Catilinárias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, o que compromete a verificabilidade (desde Janeiro de 2014). Por favor, insira mais referências no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Cicero acusando Catilina no senado (Afresco de Cesare Maccari, século XIX)

As Catilinárias (em latim In Catilinam Orationes Quattuor) são uma série de quatro discursos célebres de Cícero, o cônsul romano Marco Túlio Cícero, pronunciados em 63 a.C. Os discursos são um ato de de denúncia contra a conspiração pretendida pelo senador Lúcio Sérgio Catilina,[1] que logo de início destila:

"Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência? (...) Não vês que tua conspiração foi dominada pelos que a conhecem?"

Contexto histórico dos discursos[editar | editar código-fonte]

O primeiro e o último destes discursos foram dirigidos ao Senado Romano, os outros dois foram proferidos diretamente ao povo romano. Todos quatro foram compostos para denunciar explicitamente Lúcio Sérgio Catilina no contexto da Segunda Conspiração Catilinária.[2]

Falido financeiramente, Catilina, filho de família nobre, juntamente com seus seguidores subversivos, planejava derrubar o governo republicano para obter riquezas e poder. No entanto, após o confronto aberto por Cícero no senado, Catilina resolveu afastar-se do senado, indo juntar-se a seu exército ilícito para armar defesa.[3]

Segundo registros históricos, após o quarto discurso, Catilina estava condenado à morte, mas recusou-se a entregar-se e foi morto em um campo de batalha no ano seguinte.[4]

Excerto[editar | editar código-fonte]

Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?
Quam diu etiam furor iste tuus eludet?
Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?
Nihilne te nocturnum praesidium Palatii,
nihil urbis vigiliae,
nihil timor populi,
nihil concursus bonorum omnium,
nihil hic munitissimus habendi senatus locus,
nihil horum ora vultusque moverunt?

Patere tua consilia non sentis?
Constrictam omnium horum scientia teneri coniurationem tuam non vides?
Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris?
O tempora, o mores!
[5]
Marcus Tullius Cicero
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!

Entenda o contexto das Catilinárias[editar | editar código-fonte]

O modelo político de República passou a vigorar na antiga Roma após a queda do último rei da dinastia etrusca que governou Roma durante 244 anos, chamado Tarquínio, o Soberbo, no ano de 509 a.C. Com o advento da República, a estrutura monárquica foi abandonada e, em seu lugar, novas instituições foram erguidas. [6].

A República era governada pela magistratura, que executava a administração pública e pelo Senado, composto pelos cidadãos mais velhos, que eram encarregados da elaboração das leis e do controle da ação dos magistrados. Dos vários cargos da magistratura, o mais alto era o de cônsul.

Quem estava à frente do poder da República eram dois cônsules, escolhidos pela Assembleia Curiata .

Na década de 60 a.C., Catilina pretendia ser designado cônsul da República. Mas era encarado com desconfiança por seus pares. Muitos viam nele um risco para as instituições republicanas.

Não conseguindo se eleger Cônsul, em retaliação, Catilina, junto a seus aliados, entre eles o ex-cônsul Públio Cornélio Lêntulo Sura, procurou organizar uma sublevação, ou golpe, contra a República. Esse golpe consistia no assassinato dos dois cônsules e na subjugação do Senado. Entretanto, os senadores descobriram os planos de Catilina.

Cícero, que havia sido designado como um dos cônsules, no ano de 63 a.C., encarregou-se de desmascarar Catilina dentro do senado, por meio de discursos, os quais ficaram conhecidos até hoje por Catilinárias e são notáveis pela elegância de estilo e pela firmeza das acusações ciceronianas[7].

Atualidade do tema[editar | editar código-fonte]

Mesmo passados mais de dois mil anos, quando se trata do abuso de bens públicos por parte de políticos, frequentemente são repetidas as sentenças acusatórias de Cícero contra Catilina, declaradas em pleno senado romano:[8]

Inclusive, a 21a Fase da Operação Lava-Jato contra a corrupção no Brasil, foi batizada com o nome de Catilinárias.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. CORDÃO, Michelly Pereira de Sousa; LIMA, Marinalva Vila de (20 de fevereiro de 2007). «Discursos ciceronianos: a oratória como estratégia política na Roma Antiga». Clássica – Revista Brasileira de Estudos Clássicos. Consultado em 17 de abril de 2018. 
  2. PINHO, Sebastião Tavares de (1989). As Catilinárias, Cícero. Lisboa: Edições 70 
  3. CUNHA, Pe. Arlindo Ribeiro da (1944). Catilinam, Marco Tulio Cícero. Braga: Livraria Cruz 
  4. Redação, Editor (15 de dezembro de 2015). «Catilinárias: entenda a origem do nome da operação da PF». Carta Capital. Consultado em 17 de abril de 2018. 
  5. CÍCERO. Exórdio: Cícero censura a vergonhosa audácia de Catilina. In Primeira oratória de Cícero contra Catilina ou Oratio Prima (Habita in Senatu). 8 de novembro de 63 a.C.
  6. FERNANDES, Cláudio (?). «O que são as Catilinárias de Cícero?». Consultado em 17 de abril de 2018.  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. PINHO, Sebastião Tavares de. (1974). As catilinárias, defesa de Murena, defesa de Árquias, defesa de Milão. Lisboa; São Paulo: Editora Verbo. pp. CICERO, Marco Túlio - As catilinárias, defesa de Murena, defesa de Árquias, defesa de Milão. Lisboa ; São Paulo : Verbo, [1974] 312 p.(Série clássicos gregos e latinos). Consultado em 17 de abril de 2018. 
  8. Cicero - In Catilinam (Oratio prima)
  9. SCARPINO, Luiz (2016). Sérgio Moro, O Homem, O Juiz e o Brasil. Ribeirão preto, SP: Editora Novo Conceito. pp. Pág.96. ISBN 9788581638454 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Catilinárias
Ícone de esboço Este artigo sobre História ou um(a) historiador(a) é um esboço relacionado ao Projeto História. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.