Ísis

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Ísis
Nome nativo
Q1X1
H8
B1
[1]
Local de culto
Símbolo Tyet
Consorte
Pais
Irmão(s)
Filho(s)
Portal:Antigo Egito
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Ísis (desambiguação).

Ísis (em egípcio: Aset; em grego antigo: Ἶσις) foi uma das principais divindades na religião no Antigo Egito cuja veneração espalhou-se também para o mundo greco-romano. Ela foi mencionada pela primeira vez no Império Antigo como uma das personagens principais do mito de Osíris, em que ressuscita seu marido, o rei Osíris, e produz e protege seu herdeiro, Hórus. Acreditava-se que Ísis ajudava os mortos a entrarem no pós-vida da mesma forma que tinha feito com Osíris, também sendo considerada como a mãe divina do faraó, que por sua vez estava ligado a Hórus. Seu auxílio materno era invocado em feitiços de cura para beneficiarem o povo comum. Ela originalmente desempenhou um papel limitado em rituais reais e templos, porém era mais proeminente em práticas funerárias e textos mágicos. Ísis era retratada artisticamente como uma mulher humana usando um hieroglifo no formato de trono em sua cabeça. Ela assumiu no Império Novo os traços que originalmente pertenciam a Hator, a deusa mais importante durante o período antigo, passando assim a ser retratada usando a touca de Hator: um disco solar entre os chifres de uma vaca.

Osíris e Ísis tornaram-se as divindades mais veneradas dentre o panteão egípcio durante o Terceiro Período Intermediário, com ela absorvendo várias características de outras deusas. Governantes tanto do Egito quanto de sua vizinha Núbia ao sul começaram a construir templos dedicados principalmente a Ísis, com seu templo em Filas tornando-se um grande centro religioso para ambos egípcios e núbios. O poder mágico atribuído a ela era maior que a de todos os outros deuses, sendo dito que Ísis protegia o reino de seus inimigos, governava os céus e o mundo natural e até mesmo tinha poder sobre o próprio destino.

Durante o Reino Ptolemaico, quando o Egito foi governado e colonizado por gregos, Ísis passou a ser venerada pelos egípcios e gregos junto com um novo deus, Serápis. Esta adoração espalhou-se pelo mundo Mediterrâneo. Os devotos gregos lhe atribuíam características tiradas de deuses gregos, como intervenção no casamento e a proteção das embarcações nos mares, também mantendo ligações fortes com o Egito e outras divindades egípcias que era populares no mundo helenístico, como Osíris e Harpócrates. A cultura helenística foi absorvida por Roma no século I a.C. e o culto a Ísis tornou-se parte da religião romana. Seus devotos eram pequenos em proporção dentro da população do Império Romano, porém eram encontrados por todo seu território. Seu culto desenvolveu festivais distintos como o Navigium Isidis, além de cerimônias de iniciação semelhantes a cultos de mistério greco-romanos. Alguns de seus seguidores afirmavam que ela reunia todos os poderes divinos femininos do mundo.

A veneração a Ísis acabou com a ascensão do cristianismo no decorrer dos séculos IV e V d.C.. É possível que sua adoração tenha influenciado algumas práticas e crenças do cristianismo, como por exemplo a veneração de Maria, porém as evidências para isso são ambíguas e frequentemente controversas. Ísis continua a aparecer na cultura ocidental, particularmente no esoterismo e neopaganismo, frequentemente como a personificação da natureza ou como o aspecto feminino de divindade.

Egito e Núbia[editar | editar código-fonte]

Nome e origens[editar | editar código-fonte]

Enquanto algumas divindades egípcias apareceram no final do Período Pré-Dinástico (antes de c. 3100 a.C.), tanto Ísis quanto seu marido Osíris não foram mencionados claramente até a Quinta Dinastia (c. 2494–2345 a.C.).[2][3] Uma inscrição que talvez se refira a Ísis é datada para o reinado do faraó Niuserré,[4] com ela aparecendo proeminentemente nos Textos das Pirâmides, que começaram a serem escritos no final da Quinta Dinastia e cujo conteúdo pode ter sido desenvolvido tempos antes.[5] Várias passagens dos textos conectam Ísis com a região do Delta do Nilo perto de Behbeit el-Hagar e Sebenito, com ela e seu culto possivelmente se originando lá.[6][nota 1]

Muitos acadêmicos focaram-se no nome de Ísis em uma tentativa de determinar suas origens. Seu nome egípcio era ꜣst ou Aset, que deu origem a forma copta ⲎⲤⲈ (Ēse) e seu nome grego Ἰσις (Ísis), do qual seu nome moderno é baseado. O nome em hieroglifo incorpora o sinal de um trono, que ela também usa em sua cabeça como sinal de sua identidade. O símbolo serve como fonograma, grafando o som st, porém é possível que tenha representado uma ligação com tronos reais. O termo egípcio para trono também era st e talvez compartilhe uma etimologia em comum. Dessa forma, o egiptólogo Kurt Sethe sugeriu que ela originalmente era uma personificação de tronos.[11] Henri Frankfort concordava, acreditando que o trono era considerado a mãe do faraó e assim um deus, devido seu poder de transformar homem em faraó.[12] Já os acadêmicos Jürgen Osing e Klaus P. Kuhlmann discordaram por causa de dissimilaridades entre o nome de Ísis e a palavra para trono[11] e a falta de evidências de que o trono já foi deificado.[13]

Papéis[editar | editar código-fonte]

O mito sobre a morte e ressurreição de Osíris foi relatado pela primeira vez nos Textos da Pirâmides e cresceu até se tornar o mais elaborado e influente de todos os mitos egípcios.[14] Ísis desempenha um papel mais ativo nesse mito do que os outros protagonistas, tornando-se dessa forma o personagem literário mais complexo de todas as divindades egípcias enquanto a história desenvolvia-se na literatura desde o Império Novo (c. 1550–1070 a.C.) até o Reino Ptolemaico (305–30 a.C.).[15] Ao mesmo tempo, ela absorveu as características de muitas outras deusas, ampliando sua significância para além do mito de Osíris.[16]

Esposa e pranteadora[editar | editar código-fonte]

Escultura de uma mulher, possivelmente Ísis, em posição de luto, c. séculos XV ou XIV a.C.

Ísis fazia parte da Enéade, uma família de nove deuses descendentes do deus criador: Atum ou . Ela e seus irmãos – Osíris, Set e Néftis – eram a última geração da Enéade, nascidos de Geb, deus da terra, e Nut, deusa do céu. O deus criador, o governante original do mundo, passou sua autoridade através das gerações masculinas, assim Osíris tornou-se rei. Ísis, esposa e irmã de Osíris, era sua rainha.[17]

Set matou Osíris e, em várias versões, desmembrou seu corpo. Ísis e Néftis, junto com outras divindades como Anúbis, procuraram pelas partes do corpo de seu irmão e o remontou. Seus esforços foram o protótipo mítico da mumificação e outras antigas práticas funerárias egípcias.[18] Segundo alguns textos, eles também tiveram de proteger o corpo de Osíris de mais dessacrações nas mãos de Set ou de seus servos.[19] Ísis era a epítome da viúva em luto. O amor e luto dela e de Néftis pelo irmão ajudaram a restaurá-lo a vida, assim como a recitação de feitiços mágicos.[20] Textos funerários continham discursos de Ísis em que expressava sua dor pela morte de Osíris, seu desejo sexual por ele e até mesmo raiva por ele tê-la deixado. Todas essas emoções desempenharam papéis em sua ressuscitação, já que tinham a intenção de estimulá-lo a agir.[21] Ela finalmente conseguiu restaurar a vida do corpo de Osíris e copulou com ele logo em seguida, concebendo seu filho Hórus.[18] Osíris, deste momento em diante, passou a viver apenas no Tuat, o submundo. Entretanto, Ísis conseguiu garantir que seu marido iria sobreviver no pós-vida por ter lhe dado um herdeiro que iria vingar sua morte e realizar ritos funerários para si.[22]

O papel de Ísis nas crenças do pós-vida era baseado no mito. Ela ajudava a restaurar as almas dos mortos a completude assim como havia feito com Osíris. Assim como outras deusas, como Hator, ela também atuava como mãe dos mortos, proporcionando proteção e nutrição.[23] Assim, Ísis algumas vezes assumia a forma de Amentent, a deusa do ocidente, que adotava a alma morta no pós-vida como seu filho.[24] Durante boa parte da história egípcia, acreditava-se que divindades masculinas como Osíris possuíam poderes regenerativos, incluindo potência sexual, que eram cruciais no renascimento. Achava-se que Ísis apenas tinha ajudado ao estimular esses poderes.[23] Poderes divinos femininos tornaram-se mais importantes na crença do pós-vida no final do Império Novo.[25] Vários textos funerários ptolemaicos enfatizavam que Ísis assumiu um papel ativo na concepção de Hórus ao estimular seu marido sexualmente,[26] com decorações de tumba do período romano a representando em um papel central,[27] enquanto um texto funerário da época sugeria que mulheres eram capazes de juntar-se ao séquito de Ísis e Néftis no pós-vida.[28]

Mãe[editar | editar código-fonte]

Estátua de Ísis cuidado de Hórus, c. século VII a.C.

Ísis foi tratada como a mãe de Hórus até mesmo nas cópias mais antigos dos Textos da Pirâmides.[29] Mesmo assim, há sinais que Hator originalmente era considerada sua mãe,[30] enquanto algumas outras tradições fazem uma forma velha de Hórus ser o filho de Nut e irmão de Osíris e Ísis.[31] É possível que ela tenha tornado-se a mãe de Hórus a medida que o mito de Osíris tomava forma durante o Império Antigo,[30] enquanto sua relação com ele passou a ser vista como a epítome da devoção fraternal.[32]

Ela deu a luz a Hórus na forma desenvolvida do mito, logo após uma gravidez longa e trabalho de parto difícil, nas moitas de papiro no Delta do Nilo. Ísis o protegeu de Set e outros perigos à medida que ele crescia.[33] Ela viajava entre os humanos em alguns textos e procurava a ajuda deles. Segundo uma dessas histórias, sete divindades escorpiões menores viajavam junto de Ísis para protegê-la. Eles se vingaram de uma mulher rica que recusou ajudar a deusa ao aferroarem o filho dela, fazendo com que fosse necessário que Ísis curasse a criança.[34] Sua reputação como divindade compassiva, disposta a aliviar o sofrimento humano, muito contribuíram para seu apelo entre o povo.[35]

Ísis continuou a ajudar Hórus quando ele foi desafiar Set para reivindicar o trono que este havia usurpado de Osíris,[36] porém mãe e filho foram retratados algumas vezes em conflito, como por exemplo da vez que Hórus a decapitou e Ísis substituiu sua cabeça original por uma de uma vaca – um mito fundador para o adereço de vaca que Ísis usava na cabeça.[37]

O aspecto maternal de Ísis estendia-se para outras divindades. Os Textos dos Sarcófagos do Império Médio (c. 2055–1650 a.C.) diziam que os Filhos de Hórus, divindades funerárias que protegiam os órgãos internos dos mortos, eram a prole de Ísis com a forma velha de Hórus.[38] Na mesma era, Hórus foi sincretizado com Min, o deus da fertilidade, assim ela foi considerada a mãe de Min.[39] Foi dito que uma forma de Min conhecida como Kamutef, "touro de sua mãe", que representava a regeneração cíclica dos deuses erealeza, engravidou sua mãe para gerar si mesmo.[40] Assim, Ísis também era considerada a consorte de Min.[41] A mesma ideologia de realeza pode ser a base de uma tradição, encontrada em alguns textos, de que Hórus estuprou Ísis.[42][43] Ámon, a principal divindade durante os Impérios Novo e Médio, também assumiu o papel de Kamutef e Ísis muitas vezes atuou como sua consorte quando ele estava nessa forma.[41] Era dito que Ápis, um touro venerado como um deus vivo em Mênfis, também era filho de Ísis com uma forma de Osíris conhecida como Osíris-Ápis. A mãe de cada touro Ápis era conhecida como "vaca Ísis".[44]

Uma história no Papiro Westcar datado do Império Médio incluiu Ísis entre um grupo de deusas que serviram de parteiras durante os nascimentos de três futuros reis.[45] Ela serviu em um papel similar em textos do Império Novo que descreviam os nascimentos dos faraós como sendo ordenados divinamente.[46] Ísis chamou pelo nome as três crianças que nasceram na história do Papiro Westcar. Barbara S. Lesko enxerga essa narrativa como um sinal que a deusa tinha o poder de prever ou influenciar eventos futuros, assim como outras divindades que presenciavam nascimentos,[45] como Shai e Renenutet.[47] Textos de tempos posteriores chamaram Ísis explicitamente de "senhora da vida, governante do fado e destino",[45] indicando também que ela exercia controle sobre Shai e Renenutet, da mesma forma como era dito que outros grandes deuses como Ámon faziam em épocas antigas da história egípcia. Ísis, ao controlar essas divindades, determinava a duração e qualidade das vidas humanas.[47]

Realeza e proteção[editar | editar código-fonte]

Alto relevo de Ísis com o faraó Seti I no colo, c. século XIII a.C.

Hórus era igualado a cada faraó vivo enquanto Osíris por sua vez era igualado com os predecessores mortos do faraó. Ísis era assim a mãe e a esposa mitológica dos faraós. Sua importância primária nos Textos das Pirâmides para o faraó era como uma das divindades que o protegiam e o auxiliavam no pós-vida. Sua proeminência na ideologia real cresceu no decorrer do Império Novo.[48] Relevos em templos da época mostravam o faraó mamando do seio de Ísis; seu leite não apenas curava a criança, mas também simbolizava seu direito divino para reinar.[49] A ideologia real passou cada vez mais a enfatizar a importância das rainhas como contrapartes terrenas das deusas que atuavam como esposas do faraó e mães de seus herdeiros. Hator era inicialmente a mais importante dessas divindades, uma contraparte feminina para e Hórus, cujos atributos na arte eram incorporados nas coroas das rainhas. Entretanto, devido sua própria conexão mitológica com a realeza feminina, Ísis também recebeu os mesmos títulos e regalias que as rainhas humanas.[50]

As ações de Ísis ao proteger Set tornaram-se parte de um aspecto mais amplo e belicoso.[51] Textos funerários do Império Novo a retratam na barca de Rá enquanto navegam para o submundo, atuando como uma de várias divindades que subjugam Apep, o arqui-inimigo de Rá.[52] Os faraós também invocavam o poder mágico protetor dela contra seus inimigos humanos. No templo de Filas, que ficava perto da fronteira dos povos núbios que costumavam invadir o Egito, Ísis foi descrita como a protetora de toda a nação, sendo mais eficiente em batalha do que "milhões de soldados", apoiando os faraós ptolemaicos e imperadores romanos em seus esforços para subjugar os inimigos do Egito.[51]

Magia e sabedoria[editar | editar código-fonte]

Ísis também era conhecida por sua esperteza e também por seu poder mágico, o que permitiu que ela revivesse Osíris e protegesse e curasse Hórus.[53] Foi dito que, por virtude de seu conhecimento mágico, ela era "mais inteligente que um milhão de deuses".[54][55] Ísis usou suas habilidades para passar a pena em Set em vários episódios da história "As Disputas de Hórus e Set" do Império Novo. Em certa ocasião, ela se transformou em uma jovem mulher que disse a Set que estava envolvida em uma disputa de herança similar a usurpação da coroa de Osíris. Quando Set afirmou que a situação da mulher era injusta, Ísis zombou dele afirmando que ele tinha acabado de julgar-se como o errado.[55] Ela usou seus poderes de transformação em textos posteriores para lutar e destruir Set e seus seguidores.[56]

Muitas das histórias sobre Ísis apareceram como prólogos de textos mágicos que descreviam eventos míticos relacionados com o objetivo que o feitiço queria realizar.[15] Em um deles, Ísis criou uma cobra que picou Rá, que era mais velho e mais poderoso, fazendo-o ficar doente. Ela se ofereceu para curar Rá caso ele lhe contasse seu nome verdadeiro e secreto – uma informação que carregava consigo poder incomparável. Rá contou seu nome depois de muita coerção, informação que ela repassou a Hórus, o que aumentou a autoridade real deste.[55] É possível que essa história tenha servido de origem para explicar o motivo dos poderes mágicos de Ísis superarem os de outros deuses, porém, como a narrativa mostra ela usando magia para subjugar Rá, esse conto parece indicar que ela tinha tais habilidades antes mesmo de descobrir o nome dele.[57]

Céu[editar | editar código-fonte]

Muitos dos papéis que Ísis adquiriu lhe deram uma importante posição no céu.[58] Passagens dos Textos das Pirâmides a conectam com Sótis, a deusa que representava a estrela Sirius, cuja relação com seu marido Sah, a constelação de Órion, e seu filho Sopdu, fazia paralelo com as relações de Ísis com Osíris e Hórus. O nascer helíaco de Sirius, que ocorria pouco antes das cheias do Nilo, davam a Sótis uma ligação próxima com a cheia e consequentemente o crescimento das plantações.[59] Ísis, parcialmente devido sua conexão com Sótis, também tinha uma ligação com as cheias,[60] que algumas vezes eram igualadas com as lágrimas que ela derramou por Osíris.[61] Ela estava ligada a chuva no período ptolemaico, que textos egípcios chamavam de "Nilo no Céu", também estava conectada ao Sol como protetora da barca de Rá,[62] e também com a Lua, possivelmente porque Ísis tinha uma conexão com a deusa lunar grega Ártemis através de uma ligação em comum com Bastet, a deusa da fertilidade egípcia.[63] Hinos inscritos em Filas a descrevem como "Senhora do Céu", cujo domínio sobre os céus faziam paralelos com Osíris reinado o Duat e Hórus governando a terra.[64]

Universo[editar | editar código-fonte]

A esfera de influência de Ísis chegou a incluir todo o cosmos na época ptolemaica.[64] Ela tinha poder sobre todas as nações como a divindade que protegia o Egito e sancionava seu faraó, e como a provedora das chuvas ela avivava o mundo natural.[65] Um dos hinos em Filas inicialmente a chamava de governante dos céus até expandir sua autoridade, com seu ápice sendo um domínio que englobava o céu, a terra e o Duat. Dizia-se que seu poder sobre a natureza sustentava humanos, mortos abençoados e deuses.[64] Outros hinos em grego antigo do Reino Ptolemaico lhe chamavam de "a linda essência de todos os deuses".[66] Várias divindades, grandes e pequenas, já foram descritas em termos similarmente grandiosos no decorrer da história egípcia. Ámon era comumente referido dessa forma no Império Novo, enquanto esses termos tendiam a serem aplicados a Ísis no Egito romano.[67] Tais textos não negavam a existência de outros deuses, porém os tratavam como aspectos de uma divindade suprema.[68]

Nos tempos ptolemaicos e romanos, muitos templos continham um mito de criação que adaptava antigas ideias sobre criação a fim de darem funções primárias para divindades locais.[69] Ísis era descrita em Filas como a criadora, da mesma maneira como textos antigos falavam sobre as obras do deus Ptá,[64] que dizia-se que tinha projetado o mundo com seu intelecto e esculpido-o para a existência.[70] Como ele, Ísis formou o cosmos "através do que seu coração concebeu e suas mãos criaram".[64]

Ísis tinha muitas formas em seus centros individuais de culto, assim como outros deuses no decorrer da história egípcia, com cada centro enfatizando aspectos diferentes de sua personalidade. Cultos locais focavam-se nos traços distintos de sua divindade em vez de sua universalidade, enquanto alguns hinos a ela tratavam de outras deusas por todo o Egito e Mediterrâneo como manifestações de Ísis. Um texto no templo de Dendera dizia "em cada nomo é ela que está em toda cidade, em todo nomo com seu filho Hórus".[71]

Iconografia[editar | editar código-fonte]

Ísis com os chifres de vaca e glifo de trono. Templo de Kalabsha, c. século I a.C. ou século I d.C..

Ísis era comumente representada na arte egípcia como uma mulher usando um vestido de bainha, um cajado de papiro em uma mão e um símbolo de ankh na outra. Seu adereço de cabeça original era o símbolo de trono usado em seu nome escrito. Ela e Néftis apareciam frequentemente juntas, particularmente ao lamentarem a morte de Osíris, apoiando em seu trono ou protegendo os sarcófagos dos mortos. Nessas situações, seus braços muitas vezes estavam sobre seus rostos em luto, ou ainda abertos ao redor de Osíris ou do morto em um sinal de seus papéis de protetoras.[72] Nessas circunstâncias as duas eram representadas frequentemente como milhafres ou mulheres com asas de milhafre. Esta forma pode ter sido inspirada pela similaridades dos gritos dos milhares com o choro de mulheres gemendo,[73] ou ainda como metáfora conectando a procura dos milhafres por caniça com a procura das deusas por seu irmão morto. Ísis algumas vezes aparecia na forma de outros animais: uma porca, representando seu lado maternal; uma vaca, particularmente quando conectada com Ápis; ou ainda como escorpião.[72] Ela também assumia a forma de uma árvore ou de uma mulher surgindo de uma árvore, algumas vezes oferecendo comida e água para as almas mortas. Esta forma fazia referência ao sustento materno que proporcionava.[74]

A partir do Império Novo, devido às ligações próximas entre Ísis e Hator, a primeira passou a assumir atributos da segunda, como o chocalho de sistro e o adereço de cabeça com os chifres de vaca cercando um disco solar. Algumas vezes seus dois adereços de cabeça eram combinados, com o glifo de trono ficando no topo do disco solar.[72] Ela começou no mesmo período a usar as insígnias de uma rainha humana, como uma coroa em formato de abutre na cabeça e um ureu real em sua testa.[50] Estátuas e estatuetas dos tempos ptolemaico e romano frequentemente mostravam Ísis no estilo de escultura grega, com atributos tirados das tradições egípcias e gregas.[75][76] Algumas dessas imagens refletiam sua conexão com outras deusas de novos modos. Ísis-Termute, uma combinação dela com Renenutet para representar a fertilidade na agricultura, era representada no estilo de uma mulher com o corpo inferior de uma cobra. Estatuetas de uma mulher com um adereço de cabeça elaborado e expondo seus genitais pode representar Ísis-Afrodite.[77][nota 2]

O símbolo de tyet, uma forma circular similar ao ankh, era visto como o emblema pessoal de Ísis a partir de pelo menos o começo do Império Novo, apesar de existir desde muito tempo antes.[79] Era frequentemente feito de jaspe vermelha e tinha ligação com o sangue da deusa. Era usado como amuleto funerário e dizia-se que proporcionava proteção.[80]

Veneração[editar | editar código-fonte]

Relação com a realeza[editar | editar código-fonte]

Ísis originalmente era uma divindade menor na ideologia acerca do rei vivo, mesmo com toda sua importância no enredo do mito de Osíris. Por exemplo, ela desempenhava uma função pequena no Papiro Ramesseum, a escritura dos ritos de coroação realizados na ocasião da ascensão do faraó Sesóstris I do Império Médio.[81] Sua importância cresceu no Império Novo,[82] quando foi cada vez mais conectada com Hator e com a rainha consorte humana.[83]

O primeiro milênio a.C. viu uma ênfase cada vez maior na tríade familiar de Osíris, Ísis e Hórus, além de uma explosão no crescimento da popularidade de Ísis. No século IV a.C., o faraó Nectanebo I da Trigésima Dinastia reivindicou Ísis como sua divindade padroeira, conectando-a ainda mais com o poder político.[84] O Reino de Cuxe, que governou a Núbia do século VIII ao século IV a.C., absorveu e adaptou a ideologia egípcia que cercava a realeza. Ele igualou a deusa a Candace, a rainha ou rainha-mãe do rei.[85]

Os faraós ptolemaicos desenvolveram uma ideologia que conectava os deuses egípcios e gregos com o objetivo de fortalecer suas reivindicações ao trono nos olhos de seus súditos gregos e egípcios. Desde séculos antes, colonos gregos e visitantes traçaram paralelos entre as divindades do Egito e as suas próprias, um processo conhecido como interpretatio graeca.[86] Heródoto, historiador grego do século V a.C., conectou Ísis com Deméter, cuja busca por sua filha Perséfone lembrava a procura de Ísis por Osíris. Deméter foi uma das poucas divindades gregas amplamente adotadas pelos egípcios na época ptolemaica, assim as similaridades dela com Ísis mostraram-se uma ligação entre as duas culturas.[87] Em outros casos, Ísis era ligada a Afrodite através dos aspectos sexuais de sua personagem.[88] Ptolemeu I Sóter e Ptolemeu II Filadelfo, os dois primeiros faraós ptolemaicos, construíram sobre essas tradições e promoveram a veneração de um novo deus chamado Serápis, que combinava aspectos de Osíris e Ápis com aqueles de deuses gregos como Zeus e Dionísio. Ísis, retratada de forma helenizada, era considerada a consorte de Serápis e também de Osíris. Ptolemeu II e sua irmã Arsínoe II desenvolveram um culto ao governante ao redor de si mesmos, assim passaram a ser venerados nos mesmos templos de Serápis e Ísis, com Arsínoe sendo ligada tanto a deusa egípcia quanto a Afrodite.[89] Algumas das rainhas ptolemaicas posteriores identificaram-se de forma ainda mais próxima com Ísis. Cleópatra III do século II a.C. usava o nome da deusa no lugar do seu próprio em inscrições, enquanto Cleópatra VII Filópator, a última governante do Egito antes da anexação romana, usava o epíteto "a nova Ísis".[90]

Templos e festivais[editar | editar código-fonte]

O templo de Ísis em Filas.

O culto a Ísis tinha ligações próximas com o de divindades masculinas como Osíris, Min e Ámon até por volta do final do Império Novo. Ela era comumente venerada ao lado deles como sua mãe ou consorte, sendo especialmente cultuada como a mãe das várias formas locais de Hórus.[91] Mesmo assim, ela tinha seus próprios sacerdócios individuais em alguns locais,[92] com pelo menos um templo próprio em Abidos, um centro de culto a Osíris, durante a parte posterior do Império Novo.[93]

Os primeiros grande templos conhecidos dedicados exclusivamente a Ísis foram o Iseion em Behbeit el-Hagar no norte do Egito e em Filas no extremo sul. Ambos começaram a ser construídos durante a Trigésima Dinastia e completados ou expandidos pelos faraós ptolemaicos.[72] Graças a grande fama de Ísis, Filas atraia peregrinos vindos de todo o Mediterrâneo.[94] Muitos outros templos dedicados a deusa surgiram no período ptolemaico, indo desde Alexandria e Canopo na costa mediterrânea até a fronteira com a Núbia.[95] Uma série de templos ficava nesta última região, espalhando-se de Filas no sul até Maharraqa, sendo locais de veneração tanto para egípcios quanto para os vários povos núbios.[96] Os núbios de Cuxe construíram seus próprios templos para Ísis em locais bem ao sul como Wad ban Naqa,[97] incluindo um em sua capital Meroé.[98]

O rito templário mais frequente para qualquer divindade era as oferendas diárias, em que sacerdotes vestiam o ídolo da divindade e lhe ofereciam comida.[99] Templos a Ísis na época romana foram construídos no estilo egípcio, em que o ídolo ficava em um santuário isolado acessível apenas aos sacerdotes, e no estilo greco-romano, em que os devotos podiam ver o ídolo.[100] Mesmo assim, as culturas egípcia e grega eram altamente misturadas nessa época e talvez não existisse uma separação étnica entre os adoradores de Ísis.[101] As mesmas pessoas possivelmente rezavam para a deusa do lado de fora dos templos egípcios e também em frente de sua estátua no templos gregos.[100]

Os templos também celebravam festivais, tanto nacionais quanto locais.[102] Uma série elaborada de rituais eram realizadas por todo o Egito para Osíris durante o mês de choiak,[103] com Ísis e Néftis sendo proeminentes nesse rituais até pelo menos o Império Novo.[104] Nos tempos ptolemaicos, duas mulheres interpretavam os papéis das deusas durante o choiak, cantando ou lamentando pelo irmão morto. Seus cantos foram preservados nas Canções de Festivais de Ísis e Néftis e Lamentações de Ísis e Néftis.[104][105]

Ísis acabou por desenvolver seus próprios festivais. Nos tempos romanos, egípcios de todo o país celebravam seu aniversário, a Amesísia, carregando o ídolo local da deusa pelos campos, provavelmente celebrando seus poderes de fertilidade.[106] Os sacerdotes em Filas realizavam um festival a cada dez dias quando o ídolo de Ísis era levado para a ilha vizinha de Bigeh, onde dizia-se que estava localizado o local de enterro de Osíris, com os sacerdotes fazendo os ritos funerários para o deus. O ídolo também visitava templos próximos ao sul, mesmo durante os últimos séculos de atividade em Filas, quando esses templos eram administrados por núbios fora do controle romano.[107]

O cristianismo tornou-se, durante os séculos IV e V d.C., a religião predominante no Império Romano, incluindo o Egito. Os cultos em templos egípcios morreram gradualmente e em diferentes épocas devido uma combinação de falta de dinheiro e hostilidade dos cristãos.[108] O templo de Ísis em Filas, graças aos seus adoradores núbios, conseguiu manter um sacerdócio organizado e festivais regulares até pelo menos a metade do século V d.C., fazendo dele o último templo em funcionamento do Egito.[109][nota 3]

Ritos funerários[editar | editar código-fonte]

Ísis (esquerda) e Néftis (direita) como milhafres perto do esquife de uma múmia, século XIII a.C.

Ísis e Néftis eram retratadas ajudando o faraó falecido a alcançar o pós-vida em muitos dos feitiços presentes nos Textos das Pirâmides. Ísis aparecia mais frequentemente nos Textos dos Sarcófagos do Império Médio, porém nessas escritas Osíris foi creditads mais frequentemente como o responsável por trazer os mortos de volta a vida do que ela. Fontes do Império Novo como o Livro dos Mortos descreveram a deusa como protegendo as almas falecidas enquanto enfrentam os perigos do Duat. Eles também descreveram Ísis como membro dos conselhos divinos que julgavam as virtudes morais da alma antes de aceitá-las no pós-vida, aparecendo em vinhetas ao lado de Osíris enquanto ele presidia esse tribunal.[111]

As duas deusas apareciam nas cerimônias funerárias, em que duas mulheres pranteadoras lamentavam o morto assim como Ísis e Néftis tinham feito com Osíris.[112] Ísis era frequentemente mostrada ou referida nos equipamentos funerários: nos sarcófagos e baús canópicos como uma de quatro divindades que protegiam os Filhos de Hórus, em tumbas como oferecendo seu leite ao morto e em amuletos tyet que frequentemente eram colocados nas múmias a fim de garantir que o poder de Ísis os protegeria do mau.[113] Textos funerários posteriores a mostravam lamentando por Osíris e, em certo texto, parte dos Livros da Respiração, foi dito que foi escrito pela própria em benefícios do marido.[114] Ísis era considerada mais importante que Osíris na religião funerária núbia, pois tinha sido a parceira ativa enquanto ele passivamente recebeu as oferendas feitas para sustentá-lo no pós-vida.[115]

O mundo greco-romano[editar | editar código-fonte]

Estátua de Ísis em Hierápolis.

Após a conquista do Egito por Alexandre o Grande o culto de Ísis difundiu-se através do mundo greco-romano..[116] No período helenístico Ísis adquiriu uma nova posição como deusa dominante no mundo mediterrânico.

Em Roma, Tácito registrou que após o assassinato de Júlio César, foi decretada a construção de um templo em honra de Ísis; Augusto suspendeu esta construção, e tentou trazer os Romanos de volta às antigas divindades, que eram estreitamente associadas à figura do Estado. Eventualmente o imperador Calígula abandonou os cuidados de Augusto em favor do que foi descrito como "cultos orientais", e foi em seu reinado que o festival de Ísis foi estabelecido em Roma. De acordo com Flávio Josefo, Calígula vestiu-se como uma mulher e tomou parte nos mistérios que instituiu.

Vespasiano, assim como Tito, praticaram incubação no Iseum romano. Domiciano fez erguer um outro Iseum juntamente com um Serapeu. Trajano foi representado diante de Ísis e de Hórus, presenteando-os com oferendas votivas de vinho em um baixo-relevo em seu arco do triunfo.[117] Adriano decorou a sua villa em Tibur com cenas Isíacas. Galério considerou-a sua protetora.[118]

As perspectivas romanas dos cultos eram sincréticas, vendo nas novas divindades meros aspectos locais dos que lhes eram familiares. Para muitos Romanos, a Ísis egípcia era um aspecto da Cibele Frígia, cujos ritos orgíacos estavam há muito implantados em Roma. De fato, ela foi conhecida como "Ísis dos Dez Mil Nomes".

Entre os nomes da Ísis Romana, "Rainha do Céu" destaca-se por sua longa e continua história. Heródoto identifica Ísis com as deusas da agricultura Deméter na mitologia grega e Ceres na romana.

No período tardio, Ísis também teve templos através da Europa, Britania, África e Ásia. Uma estátua de Ísis em alabastro, do século III encontrada em Ohrid, na República da Macedónia, está representada no anverso da nota de 10 dinares macedónios emitida em 1996.[119]

O pré-nome masculino "Isidoro" (também "Isidro") significa em Língua grega antiga "Presente de Ísis" (semelhante a "Teodoro", "Presente de Deus"). O nome, comum à época romana, sobreviveu à supressão do culto a Ísis e permanece popular até aos nossos dias - sendo, entre outros, o nome de diversos santos cristãos.

Ísis na literatura[editar | editar código-fonte]

Plutarco, um sábio da Grécia antiga, que viveu entre 46 a.C. e 120 d.C., é autor de "Ísis e Osíris",[120] considerada uma das principais fontes sobre os mitos tardios sobre Ísis.[121] Nela, acerca de Ísis, refere "ela é tanto sábia quanto amante da sabedoria; como o seu nome parece denotar que, mais do que qualquer outro, o saber e o conhecimento pertencem a ela." e que o santuário da deusa em Saís continha a inscrição "Eu sou tudo o que foi, é, e será, e meu véu nenhum mortal levantou até agora.".[122] Em Sais, no entanto, a padroeira do seu antigo culto foi Neith, deusa de que muitos traços tinham começado a ser atribuídos a Ísis durante a ocupação grega. Mais tarde, o escritor romano Apuleio, em O Asno de Ouro, dá-nos o seu entendimento acerca de Ísis no século II. O parágrafo abaixo é particularmente significativo:

"Você me vê aqui, Lúcio, em resposta à sua oração. Eu sou a natureza, Mãe universal, senhora de todos os elementos, filha primordial do tempo, soberana de todas as coisas espirituais, rainha dos mortos, também rainha dos imortais, a manifestação única de todos os deuses e deusas que são, o meu comando governa as alturas brilhantes dos Céus, a salutar brisa do mar. Embora eu seja adorada em muitos aspectos, conhecidos por nomes incontáveis alguns me conhecem como Juno, alguns como Belona os egípcios que se destacam no aprendizado e culto antigo me chamam pelo meu verdadeiro nome Rainha Ísis."

Paralelos com a Virgem Maria[editar | editar código-fonte]

Alguns eruditos traçam paralelos entre a adoração de Ísis na época final do Império Romano e a veneração de hiperdulia à Virgem Maria cristã. Quando o cristianismo começou a ganhar popularidade, difundindo-se na Europa e em todas as partes do Império, os primitivos cristãos converteram um relicário da Ísis egípcia em um para Maria e de outros modos "deliberadamente tomaram imagens do mundo pagão".[123]

Embora a Virgem Maria não seja idolatrada pelos cristãos (é venerada tanto pelos católicos quanto pelos Ortodoxos), o seu papel, como figura de mãe compassiva, tem paralelos com a figura de Ísis.[123] O historiador Will Durant observou que "os primitivos Cristãos por vezes fizeram os seus cultos diante de estátuas de Ísis amamentando o filho Hórus, vendo nelas uma outra forma do nobre a antigo mito pelo qual a mulher (isto é, o princípio feminino) é a criadora de todas as coisas, tornando-se por fim, a "Mãe de Deus"".[124] Hórus, sob este aspecto infantil, foi denominado Harpócrates pelos antigos Gregos.

Isto é fruto da exposição dos primitivos cristãos à arte egípcia. Uma pesquisa com "os vinte principais Egiptólogos", conduzida pelo Dr. W. Ward Gasque, um erudito cristão, revelou que todos os participantes reconheceram "que a imagem de Ísis com o bebê Hórus influiu na iconografia cristã da Virgem e o Menino", mas que não houve nenhuma outra semelhança, como por exemplo, que Hórus tenha nascido de uma virgem, que tenha tido doze seguidores, ou outras.[125]

A veneração a Maria na Igreja Ortodoxa[126] e mesmo na tradição da Igreja Anglicana é frequentemente superestimada.[127] As imagens tradicionais (ícones) de Maria ainda são populares na Igreja Ortodoxa nos dias de hoje.[128]

Notas

  1. A veneração de um deus em particular, como Ísis, dentro da religião do Antigo Egito, é chamada de "culto".[7] O mesmo é frequentemente válido para a veneração de divindades individuais dentro das religiões grega e romana.Classicistas algumas vezes se referem à veneração de Ísis, ou de certas divindades que foram introduzidas no mundo greco-romano, como "religiões" pois eram mais distintas da cultura ao redor do que os cultos dos deuses gregos ou romanos.[8] Entretanto, esses cultos não formavam as comunidades independentes e autônomas com visões de mundo distintas que os grupos judeus e cristãos dentro do Império Romano.[9] Os historiadores Françoise Dunand e Jaime Alvar Ezquerra argumentaram que a veneração de Ísis deve ser chamada de "culto", já que era parte de sistemas maiores nas religiões egípcia e romana, em vez de serem um sistema de crenças independente e abrangente como no judaísmo e cristianismo.[8][10]
  2. Essas estatuetas eram comuns no Egito romano e pensa-se que muitas vezes representavam Ísis ou Hator combinadas com Afrodite, porém não é certeza que elas representavam uma deusa.[78] Os genitais expostos podem representar fertilidade[77] ou tinham a intenção de afastar o mau.[78]
  3. Acadêmicos tradicionalmente acreditaram, seguindo as escritas de Procópio de Cesareia, que Filas fechou por volta do ano 535 por uma expedição militar sob o imperador Justiniano I. Jitse Dijkstra argumentou que o relato de Procópio sobre o fechamento do templo é incorreto e que as atividades religiosas regulares terminaram pouco depois da última data inscrita no templo, em 456 ou 457.[109] Eugene Cruz-Uribe sugere que o templo ficou vazio a maior parte do tempo durante os século V e VI, porém os núbios que viviam ali perto continuaram a realizar festivais periódicos até meados do século VI.[110]

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