Idade Antiga

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Idade Antiga ou Antiguidade, na periodização das épocas históricas da humanidade, é o período que se estende desde a invenção da escrita (de 4 000 a.C. a 3 500 a.C.) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.). Embora o critério da invenção da escrita como balizador entre o fim da Pré-história e o começo da História propriamente dita seja o mais comum, estudiosos que dão mais ênfase à importância da cultura material das sociedades têm procurado repensar essa divisão mais recentemente. Também não há entre os historiadores um verdadeiro consenso sobre quando se deu o verdadeiro fim do Império Romano e início da Idade Média, por considerarem que processos sociais e econômicos não podem ser datados com a mesma precisão dos fatos políticos[1].

Também deve-se levar em conta que essa periodização está relacionada à História da Europa e também do Oriente Próximo como precursor das civilizações que se desenvolveram no Mediterrâneo, culminando com Roma. Essa visão se consolidou com a historiografia positivista que surgiu no século XIX, que fez da escrita da história uma ciência e uma disciplina acadêmica. Se repensarmos os critérios que definem o que é a Antiguidade no resto do mundo, é possível pensar em outros critérios e datas balizadoras[2].

No caso da Europa e do Oriente Próximo, diversos povos se desenvolveram na Idade Antiga. Os sumérios, na Mesopotâmia, foram a civilização que originou a escrita e a urbanização, mais ou menos ao mesmo tempo em que surgia a civilização egípcia. Depois disso, já no I milênio a. C., os persas foram os primeiros a constituir um grande império, que foi posteriormente conquistado por Alexandre, o Grande. As civilizações clássicas da Grécia e de Roma são consideradas as maiores formadoras da civilização ocidental atual. Destacam-se também os hebreus (primeira civilização monoteísta), os fenícios (senhores do mar e do comércio e inventores do alfabeto), além dos celtas, etruscos e outros. O próprio estudo da história começou nesse período, com Heródoto e Tucídides, gregos que começaram a questionar o mito, a lenda e a ficção do fato histórico, narrando as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso respectivamente.

Na América, pode-se considerar como Idade Antiga a época pré-colombiana, onde surgiram as avançadas civilizações dos astecas, maias e incas. Porém, alguns estudiosos considerem que em outras regiões, como no que hoje constitui a maior parte do território do Brasil, boa parte dos povos ameríndios ainda não havia constituído similar nível de complexidade social e a classificação de Pré-história para essas sociedades seria mais correta. Na China, a Idade Antiga termina por volta de 200 a.C., com o surgimento da dinastia Chin, enquanto que no Japão é apenas a partir do fim do período Heian, em 1185 d.C., que podemos falar em início da "Idade Média" japonesa. Algumas religiões que ainda existem no mundo moderno tiveram origem nessa época, entre elas o cristianismo, o budismo, confucionismo e judaísmo.

Índice

Antiguidade oriental[editar | editar código-fonte]

Civilização Egípcia[editar | editar código-fonte]

Mapa do Antigo Egito

O Antigo Egito se localizava no nordeste da África, onde é hoje a República Árabe do Egito. O rio que cortava o Antigo Egito é o grande Nilo, com 6 500 km e 6 cataratas. Os dois desertos que ladeavam o Antigo Egito são os da Líbia e da Arábia. Ao norte, as duas vantagens favorecidas pelo Mar Mediterrâneo foram: a viagem por mar e a atividade comercial com as demais civilizações. A leste, o mar Vermelho era a segunda via de comunicação depois do Mar Mediterrâneo.[3]

O rio Nilo era a fonte vital dos antigos egípcios, cuja principal atividade econômica era a agricultura. Entre junho e setembro, no tempo em que ocorriam as enchentes, a força das chuvas causava a inundação do rio; eram, por este, transbordadas e cobertas as vastas e extensas terras que se localizavam nas suas margens. A fertilidade das águas entrava no solo, porque as águas, propriamente ditas, eram fontes condutoras de limo e matéria orgânica, esta última transformada num excelente fertilizante. Além de fertilizantes, o rio oferecia peixes em quantidades abundantes e possibilitava a navegação de milhares de barcos.[3]

Na opinião dos egípcios, o rio Nilo era verdadeiramente abençoado pelos deuses. Ou melhor, o próprio rio era uma divindade geográfica. Porém, o Egito não era apenas essa dádiva do Nilo. Eram necessários homens inteligentes, trabalhadores, aplicados e organizados.[3] No tempo em que ocorria a estiagem, enquanto trabalhavam para unir forças e conjunto, os egípcios tiravam proveito das águas do rio para irrigar terras de maior distância ou trabalhar na construção de diques para o controle das enchentes.[3]

Depois das enchentes, as águas diminuíam, sendo desmanchados os limites que demarcavam as fazendas. Dessa forma, a cada ano que passava, havia necessidade do homem trabalhador para a medição e o cálculo e essas atividades desenvolveram a geometria e a matemática. Esse trabalho frequente e a unidade geográfica tornaram fácil a unificação e a centralização de um governo.[3]

Períodos históricos do Egito[editar | editar código-fonte]

Os egípcios habitaram o vale do rio Nilo a partir do paleolítico. Ao longo do tempo, nasceram comunidades dotadas de organização e independência que se chamavam nomos. Os nomos foram agrupados em ambos os reinos (no Norte e do Sul) e no ano de 3200 a.C., o chefe de Estado que unificou a totalidade dos reinos num único reino foi o faraó Menés. Com o faraó, propriamente dito, tiveram início as grandes dinastias (famílias reais governantes do Egito por mais ou menos três mil anos).[3]

A História do Egito é habitualmente dividida na periodização de quatro grandes etapas:[3]

No fim do Médio Império, o povo que imigrou pacificamente ao Egito foram os hebreus, vindo a ser entregues à escravidão e ganhando de novo a liberdade para irem de volta à pátria de onde originaram. Após os hebreus, o povo invasor do Egito foram os hicsos, sendo ali estabelecidos por uma duzentena de anos. Os hicsos foram os introdutores dos carros de guerra, que os egípcios desconheciam e o fato de os hicsos serem expulsos do Egito iniciou o Novo Império.[3]

No fim do Novo Império, o Egito foi enfraquecendo aos poucos e seu declínio tornou fácil para que o país mais antigo do mundo fosse invadido e dominado por demais civilizações, como persas, gregos, romanos e muçulmanos. Nos tempos da modernidade contemporânea do século XX, os países que dominavam politicamente o Egito foram a França e o Reino Unido, até o seu povo ver proclamada a sua independência nacional em 1962, como país moderno com governo próprio.[3]

Sociedade egípcia[editar | editar código-fonte]

A sociedade egípcia era dividida em certos níveis, cada um com suas funções de boa definição. Nessa sociedade, a mulher era muito prestigiada e autoritária.[3]

O faraó era a representação da própria vida que passava no Egito. Era monarca e deus vivo. Fruto de adoração, reverência. Seu direito era o de possuir várias esposas, muitas delas sendo parentes, para a garantia ao sangue real em família. Mas, apenas uma era detentora do título de rainha e dela ocorria o nascimento do herdeiro.

No ponto mais alto da pirâmide estava o faraó, sem limites de poderes. Isso porque os egípcios viam o faraó como uma santidade, divindade e aceitavam como uma pessoa que descendia de deus ou como o próprio deus (sociedades secretas como a Maçonaria e a Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz se referem ao criador espiritual como Grande Arquiteto do Universo). É o sistema de governo chamado teocracia, ou seja, o governo em que deus é regente.[3]

  • O faraó era um rei todo-poderoso e o país todo era propriedade sua. Os campos, os desertos, as minas, os rios, os canais, os homens, as mulheres, o gado e os animais em sua totalidade — eram todos pertencentes ao faraó.[3] Ele era, em igual tempo, rei, juiz, sacerdote, tesoureiro, general. Era ele quem determinava e comandava tudo, porém, não sendo possível a sua presença em todos os locais, era distribuidor de encargos para mais de cem funcionários que o ajudavam para administrar o Egito. Na visão dos egípcios, o próprio faraó sobreviveria e esperava ser feliz.[3]
  • Os sacerdotes eram enormemente prestigiados e poderosos, tanto espiritualmente como materialmente, porque eram administradores das riquezas e dos bens dos vastos e preciosos templos. Eram também os egípcios que sabiam muito, guardavam os mistérios científicos e religiosos que se relacionavam com sua grande quantidade de deuses.[3]
  • A nobreza se formava de pessoas da família do faraó, funcionários de primeiro escalão e fazendeiros que possuíam riquezas.[3]
  • Os escribas, que vieram das famílias que possuíam riqueza e poder, eram indivíduos aprendizes da leitura e da escrita com sua dedicação ao registro, à documentação e à contabilidade de documentos e atividades da vida do Egito.[3]
  • Os artesãos e os comerciantes. Os artesãos eram os trabalhadores exclusivos dos reis, da nobreza e dos templos. Durante o exercício dessa profissão, eram feitas belas peças de adorno, utensílios, estatuetas, máscaras funerárias. O trabalho dos artesãos com madeira, cobre, bronze, ferro, ouro e marfim era excelente. Já a dedicação dos comerciantes era o comércio em nome dos reis ou em nome próprio, fazendo a compra, a venda ou a troca de produtos com as demais civilizações, como cretenses, fenícios, povos da Somália, da Núbia, etc. No comércio os egípcios foram forçados a construir os imensos barcos de carga.[3]
  • Os camponeses foram a classe social formadora da maioria da população.[3] Os trabalhos campestres eram feitos sob organização e controle dos funcionários do faraó, porque as terras em sua totalidade, pertenciam ao governo. As enchentes que transbordavam o Nilo, os trabalhos com grãos irrigados, semeados, colhidos e armazenados fizeram com que os camponeses fossem obrigados a trabalhar duramente e receber pouca remuneração. Em geral, os camponeses eram pagos com uma pequena parte dos produtos que colhiam e somente o suficiente para a sua sobrevivência. Passavam a sua vida em cabanas precárias e usavam vestidos de grande simplicidade. Os serviços dos camponeses eram prestados também nas terras que pertenciam aos membros da nobreza e nos templos. A principal atividade econômica do Egito era a agricultura, porque não havia terra de sobra e suficiência de vegetação para a criação de mais rebanhos. Como os camponeses eram pobres, cultivavam cevada, trigo, lentilhas, árvores frutíferas e videiras. Eram feitos pão, cerveja e vinho. O Nilo era uma região oferecedora de peixes em quantidades abundantes.[3]
  • Os escravos eram, na maior parte, vítimas da captura entre os que perdiam nas guerras. O faraó obrigava com dureza que os escravos trabalhassem como construtores das grandes pirâmides, por exemplo.[3]

A importância de alguns faraós[editar | editar código-fonte]

Numerosos faraós foram governantes do Egito no decorrer da sua história. Poucos são merecedores de algum destaque.[3]

  • Menés (ou Narmer), em 3000 a.C., foi o monarca unificador dos reinos do norte e do sul num único reino.[3]
  • Djoser (Zozer), reino no qual foi construído o primeiro edifício monumental em pedra do mundo, a pirâmide de Djoser, cuja medida é feita em degraus.[3]
  • Quéops, Quéfren e Miquerinos ganharam fama como os faraós que construíram as três maiores pirâmides do Egito, na planície de Gizé. Pai de Quéfren, foi sucedido em seu trono e também foi monarca construtor da sua pirâmide a uma certa distância em metros da do pai. Depois de Quéfren, Miquerinos foi governante do Egito e monarca ordenante da construção de sua pirâmide próxima das demais, porém, com uma pequena diferença de tamanho.[3]
  • Amenófis IV, que também chamava-se de "sacerdote do deus Sol", ganhou fama como o faraó unificador da religião egípcia, obrigando à força que venerassem a uma única divindade, o Sol, que chamava-se de Aton. Seu nome foi mudado de Amenófis (cujo significado é "Amon tem satisfação") para Aquenaton (cujo significado é "aquele que serve Aton"). Tornou-se antipático pelos sacerdotes e pelo fanatismo do povo e este, depois de sua morte, o faraó retornou aos antigos cultos.[3]
  • Tutancâmon, que pertencia à família de Aquenaton, tomou posse do novo reino ainda em plena juventude aos cinco anos de idade. Seu reino durou pouco tempo, devido à sua morte ocorrida aos dezoito anos de idade. Tornou-se muito famoso no século XX, pois em 1924, o arqueólogo britânico Howard Carter encontrou no Vale dos Reis, o seu sarcófago muito rico. O túmulo, intocado, ainda não tinha sido alvo de violação por criminosos e nele eram guardados riquezas de valor, porque as matérias-primas desses objetos eram ouro, prata e pedras preciosas. Havia objetos extraordinariamente ricos como máscaras mortuárias, sarcófagos, estátuas, móveis, joias, vasos, carros fúnebres, etc. Depois que os arqueólogos descobriram os objetos usados pela família real que governava o Antigo Egito, pode-se ter uma ideia do quanto era grandiosa, luxuosa e rica a vida dos faraós, enquanto que a maior parte da população, que se formava de camponeses, vivia com muita dureza e comia menos.[3]

Religião e mitologia egípcias[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mitologia egípcia

Os egípcios eram profundamente religiosos.[3] Isso era importante porque a fé formava uma sociedade civilizada e organizada. Eram politeístas (acreditar numa variedade de deuses). A partir dos tempos mais antigos, os egípcios eram adoradores de um grande número de deuses estranhos.[3] Os mais antigos deuses foram animais e toda a pessoa era protegida por deuses-animais. Eram adoradores de gatos, bois, serpentes, crocodilos, touros, chacais, gazelas, escaravelhos, etc.[3]

Dentre os animais de maior adoração, o de maior fama foi o bois Ápis que, durante a sua morte, causava luto no Egito inteiro e os sacerdotes estavam à procura nos campos de um substituto que tivesse a mesma semelhança física. Eram crentes na possível reencarnação de um deus num animal de vida própria.[3] O rio Nilo, com suas cheias diárias, e o vento com calor do deserto, fenômeno climático destruidor das colheitas, eram forças naturais as quais os egípcios adoravam.[3]

Os egípcios eram crentes crença na vida após a morte, por esse motivo eram prestadores de culto às pessoas que morreram. Cada localidade era protegida por seus deuses, com características diferenciadas, sendo alguns deles metade homem e metade animal (em geral, corpo de homem e cabeça de animal — antropomorfismo).[3]

Deuses do Egipto[editar | editar código-fonte]
Rá, o deus Sol.

Segue abaixo a descrição de cada deus egípcio e suas prerrogativas atributivas:[3]

: o deus Sol, que na união com o deus Amon (Amon-Rá) era o mais importante deus egípcio.[3]
Nut: é o firmamento, cuja representação é um indivíduo do sexo feminino como os membros inferiores no Hemisfério Oriental e as mãos no Hemisfério Ocidental. Os corpos celestes realizam a viagem ao longo do seu corpo. Seu filho, Rá (o Sol), é engolido por ela durante o período noturno e renascido a cada período diurno.[3]
Babuíno divino: aquele que provou que a viagem da barca solar era verdadeira.
Barca solar de Rá, que numa viagem permanente, diariamente o traz à Terra e no período noturno o leva novamente à vida eterna.[3]
Ísis: seu marido é Osíris e seu filho era Hórus. Ísis era divindade feminina protetora da vida vegetal, das águas (das enchentes do Nilo) e das sementes. As chuvas seriam os lágrimas de Ísis à procura de seu marido, Osíris, que também é uma personificação do rio Nilo.[3]
Néftis: irmã de Osíris, seu marido era Set.[3]
Maat: divindade da justiça, da verdade, e do equilíbrio universal.
Hórus: a divindade falconídea, cujos pais eram Osíris e Ísis, os egípcios também como cultuavam como o nascer do Sol.[3]
Osíris: no seu hábito em forma de múmia, era a divindade dos que perderam a vida, da vida vegetal, da fecundidade. Os egípcios também cultuavam como o pôr do Sol. Era ele que vinha à procura das almas que perdiam a vida para passarem por julgamento no seu tribunal (Tribunal de Osíris).[3]
Sekhemkhet: divindade com corpo feminino e cabeça leonina. Divindade protetora dos conflitos militares que, por ser forte, se encarregou de ser a divindade destruidora dos inimigos de Rá.[3]
Ptá: divindade de Mênfis, se considerava o Grande Arquiteto do Universo, conforme teriam dito os membros da maçonaria, e protegia os que trabalhavam com artesanato.[3]
Knum: deus pastor, divindade das nascentes e das enchentes do Nilo.[3]
Anúbis: deus chacal, guardava os túmulos, deus da vida após a morte, mediava entre o firmamento e o nosso planeta, ajudou Ísis quando esta resolveu juntar os bocados do corpo de Osíris e deu-lhe ressurreição.[3]
Toth: divindade do conhecimento, dos poderes mágicos, foi a divindade criadora da escrita. Se considerava o escriba divino e protegia os escribas.[3]
Hator: divindade feminina apresentada com ambas as formas: como uma fêmea do boi com os chifres e o Sol entre eles e como uma mulher tendo o Sol entre os chifres. Se considerava a divindade feminina dos vaidosos, dos músicos, dos felizes, dos prazerosos e dos apaixonados.[3]
Set: grande inimigo de Osíris (o Nilo), se considerava o calor do vento que veio do deserto. Personificação do mal, provocava raios e trovôes seguidos de chuva e protegia as armas de fogo.[3]
Amon (de Tebas): divindade das divindades da mitologia egípcia, depois os egípcios cultuavam juntamente com Rá, sendo denominado de Amon-Rá.[3]
Bes: espírito (ou demônio) cujas características eram a monstruosidade e a maldade,[3] era habitante do inferno.[3]
Tueris: uma divindade feminina com o formato de um hipopótamo, protegia as mães com o bebê no útero.[3]
Bastet: divindade feminina que se parece com uma gata, deusa transmissora das boas influências da divindade solar para as pessoas.[3]
Templos egípcios[editar | editar código-fonte]

Os templos egípcios não se assemelhavam às igrejas atuais. Possuíam grandiosidade, eram enormemente grandes,[3] com um portão que possuía imponência e vastos pátios com abertura própria. As gigantescas colunas sustentavam os templos. Na parte do fundo estava situada a estátua que representa o deus local e na parte dos lados os demais poucos deuses. Nas partes da frente, o colosso das estátuas dos faraós que determinaram a construção dos templos. No interior dos templos, os diversos sacerdotes passavam sua vida, com raspão no cabelo e se vestiam com uma única túnica. Do Antigo Egito existem poucos restos das ruínas dos dois grandes templos, o templo de Luxor e o templo de Karnak.[3]

Cerimônias fúnebres[editar | editar código-fonte]
Múmia dentro do sarcófago.

Quanto às múmias, os egípcios eram crentes de que o ser humano se constituía de (o corpo) e de (a alma). Na opinião deles, quando morria, o corpo (Ká) era deixado pela alma (Rá), mas era possível a continuidade da vida da alma (Rá) no reino de Osíris ou de Amon-Rá. Isso podia acontecer se o corpo, tendo como dever a sustentação da alma, passasse por conservação. Daí vinha ser importante o embalsamamento ou a mumificação do corpo para o impedimento da decomposição do mesmo. Para a garantia de que a alma sobrevivesse, em caso de destruição da múmia, eram colocadas no túmulo estatuetas que representavam a pessoa que morreu.[3]

O túmulo era onde habitava um morto assim como a casa é onde habita um vivo, com mobiliários e alimentos provisionados. As pinturas que aparecem nas paredes são imagens representativas das cenas da vida de um morto à mesa, na perseguição aos animais e na atividade pesqueira. Eles eram crentes na magia dos poderes dessas pinturas, porque na opinião deles, isso representava o sentimento de felicidade e serenidade da alma durante a sua contemplação perante às imagens.[3] A alma da pessoa que morreu era apresentada ao Tribunal de Osíris, onde era feito o julgamento por suas obras, para ver se era possível a sua admissão no reino de Osíris.[3]

Os túmulos eram moradias de eternidade. Para melhorar a proteção dos corpos, colocavam-se as múmias em sarcófagos com fechamento hermético. Os faraós, os nobres, os ricos e certos sacerdotes trabalhavam como construtores dos imensos túmulos feitos de pedras para a garantia de que os corpos fossem protegidos contra ladrões e profanadores. Sua finalidade era a garantia de se esperar por muito tempo até o retorno da alma.[3]

Assim, construíram-se mastabas, pirâmides e hipogeus com rico adorno.[3]

Cultura egípcia[editar | editar código-fonte]

Durante a antiguidade, a cultura egípcia era o conjunto de manifestações culturais desenvolvidas no Antigo Egito. Sem falar nas pirâmides, mastabas, hipogeus e nos vastos templos, a arte do Antigo Egito também era vista como uma manifestação artística nos palácios, nas grandes colunas e obeliscos, nas esfinges, na estatuária e na arte decorativa em baixo-relevo. Listados abaixo:[3]

  • Mastabas: As mastabas eram túmulos com revestimento de lajes rochosas ou feitos de tijolo especial. Eram integradas por uma capela, a câmara mortuária e demais compartimentos.[3]
  • Hipogeus: Escavação de túmulos nas rochas, nas imediações do talvegue do Nilo. O hipogeu de maior fama foi de Tutancâmon, que situa-se no Vale dos Reis.[3]
  • Esfinge: Nas esfinges guardavam-se os templos e as pirâmides. A esfinge na parte dianteira da pirâmide de Quéfren tem cabeça humana e corpo leonino.[3] Sua frase célebre é "Decifra-me ou te devoro".[4]
  • Obelisco: Monumento cuja matéria-prima trata-se de uma única pedra no formato de agulha para a marcação de algum fato ou realização. É também o monumento representativo de um raio da divindade solar.[3]
Pirâmides[editar | editar código-fonte]
Nas pirâmides reais, havia corredores secretos, galerias, câmaras, portas e passagens falsas para enganar ladrões, cripta, corredores de ventilação e a câmara do rei.

No antigo Egito foram realizadas as construções de centenas de pirâmides. As três grandes incluem-se entre as Sete Maravilhas do Mundo antigo. Até hoje as pirâmides são construções oferecedoras de certos mistérios para a mente humana. Assim a moderna engenharia não conseguiu ainda a explicação da capacidade dos escravos, naquele momento, para o transporte de blocos rochosos de 2 a 10 ou mais toneladas que vieram de longe até o deserto onde são encontradas as pirâmides. A maior dificuldade ainda é a explicação de como foi conseguido o carregamento de pedras acima de pedras até uma altura de 146 metros (a altura da grande pirâmide de Quéops). Outro segredo é a explicação do motivo da construção das pirâmides com seus lados voltados com rigor para os quatro pontos cardeais. Hoje em dia, a crença de uma quantidade astronômica de pessoas no mundo inteiro é de que existe um misterioso poder de concentração enérgica e conservativa no interior das pirâmides. Assim, não haveria o estrago de determinadas coisas perecíveis que fossem colocadas dentro, na posição que a câmara do rei ocupa.[3]

Para isso, ajudando com uma bússola, é obrigatória a orientação das bases piramidais posicionando nos quatro pontos cardeais. Também há uma crença de que o resultado de curar ou melhorar a saúde é influenciado pelo uso de uma pirâmide de cobre em situações condicionais para o abrigo de um ser humano dentro de uma pirâmide propriamente dita.[3]

As ciências egípcias[editar | editar código-fonte]

Não é à toa que as sete maravilhas do mundo antigo estão no Egito, que legou à humanidade grandes conhecimentos. Os egípcios são conhecidos por serem os desenvolvedora da arquitetura, da matemática, da astronomia, da medicina e da engenharia, além do ano dividido em 365 dias, 12 meses com 30 dias. Eles foram os utilizadores dos relógios solares, estelares e à base de água para realizar a medição do tempo.[3]

Na matemática, os egípcios foram os grande desenvolvedores da geometria, porque foram necessárias a medição das terras rurais e o levantamento das vastas construções.[3] Na medicina, foram responsáveis pelo tratamento de uma grande variedade de doenças, além de trabalharem como cirurgiões, inclusive utilizando-se de anestésicos.[3] Mas, a medicina egípcia era mais esotérica que científica, por acompanhar-se de magias e por ser também invocativa dos deuses.[3]

Especializaram-se em mumificação de corpos por meio de recursos de embalsamamento pelos quais foi conservado um sem-número de corpos nos dias atuais. De acordo com Heródoto, um historiador grego de muita fama, o processo de mumificar o corpo era feito da seguinte forma:[3]

[3]

Em seguida o corpo era colocado no sarcófago. Os pobres possuíam processos de mumificação de maior simplicidade.[3]

Língua e literaturas egípcias[editar | editar código-fonte]
Hieróglifos em uma estela funerária.

Os egípcios foram um dos primeiros utilizadores da escrita no mundo. Foram os desenvolvedores de três alfabetos:[3]

  • O alfabeto hieróglifo era uma escrita consideradamente religiosa;[3]
  • O alfabeto hierático, de maior simplicidade, era uma escrita que os nobres e os membros do sacerdócio utilizavam.[3]
  • O alfabeto demótico era um tipo de escrita utilizada pela maioria da população. Era utilizada pelas classes economicamente menos privilegiadas da sociedade egípcia.[3]

Na época da campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, o arqueólogo francês Jean François Champollion levou para França, no ano de 1799, um documento rochoso da cidade de Roseta. Nesta rocha estão escritos três tipos de alfabeto. São eles: hieróglifo, grego e demótico. Em 1822, Champollion, com a comparação do texto em língua grega clássica com o tema exatamente igual em hieróglifos, conseguiu a decifração do alfabeto egípcio. Isso foi uma contribuição dada por Champollion para os trabalhos intelectuais sobre a civilização egípcia.[3]

Os egípcios praticavam a escrita principalmente numa planta que chama-se papiro. Esta planta era encontrada em abundância às margens do rio Nilo. Cortava-se o miolo do papiro. Suas partes ligavam-se umas com as outras e prensavam-se. Eram formados assim rolos que os egípcios inclusive exportavam para as civilizações vizinhas. Os egípcios eram contribuintes de vários livros escritos.[3] A maioria dessas publicações trata de temas relacionados à religião.[3] Um famoso exemplo é o Livro dos mortos.[3]

Música egípcia[editar | editar código-fonte]

Pelos documentos que os arqueólogos encontraram, como músicas fragmentadas e instrumentos, a arte musical começaria na Mesopotâmia e no Antigo Egito. De fato, em 1950 os arqueólogos foram os profissionais descobridores de uma canção de origem assíria datada de 4000 a.C., com gravação numa tabuleta feita de argila.[3]

Os egípcios foram os utilizadores da música em todas as ocasiões religiosas ou da sociedade, como casamentos, festas, canções de guerra, de vitória, ou para a expressão de sentimentos tristes e fúnebres. Eram tocadores de instrumentos musicais como lira, cítara, oboé, címbalo, harpa e outros que possuíam caixa de ressonância.[3] Era de praxe o dom musical das mulheres que ganhavam dinheiro. Juntamente com a música, foram desenvolvidas a dança e a coreografia, Os mesopotâmios e os egípcios foram as duas civilizações conseguidoras da escrita da música por meio de sinais próprios para a sua execução pública.[3]

Influência da civilização egípcia sobre outras civilizações[editar | editar código-fonte]

Os egípcios eram influentes no processo evolutivo de uma diversidade de povos limítrofes ou longínquos.[3] Em sua maioria, os eruditos dos demais outros povos da antiguidade eram o público pelos quais iam ser buscados os seus conhecimentos no Egipto, onde trabalhavam como estagiários. Foram os inventores de várias ciências tais como a geometria, que depois os gregos passaram a seguir, assim como outros povos e países.[3]

A medicina foi influenciada quase totalmente pelos egípcios. De fato, os antigos egípcios são o povo pelo qual foram ultrapassados todos os conhecimentos médicos dos povos antigos, como tentativa de cura para todas as doenças que existiam na antiguidade oriental.[3]

No que diz respeito à religião, seus deuses e suas crenças passaram a ser espalhadas por toda a parte. O mundo foi impressionado pelas pirâmides, e considerava-se a alma imortal como um espírito avançado.[3]

No que tange à escrita, lançavam novas ideias na arte de escrever, os sinais e marcas vieram à Fenícia, onde simplificaram-se, fato que deu origem ao atual alfabeto latino, utilizado na maioria das línguas europeias, como o português. O que os egípcios mais contribuíram às civilizações antigas foi o fornecimento de papiro mundo antigo inteiro para a escritura dos seus livros, formação das suas bibliotecas e fornecimento de material para que os seus sábios estudem.[3]

Civilização Mesopotâmica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mesopotâmia
Mapa geral da Mesopotâmia.

A Mesopotâmia, uma rica região da Ásia Menor, situa-se na fertilidade das planícies que os rios Tigre e do Eufrates banham. Suas águas são lançadas no Golfo Pérsico. A Mesopotâmia é uma região análoga, em sua maioria, ao atual território do Iraque.[5]

A palavra Mesopotâmia tem origem na língua grega clássica e pode ter o significado de "terra entre rios", ou seja, nesse caso, trata-se de uma região que compreende a bacia hidrográfica dos rios Tigre e Eufrates. Mas, como visto nos mapas históricos, a extensão da Mesopotâmia ia além desses rios.[5]

Venerador mesopotâmico de 2750-2600 a.C.

Foram diversos povos que, através de lutas, tomaram posse sucessiva dessa fértil região do Oriente Médio (Ásia Menor). Dentre eles, podem ser citados os sumérios, os elamitas, os hititas, os acádios, os amoritas, os cassitas, os assírios, os babilônios, os caldeus, entre outros.[5]

É desconhecida a origem dos sumérios, mas é sabido que, por volta de 3000 a.C., eles foram estabelecidos na parte meridional da Mesopotâmia, próximo ao Oriente Médio.[5]

Política mesopotâmica[editar | editar código-fonte]

Os sumérios foram os fundadores iniciais de uma grande variedade de comunidades que, aos poucos, foram transformadas em cidades-estados. Assim, nasceram as cidades de Ur, Uruk, Lagash, Nippur. A principal delas foi Ur.[5]

A região que os sumérios ocuparam não tinha um poder central pelo qual fosse dada unidade política. Qualquer cidade era a mesma coisa que um país, com governo próprio. Há dois governantes em uma cidade-estado: um civil (patesi) e um sacerdote. As cidades-estado lutavam constantemente. E o rei Sargão I conseguiu unificar o reino da Suméria, durante a fundação do novo país. A extensão do reino da Suméria era compreendida entre a Mesopotâmia e o mar Mediterrâneo.[5]

Depois que morreu Sargão I, o reino decaiu e foi invadido por outros povos.[5]

Babilônios[editar | editar código-fonte]

Uma inscrição do Código de Hamurabi.

O líder dos babilônios foi Hamurábi. Os babilônios tomaram posse da Suméria. Foram os fundadores do Império Babilônico, por volta de 1700 a.C. Hamurábi foi o elaborador do primeiro código de leis conhecido da história da humanidade. O conteúdo das leis desse código regula direitos e deveres do povo e das autoridades. Porém, em conformidade com a classe social, não havia igualdade de direitos entre as pessoas no Império Babilônico. Por exemplo, os babilônios não consideravam os escravos como pessoas, mas sim como qualquer coisa que possuía dono. Afinal, as civilizações antigas possibilitavam a escravidão, e os prisioneiros de guerra, em vez de perderem a vida, eram usados como escravos para trabalhos forçados. Hamurábi criou a lei do talião: "Olho por olho, dente por dente". Uma lei diferente determinava que se houvesse a entrada de um homem e a sua perseguição durante o roubo, a obrigação dessa pessoa era o seu pagamento ao dono do pomar de uma certa quantia em prata. Esse código influenciou bastante as leis de outros povos.[5]

O Império Babilônio declinou e os assírios o conquistaram. Os assírios era um povo militarmente muito organizado e os primeiros utilizadores dos carros de guerra com tração animal. A crueldade e a violência eram as principais características psicológicas dos assírios, conquistadores de uma grande diversidade de povos e povo dominador da região por 500 anos.[5]

Em seguida, por volta de 612 a.C., o Império Babilônico foi reorganizado (Segundo Império Babilônico) e chegou ao apogeu com Nabucodonosor, o qual foi o monarca embelezador da cidade e soberano construtor dos Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e determinou a construção de um imenso zigurate, chamado pela Bíblia de Torre de Babel. Factualmente, no ano de 1889, quando a Torre de Babel foi escavada, descobriu-se um gigantesco zigurate antes pensado como a Torre de Babel, com 90 metros de base e outro tanto de altura e azulejos com esmalte em azul.[5]

Escrita cuneiforme[editar | editar código-fonte]

Escrita cuneiforme com gravação num numa escultura feita durante o século XXII a.C. (Museu do Louvre, Paris). A linguagem escrita resulta do fato de que o homem necessita da garantia de se comunicar e desenvolver a técnica.

Os sumérios e acádios praticavam a escrita em tabletes feitos à base de barro. Foram os inventores de um tipo de escrita no formato de cunha, por isso chama-se escrita cuneiforme. Esses tabletes possuíam grande peso e dificuldade de manuseio, porém, eram vantajosos em duração de século ou milênios com legibilidade de escrita.[5] Muitos tabletes de argila, propriamente ditos, foram encontrados pelos estudiosos do final da década de 1980 e desse modo foi possível a descoberta de um grande número de coisas da primeira civilização do mundo. Na cidade de Nínive, o rei Assurbanipal foi o monarca criador de uma biblioteca com um acervo contado em 22 mil tabletes de argila (barro) onde os sumérios e babilônios escreveram uma grande variedade de assuntos. Dentre os demais assuntos, os tabletes apresentam informações de como se negociava e se comerciava naquela época. Por exemplo, um médico relaciona medicamentos receitados a seus clientes. Os tabletes de maior interesse, determinam os deveres de um menino, na escola, há 3000 anos atrás. O dever do menino foi a pressa para evitar atraso na sua chegada à escola, senão o professor aplicaria castigo físico com uma palmatória. O professor era um profissional utilizador, também, da palmatória para castigar alunos que dialogassem entre pessoas da mesma sala de aula e que deixassem a escola ou que não aprendessem de forma devidamente caprichada.[5]

Religião mesopotâmica[editar | editar código-fonte]

Tanto os sumérios como os babilônios praticavam o politeísmo, ou seja, eram crentes num grande número de deuses.[5] Toda a cidade era protegida por um deus. Por exemplo, na Babilônia, Marduque é o deus protetor. Eram crentes nas forças dos astros da natureza e eram adoradores do céu (Anu), da Terra (Enlil), d Lua (Sin), do raio e da tempestade (Hadad), do fogo (Gibil), dentre outros.[5]

A religião se cultuava nos templos, que se chamavam zigurates. Os zigurates eram construções medidas em degraus no formato de uma pirâmide. Os mesopotâmios eram crentes nos astros influentes da vida do homem,[5] originando a astrologia.Os sacerdotes e adivinhos dedicados ao estudo dos astros eram muito prestigiados.[5] Os povos que habitavam a Mesopotâmia contribuíram em muito ao conhecimento dos astros, e através dessa sabedoria, os sacerdotes conseguiam mesmo antecipar as cheias dos rios Tigre e Eufrates.[5]

Contribuições dos sumérios e babilônios[editar | editar código-fonte]

Deusa Ishtar, estatueta representativa do século IV a.C.

Foi muito valiosa a herança deixada pelos sumérios e acádios para os povos vindouros. Dentre os demais contributos, podem ser apontadas:[5]

  • Organizaram social e politicamente as cidades-estados;
  • Criaram um código de direitos e deveres;
  • Organizaram a produção de alimentos: já na época, foram empregados o arado e máquinas de irrigação, por exemplo;
  • Construíram lindos templos e grandiosos palácios;
  • Os sumérios foram os inventores da escrita, pela qual foi permitido o saber da época;
  • Inventaram a roda e os carros por tração animal;
  • Criaram a astronomia (ciência que estuda os astros);
  • Astrologia, ou seja, o estudo dos astros que influem acima do destino das pessoas.

Os povos antigos da Mesopotâmia não eram crentes na alma imortal, eram religiosamente pessimistas,[5] viviam sem preocupações com a morte e com o que as pessoas viam com os seus próprios olhos depois que morriam. Estavam à procura da sua proteção contra as forças malignas, fazendo-se uso de amuletos e da sorte de magia em sua totalidade.[5]

Uma das divindades de maior culto era a deusa Ishtar, encarnação do planeta Vênus. Era a deusa que protegia o amor e a guerra.[5]

Civilização Hebraica[editar | editar código-fonte]

Abraão e os três Anjos as portas do purgatório segundo descrição de Dante Alighieri em 1250. Gravura de Gustave_Doré (1832-1883).

As origens de maior antiguidade dos hebreus (ou israelitas) ainda não se conhecem. A Bíblia sempre é a mais importante fonte para se estudar a respeito desse povo. As origens tiveram início com Abraão, que chefiava uma tribo onde viviam pastores seminômades. Atendendo aos conselhos de Deus, a cidade de Ur, perto das margens do rio Eufrates, foi deixada por Abraão, este caminhando em direção para Haran e depois Abraão foi estabelecido na terra de Canaã, no litoral leste do Mediterrâneo (hoje Israel). O caráter dessa corrente imigratória era religioso e sua grande duração de tempo estendia-se até a chegada de Abraão à terra que Deus prometeu.[6]

Abraão, contrariamente aos demais homens de sua época, era crente em um só Deus,[6] que criou o mundo, que possui invisibilidade e que lhe ordenou sua partida para Canaã. Premiado por ser obediente e por ser crente,[6] uma promessa de Deus foi recebida por Abraão: sua família originaria um povo que se destinasse a ser possuidor da terra de Canaã, na qual, de acordo com o que diz a Bíblia, eram brotados leite e mel. Isaac, filho de Abraão, ficou sabendo que seu pai renovou essa promessa. Mais tarde, foi renovada a promessa do avó Abraão para Jacó, pelo qual foi recebido de um anjo o nome de Israel, cujo significado é "o forte de Deus". Porém, somente foi definitivamente conquistada a terra de Canaã, no século XIII a.C., durante a saída de Moisés e a sua condução dos hebreus, em sua totalidade, para a Terra Prometida, em 1250 a.C.[6]

Os patriarcas[editar | editar código-fonte]

São chamados de patriarcas os três homens que chefiavam os israelitas: Abraão, Isaac e Jacó. O primeiro passava a sua vida em Ur, na Mesopotâmia. Deus lhe dá ordens de sua partida para Canaã e faz a promessa do excelente futuro de seus descendentes. Após a partida, Abraão é estabelecido na terra de Canaã com sua família. Depois que morreu, é sucedido por seu filho Isaac e depois sucede-lhe Jacó, cujo pai foi Isaac.[6]

Os filhos de Jacó são em doze pessoas, que vão originar as doze tribos de Israel. José, o de menor antiguidade deles, é o preferido dos pais. É invejado pelos irmãos a tal ponto que é vendido como escravo para comerciantes do Egito. No Egito, José vai ser trabalhador na corte do Faraó.[6] Após uma grande quantidade de aventuras ele é nomeado primeiro-ministro. Naquela época, os israelitas ficam muito famintos e o estabelecimento de sua família é conseguido por José.[6]

Moisés[editar | editar código-fonte]

Moisés com as Tábuas da Lei, por Rembrandt.

A vida do povo hebreu foi pacífica por uma grande quantidade de gerações. Porém, o faraó ficou inquieto porque a população aumentou e o Egito tornou-se poderoso: suas decisões foram a transformação dos egípcios em escravos e a exigência de extermínio das crianças, em sua totalidade que nasceram há pouco tempo na época. Ora, naquele tempo, surge, numa família de hebreus, o pequeno Moisés. Para ser salvo, foi acomodado por sua mãe numa pequena cesta feita de papiro e escondido por entre os caniços do rio Nilo. A filha do faraó recolheu o bebê e o educou na corte. Quando chega à idade adulta, Moisés se revolta com o seu povo miserável e encontra-se isolado no deserto do Sinai. Ali, Deus é revelado a ele e lhe promete duplamente: tornará livres os israelitas do trabalho escravo e o país de Canaã será dado por Deus. Desde então, a missão extraordinária de Moisés é essa: será o profeta guiador do povo israelita até a Terra Prometida e o mensageiro de Deus aos homens, de acordo com o conteúdo religiosamente sagrado dos dez mandamentos.[6]

Então, Moisés fez uma viagem de volta para o Egito, para juntamente do faraó, lhe fez um pedido para a permissão da partida dos escravos israelitas para a terra de onde vieram, porque Deus ordenou. Sabendo que o faraó recusou, Deus aplica o castigo ao Egito com as dez terríveis pragas, com narrativa bíblica. Finalmente, faraó renuncia e os israelitas são conduzidos em liberdade: é o Êxodo, ou seja, o momento histórico em que os hebreus saíram do Egito.[6]

Moisés conduziu o povo hebreu por meio do deserto de Sinai. Outra vez, Deus é revelado a ele, as Tábuas da Lei foram dadas a Moisés, contendo os dez mandamentos, e Moisés se aliou, ou seja, se pactuou com o povo de Israel. Ele os dará proteção até entrar na terra da Canaã, porém, em troca, será exigido de seu povo, que este obedeça absolutamente as leis impostas por Deus. Este, efetivamente, faz o ditamento a Moisés das leis de regência à vida do povo de Israel. As 10 primeiras são de importância particular: definem-se como os Dez Mandamentos da Lei de Deus.[6]

Conquista de Canaã[editar | editar código-fonte]

Após a sua saída do Egito, o povo hebreu fez a travessia do mar Vermelho e esse povo, propriamente dito, foi errante por 40 anos no deserto;[6] finalmente, os hebreus entram nas fronteiras que demarcavam a Terra Prometida (atualmente Estado de Israel). Moisés perde a vida. Após a sucessão do falecido Moisés por Josué, é lançada uma guerra santa contrária aos cananeus e é declarado vencedor.[6] A nação onde viviam os cananeus é transformada em nação de Israel. Deus cumpriu o que prometeu.[6]

Juízes[editar | editar código-fonte]

Uma vez que se estabeleceram na terra de Canaã, era preciso uma autoridade para ser o líder do povo hebreu nas batalhas contrárias aos inimigos e a autoridade coordenadora das atividades democráticas.[6] Foram os juízes, e dentre eles mereceram destaque Josué, Sansão, Gedeão e Samuel. Após os juízes, foi fundado o reino de Israel, que um rei passou a ser comandante do novo país dos tempos bíblicos.[6]

Monarcas[editar | editar código-fonte]

David representado por Michelangelo.

Davi e Salomão foram os reis de maior esplendor do passado histórico israelita. Durante o reinado de Davi, foi concluída a tomada da terra de Canaã e fundado o reino de Israel. Foram expulsos os filisteus e escolhida Jerusalém como a capital do novo país. Davi foi um rei autor de poesias e escritor de uma grande quantidade de salmos encontrados na Bíblia.[6]

Quando Salomão reinou Israel, o país passou por grande progresso. Foram construídos palácios, fortificações e o Templo de Jerusalém. No interior do templo, estava localizada a Arca da Aliança, cujo conteúdo principal eram as Tábuas da Lei, nas quais se gravavam os Dez Mandamentos, que Deus ditou para Moisés no Monte Sinai, durante a vinda do povo hebreu do Egito à Canaã.[6]

A maior parte do material que se usava nas construções era produto de importação de Tiro, na Fenícia. Exagerou-se tanto no mercado importador de madeira (em principal o cedro-do-Líbano), ouro, prata e bronze que Israel se transformou num país empobrecido.[6] Quanto à arrecadação do dinheiro do país, não havia suficiência de pagamento das dívidas. Para o sustento dos gastos e ao luxo da corte do rei Salomão, foram aumentados os impostos e tornou-se obrigatório o trabalho da população economicamente desprivilegiada em obras públicas.[6] Além do mais, a cada três meses 30 000 hebreus foram revezados no trabalho de mineração e de extrativismo florestal na Fenícia para extrair madeira, como forma de pagar a dívida externa de Israel com a Fenícia.[6]

A administração de Salomão foi motivo de descontentamento do povo, porém, ele foi considerado historicamente como um rei que construiu muito e, em principal, como um rei de muito conhecimento.[6]

Invasões estrangeiras[editar | editar código-fonte]

Os demais povos se apoderaram de Israel por uma grande variedade de vezes. Após a divisão de Israel em dois Estados adversários — Israel na parte setentrional e Judá na parte meridional, os assírios e babilônios aprisionaram os hebreus. Depois, dentre os demais povos dominadores, os persas e romamos se apoderaram de Israel. Por volta do ano 70 a.C., a cidade de Jerusalém foi destruída pelo imperador romano Tito. Os judeus, desde então, foram espalhados pelo mundo (foi a que chama-se Diáspora) e somente foi conseguida a reunião no território de hoje, em 1948, quando fundou-se o Estado de Israel.[6]

Religião judaica[editar | editar código-fonte]

Como a desvantagem dos israelitas era a sua grande fraqueza do ponto de vista militar,[6] os demais povos conquistaram os hebreus numa grande variedade de vezes e até levaram os judeus como trabalhadores braçais da escravidão à Babilônia (o cativeiro da Babilônia). Mas os hebreus, com sua imunidade, enfrentaram numerosas situações difíceis[6] por meio dos séculos e, como se uniram em volta de seus ensinamentos religiosos, ainda são sempre um povo.[6]

Uma função de grande importância na parte religiosa e moralista foi desempenhada pelos judeus, influenciando enormemente esta performance no ocidente inteiro, a partir da Europa em direção às Américas.[6]

Eram praticantes do monoteísmo, sendo crentes em Jeová (ou Javé),[6] Deus que criou tudo, universal, que possui invisibilidade, espírito todo-poderoso, sendo impossível a sua representação através de estátuas ou imagens. Era obrigatória a sua adoração em "espírito e verdade". Os profissionais do sacerdócio também chamavam-se de levitas, por serem um povo pertencente à tribo de Levi, uma doze tribos de Israel.[6]

Nos 1000 anos anteriores à época em que nasceu Jesus Cristo, o povo hebreu escreveu sua história, suas leis e suas crenças. Esses relatos, em sua totalidade, acham-se na parte inicial da Bíblia, que chama-se Antigo Testamento, o qual é a parte que o povo hebreu segue. A Bíblia é um livro religioso do judaísmo como também do cristianismo.[6]

O povo que destruiu o monumental Templo de Jerusalém foram os romanos, no ano 70. Atualmente a parte restante somente era de um muro que servia de cercania do templo. Nesse muro, os hebreus ainda atualmente vão fazer a lamentação do templo destruído e o seu povo que se espalhou pelo mundo. Esse muro chama-se de Muro das Lamentações.

Quanto às festas e dias santificados, os judeus consagram o sábado à prática da religião. Proíbe-se qualquer trabalho que pode ser realizado apenas em seis dias úteis. Os judeus reservam o sábado, propriamente dito, para se encontrar com os familiares, para orar e estudar o Antigo Testamento (faziam-se também cultos religiosos na sinagoga).[6]

Geralmente, durante as festas religiosas são comemorados fatos históricos, religiosos e agrícolas. A festa religiosa de maior solenidade do judaísmo é o Yom Kippur (Dia do Perdão); era um dia destinado pela Lei de Moisés para que todos se apresentassem diante do Sumo Sacerdote e, através do ato simbólico do sacrifício, fossem perdoados por Deus caso houvesse sinceridade no arrependimento.[6]

Numa época antiga, dentre os judeus, Deus era homenageado através de animais sacrificados (holocaustos) e através de ofertas. Atualmente, na Diáspora (dispersão pelo mundo), os judeus são reunidos em locais de culto que chamam-se sinagogas. O ato de orar e ler a Bíblia Hebraica é transformada numa essência da vida judaica.[6]

Na história israelita, inteiramente falando, certos homens influenciaram uma função especial: eles são os profetas. Os profetas são pessoas que Deus inspirou; são os porta-vozes dele. Desde o século VII a.C., eles já esperavam muito: o Messias, um enviado de Deus, veio para ser o homem transformador do mundo, tornar reinantes a paz, a justiça e o amor[6] e convocar uma nova reunião dos israelitas para passarem uma vida pacífica em sua própria terra. Ainda na atualidade, os israelitas estão no aguardo de um messias salvador, que, segundo o que os cristãos acreditam já vem na pessoa de Jesus Cristo.[6]

Esperando o messias, é obrigatória a tendência do judeu à santidade, em observação da Lei e das regras de vida (moral judaica).[6] O conteúdo das leis aparece em um livro que chama-se Torá (lit. "Lei"). Elas dizem respeito aos aspectos da vida em sua totalidade: cultuar, trabalhar, viver em família, comer, vestir, punir as faltas, etc. Os religiosos que explicam as leis da Torá são mestres que chamam-se rabinos. O conteúdo dos comentários que os rabinos explicam a respeito dessas leis aparece num grande livro: o Talmud.[6]

Civilização Fenícia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fenícia

O povo fenício, que se originou no Oriente Médio, passou sua vida, desde uns 3000 a.C., numa faixa de terra de menor comprimento no litoral leste do mar Mediterrâneo, na região que o Líbano e a Síria ocupam atualmente.[7]

Comércio fenício.

Como a pequena quantidade de terrenos e a aridez dos solos eram de sua propriedade, os fenícios não eram dedicados à agricultura. Como se cercavam de regiões montanhosas entre as partes setentrional, meridional e oriental, somente lhes sobrava o aproveitamento do mar. Passando sua vida em convívio com o mar, foram os descobridores precoces da construção de navios e da navegação. Dessa forma, suas cidades mais importantes, como Tiro, Sídon, Biblos e Ugarit, foram transformados em portos de partida dos navios que comercializavam produtos próprios ou de demais nações. Suas galeras viveram aventuras pelos mares na ousadia das viagens, em conquista de mercados de maior distância.[7]

Foi dessa forma, que os fenícios, além de serem os exploradores do mar Mediterrâneo, comercializando com as ilhas do Chipre, Creta, Sicília, Córsega e Sardenha, alcançaram o oceano Atlântico, na chegada ao mar Báltico, no norte da Europa, e no percurso do litoral da África. Os fenícios foram o povo que mais navegou e explorou durante a Antiguidade. Circunavegaram o litoral da África no ano 600 a.C., sabendo que o faraó egípcio Necao pediu, viajando no mesmo trajeto que, dois mil anos depois, seria feito por Vasco da Gama na direção oposta. Existe, ainda, a afirmação de quem considera a chegada dos fenícios até o litoral brasileiro.[8]

Comércio fenício[editar | editar código-fonte]

Numerosas foram as mercadorias que os fenícios comercializavam. Compravam-se alguns deles em demais nações e revendiam-se em demais locais. Porém, a maior parte eram produtos propriamente fabricados, como tecidos, corantes para pintar tecidos (como a púrpura), cerâmicas, armas de fogo, peças metálicas, vidro de transparência e de cor, joias, perfumes, especiarias, entre outros. Seus artesãos possuíam habilidade na imitação e na falsificação de mercadorias de mais povos. Também os cedros da região montanhosa da Fenícia eram produtos de exportação. Os fenícios também foram o povo que mais comercializava escravos à época. Foram os fundadores de feitorias (pontos onde eram armazenadas mercadorias) e uma grande quantidade de colônias em demais regiões, como as ilhas de Malta, Sardenha, Córsega e Sicília, e os fundadores, na porção setentrional da África, da famosa cidade de Cartago.[8]

Política fenícia[editar | editar código-fonte]

Os fenícios se organizavam em cidades-estados, ou seja, cada cidade fenícia formava um centro comercial que possuía independência e administração política peculiares. Os exercentes do governo dessas cidades eram comerciantes de influência que chamavam-se sufetas. Em um grande número de vezes, essas cidades chocavam-se porque o comércio era muito concorrido. Algumas delas passaram a serem os pagadores de tributos com a finalidade de preferir e de proteger seus produtos comerciais.[8]

Cultura fenícia[editar | editar código-fonte]

Evolução das letras que compõem o nome hebraico do rei Davi a partir do alfabeto fenício, passando pela escrita hebraica antiga pré-exílio chegando as letras hebraicas atuais (denominadas de "letras quadráticas" ou "escrita assíria").

Inicialmente, os fenícios foram os utilizadores da escrita cuneiforme da Mesopotâmia.[8] Após a escrita cuneiforme, os fenícios, propriamente ditos, começaram a serem utilizadores dos hieróglifos dos egípcios. Porém, esses sistemas de escrita não estavam dando satisfação às suas necessidades de comércio. Dessa forma, nasceu a ideia da simplificação da escrita e da invenção do alfabeto, que tornou-se o sistema de escrita o qual os fenícios mais contribuíram para o nosso planeta, na área da cultura.[8]

Essa descoberta de importância surgiu porque era necessária a facilitação dos contratos de comércio que eram contabilizados e elaborados com os demais países. Dessa forma, os fenícios foram os inventores dos 22 sinais representativos das consoantes; em seguida, os gregos ficaram conhecidos na história como os aperfeiçoadores do alfabeto fenício, adicionando as vogais, e o alfabeto fenício, propriamente dito, passou a ser adotado pelos demais povos.[8]

Em Ugarit, encontrou-se uma biblioteca com numerosos tabletes feitos de argila com escritura a respeito dos aspectos administrativos, religiosos e mitológicos da Fenícia.[8]

Religião fenícia[editar | editar código-fonte]

O povo fenício eram adeptos do politeísmo, ou seja, era um povo adorador de uma grande variedade de deuses, como Astarte, deusa que protegia a fecundidade; Baal, deus do trovão; Melkart, deus dotado de violência e guerra; Ishtar, deusa que protegia a Mesopotâmia, que também se cultuava na Fenícia, e demais divindades.[9]

Como curiosidade, na religião da Fenícia, é que eles, como marinheiros, não possuíam deuses do mar e os religiosos, em cerimônias ritualísticas, eram indivíduos sacrificadores de homens e de crianças, homenageando os deuses, em principal Moloch.[9]

Ciência fenícia[editar | editar código-fonte]

O povo fenício não teve originalidade na área científica, sendo copistas de demais povos do que seria possível ser de grande utilidade para eles. Como comerciantes, o setor de maior desenvolvimento dos fenícios foi o da construção de navios e da navegação. Conheciam muito bem matemática para construir navios e astronomia para observarem as estrelas. A astronomia ajudava os fenícios a navegarem pelos mares.[9]

Civilização Persa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Persas

O Império Aquemênida teve início em 549 a.C., depois de ser conquistado por Ciro, o Grande, e término em 330, quando Alexandre Magno, da Macedônia, declarou-se vencedor de Dario III. O tempo de duração do Império Persa, então, era de mais de dois séculos e abrangia peculiarmente a Ásia Menor inteira. Situava-se na área de ocupação atual dos seguintes países: Irã, Iraque, Líbano, Jordânia, Israel, Egito, Turquia, Kuwait, Afeganistão, Geórgia, parte do Paquistão, da Grécia, da Bulgária da Romênia, da Ucrânia e da Líbia.[10]

Foi o mais extenso império de conhecimento na época. Os persas, da mesma forma que os medos, eram os dois povos que se originaram de regiões de línguas indo-europeias e que foram estabelecidos no planalto iraniano há cerca de um milênio a.C.[10]

Reis persas[editar | editar código-fonte]

Ciro II

Na história do Império Aquemênida, havia três reis persas mais importantes: Ciro, o Grande, Cambises I e Dario I. Sob a direção talentosa do general Ciro,[11] então comandante das tropas persas, os dois povos, medos e persas, foram unificados em torno do século VI a.C. e passaram a constituir o Império Persa.[11]

Quando o primeiro rei persa governou por 25 anos, uma meta conseguida por Ciro, o Grande não foi somente a conquista da Mesopotâmia mas também a conquista total da Ásia Menor. Diferenciadamente de demais dominadores, Ciro respeitava os povos que dominava, tornando possível que essas populações vivessem com grande normalidade, fossem livres para agir, trabalhar, cultuar seus deuses, viajar, estudar, entrar na justiça, divertir-se, comprar, entre outras atividades.[11] De preferência, por razões de governo em vez de por motivos de religião, Ciro, em algum momento, penetrou num templo religioso persa com o objetivo de cultuar os deuses. Durante o governo de Ciro, o Grande, foi permitida a liberdade religiosa e proibido o saque dos soldados aos templos babilônicos. Como as características psicológicas de Ciro, o Grande, eram a liberalidade e generosidade, foi permitido aos hebreus, estes passando a vida como escravos na Pérsia, que fossem de volta ao país de onde originaram, a Palestina.[11]

Entretanto, o problema de sua direção era a sua intransigência em ambos os detalhes:[11] eram obrigatórios o serviço militar e o pagamento de altos tributos dos povos subordinados. Ciro perdeu a vida em batalha por volta do ano de 529 a.C.[12]

O primeiro rei que sucedeu o pai Ciro foi seu filho Cambises, cujas características psicológicas eram a crueldade e a violência,[11] sendo exigido por ele, também, morte do próprio irmão. Em 525 a.C., Cambises foi o conquistador do Egito, mas morreu sem deixar evidências no caminho de volta ao seu país.[12]

Dário

Dario I era da mesma família de Cambises e tomou posse do governo no ano de 521 a.C. Durante o seu governo, foi ampliado ainda mais o amplo Império Persa, sendo conquistados o vale do rio Indo e parte setentrional da Grécia, no entanto, a causa de morte de Dario I era a sua infelicidade na Batalha de Maratona,[11] quando os atenienses o derrotaram. A colaboração que Dario I mais contribuiu para a História foi, provavelmente, a rigidez de uma ordem político-administrativa imposta por ele ao grande Império Aquemênida.[12]

Política persa[editar | editar código-fonte]

Tendo recebido o apoio de um exército de grande poder, Dario I foi um governante firme do Império Aquemênida, contudo, simultaneamente, benevolente. Para tornar fácil a administração, o império foi dividido no total de 20 províncias, que chamavam-se satrapias. Um sátrapa governava cada satrapia. O rei nomeava os sátrapas, cujas funções mais importantes foram:[12]

  • exercício da justiça;
  • cobrança de impostos;
  • administração das obras públicas;
  • manutenção da ordem.

Para que não ocorresse o abuso de poder dos sátrapas, cabia ao rei a nomeação para cada província de um secretário e de um general que informavam ao chefe de Estado dos acontecimentos que passavam em cada satrapia. Sátrapas, generais e secretários, por sua vez, recebiam fiscalização de pessoas que o rei enviava, os inspetores, visitantes periódicos das províncias. Esses inspetores receberam o apelido de "os olhos e os ouvidos do rei". Durante o reinado de Dario, com a finalidade de tornar fácil as transações comerciais, foi criada uma moeda (em ouro ou prata) para a totalidade do império: o dárico. Só era possível a ordem do rei para a cunhagem de moedas.[12]

Transportes e comunicações persas[editar | editar código-fonte]

Os persas foram construtores de estradas dentre as mais importantes cidades do Império Aquemênida. O sistema de correio que Dario criou utilizava essas estradas. Há mais de 20 quilômetros cada existiam estações de descanso com hospedaria e cocheira. Os mensageiros substituíam os cavalos, de modo que fosse possível a rápida cobertura de distâncias de maior comprimento. O que foi conseguido pelos mensageiros era o transporte de mensagem da cidade de Susa a Sardes em um limite de tempo anterior a duas semanas, sendo totalizada uma distância superior a 2 400 quilômetros.[13]

Economia persa[editar | editar código-fonte]

As principais atividades econômicas do Império Aquemênida são a agricultura e comércio. A população, embora seja composta de agricultores, passava a sua vida na miséria de maior plenitude, sendo obrigatória a entrega aos fazendeiros de grande parte do que era produzido pelos camponeses. Além do mais, era obrigatório o trabalho gratuito em obras públicas, como construir palácios, estradas e canais de irrigação, atividades agrárias de grande valor da religião.[13]

A sociedade era explorada pelo governo com o peso dos impostos, com a finalidade do governo, propriamente dito, ser a autoridade mantenedora do exército e do luxo da corte. O Império Aquemênida se relacionava comercialmente com o Egito, a Fenícia e a Índia.[13]

Religião persa[editar | editar código-fonte]

Faravahar (ou Ferohar), é a representação da alma humana antes do nascimento e depois da morte, é um dos símbolos do zoroastrismo.

Os persas eram os seguidores da religião de pregação de um ilustre profeta denominado Zoroastro (ou Zaratustra), natural da Pérsia, no século VI a.C. Zoroastro era pregador de uma doutrina que dizia que o deus do bem (Mazda) e o deus do mal (Arimã) lutavam constantemente. Eram adoradores também do Sol (Mitra), da Lua (Mah) e da Terra (Zan).[13]

Eram crentes em um deus que criou o céu, a terra e o homem e em uma vida depois da morte.[14] Não enterravam-se os corpos dos falecidos que se consideravam impuros para não sujar com manchas a terra-mãe sagrada. Colocavam-se aos abutres, em torres de maior altura, ou protegiam-se todos com cera antes de se enterrarem. Não possuíam torres nem estátuas, mas eram mantenedores do fogo sagrado, símbolo do deus do bem e da pureza. Além do mais, o zoroastrismo (que também chama-se de mazdeísmo) era pregador da bondade, da justiça e da retidão. Como o bem e o mal eram dualmente intolerantes, foram influenciados enormemente o cristianismo, e, futuramente, o islamismo de Maomé.[13] A bíblia dos mazdeístas era o Zend Avesta.[14]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os persas eram distintos na arquitetura, sendo construtores de belos palácios, como os de Persépolis e Susa. Foram famosos trabalhadores de tijolo que se esmaltavam em cores vivas. Na escultura, eram utilizadores dos baixos-relevos. Foram imitadores dos egípcios e dos assírios. Escreviam letras cuneiformes, da Mesopotâmia.[14]

Civilização Chinesa[editar | editar código-fonte]

Mapa histórico da China durante a dinastia Han

A China é um grande país, geograficamente falando, que se localiza no extremo leste do mundo. Por ser geograficamente isolado, demorou a chegada de uma grande quantidade de coisas que os chineses descobriram e inventaram no Oriente, como a pólvora, a bússola e o papel, em viagens marítimas de navio que levavam muito tempo para vir ao Ocidente, porque era muito longe e difícil. A China, da mesma forma que a Índia, era um local de procura de comerciantes de especiarias.[15]

Na região norte, nas proximidades do rio Amarelo (Huang Ho), as frequentes inundações e catástrofes das chuvas eram provocadas. Consequentemente, deviam tratar-se cuidadosamente a agricultura e certos produtos mais importantes, como o trigo e o milho, distantes das áreas de inundação, sendo obrigatória, dessa forma, a irrigação artificial utilizada, trabalhando pacientemente o solo tratado.[15]

Nas regiões de montanhas do centro-sul, que o rio Azul (Yang Tsé Kiang) domina, contrariamente, o clima era de calor e umidade e a plantação de arroz era favorecida. Servia-se, ao mesmo tempo, a região com uma rede de canais artificiais.[15]

Sociedade chinesa[editar | editar código-fonte]

A construção da grande muralha da China ocorreu no século III a.C., durante a dinastia Tsing, para a defesa do império chinês contra os hunos invasores. Sua medida é de aproximadamente 2400 km de comprimento.

A civilização chinesa é muito antiga. Ela foi desenvolvida no Período Neolítico, nas terras baixas do rio Amarelo. Pode ser reconstruída a história da antiga sociedade chinesa por meio dos inúmeros materiais arqueológicos que se encontraram. Já que as civilizações babilônica e egípcia voltaram-se para a agricultura, que se considerava a mais antiga das artes. Para que o exemplo seja dado ao povo, o arado do imperador ("o filho do céu") foi pegado e a terra era lavrada anualmente pela única vez.[16]

Perto dos anos 1500 a.C., era boa a organização política da monarquia chinesa, dominada pela dinastia Shang, reinante entre os séculos XII e III a.C. Uma grande variedade de dinastias foi sucedida, com classes sociais divididas.[16]

O período da dinastia Shu foi de movimentada atividade cultural. Nasceu uma grande variedade de correntes filosóficas vindas a ser chamadas de Centros Escolares, que se destinavam ao exercício filosófico e ao estudo da milenar história da China. Destas escolas, apareceram notáveis filósofos, como Confúcio e Lao-Tsé.[16]

Filosofia chinesa[editar | editar código-fonte]

A filosofia chinesa destacava-se através da obra dos seguintes pensadores:[17]

  • Confúcio (Kung Fu-Tsé = o mestre; 551 - 479 a.C.). Foi um famoso filósofo chinês, passou a vida e percorreu em viagem pelas cortes reais, sendo oferecidos seus serviços e sua sabedoria para os soberanos e príncipes. Viveu na sua maior parte dando aulas. Não foi o fundador de uma religião, mas considerou-se um mestre da vida. A base de seus ensinamentos exemplifica a virtude vinda das alturas. A sociedade adequada, na opinião dele, é um conjunto humano cujas atitudes respeitosas e ordeiras são demonstradas[17] entre o soberano e seus súditos, entre pais e filhos, entre marido e mulher, e entre amigos. Então, caso não respeitarem-se essas normas, a sociedade será desordeira e violenta.[17] Havia uma pequena quantidade de pessoas que seguiam Confúcio na época em que ele viveu. Depois que morreu, sua filosofia de vida teve bom sucesso, um pensamento com pregação de culto aos ancestrais, da bondade, do perdão e da amizade.[17]
  • Lao-Tsé (século VI a,C.) foi o filósofo criador da tradição religiosa que chama-se taoismo. O nome é derivado do seu livro Tao, pregador do caminho, da vida e dos hábitos corretos. Os taoistas eram os críticos das injustiças, como, exemplificando, pune-se um ladrão de menor idade à medida que um ladrão de maior idade vem a ser transformado em um ilustre fazendeiro. O pedido do taoismo é que o homem volte para o meio ambiente.[17]

Alfabeto chinês[editar | editar código-fonte]

Os chineses foram os inventores de um tipo de escrita de grande complicação. Era a forma de escrita que chama-se ideográfica, os sinais representativos dos objetos ou ideias. Eram possuidores de uma quantidade superior de 3 000 ideogramas, cuja boa escrita é necessária para não confundir um com outro. Por essa razão, era considerada importante a caligrafia chinesa. Ao longo de uma grande quantidade de séculos, a escrita e a cultura privilegiaram a elite que prestava serviços ao governo.[18]

Economia chinesa[editar | editar código-fonte]

Cavalo sancai da Dinastia Tang. Museu de Xangai.

A civilização chinesa foi desenvolvida nas planícies que os imensos rios, por essa razão, dedicou-se bastante à agricultura. Contudo, nasceram diferentes atividades econômicas, como a indústria de tecelagem (com palha, cânhamo), em principal a seda fabricada, transformada em especiaria notável no mundo inteiro.[18]

O artesanato feito de bambu, juncos, caniços, peles de animais e madeira era uma atividade econômica de grande desenvolvimento. A habilidade dos chineses era o artesanato em cerâmica, que possuía seu ponto mais alto na notória porcelana fabricada na China.[18]

Cultura chinesa[editar | editar código-fonte]

Entre as obras dignas de atenção deixadas pelos chineses no área arquitetônica estão os palácios, templos e túmulos, casas com dois telhados, terraços e jardins muito delicados com cursos de água e pontes. Porém, a obra mais destacada foi a Grande Muralha. Na escultura, sendo utilizadores de mármore, calcário e alabastro, foram escultores de estátuas representativas de forças naturais, grandes batalhas e animais. Na pintura, foram fazedores de ornamentos muito delicados em porcelana e tecido, além de pintores de murais e decorações para a parte interna das casas. Eram empregadores de cores dotadas de vida e brilho.[18]

Civilização Hindu[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Civilização Hindu

A Índia, local de nascimento de uma imensa civilização, localiza-se no sul da Ásia. Por ali estar geograficamente situado, há muito tempo ela distanciou-se dos outros povos. Foi, da mesma forma que a China, a mais distante região onde intensificou-se o comércio das especiarias, na época da Idade Média e início dos tempos modernos, sendo influenciadas, também, as Grandes Navegações. Os hindus foram os meritosos inventores dos algarismos, que posteriormente os árabes divulgaram.[19]

Origens da civilização hindu[editar | editar código-fonte]

Dentre os povos habitantes da antiga Índia, destacaram-se os drávidas, em 2000 a.C. Praticavam muito bem a agricultura, já eram conhecedores de sistemas de irrigação e a habilidade dos hindus residia no comércio. Suas moradas eram cidades com estradas de grande comprimento, casas feitas de pedras com boa limpeza no interior de seus comôdos, preocupando-se com a higiene e a parte sanitária. Mas esse povo não soube resistir aos invasores e, por esse motivo, entre 1750 e 1400 a.C. as tribos arianas oriundas do norte que dominaram a região de Pendjab (região dos cinco rios), perto do rio Indo, escravizaram os hindus.[19]

Sociedade hindu[editar | editar código-fonte]

As terras dos drávidas, escravizados pelos invasores, foram tomadas pelos arianos, estes fixados como classe que dominava o poder, a religião e o domínio militar. Sob total dominação, sobrou aos drávidas somente o trabalho e a submissão. As tribos arianas encontravam-se sob o domínio de diminutos reis que chamavam-se rajás e, de vez em quando, de marajás, reis mais poderosos.[20]

A sociedade foi organizada em base de castas (classes sociais imutáveis). Proibia-se, exemplificando, o casamento de uma pessoa de uma classe social com outra pessoa de uma classe diferenciada ou posição social. Quem era nascido numa classe social ficava nela até a sua morte. A classes (castas) ligavam-se à religião e às profissões diferenciadas. Eram crentes na saída das classes sociais através do corpo do deus Brama.[20]

As classes fixavam-se, continuando socialmente posicionadas. Punia-se todo o desrespeito a uma casta superior, expulsando o indivíduo da sua casta ou rebaixando-o para a condição de pária. Devido à sua expulsão, a pessoa submetia-se aos trabalhos de maior humilhação e considerava-se um impuro ou pária.[20] O costume dos hindus era o banho nas águas do rio Ganges (rio sagrado), no entanto, proibia-se aos párias o banho, a frequência aos templos e até a leitura dos ensinamentos sagrados.[20]

Religião hindu[editar | editar código-fonte]

Os nativos do vale do rio Indo eram adoradores da mãe-terra, dona da vida. Em seguida, os arianos foram os introdutores do culto ao firmamento, ao Sol, à Lua, ao fogo, à chuva e às tempestades. Logo seguidamente foram afirmados no bramanismo, religião pregadora das castas e que foi transformada em credo oficial na Índia, em conformidade com a escritura nos livros Vedas (Saber Sagrado). O bramanismo baseia-se em três divindades: Brama (aquele que criou o mundo), Vixnu (aquele que conserva os mundos) e Shiva (aquele que destrói os mundos). Essas três divindades em conjunto chamam-se Trimúrti. De acordo com essa religião, o espírito nunca morre e qualquer ser humano ressuscita depois que morre, sendo reencarnado ora em homem, ora em animal. Dessa forma, por meio de reencarnações, as pessoas vão ganhando perfeição espiritual até a sua chegada ao Nirvana, um estado de perfeição pelo qual é identificado o homem com o deus Brama. Assim, a religião motivava as pessoas à aceitação passiva de sua condição social como um estado natural, porque depois que morriam, teriam a chance de renascimento numa casta superior se fossem benévolos[20] quando vivos.[20] Mas estavam expostos à perigosa descida para a condição de párias ou animais se fossem malévolos.[20]

Budismo[editar | editar código-fonte]

De suas raízes na Índia, os ensinamentos do Buda se espalharam pelo mundo, como essa escultura de Amitabha pertencente à Dinastia Tang, encontrada na Hidden Stream Temple Cave, Longmen Grottoes.

No século VI a.C., a solução de Buda, um iluminado, um membro da nobreza do Nepal, que não contentava-se com os preceitos bramanistas, era a criação de uma religião reformada, como credo pregador das pessoas iguais a Deus, sem distinguir castas.[20]

A casa e o conforto de Buda foram abandonados, para a mudança de vida e para a pregação de um novo tipo de religião. Penitenciou nos bosques, vestiu-se como um mendigo, sua barba e seu cabelo foram cortados e ele meditou profundamente.[20]

Por seis anos passou sua vida distante de todos, jejuando e meditando, até que um dia, com sentimento e visão muito claras, percebeu a vida como condutora para a liberdade e para o fim do mundo. Voltando a conviver com os homens, iniciou a pregação sem distinguir casta, sendo ensinando que ódio não é vencido com o ódio mas com o amor e apenas quem descobrir que a riqueza e os grandes sucessos podem ser renunciados terá a chance de encontrar a tranquilidade e a paz na alma e penetrará no Nirvana. A quantidade de adeptos do budismo era grande, em principal nas classes de menor riqueza, porém, fortaleceu-se em grande quantidade depois que morreu Buda. A religião foi estendida pela Ásia inteira, na sua chegada até o Japão. Atualmente é a religião professada por 3 milhões de asiáticos.[20]

Civilização Cretense[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Civilização Minoica
Mapa da Civilização Minoica.

Perto do III milênio a.C., contemporâneo às civilizações orientais e do Egito que desenvolveram-se na época, a ilha de Creta foi uma região receptora de certos povos, que provavelmente vieram da Ásia Menor. Creta localizava-se bem no Mediterrâneo Oriental, próximo à Grécia e à Ásia Menor. Os primeiros povos que habitavam essas terras originaram a civilização egeia, chamada assim porque desenvolveu-se ao redor do mar Egeu. Como a maior parte da população formava-se de pescadores e marinheiros, foram chamados de povo do mar.[21]

Dentro da civilização cretense há três estágios: civilização egeia (inicial), civilização cretense e civilização minoica (período mais desenvolvido). A civilização cretense foi a de maior tranquilidade do que as civilizações do oriente. Inicialmente, os cretenses se preocupavan com a agricultura (vinha, oliva) e, depois eles foram dedicados ao comércio marítimo com as demais ilhas do mar Egeu, com a Ásia e com o Egito.[21]

No século XIX, o arqueólogo inglês Evans foi o descobridor de traços e vestígios da grandiosidade dos palácios que datam de 1900 a.C. Esses traços e vestígios eram restantes das cidades de Cnossos e Faistos. Esses palácios com decoração de quartos, além de oficinas, redes de água e esgoto, lugares para fins administrativos eram a demonstração de que os cretenses eram altamente civilizados e socialmente organizados.[21]

Por volta de 1 750 a.C., talvez um terremoto, ou mesmo um vulcão explosivo, destruiu verdadeiramente Creta, de modo que os palácios reais de Faistos e Cnossos soterraram-se. Porém, acima dessas ruínas, por volta de 1600, o Minos foi o rei construtor do esplendor dos demais palácios e Cnossos foi transformada na capital da ilha de Creta.[22]

Civilização Minoica[editar | editar código-fonte]

O palácio de Cnossos, que o rei Minos construiu, era grande e seus cômodos compreendidos eram salas do trono, teatro para espetáculos, torneios e touradas. A construção, entre 4 e 5 andares, dispunha de 1 300 divisões para a maior diversidade de fins. Servia-se de um imenso pátio central com cerca de 10 000 m². Sua quantidade de habitantes era maior que cem pessoas, sendo compreendidas a família real, funcionários e servos.[22]

Os reis-sacerdotes do palácio de Cnossos eram os soberanos daquele edifício governamental. O de maior importância entre eles foi o rei Minos, que, segundo a lenda, seu pai era Zeus, o deus que lhe inspirava para ser o governante do povo como sábio e justo.[22]

O maior atrativo religioso era a Deusa-Mãe, que considerava-se a deusa que protegia a fecundidade, a maternidade, a terra e os homens. Era também a senhora que protegia os animais, e a ela consagravam-se os pássaros, leões e serpentes.[22]

Homenageando a Deusa-Mãe, os cretenses eram os organizadores de um grande número de festas, jogos, torneios, touradas em que os rapazes eram habilmente exibidos em exercícios que ofereciam perigo, ginásticas. Os cretenses eram os toureadores de touros, mas sem a matança desse bovídeo ruminante da classe dos mamíferos, porque esses animais eram considerados como entes sagrados.[22]

O período minoico teve papel de destaque no mais alto progresso da ilha de Creta. Eram comuns as relações de comércio com os demais povos que habitavam o mar Mediterrâneo. Os cretenses, naquele tempo, foram os utilizadores de um sistema de pesos e medidas sob inspiração dos egípcios e mesopotâmicos. Para os cretenses, as moedas de cobre eram de valores diferenciados para a sua utilização nas transações comerciais. As moedas, geralmente, mostravam um labirinto desenhado.[22]

Houve parada brusca dessa civilização, em 1 400 a.C., provalvelmente porque ela foi destruída. Naquele tempo, os aqueus, que vieram da Grécia, invadiram a ilha de Creta.[22]

Cultura cretense[editar | editar código-fonte]

A vida levada pelo povo cretense era de muita alegria e festividade. Tanto os homens quanto as mulheres possuíam dedicação em grande parte do seu tempo para jogar, exercitar o corpo ao ar livre, bater com os punhos, lutar com os gladiadores, correr, realizar torneios, desfilar e tourear.[23]

  • A dança, que se acompanhava de cantos e sons, era um diferente passatempo predileto que os cretenses possuíam.[23]
  • Frequentavam teatros ao ar livre, que ficavam nos pátios dos palácios em um grande número de vezes.[23]
  • Os alimentos eram armazenados em grandes potes ou vasos que eram tão altos quanto um ser humano. Esses vasos, ao mesmo tempo que os cretenses armazenavam, eram também objetos que decoravam, porque possuíam uma rica decoração.[23]
  • Foram os inventores de um sistema peculiar de escrita, com gravação em argila. A inspiração de parte dessa escrita veio dos hieróglifos egípcios.[23]
  • Ganharam fama pelos labirintos que construíram, com um grande número de salas e corredores. Ganhou popularidade o labirinto de Cnossos, o qual quem construiu foi o arquiteto Dédalo, a pedido do rei Minos.[23]
  • A arte cretense era muito fantástica, viva e delicada.[23] Os artistas possuíam talento de representação do momento em que um touro esteve furioso[23] ou em que um polvo se movimentava suavemente. Os artesãos eram trabalhadores na cerâmica, no ouro, na prata, no bronze, com os quais eram feitas belas peças e objetos de adorno.[23]
  • Possuíam grande desenvolvimento na pintura. Os pintores procuravam se inspirar na natureza, nos pássaros, nas flores, na vida à beira-mar. Os gregos somente superavam os cretenses na arte.[24]

Antiguidade clássica[editar | editar código-fonte]

Civilização grega[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Grécia Antiga
Localização da Grécia Antiga no mundo.

A Grécia é uma península que os mares Jônico, Egeu e Mediterrâneo banham. Localiza-se a oeste da Ásia Menor (atual Turquia). O litoral grego tem grandes recortes, constituindo numerosos portos naturais. Os mares, pelos quais é circundada a Grécia, pontilham-se de ilhas e ilhotas conhecidas por serem naturalmente belas.[25]

Era uma região com grande diferença daquelas que os povos orientais habitavam, os quais passavam a vida na fertilidade das planícies margeadas pela grandeza dos rios, ao passo que os gregos, ocupantes de uma área de grandes montanhas,[25] precisavam dedicar-se ao trabalho árduo em um solo de pouca riqueza e muita pedregosidade para conseguir sua agricultura de subsistência.[25]

Como a terra era empobrecida, nas diminutas áreas de cultivo eram formados agrupamentos humanos (diminutas comunidades) que uma grande variedade de acidentes geográficos, como montanhas e colinas separavam umas das outras.[25]

Período Pré-Homérico (século XX a.C até o século XII a.C.)[editar | editar código-fonte]

Cavalo de Troia em pintura de Giovanni Domenico Tiepolo.

Uma série de povos arianos e indo-europeus foram os invasores da região grega e as sociedades dominadoras dos habitantes dos povos neolíticos. Os povos mais importantes que invadiram a Grécia Antiga foram os aqueus, os dórios, os jônios e os eólios.[25]

Os aqueus invadiram uma grande variedade de cidades (Tirinto, Micenas, Troia). Como dividiam-se em tribos, eram organizados em pequenos reinos (cidades-estados). Por volta de 1500 a.C., já eram fortemente organizados para a guerra, o que lhes possibilitou a dominação da ilha de Creta, e na região foi instalada uma base militar e marítima dos aqueus. Foram transformados em soldados da marinha e foram os fundadores de uma grande variedade de colônias nas ilhas do mar Egeu. De 1280 a.C. até 1270 a.C., os aqueus declararam por uma dezena de anos uma guerra à cidade de Troia, alvo de destruição e incêndio, sendo então dominada. Até meados do século XIX, pensava-se que a Guerra de Troia era uma história fantasiosa[25] de autoria do poeta grego Homero e que a cidade jamais tivesse que existir. Porém, em 1871, o alemão Heinrich Schliemann, em trabalhos arqueológicos, foi o descobridor de nove cidades que sofreram destruição, umas juntamente às demais, e entre elas foi encontrado o tesouro do rei Príamo (rei de Troia), daí a comprovação da verdadeira existência de Troia.[25]

Período Homérico (século XII a.C. até o século VIII a.C.)[editar | editar código-fonte]

Busto de Homero

O poeta Homero foi o autor de ambos os célebres livros de poesias: a Ilíada e a Odisseia.[25] Essas obras acabaram sendo transformadas em documentos de importância para se estudar a civilização grega daquela época, nos modus vivendi, costumes, usos da terra, organização social, política, cultura e educação.[25]

A Ilíada é a narração da história da cidade de Troia e a guerra, com a totalidade de seus heróis (como Ulisses e Aquiles) e suas aventuras. Após ficarem duramente cercados por uma dezena de anos, os gregos conseguiram ser os vencedores da resistência troiana, sendo os inventores de um grande cavalo feito de madeira, com soldados que se esconderam dentro, julgando ser um presente dos deuses. Depois que os troianos festejaram e beberam, houve a saída dos gregos do cavalo e a cidade foi dominada. Daí a origem da expressão "presente de grego".[25]

A Odisseia é a narração do aventureiro Ulisses, um dos heróis que lutaram na Guerra de Troia, quando voltou para a ilha de Ítaca, onde era rei. Quando retornou de viagem, passou por proezas, como sentir-se livre dos gigantes de um único olho na testa (os ciclopes), ser resistente às sereias encantadas (atrativo dos marinheiros para o fundo do mar) e sentir-se livre do terror da bruxa Circe, feiticeira dos seus marinheiros.[25] A deusa Palas Atena foi a divindade protetora do herói viajante, sendo possível o retorno de Ulisses a seu reino, onde o viajante foi esperado pela esposa Penélope por muitos anos.[25]

Essas obras foram transformadas em clássicos como fontes para se estudar a história e como base para educar os jovens gregos por séculos,[25] porque eram publicações literárias realçadoras[25] dos valores da bondade, da coragem, da justiça, do amor filial e da luta pelos direitos.[25]

Genos[editar | editar código-fonte]

Na época em que viveu Homero, a sociedade era constituída de pequenas comunidades que nada mais eram que o grupo dos membros de uma família que eram obedientes a um chefe (o pater familias, família patriarcal). Eram agricultores e pecuaristas; os bens e a terra eram pertencentes à comunidade. (Não existia a propriedade privada.)[25]

Período Arcaico (século VIII a.C. até o século VI a.C.)[editar | editar código-fonte]

Pólis[editar | editar código-fonte]
O Partenon, na acrópole de Atenas

Os genos progrediram, foram desunidos e apareceu uma forma diferente de comunidade de maior amplitude, que constituía uma unidade territorial, política, econômica e social. Chamava-se pólis, uma cidade-estado, livre das demais, com governo próprio e economicamente auto-suficiente. A pólis se compunha de três partes essenciais:[25]

  • a acrópole: a porção de maior elevação,[25] funcionando-se como fortaleza e onde estavam situados os templos para cultuar os deuses e governar a cidade-estado.[25]
  • a ágora: a praça mais importante, onde o povo encontrava-se reunido para a discussão dos problemas que preocupavam a comunidade e ao pequeno comércio.[25]
  • a ásty: o mercado central.[25]
  • os campos agrícolas ou de pastoreio.[25]

A Grécia era uma imensa região que um grande número de cidades-estados independentes constituíam, mas que, apesar disso, eram as unidades administrativas conservadoras de alguma unidade, porque eram unidades políticas falantes de uma mesma língua e eram crentes nos mesmos deuses. O sistema político era uma monarquia, onde o rei assumia as atribuições de chefe de guerra.[25]

Esparta e Atenas[editar | editar código-fonte]

Dentre as cidades-estados, destacaram-se Esparta e Atenas, com grande diferença de aspectos entre si.[25]

Esparta[editar | editar código-fonte]

Território de Esparta

Uma imensa cidade-estado foi formada no sul do Peloponeso, entre as montanhas abertas para a fertilidade da planície da Lacônia, que o rio Eurotas percorre. Seus fundadores foram os dórios, cujas funções eram a violência e a guerra e a cidade era totalmente dedicada à guerra. Seu governo era aristocrático, i.e., uma elite era uma classe detentora do poder e suas ordens eram ditadas ao povo. Suas leis, de acordo com a tradição, são originárias das ideias de um lendário legislador que se chamava Licurgo.[25]

O governo era constituído da seguinte forma:[25]

  • existiam dois reis (um chefe militar e outro religioso - diarquia.)[25]
  • um Conselho de Anciãos (a Gerúsia, formada por 28 elementos com idade superior a 60 anos de idade).[25]
  • a Ápela (uma assembleia popular reunida a cada mês para a discussão e aprovação de leis que os anciãos propunham).[25]
  • os éforos (que eram cinco magistrados que uma assembleia elegia por um ano e que se encarregavam da fiscalização do cumprimento das leis e da vigilância da educação dos jovens).[25]

O exército espartano, em grande número e com bom treinamento do seu contingente, defendia a pólis.[25]

Sociedade espartana[editar | editar código-fonte]

Os esparciatas eram o grupo de domínio, proprietários das terras de melhor qualidade. Seu dever era a contribuição de despesas públicas e em caso de negação da contribuição, perdiam privilégios como punição.[25]

Os periecos estavam numa situação de intermédio; suas possibilidades eram: ter terras e comercializar; possuíam direitos civis, porém, não gozavam de direitos políticos.[25]

Os hilotas eram trabalhadores das terras na condição de pessoas sem liberdade, o governo era o seu proprietário, não gozavam de direitos nem civis nem políticos.[25]

Exército espartano[editar | editar código-fonte]
Estátua em mármore de um hoplita, talvez o rei Leónidas.

Os espartanos viviam totalmente para as atividades militares e guerreiras. Já, na idade dos sete anos, entregava-se a criança ao governo. Esta era a autoridade política e social indicadora de instrutores para a educação da arte militar. Entre os sete e catorze anos treinava-se a criança para uma disciplina com rigidez, com pouca alimentação para a leveza, esperteza e resistência à fome. Submetia-se a provas físicas de dureza, ia aos campos, onde o seu dever era o aprendizado da caça, da luta, do roubo e da matança, ou seja, seu dever era o aprendizado de sua própria defesa.[25]

Aos dezessete anos, era um jovem praticante de um exercício (Kriptia = gruta) em que o seu dever era a captura e matança de escravos que soltavam-se nas florestas.[25]

Seus deveres eram pouca fala e sua expressão com pequeno número de palavras, fato pelo qual foi recebido nome de laconismo (da palavra Lacônia, região espartana). Na idade dos vinte e um anos, já era um hoplita (soldado) que possuía perfeição e capacidade de defesa da pátria.[25]

De um modo geral, casava-se aos 30 anos, sendo que, antes dessa idade, somente permitia-se a coabitação. Aos sessenta anos recebia a aposentadoria do exército e era possível a sua participação no Conselho de Anciãos (Gerúsia).[25]

Esse tipo de educação militar, o treino para viver com dureza e desconforto, era uma disciplina criadora de um ambiente social muito tenso, conflitante e desafeto.[25]

Os esparciatas não se importavam com a acumulação de bens materiais, riquezas, metais preciosos e possuir coisas confortáveis e cômodas. Embora desprezavam a riqueza, estiveram à procura da produção do que necessitavam para a manutenção da sociedade. O tipo de vida desse povo era o fechamento da sociedade em si mesma, sem mudar e sem progredir, e os espartanos não aceitavam bem os estrangeiros.[25]

Mulheres espartanas[editar | editar código-fonte]

O destino das mulheres era pior que o dos homens. Colocavam-se as mulheres numa posição inferior. Não era possível a continuidade da educação dos filhos depois dos sete anos, submetiam-se ao pai quando solteiras e aos maridos depois que casaram, não eram indivíduos participantes da vida política e suas atividades sociais eram poucas. Não eram confortadas pelos afetos familiares, como as mulheres de Atenas, e se obrigavam à prática de exercícios físicos e esportes para a manutenção de uma boa forma física a fim de serem um gênero humano gerador de bons soldados para a pátria. Não permitia-se o celibato para as mulheres, ou seja, possuíam o dever de casamento e de possuírem filhos fortalecidos.[25]

Os espartanos acusavam as mulheres sem desejo de casamento de criminosas contra a pátria. Os espartanos, propriamente ditos, eliminavam as crianças nascidas com defeitos físicos que impedissem os mais jovens de serem bons soldados.[25]

Expansão de Esparta[editar | editar código-fonte]

Do século VIII ao século VII a.C., os esparciatas foram uma classe social adotante de uma política expansionista e conquistadora das cidades vizinhas, sendo reduzidos os vencidos à escravidão. Desse modo, foram a classe social dominadora de Messina, Arcádia, Hélade, Argólida. No fim do século VI a.C., a maioria do Peloponeso é transformada numa liga militar, comandada pelos espartanos. Estes ganharam fama como soldados de excelência, que guerreavam por um grande amor à pátria.[25]

Atenas[editar | editar código-fonte]

Na região da Ática, a pólis de Atenas localizava-se bem perto do mar Egeu, razão pela qual lhe foram dados certos privilégios no comércio marítimo, tornando desenvolvidas suas características de cidade aberta ao mundo.[25]

O solo empobrecido e a água em falta favoreceu o abandono da agricultura por seus numerosos habitantes e a dedicação ao artesanato e ao comércio. Os jônios, que conquistaram a região da Ática, foram misturados com os primitivos donos da terra e concederam a vida para a população de maior labor e genialidade da Grécia.[25]

O porto de Pireu, que os gregos construíram há uma pequena distância de Atenas, foi transformado num dos maiores centros comerciais do mundo antigo e o de maior importância da Grécia. Tudo isso veio ser um fator multiplicador das riquezas, estimulador da inteligência, fortalecedor do espírito de independência e do amor pela liberdade.[25]

Política ateniense[editar | editar código-fonte]
Busto de Sólon.

Atenas ganhou fama como o berço da democracia. Mas, antes da sua chegada a esse ponto, passou por um grande número de fases na sua organização política e social.[25]

Nos primeiros tempos, o chefe que governava as cidades-estados foi um rei (monarquia). Nos séculos VII e VI a.C., os grandes fazendeiros foram os destruidores do sistema monárquico e passaram a ser os implantadores de um sistema que germinou a futura democracia.[25]

A classe econômica era numerosamente privilegiada, o que descontentou e revoltou os mercadores, pescadores, marinheiros, artesãos e pequenos proprietários. Esse povo batalhava pela existência de leis escritas e justas que protegessem os direitos de qualquer cidadão.[25]

Então, a solução dos eupátridas foi o encarregamento do legislador Drácon (620 a.C.) da elaboração de leis escritas, que receberam a denominação de leis draconianas. Eram leis com rigidez, dureza, severidade e com punição mortal a quem fosse desobediente. Mas essas leis eram maiormente favorecedoras para os nobres do que para as camadas mais baixas da população, que continuaram preocupadas e foram as classes sociais exigentes em leis que defendessem seus direitos. Depois que as camadas populares protestaram e manifestaram por mais ou menos trinta anos, apareceu um novo legislador, no ano de 594 a.C., que a classe dominante também escolheu, para a elaboração de novas leis e uma reforma social. Esse legislador foi Sólon, que acabou ganhando confiança dos ricos por sua riqueza também e dos pobres por sua honestidade. Desse modo, as leis de Sólon conseguiram alguma estabilidade, paz e justiça social por uma série de anos. Sólon reformava a sociedade com equilíbrio.[25]

Constituição de Sólon[editar | editar código-fonte]

Solón dividiu a sociedade em quatro classes sociais (pentacosiomediminus, cavaleiros, zeugitas, tetas). Essa divisão de classes baseava-se na renda (riqueza) de cada um dos quatro. E quanto mais as pessoas enriqueciam, gozavam de direitos e deveres.[25]

Constituição de Sólon

Um grande número de mudanças políticas e sociais foi trazido pelas reformas de Sólon. Ele concedeu abertura política para formar novos partidos políticos. Porém, uma parte da população (estrangeiros, pequenos camponeses, pobres e escravos) marginalizou-se da vida social, de modo que permaneceram as revoltas populares. Nesse clima agitado, um nobre com ambição, chamado Pisístrato, no ano 560 a.C., tirou proveito da situação e golpeou o governo, sendo estabelecido um novo regime político que se chamava tirania (tirano é aquele que eleva-se ao poder por meios que não constam na constituição).[25]

Com Psístrato, Atenas foi uma cidade pacífica e próspera. A cidade foi transformada num grande centro industrial e comercial.[25] Depois que Psístrato morreu. o governo foi passado a seus filhos, que deram continuidade à política exercida pelo pai.[25]

Clístenes, o pai da democracia[editar | editar código-fonte]
Constituição de Clístenes

No ano de 508 a.C., um nobre que se chamava Clístenes elegeu-se arconte e foi o governante de Atenas, em atenção à vontade popular e em consolidação da democracia.[25]

Uma reforma social foi feita por Clístenes, sendo dada maior participação política às pessoas de baixa renda, foi dividida a população em dez tribos e as terras em dez partes igualmente para elas. Cada tribo possuía 50 representantes na Bulé, sendo totalizados os 500 membros formadores do mais importante órgão do governo.[25]

Discutiam-se os problemas em assembleias (eclésias) populares. Clístenes foi o estabelecedor da lei do ostracismo, que exilava por dez anos o cidadão, pelo qual fossem cometidos erros de gravidade ou fosse ameaçada a democracia. Clístenes deu maior abertura política e participação popular nas decisões do governo. Daí o apelido de Clístenes: "Pai da Democracia".[25]

Família e educação em Atenas[editar | editar código-fonte]

O ateniense possuía uma grande ligação à família. A casa era reinada pela mulher, enquanto o homem era dedicado ás tarefas fora do lar. Unia-se a família pela força dos laços religiosos e por cultuar os familiares que morreram. Veneravam-se estes em altares no interior dos residências.[25]

Depois de casada, a mulher passou a ser o cônjuge adotante da religião do marido. Sepultavam-se os mortos e, certas vezes, queimavam-se. Em um grande número de vezes, protegiam-se os túmulos com esculturas feitas de pedras ou monumentos. Quanto à educação, era dada mais atenção à educação dos rapazes.[25]

Quase a totalidade dos elementos do sexo masculino eram seres humanos aprendizes da leitura e da escrita, porque estas eram julgadas qualidades preciosas para a formação de um bom cidadão. Não existiam escolas públicas, mas eram de escolha dos pais as escolas particulares e os professores que lhe agradavam.[25]

As crianças aos sete anos eram matriculadas na escola e elas eram seres humanos aprendizes da música, considerada de importância para elevar o espírito. Até os quatorze anos, eram indivíduos aprendizes da escrita, da literatura (principalmente os poemas de Homero) e do cálculo. Após os quatorze anos, se desejassem permanecer estudando, eram dedicados à ginástica. Nos ginásios, eram os indivíduos praticantes de quaisquer dos esportes e participavam dos Jogos Olímpicos, como lançamento de disco, luta, pugilismo, corrida e salto. Essa educação esportiva objetivava, inclusive, a preparação do jovem para o serviço militar.[25]

Os jovens não eram pessoas livres para a escolha de seus pares, porque as famílias arrumavam os casamentos. O tipo de família era patriarcal, na qual a mulher submetia-se ao homem. Os homens vestiam uma túnica de grande comprimento, que se parece com aquela que os árabes ainda usam atualmente. O vestuário feminino consistia numa roupa de grande comprimento, tipo camisolão.[25]

Período clássico da Grécia[editar | editar código-fonte]

Durante o período clássico grego aconteceram guerras dentro e fora da península e a cultura grega se desenvolveu e se resplandeceu. Os gregos realizavam guerras externas contra os persas. As guerras internas devem-se à disputa entre Esparta e Atenas naquela época, que lutavam para hegemonizar (dominar) as outras pólis.[26]

Guerras Greco-Persas[editar | editar código-fonte]

O Império Ateniense em 431 a.C.

Os gregos e persas guerreavam entre si devido às concorrências comerciais e porque ambos os povos desejavam a expansão de seu domínio acima dos povos vizinhos. Os povos eram uma ameaça ao comércio e à vida política de uma grande variedade de cidades gregas.[26] Primeiro, dominaram a cidade de Mileto, que se revoltou e com ajuda solicitada à Atenas. As tropas de Atenas foram movimentadas contra os persas, originando assim a guerra.[26]

Primeira guerra[editar | editar código-fonte]
Milcíades

Em 490 a.C., a grande armada persa, sob o comando de Dario I, desceu de sua embarcação na Ática, na planície de Maratona. Conduzidos por Milcíades, os atenienses foram os combatentes dos adversários nos seus pontos fracos, num ataque relâmpago.[26]

Os persas não chegaram nem mesmo a usar suas mãos e seus braços com a intenção de pegar em armas, porque os atenienses já dominaram os inimigos.[26]

Segunda guerra[editar | editar código-fonte]
Temístocles

Em 485 a.C. no estreito de Salamina, os gregos derrotaram novamente os persas, sob o comando de Xerxes I, cujo pai foi Dario I. O ataque dos persas, com melhor preparação, se deu por terra e por mar. Os gregos, desta vez, dispunham de melhor exército, por fazerem uma coligação de cidades contra o inimigo, incluindo Esparta. Os persas chegaram a atacar pelo norte, invadiram os valentes espartanos sob a liderança de Leônidas e dirigiram-se ao sul, no local do incêndio de Atenas. Parecia que a Grécia foi derrotada, mas os gregos foram reorganizados e a esquadra persa foi atraída para o estreito de Salamina, local de favorecimento dos pequenos barcos gregos e da dificultação dos grandes navios persas.[26]

Os persas de Xerxes possuíam ainda contra si, as grandes armaduras dos soldados que brigavam por questões monetárias, enquanto o imenso patriotismo movia os gregos. Sob a liderança de Temístocles, os gregos exterminaram os persas, que deixaram seus navios.[27]

Causas do enfraquecimento da Grécia[editar | editar código-fonte]

Com o fim das guerras entre gregos e persas, as cidades gregas voltaram para seus interesses políticos, sociais e econômicos locais. Com a vitória de Atenas nos conflitos militares, os atenienses consideravam-se a salvação de toda a Grécia. Diante da possibilidade de novos ataques, Atenas propôs uma aliança das cidades, para se defenderem. Assim, foi criada a Liga de Delos, com a participação de mais de 300 cidades (com exceção de Esparta, que ficou de fora), tendo como sede a ilha de Delos, que centralizariam os tesouros e outros bens.[28]

Diante dessa união, os espartanos, invejosos, reagiram criando a Liga do Peloponeso, reunindo várias cidades. Isso acabou causando um conflito bélico entre as duas confederações com duração de 27 anos - e trégua de seis anos nominada Paz de Nícias. O conflito terminou com a derrota de Atenas. Então, cidades gregas aliaram-se à cidade de Tebas, dominando os espartanos e sobressaindo-se no comando político sobre os gregos por algum tempo. Com isso, a Grécia acabou enfraquecida e no ano 338 a.C. acabou sendo dominada pelo rei Filipe II da Macedônia.[28]

O século de Péricles[editar | editar código-fonte]

Péricles.

Péricles discursava muito bem. Era grande entendedor de arte militar. Como político, era habilidoso e prudente. Era governante de Atenas entre 461 a 429 a.C. (aproximadamente trinta anos). Como governante era um príncipe, sempre concordando com o povo, muito respeitoso com o político.[28]

Péricles frequentava assiduamente o teatro e possuía grande amor às artes. Estava em busca da transformação de Atenas na capital cultural do mundo antigo. Seu período de governo foi esplendoroso. Esse período passou a chamar-se Idade de Ouro da Grécia.[28]

Governo democrático de Péricles[editar | editar código-fonte]

A democracia ficou cada vez mais forte e as classes de baixa renda ganharam o direito de participação ativa na política. No parágrafo abaixo, é recomendável uma leitura de um trecho de um discurso proferido por Péricles a respeito do seu governo:[29]

Temos uma forma de governo que causa inveja aos povos vizinhos. Não imitamos os outros e servimos de exemplo aos outros. Quanto ao nome, este governo é chamado de 'democracia' porque não é uma administração para o bem de algumas pessoas e sim para servir toda a comunidade. Diante das leis, todos gozam de igual tratamento. E a consideração de cada um vem não do partido, mas dos méritos demonstrados no serviço da comunidade. Temos medo de conseguir cargos públicos por meios ilegais.
Amamos o belo, mas na justa medida, e amamos a cultura do espírito, mas sem desprezar outros valores.

O Século de Ouro[editar | editar código-fonte]

Péricles contribuiu para o desenvolvimento maravilhoso das artes, das letras e da filosofia. O projeto de Péricles destinado ao desenvolvimento das artes e da cultura era audacioso. As pólis vizinhas enciumaram-se, mas com elas não havia nenhum impedimento para que crescessem.[30]

Péricles foi o primeiro a incentivar quaisquer das modalidades de expressão artística. Ornamentaram-se as acrópoles e construíram-se vastos monumentos.[30]

Foi nessa época que em Atenas apareceu um grande número de talentos nos setores de arte e cultura, fazendo com que a cidade destacasse e assentasse sua hegemonia.[30]

Cultura grega[editar | editar código-fonte]

A arte grega era muito vistosa por ter proporções harmoniosas, por ser equilibrada e serena. Mistura totalmente a inspiração da fantasia e a realidade. Os gregos consideravam esse tipo de arte que inspirou os artistas ao longo dos tempos.[30]

Arquitetura grega[editar | editar código-fonte]
Planta da Acrópole de Atenas

Os gregos eram construtores de palácios, tribunais, teatros e templos que ganharam fama. O monumento de maior fama que os gregos construíram na Acrópole de Atenas foi o Partenon. Define-se o Partenon como um templo que homenageia a deusa Palas Atena, padroeira da cidade.[30]

O Partenon é o templo grego de maior fama. Causa admiração por ter proporções imensas, elegantes e harmoniosas. Não foi obra de um único autor, mas de uma grande variedade de artistas. Entre os artistas merece destaque Fídias. Há numerosas esculturas de Fídias como decoração do templo.[31]

O Partenon se transformou em igreja cristã no século VI e em mesquita turca em 1450 d.C. A permanência desse templo colossal durou até o século XVII, sem que quase ninguém tivesse posto o dedo. Naquela época, um desastre foi sofrido pelo prédio: os armamentos provocaram a explosão do templo. Isso porque os turcos que exerceram o domínio de Atenas eram guardiães de seus armamentos que ficavam armazenados no templo, o que representava um perigo para a sua segurança. Passou por restaurações, porém, em 1812, os ingleses levaram a beleza de suas esculturas que são encontradas no British Museum, em Londres.[31]

A arquitetura grega ganhou fama também pela tipologia das colunas que se usavam nas construções. Havia colunas com lavor artístico em estilo dórico, jônico e coríntio.[31]

Escultura grega[editar | editar código-fonte]
Discóbulo, obra de Miron

As obras que os gregos esculpiam deixam à amostra formas e expressão naturais, idealismo, alegria e companheirismo. Os escultores que os antigos mais conheciam foram Fídias, Miron e Praxísteles.[31]

São também conhecidas as Cariátides. As Cariátides são colunas que formam mulheres. São seis esculturas de jovens bonitas[32] de mármore que vieram de Cária, Ásia Menor, onde havia lindas mulheres.[32] Elas são encontradas no templo Erechthion, em Atenas.[32]

Pintura grega[editar | editar código-fonte]

As pinturas dos gregos eram harmoniosas, elegantes e vivas. Infelizmente, há poucos vestígios da pintura grega e o que nos chegou foram principalmente vasos com decoração muito boa e outras peças feitas por ceramistas. As pinturas apareciam na superfície de tecidos, pedras e madeira. Seu costume era a reprodução feita de cerâmica com cenas que ocorriam no cotidiano.[32]

Teatro grego[editar | editar código-fonte]

Os teatros gregos eram grandes construções que serviam de atrações para muitas pessoas por ocasião de festas religiosas e populares, principalmente as festas que homenageavam a deusa Atena e Dionísio (deus do vinho). Nessas ocasiões, os gregos compareciam a imensos espetáculos (que representavam comédias e tragédias).[32]

As representações dos gregos eram peças com os elementos de essência que o teatro tem atualmente: atores, diálogo e cenário.[31]

Os maiores autores de peças teatrais foram: Ésquilo, Sófocles, Eurípedes. Destaque na comédia Aristófanes, cuja sátira preconceituosa referia-se aos costumes da época. Os temas favoritos ligavam-se às cenas da cidade, à religião e à mitologia.[32]

A acústica dos teatros era muito boa. Havia riqueza e grande variedade dos trajes. O coro acompanhava os atores. O coro era composto de um grupo de cantores e dançarinos, além de uma orquestra. Esses cantores e dançarinos eram utilizadores de máscaras que se chamavam de personas. Essas máscaras representavam o caráter dos personagens com aumento do volume de voz. Por essa razão, aqueles que participam das narrações que ocorrem no teatro, na literatura e no cinema dos dias de hoje, receberam o nome de "personagens". A possibilidade das mulheres era de assistir aos espetáculos, mas de não trabalhar como atrizes. A representação dos personagens era somente dos homens.[33]

Péricles se convenceu de que era importante a franquia de ingressos do teatro a qualquer pessoa.[33]

 Religião e mitologia grega[editar | editar código-fonte]

A religião grega, foi, na antiguidade, a de maior aproximação entre os deuses e os homens. Era uma religião antropomórfica, ou seja, os deuses eram semelhantes aos homens, com suas qualidades e defeitos. Com uma característica diferente: seu poder e sua imortalidade. Cultuavam-se as divindades nos lares, nos templos e nas festividades religiosas.[34]

O culto era um tradição. Como se fazia no interior das casas, o fogo sagrado era acendido, os gregos ofereciam e sacrificavam os animais. A religião vinculava com união as pólis entre si. Os oráculos representavam os deuses (eram porta-vozes dos deuses). Ganharam fama nos oráculos de Delfos, Olímpia, Epidauro e Delos. Populares e também políticos iam fazer uma consulta aos oráculos nos templos.[34]

Uma forma de costume grego de homenagem aos deuses eram os jogos e as competições esportivas. Os de maior fama foram os Jogos Olímpicos, que realizavam-se no Monte Olimpo homenageando Zeus, que de acordo com a crença, era habitante desse monte, acompanhando outros deuses. Realizaram-se as primeiras Olimpíadas em 776 a.C. e, desde então, a cada quatro anos.[34]

Na religião grega havia um grande número de mitos e lendas que servem como explicação de como o mundo, os próprios deuses e os homens originaram-se. Não existia um livro sagrado, uma vez que os poetas e artistas alteravam com frequência a religião, que passava por tradição oral de geração em geração.[34]

Para os gregos, o mundo começaria com Nix (a noite) e Érebo (seu irmão), que via-se como o inferno, ou seja, a segunda parte das trevas, com sua existência no Caos (que era o grande vazio inicial). Pouco a pouco Nix e Érebo foram separados, foram afastados cada vez mais, até que Nix foi transformado numa esfera, encurvado e, como um ovo, foi partido e fez nascer Eros (o amor). As duas partes da casca do ovo inicial foram afastadas, e uma foi transformada na abóbada celeste e a segunda num achatamento de disco que é a Terra. O céu passou a se chamar Urano e a terra Gaia. Depois que o céu e a terra se casaram, iniciaram-se as novas gerações divinas.[34]

Deuses do Olimpo[editar | editar código-fonte]
Busto de Zeus.
  1. Zeus: Deus soberano, cujos elementos que o simbolizam são a água e o fogo.[34]
  2. Hera: Esposa de Zeus, cujos seres vivos que a simbolizam são o pavão e a romã.
  3. Atena: Filha de Zeus, cujos seres vivos que o simbolizam são a coruja e a oliveira. Deusa que protegia a sabedoria e a estratégia de batalha.
  4. Hermes: Trazendo mensagem aos deuses, representava-se com asas nos pés e no capacete.
  5. Pan: Deus que protegia os bosques, possui chifres, orelhas e patas de bode. Inventou a flauta.
  6. Posidão: Deus que protegia os mares, representava-se com um tridente na mão.
  7. Dionísio: Deus que protegia o vinho, representava-se com uma taça e uva nas mãos.
  8. Hefesto: Deus que protegia a forja e a metalurgia. Seus símbolos era o martelo e a tenaz.
  9. Afrodite: Deusa que protegia o amor e a beleza, cujo elemento que a simboliza é a pomba.
  10. Deméter: Deusa que protegia a terra fértil e a agricultura.
  11. Apolo: Deus que protegia a harmonia, a luz, a música e a poesia. Seus símbolos eram a lira e o louro.
  12. Ártemis: Deusa que protegia a caça e as virgens, seus símbolos eram o veado e o arco.
  13. Héstia: Deusa que guardava os lares e o fogo sagrado.
  14. Hades: Deus que protegia os mortos e os infernos, em cuja porta estava o cão Cérbero, com três cabeças.[34]
Os grandes deuses[editar | editar código-fonte]
  • Zeus: considerava-se chefe dos deuses. Sua morada era o monte Olimpo. Ele provocava chuvas, e era o senhor dos ventos e dos trovões. Se casava com Hera, que os gregos cultuavam como a padroeira dos casamentos e das futuras mães.[34]
  • Apolo: Seu pai era Zeus, cujo filho era o deus que protegia a beleza, a arte, a música, as curas e as adivinhações.
  • Afrodite: Irmã de Apolo, seu pai era Zeus. Deusa que protegia a beleza e o amor. Era nascida das espumas marinhas.
  • Hermes: Seu pai era Zeus, cujo filho trazia mensagem aos deuses. Protegia os viajantes, os comerciantes e os oradores.
  • Dionísio: Seu pai era Zeus, cujo filho habitualmente acompanha-se de um cortejo de demônios masculinos e femininos (são os bacantes).
  • Posidão: Irmão de Zeus (seus pais eram Cronos e Reia), sua esposa era Afrodite. É o deus que protegia os mares. Seus filhos eram monstros.[34]
Heróis da mitologia grega[editar | editar código-fonte]
Édipo e a Esfinge (pintura de Gustave_Moreau).

Os gregos foram veneradores de alguns semi-deuses (ou heróis).[34] Os de maior importância foram Hércules, Édipo, Teseu, Jasão e Perseu. Hércules ganhou fama por ser forte. Foram submetidos pelos deuses a uma grande variedade de provas: foram, por ele, todas superadas. Hércules batalhou apenas com um arco e uma clava. As provas ficaram de conhecimento como o Doze Trabalhos de Hércules, entre os quais: o estrangulamento de Leão da Nemeia, a morte da Hidra de Lerna, a captura em vida do Javali de Erimanto, a libertação de Teseu dos infernos, etc.[34]

Édipo era filho de Laio, rei de Tebas, e de Jocasta. De acordo com o oráculo de Delfos, seus destinos eram o assassinato de seu pai e o casamento com sua mãe. Para não ocorrer a tragédia, Laio deixou o filho no ponto mais alto do monte Citéreo, furando os pés e amarrando-o de cabeça para baixo. Depois que os pastores acharam, eles o criaram e, já adulto, de acordo com o destino, seu pai foi assassinado (sem tomar conhecimento). Como recompensa do decifrador do enigma da esfinge atormentadora de Tebas,[34] foi casado com a rainha (que era sua mãe). Chegaram desgraças sobre a cidade e foi revelado pelo oráculo a Édipo que tudo era culpa dele, pois era casado com a própria mãe. Depois que Édipo descobriu a verdade, sua mãe foi suicidada e os próprios olhos dele foram furados e vagou pelo mundo.[34]

Império Macedônio[editar | editar código-fonte]

Uma falange macedônia: uma tropa de soldados a pé, armados com lanças, andando na formação apertada.

A Macedônia foi organizada militarmente pelo rei Filipe II, ganhando poder. Este rei, quando era jovem, esteve como prisioneiro na cidade grega de Tebas, onde foi aprendiz de alguma coisa da arte militar de Esparta.[35]

Na sua volta à Macedônia, a percepção de Filipe II era de que as cidades gregas estavam se enfraquecendo, sendo de fácil conquista. E, com esta finalidade, o rei macedônio foi o reformador do exército, sendo o introdutor da ilustre falange macedônia, que formou uma grande inovação nos campos de batalhas (que os romanos limitaram futuramente).[35]

Filipe II foi o conquistador da Grécia no ano 338 a.C. Foi morto dois anos depois e seu filho Alexandre Magno tomou posse aos vinte anos de idade. Alexandre, jovem conquistador e glorioso, unificou gregos e macedônios lutando comumente contra os persas. Em sangrentas batalhas invadiram os persas e alargaram o Império Macedônio até a Índia. Os soldados, cansados, não queriam continuar e Alexandre volta, mas, doente com febre, é morto na Babilônia. Então, dividiu-se o seu grande império entre seus três mais importantes generais.[35]

O maior merecimento de Alexandre Magno foi fundir as culturas dos povos vencidos, à procura do estímulo de casamentos entre vencedores e vencidos, e foi o promotor da igualdade de tratamento entre todos povos que dominou. Essa combinação da cultura grega com a cultura dos povos orientais foi chamada de helenismo.[35]

Cultura helenística[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cultura grega

Alexandre e seus sucessores foram os fundadores de numerosas cidades para a difusão da cultura grega. Construíram-se à maneira das cidades gregas, com as condições de necessidade para o desenvolvimento da cultura. Entre estas cidades, foram de importância Alexandria (no Egito), Antioquia (na Turquia) e Pérgamo (na Ásia Menor). Alexandria, além de seu farol, que considera-se uma das sete maravilhas do mundo antigo, possuía uma enorme biblioteca com uma quantidade superior de 700 mil livros onde sábios de qualquer parte vinham para o aumento de seus conhecimentos.[36]

Filosofia grega[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Filosofia grega

A filosofia grega era vista como um meio de compreensão do mundo e do homem e uma tentativa de explicação da razão de ser de todas as coisas. Largaram as explicações mitológicas e religiosas e recorreram à razão e à ciência para a explicação dos mistérios de existência do mundo, do ser humano, os valores morais, a alma e a felicidade.[37]

Os principais filósofos gregos são:[37]

  • Tales de Mileto: Foi o mais antigo filósofo grego. Também foi especialista em matemática e astronomia.[37]
  • Sócrates: Como grande filósofo, ensinava os valores morais. Com o princípio, "conhece-te a ti mesmo", Sócrates dizia que a verdade está no interior de cada um. Seu método educacional era o "diálogo". Era crente num único Deus, não acreditava nos demais demais deuses e por isso os gregos o prenderam e acusaram de ter corrompido os jovens da Grécia Antiga. Os gregos forçaram a tomar um veneno, a cicuta.[37]
  • Platão: Um dos mais importantes filósofos da humanidade, seu professor foi Sócrates e seu aluno foi Aristóteles. Foi analisador da questão social e considerava obrigatória a melhor distribuição de riqueza entre os cidadãos. Sua grande obra foi o livro A República. Considerava que as ideias eram verdadeiramente reais e a ideia de bem superaria a todas. As ideias sombreavam o mundo e as coisas. Foi o fundador de uma famosa escola nominada Academia (nome que derivou de Academo, que era seu amigo e dono do terreno). A filosofia de Platão influenciou enormemente os pensadores da Idade Antiga.[37]
  • Aristóteles: Também um dos maiores pensadores da humanidade, seu professor era Platão e seu aluno era Alexandre Magno da Macedônia. Era um espírito pesquisador dedicado à uma grande variedade de assuntos: biologia, política, moral, lógica, psicologia, religião. Acreditava em somente um deus, motor eterno movedor de todas as coisas. Deus é um ato puro, absolutamente perfeito. Criou a filosofia da lógica (raciocínio, argumentação). Para ele, o homem é um animal social e político. Foi o fundador de uma escola com o nome de Liceu, chamado assim por ser vizinho do templo de Apolo Lício. Como Platão, influenciou muito em toda a Idade Média, até a modernidade.[37]

Houve demais filósofos participantes de demais correntes filosóficas, como os sofistas, que consideravam que a verdade não pode ser conhecida, portanto, tudo tem validade; cínicos, que desprendiam-se dos bens materiais e apegavam-se aos valores espirituais; os epicuristas, que consideravam que o objetivo da vida é a busca dos prazeres; os estoicos que a felicidade está na aceitação das coisas como elas ocorrem, resignando e mesmo sendo obrigado a sofrer.[37]

Civilização Romana[editar | editar código-fonte]

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Expansão romana[editar | editar código-fonte]

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Império Romano[editar | editar código-fonte]

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Antiguidade na América[editar | editar código-fonte]

Civilização Maia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Maias

A civilização maia foi uma cultura mesoamericana pré-colombiana, notável por sua língua escrita (único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar completamente o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma escrito no Velho Mundo), pela sua arte, arquitetura, matemática e sistemas astronômicos. Inicialmente estabelecidas durante o período pré-clássico (1000 a.C. a 250 d.C.), muitas cidades maias atingiram o seu mais elevado estado de desenvolvimento durante o período clássico (250 d.C. a 900 d.C.), continuando a se desenvolver durante todo o período pós-clássico, até a chegada dos espanhóis. No seu auge, era uma das mais densamente povoadas e culturalmente dinâmicas sociedades do mundo. A civilização maia divide muitas características com outras civilizações da Mesoamérica, devido ao alto grau de interação e difusão cultural que caracteriza a região. Avanços como a escrita, epigrafia e o calendário não se originaram com os maias; no entanto, sua civilização se desenvolveu plenamente. A influência dos maias pode ser detectada em países como Honduras, Guatemala, El Salvador e na região central do México, a mais de 1 000 km da área maia. Muitas influências externas são encontrados na arte e arquitetura Maia, o que acredita-se ser resultado do intercâmbio comercial e cultural, em vez de conquista externa direta. Os povos maias nunca desapareceram, nem na época do declínio no período clássico, nem com a chegada dos conquistadores espanhóis e a subsequente colonização espanhola das Américas. Hoje, os maias e seus descendentes formam populações consideráveis em toda a área antiga maia e mantêm um conjunto distinto de tradições e crenças que são o resultado da fusão das ideologias pré-colombianas e pós-conquista (e estruturado pela aprovação quase total ao catolicismo romano). Muitas línguas maias continuam a ser faladas como línguas primárias ainda hoje; o Rabinal Achí, uma obra literária na língua achi, foi declarada uma obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 2005

Decadência[editar | editar código-fonte]

Um relevo de estuque de Palenque retratando Upakal K'inich

Nos séculos VIII e IX, a cultura maia clássica entrou em decadência, abandonando a maioria das grandes cidades e as terras baixas centrais. A guerra, doenças, inundações e longas secas, ou ainda a combinação destes fatores, são frequentemente sugeridos como os motivos da decadência.[38]

Existem evidências de uma era final em que a violência se expandia: cidades amplas e abertas foram então fortemente guarnecidas por muradas, às vezes visivelmente construídas às pressas. Teoriza-se também com revoltas sociais em que classes campesinas acabaram se revoltando contra a elite urbana nas terras baixas centrais.

Os estados maias pós-clássicos também continuaram prosperando nos altiplanos do sul. Um dos reinos maias desta área, Quiché, é o responsável pelo mais amplo e famoso trabalho de historiografia e mitologia maias, o "Popol Vuh".

Ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

Urbanismo[editar | editar código-fonte]

Ainda que as cidades maias estivessem dispersas na diversidade da geografia da Mesoamérica, o efeito do planejamento parecia ser mínimo; suas cidades foram construídas de uma maneira um pouco descuidada, como ditava a topografia e declive particular. A arquitetura maia tendia a integrar um alto grau de características naturais. Por exemplo, algumas cidades existentes nas planícies de pedra calcária no norte do Iucatã se converteram em municipalidades muito extensas enquanto que outras, construídas nas colinas das margens do rio Usumacinta, utilizaram os declives e montes naturais de sua topografia para elevar suas torres e templos a alturas impressionantes. Ainda assim prevalece algum sentido de ordem, como é requerido por qualquer grande cidade.[39]

No começo da construção em grande escala, geralmente se estabelecia um alinhamento com as direções cardinais e, dependendo do declive e das disponibilidades de recursos naturais como água fresca (poços ou cenotes), a cidade crescia conectando grandes praças com as numerosas plataformas que formavam os fundamentos de quase todos os edifícios maias, por meio de calçadas chamadas sacbeob (singular sacbe).

Cenote Sagrado de Chichén Itzá

No coração das cidades maias existiam grandes praças rodeadas por edifícios governamentais e religiosos, como a acrópole real, grandes templos de pirâmides e ocasionalmente campos de jogo de bola.[39] Imediatamente para fora destes centros rituais estavam as estruturas das pessoas menos nobres, templos menores e santuários individuais. Entretanto, quanto menos sagrada e importante era a estrutura, maior era o grau de privacidade. Uma vez estabelecidas, as estruturas não eram desviadas de suas funções nem outras eram construídas, mas as existentes eram frequentemente reconstruídas ou remodeladas.

As grandes cidades maias pareciam tomar uma identidade quase aleatória, que contrasta profundamente com outras cidades da Mesoamérica como Teotihuacán em sua construção rígida e quadriculada.[39]

Ainda que a cidade se dispusesse no terreno na forma em que a natureza ditara, se punha cuidadosa atenção à orientação dos templos e observatórios para que fossem construídos de acordo com a interpretação maia das órbitas das estrelas. Afora os centros urbanos constantemente em evolução, existiam os lugares menos permanentes e mais modestos do povo comum.

O desenho urbano maia pode descrever-se singelamente como a divisão do espaço em grandes monumentos e calçadas. Neste caso, as praças públicas ao ar livre eram os lugares de reunião para as pessoas[39]. Por esta razão, o enfoque no desenho urbano tornava o espaço interior das construções completamente secundário. Somente no período pós-clássico tardio, as grandes cidades maias se converteram em fortalezas que já não possuíam, a maioria das vezes, as grandes e numerosas praças do período clássico.

A economia dos maias[editar | editar código-fonte]

A base econômica dos maias era a agricultura, principalmente do milho, praticada com a ajuda da irrigação, utilizando técnicas rudimentares e itinerantes, o que contribuiu para a destruição de florestas tropicas nas regiões onde habitavam, desenvolveram também atividades comerciais cuja classe dos comerciantes gozavam de grandes privilégios[40].

Como unidade de troca, utilizavam sementes de cacau e sinetas de cobre, material que empregavam também para trabalhos ornamentais, ao lado do ouro, da prata, do jade, das conchas do mar e das plumas coloridas. Entretanto, desconheciam as ferramentas metálicas.[40]

Atividades agrícolas e comerciais[editar | editar código-fonte]

Os maias cultivavam o milho (três espécies), algodão, tomate, cacau, batata e frutas. Domesticaram o peru e a abelha que serviam para enriquecer sua dieta, à qual somavam também a caça e a pesca.[40]

É importante observar que por serem os recursos naturais escassos não lhes garantindo o excedente que necessitavam a tendência foi desenvolverem técnicas agrícolas, como terraços, por exemplo, para vencer a erosão.[40] Os pântanos foram drenados para se obter condições adequadas ao plantio. Ao lado desses progressos técnicos, observamos que o cultivo de milho se prendia ao uso das queimadas[40]. Durante os meses da seca, limpavam o terreno, deixando apenas as árvores mais frondosas.[40] Em seguida, ateavam fogo para limpá-lo deixando o campo em condições de ser semeado. Com um bastão faziam buracos onde se colocavam as sementes.

Dada a forma com que era realizado o cultivo a produção se mantinha por apenas dois ou três anos consecutivos. Com o desgaste certo do solo, o agricultor era obrigado a procurar novas terras.[40] Ainda hoje a técnica da queimada, apesar de prejudicar o solo, é utilizada em diversas regiões do continente americano.[40]

As Terras Baixas concentraram uma população densa em áreas pouco férteis. Com produção pequena para as necessidades da população, foi necessário não apenas inovar em termos de técnicas agrícolas, como também importar de outras regiões produtos como o milho, por exemplo.

O comércio era dinamizado com produtos como o jade, plumas, tecidos, cerâmicas, mel, cacau e escravos, através das estradas ou de canoas.[40]

Escrita maia[editar | editar código-fonte]

O sistema de escrita maia (geralmente chamada hieroglífica por uma vaga semelhança com a escrita do antigo Egito, com o qual não se relaciona) era uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas. É o único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar completamente o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma escrito no velho mundo.[39]

As decifrações da escrita maia têm sido um longo e trabalhoso processo. Algumas partes foram decifradas no final do século XIX e início do século XX (em sua maioria, partes relacionadas com números, calendário e astronomia), mas os maiores avanços se fizeram nas décadas de 1960 e 1970 e se aceleraram daí em diante de maneira que atualmente a maioria dos textos maias podem ser lidos quase completamente em seus idiomas originais. Lamentavelmente, os sacerdotes espanhóis, em sua luta pela conversão religiosa, ordenaram a queima de todos os códices maias logo após a conquista.

Assim, a maioria das inscrições que sobreviveram são as que foram gravadas em pedra e isto porque a grande maioria estava situada em cidades já abandonadas quando os espanhóis chegaram.

Página do chamado códice de Madrid

Os livros maias, normalmente tinham páginas semelhantes a um cartão, feitas de um tecido sobre o qual aplicavam uma película de cal branca sobre a qual eram pintados os caracteres e desenhadas ilustrações. Os cartões ou páginas eram atadas entre si pelas laterais de maneira a formar uma longa fita que era dobrada em zigue-zague para guardar e desdobrada para a leitura.[41]

Atualmente, restam apenas três destes livros e algumas outras páginas de um quarto, de todas as grandes bibliotecas então existentes. Frequentemente, são encontrados, nas escavações arqueológicas, torrões retangulares de gesso que parecem ser restos do que fora um livro depois da decomposição do material orgânico.

Relativamente aos poucos escritos maias existentes, Michael D. Coe, um proeminente arqueólogo da Universidade de Yale, disse:

Cquote1.svg Nosso conhecimento do pensamento maia antigo representa só uma minúscula fração do panorama completo, pois dos milhares de livros nos quais toda a extensão dos seus rituais e conhecimentos foram registrados, só quatro sobreviveram até os tempos modernos (como se toda a posteridade soubesse de nós, baseados apenas em três livros de orações e "El Progreso del Peregrino) Cquote2.svg
Livros maias[editar | editar código-fonte]
Matemática maia[editar | editar código-fonte]
Grafia dos números maias

Os maias (ou seus predecessores olmecas) desenvolveram independentemente o conceito de zero (de fato, parece que estiveram usando o conceito muitos séculos antes do velho mundo), e usavam um sistema de numeração de base.

As inscrições nos mostram, em certas ocasiões, que trabalhavam com somas de até centenas de milhões. Produziram observações astronômicas extremamente precisas; seus diagramas dos movimentos da Lua e dos planetas se não são iguais, são superiores aos de qualquer outra civilização que tenha trabalhado sem instrumentos óticos. Ao encontro desta civilização com os conquistadores espanhóis, o sistema de calendários dos maias já era estável e preciso, notavelmente superior ao calendário gregoriano.

Cultura maia[editar | editar código-fonte]

Arte maia[editar | editar código-fonte]
Mural com afresco em Bonampak

Muitos consideram a arte maia da Era Clássica (200 a 900 d.C.) como a mais sofisticada e bela do Novo Mundo antigo. Os entalhes e relevos em estuque de Palenque e a estatuária de Copán são especialmente refinados, mostrando uma graça e observação precisa da forma humana, que recordaram aos primeiros arqueólogos da civilização do Velho Mundo, daí o nome dado à era.

Somente existem fragmentos da pintura avançada dos maias clássicos, a maioria sobrevivente em artefatos funerários e outras cerâmicas. Também existe uma construção em Bonampak que tem murais antigos e que, afortunadamente, sobreviveram a um acidente desconhecido até hoje.

Com as decifrações da escrita maia se descobriu que essa civilização foi uma das poucas nas quais os artistas escreviam seu nome em seus trabalhos.

Religião maia[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe a respeito das tradições religiosas dos maias: a sua religião ainda não é completamente entendida por estudiosos. Assim como os astecas e os incas,[42] os maias acreditavam na contagem cíclica natural do tempo. Os rituais e cerimônias eram associados a ciclos terrestres e celestiais que eram observados e registrados em calendários separados<. Os sacerdotes maias tinham a tarefa de interpretar esses ciclos e fazer um panorama profético sobre o futuro ou passado com base no número de relações de todos os calendários. A purificação incluia jejum, abstenção sexual e confissão. A purificação era normalmente praticada antes de grandes eventos religiosos. Os maias acreditavam na existência de três planos principais no cosmo: a Terra, o céu e o submundo.

Os maias sacrificavam humanos e animais como forma de renovar ou estabelecer relações com o mundo dos deuses. Esses rituais obedeciam diversas regras. Normalmente, eram sacrificados pequenos animais, como perus e codornas, mas nas ocasiões muito excepcionais (tais como adesão ao trono, falecimento do monarca, enterro de algum membro da família real ou períodos de seca) aconteciam sacrifícios de humanos. Acredita-se que crianças eram muitas vezes oferecidas como vítimas sacrificiais porque os maias acreditavam que essas eram mais puras.

Os deuses maias não eram entidades separadas como os deuses gregos. Também não existia a separação entre o bem e o mal e nem a adoração de somente um deus regular, mas sim a adoração de vários deuses conforme a época e situação que melhor se aplicava para aquele deus

Arquitetura maia[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Arquitetura maia

A arquitetura maia abarca vários milênios; ainda assim, mais dramática e facilmente reconhecíveis como maias são as fantásticas pirâmides escalonadas do final do período pré-clássico em diante. Durante este período da cultura maia, os centros de poder religioso, comercial e burocrático cresceram para se tornarem incríveis cidades como Chichén Itzá, Tikal e Uxmal. Devido às suas muitas semelhanças assim como diferenças estilísticas, os restos da arquitetura maia são uma chave importante para o entendimento da evolução de sua antiga civilização

Campo de jogo de bola em Tikal, na Guatemala
Materiais de construção[editar | editar código-fonte]

Um aspecto surpreendente das grandes estruturas maias é a carência de muitas das tecnologias avançadas que poderiam parecer necessárias a tais construções. Não há notícia do uso de ferramentas de metal, polias ou veículos com rodas. A construção maia requeria um elemento com abundância, muita força humana, embora contasse com abundância dos materiais restantes, facilmente disponíveis.

Toda a pedra usada nas construções maias parece ter sido extraída de pedreiras locais; com maior frequência era usada pedra calcária, que, ainda que extraída e exposta, permanecia adequada para ser trabalhada e polida com ferramentas de pedra, só endurecendo muito tempo depois.[43]

Além do uso estrutural de pedra calcária, esta era usada em argamassas feitas do calcário queimado e moído, com propriedades muito semelhantes às do atual cimento, geralmente usada para revestimentos, tetos e acabamentos e para unir as pedras apesar de, com o passar do tempo e da melhoria do acabamento das pedras, reduzirem esta última técnica, já que as pedras passaram a se encaixar quase perfeitamente. Ainda assim o uso da argamassa permaneceu crucial em alguns tetos de postes e vergas sobre portas e janelas (dintel).[43]

Quando se tratava das casas comuns, os materiais mais usados eram as estruturas de madeira, adobe nas paredes e cobertura de palha, embora tenham sido descobertas casas comuns feitas de pedra calcária, senão total mas parcialmente. Embora não muito comum, na cidade de Comalcalco, foram encontrados ladrilhos de barro cozido, possivelmente solução encontrada para o acabamento em virtude da falta de depósitos substanciais de boa pedra.

Processo de construção[editar | editar código-fonte]
Ruínas de Palenque

Todas as evidências parecem sugerir que a maioria dos edifícios foi construída sobre plataformas aterradas cuja altura variava de menos de um metro, no caso de terraços e estruturas menores, a até quarenta e cinco metros, no caso de grandes templos e pirâmides. Uma trama inclinada de pedras partia das plataformas em pelo menos um dos lados, contribuindo para a aparência bi-simétrica comum à arquitetura maia. Dependendo das tendências estilísticas que prevaleciam na área e época, estas plataformas eram construídas de um corte e um aterro de entulhos densamente compactado. Como no caso de muitas outras estruturas, os relevos maias que os adornavam, quase sempre se relacionavam com o propósito da estrutura a que se destinavam. Depois de terminadas, as grandes residências e os templos eram construídos sobre as plataformas. Em tais construções, sempre erguidas sobre tais plataformas, é evidente o privilégio dado ao aspecto estético exterior em contra-ponto à pouca atenção à utilidade e funcionalidade do interior.

Imagem 3D do grupo de templos de Palenque ao qual se integra o Templo da Cruz

Parece haver um certo aspecto repetitivo quanto aos vãos das construções nos quais os arcos (como curvas) são raros, mas frequentemente retos, angulados ou imbricados, tentando mais reproduzir a aparência de uma cabana maia, do que efetivamente incrementar o espaço interior. Como eram necessárias grossas paredes para sustentar o teto, alguns edifícios das épocas mais posteriores utilizaram arcos repetidos ou uma abóbada arqueada para construir o que os maias denominavam pinbal, ou saunas, como a do Templo da Cruz em Palenque. Ainda que completadas as estruturas, a elas iam-se anexando extensos trabalhos de relevo ou pelo menos reboco para aplainar quaisquer imperfeições. Muitas vezes sob tais rebocos foram encontrados outros trabalhos de entalhes e dintéis e até mesmo pedras de fachadas. Comumente a decoração com faixas de relevos era feita em redor de toda a estrutura, provendo uma grande variedade de obras de arte relativas aos habitantes ou ao propósito do edifício. Nos interiores, e notadamente em certo período, foi comum o uso de revestimentos em reboco primorosamente pintados com cenas do uso cotidiano ou cerimonial.

Há sugestão de que as reconstruções e remodelações ocorriam em virtude do encerramento de um ciclo completo do calendário maia de conta larga, de 52 anos. Atualmente, pensa-se que as reconstruções eram mais instigadas por razões políticas do que pelo encerramento do ciclo do calendário, já que teria havido coincidência com a data da assunção de novos governantes.

Não obstante, o processo de reconstrução em cima de estruturas velhas é uma prática comum. Notavelmente, a acrópole de Tikal, parece ser a síntese de um total de 1500 anos de modificações arquitetônicas.

Construções notáveis
Ruínas de construções maias no México.
  • Plataformas cerimoniais

Estas eram comumente plataformas de pedra calcária com muros de menos de quatro metros de altura onde se realizavam cerimônias públicas e ritos religiosos. Construídas nas grandes plataformas, eram ao menos realçadas com figuras talhadas em pedra e às vezes tzompantli ou uma estaca usada para exibir as cabeças das vítimas geralmente os derrotados nos jogos de bola mesoamericanos.

  • Palácios
Palácio de Palenque

Grandes e geralmente muito decorados, os palácios geralmente ficavam próximos do centro das cidades e hospedavam a elite da população. Qualquer palácio real grande ou ao menos que tivesse várias câmaras ou erguido em vários níveis, tem sido chamado de acrópole. Tais construções consistiam de várias pequenas câmaras ou pelo menos um pátio interno, parecendo propositadas a servirem de residência a uma pessoa ou pequeno grupo familiar decorada como tal.

Os arqueólogos parecem estar de acordo em que muitos palácios são também o lugar de muitas tumbas mortuárias. Em Copán, debaixo de 400 anos de remodelações posteriores, se descobriu a tumba de um de seus antigos governantes e a acrópole de Tikal parece ter sido o lugar de vários sepultamentos do final do período pré-clássico e início do clássico.

Existe, no entanto, alguns arqueólogos que afirmam serem os palácios locais não muito prováveis para a morada da elite governante, uma vez que tais moradas mostram-se demasiadamente infestadas de morcegos e um tanto quanto desconfortáveis; sugerindo - assim - ser um espécie de mosteiro ou quartéis para as comunidades sacerdotais. Nessa linha de pensamento, contudo, caímos em uma outra rua sem saída: não existem comprovações da existência de ordens eclesiásticas ou monásticas nos tempos clássicos. Concluir, portanto, que fossem moradas das classes governamentais - neste contexto - é a solução mais viável; o que não impede a existência de diversas teorias sobre a origem e a função de tais palácios.

  • Grupos E

Os estudiosos têm denominado de "Grupo E" à frequentemente encontrada formação de três pequenas construções, sempre situadas a oeste das cidades, tratando-se de um intrigante mistério a sua recorrência.

Estas construções sempre incluem pelo menos uma pequena pirâmide-templo a oeste da praça principal que tem sido aceita como observatório devido ao seu preciso posicionamento em relação ao Sol, quando observado da pirâmide principal nos solstícios e equinócios. Outras teses sugerem que sua localização reproduz ou pelo menos se relaciona com a história da criação do universo segundo a mitologia maia, posto que vários de seus adornos a ela, frequentemente, se referem.

  • Pirâmides e templos

Com frequência os templos religiosos mais importantes se encontravam em cima das pirâmides maias, supostamente por ser o lugar mais perto do céu. Embora recentes descobertas apontem para o uso extensivo de pirâmides como tumbas, os templos raramente parecem ter contido sepulturas. A falta de câmaras funerárias indica que o propósito de tais pirâmides não é servir como tumbas e se as encerram isto é incidental.

Pelas íngremes escadarias, se permitia aos sacerdotes e oficiantes o acesso ao cume da pirâmide onde havia três pequenas câmaras com propósitos rituais. Os templos sobre as pirâmides, a mais de 70 metros de altura, como em El Mirador, de onde se descortinava o horizonte ao longe, constituíram estruturas impressionantes e espetaculares, ricamente decoradas. Comumente possuíam uma crista sobre o teto, ou um grande muro que, teorizam, poderia ter servido para a escrita de sinais rituais para serem vistos por todos.

Como eram ocasionalmente as únicas estruturas que excediam a altura da selva, as cristas sobre os templos eram minuciosamente talhadas com representações dos governantes que se podiam ver de grandes distâncias. Debaixo dos orgulhosos templos estavam as pirâmides que eram, em última instância, uma série de plataformas divididas por escadarias empinadas que davam acesso ao templo.

  • Observatórios astronômicos
Kukulkán é o nome maia de Quetzalcóatl, aqui desenhado a partir de um baixo-relevo de Yaxchilan

Os maias foram excepcionais astrônomos e mapearam as fases e cursos de diversos corpos celestes, especialmente da Lua e de Vênus.

Muitos de seus templos tinham janelas e miras demarcatórias (e provavelmente outros aparatos) para acompanhar e medir o progresso das rotas dos objetos observados. Templos arredondados, quase sempre relacionados com Kukulcán, são talvez os mais descritos como observatórios pelos mais modernos guias turísticos de ruínas, mas não há evidências que o seu uso tinha exclusivamente esta finalidade.

Em vários templos sobre pirâmides foram encontradas marcações de miras que indicam que observações astronômicas também foram feitas dali.

  • Campos de jogo de bola
Grande estádio em Chichén Itzá
Ver artigo principal: Jogo de bola mesoamericano

Um aspecto do estilo de vida mesoamericano é o seu jogo de bola ritual e seus campos ou estádios, que foram construídos por todo o império maia em grande escala.

Estes estádios normalmente situavam-se nos centros das cidades. Tratava-se de espaços amplos entre duas laterais de plataformas ou rampas escalonadas paralelas, em forma de "I" maiúsculo direcionado para uma plataforma cerimonial ou templo menor. Tais campos foram encontrados na maioria das cidades maias, exceto nas menores.[43]

(Obs.: Textos e imagens retirados do artigo principal Maias)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

  1. POMIAN. K. (1993) Periodização, Enciclopédia Einaudi, vol. 29, Lisboa, Imprensa Nacional –. Casa da Moeda, p.164-213.
  2. GUARINELLO, Norberto Luiz. (2003) Uma morfologia da história: as formas da História Antiga. Politeia: História e Sociedade, vol. 3, n. 1, p, 41-61.
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  43. a b c http://www.suapesquisa.com/pesquisa/maias.htm

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CANTELE, Bruna Renata (1989?). História dinâmica antiga e medieval. 7ª série IBEP [S.l.]  Parâmetro desconhecido |Volumes= ignorado (|volume=) (Ajuda); Parâmetro desconhecido |Volume= ignorado (|volume=) (Ajuda); Parâmetro desconhecido |Páginas= ignorado (|páginas=) (Ajuda)