se revoltaram contra o domínio medo, sob a liderança do rei Ciro, o Grande. De acordo com Nicolau de Damasco, a rebelião foi iniciada por Cambises I, enquanto Ciro estava com seu avô na corte real em Ecbátana. Astíages recusou repetidamente vários pedidos de seu neto para visitar seus pais na Pérsia e, finalmente, a pedido de um de seus súditos, deixou-o ir. Na noite seguinte, Astíages se divertia numa festa, mas ficou muito perturbado ao ouvir uma canção que dizia “fera do sul indo para a guerra”. Arrependendo-se de deixar o príncipe persa partir, Astíages chamou um oficial à sua presença e ordenou-lhe que levasse 300 cavaleiros com a tarefa de trazer Ciro à corte, vivo ou morto. Os cavaleiros alcançaram Ciro e lhe entregaram a ordem do rei para que ele retorne a Ecbátana, com a qual ele aparentemente concorda. Ciro os convidou para festejar e disse que retornaria com eles no dia seguinte. Após os cavaleiros ficarem embriagados, Ciro foge para a cidade de Hirba, onde era esperado por Oebar com 5.000 soldados da infantaria persa enviada por Cambises I. Na Batalha de Hirba o exército persa liderado por Ciro derrotou a cavalaria meda, enquanto outros sobreviventes correram para informar Astíages sobre o evento. A Batalha de Hirba foi o primeiro grande golpe para os medos, e sua primeira derrota militar em muito tempo.[73][74] Esta batalha levou o rei Astíages a lançar uma grande campanha militar contra os persas. Ao mesmo tempo, Ciro tentava persuadir as satrapias do norte para se rebelar ou se aliar com a Pérsia.[75][27]

Após a Batalha de Hirba, Ciro retirou-se para a fronteira com a Média, enquanto Astíages decidiu atacar a Pérsia com mais de 1.205.000 soldados. Porém, deste grande número de tropas, apenas uma pequena parte participou das batalhas, enquanto os persas utilizaram todas as forças disponíveis. Astíages tentou persuadir Ciro a se render. Na batalha da fronteira persa, Astíages liderou 20.000 de seus guarda-costas, enquanto o exército persa ficou na frente dele com Cambises I na ala direita, Oebar na esquerda e Ciro no meio. Os persas estavam numericamente mais fracos e recuaram para uma cidade próxima. Na manhã seguinte, todos os persas partiram para a ofensiva, enquanto Cambises guardava as muralhas da cidade junto com os anciãos. Mas enquanto Ciro e Oebar lutavam no campo, Astíages fez com que 100.000 soldados desse a volta e atacassem o exército persa por trás, o que forçou os persas a se retirarem. Cambises foi gravemente ferido e morreu, e Astíages o enterrou com dignidade.[76][27]

Após a batalha, Ciro e Oebar recuaram para as montanhas perto de Pasárgada, onde bloquearam todos os estreitos desfiladeiros que conduziam à Pérsia. Astíages decidiu encontrar uma passagem pelas montanhas e, assim, cercar os persas, mas isso era muito difícil, pois a montanha era alta, os penhascos íngremes e as passagens bloqueadas por grandes paredes de pedra. 100.000 soldados medos escalaram a montanha íngreme para surpreender Ciro e os civis persas. Os medos cercaram a colina, depois que atacaram as passagens bloqueadas por persas fortemente armados. No entanto, a configuração do terreno impossibilitou o surgimento da vantagem numérica dos medos. No cerco da colina de Pasárgada 10.000 soldados (Imortais Persas) liderados por Ciro e Oebar, defenderam-se com sucesso contra os medos, que tinham um exército dez vezes maior.[77]

Queda do Império[editar | editar código-fonte]

Relevo mostrando Ciro, o Grande, fundador do Império Aquemênida

Segundo Heródoto, o general meda Hárpago organizou uma conspiração contra Astíages e durante a Batalha de Pasárgada ele desertou com grande parte das tropas para o lado de Ciro. Então o próprio Astíages comandou o exército na batalha, mas os medos foram derrotados e seu rei foi feito prisioneiro. Esta afirmação de Heródoto é apoiada em esboço pela Crônica de Nabonido, que afirma que, no sexto ano do reinado de Nabonido, Astíages convocou suas tropas e marchou contra Ciro. Em seguida, acrescenta que as tropas de Astíages se revoltaram, o fizeram prisioneiro e o entregaram a Ciro.[78] É possível que a causa mais profunda da rebelião do exército medo tenha sido a insatisfação com a política de Astíages. No século VI a.C., as tribos iranianas se tornaram cada vez mais estabelecidas, e seus chefes não eram mais como os primeiros chefes tribais, mas começaram a se comportar como reis. Quando Astíages começou a punir alguns desses chefes tribais, a revolta foi inevitável.[79] A captura de Astíages marcou o fim da dinastia meda. Evidentemente, Astíages não tinha um filho homem para sucedê-lo e dá continuidade a luta. De qualquer forma, a captura do soberano possivelmente causaria a submissão imediata de seu povo. No Antigo Oriente, o rei era tão associado ao seu reino que a posse deste era considerada como uma transição do poder ao possuidor.[27]

De acordo com a Crônica de Nabonido, após a captura de Astíages, Ciro marchou para Ecbátana e levou os objetos de valor da cidade para Ansã.[78] Parece que Ciro não precisou sitiar Ecbátana, pois todo o estado medo, juntamente com seus países súditos, imediatamente se submeteram aos persas, ao saber do ocorrido. De fato, a Média não recebeu auxílio dos países com que havia feito alianças tão estreitas — Lídia e Babilônia. A Lídia era um país muito distante do cenário do conflito, de modo que não pode dar uma ajuda eficiente, enquanto certos ocorridos na Babilônia tornaram esse país hostil aos medos. Se Nabucodonosor II estivesse no trono, certamente teria vindo em assistência ao seu cunhado, Astíages. No entanto, Nabucodonosor morreu em 562 a.C. Seu filho, Evil-Merodaque, provavelmente manteria as alianças de seu pai, mas ele foi assassinado em 560 a.C. por Neriglissar, que assumiu o trono babilônico e reinou até 556 a.C. Naturalmente, este não teria boas relações com os medos e é possível que ele teria muito prazer em ver a ruína do grande Império Medo.[27] Após sua morte, Neriglissar foi sucedido por seu filho, Labasi-Marduque, que reinou apenas alguns meses antes de ser assassinado em um golpe palaciano. Seu sucessor, Nabonido, evidentemente também não manteve boas relações com os medos.[carece de fontes?]

Assumir o controle do Império Medo vagamente organizado também implicava assumir o controle de vários países súditos: Armênia, Capadócia, Pártia, Drangiana e talvez Ária. É possível que a ascensão persa e o fim do Império Medo tenham causas econômicas mais profundas. Parece que em meados do século VI a.C., os qanats foram escavados na Pérsia, o que deu a esta parte do Irã uma vantagem competitiva em relação à Média. No entanto, é possível que esse desenvolvimento seja posterior à vitória de Ciro sobre os medos.[13] De acordo com Heródoto, o pai de Ciro, Cambises I, foi casado com Mandane, filha de Astíages. Isso explicaria por que os medos aceitaram o reinado de Ciro. Os casamentos intertribais eram comuns, mas também é possível que a história do casamento de Cambises com Mandane tenha sido inventada para justificar o governo de Ciro sobre os medos.[80] Segundo o historiador Ctésias, Astíages tinha uma filha chamada Amitis, que era casada com Espitamas, um nobre meda, que assim se tornou o suposto sucessor de seu sogro. Após subjugar os medos e matar Espitamas, Ciro teria se casado com Amitis para obter legitimidade. Embora a autenticidade do relato de Ctésias seja questionável, é muito provável que Ciro tenha se casado com uma filha do rei medo.[81] Ciro foi generoso com Astíages, ele o deixou viver e o tornou seu conselheiro pessoal.

Ecbátana, por causa de sua grande importância estratégica no controle da Ásia Central, tornou-se uma das capitais do recém-estabelecido Império Aquemênida.[6] A derrota de Astíages não foi o fim da guerra, entretanto, porque seu cunhado Creso, rei da Lídia, iniciou um confronto contra Ciro na esperança de vingar a derrota de seu cunhado e expandir as fronteiras da Lídia para o leste. Essa batalha terminou numa derrota catastrófica para os lídios, que em 547 a.C., viram seu país ser conquistado pelos persas. Oito anos depois, Ciro conquistou a Babilônia, pondo fim aos três estados mais poderosos de todo o Oriente Próximo: Média, Lídia e Babilônia, em apenas uma década.

A vitória persa sob os medos constituiu um passo em direção à glória para Ciro, que então seguiu uma série de vitórias e funda o poderoso Império Aquemênida, um império ainda maior, pois ele subjugou as grandes potências aliadas dos medos. É certo dizer que a evolução da sociedade tribal para um estado primitivo, que começou na Média, terminou na Pérsia.[13]

História posterior[editar | editar código-fonte]

Domínio aquemênida[editar | editar código-fonte]

Baixo-relevo aquemênida do século V a.C. que mostra um soldado medo atrás de um soldado persa.

Parece que Ciro não aboliu o reino medo. O que ocorreu foi uma transição do poder real de uma dinastia para outra. De qualquer forma, Ciro e seus sucessores aquemênidas adotaram os títulos oficiais dos reis medos e seu sistema de administração estatal. No Império Aquemênida, a Média manteve sua posição privilegiada, ocupando o segundo lugar, depois da própria Pérsia. A Média era uma província grande, e sua capital, Ecbátana, se tornou uma das capitais aquemênidas e a residência de verão dos reis persas.[6] O domínio persa na Média foi abalado por uma grande revolta no início do reinado de Dario, o Grande. Ele toma o poder após assassinar o usurpador Gaumata. Esse evento foi seguido por uma série de rebeliões que ocorreram na Babilônia e Elam. Quando Dario suprimiu essas rebeliões e ficou na Babilônia, um certo Fraortes (ou Castariti) fez sua tentativa de conquistar o poder e restaurar a independência meda. Ele afirmou ser descendente de Ciaxares e assumiu o trono com o nome de Khshathrita; ele conseguiu apreender Ecbátana, a capital da Média, em 522 a.C. Mais ou menos ao mesmo tempo, houve uma nova rebelião em Elam e houve rebeliões em províncias adjacentes, como Armênia, Assíria e Pártia.[5]

Os persas não conseguiram suprimir a revolta meda imediatamente. Na Inscrição de Beistum, Dario afirma que seu general Hidarnes obteve uma vitória em Marush em 12 de janeiro de 521 a.C., mas isso serviu apenas para evitar que Fraortes invadisse a Pérsia e não prejudicou seriamente sua posição na Média. Outro fator a favor de Fraortes era que o exército de Dario era composto de tropas medas. Eles haviam lutado pelo rei persa na Babilônia, mas provavelmente não atacariam sua terra natal. No entanto, Fraortes não conseguiu explorar a situação, porque na Pártia, que lhe era leal, uma guarnição persa ainda resistia. Em 8 de março de 521 a.C., os partas e seus aliados, os hircanianos, atacaram a guarnição persa, mas foram derrotados. Enquanto esta guarnição persa pudesse atacar sua retaguarda, Fraortes não poderia atacar Dario, que foi capaz de formar um novo exército. Na primavera, o líder persa invadiu a Média pelo oeste e, em 8 de maio de 521 a.C., derrotou Fraortes em um lugar chamado Cunduru (provavelmente atual Bisotun).[82] A vitória persa foi completa, e enquanto Dario saqueava Ecbátana, Fraortes fugiu para Rages (atual Teerã), onde foi capturado. Posteriormente, o rei rebelde foi torturado e crucificado em Ecbátana. A vitória persa teria sido particularmente difícil se confiarmos nos números dados pelas inscrições de Dario, entre 40.000 e 50.000 pessoas mortas no conflito, números aparentemente excessivos, mas poderiam revelar um conflito amargo. Após sua vitória, Dario poderia enviar tropas para a Armênia e para a Pártia, onde seus generais conseguiram derrotar os rebeldes restantes.

Um sagárcio chamado Tritantecmes, que também afirmava ser descendente de Ciaxares, deu continuidade a rebelião, mas também foi derrotado durante a campanha do general meda à serviço persa, Taquemaspada.[83] A supressão desta última rebelião encerra as histórias de eventos que se relacionam pelo menos em parte ao antigo Império Medo. Após a conquista e a pacificação desta revolta, a Média continua sendo uma província do Império Aquemênida, uma satrapia, do qual Ecbátana continua sendo o centro. Nos primeiros anos após o golpe de Dario, o general persa Hidarnes foi sátrapa da Média. Depois disso, o país mais ou menos desaparece dos registros históricos. Os arquivos cuneiformes da Babilônia são menos informativos após 484 a.C.; não há arquivos assírios; os comprimidos de fortificação de Persépolis não vão além de 493 a.C.; a história de Heródoto termina em 479 a.C.; outros autores gregos (como Xenofonte) ignoraram a Média; e de todos os reis aquemênidas, apenas Dario deixou uma inscrição histórica onde os medos são mencionados.[5] Durante as poucas escavações arqueológicas em Ecbátana, foram feitas várias descobertas desse período, incluindo várias inscrições que atestam a atividade dos reis persas em Ecbátana. Assim, é garantido que Artaxerxes II erigiu um palácio nesta cidade, mas provavelmente já existia outro antes.[84]

Conquista de Alexandre, o Grande[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Média (satrapia)

Política e Administração[editar | editar código-fonte]

Gerenciamento administrativo[editar | editar código-fonte]

Atualmente, não temos informações diretas sobre sua estrutura política. Acredita-se que a estrutura administrativa do estado medo mais tarde tenha se tornado uma forma mais desenvolvida no sistema administrativo do Império Aquemênida. Aparentemente, alguns elementos do sistema administrativo medo foram substituídos pelo modelo assírio de governo, sob cujos auspícios os medos está há muitos anos.[85] O modelo assírio de governo também continuou a funcionar nas províncias medas após a queda do Império Assírio e foram gradualmente vistos pelos medos como suas próprias instituições tradicionais.[6]

O Império Medo dominava vários reinos e os reis vassalos desses reinos eram denominados sátrapas (“protetores do reino”), mas esse título existia mesmo antes do surgimento do estado medo para a designação de chefes independentes, de modo que a tese não pode ser confirmada com certeza.[86][6][85] Nicolau de Damasco afirma que o Império Medo era, assim como o Império Aquemênida, dividido em várias satrapias. Jona Lendering supõe que o Império Medo incluísse as satrapias da Pérsia, Armênia, Capadócia, Pártia e talvez Ária,[13] mas enfatiza que essa é uma forma primitiva de satrapia, posteriormente aperfeiçoada pelos governantes persas. Os reis medos enviaram inspetores chamados de “olhos do rei” para controlar e supervisionar seus sátrapas, que fundaram dinastias locais e podiam agir de forma bastante independente.[87] George Rawlinson acredita que, assim como o Império Assírio, o império dos medos era um aglomerado de reinos, cada um governado por um rei nativo. Os medos apenas reivindicaram suserania direta sobre as nações imediatamente após sua fronteiras; nações mais distantes eram colocadas sob o domínio das nações próximas, e era esperado que estes últimos coletassem e remetesse o imposto das nações remotas. Rawlinson, assim como Jona Lendering, acredita que o Império Medo era vagamente organizado e que sua falta de organização foi o que levou a sua queda.[27] O historiador János Harmatta defende outra opinião e, com base em evidências linguísticas, afirma que os medos tinham um sistema burocrático altamente desenvolvido, que posteriormente foi adotada também pelos aquemênidas.[6] Suspeita-se também que a autoridade sobre os vários povos, iranianos e não-iranianos, fosse exercida na forma de uma confederação, como está implícito no antigo título real iraniano, “rei dos reis”.[33] Heródoto menciona que o fundador do estado medo, Déjoces, estabeleceu uma rede judicial em todo o país e organizou unidades de espionagem que controlavam todas as partes do país.[88] Heródoto menciona seis tribos medas,[88] das quais apenas a Arizante tem uma etimologia iraniana óbvia, mas quase não temos informações sobre essas tribos.

Segundo a geografia armênia, a Média era dividida em onze distritos, mas em geral os geógrafos modernos preferem a divisão evidente e reconhecem nas partes constituintes do país apenas Média Atropatene (atual Azerbaijão) e Média Magna, uma divisão que quase corresponde as províncias iranianas de Iraque Ajemj e Ardelan. É provável que essa divisão fosse antiga, Atropatene sendo o território original dos medos, e Média Magna um território conquistado posteriormente; mas devido a obscuridade da história do país ainda é incerto se essa divisão existia no período do império. Atropatene era um distrito localizado no extremo norte da Média, estando logo ao sul do Mar Cáspio e compreendendo toda a bacia do Lago Úrmia.[27]

Corte real[editar | editar código-fonte]

Relevo em pedra de um homem medo

As únicas fontes de dados disponíveis sobre a corte meda são os escritos dos historiadores gregos. Em sua descrição encantadora da juventude de Ciro, o Grande, o historiador Heródoto sugere que a corte meda tinha vários cortesãos, sendo um deles o “olho do rei”. Esta é a primeira vez que este oficial, mais conhecido no Império Aquemênida, é mencionado. É possível que os persas tenham copiado o ofício dos medos. Os “olhos do rei”, às vezes chamado de “olhos e ouvidos do rei”, foram designados pelo soberano para informá-lo sobre o que estava acontecendo no império. Eles supervisionavam o pagamento dos tributos, supervisionavam possíveis planos de conspiração e relatavam males ao rei. Dentro de suas regiões bem definidas, eles tinham mais poderes do que os sátrapas. Mesmo quando o monarca não estava presente, as pessoas sabiam que ele seria informado de suas ações.[89]

Quando Ciro, o Grande subjugou o Império Medo, ele provavelmente continuou os mesmos métodos e organização da corte meda, incluindo a formação de costumes cerimoniais e diplomáticos. No entanto, não há informações claras a esse respeito. Entre as várias posições na corte dos medos estavam o mordomo real, guardas, servos, mensageiros, porteiros e varredores.

De acordo com os relatos de Heródoto, assim que assumiu o trono, Déjoces ordenou que uma cidade-fortaleza fosse construída para ser sua capital; toda a autoridade governamental estava centralizada nesta cidade, Ecbátana.[90] Para a sua corte ele criou um cerimonial judicial regulamentado, para que as pessoas o considerassem como “o mais alto ser humano” aos olhos de todos, inclusive os que estavam cientes de sua vida passada.[91] Em seu palácio, o monarca se mantinha isolado e só podia ser visto por quem o solicitasse e obtivesse audiência. Ele estava cercado por guarda-costas para sua segurança pessoal e raramente deixava seu palácio, contentando-se com os relatórios do estado de seu império que eram transmitidos a ele de vez em quando por seus oficiais. Como regulamentado, ninguém poderia entrar no aparato real e os medos tinham que enviar seus pedidos ao rei através de mensageiros; todos os negócios eram tratados por meio de mensagens.[92] Ninguém poderia rir ou cuspir diante da presença real, bem como na presença de qualquer outra pessoa, pois tal ato era considerado indigno e vergonhoso.[91] Estabelecidas essas regras e consolidada a autoridade real, Déjoces pôs-se a fazer justiça com toda severidade. Os processos lhe eram enviados por escrito; ele os julgava e os devolvia com a sentença. Com referência ao resto, quando alguém havia proferido uma injúria, o rei mandava prendê-lo e aplicava-lhe uma pena proporcional ao delito. Para isso tinha observadores e ouvintes, os chamados "olhos e ouvidos do rei", em todo canto do reino vigiando as ações dos súditos reais.[80] Do mesmo modo como outros governantes orientais, o monarca medo tinha várias esposas e concubinas; e era comumente praticada a poligamia entre as classes mais ricas e proeminentes. As principais características da corte meda não parecem ter diferido muito da corte assíria.

Os magos, segundo Heródoto, era uma casta sacerdotal muito influente na corte dos medos. Considerados como pessoas honradas, tanto pelo rei, quanto pelo povo, eles atuavam como intérpretes de sonhos, feiticeiros e conselheiros sobre diversos assuntos, inclusive os assuntos da política imperial. Obviamente, o cerimonial religioso estava sob sua responsabilidade; e provavelmente altos cargos de estado foram concedidos a eles. Os magos eram os únicos que tinham uma verdadeira influência sobre o monarca.[27]

A principal diversão da corte, da qual o rei raramente participava, era a caça, que frequentemente ocorria em uma floresta nas proximidades da capital. Às vezes o rei e seus cortesões saíam em uma grande caça em campo aberto, onde poderiam se encontrar leões, leopardos, ursos, javalis, jumentos selvagens, antílopes, gazelas, asnos selvagens e veados. Como de costume, esses animais eram perseguidos a cavalo e miravam-se neles com arco ou dardo. Enquanto o soberano ficava admirando o esporte de seus cortesãos, mas não participando ativamente da caça. Caçadas como essas são mostradas nas esculturas dos partas, que alguns séculos mais tarde dominaram essa mesma região.[27]

O monarca meda tinha o título de “rei dos reis”, o que, no entanto, não refletia reivindicações universais, mas o fato de que ele era originalmente “o primeiro entre iguais" — isto é, todos os outros reis eram vassalos do rei dos medos. É provável que Ciro tivesse adotado os títulos dos governantes medos, como “grande rei”, “rei dos reis” e “rei das terras”, e modelado sua corte segundo a dos medos.[93]

Exército[editar | editar código-fonte]

Soldado medo.

O exército medo desempenhou um papel importante na história do país, uma vez que os medos viviam em território relativamente desprotegido, o que os colocava em constante conflito com nações vizinhas, como assírios, citas, lídios e mais tarde persas. O tradicional exército medo era baseado na cavalaria, uma característica não apenas de outros povos iranianos, mas também de muitas outras tribos da Ásia Central. Os cavalos foram usados por séculos no país, eles são mencionados em textos assírios e nas histórias de Heródoto,[94] e um exército de cavalaria era necessário para controlar seu vasto império, que se estendia por milhares de quilômetros. Como a distância do ponto mais oriental ao ponto mais ocidental do império era aproximadamente igual à estrada real do período persa posterior, estima-se que tal viagem a pé levaria três meses completos.[95]

Os medos começaram a desenvolver a mineração e, assim, o processamento de metais, razão pela qual há um avanço tecnológico significativo no exército medo.[96] O grande reformador militar do exército medo foi Ciaxares, já que ele foi o primeiro governante a dividir o exército em unidades especiais; soldados de infantaria, lanceiros, arqueiros e cavaleiros. Porque os gêneros mistos anteriores levaram a confusão do exército no campo de batalha.[97] As principais características do exército medo eram mobilidade e alta capacidade de manobra, o que fazia com que os soldados tivessem pouca ou nenhuma armadura. Esse defeito se mostrou fatal ao combater a infantaria fortemente blindada de Ciro (Imortais Persas) na Batalha de Pasárgada. Sendo que o Império Medo era do tipo continental, a marinha meda provavelmente não existia.

O exército medo teve uma grande influência na formação do exército persa, como evidenciado pelas obras de Heródoto e pelos relevos de Persépolis, bem como pelo fato de que muitos generais e almirantes medos, como Hárpago, Mazares e Dátis, serviram no exército persa. Todos eles serviram aos reis persas, Ciro e Dario I, que governaram o primeiro meio século após a queda do Império Medo, portanto, pode-se supor que durante esse período o exército, a estratégia e o estilo de guerra medo não mudaram significativamente. Heródoto menciona isso durante as guerras greco-persas os soldados medos não diferiram significativamente dos persas.[98] Isso também é evidenciado pelos relevos de Persépolis que mostram soldados medos e persas. Acredita-se que os soldados medos tenham tido uma grande reputação no exército persa.

Cidades[editar | editar código-fonte]

A cidade mais importante do império era a capital, Ecbátana — conhecida pelos medos e persas como Hagmatan. De acordo com Políbio e Diodoro, esta cidade estava situada no sopé do Monte Orontes (atual Monte Elwend), a leste dos Zagros. Diodoro atribui a capital meda uma circunferência de duzentos e cinquenta estádios, uma área equivalente a quase cinquenta milhas quadradas, mais do que o dobro da de Londres. É improvável que a capital meda tenha sido em seu auge uma cidade maior que Nínive, a capital do Império Neoassírio. Também é incerto se a cidade foi em algum momento cercada por muralhas. Políbio afirma que em seus dias Ecbátana era uma cidade sem muralhas e existem evidências para suspeitar que sempre esteve nessa condição. Como consequência, a cidade jamais teria resistido a um cerco. Quando os medos foram derrotados no campo de batalha, Ecbátana (ao contrário de Nínive e Babilônia) se submeteu aos persas sem qualquer luta hostil. É possível que a principal cidade no norte do país, que em tempos posteriores tinha o nome de Ganzaca, também se chamava Ecbátana e às vezes era confundida pelos gregos com a capital ao sul. Outra cidade muito importante era Rages, nas proximidades do Mar Cáspio, nos limites orientais do país. A posição que ocupa nos livros de Tobias e Judite indica sua importância na época do império. A cidade era o centro religioso do país e estava localizada em um distrito homônimo, que compreendia a estreita faixa de território fértil entre o Elburz e o deserto.

Outras cidades medas, cuja localização pode ser determinada com grande probabilidade, estavam na parte ocidental da Média, na região de Zagros. Bagistão, Adrapan, Cancobar e Aspadana são algumas delas. Segundo Isidoro, Bagistão é uma “cidade situada em uma colina, onde havia um pilar e uma estátua de Semíramis”. A descrição de Isidoro e Diodoro identificam o lugar com a atual Beistum. Entre Bagistão e Ecbátana está situada a cidade de Adrapan. Segundo Isidoro, nesta cidade havia um palácio, que fora destruído por um rei armênio. É provável que Adrapan seja a atual vila de Arteman, localizada ao sul do Monte Elwend e bem adaptada para uma residência real. Durante o rigoroso inverno a capital e as regiões circunvizinhas ficam cobertas de neve, mas em Adrapan encontrar-se um clima quente e ensolarado; e no verão o lugar fica bem irrigado por vários riachos, permitindo que bosques cresçam abundantemente. Naturalmente este lugar seria escolhido para construir um palácio, aonde a corte real poderia se estabelecer, evitando assim o calor intenso do verão ou o frio e a poeira do inverno que tornam enfadonha a residência em Ecbátana.[27] A cidade de Aspadana (moderna Isfahan), localizada no território da tribo meda dos paratacênios, é mencionada somente por Ptolemeu. É duvidoso se tal cidade existia na época do império. Se existisse, era, na melhor das hipóteses, uma cidade periférica sem grande importância no extremo sul do país, onde fazia fronteira com a Pérsia.

Concluir-se que as cidades medas eram poucas, pois os medos preferiam espalhar-se em aldeias por seu vasto e variado território. A proteção das muralhas, que era necessária para os habitantes das terras baixas, não era necessária para um povo cujo país era repleto de fortalezas naturais. Com exceção de Ecbátana, Ganzaca e Rages, as cidades medas eram sem grande importância. Mesmo essas cidades eram provavelmente de tamanhos moderados e tinham pouco esplendor arquitetônico, diferentemente das cidades mesopotâmicas. Os principais edifícios das cidades eram feitos com um material perecível, inadequado para suportar a destruição do tempo; consequentemente, desapareceram completamente e, em todo o país, os trabalhos arqueológicas fracassaram em trazer à luz um único vestígio que pudesse ser atribuído com certeza a época do império.[27]

Economia[editar | editar código-fonte]

A criação de cavalos foi um dos principais ramos da economia da Média

Os medos, assim como outras tribos iranianas que se estabeleceram no planalto iraniano, viviam um estilo de vida pastoral. Sua principal atividade econômica era a criação de animais, como cavalos, gado, ovelhas e cabras domésticas. Eles eram conhecidos como os melhores criadores de cavalos de seu tempo, seus cavalos eram conhecidos na Mesopotâmia. Eles também eram especializados em metalurgia, especialmente no processamento de ferro.[96]

O rico material arqueológico de Tepe Nus-i Jã, Godin Tepe e outros locais antigos, bem como relevos assírios, demonstram que na primeira metade do primeiro milênio antes de Cristo existiram assentamentos do tipo urbano em várias regiões da Média, que eram centros de produção de artesanato e de uma economia agrícola e pecuária sedentária. A julgar pelas fontes assírias, as ocupações econômicas básicas da população meda eram a criação de cavalos e a produção de artesanato. Dos distritos medos, os assírios receberam tributo a cavalos, gado, ovelhas nativas, camelos bactrianos, lápis-lazúli, bronze, ouro, prata e outros metais, além de tecidos de linho e lã.[6] Esses dados fornecem informações sobre os primeiros setores da economia meda. A evidência arqueológica mostra que os medos possuíam hábeis trabalhadores em bronze e ouro. Eles também haviam aprendido a trabalhar, além do ouro e do bronze, com cobre e elétron. As inscrições assírias nos contam expedições dos assírios contra os medos, nas quais um grande contingente de medos, especialmente em ofícios de artesanato, foi reduzido à escravidão e colocado a serviço do estado assírio. Os textos cuneiformes que relatam as incursões assírias na Média, apresentam tal quadro e mostram que a excelente raça de cavalos criada pelos medos era um dos principais prêmios procurados pelos invasores. Rebanhos e manadas de ovelhas, cabras, jumentos, mulas e vacas também pastavam nos bons pastos dos altos vales. Em relevos assírios, os medos são às vezes representados usando o que parece serem capas de pele de ovelhas sobre as túnicas, e com botas altas com cordões, equipamento para o trabalho pastoril nos planaltos, onde os invernos traziam neves e frio intenso.[25]

Imediatamente após a invasão meda no oeste do Grande Irã, eles testemunharam uma economia próspera baseada no comércio de estranho, cobre e minério de ferro. Esse ramo do comércio era controlado pela Babilônia e Assíria, uma vez que o domínio desse mercado era essencial para o sucesso e a riqueza militar. Por estas razões, os assírios guerreavam várias vezes com os medos na tentativa de conquistar as tribos e estados do oeste do Irã.[6][85][96][99]

Depois de conquistar a Assíria e expandir seus domínios para o oeste, os medos também assumiram o controle das rotas comerciais, ganhando assim uma enorme riqueza. O comércio estava passando por um período de grande desenvolvimento e a maioria dos produtos eram metais locais, produtos da Ásia Central, roupas e várias ferramentas. A nobreza do império era extremamente rica, mas os habitantes locais geralmente não se beneficiavam do fato de que a maior parte do comércio era administrada por assírios, babilônios e vários comerciantes das cidades sírias.[96] A economia local foi baseada amplamente nas indústrias tradicionais, como agricultura e pecuária. No entanto, a agricultura era possível apenas nas partes leste e oeste deste imenso planalto. A parte central foi apresentada como um deserto, quase desprovido de vegetação, onde a agricultura estava restrita a poucos oásis. As partes oeste e leste estavam ligadas à costa sul do Mar Cáspio por uma estreita faixa de solo fértil, toda coberta de florestas e quase inacessível.[25] Embora o caráter geral do país seja a esterilidade natural, algumas regiões são mais favorecidas, como o Zagros e o Azerbaijão, onde o solo é quase todo cultivável e, se arado e semeado, produzirá uma excelente safra de grãos. O norte do país é por vezes árido, mas frequentemente é coberto por uma densa floresta, proporcionando assim a madeira de excelente qualidade.[27] A fertilidade das terras do império era muito desigual. Partes da Média, da Pérsia, da Armênia, Ibéria e Capadócia eram ricas e produtivas; mas em todos esses países havia muitas montanhas áridas, e na Média Magna e na Pérsia havia porções de deserto. Se estimarmos os recursos da Média a partir dos dados fornecidos por Heródoto em seu relato da receita persa, e os compararmos com os do Império Assírio, conforme indicado pelo mesmo documento, encontraremos motivos para concluir que, exceto durante alguns anos em que o Egito era uma província assíria, os recursos da Média ultrapassavam os da Assíria.[27] A criação de cavalos acima mencionada certamente teve um papel importante na economia local, no comércio e nas forças armadas, uma vez que os medos eram conhecidos por sua cavalaria. Dependendo dos diferentes ambientes, certos assentamentos em todo o império desenvolveram alguns costumes locais, como pesca, artesanato e cerâmica. Em poucas palavras, a economia meda pode ser descrita como orientada para o comércio exterior, com seus vizinhos ocidentais, com predominância de metais, enquanto a produção doméstica era principalmente agrícola.[96] A economia das aldeias se baseava em culturas como cevada, pão de trigo, ervilhas, lentilhas e uvas. As montanhas generosamente arborizadas proporcionavam uma extensa gama de caça, mas a criação de animais continuava nobre; a amostra de ossos domésticos em Nus-i Jã inclui nove espécies, sendo as mais comuns ovelhas, cabras, porcos e gado.[100]

O país é rico em metais, tais como ferro, cobre e aço. Além disso, é rico em produtos minerais, como o quartzo, bem abundante no Curdistão. Entre todos os produtos minerais, nenhum é mais abundante do que o sal. Ao lado do deserto, na foz do rio Aji Su, perto de Tabriz, existem extensas planícies que fornecem o sal em grande abundância. No país há inúmeras nascentes e riachos salinos, de onde o sal é obtido por evaporação. A Média também fornece outros produtos importantes, como o salitre, enxofre, nafta e gesso.[27]

O Império Medo provavelmente foi dividido em satrapias governadas por governantes provinciais, supõe-se que os povos subjugados como armênios, partas, arianos, drangianos e persas pagassem o imposto prescrito.[80] Sendo que não havia dinheiro naquela época, era mais provável que fosse coletado em animais e metais, mas as unidades de massa ou volume padronizadas são desconhecidas. A importância do tráfego da Média está principalmente relacionada ao controle de grande parte da estrada leste-oeste que era conhecida na Idade Média como Rota da Seda. Essa estrada ligava os mundos oriental e ocidental, e conectava a Média com a Babilônia, Assíria, Armênia e o Mediterrâneo no oeste, e com a Pártia, Ária, Báctria, Sogdiana e China no leste. Outra estrada importante conectava Ecbátana com as capitais da Pérsia, Persépolis e Pasárgada.[13] Além de controlar o comércio leste-oeste, a Média também era rica em produtos agrícolas. Os vales dos Zagros são férteis, e a Média era bem conhecida por suas leguminosas, plantas, ovelhas e cabras. O país poderia alimentar uma grande população e foi assim que muitas novas cidades foram fundadas, como Rages e Gabas.[13][24]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Vida Social[editar | editar código-fonte]

Representação artística de um casal nobre da Média

A vida social dos medos e de outros povos iranianos era baseada na ordem tribal. A família era baseada na autoridade patriarcal e a poligamia era permitida.[24] Muitos historiadores e arqueólogos apontam para possíveis evidências de que, antes da chegada das tribos iranianas, havia uma ordem social matriarcal; essa é realmente uma ideia plausível, especialmente ao observar o sistema agrícola centrado na terra da população nativa. No entanto, sabemos que quando o Império Medo foi fundado, a sociedade era patriarcal. O desenvolvimento da sociedade meda foi influenciado por mudanças demográficas, ou seja, o aumento da população iraniana às custas das comunidades locais que anteriormente moravam lá.

A sociedade iraniana era composta de várias tribos, intimamente ligadas por ancestralidade, cultura e história comuns, razão pela qual existiam confederações tribais. As mais notáveis entre elas foram os medos, persas e partas. Não é possível determinar com segurança quando as tribos iranianas se dividiram em medos, persas, partas e provavelmente proto-sogdianos. Supõe-se que essas divisões surgiram após sua migração para o Grande Irã, ou que elas existiam antes. Essas diferenças são evidentes em seus idiomas e dialetos, e também são o resultado de diferenças geográficas nos territórios em que residem.[99]

Cada uma dessas tribos foi dividida em classes, e a mesma ordem existia globalmente no contexto de suas confederações tribais. As classes que podem ser identificadas hoje foram a classe sacerdotal, soldado, governante, agrícola e cortesã. A mobilidade social dessas classes não é conhecida, mas acredita-se que era bastante sólido, embora não seja tão severo quanto o sistema de castas indiano.

Os medos são retratados nos relevos de Persépolis. Esses relevos datam de 515 a.C., ou seja, apenas trinta e cinco anos após a queda do Império Medo, o que indica que essas representações podem ser relevantes no contexto da representação da aparência e das vestes medas. Os relevos representando os medos aparecem em três lugares, mostrando guardas, nobres e suas delegações. A razão para sua frequente representação reside no fato de que os medos tinham um status privilegiado no Império Aquemênida. O primeiro relevo mostra quatro medos e lanceiros persas. Nesse relevo, os medos usam casacos curtos, calças e gorros redondos, sob os quais parecem com cabelos crespos.[101] Um segundo relevo mostra uma delegação meda em Persépolis. A partir dessas e outras evidências, pode-se afirmar que os medos eram da mesma raça que os europeus, tinham pele branca, nariz reto, rosto oval, cabelos lisos e barba espessa. Eles se vestiam com peles justas para se protegerem dos ventos fortes e frios da montanha. Quanto às armas, tinham arco, escudo e lança, e lutavam acima de cavalos. Algumas tribos não tinham casas e moravam em tendas. A maior parte da nação vivia em aldeias no meio de campos e pomares, sendo agricultores e pecuaristas.[24] Até o presente momento não foram encontradas representações das mulheres medas em esculturas, mas de acordo com Xenofonte elas eram notáveis por sua estatura e beleza. As mesmas qualidades eram observáveis nas mulheres persas, conforme é dito por Plutarco e outros.[27]

De todas as confederações tribais iranianas, os medos são os únicos com uma tribo sacerdotal. Os Magos, que eram adoradores do fogo e guardiões das tradições antigas, eram uma força importante na sociedade meda, junto com a nobreza. O Avestá afirma que os Magos tinham vastas terras desde os tempos antigos. Sem dúvida, os Magos, que usaram grande riqueza e se tornaram uma força forte e organizada, com uma grande reputação entre o povo, influenciaram as políticas externa e doméstica dos governantes.

Religião[editar | editar código-fonte]

Faravahar, um símbolo do zoroastrismo

As informações sobre a religião dos medos são muito escassas. Entre 1967 e 1977, David Stronach escavou um edifício que havia sido construído por volta de 750 a.C. e parece ter caráter principalmente religioso. Esse edifício está localizada em Tepe Nus-i Jã, cerca de 60 km ao sul de Hamadã. O edifício foi erguido sobre uma rocha com cerca de 30 metros de altura e inclui um “Santuário Central”, “Santuário Ocidental ”, “Fortaleza” e “Salão Colunado”, que eram cercados por uma parede de suporte circular de tijolos. O Santuário Central tinha uma forma de torre com um altar interno triangular. Seu espaço é de 11×7 metros e as paredes têm oito metros de altura. Perto do canto oeste do altar, foi descoberto um altar de fogo escalonado, construído com tijolos de barro. Como se sabe, o culto ao fogo era um legado indo-iraniano comum.[6]

O restante de nossas informações sobre a religião meda baseia-se principalmente nas Histórias de Heródoto, que até o momento, é a única fonte escrita sobre a religião meda. No entanto, seu relato não é conhecido por ser um indicador confiável da realidade. De acordo com o que ele relata os medos têm uma casta sacerdotal, os Magos, que seriam uma das seis tribos deste povo.[102] Eles tinham o direito ou privilégio de servir como sacerdotes não apenas para os medos, mas também para os persas. Assim, eles constituíam uma casta sacerdotal que passava suas funções de pai para filho. A religião que eles promoveram poderia ser algum tipo de pré-zoroastrismo ou o próprio zoroastrismo. Este é um tópico controverso sobre o qual os estudiosos ainda não concordaram. Além disso, na corte do rei Astíages, os magos atuavam como conselheiros, feiticeiros, intérpretes de sonhos e adivinhos. Assim, aparentemente, os Magos tiveram um papel significativo na corte dos últimos reis medos. Os nomes pessoais dos indivíduos medos também são uma fonte de informação a respeito da religião meda. Os textos assírios dos séculos IX e VIII a.C. contém exemplos nos quais o primeiro elemento é familiar tanto do antigo persa quanto do avéstico: a palavra indo-iraniana arta- (lit. verdade) ou nomes teofóricos com Masdacu (Maždakku) e até o nome do deus Aúra-Masda. Os autores clássicos consideravam por unanimidade os Magos como sacerdotes zoroastrianos. O orientalista Igor Diakonoff supôs que Astíages e talvez até Ciaxares já haviam adotado uma religião derivada dos ensinamentos de Zoroastro (embora certamente não seja idênticos à sua doutrina). A maioria dos estudiosos, no entanto, não compartilha dessa opinião. Mary Boyce chegou a argumentar que a existência dos Magos na Média com suas próprias tradições e formas de culto era um obstáculo para o proselitismo zoroastriano ali. Com toda a probabilidade, desde o século VIII a.C., prevaleceu na Média um tipo de Masdaísmo com tradições indo-iranianas comuns, para o qual características específicas do zoroastrismo eram estranhas, enquanto a religião reformada por Zoroastro começou a se espalhar no oeste do Irã apenas na primeira metade do século VI a.C., sob os últimos reis medos.[6][103] Também é sugerido que os medos podem ter praticado o mitraísmo e tiveram Mitra como sua divindade suprema.[104][105]

O zoroastrismo se espalhou na região na primeira metade do século VI a.C., e os princípios e visões de mundo dessa religião se tornariam um elemento definidor dos medos e, mais tarde, da cultura persa e iraniana em geral. Supõe-se que também houve sincretismo com outras religiões e mitologias, especialmente a mesopotâmica. No zoroastrismo o bem é representado pelo deus Aúra-Masda, que é representado pelo fogo, como um símbolo de pureza e poder. O mal é uma força natural separada de Aúra-Masda e oposta a ele e a seu trabalho, e existe apenas no plano espiritual, ao contrário da existência espiritual e física daquela criada por Aúra-Masda. Um ataque do mal, ou de um demônio Arimã acontece entre esses dois pontos finais da linha do tempo. O zoroastrismo persiste até hoje, portanto sua história é relativamente bem preservada, apesar do fato de que, nos tempos antigos os zoroastristas não construíam templos, mas apenas altares, e é por isso que não existe um rico patrimônio arqueológico.

Idioma[editar | editar código-fonte]

O linear elamita pode ter sido escrito na língua meda.

Os medos falavam a língua meda, cuja origem e as características ainda são debatidas. No entanto, é claro que se trata de uma língua iraniana antiga, próxima do persa antigo, talvez ancestral do curdo.[106] Em sua Geografia, Estrabão menciona a afinidade da língua meda com outras línguas iranianas, afirmando que os povos iranianos falavam praticamente a mesma língua, mas com pequenas variações.[107]

Nenhum documento datado do período meda foi preservado, e não se sabe com qual escrita os textos produzidos por este povo eram feitos. Até agora apenas uma placa de bronze que data do período pré-aquemênida foi encontrada no território medo, um registro de uma escrita cuneiforme em acadiano que data do século VIII a.C., mas não menciona nenhum nome medo. Alguns estudiosos modernos sugeriram que o linear elamita (ainda não decifrado) pode ter sido escrito na língua meda, assumindo que Kutik-Insushinak poderia ter sido o nome iraniano original do rei Ciaxares, em vez do rei elamita muito anterior.[108]

Existem exemplos de literatura meda encontrados em registros posteriores. Segundo Heródoto, o rei Déjoces, quando ainda era um simples juiz, julgou as causas apresentadas por escrito.[80] Há também um relatório de Dinon sobre a existência de “poetas medos da corte”.[109] Os relatos dos historiadores gregos sugerem que os reis medos costumavam transmitir suas ordens aos subordinados por escrito. A Bíblia Sagrada também sugere isso, pois menciona que Dario, o Medo assinou um decreto, que fora apresentado a ele por escrito. Também é mencionado que na corte persa existia um “livro das crônicas dos reis da Média e da Pérsia”, que certamente foi uma obra iniciada pelos reis medos e continuada pelos soberanos aquemênidas. De acordo com Ctésias e Nicolau de Damasco, o material comumente utilizado para escrever era o pergaminho. Nisto os reis escreveram suas ordens e os memoriais que cada monarca teve o cuidado de compor, relatando os principais eventos de seu reinado.[27] A literatura meda é uma parte da “literatura iraniana antiga”, pois essa afiliação iraniana deles é explícita também em textos antigos, como o relato de Heródoto.[105] Sugere-se que, semelhante à prática iraniana posterior de preservar arquivos escritos, também havia a manutenção de arquivos pelo governo medo em sua capital, Ecbátana.

Palavras de origem meda aparecem em vários outros dialetos iranianos, incluindo o persa antigo. Uma característica das inscrições do persa antigo é o grande número de palavras e nomes de outras línguas, e a língua meda leva a esse respeito um lugar especial por razões históricas. As palavras medas nos textos persas antigos, cuja origem meda pode ser estabelecida por critérios fonéticos, aparecem com mais frequência entre os títulos reais e entre os termos da chancelaria, assuntos militares e judiciais.[110][105] Na ausência de textos encontrados nesta língua e com apenas algumas palavras atribuídas à língua meda, sua gramática não pode ser reconstruída.[106]

Arte[editar | editar código-fonte]

Embarcações de ouro encontradas em Ecbátana, capital da Média, são consideradas os melhores exemplos de arte meda.
Cerâmica cinza desenterrada em Jeiran Tepe. II milênio a.C., Museu Nacional do Irã.
Ritão de ouro encontrado em Ecbátana

Atualmente, existem poucos restos de arte no território medo, e a arte meda ainda é uma questão de especulação. Alguns historiadores como Bruno Genit negaram a existência do mesmo, enquanto Oscar Muscarella observa que “não se sabe que existam exemplos de arte meda e nenhum artefato arqueológico daquele período foi encontrado”.[111][112] Ainda, outros pesquisadores presumem que os sítios arqueológicos como Tepe Nus-i Jã e Godin Tepe, datados dos séculos VIII e VII a.C., ou seja, do período medo, são exemplos de se considerar a existência da arte meda.[113]

Apesar dos escassos sítios arqueológicos do período medo, suas cidades foram descritas por historiadores gregos, como Heródoto e Políbio;[114] e as contribuições artísticas dos mestres medos também são mencionadas nos registros reais persas. Heródoto faz uma descrição do palácio de Déjoces em Ecbátana, que, segundo ele, era um complexo arquitetônico construído em uma colina e cercado por sete círculos de paredes, de modo que as ameias de cada parede superavam as da parede seguinte fora dele. O próprio palácio e os tesouros reais estavam dentro do círculo mais interno. As ameias desses círculos foram pintadas com sete cores diferentes, o que atesta que os medos desenvolveram um rico policromado; e os dois círculos internos foram cobertos com prata e ouro, respectivamente.[90] Dados que a mineração e processamento de metais têm sido destaque no comércio com os povos vizinhos, os medos eram ferreiros qualificados. Isso é evidenciado pelo fato de que a maioria dos ornamentos de ouro e prata que datam dos últimos anos do período aquemênida foram encontrados nas proximidades de Ecbátana, antiga capital do Império Medo, que também desempenhou um papel importante como cidade do Império Aquemênida. Os relevos de Persépolis mostram como a delegação meda levou vasos como presentes para o imperador persa, o que implica que a cerâmica também foi desenvolvida no período meda. Os ornamentos acima mencionados, no entanto, representam principalmente formas animalescas características da arte iraniana do período.[115] Os registros reais em Persépolis mencionam que os ourives medos adornavam as muralhas da cidade e as paredes do palácio real de Dario na capital imperial, Susã.[116]

Reis da Média[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Dinastia meda
Governante Período Nota
*Heródoto *George Cameron *Edwin A. Grantovskii *I. M. Diakonoff
Déjoces 700-647 a.C. 728-675 a.C. 672-640 a.C. 700-678 Filho de Fraortes
Fraortes 647-625 a.C. 675-653 a.C. 640-620 a.C. 678-625 Filho de Déjoces
Mádies X 653-625 a.C. 635-615 a.C. X Governante interino cita
Ciaxares 625-585 a.C. 625-585 a.C. 620-584 a.C. 625-585 Filho de Fraortes
Astíages 585-550 a.C. 585-550 a.C. 584-550 a.C. 585-550 a.C. Filho de Ciaxares
*Todas as estimativas cronológicas da Enciclopédia Iranica (Média - Dinastia Meda)

Geografia[editar | editar código-fonte]

Extensão[editar | editar código-fonte]

Median Empire-pt.svg

Inicialmente a Média abrangia apenas territórios menores a sudoeste do Mar Cáspio, mas na época do maior governante da Média, Ciaxares, o reino foi estendido para a maior parte asiática do Oriente Médio. Antes da criação do estado medo não havia nenhuma fronteira estabelecida, até então o termo Média se referia ao território cercado por outras nações, os persas no sudeste, os partas no leste, os elamitas no sul, os assírios no oeste e urartianos no norte. No tempo do rei Ciaxares, todas as nações acima mencionadas foram subjugadas, e o Império Medo agora se estendia da Ásia Central, no leste, até a Anatólia, no oeste. Assim, as fronteiras ocidentais do império eram o rio Quizil-Irmaque, na Anatólia e o rio Tigre, na Mesopotâmia, que separavam o império da Lídia, Babilônia e Cilícia. A fronteira norte era as montanhas do Cáucaso, o Mar Cáspio e o rio Amu Dária, atrás do qual estava Sogdiana. A parte norte da fronteira passou perto de Cólquida e algumas regiões do norte do Azerbaijão, sem dúvida, faziam parte deste império. É impossível identificar as fronteiras a leste, pois não há informações confiáveis sobre a penetração dos medos à leste, mas acredita-se que o império tenha incluído Sagárcia, Drangiana, Aracósia, Ária e Báctria, estendendo-se até as proximidades do Vale do Indo. De acordo com a determinação desafiadora dos limites mais amplos deste império mapeados em dez estados modernos, a área do Império Medo cobrem um território de pouco mais de 2,8 milhões de km²[117] tornando esse estado um dos estados mais poderosos do antigo Oriente Médio e um dos maiores impérios da história.[118]

Estado moderno Porcentagem Área total (km²) Parte do antigo império (km²)
Irã 85% 1.648.000 1.400.800
Turquia 35% 780.580 273.203
Síria 10% 185.180 18.518
Iraque 25% 437.072 109.268
Azerbaijão 60% 86.600 51.690
Armênia 100% 29.800 29.800
Geórgia 15% 69.700 10.455
Turquemenistão 45% 488.100 219.645
Afeganistão 90% 647.500 582.750
Paquistão 15% 803.940 120.591
completamente 2.816.720 km²

Durante o período aquemênida, ela abrangia o Azerbaijão iraniano, o Curdistão iraniano e a região ocidental do Tabaristão. No entanto, após as Guerras de Alexandre Magno, que resultou na conquista do Império Aquemênida, a Média foi dividida em duas satrapias, as partes setentrionais se separaram e passaram a ser conhecidas como Atropatene, enquanto o restante da região passou a ser conhecida como Média Menor, também conhecida como Matiana. O primeiro permaneceu independente e o segundo passou para o domínio selêucida por volta de 312 a.C.

Território[editar | editar código-fonte]

Localização dos sítios arqueológicos atribuídos aos medos.

A terra dos medos era principalmente um planalto montanhoso com a altitude média de 900 a 1.500 metros acima do nível do mar. Uma parte considerável desta terra é uma estepe árida, onde há pouca precipitação pluvial, embora haja planícies férteis muito produtivas. A maioria dos rios flui para o grande deserto central, onde suas águas se dissipam em brejos e pântanos que secam no verão quente e deixam depósitos de sal. As barreiras naturais tornavam a defesa relativamente fácil. A cordilheira ocidental é a mais elevada, com numerosos picos de mais de 4.270 metros de altitude, mas o cume mais elevado, o Monte Damavand, que tem 5.771 metros, se encontra na cordilheira Elbruz, perto do Mar Cáspio.[25]

Legado[editar | editar código-fonte]

A importância do Império Medo na história antiga é multifacetada. Pela primeira vez na história, os povos iranianos se uniram, criando um contrapeso político ao Império Neobabilônico e ao Império Neoassírio, as principais potências do oeste. O rei Ciaxares, em aliança com os babilônios, conquistaram o Império Neoassírio, a força político-militar mais forte da região. Além disso, o conflito da Média com a Lídia, na Ásia Menor, representa o primeiro contato do antigo Irã com o mundo grego. Em 550 a.C. o Império Medo foi subjugado por Ciro, o Grande, que naquele momento criava o Império Aquemênida, que mais tarde se tornaria o maior e mais poderoso estado iraniano da história.

Existência[editar | editar código-fonte]

Mapa do Império Medo como é geralmente concebido durante o período de sua extensão máxima, mas na realidade muito hipotético.

Até o século XX acreditava-se que o estado medo era um vasto império que se estendia do rio Hális até a Ásia Central e que existiu de 612 a.C., quando Nínive foi destruída, até a vitória dos persas sobre os medos em 550 a.C. Isso é exatamente o que as fontes antigas preservaram sobre o estado medo. No entanto, no final do século XX, iniciou-se uma revisão dessas fontes, e os historiadores começaram a redesenhar o mapa do antigo Oriente Médio. Em 1988, Heleen Sancisi-Weerdenburg levantou a questão: O Império Medo realmente existiu?. Ao responder este questionamento, especialistas em historiografia grega, historiadores do período aquemênida e arqueólogos discordam.[59] Ernest Herzfeld considera o estado medo um poderoso império, que se estendia do norte da Mesopotâmia até Báctria e Índia. Por outro lado, H. Sancisi-Weerdenburg insiste em que não há evidências reais sobre a própria existência do Império Medo e que era uma formação estatal instável.[6] A ausência de inscrições reais medas, bem como a ausência até o momento de evidências arqueológicas que mostrem a existência de um importante estado medo nesse período, tudo isso encoraja a ver no estado medo uma construção política indefinida. Os achados arqueológicos estão em contradição com a ideia da construção de um reino medo, uma vez que o período suposto para este fenômeno é, ao contrário, marcado pelo abandono (aparentemente pacífico) dos sítios atribuídos aos medos. Portanto, permanece difícil postular a constituição de um poderoso estado medo estruturado por Ciaxares.[119] Alguns estudiosos começaram a retirar de sua composição suas supostas províncias e reinos vassalos, como a Pérsia, Elam, Assíria, Armênia, Capadócia, Drangiana, Pártia e Ária. Assim, o estado medo começou a se transformar em uma formação de estado primitiva, cuja influência e contornos se limitaram ao território de Ecbátana com a região adjacente.[59] Há pouca dúvida, porém, de que os medos eram uma influente sociedade tribal no Irã e que exerciam alguma influência significativa na região dos séculos IX ao VI a.C. Tampouco se pode duvidar que os medos não tenham sido os responsáveis pela queda do Império Neoassírio, mas é difícil avaliar se os medos preencheram um vácuo de poder no mundo pós-assírio.[120]

Aos olhos de alguns estudiosos a teoria de Heródoto de um grande Império Medo é uma ficção total projetada para preencher uma lacuna em sua visão de uma sequência de impérios orientais.[121] Em harmonia com a teoria da sucessão de impérios, a existência do estado medo foi colocada após a queda da Assíria a antes da vitória de Ciro sobre Astíages, ou seja, num período de entre 612 a.C. e 550 a.C. Na historiografia grega, esse esquema incluía Assíria, Média, Pérsia e, mais tarde, o Império Selêucida foi incluído nele. Após a vitória de Pompeu sobre os selêucidas em 63 a.C., os historiadores romanos completaram o conceito dos quatro impérios, incluindo o Império Romano como o quinto e último. Os gregos consideravam o estado medo como um império universal, cujo modelo correspondia ao aquemênida e, em geral, ao modelo oriental de estado. Na tradição hebraica, a Babilônia ocupa o lugar da Assíria. Mas nem as tradições greco-romanas nem as hebraicas privaram a Média de seu papel proeminente na história. Somente na literatura judaica e cristã tardia que o segundo estado foi identificado como Império Medo-Persa, o que, privou os medos de um papel independente na história mundial.[59] Alguns estudiosos aderiram a uma visão maximalista, considerando o estado medo um poderoso e estruturado império que teria influenciado o Império Aquemênida e sua cultura, em especial devido à importância que os medos parecem ter no período aquemênida. Mesmo os defensores da visão maximalista acreditam que a ascensão do reino medo não poderia começar antes de 615 a.C. No entanto, é difícil imaginar que os medos poderiam preparar forças para derrotar os assírios em poucos anos. Revisores atribuem o início da ascensão meda após a bem-sucedida revolta anti-assíria em 672 a.C. Dos anos 660 a 615 a.C., os medos foram capazes de se preparar para se opor à Assíria, aumentando seus recursos, subjugando países como Urartu e Pérsia, fortalecendo seu exército e conquistando aliados. Outros estudiosos mantêm uma visão minimalista, reduzindo o estado medo a um espaço insignificante em torno de Ecbátana.[59] A visão mais radical considera que os medos nunca formaram um reino sólido, mas sempre permaneceram divididos, as incursões na Assíria nada mais são do que ataques em grande parte por medos mercenários pertencentes ao exército assírio e unidos para a ocasião. Uma visão bem aceita pelos estudiosos considera que o Império Medo não existiu e que era uma federação tribal que não tinha condições para governar um imenso território da Pérsia à Ásia Menor.[59] Segundo R. Rollinger, o estado medo não poderia possuir e governar o vasto território que as fontes gregas o atribuem. Na verdade, esse estado parece ter sido uma espécie de unidade tribal sem estabilidade política. Rollinger exclui a Pérsia de suas posses, considerando a subjugação dos persas pelos medos uma ficção. Rollinger admite que os medos podem ter estado na Capadócia por um curto período de tempo. Uma união de tribos sob a liderança de Ciaxares poderia conduzir expedições militares no leste da Anatólia e ter algum tipo de contato com o oeste.[59]

O “Império Medo” seria, portanto, uma entidade política que permanece ilusória, de modo que a realidade de sua existência é negada por certos estudiosos. Nada se sabe sobre a organização dessa entidade política. Muitas vezes assumiu-se que as estruturas do reino medo foram amplamente dominadas por seus sucessores persas, mas isso permanece altamente especulativo, e a herança elamita agora é considerada mais decisiva na formação do Império Aquemênida.[122]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 700 a.C. - Déjoces se torna rei dos medos e começa à unificar algumas tribos medas, estabelecendo o que mais tarde seria o Império Medo.
  • 678 a.C. - Déjoces morre, e é sucedido por seu filho Fraortes.
  • 672 a.C. - Revolta contra os assírios liderada por Fraortes/Castariti.
  • 653 a.C. - Fraortes morre em um cerco a Nínive e os citas, liderados por Mádies, subjugam os medos.
  • 625 a.C. - Após uma dominação cita que durou supostamente 28 anos, Ciaxares derrota os citas e assume o trono da Média.
  • 614 a.C. - Uma campanha dos medos contra a Assíria; Assur é destruída pelos medos; casamento diplomático entre Nabucodonosor II e Amitis da Média.
  • 612 a.C. - Ciaxares e seu aliado babilônico, o rei Nabopolassar, conquistam Nínive, o que marcou o fim do Império Neoassírio.
  • 609 a.C. - o último rei assírio, Assurubalite II, perece no cerco de Harã.
  • 609 a.C.—{AC|605|x}} - O Império Medo anexa o reino de Urartu na Armênia.[13]
  • 610 a.C. - O nascimento de Astíages, filho de Ciaxares.
  • 590 a.C. - Nascimento de Mandane, filha de Astíages; e início do conflito entre medos e lídios.[6]
  • 585 a.C. - Após um eclipse que interrompe uma batalha entre medos e lídios, ambos os povos concluem um acordo de paz.
  • 585 a.C. - Ciaxares morre e é sucedido por seu filho, Astíages.
  • 577 a.C. - Casamento de Mandane com o governante persa Cambises I.
  • 576 a.C. - Nascimento do neto de Astíages, Ciro, o Grande, filho de Cambises I e Mandane.
  • 553 a.C. - Eclosão da Revolta Persa.
  • 552 a.C. - Tentativa frustada de Astíages de impedir Ciro em sua jornada de Ecbátana para a Pérsia; a vitória dos persas na Batalha de Hirba.
  • 551 a.C. - Astíages se move pessoalmente para suprimir a revolta persa, mas Ciro resiste ao ataques dos medos na Batalha da fronteira persa.
  • 550 a.C. - a derrota do exército de Astíages no cerco da colina de Pasárgada; vitória persa na Batalha de Pasárgada; Ciro estabelece o Império Aquemênida e poupa a vida de Astíages.
  • 540 a.C. - Morte de Astíages.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Rawlinson, George. The Seven Great Monarchies, MEDIA, p. 158-160.
  2. «History of Iran». Iran Chamber Society. 20 de março de 2014. Textos assírios mencionam um certo Castariti líder de uma confederação de medos 
  3. William Bayne Fisher, ed. (1985). The Cambridge History of Iran. 2. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 75. ISBN 0521246997, 9780521246996 
  4. «Pronúncia de medo - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa». ciberduvidas.iscte-iul.pt. Consultado em 17 de setembro de 2020 
  5. a b c d e f «Medes (2) - Livius». www.livius.org. Consultado em 2 de junho de 2020 
  6. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y «MEDIA – Encyclopaedia Iranica». iranicaonline.org. Consultado em 3 de outubro de 2020 
  7. "Media (ancient region, Iran)" Encyclopædia Britannica. Pesquisa em 28/04/17
  8. «BC 788 - 550 BC - Empire Median». www.globalsecurity.org. Consultado em 30 de julho de 2020 
  9. a b c Tavernier 2007, p. 27.
  10. Diakonoff 1985, p. 57.
  11. «Kingdom's of Iran | The Medes». www.historyfiles.co.uk. Consultado em 18 de julho de 2020 
  12. Heródoto 7.61
  13. a b c d e f g h i j «Medes - Livius». www.livius.org. Consultado em 15 de junho de 2020 
  14. Rabello, Ivonete de Souza. «Ver e saber no livro I das 'Histórias' de Heródoto» 
  15. «BABYLONIAN CHRONICLES – Encyclopaedia Iranica». www.iranicaonline.org. Consultado em 2 de junho de 2020 
  16. «Daniel on the fourth beast - Livius». www.livius.org. Consultado em 26 de junho de 2020 
  17. M. A., Anthropology; B. Ed., Illinois State University; Twitter, Twitter. «What Was the Purpose of the Behistun Inscription, and Who Made it?». ThoughtCo (em inglês). Consultado em 26 de junho de 2020 
  18. «Gaumata / Smerdis - Livius». www.livius.org. Consultado em 9 de junho de 2020 
  19. «Behistun (3) - Livius». www.livius.org. Consultado em 9 de junho de 2020 
  20. «Rhagae - Livius». www.livius.org. Consultado em 8 de junho de 2020 
  21. «Ctesias | Greek physician and historian». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 30 de junho de 2020 
  22. «Berosus | Chaldean priest and author». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 30 de junho de 2020 
  23. a b (em inglês) G. Windfuhr, « Dialectology and Topics », em G. Windfuhr(ed.), The Iranian Languages, Oxon et New York, 2009, p. 5-8
  24. a b c d e caballo!, Arre (13 de fevereiro de 2017). «Imperio Medo o Media». Arre caballo! (em inglês). Consultado em 6 de junho de 2020 
  25. a b c d "Medos, Média". Estudo Perspicaz das Escrituras. 2. Escritura-Mísia. Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (1998).
  26. «Medos». Der Neue Pauly. Consultado em 5 de junho de 2020 
  27. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa «The Seven Great Monarchies, by George Rawlinson, The Third Monarchy». www.gutenberg.org. Consultado em 24 de setembro de 2020 
  28. Ancient Records of Assyria, and Babylonia (Registros Antigos da Assíria e de Babilônia), de D. D. Luckenbill, de 1927, Vol. II, pp. 215, 216.
  29. «ARBACES – Encyclopaedia Iranica». www.iranicaonline.org. Consultado em 27 de maio de 2020 
  30. «DEIOCES – Encyclopaedia Iranica». iranicaonline.org. Consultado em 9 de agosto de 2020 
  31. de Halicarnasso, Heródoto (Século V a.C.). Histórias de Heródoto. [S.l.: s.n.] pp. 96–101 
  32. (em inglês) A. Panaino, « Herodotus I, 96-101 : Deioces' conquest of power and the foundation of sacred royalty », em Lanfranchi, Roaf y Rollinger (ed.), 2003, p. 327-338
  33. a b c d e f g h «Historic Personalities of Iran: Median Empire». www.iranchamber.com. Consultado em 5 de junho de 2020 
  34. «Ancient Iran». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2020 
  35. (Young 1988, pp. 19-21)
  36. «Deioces | king of Media». Encyclopedia Britannica (em inglês) 
  37. Medvedskaya 2000, p. 33-35.
  38. "heródoto.1.102">Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 102 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  39. Diakonoff 1985, p. 106.
  40. Diakonoff 1985, p. 114.
  41. a b «Phraortes | king of Media». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 4 de junho de 2020 
  42. «PHRAORTES – Encyclopaedia Iranica». www.iranicaonline.org. Consultado em 31 de maio de 2020 
  43. «KASHTARITI – Encyclopaedia Iranica». www.iranicaonline.org. Consultado em 31 de maio de 2020 
  44. «ASSARHADDON – Encyclopaedia Iranica». www.iranicaonline.org. Consultado em 31 de maio de 2020 
  45. citar heródoto|1|104}}
  46. a b caballo!, Arre (2 de fevereiro de 2017). «Escitas contra persas». Arre caballo! (em inglês). Consultado em 4 de junho de 2020 
  47. a b Heródoto, I. 103
  48. a b «Cyaxares - Livius». www.livius.org. Consultado em 8 de junho de 2020 
  49. citar heródoto|1|106}}
  50. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 73 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  51. «IRAN vi. IRANIAN LANGUAGES AND SCRIPTS (1) Ear – Encyclopaedia Iranica». iranicaonline.org. Consultado em 5 de agosto de 2020 
  52. «AŠŠURBANIPAL – Encyclopaedia Iranica». www.iranicaonline.org. Consultado em 7 de novembro de 2020 
  53. Brown, 1990, p. 621-622
  54. (em inglês) K. Radner, « An Assyrian View of the Medes », em Lanfranchi, Roaf y Rollinger (ed.), 2003, p. 37-64
  55. a b «Cyaxares | king of Media». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 6 de junho de 2020 
  56. Lipschitz, Oded (2005). The Fall and Rise of Jerusalem: Judah Under Babylonian Rule (em inglês). [S.l.]: Eisenbrauns 
  57. «ABC 3 (Fall of Nineveh Chronicle) - Livius» [Crônica da Queda de Nínive]. Livius.org. Consultado em 25 de junho de 2020 
  58. «Cyaxares». Brill’s New Pauly. Consultado em 5 de junho de 2020 
  59. a b c d e f g h «Медведская И.Н., Дандамаев М.А. «История Мидии в новейшей западной литературе» | Либерея "Нового Геродота"» (em russo). Consultado em 12 de outubro de 2020 
  60. Fisher, William Bayne; Avery, Peter; Boyle, John Andrew; Frye, Richard Nelson; Yarshater, Ehsan; Jackson; Melville, Charles Peter; Lockhart, Laurence; Hambly, Gavin (1985). The Cambridge History of Iran (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 139. ISBN 9780521200912  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  61. Diakonoff 1985, p. 110.
  62. a b «Arians - Livius». www.livius.org. Consultado em 3 de dezembro de 2020 
  63. «Bactria - Livius». www.livius.org. Consultado em 3 de dezembro de 2020 
  64. «Drangiana - Livius». www.livius.org. Consultado em 3 de dezembro de 2020 
  65. Diakonoff 1985, p. 127.
  66. «Cappadocia - Livius». www.livius.org. Consultado em 11 de novembro de 2020 
  67. Tuplin, Christopher. «Medes in Media, Mesopotamia and Anatolia: empire, hegemony, devolved domination or illusion?». Ancient West & East 3 (2004) [published 2005], 223-251 (em inglês). Consultado em 18 de outubro de 2020 
  68. (em inglês) R. Rollinger, « The Western Expansion of the Median “Empire”: A Re-Examination », em Lanfranchi, Roaf y Rollinger (ed.), 2003, p. 289-320
  69. «Mada / Madai. Medes and Media. Zoroastrian Pre-History». www.heritageinstitute.com. Consultado em 7 de julho de 2020 
  70. Pierre Briant: "De Ciro a Alexandre: Uma História do Império Persa", (From Cyrus to Alexander: A History of the Persian Empire), traduzido por Peter Daniels, Indiana: Eisenbrauns, 2002, p.28
  71. Heródoto I, 127
  72. «Astyages - Livius». www.livius.org. Consultado em 5 de junho de 2020 
  73. http://www.forumromanum.org/literature/justin/texte1.html
  74. http://www.forumromanum.org/literature/justin/english/index.html#6
  75. WB Fischer, Ilya Gershevitch e Ehsan Yarshster, p. 146-147
  76. Max Duncker, p. 350,5-351,7
  77. Nicolau de Damasco: "História Geral"
  78. a b Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome :"0"
  79. «Harpagus - Livius». www.livius.org. Consultado em 1 de fevereiro de 2021 
  80. a b c d «Cyrus the Great - Livius». www.livius.org. Consultado em 28 de dezembro de 2020 
  81. https://iranicaonline.org/articles/amytis-median-and-persian-female-name
  82. «Phraortes - Livius». www.livius.org. Consultado em 9 de agosto de 2020 
  83. https://www.livius.org/articles/person/tritantaechmes/
  84. Briant 1996, p. 694.
  85. a b c «Média (enciclopédia iranica)». Universidade de Columbia. Consultado em 24 de junho de 2020 
  86. «Satraps and satrapies - Livius». www.livius.org. Consultado em 31 de dezembro de 2020 
  87. https://www.livius.org/articles/concept/satraps-and-satrapies/
  88. a b Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 101 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  89. «Eye of the King - Livius». www.livius.org. Consultado em 4 de dezembro de 2020 
  90. a b Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 98 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  91. a b "heródoto.1.99">Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 99 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  92. «Deioces». Brill’s New Pauly. Consultado em 21 de maio de 2020 
  93. «CYRUS iii. Cyrus II The Great – Encyclopaedia Iranica». iranicaonline.org. Consultado em 31 de dezembro de 2020 
  94. Heródoto VII, Histórias. 40
  95. «Royal Road - Livius». www.livius.org. Consultado em 31 de dezembro de 2020 
  96. a b c d e «História do Irã, III. Capítulo - Média, primeiro reino iraniano (ocidental) (Iranologie.com)». Iranologie.com. Consultado em 25 de junho de 2020 
  97. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 103 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  98. Heródoto, VII. 62
  99. a b Rezakhani, Khodad. «Medes, the First (Western) Iranian Kingdom». History of Iran. Publicação acessada em The Circle of Ancient Iranian Studies
  100. «ARCHEOLOGY ii. Median and Achaemenid – Encyclopaedia Iranica». iranicaonline.org. Consultado em 30 de julho de 2020 
  101. Henri Stierlin, "Os Grandes do Império Persa" (Splendeurs de I’Empire perse), Publisher: Gründ, Paris (2006) p.145
  102. (em inglês) M. A. Dandamayev, « Magi », em Encyclopædia Iranica Online, 2012 (acessível em http://www.iranicaonline.org/)
  103. Mehraby, Rahman (31 de julho de 2018). «History of Medes in Ancient Iran (607 B.C – 549 B.C)». Destination Iran Tours (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2020 
  104. Soudavar 2003, p. 84.
  105. a b c «Median Empire - Crystalinks». www.crystalinks.com. Consultado em 18 de julho de 2020 
  106. a b P. Lecop, The Inscriptions of Achaemenid Persia, Paris, 1997, p. 46-49
  107. Geografia, Estrabão. 15.2.8
  108. Gunnar Heinsohn, Cyaxares: Media's Great King in Egypt, Assyria & Iran, Universidade de Bremen, maio de 2006
  109. Gershevitch 1968, p. 2.
  110. (Schmitt 2008, p. 98)
  111. Bruno Genit: Os Medos: Uma Reavaliação dos Registros Arqueológicos, Leste e Oeste 36 / 1-3, 1986, p. 11
  112. Oscar Muscarella, 1994, p. 57th
  113. Peter Calmeyer: “ Arte e arquitetura medianas ”, Encyclopedia Iranica, II. Volume, 1987, p. 565a569a
  114. «Ancient Media (Medes) of Northwestern Iran». ancientneareast.tripod.com. Consultado em 19 de julho de 2020 
  115. «Iranian art and architecture | ancient art» [Arte e arquitetura iraniana]. Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 18 de julho de 2020 
  116. Vallat DSf 49-55
  117. ,Taagepera, Rein (1979). «Size and Duration of Empires: Growth-Decline Curves, 600 B.C. to 600 A.D.». Social Science History (3/4): 115–138. ISSN 0145-5532. doi:10.2307/1170959. Consultado em 11 de outubro de 2020 
  118. Turchin, Peter; Adams, Jonathan M.; Hall, Thomas D. (26 de agosto de 2006). «East-West Orientation of Historical Empires and Modern States». Journal of World-Systems Research (em inglês): 219–229. ISSN 1076-156X. doi:10.5195/jwsr.2006.369 
  119. (em inglês) M. Liverani, « The Rise and Fall of Media », em Lanfranchi, Roaf y Rollinger (ed.), 2003, p. 1-12
  120. «Median Empire». Consultado em 4 de agosto de 2020 
  121. «Kingdoms of Iran - Media». www.historyfiles.co.uk. Consultado em 3 de outubro de 2020 
  122. (em inglês) W. Henkelman, « Persians, Medes and Elamites, Acculturation in the Neo-Elamite Period », em Lanfranchi, Roaf y Rollinger(ed.), 2003, p. 181-231

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Boyce, Mary; Grenet, Frantz (1991), Zoroastrianism under Macedonian and Roman rule, ISBN 978-90-04-09271-6, BRILL 
  • Bryce, Trevor (2009), The Routledge Handbook of the Peoples and Places of Ancient Western Asia. From the Early Bronze Age to the Fall of the Persian Empire, Taylor & Francis 
  • Dandamayev, M.; Medvedskaya, I. (2006), «Media», Encyclopaedia Iranica Online Edition 
  • Henrickson, R. C. (1988), «Baba Jan Teppe», Encyclopaedia Iranica, ISBN 978-0-933273-67-2, 2, Routledge & Kegan Paul 
  • Tavernier, Jan (2007), Iranica in the Achaemenid Period (ca. 550-330 B.C.): Linguistic Study of Old Iranian Proper Names and Loanwords, Attested in Non-Iranian Texts, ISBN 978-90-429-1833-7, Peeters Publishers 
  • Dandamaev, M. A.; Lukonin, V. G.; Kohl, Philip L.; Dadson, D. J. (2004), The Culture and Social Institutions of Ancient Iran, ISBN 978-0-521-61191-6, Cambridge, England: Cambridge University Press 
  • Diakonoff, I. M. (1985), «Media», The Cambridge History of Iran, ISBN 978-0-521-20091-2, 2 Edited by Ilya Gershevitch ed. , Cambridge, England: Cambridge University Press, pp. 36–148 
  • Gershevitch, I. (1968), «Old Iranian Literature», Iranian Studies, ISBN 978-90-04-00857-1, Hanbuch Der Orientalistik – Abeteilung – Der Nahe Und Der Mittlere Osten, 1, 1–30: Brill 
  • Levine, Louis D. (1 de janeiro de 1973), «Geographical Studies in the Neo-Assyrian Zagros: I», Iran, ISSN 0578-6967, 11: 1–27, JSTOR 4300482, doi:10.2307/4300482 
  • Levine, Louis D. (1 de janeiro de 1974), «Geographical Studies in the Neo-Assyrian Zagros-II», Iran, ISSN 0578-6967, 12: 99–124, JSTOR 4300506, doi:10.2307/4300506 
  • Van De Mieroop, Marc (2015), A History of the Ancient Near East, ca. 3000-323 BC, Wiley Blackwell 
  • Diakonoff, I.M. (1985), «Media I: The Medes and their Neighbours», in: Gershevitch, Ilya, Cambridge History of Iran, 2, Cambridge University Press, pp. 36-148 
  • Soudavar, Abolala (2003), The aura of kings: legitimacy and divine sanction in Iranian kingship, ISBN 978-1-56859-109-4, Mazda Publishers 
  • Young, T. Cuyler, Jr. (1988), «The early history of the Medes and the Persians and the Achaemenid empire to the death of Cambyses», in: Boardman, John; Hammond, N. G. L.; Lewis, D. M.; Ostwald, M., The Cambridge Ancient History, ISBN 9781139054317, 4, Cambridge University Press, pp. 1–52, doi:10.1017/CHOL9780521228046.002 
  • Young, T. Cuyler (1997), «Medes», in: Meyers, Eric M., The Oxford encyclopedia of archaeology in the Near East, ISBN 978-0-19-511217-7, 3, Oxford University Press, pp. 448–450 
  • Zadok, Ran (2002), «The Ethno-Linguistic Character of Northwestern Iran and Kurdistan in the Neo-Assyrian Period», Iran, ISSN 0578-6967, 40: 89–151, JSTOR 4300620, doi:10.2307/4300620 
  • Schmitt, Rüdiger (2008), «Old Persian», in: Woodard, Roger D., The Ancient Languages of Asia and the Americas, ISBN 978-0-521-68494-1, Cambridge University Press, pp. 76–100 
  • Stronach, David (1968), «Tepe Nush-i Jan: A Mound in Media», The Metropolitan Museum of Art Bulletin, ISSN 0026-1521, New Series, 27 (3): 177–186, JSTOR 3258384, doi:10.2307/3258384 
  • Stronach, David (1982), «Archeology ii. Median and Achaemenid», in: Yarshater, E., Encyclopædia Iranica, ISBN 978-0-933273-67-2, 2, Routledge & Kegan Paul, pp. 288–96 
  • Windfuhr, Gernot L. (1991), «Central dialects», in: Yarshater, E., Encyclopædia Iranica, ISBN 978-0-939214-79-2, pp. 242–51