Cleópatra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Cleópatra (desambiguação).
Cleópatra VII Filópator
Cleópatra de Berlim, busto romano de Cleópatra usando um diadema, c. século I a.C. (época de suas visitas a Roma em 46–44 a.C.). Foi descoberta numa vila italiana ao longo da Via Ápia e encontra-se exposta no Museu Antigo, na Alemanha[1][2][3][nota 1]
Rainha do Reino Ptolemaico
Reinado 51 a.C. a 10 ou 12 de agosto de 30 a.C.[4][nota 2]
Predecessor Ptolemeu XII Auleta
Sucessor Ptolemeu XV Cesarião
Co-monarcas
 
Maridos
Descendência
Dinastia Ptolemaica
Nascimento 69 a.C.
Alexandria, Reino Ptolemaico
Morte 10 ou 12 de agosto de 30 a.C. (39 anos)[nota 2]
Alexandria, Reino Ptolemaico
Pai Ptolemeu XII Auleta
Mãe Desconhecida, possivelmente Cleópatra VI Trifena (que também pode ser igual a Cleópatra V Trifena)[nota 3]

Cleópatra VII Filopátor (em grego clássico: Κλεοπᾰ́τρᾱ Φιλοπάτωρ; transl.: Kleopátrā Philopátōr;[5] 69 – 10 ou 12 de agosto de 30 a.C.)[nota 2] foi a última governante do Reino Ptolemaico do Egito,[nota 4] nominalmente sucedida como faraó por seu filho Cesarião.[nota 5] Como membro da dinastia ptolemaica, foi uma descendente de seu fundador Ptolemeu I Sóter, um general greco-macedônio e companheiro de Alexandre, o Grande.[nota 6] Após sua morte, o Egito tornou-se uma província do Império Romano, marcando o fim do Período Helenístico que começou com o reinado de Alexandre (r. 336–323 a.C.).[nota 7] Enquanto sua língua nativa era o grego koiné, foi a primeira governante ptolemaica a aprender a língua egípcia.[nota 8]

Possivelmente acompanhou seu pai Ptolemeu XII em 58 a.C. durante seu exílio em Roma, depois que uma revolta no Egito permitiu que sua filha mais velha, Berenice IV, reivindicasse o trono. Esta última foi morta em 55 a.C., quando o faraó retornou ao país com assistência militar romana. Quando morreu em 51 a.C., Ptolemeu XII foi sucedido por Cleópatra e seu irmão mais novo, Ptolemeu XIII, como governantes conjuntos, mas um desentendimento entre ambos levou ao início da guerra civil. Depois de perder a Batalha de Farsalos na Grécia contra seu rival Júlio César durante a Segunda Guerra Civil, o estadista romano Pompeu fugiu para o Egito, um estado cliente. Ptolemeu XIII matou Pompeu enquanto César ocupava Alexandria em busca deste. César, um cônsul da República Romana, tentou reconciliar Ptolemeu XIII com sua irmã. Potino, o conselheiro-chefe do faraó, considerou os termos do cônsul favoráveis à rainha, e assim suas forças, que eventualmente caíram sob o controle de sua irmã mais nova, Arsínoe IV, cercaram César e Cleópatra. O cerco foi levantado por reforços no início de 47 a.C. e o governante egípcio morreu pouco depois na Batalha do Nilo. Arsínoe IV foi exilada em Éfeso, e César, agora um ditador eleito, declarou Cleópatra e seu irmão mais novo Ptolemeu XIV como governantes conjuntos. O ditador manteve um caso com a rainha, que gerou um filho, Cesarião. Ela viajou para Roma como rainha cliente em 46 e 44 a.C., ficando numa vila local. Após os assassinatos de César e Ptolemeu XIV (este por ordem da própria) em 44 a.C., tentou fazer Cesarião o herdeiro de seu pai, mas o título foi para Otaviano, sobrinho-neto de César.

Na Guerra Civil dos Libertadores entre 43-42 a.C., ficou ao lado do Segundo Triunvirato formado por Otaviano, Marco Antônio e Lépido. Após um encontro em Tarso, em 41 a.C., a rainha teve um caso com Antônio. Ele realizou a execução de Arsínoe a pedido dela e tornou-se cada vez mais dependente dela para financiamento e ajuda militar durante suas invasões do Império Parta e do Reino da Armênia. As Doações de Alexandria declararam seus filhos Alexandre Hélio, Cleópatra Selene II e Ptolemeu Filadelfo, governantes de vários territórios antigos, sob sua autoridade triunviral. Esse evento, seu casamento e o divórcio de Marco Antônio da irmã de Otaviano, Otávia, a Jovem, levaram à Última Guerra Civil da República Romana. Otaviano se engajou numa guerra de propaganda, forçou os aliados de Antônio no Senado a fugir de Roma em 32 a.C. e declarou guerra a Cleópatra. Depois de derrotar a frota naval da ambos na Batalha de Áccio, em 31 a.C., as forças de Otaviano invadiram o Egito em 30 a.C. e derrotaram Antônio, o levando ao suicídio. Quando a rainha soube que o governante romano planejava levá-la à sua procissão triunfal, cometeu suicídio por envenenamento. A crença popular diz que foi mordida por uma víbora.

Seu legado sobrevive em numerosas obras de arte, tanto antigas quanto modernas. A historiografia romana e a poesia latina produziram uma visão geralmente polêmica e negativa da rainha que permeava a literatura medieval e renascentista. Nas artes visuais, representações antigas de Cleópatra incluem a cunhagem romana e ptolemaica, estátuas, bustos, relevos, vidros e esculturas de camafeus, e pinturas. Foi tema de muitas obras na arte renascentista e barroca, incluindo esculturas, pinturas, poesia, dramas teatrais, como Antony and Cleopatra, de William Shakespeare, e óperas como Giulio Cesare in Egitto, de Georg Friedrich Händel. Nos tempos modernos, tem aparecido nas artes aplicadas e belas artes, na sátira burlesca, em produções cinematográficas e em imagens de marcas para produtos comerciais, tornando-se um ícone popular da egitomania desde o século XIX.

Etimologia

O nome Cleópatra é originário do grego antigo Kleopatra (em grego: Κλεοπάτρα), que significa "glória de seu pai" na forma feminina.[6] É derivado de kleos (em grego: κλέος), "glória", combinado com pater (em grego: πατήρ), "antepassados", usando a forma genitiva patros (em grego: πατρός).[7] A forma masculina teria sido escrita como Kleopatros (em grego: Κλεόπατρος) ou Patroklos (em grego: Πάτροκλος).[7] Cleópatra era o nome da irmã de Alexandre, o Grande, bem como Cleópatra Alcíone, esposa de Meleagro na mitologia grega.[8] Através do casamento de Ptolemeu V Epifânio e Cleópatra I Sira (uma princesa selêucida), o nome entrou na dinastia ptolemaica.[9][10] Seu título adotivo, Tea Filópator (em grego: Θεά Φιλοπάτωρα), significa "deusa que ama seu pai."[11][12][nota 9]

Contexto histórico

Busto helenístico de Ptolemeu XII Auleta, o pai de Cleópatra, localizado no Louvre, Paris[13]

Os faraós ptolemaicos eram coroados pelo Sumo Sacerdote de Ptá, em Mênfis, no Egito, mas residiam na cidade multicultural e em grande parte grega de Alexandria, fundada por Alexandre, o Grande da Macedônia.[14][15][16][nota 10] Eles falavam grego e governavam o Egito como monarcas helenísticos, recusando-se a aprender a língua nativa egípcia.[17][18][19][nota 8] Em contraste, Cleópatra podia falar vários idiomas até a idade adulta e foi a primeira governante ptolemaica a aprender a língua egípcia.[20][21][19][nota 11] Ela também falava etíope, troglodita, hebraico (ou aramaico), árabe, a língua síria (talvez siríaca), meda, parta e latim, embora seus contemporâneos romanos preferissem falar com ela em grego koiné nativo.[21][19][22][nota 12] Além do grego, do egípcio e do latim, essas línguas refletiam seu desejo de restaurar os territórios do norte da África e da Ásia Ocidental que pertenciam ao Reino Ptolemaico.[23]

O intervencionismo romano no Egito antecedeu o reinado de Cleópatra.[24][25][26] Quando Ptolemeu IX Látiro morreu no final de 81 a.C., foi sucedido por sua filha Berenice III.[27][28] No entanto, com a construção da oposição na corte real contra a ideia de uma única monarca reinante, Berenice III aceitou o domínio conjunto e o casamento com seu primo e enteado Ptolemeu XI Alexandre II, um arranjo feito pelo ditador romano Sula.[27][28] Ptolemeu XI matou sua esposa logo após o casamento em 80 a.C., mas foi linchado logo depois no tumulto resultante do assassinato.[27][29][30] Ptolemeu XI, e talvez seu tio Ptolemeu IX ou pai Ptolemeu X Alexandre I, desejavam o Reino ptolemaico sob Roma como garantia de empréstimos, de modo que os romanos tinham bases legais para tomar o Egito, seu estado cliente, após o assassinato de Ptolemeu XI.[27][31][32] Os romanos preferiram dividir o reino ptolemaico entre os filhos ilegítimos de Ptolemeu IX, concedendo o Chipre a Ptolemeu do Chipre e o Egito a Ptolemeu XII Auleta.[27][29]

Biografia

Primeiros anos

Cleópatra Filópator nasceu no início de 69 a.C. como a filha do faraó Ptolemeu XII e uma mãe desconhecida,[33][34][nota 13] presumivelmente Cleópatra VI Trifena (também conhecida como Cleópatra V Trifena),[35][36][37][nota 14][nota 3] a mãe de sua irmã mais velha, Berenice IV.[38][39][40][nota 15] Cleópatra Trifena desaparece dos registros oficiais alguns meses após o nascimento de sua filha em 69 a.C..[41][42] Os três filhos mais novos de Ptolemeu XII, a irmã de Cleópatra, Arsínoe IV, e os irmãos Ptolemeu XIII Téo Filópator e Ptolemeu XIV,[38][39][40] nasceram na ausência de sua esposa.[43][44] Seu tutor de infância foi Filóstrato, de quem ela aprendeu as artes gregas do diálogo e filosofia.[45] Durante sua juventude, presumivelmente estudou no Mouseion, incluindo a Biblioteca de Alexandria.[46][47]

Reinado e exílio de Ptolemeu XII

Em 65 a.C., o censor romano Marco Crasso argumentou perante o Senado que Roma deveria anexar o Egito ptolemaico, mas seu projeto de lei e o projeto similar do tribuno Servílio Rulo dois anos mais tarde foram rejeitados.[48][49] Ptolemeu XII respondeu à ameaça de uma possível anexação oferecendo remuneração e generosos presentes a poderosos estadistas romanos, como Pompeu durante sua campanha contra Mitrídates VI do Ponto e, por fim, Júlio César depois de se tornar cônsul romano em 59 a.C..[50][51][52][nota 16] No entanto, o comportamento perdulário do faraó faliu e ele foi forçado a adquirir empréstimos do banqueiro Caio Rabírio Póstumo[53][54][55]

Um retrato muito provavelmente pintado postumamente de Cleópatra com cabelos ruivos e suas características faciais distintas, usando um diadema real e grampos de cabelo cravejados de pérolas, Herculano, Itália, século I[56][57][nota 17]

Em 58 a.C., os romanos anexaram o Chipre e, sob acusações de pirataria, levaram Ptolemeu do Chipre, irmão de Ptolemeu XII, a cometer suicídio em vez de resistir ao exílio em Pafos.[58][59][55][nota 18] O faraó permaneceu publicamente calado sobre a morte de seu irmão, uma decisão que, juntamente com a cessão do território ptolemaico tradicional aos romanos, prejudicou sua credibilidade entre os indivíduos já enfurecidos por suas políticas econômicas.[58][60][61] Ptolemeu XII foi então exilado do Egito pela força, viajando primeiro para Rodes, depois para Atenas e, finalmente, à vila do triúnviro Pompeu, nas Colinas Albanas, perto de Palestrina, Itália.[58][59][62][nota 19] O faraó desposto passou quase um ano nos arredores de Roma, ostensivamente acompanhado por sua filha Cleópatra, então com cerca de 11 anos.[58][62][nota 20] Berenice IV enviou uma embaixada a Roma para defender seu governo e se opor à reintegração de seu pai Ptolemeu XII, mas ele matou os líderes da embaixada, um incidente que foi encoberto por seus poderosos partidários romanos.[63][54][64][nota 21] Quando o Senado Romano negou a Ptolemeu XII a oferta de uma escolta armada e as provisões para um retorno ao Egito, ele decidiu deixar Roma no final de 57 a.C. e residir no Templo de Ártemis em Éfeso.[65][66][67]

Os financistas romanos de Ptolemeu XII continuaram determinados a restaurá-lo ao poder.[68] Pompeu persuadiu Aulo Gabínio, o governador romano da Síria, a invadir o Egito e restaurar o faraó, oferecendo-lhe 10 mil talentos à missão proposta.[68][69][70] Apesar de colocá-lo em desacordo com a lei romana, Gabínio invadiu o Egito na primavera de 55 a.C., através da Judeia asmoneia, onde Hircano II tinha Antípatro, o Idumeu, pai de Herodes, o Grande, fornecendo suprimentos ao exército liderado pelos romanos.[68][71] Como um jovem oficial de cavalaria, Marco Antônio estava sob o comando de Gabínio. Distinguiu-se impedindo Ptolemeu XII de massacrar os habitantes de Pelúsio, e de resgatar o corpo de Arquelau, marido de Berenice IV, depois de ter sido morto em batalha, assegurando-lhe um enterro real apropriado.[72][73] Cleópatra, agora com 14 anos de idade, teria viajado com a expedição romana ao Egito; anos depois, Antônio professaria que se apaixonara por ela naquela época.[72][74]

Gabínio foi levado a julgamento em Roma por abusar de sua autoridade, pelo qual foi absolvido, mas seu segundo julgamento por aceitar subornos o levou ao exílio, do qual foi chamado de volta sete anos depois, em 48 a.C. por César.[75][76] Crasso o substituiu como governador da Síria e estendeu seu comando provincial para o Egito, mas ele foi morto pelos partos na Batalha de Carras em 53 a.C..[75][77] Berenice IV e seus partidários ricos foram executados, e o faraó apreendeu suas propriedades.[78][79][80] Ele permitiu que a guarnição romana em grande parte germânica e gaulesa de Gabínio, os gabinianos, assediassem as pessoas nas ruas de Alexandria e instalasse seu financista romano de longa data, Rabírio, como seu diretor financeiro.[78][81][82][nota 22] Dentro de um ano, Rabírio foi colocado sob custódia protetora e enviado de volta a Roma depois que sua vida foi ameaçada por drenar o Egito de seus recursos.[83][84][80][nota 23] Apesar desses problemas, Ptolemeu XII criou um testamento designando Cleópatra e Ptolemeu XIII como seus herdeiros conjuntos, supervisionando grandes projetos de construção, como o Templo de Edfu e um templo em Dendera, e estabilizou a economia.[85][84][86][nota 24] Em 31 de maio de 52 a.C., Cleópatra tornou-se regente de Ptolemeu XII, conforme indicado por uma inscrição no Templo de Hator, em Dendera.[87][88][89][nota 25] Rabírio foi incapaz de recolher a totalidade da dívida do governante no momento de sua morte, e assim foi passada para seus sucessores Cleópatra e Ptolemeu XIII.[83][76]

Ascensão ao trono

Ver artigo principal: Reinado de Cleópatra
Na esquerda, Cleópatra vestida de faraó e apresentando oferendas à deusa Ísis, numa estela de pedra calcária dedicada por um grego chamado Onófris, datada de 51 a.C., e localizada no Louvre, Paris. Na direita, os cartuchos de Cleópatra e Cesarião em uma estela de calcário do Sumo Sacerdote de Ptá, no Egito, datados do período ptolemaico, e localizados no Museu Petrie de Arqueologia Egípcia, Londres

Ptolemeu XII morreu em 22 de março de 51 a.C., quando Cleópatra, em seu primeiro ato como rainha, começou uma viagem a Hermontis, perto de Tebas, para instalar um novo touro sagrado de Buquis, adorado como um intermediário para o deus Montu na religião egípcia antiga.[5][90][91][nota 26] Cleópatra enfrentou vários problemas prementes e emergências pouco depois de assumir o trono. Estes incluíam a fome causada pela seca e um baixo nível das inundações anuais do Nilo, e o comportamento ilegal instigado pelos gabininos, os soldados romanos agora desempregados e assimilados deixados por Gabínio para guarnecer o Egito.[92][93] Herdando as dívidas de seu pai, também devia à República Romana 17,5 milhões de dracmas.[94]

Em 50 a.C., Marco Calpúrnio Bíbulo, procônsul da Síria, enviou seus dois filhos mais velhos para o Egito, provavelmente para negociar com os gabinianos e recrutá-los como soldados na defesa desesperada da Síria contra os partos.[95] No entanto, os gabinianos torturaram e assassinaram esses dois, talvez com encorajamento secreto de administradores desonestos da corte de Cleópatra.[95][96] Ela enviou os gabinianos acusados a Bíbulo como prisioneiros que aguardavam seu julgamento, mas ele os mandou de volta à rainha e repreendeu-a por interferir em sua adjudicação, que era prerrogativa do Senado romano.[97][96] Bíbulo, ao lado de Pompeu na Guerra Civil Cesariana, não conseguiu impedir que César pousasse uma frota naval na Grécia, o que finalmente permitiu que chegasse ao Egito em busca de Pompeu.[97]

Por volta de 29 de agosto de 51 a.C., documentos oficiais começaram a listar Cleópatra como única governante, prova de que ela havia rejeitado seu irmão Ptolemeu XIII como co-governante.[94][96][98] Ela provavelmente se casou com ele,[77] mas não há registro disso.[5] A prática ptolemaica do casamento entre irmãos foi introduzida por Ptolemeu II e sua irmã Arsínoe II.[99][100][101] Prática egípcia de longa data, era detestada pelos gregos contemporâneos.[99][100][101][nota 27] No reinado de Cleópatra, contudo, foi considerado um arranjo normal para os governantes nativos.[99][100][101]

Apesar da rejeição de Cleópatra a ele, Ptolemeu XIII ainda mantinha aliados poderosos, notadamente o eunuco Potino, seu tutor de infância, regente e administrador de suas propriedades.[102][93][103] Outros envolvidos na intriga contra a rainha incluíam Áquila, um proeminente comandante militar, e Teódoto de Quios, outro tutor de Ptolemeu XIII.[102][104] A rainha parece ter tentado uma aliança de curta duração com seu irmão Ptolemeu XIV, mas no outono de 50 a.C., Ptolemeu XIII teve a vantagem em seu conflito e começou a assinar documentos com seu nome antes de sua irmã, seguido pelo estabelecimento de sua primeira data de reinado em 49 a.C..[5][105][106][nota 28]

Assassinato de Pompeu

Busto romano de Pompeu feito durante o reinado de Augusto (r. 27–14 a.C.), uma cópia de um original de 70-60 a.C., e localizado no Museu Arqueológico Nacional de Veneza, Itália

No verão de 49 a.C., Cleópatra e suas forças ainda estavam lutando contra Ptolemeu XIII em Alexandria, quando o filho de Pompeu, Cneu Pompeu, chegou, em busca de ajuda militar em nome de seu pai.[105] Após retornar à Itália das Guerras da Gália e cruzar o Rubicão em janeiro daquele ano, César forçou Pompeu e seus partidários a fugir à Grécia.[107][108] Em talvez seu último decreto conjunto, Cleópatra e Ptolemeu XIII concordaram com o pedido de Cneu Pompeu e enviaram a seu pai 60 navios e 500 tropas, incluindo os gabinianos, uma medida que ajudou a eliminar parte da dívida de Roma.[107][109] Perdendo a luta contra seu irmão, Cleópatra foi forçada a fugir de Alexandria e se retirar à região de Tebas.[110][111][112] Na primavera de 48 a.C., a rainha viajara à Síria romana com sua irmã mais nova, Arsínoe IV, para reunir uma força de invasão que se dirigia ao Egito.[113][106][114] Voltou com um exército, mas seu avanço para Alexandria foi bloqueado pelas forças de seu irmão, incluindo alguns gabinianos mobilizados para lutar contra ela, então ela acampou do lado de fora de Pelúsio, no leste do delta do Nilo.[115][106][116]

Na Grécia, as forças de César e Pompeu se enfrentaram na decisiva Batalha de Farsalos em 9 de agosto de 48 a.C., levando à destruição da maior parte do exército de Pompeu e à sua fuga forçada para Tiro, no Líbano.[115][117][118][nota 29] Dada sua estreita relação com os ptolemeus, Pompeu finalmente decidiu que o Egito seria seu lugar de refúgio, onde poderia reabastecer suas forças.[119][118][116][nota 30] Os conselheiros do faraó, no entanto, temiam a ideia de Pompeu usar o Egito como sua base em uma prolongada guerra civil romana.[119][120][121] Num esquema planejado por Teódoto, o comandante romano chegou de navio perto de Pelúsio após ser convidado por uma mensagem escrita, apenas para ser emboscado e esfaqueado até a morte em 28 de setembro de 48 a.C..[119][117][122][nota 31] Ptolemeu XIII acreditava que havia demonstrado seu poder e, ao mesmo tempo, desarmou a situação, mandando a cabeça de Pompeu, cortada e embalsamada, para César, que chegou a Alexandria no início de outubro e passou a residir no palácio real.[123][124][125][nota 31] César expressou pesar e indignação pela morte de Pompeu e convocou o faraó e Cleópatra a dissolver suas forças e reconciliar-se.[123][126][125][nota 32]

Relacionamento com Júlio César

Ptolemeu XIII chegou em Alexandria à frente de seu exército, claramente desafiando a exigência de César para que se desfizesse e deixasse o exército antes de sua chegada.[127][128] Cleópatra inicialmente enviou emissários ao cônsul romano, mas ao alegar que ele estava inclinado a ter casos com mulheres da realeza, ela veio a Alexandria para vê-lo pessoalmente.[127][129][128] O historiador Dião Cássio registra que ela o fez sem informar seu irmão, vestindo-se de maneira atraente e encantando-o com sua inteligência.[127][130][131] Plutarco fornece um relato inteiramente diferente e talvez mítico, que alega que ela foi amarrada dentro de um saco de cama para ser contrabandeada para o palácio para se encontrar com César.[127][132][133][nota 33]

Busto de Túsculo, uma escultura romana contemporânea de Júlio César localizada no Museu Arqueológico de Turim, Itália

Quando o faraó percebeu que sua irmã estava no palácio consorciando diretamente com César, tentou incitar a população de Alexandria a um motim, mas foi preso pelo romano, que usou suas habilidades oratórias para acalmar a multidão frenética.[134][135][136] César então trouxe Cleópatra e Ptolemeu XIII antes da assembléia de Alexandria, onde revelou a vontade escrita de Ptolemeu XII — anteriormente possuída por Pompeu — nomeando a rainha e seu irmão como seus herdeiros conjuntos.[137][135][129][nota 34] O comandante romano então tentou fazer com que os outros dois irmãos, Arsínoe IV e Ptolemeu XIV, governassem juntos o Chipre, removendo assim pretendentes rivais potenciais ao trono egípcio ao apaziguar os ptolemaicos ainda amargos pela perda da ilha aos romanos em 58 a.C..[138][135][139][nota 34]

Julgando que esse acordo favorecia Cleópatra sobre Ptolemeu XIII e que seus exércitos de 20 000 guerreiros, incluindo os gabinianos, provavelmente derrotaria o exército de 4 000 sem apoio de César, Potino decidiu que Áquila levasse suas forças a Alexandria para atacar o cônsul romano e a rainha.[138][135][140][nota 35] Depois que César conseguiu executar Potino, Arsínoe IV juntou forças com Áquila e foi declarada rainha, mas logo depois seu tutor Ganimedes matou Áquila e assumiu a posição dele como comandante do exército.[141][142][143][nota 36] Ganimedes então enganou César ao pedir a presença do prisioneiro Ptolemeu XIII como negociador, apenas para que ele se juntasse ao exército de Arsínoe IV.[141][144][145] César e Cleópatra foram presos no resultante cerco da cidade, que durou até o ano seguinte de 47 a.C..[146][126][147][nota 37]

Em algum momento entre janeiro e março daquele ano, chegaram os reforços de César, incluindo os liderados por Mitrídates de Pérgamo e Antípatro, o Idumeu.[141][126][148][nota 38] Ptolemeu XIII e Arsínoe IV retiraram suas forças para o Nilo, onde César os atacou. O faraó morreu afogado ao tentar fugir quando seu barco virou.[149][126][150][nota 39] Ganimedes talvez foi morto na batalha, Teódoto foi encontrado anos depois na Ásia por Marco Júnio Bruto e executado, enquanto Arsínoe IV foi forçada a desfilar no triunfo de César em Roma antes de ser exilada no Templo de Ártemis em Éfeso.[151][152][153] Cleópatra estava visivelmente ausente desses eventos e residia no palácio, provavelmente porque estava grávida do filho de César desde setembro de 47 a.C..[154][155][156]

O mandato de César como cônsul havia expirado no final de 48 a.C..[151] No entanto, Antônio, um de seus oficiais, ajudou a garantir a eleição como ditador por um ano, até outubro de 47 a.C., dando a César a autoridade legal para resolver a disputa dinástica no Egito.[151] Temeroso de repetir o erro da irmã de Cleópatra, Berenice IV, em ter um único governante, ele nomeou Ptolemeu XIV, o irmão de 12 anos, como governante da rainha de 22 num casamento nominal entre irmãos, mas ela continuou vivendo em particular com César.[157][126][148][nota 40] A data exata em que o Chipre foi devolvido a seu controle não é conhecida, embora lá ela tivesse um governador por volta de 42 a.C..[158][148]

É alegado que César e Cleópatra tenham se juntado para um passeio pelo Nilo e visitaram monumentos egípcios,[126][159][160] embora isso possa ser um conto romântico que reflita mais tardiamente as propensões romanas e não um acontecimento histórico real.[161] O historiador Suetônio forneceu detalhes consideráveis sobre a viagem, incluindo o uso de Talêmago, a barcaça de prazer construída por Ptolemeu IV, que durante seu reinado mediu 91 m de comprimento e 24 m de altura e foi completa com salas de jantar, salas de estado, santuários sagrados e passeios em seus dois conveses, parecendo uma casa flutuante.[161][162] César poderia ter tido interesse no cruzeiro do Nilo devido ao seu fascínio pela geografia; era bem lido nas obras de Eratóstenes e Píteas e talvez quisesse descobrir a nascente do rio, mas voltou antes de chegar à Abissínia.[163][164]

César partiu do Egito por volta de abril de 47 a.C., supostamente para confrontar Fárnaces II do Ponto, filho de Mitrídates VI do Ponto, que estava causando problemas para Roma na Anatólia.[165] É possível que, casado com a proeminente romana Calpúrnia, também quisesse evitar ser visto junto com Cleópatra quando ela lhe deu o filho.[165][159] Deixou três legiões no Egito, mais tarde aumentou para quatro, sob o comando do liberto Rúfio para garantir a posição tênue da rainha, mas talvez também para manter suas atividades sob controle.[165][166][167]

Busto egípcio de uma rainha ptolemaica, possivelmente Cleópatra, c. 51–30 a.C., localizado no Brooklyn Museum[168]

Cesarião, o suposto filho de Cleópatra com César, nasceu em 23 de junho de 47 a.C. e foi originalmente chamado de "Faraó César", preservado em uma estela no serapeu, em Mênfis.[169][126][170][nota 41] Talvez devido ao seu casamento ainda sem filhos com Calpúrnia, César permaneceu publicamente em silêncio sobre Cesarião (mas talvez tenha aceitado sua filiação em particular).[171][nota 42] Cleópatra, por outro lado, fez repetidas declarações oficiais sobre o parentesco de Cesarião, com César como pai.[171][172][173]

Cleópatra e seu governante conjunto nominal, Ptolemeu XIV, visitaram Roma em algum momento no final de 46 a.C., presumivelmente sem Cesarião, e receberam alojamento na vila de César, dentro dos Jardins de César.[174][170][175][nota 43] Tal como aconteceu com seu pai Ptolemeu XII, César concedeu a Cleópatra e a Ptolemeu XIV o estatuto legal de "amigo e aliado do povo romano" (em latim: socius et amicus populi Romani), em efeito, aos governantes clientes leais a Roma.[176][177][178] Os visitantes da rainha na vila de César, do outro lado do rio Tibre, incluíam o senador Cícero, que a considerava arrogante.[179][180] Sosígenes de Alexandria, um dos membros da corte de Cleópatra, ajudou César nos cálculos do novo calendário juliano, posto em vigor em 1º de janeiro de 45 a.C..[181][182][183] O Templo da Vênus Genetrix, estabelecido no Fórum de César em 25 de setembro de 46 a.C., continha uma estátua de ouro de Cleópatra (que ficou lá pelo menos até século III), associando a mãe do filho de César diretamente com a deusa Vênus, mãe dos romanos.[184][182][185] A estátua também ligou sutilmente a deusa egípcia Ísis à religião romana.[179]

A presença da egípcia em Roma provavelmente teve um efeito sobre os eventos no festival de Lupercália, um mês antes do assassinato de César.[186][187] Antônio tentou colocar um diadema real na cabeça do ditador, com este recusando-se no que era provavelmente uma apresentação encenada, talvez para avaliar o humor do público romano sobre aceitar a realeza de estilo helenístico.[186][187] Cícero, que estava presente no festival, ironicamente perguntou de onde vinha o diadema, uma referência óbvia à rainha ptolemaica que ele abominava.[186][187] César foi assassinado nos idos de março (15 de março de 44 a.C.), mas Cleópatra permaneceu em Roma até meados de abril, na vã esperança de que Cesarião fosse reconhecido como herdeiro.[188][189][190] No entanto, o testamento de César nomeou seu sobrinho-neto Otaviano como o principal herdeiro, e este chegou à Itália na mesma época em que a rainha decidiu voltar ao Egito.[188][189][191] Alguns meses depois, Cleópatra mandou matar Ptolemeu XIV por envenenamento, elevando seu filho Cesarião como seu co-regente.[192][193][173][nota 44]

Guerra Civil dos Libertadores

Portão de Cleópatra em Tarso (atual Mersin, Turquia), o local onde encontrou Marco Antônio em 41 a.C.[194]

Otaviano, Marco Antônio e Marco Emílio Lépido formaram o Segundo Triunvirato em 43 a.C., no qual foram eleitos para mandatos de cinco anos para restaurar a ordem na República e levar os assassinos de César à justiça.[195][196] Cleópatra recebeu mensagens de Caio Cássio Longino, um dos assassinos de César, e Públio Cornélio Dolabela, procônsul da Síria e apoiador de Cesarião, solicitando ajuda militar.[195] Ela decidiu escrever a Cássio uma desculpa de que seu reino enfrentava muitos problemas internos, enquanto enviava as quatro legiões deixadas por César no Egito para Dolabela.[195][197] No entanto, essas tropas foram capturadas por Cássio na Palestina.[195][197] Enquanto Serapião, seu governador no Chipre, desertou para Cássio e lhe forneceu navios, a rainha levou sua frota à Grécia para ajudar pessoalmente Otaviano e Antônio, mas seus navios foram fortemente danificados em uma tempestade no Mediterrâneo e ela chegou tarde demais para ajudar na luta.[195][198] No outono de 42 a.C., Antônio havia derrotado as forças dos assassinos de César na Batalha de Filipos, na Grécia, levando ao suicídio de Cássio e Bruto.[195][199]

No final do ano, Otaviano havia conquistado o controle de grande parte da metade ocidental da República Romana e Antônio da metade oriental, com Lépido em grande parte marginalizado.[200] No verão do ano seguinte, Antônio estabeleceu seu quartel-general em Tarso, na Anatólia, e convocou Cleópatra em várias cartas, o que ela rejeitou até que o enviado do líder militar, Quinto Délio, a convenceu a ir.[201][202] O encontro permitiu que ela esclarecesse o equívoco de que havia apoiado Cássio durante a guerra civil e endereçar as trocas territoriais no Levante, mas Antônio também desejava, indubitavelmente, formar um relacionamento pessoal e romântico com a rainha.[203][202][nota 45] Ela navegou o rio Kydnos até Tarso, de Talêmago, recebendo o comandante romano e seus oficiais para duas noites de banquetes luxuosos a bordo do navio.[204][205] Cleópatra conseguiu limpar seu nome como uma suposta partidária de Cássio, argumentando que realmente tentara ajudar Dolabela na Síria e convenceu Antônio a mandar executar sua irmã exilada, Arsínoe IV, em Éfeso.[206][207] Seu ex-governador rebelde no Chipre também foi entregue a ela para execução.[206][208]

Relacionamento com Marco Antônio

Cleópatra convidou Marco Antônio para ir ao Egito antes de partir de Tarso, o que levou o militar a visitar Alexandria em novembro de 41 a.C..[206][209] Foi bem recebido pela população da cidade, tanto por suas ações heroicas em restaurar Ptolemeu XII ao poder e por chegar ao Egito sem uma força de ocupação como César tinha feito.[210][211] No Egito, continuou a desfrutar do luxuoso estilo de vida real que havia presenciado a bordo do navio de Cleópatra ancorado em Tarso.[212][208] Também mandou seus subordinados, como Públio Ventídio Basso, expulsarem os partos da Anatólia e da Síria.[211][213][214][nota 46]

A rainha o escolheu cuidadosamente como seu parceiro para produzir novos herdeiros, pois ele era considerado a figura romana mais poderosa após a morte de César.[215] Com seus poderes como triúnviro, Antônio também tinha ampla autoridade para restaurar antigas terras ptolemaicas, que estavam atualmente em mãos romanas, para Cleópatra.[216][217] Embora esteja claro que tanto a Cilícia quanto o Chipre estavam sob o controle da rainha em 19 de novembro de 38 a.C., a transferência provavelmente ocorreu mais cedo no inverno de 41–40 a.C., durante seu tempo passado com o comandante romano.[216]

Um busto romano de mármore do cônsul e triúnviro Marco Antônio, do século I, Museus Vaticanos

Na primavera de 40 a.C., Antônio deixou o Egito devido a problemas na Síria, onde seu governador Lúcio Decídio Saxa foi morto e seu exército tomado por Quinto Labieno, um ex-oficial sob Cássio que agora servia ao Império Parta.[218] Cleópatra forneceu-lhe 200 navios à sua campanha e como pagamento pelos seus territórios recém-adquiridos.[218] Ela não o veria de novo até 37 a.C., mas manteve correspondência, e as evidências sugerem que ela manteve um espião em seu acampamento.[218] No final de 40 a.C., ela deu à luz gêmeos, um garoto chamado Alexandre Hélio e uma garota chamada Cleópatra Selene II, os quais o comendante romano reconheceu como seus filhos.[219][220] Hélio (o Sol) e Selene (a Lua) simbolizavam uma nova era de rejuvenescimento social,[221] bem como uma indicação de que Cleópatra esperava que seu parceiro repetisse as façanhas de Alexandre, o Grande, conquistando os partas.[211]

A campanha parta de Marco Antônio no Oriente foi interrompida pelos acontecimentos da Guerra Perusina, iniciada por sua ambiciosa esposa Fúlvia contra Otaviano, na esperança de fazer de seu marido o líder indiscutível de Roma.[221][222] Foi sugerido que Fúlvia queria afastá-lo de Cleópatra, mas o conflito emergiu na Itália antes mesmo do encontro de ambos em Tarso.[223] Fúlvia e Lúcio Antônio, irmão de seu marido, foram cercados por Otaviano na Perúsia (atual Perúgia, Itália) e depois exilados da Itália, após o que Fúlvia morreu em Sicião, na Grécia, enquanto tentava chegar até seu marido.[224] Sua morte repentina levou a uma reconciliação de Otaviano e Antônio em Brundísio, na Itália, em setembro de 40 a.C..[224][211] Embora o acordo em Brundísio solidificasse o controle de Antônio dos territórios da República Romana a leste do Mar Jônico, também estipulava que ele concedesse a Itália, Hispânia e Gália, e se casaria com Otávia, a Jovem, a irmã de seu adversário e rival em potencial de Cleópatra.[225][226]

Em dezembro de 40 a.C., Cleópatra recebeu Herodes em Alexandria como hóspede inesperado e refugiado de uma situação turbulenta na Judeia.[227] Ele tinha sido instalado como um tetrarca por Antônio, mas logo estava em desacordo com Antígono II, da dinastia asmoneia há muito estabelecida.[227] Este último havia aprisionado o irmão de Herodes e seu colega tetrarca Fasael, que foi executado enquanto o tetrarca fugia em direção à corte de Cleópatra.[227] A rainha egípcia tentou fornecer-lhe uma missão militar, mas Herodes recusou e viajou para Roma, onde os triúnviros Otaviano e Antônio o nomearam rei da Judeia.[228][229] Este ato o colocou em rota de colisão com Cleópatra, que desejara recuperar os antigos territórios ptolemaicos que compunham seu novo reino herodiano.[228]

Uma antiga escultura romana, possivelmente representando a Cleópatra ptolemaica[230][231][nota 47] ou sua filha, Cleópatra Selene II, rainha da Mauritânia,[232] localizada no Museu Arqueológico de Cherchell, na Argélia

As relações entre o militar e a rainha talvez azedaram quando ele não só se casou com Otávia, mas também gerou suas duas filhas, Antônia, a Velha, em 39 a.C., e Antônia Menor, em 36 a.C., e mudou seu quartel-general para Atenas.[233] No entanto, sua posição no Egito era segura.[211] Seu rival Herodes estava ocupado com a guerra civil na Judeia, que exigia assistência militar romana pesada, mas não recebeu nenhuma de Cleópatra.[233] Visto que a autoridade de Marco Antônio e Otaviano como triúnviros expirou em 1 de janeiro de 37 a.C., Otávia organizou uma reunião em Tarento, onde o triunvirato foi oficialmente estendido para 33 a.C..[234] Com duas legiões concedidas por Otaviano e mil soldados emprestados por sua irmã, Antônio viajou para Antioquia, onde se preparou à guerra contra os partos.[235]

Convocou Cleópatra em Antioquia para discutir questões urgentes, como o reino de Herodes e o apoio financeiro para sua campanha parta.[235][236] Ela trouxe seus gêmeos de três anos para Antioquia, onde Antônio os viu pela primeira vez e onde provavelmente receberam pela primeira vez seus sobrenomes Hélio e Selene como parte dos ambiciosos planos de ambos para o futuro.[237][238] Para estabilizar o oriente, ele não apenas ampliou o domínio de Cleópatra,[236] mas também estabeleceu novas dinastias reinantes e governantes clientes que seriam leais a ele, mas que no final sobreviveriam a ele.[239][217][nota 48]

Nesse arranjo, Cleópatra ganhou importantes territórios ptolemaicos no Levante, incluindo quase toda a Fenícia (Líbano), exceto Tiro e Sídon, que permaneceram em mãos romanas.[240][217][236] Ela também recebeu Ace Ptolemaida (moderna Acre, Israel), uma cidade que foi fundada por Ptolemeu II.[240] Devido suas relações ancestrais com os selêucidas, recebeu a região da Celessíria ao longo do alto rio Orontes.[241][236] Recebeu até mesmo a região em torno de Jericó na Palestina, mas alugou este território de volta para Herodes.[242][229] À custa do rei nabateu Malico I (primo de Herodes), Cleópatra também recebeu uma parte do Reino Nabateu ao redor do Golfo de Ácaba, no Mar Vermelho, incluindo Ailana (moderna Ácaba, Jordânia).[243][229] No oeste recebeu Cirene ao longo da costa da Líbia, bem como Itanos e Olunte na Creta romana.[244][236] Embora ainda administrados por oficiais romanos, esses territórios, no entanto, enriqueceram seu reino e a levaram a declarar a inauguração de uma nova era, datando em dobro sua cunhagem em 36 a.C..[245][246]

Áureos romanos com as efígies de Marco Antônio (esquerda) e Otávio (direita), cunhados em 41 a.C. para celebrar o estabelecimento do Segundo Triunvirato por Otaviano, Antônio e Marco Emílio Lépido em 43 a.C.

A ampliação do reino ptolemaico por Antônio, ao renunciar o território romano que controlava diretamente, foi explorada por seu rival Otaviano, que recorreu ao sentimento público em Roma contra o fortalecimento de uma rainha estrangeira às custas da República.[247] Otaviano, estimulando a narrativa de que seu adversário estava negligenciando sua virtuosa esposa romana Otávia, concedeu a ela e à Lívia, sua própria esposa, privilégios extraordinários de sacrossantas.[247] Cerca de 50 anos antes, Cornélia Africana, filha de Cipião Africano, foi a primeira mulher romana viva a ter uma estátua dedicada a ela.[245] Ela foi agora seguida por Otávia e Lívia, cujas estátuas foram provavelmente erguidas no Fórum de César para rivalizar com as de Cleópatra, erguidas pelo antigo ditador.[245]

Cleópatra acompanhou Antônio em 36 a.C. no Eufrates em sua jornada rumo à invasão do Império Parta.[248] Então retornou ao Egito, talvez devido ao seu estado avançado de gravidez.[249] No verão de 36 a.C., ela deu à luz Ptolemeu Filadelfo, seu segundo filho com o comandante.[249][236] A campanha parta de Marco Antônio em 36 a.C. transformou-se num completo desastre por várias razões, em particular a traição do rei da Armênia Artavasdes II (r. 55–34 a.C.), que desertou para o lado inimigo.[250][217][251] Depois de perder cerca de 30 000 homens, mais do que Crasso em Carras (uma indignidade que esperava vingar), finalmente chegou a Leucócome perto de Berito (moderna Beirute, Líbano) em dezembro, envolvido em bebedeira antes de Cleópatra chegar para fornecer fundos e roupas para suas tropas maltratadas.[250][252] Desejava evitar os riscos envolvidos no retorno a Roma, e assim viajou com a rainha de volta a Alexandria para ver seu filho recém-nascido.[250]

Doações de Alexandria

Ver artigo principal: Doações de Alexandria
Um denário cunhado por Marco Antônio em 34 aC, com seu retrato no anverso, com a inscrição "ANTONIVS ARMENIA DEVICTA", aludindo à sua campanha armênia. O verso apresenta Cleópatra, com a inscrição "CLEOPATR[AE] REGINAE REGVM FILIORVM REGVM". A menção de seus filhos no verso refere-se às doações de Alexandria[253][254]

Enquanto Antônio preparava-se para outra expedição parta em 35 a.C., dessa vez dirigida a sua aliada Armênia, Otávia viajou para Atenas com 2 000 soldados em suposto apoio ao marido, mas muito provavelmente num esquema planejado pelo irmão para constrangê-lo por suas perdas militares.[255][256][nota 49] Recebeu essas tropas, mas disse a sua esposa que não fosse para o leste de Atenas, pois ele e Cleópatra viajaram juntos para Antioquia, apenas para abandonar de repente e inexplicavelmente a campanha militar e voltar para Alexandria.[255][256] Quando sua esposa voltou para Roma, Otaviano retratou sua irmã como uma vítima injustiçada por Marco Antônio, embora ela se recusasse a deixar sua casa.[257][217] A confiança de Otaviano cresceu quando eliminou seus rivais no oeste, incluindo Sexto Pompeu e até mesmo Lépido, o terceiro membro do triunvirato, que foi colocado em prisão domiciliar após revoltar-se contra ele na Sicília.[257][217][252]

Quinto Délio foi enviado como emissário a Artavasdes II em 34 a.C. para negociar uma potencial aliança matrimonial que iria casar a filha do rei armênio com Alexandre Hélio, seu filho com a rainha egípcia.[258][259] Quando isso foi recusado, marchou com seu exército à Armênia, derrotou forças locais e capturou o rei e a família real armênia.[258][260] Antônio então realizou um desfile militar em Alexandria como uma imitação de um triunfo romano, vestido como Dioniso e cavalgando pela cidade numa carruagem para apresentar os prisioneiros reais a Cleópatra, que estava sentada em um trono de ouro acima de um tablado de prata.[258][261] A notícia deste evento foi fortemente criticada em Roma como uma perversão de cerimônias e rituais romanos consagrados pelo tempo a serem desfrutados por uma rainha egípcia.[258]

Um documento de papiro datado de fevereiro de 33 a.C. concedendo isenções de impostos a uma pessoa no Egito e contendo a assinatura de Cleópatra escrita por um funcionário, mas com "γινέσθωι" (ginésthōi; lit. "faça acontecer"[262][263] ou "assim seja"[264]) acrescentado em grego, provavelmente pela própria mão da rainha[262][263][264]

Em um evento realizado no ginásio logo após o triunfo, Cleópatra se vestiu de Ísis e declarou que era a Rainha dos Reis com seu filho Cesarião, Rei dos Reis, enquanto Alexandre Hélio foi declarado rei da Armênia, Média e Pártia, e Ptolemeu Filadelfo, de dois anos de idade, foi declarado rei da Síria e da Cilícia.[265][266][267] Cleópatra Selene II foi contemplada com Creta e Cirene.[268][269] Antônio e Cleópatra podem ter se casado durante essa cerimônia.[268][267][nota 50] Ele enviou um relatório a Roma solicitando a ratificação dessas reivindicações territoriais, agora conhecidas como as doações de Alexandria. Otaviano queria divulgá-la para fins de propaganda, mas os dois cônsules, ambos partidários de seu rival, o censuraram da opinião pública.[270][269]

Os dois entraram numa guerra acalorada de propaganda no final de 34 a.C. que duraria anos.[271][269][173][nota 51] Antônio alegou que seu rival havia deposto ilegalmente Lépido de seu triunvirato e o impediu de levantar tropas na Itália, enquanto Otaviano o acusou de detenção ilegal do rei da Armênia, casar-se com Cleópatra apesar de ainda ser casado com sua irmã Otávia, e erroneamente alegar Cesarião como o herdeiro de César em vez de si.[271][269] A ladainha de acusações e fofocas associadas a essa guerra de propaganda moldaram as percepções populares sobre Cleópatra, desde a literatura do período até as várias mídias nos tempos modernos.[272][273] Dizia-se que ela fizera uma lavagem cerebral em seu amante com bruxaria e feitiçaria e era tão perigosa quanto a Helena de Homero, que destruiu a civilização.[274] As Sátiras de Horácio preservaram um relato de que Cleópatra uma vez dissolveu uma pérola no valor de 2,5 milhões de dracmas em vinagre apenas para ganhar uma aposta na festa do jantar.[275] A acusação de que Antônio havia roubado livros da Biblioteca de Pérgamo para reabastecer a Biblioteca de Alexandria acabou sendo uma confissão admitida por Caio Calvísio Sabino.[276]

Um documento de papiro datado de fevereiro de 33 a.C., mais tarde usado para embrulhar uma múmia, contém a assinatura da rainha, provavelmente escrita por um funcionário autorizado a assinar por ela.[262][263] Trata-se de certas isenções fiscais no Egito concedidas a Quinto Cecílio ou Públio Canídio Crasso,[nota 52] um ex-cônsul romano e confidente de Antônio que comandaria suas forças terrestres em Áccio.[277][263] Um subscrito em caligrafia diferente na parte inferior do papiro diz "faça acontecer"[277][263] ou "assim seja"[264] (em grego antigo: γινέσθωι, transl.: ginésthōi);[nota 53] este é provavelmente o autógrafo da rainha, pois era prática ptolemaica rubricar documentos para evitar falsificação.[277][263]

Batalha de Áccio

Um busto de Augusto reconstruído como um Otaviano mais jovem, datado de c. 30 aC

Num discurso ao Senado romano no primeiro dia de seu consulado em 1 de janeiro de 33 aC, Otaviano acusou Antônio de tentar subverter as liberdades e a integridade territorial como escravo de uma rainha oriental.[278] Antes do imperium conjunto de ambos os líderes expirar em 31 de dezembro, Antônio declarou Cesarião como o verdadeiro herdeiro de César, na tentativa de minar Otaviano.[278] Em 1 de janeiro de 32 aC, seus partidários Caio Sósio e Cneu Domício Enobarbo foram eleitos cônsules.[277] Em 1 de fevereiro, Sósio proferiu um discurso ardente condenando Otaviano, agora um cidadão privado sem cargo público, e apresentou leis contra ele.[277][279] Durante a próxima sessão senatorial, Otaviano entrou na casa do Senado com guardas armados e apresentou suas próprias acusações contra os cônsules.[277][280] Intimidados por esse ato, os cônsules e mais de 200 senadores ainda apoiando Antônio fugiram de Roma no dia seguinte para se juntar a ele.[277][280][281]

Antônio e Cleópatra viajaram juntos para Éfeso em 32 aC, onde ela lhe forneceu 200 dos 800 navios da marinha que conseguiu adquirir.[277] Enobarbo, desconfiado de confirmar a propaganda de Otaviano ao público, tentou convencer Antônio a excluir Cleópatra da campanha contra seu adversário.[282][283] Públio Canídio Crasso fez o contra-argumento de que a rainha estava financiando o esforço de guerra e era uma monarca competente.[282][283] Cleópatra recusou os pedidos de seu parceiro de que voltasse ao Egito, julgando que, ao bloquear Otaviano na Grécia, poderia mais facilmente defender o Egito.[282][283] A insistência de Cleópatra em se envolver na batalha pela Grécia levou a deserções de romanos importantes, como Enobarbo e Lúcio Munácio Planco.[282][280]

Durante a primavera de 32 aC, Antônio e Cleópatra viajaram para Atenas, onde ela o convenceu a enviar a Otávia uma declaração oficial de divórcio.[282][280][267] Isso encorajou Planco a aconselhar Otaviano de que deveria aproveitar o testamento de Antônio, investida nas Virgens Vestais.[282][280][269] Embora fosse uma violação dos direitos sagrados e legais, Otaviano adquiriu com força o documento do Templo de Vesta, e tornou-se uma ferramenta útil na guerra de propaganda contra seus adversários no Egito.[282][269] Otaviano destacou partes do testamento, como Cesarião sendo nomeado herdeiro de César, de que as doações de Alexandria eram legais, que Antônio deveria ser enterrado ao lado de Cleópatra no Egito, em vez de Roma, e que Alexandria seria feita a nova capital da República Romana.[284][280][269] Numa demonstração de lealdade a Roma, Otaviano decidiu começar a construção de seu próprio mausoléu no Campo de Marte.[280] Sua posição legal também foi aprimorada ao ser eleito cônsul no ano seguinte.[280] Com a vontade de Antônio tornada pública, Otaviano teve seu casus belli, e Roma declarou guerra a Cleópatra,[284][285][286] não ao comandante.[nota 54] O argumento legal para a guerra se baseava menos nas aquisições territoriais de Cleópatra, com antigos territórios romanos governados por seus filhos com Antônio, e mais no fato de que ela estava fornecendo apoio militar a um cidadão privado agora que a autoridade triunviral dele havia expirado.[287]

Na esquerda, um tetradracma de prata de Cleópatra cunhado em Selêucia Piéria, Síria. Na direita, um tetradracma de prata da rainha cunhado em Ascalão, Israel

O casal possuía uma frota maior do que Otaviano, mas suas tripulações da marinha não eram todas bem treinadas, algumas talvez de navios mercantes, enquanto o inimigo possuía uma força totalmente profissional.[288][283] Antônio queria atravessar o Mar Adriático e bloquear Otaviano em Tarento ou Brundísio,[289] mas a rainha, preocupada principalmente com a defesa do Egito, anulou a decisão de atacar a Itália diretamente.[290][283] Antônio e Cleópatra estabeleceram sua sede de inverno em Pátrai, na Grécia, e na primavera de 31 aC mudaram-se para Áccio, no lado sul do Golfo Ambraciano.[290][289]

O casal tive o apoio de vários reis aliados, mas a rainha já havia entrado em conflito com Herodes, e um terremoto na Judeia deu a ele uma desculpa para ausentar-se da campanha.[291] Também perderam o apoio de Malico I, o que provaria ter consequências estratégicas.[292] Perderam várias escaramuças contra Otaviano em torno de Áccio durante o verão de 31 aC, enquanto as deserções no campo de seu adversário continuaram, incluindo Délio,[292] companheiro de longa data, e os reis aliados Amintas da Galácia e Deiótaro da Paflagônia.[292] Enquanto alguns no campo de Antônio sugeriram abandonar o conflito naval para recuar para o interior, Cleópatra pediu um confronto naval, para manter a frota de Otaviano longe do Egito.[293]

Em 2 de setembro de 31 aC, as forças navais de Otaviano, lideradas por Marco Vipsânio Agripa, encontraram as de Antônio e Cleópatra na Batalha de Áccio.[293][289][285] Cleópatra, a bordo de sua capitânia, a Antonias, comandava 60 navios na foz do Golfo Ambraciano, na parte traseira da frota, no que provavelmente foi um movimento dos oficiais de Antônio para marginalizá-la durante a batalha.[293] Antônio ordenou que seus navios tivessem velas a bordo para uma melhor chance de perseguir ou fugir do inimigo, que Cleópatra, sempre preocupada em defender o Egito, costumava percorrer rapidamente a área de grande combate em uma retirada estratégica para o Peloponeso.[294][295][296] Burstein relatou que os escritores romanos partidários acusariam Cleópatra de covardemente abandonar Antônio, mas sua intenção original de manter as velas a bordo pode ter sido quebrar o bloqueio e salvar o máximo possível de sua frota.[296] Antônio a seguiu e embarcou em seu navio, identificado por suas velas roxas distintas, quando os dois escaparam da batalha e dirigiram-se para Tênaro.[294] Antônio teria evitado Cleópatra durante essa viagem de três dias, até que suas damas em Tênaro o instaram a falar com ela.[297] A Batalha de Áccio prosseguiu sem os dois até a manhã de 3 de setembro e foi seguida por deserções maciças de oficiais, tropas e reis aliados ao lado de Otaviano.[297][295][298]

Queda e morte

Ver artigo principal: Morte de Cleópatra
Uma pintura romana da Casa de José II em Pompeia, no início do século I dC, provavelmente representando Cleópatra, usando seu diadema real, consumindo veneno num ato de suicídio, enquanto seu filho Cesarião, também usando um diadema real, está atrás dela[299][300]

Enquanto Otaviano ocupava Atenas, Antônio e Cleópatra desembarcaram em Paraitónion, no Egito.[297][301] O casal seguiu caminhos separados, o romano foi a Cirene para levantar mais tropas e a rainha egípcia navegou até o porto de Alexandria, numa tentativa enganosa de retratar as ações na Grécia como uma vitória.[297] Também é incerto se, naquele momento, ela realmente executou Artavasdes II e enviou sua cabeça ao rival, Artavasdes I da Média Atropatene, na tentativa de estabelecer uma aliança com ele.[302][303]

Lucius Pinarius, governador de Cirene nomeado por Marco Antônio, recebeu a notícia de que Otaviano venceu a Batalha de Áccio antes que os mensageiros de seu comandante chegassem à sua corte.[302] Pinarius mandou executar esses mensageiros e depois desertou para o lado de Otaviano, entregando-lhe as quatro legiões sob seu comando que Antônio desejava obter.[302] Quase cometeu suicídio depois de ouvir notícias disso, mas foi interrompido por seus funcionários.[302] Em Alexandria, construiu um chalé recluso na ilha de Faros, que apelidou de Timoneion, em homenagem ao filósofo Tímon de Atenas, famoso por seu cinismo e misantropia.[302] Herodes, que havia aconselhado pessoalmente Antônio após a batalha a trair Cleópatra, viajou para Rodes para encontrar Otaviano e renunciar à sua realeza por lealdade ao outro.[304] Otaviano ficou impressionado com seu discurso e senso de lealdade, então permitiu que ele mantivesse sua posição na Judeia, isolando ainda mais o casal adversário.[304]

Cleópatra talvez tenha começado a ver seu companheiro como um passivo no final do verão de 31 aC, quando preparava-se para deixar o Egito para seu filho Cesarião.[305] Planejava abrir mão de seu trono, levando sua frota do Mediterrâneo para o Mar Vermelho e partindo para um porto estrangeiro, talvez na Índia, onde poderia passar um tempo se recuperando.[305][303] No entanto, esses planos foram finalmente abandonados quando Malico I, como aconselhado pelo governador de Otaviano na Síria, Quinto Délio, conseguiu queimar a frota de Cleópatra em vingança por suas perdas numa guerra com Herodes que a rainha egípcia havia em grande parte iniciado.[305][303] Cleópatra não tinha outra opção senão ficar no Egito e negociar com seu inimigo.[305] Embora muito provavelmente tenha propaganda pró-otaviana, foi relatado que, naquele momento, Cleópatra começou a testar os pontos fortes de vários venenos em prisioneiros e até em seus próprios servos.[306]

A Morte de Cleópatra (1658), de Guido Cagnacci

Fez com que Cesarião entrasse na categoria do efebo, que, juntamente com os relevos de uma estela de Copto, datada de 21 de setembro de 31 aC, demonstravam que a rainha estava agora preparando seu filho para tornar-se o único governante do Egito.[307] Numa demonstração de solidariedade, Antônio também fez com que Marco Antônio Antilo, seu filho com Fúlvia, entrasse no efebo ao mesmo tempo.[305] Mensagens separadas de ambos foram então enviadas para Otaviano, ainda estacionado em Rodes, embora este pareça ter respondido apenas a egípcia.[306] Cleópatra solicitou que seus filhos herdassem o Egito e que Antônio pudesse viver exilado no país, oferecendo dinheiro no futuro e enviando imediatamente presentes luxuosos.[306][303] Otaviano enviou seu diplomata Thyrsos ao Egito depois que ela ameaçou se queimar junto com vastas quantidades de seu tesouro dentro de uma tumba já em construção.[308] Thyrsos aconselhou-a a matar seu parceiro para que sua vida fosse poupada, mas quando Antônio suspeitou da má intenção, mandou açoitar esse diplomata e mandá-lo de volta ao seu inimigo sem acordo.[309]

Após longas negociações que finalmente não deram resultado, Otaviano decidiu invadir o Egito na primavera de 30 aC,[310] parando em Ptolemais da Fenícia, onde seu novo aliado Herodes forneceu novos suprimentos ao exército.[311] O romano mudou-se para o sul e rapidamente tomou Pelúsio, enquanto Caio Cornélio Galo, marchando para o leste a partir de Cirene, derrotou as forças de Antônio perto de Paraitónion.[312][313] Avançou rapidamente para Alexandria, mas seu rival retornou e conquistou uma pequena vitória sobre as tropas cansadas de Otaviano fora do hipódromo da cidade.[312][313] No entanto, em 1 de agosto daquele ano, sua frota naval rendeu-se a Otaviano, seguida por sua cavalaria.[312][295][314] Cleópatra se escondeu numa tumba com seus atendentes próximos, enviando uma mensagem a Antônio de que havia cometido suicídio.[312][315][316] Em desespero, ele respondeu a isso esfaqueando-se no estômago e tirando a própria vida aos 53 anos.[312][295][303] Segundo Plutarco, ainda estava morrendo quando levado para a rainha em sua tumba, dizendo que morreu honrosamente e que ela podia confiar no companheiro de Otaviano, Gaius Proculeius, sobre qualquer outra pessoa em sua comitiva.[312][317][318] Foi Proculeius, no entanto, que se infiltrou em sua tumba usando uma escada e deteve a rainha, negando-lhe a capacidade de se queimar com seus tesouros.[319][320] Cleópatra foi então autorizada a embalsamar e enterrar seu parceiro dentro de sua tumba antes de ser escoltada ao palácio.[319][303]

A Morte de Cleópatra (1796–1797), por Jean-Baptiste Regnault

Otaviano entrou em Alexandria, ocupou o palácio e apreendeu os três filhos mais novos de Cleópatra.[319][321] Quando encontrou-se com Otaviano, ela disse sem rodeios que "eu não serei conduzida num triunfo" (em grego antigo: οὑ θριαμβεύσομαι, transl.: ou thriambéusomai), de acordo com Lívio, um raro registro de suas palavras exatas.[322][323] Ele prometeu que a manteria viva, mas não deu explicações sobre seus planos futuros para o reino dela.[324] Quando uma espiã a informou que Otaviano planejava mudar ela e seus filhos para Roma em três dias, ela se preparou para o suicídio, pois não tinha a intenção de desfilar num triunfo romano como sua irmã Arsinoe IV.[324][295][303] Não está claro se o suicídio de Cleópatra em 30 de agosto, aos 39 anos, ocorreu dentro do palácio ou de seu túmulo.[325][326] Dizem que ela estava acompanhada por seus servos Eiras e Charmion, que também tiraram suas próprias vidas.[324][327] Dizia-se que Otaviano ficou irritado com esse resultado, mas a enterrou da maneira real ao lado de Antônio em seu túmulo.[324][328][329] O médico Olympos não explicou sua causa da morte, embora a crença popular é que ela permitiu que uma víbora, ou cobra egípcia, a mordesse e envenenasse.[330][331][303] Plutarco relata esse conto, mas sugere que um implemento (κνῆστις, knêstis, lit. 'espinho, ralador') foi usado para introduzir a toxina por arranhões, enquanto Dião diz que ela injetou o veneno com uma agulha (βελόνη, belónē) e Estrabão argumentou por uma pomada de algum tipo.[332][331][333][nota 55] Nenhuma cobra venenosa foi encontrada em seu corpo, mas ela tinha pequenas feridas no braço que poderiam ter sido causadas por uma agulha.[330][333][329]

Cleópatra decidiu, em seus últimos momentos, enviar Cesarião para o Alto Egito, talvez com planos de fugir para a Núbia cuxita, Etiópia ou Índia.[334][335][313] Cesarião, agora Ptolemeu XV, reinaria por meros de 18 dias até ser executado por ordem de Otaviano em 29 de agosto de 30 aC, depois de retornar a Alexandria sob o falso pretexto de que o romano permitiria que ele fosse rei.[336][337][338][nota 5] Estava convencido pelo conselho do filósofo Ário Dídimo de que havia espaço para apenas um César no mundo.[339][nota 56] Com a queda do Reino Ptolemaico, a província romana do Egito foi estabelecida,[340][295][341][nota 57] marcando o fim do período helenístico.[342][343][nota 7] Em janeiro de 27 aC, Otaviano foi renomeado Augusto ("majestoso") e acumulou poderes constitucionais que o estabeleceram como o primeiro imperador romano, inaugurando a era do Principado do Império Romano.[344]

Reino e papel como monarca

Ver artigos principais: Moeda ptolemaica e Moeda da Grécia Antiga
Cleópatra em uma moeda de 40 dracmas de 51 a 30 aC, cunhada em Alexandria; no anverso, há um relevo de Cleópatra usando um diadema; no verso, frase com a inscrição "ΒΑΣΙΛΙΣΣΗΣ ΚΛΕΟΠΑΤΡΑΣ", com uma águia em pé sobre um raio

Seguindo a tradição dos governantes da Macedônia, Cleópatra governou o Egito e outros territórios como Chipre como um monarca absoluto, servindo como o único legislador de seu reino.[345] Era a principal autoridade religiosa em seu reino, presidindo cerimônias religiosas dedicadas às divindades das religiões politeístas egípcia e grega.[346] Ela supervisionou a construção de vários templos para os deuses egípcios e gregos,[347] uma sinagoga para os judeus no Egito, e até construiu o Caesareum de Alexandria, dedicado ao culto de seu patrono e amante Júlio César.[348][349] Cleópatra estava diretamente envolvida nos assuntos administrativos de seu domínio,[350] enfrentando crises como a fome, ordenando que os celeiros reais distribuíssem comida à população faminta durante uma seca no início de seu reinado.[351] Embora a economia de comando que ela administrava fosse mais ideal do que real,[352] o governo tentou impor controles de preços, tarifas e monopólios estatais para certos bens, taxas de câmbio fixas para moedas estrangeiras e leis rígidas que obrigavam os camponeses a permanecer em suas aldeias durante as épocas de plantio e colheita.[353][354][355] Aparentes problemas financeiros levaram a rainha a rebaixar suas cunhagens, que incluíam moedas de prata e bronze, mas nenhuma moeda de ouro como as de alguns de seus distantes predecessores ptolemaicos.[356]

Legado

Filhos e sucessores

Esquerda: Uma cabeça romana de Cleópatra ou sua filha Cleópatra Selene II, rainha da Mauritânia, do final do século I aC, localizada no Museu Arqueológico de Cherchell, Argélia.[232][357][358][nota 47] Direita: Uma provável representação de Cleópatra Selene II, usando um escalpo de elefante, elevada numa imagem em relevo em um prato de prata pintado de dourado no Tesouro de Boscoreale, datado do início do século I dC[359][360][nota 58]

Após o suicídio, os três filhos sobreviventes da rainha, Cleópatra Selene II, Alexandre Hélio e Ptolemeu Filadelfo, foram enviados para Roma com a irmã do imperador romano, Otávia Júlia, ex-esposa de seu pai, como guardiã.[361][362] Cleópatra Selene II e Alexandre Hélio estavam presentes no triunfo romano de Otaviano em 29 aC.[361][238] Os destinos de ambos são desconhecidos após esse ponto.[361][238] Otávia organizou o noivado de Cleópatra Selene II para Juba II, filho de Juba I, cujo reino norte-africano da Numídia havia sido transformado em uma província romana em 46 aC por Júlio César, devido ao apoio de Juba I a Pompeu.[363][362][321] O imperador Augusto instalou Juba II e Cleópatra Selene II, após o casamento em 25 aC, como os novos governantes da Mauritânia, onde transformaram a antiga cidade cartaginesa de Iol em sua nova capital, renomeada Cesareia Mauritânia (atual Cherchell, Argélia).[363][238] A filha da rainha importou muitos estudiosos, artistas e conselheiros importantes da corte real de sua mãe em Alexandria para servi-la em Cesareia, agora permeada pela cultura grega helenística.[364] Também nomeou seu filho Ptolomeu da Mauritânia, em homenagem à sua herança dinástica ptolemaica.[365][366]

Cleópatra Selene II morreu por volta de 5 aC, e quando Juba II morreu em 23/24 dC, foi sucedido por seu filho Ptolemeu.[365][367] No entanto, este foi finalmente executado pelo imperador Calígula em 40 dC, talvez sob o pretexto de que Ptolemeu cunhou ilegalmente sua própria moeda real e utilizou regalias reservadas ao imperador romano.[368][369] Ptolemeu da Mauritânia foi o último monarca conhecido da dinastia ptolemaica, embora a rainha Zenóbia do Império de Palmira, em sua vida curta durante a crise do terceiro século, reivindicasse descendência de Cleópatra.[370][371] Um culto dedicado à rainha ainda existia em 373 dC quando Petesenufe, um escriba egípcio do livro de Ísis, explicou que "revestia a figura de Cleópatra com ouro."[372]

Literatura romana e historiografia

Embora quase 50 obras antigas da historiografia romana mencionem Cleópatra, estas incluem, em geral, apenas relatos breves da Batalha de Áccio, seu suicídio e a propaganda augustiana sobre suas deficiências pessoais.[374] Apesar de não se tratar de um biografia sua, a Vida de Antônio, escrita por Plutarco no século I d.C., fornece o relato mais completo da vida da rainha.[375][376][377] Plutarco viveu um século depois de Cleópatra, mas baseou-se em fonte primárias, como Filotas de Amfissa, que teve acesso ao palácio real ptolemaico; Olimpo, médico pessoal de Cleópatra; e Quinto Délio, confidente pessoal de Marco Antônio e Cleópatra.[378] A obra de Plutarco incluía tanto a visão augustiana da rainha — que se tornou canônica para seu período — como também fontes fora desta tradição, como relatos de testemunhas oculares.[375][377] O historiador judeu romano Flávio Josefo, escrevendo no século I d.C., fornece informações valiosas sobre a vida de Cleópatra através de sua relação diplomática com Herodes, o Grande.[379][380] Contudo, esta obra baseia-se em grande parte nas memórias de Herodes e no relato enviesado de Nicolau de Damasco, tutor dos filhos de Cleópatra em Alexandria antes de ter se mudado à Judeia para servir como conselheiro e cronista na corte de Herodes.[379][380] A História Romana publicada pelo oficial e historiador Dião Cássio no início do século III d.C., apesar de não compreender totalmente as complexidades do mundo helenístico tardio, ainda fornece uma história contínua da era do reinado de Cleópatra.[379]

Uma estátua romana em mármore de Cleópatra usando um diadema e um "penteado de melão" similar ao utilizado em retratos de moedas, encontrada na Via Cássia perto da Tomba di Nerone, em Roma, e situada agora no Museu Pio-Clementino[1][381][382]

Cleópatra quase não é mencionada na obra De Bello Alexandrino, as memórias de um funcionário desconhecido que serviu sob César.[383][384][385][nota 59] Os escritos de Cícero, que a conheceu pessoalmente, fornecem um retrato desabonador da rainha.[383] Os autores do período augustano Virgílio, Horácio, Propércio e Ovídio perpetuaram as visões negativas de Cleópatra sancionadas pelo regime romano no poder,[383][386] embora Virgílio a tenha estabelecido como uma figura de romance e melodrama épico.[387][nota 60] Horácio também viu o suicídio como um escolha positiva,[388][386] uma ideia que encontrou aceitação na Baixa Idade Média com Geoffrey Chaucer.[389][390] Os historiadores Estrabão, Veleio, Valério Máximo, Plínio, o Velho e Apiano, embora não apresentem relatos tão completos como os de Plutarco, Josefo ou Dião, fornecem detalhes de sua vda que não sobreviveram em outros registros históricos.[383][nota 61] Inscrições em moedas ptolemaicas contemporâneas e em alguns papiros egípcios demonstram o ponto de vista de Cleópatra, mas este material é muito limitado em comparação às obras literárias romanas.[383][391][nota 62] A obra fragmentária Libyka, encomendada por Juba II, genro de Cleópatra, fornece uma amostra de um possível conjunto de materiais historiográficos que poderia amparar a perspectiva dela.[383]

O gênero de Cleópatra talvez tenha levado à sua representação como uma figura menor, quando não insignificante, nas historiografias antiga, medieval e até mesmo moderna sobre o Egito antigo e o mundo greco-romano.[392] Por exemplo, o historiador Ronald Syme afirmou que ela era de pouca importância para César e que a propaganda de Otaviano aumentou excessivamente sua importância.[392] Embora a visão comum que se tinha de Cleópatra fosse a de uma sedutora prolífica, ela teve apenas dois parceiros sexuais conhecidos, César e Antônio, os dois romanos mais ilustres da época e aqueles que mais provavelmente garantiriam a sobrevivência de sua dinastia.[393][394] Plutarco a descreveu como possuidora de forte personalidade e sagacidade encantadora ao invés de beleza física.[395][16][396][nota 63]

Representações culturais

Representações na arte antiga

Estátuas
Esquerda: uma estátua egípcia de Arsínoe II ou de Cleópatra como uma deusa egípcia em basalto preto da primeira metade do século I a.C.,[397] localizada no Museu Hermitage, em São Petersburgo. Direita: a Vênus Esquilina, uma estátua romana ou egípcio-helenística de Vênus (Afrodite) que talvez seja uma representação de Cleópatra,[398] situada nos Museus Capitolinos, em Roma

Cleópatra foi retratada em diversas obras de arte antigas, tanto no estilo egípcio, como nos estilos greco-helenístico e romano.[2] Trabalhos que sobreviveram aos dias atuais incluem estátuas, bustos, relevos e moedas cunhadas,[2][373] assim como camafeus antigos,[399] como um que retrata a rainha e Marco Antônio no estilo helenístico, atualmente localizado no Museu Antigo de Berlim.[1] Imagens contemporâneas de Cleópatra foram produzidas tanto dentro como fora do Egito Ptolemaico. Por exemplo, uma grande estátua folheada a bronze já existiu dentro do Templo da Vênus Genetrix em Roma, a primeira vez que alguém vivo teve sua estátua colocada ao lado da de uma divindade num templo romano.[3][184][400] Foi erigida por César e permaneceu no edifício até, pelo menos, o século III d.C., sua preservação devendo-se, talvez, ao mecenato de César, embora Augusto não tivesse removido ou destruído obras de arte em Alexandria que retratassem a rainha.[401][402]

No que diz respeito ao estatuário romano, uma estátua em tamanho real de Cleópatra no estilo romano foi encontrada perto da Tomba di Nerone, em Roma, perto da Via Cássia, e está, agora, no Museu Pio-Clementino.[1][381][382] Plutarco, em sua Vida de Antônio, afirmou que as estátuas públicas de Marco Antônio foram demolidas (damnatio memoriae) por Augusto, mas as de Cleópatra foram preservadas após sua morte graças a seu amigo Arquíbio, que pagou 2 000 talentos ao imperador para dissuadí-lo de destruí-las.[403][372][328]

Desde dos anos 1950, estudiosos têm debatido se a Vênus Esquilina — encontrada em 1874 no Monte Esquilino em Roma e situada no Palazzo dei Conservatori dos Museus Capitolinos — é uma representação de Cleópatra, baseando-se nas características do penteado e da face, no diadema real visível sobre a cabeça e no ureu da naja-egípcia enrolado na base.[398][404][405] Críticos desta teoria argumentam que a face desta estátua é mais magra do que a face no busto de Berlim e afirmam que é improvável que ela fosse retratada como a deusa nua Vênus (ou a grega Afrodite).[398][404][405] Contudo, ela foi retratada numa estátua egípcia como a deus Ísis,[406] enquanto algumas de suas moedas retrataram-na como Vênus-Afrodite.[407][408] Ela também se vestiu como Afrodite ao encontrar-se com Marco Antônio em Tarso.[205] Via de regra, crê-se que a Vênus Esquilina seja uma cópia romana (interpretatio graeca) da metade do século I d.C. de um original grego do século I a.C. da escola de Pasíteles.[404]

Cunhagem
Cleópatra e Marco Antônio, no anverso e no reverso, respectivamente, de um tetradracma de prata cunhada na casa da moeda de Antioquia em 36 aC, com lendas gregas: BACIΛΙCCA KΛΕΟΠΑΤΡΑ ΘΕΑ ΝΕΩΤΕΡΑ, ANTΩNIOC AYTOKPATΩP TPITON TPIΩN ANΔPΩN.

Moedas de seu reino que sobreviveram aos dias atuais incluem espécimes de cada ano do reinado, de 51 a 30 a.C.[409] Cleópatra, a única rainha ptolemaica a emitir moedas em seu próprio nome, quase que certamente inspirou seu parceiro César a se tornar o primeiro romano vivo a trazer seu retrato em suas próprias moedas.[407][nota 64] Foi também a primeira rainha estrangeira a ter sua imagem nas moedas da Roma antiga.[410] Moedas que datam do período de seu casamento com Marco Antônio, que também trazem a imagem deste, retratam a rainha como tendo um nariz aquilino e queixo proeminente assim como o de seu marido.[3][411] Estas características faciais similares seguiam uma convenção artística que representava a harmonia mútua de um casal real.[3][2] Suas feições fortes, quase masculinas, nestas moedas específicas são notavelmente diferentes de suas imagens mais suaves e, talvez, idealizadas esculpidas nos estilos egípcio ou helenístico.[2][412][413] Suas feições masculinas em moedas cunhadas são similares às de seu pai, Ptolemeu XII Auleta,[414][114] e talvez também às de sua ancestral ptolemaica Arsínoe II (316–260 BC)[2][415] e similares até a representações de rainhas anteriores como Hatexepsute e Nefertiti.[413] É provável que, em razão de conveniência política, o semblante de Antônio tenha sido conformado não apenas ao dela, mas também aos dos ancestrais greco-macedônios da rainha que fundaram a dinastia ptolemaica, com o objetivo de familiarizá-lo aos súditos de Cleópatra como um membro legítimo da casa real.[2]

As inscrições nas moedas estão em grego, mas também no caso nominativo das moedas romanas, e não no caso genitivo das moedas gregas, além de ter as letras colocadas de maneira circular ao longo das bordas, em vez de horizontalmente ou verticalmente, como era habitual para as gregas.[2] Essas facetas de sua cunhagem representam a síntese da cultura romana e helenística, e talvez também uma afirmação de seus súditos, ainda que ambíguos aos estudiosos modernos, sobre a superioridade de Antônio ou Cleópatra sobre o outro.[2] Diana Kleiner argumenta que Cleópatra, em uma de suas moedas cunhada com a dupla imagem de seu marido Antônio, se mostrava mais masculina do que outros retratos e mais como uma rainha cliente romana aceitável do que como uma governante helenística.[412] A rainha efetivamente alcançou esse olhar masculino em cunhagem anterior a seu caso com Antônio, como as moedas atingidas na casa da moeda de Ascalão durante seu breve período de exílio na Síria e no Levante, que Joann Fletcher explicou como sua tentativa de parecer com o pai e como sucessora legítima de um governante ptolemaico masculino.[114][416]

Várias moedas, como um tetradracma de prata cunhado algum tempo após o casamento da rainha com Antônio em 37 aC, retratam ela usando um diadema real e um penteado de "melão".[3][416] A combinação deste penteado com um diadema também é destaque em duas cabeças de mármore esculpidas sobreviventes.[417][373][418][nota 65] Esse penteado, com o cabelo trançado em um coque, é o mesmo usado pelos ancestrais ptolemaicos Arsínoe II e Berenice II em suas próprias moedas.[3][419] Depois de sua visita a Roma em 46-44 aC, tornou-se moda para as mulheres adotá-lo como um de seus penteados, mas foi abandonado por uma aparência mais modesta e austera durante o governo conservador de Augusto.[3][417][418]

Bustos e cabeças greco-romanas
Uma antiga escultura romana de cabeça, c. 50–30 aC, atualmente no Museu Britânico de Londres, retratando uma mulher do Egito ptolemaico; a rainha ou um membro de sua comitiva durante sua visita de 46 a 44 aC a Roma com seu amante Júlio César[417]

Dos bustos e cabeças de Cleópatra em estilo greco-romano,[nota 66] a escultura conhecida como "Cleópatra de Berlim", localizada na coleção Antikensammlung Berlin no Museu Altes, possui o nariz completo, enquanto a cabeça conhecida como "Cleópatra do Vaticano" , localizada nos museus do Vaticano, está danificada com a falta do órgão.[420][421][422][nota 67] Tanto a Cleópatra de Berlim quanto a do Vaticano têm diademas reais, características faciais semelhantes, e outrora talvez parecessem com o rosto de sua estátua de bronze alojada no Templo da Vênus Genetrix.[421][423][422][nota 68] Ambas as cabeças datam de meados do século I aC e foram encontradas em vilas romanas ao longo da Via Ápia, na Itália, tendo sido desenterrada a do Vaticano na Villa dos Quintílios.[3][420][422][nota 69] Francisco Pina Polo escreveu que a moeda de Cleópatra apresenta sua imagem com certeza e afirma que o retrato esculpido da cabeça de Berlim é confirmado como tendo um perfil semelhante com o cabelo puxado para trás em um coque, um diadema e um nariz adunco.[424] Um terceiro busco esculpido da rainha, aceito pelos estudiosos como autêntico, sobrevive no Museu Arqueológico de Cherchell, na Argélia.[402][357][358] Tal cabeça apresenta o diadema real e características faciais semelhantes às de Berlim e do Vaticano, mas tem um penteado mais exclusivo e pode realmente representar Cleópatra Selene II, filha da rainha.[358][425][232][nota 47] Uma possível escultura em mármore pariano de Cleópatra, com um cocar de abutre no estilo egípcio, está localizada nos Museus Capitolinos.[426] Descoberto perto de um santuário de Ísis em Roma e datado do século I aC, é de origem romana ou helenística-egípcia.[427]

Outras possíveis representações esculpidas de Cleópatra incluem uma no Museu Britânico, em Londres, feita de calcário, que talvez represente apenas uma mulher em sua comitiva durante sua viagem a Roma.[1][417] A mulher desse busto tem traços faciais semelhantes a outros (incluindo o nariz aquilino pronunciado), mas não possui um diadema real e ostenta um penteado diferente.[1][417] No entanto, a cabeça do Museu Britânico, uma vez pertencente a uma estátua completa, poderia representá-la em um estágio diferente de sua vida e também pode adulterar um esforço da rainha para descartar o uso de insígnias reais (ou seja, o diadema) para tornar-se mais atraente aos cidadãos da Roma republicana.[417] Duane W. Roller especula que a cabeça do Museu Britânico, juntamente com as do Museu Egípcio no Cairo, a dos Museus Capitolinos e a coleção particular de Maurice Nahmen, embora tenha características faciais e penteados semelhantes aos do busto de Berlim, mas sem um diadema real, provavelmente representa membros da corte real ou mesmo mulheres romanas imitando o penteado popular da egípcia.[428]

Pinturas
Uma pintura romana do Segundo Estilo na casa de Marcus Fabius Rufus em Pompeia, Itália, representando a rainha como Vênus Genetrix e seu filho Cesarião como cupido, meados do século I aC[404][429]

Na Casa de Marcus Fabius Rufus, em Pompeia, na Itália, uma pintura de parede da deusa Vênus, de meados do século I aC, segurando um cupido perto das enormes portas do templo, é provavelmente uma representação de Cleópatra como Vênus Genetrix com seu filho Cesarião.[404][429] A encomenda da pintura provavelmente coincide com a montagem do Templo da Vênus Genetrix no Fórum de César, em setembro de 46 aC, onde o templo tinha uma estátua dourada erguida representando Cleópatra.[404][429] Essa estátua provavelmente formou a base de suas representações tanto na arte esculpida quanto na pintura de Pompeia.[404][430] A mulher da pintura usa um diadema real sobre a cabeça e é surpreendentemente semelhante à Cleópatra do Vaticano, que exibe possíveis marcas no mármore na bochecha esquerda, onde o braço de um cupido pode ter sido arrancado.[404][431][422][nota 70] O quarto com a pintura foi emparedado por seu dono, talvez em reação à execução de Cesarião em 30 aC por ordem de Otaviano, quando representações públicas do filho da rainha seriam desfavoráveis com o novo regime romano.[404][432] Atrás de seu diadema de ouro, coroado com uma joia vermelha, está um véu translúcido com rugas que sugere o penteado de "melão" preferido da rainha.[431][nota 71] Sua pele pálida de marfim, rosto redondo, nariz aquilino longo e grandes olhos redondos eram características comuns nas representações romanas e ptolemaicas de divindades.[431] Roller afirma que "parece haver pouca dúvida de que essa é uma representação de Cleópatra e Cesarião diante das portas do Templo de Vênus no Fórum de César e, como tal, torna-se a única pintura contemporânea existente da rainha."[404]

Uma gravura em aço publicada por John Sartain em 1885, representando o agora perdido retrato da morte da rainha, uma pintura encáustica descoberta em 1818 nas antigas ruínas romanas do templo egípcio de Serápis na Vila Adriana, em Tivoli, Lácio;[433] aqui ela é vista trajando a roupa atada de Ísis (correspondendo à descrição de Plutarco em que usa as vestes da deusa),[434] bem como a coroa radiante dos governantes ptolemaicos, como Ptolemeu V (retratado à direita num dracma dourado cunhado em 204–203 aC)[435]

Outra pintura de Pompeia, datada do início do século I dC e localizada na Casa de Giuseppe II (José II), contém uma possível representação da rainha com seu filho Cesarião, ambos usando diademas reais enquanto ela reclina e consome veneno em um ato de suicídio.[299][300][nota 72] Originalmente, pensava-se que a pintura representasse a nobre cartaginense Sofonisba, que no final da Segunda Guerra Púnica (218–201 a.C.) bebeu veneno e cometeu suicídio a pedido de seu amante Massinissa, rei da Numídia.[299] Os argumentos a favor da representação de Cleópatra incluem a forte conexão de sua casa com a da família real dos Númidas, sendo Massinissa e Ptolemeu VIII Fiscão associados, e a filha da egípcia casando-se com o príncipe númida Juba II.[299] Sofonisba também era uma figura mais obscura quando a pintura foi feita, enquanto o suicídio da rainha era muito mais famoso.[299] Uma víbora está ausente da pintura, mas muitos romanos sustentavam que ela recebeu veneno de outra maneira que uma picada de cobra.[436] Um conjunto de portas duplas na parede traseira da pintura, posicionada muito acima das pessoas, sugere o leiaute descrito de sua tumba em Alexandria.[299] Um servo segura a boca de um crocodilo egípcio artificial (possivelmente uma elaborada alça de bandeja), enquanto outro homem parado está vestido como romano.[299]

Em 1818, uma pintura encáustica, agora perdida, foi descoberta no Templo de Serápis, na Vila Adriana, perto de Tivoli, Lácio, mostrando Cleópatra cometendo suicídio com uma mordida no peito nu.[433] Uma análise química realizada em 1822 confirmou que parte da pintura era composta de um terço de cera e dois terços de resina.[433] A espessura da pintura sobre a carne nua de Cleópatra e sua cortina eram semelhantes às pinturas dos retratos das múmias de Faium.[437] Uma gravura em aço publicada por John Sartain em 1885, representando a pintura descrita no relatório arqueológico mostra a rainha usando roupas e jóias autênticas do Egito no final do período helenístico,[438] bem como a coroa radiante dos governantes ptolemaicos, como visto em seus retratos em várias moedas cunhadas durante seus respectivos reinados.[435] Após seu suicídio, Otaviano encomendou uma pintura retratando-a sendo mordida por uma cobra, desfilando essa imagem em seu lugar durante sua procissão triunfal em Roma.[437][334][310] A pintura em retrato da morte de Cleópatra estava talvez entre o grande número de obras de arte e tesouros retirados de Roma pelo imperador Adriano para decorar sua casa particular, onde foi encontrada em um templo egípcio.[433][nota 73]

Um painel romano de Herculano, Itália, datado do século I dC, possivelmente a representa.[56][57] Possui um diadema real, cabelos ruivos avermelhados puxados para trás em um coque,[nota 74] grampos de pérolas e brincos[439] com pingentes em forma de bola, a pele branca de seu rosto e pescoço contra um fundo preto.[56] Seus cabelos e traços faciais são semelhantes aos dos retratos esculpidos de Berlim e do Vaticano, bem como suas moedas.[56] Um busto pintado de uma mulher com uma faixa azul na Casa do Pomar de Pompeia, muito semelhante, apresenta imagens no estilo egípcio, como uma esfinge no estilo grego, e pode ter sido criada pelo mesmo artista.[56]

Vaso de Portland
Uma possível representação de Marco Antônio sendo atraído por Cleópatra, montado em uma serpente, enquanto Anton, seu suposto ancestral, olha e Eros voa acima

O Vaso de Portland, um vaso de vidro de camafeu romano datado do período augustano e agora no Museu Britânico, inclui uma possível representação de Cleópatra com Antônio.[440][441] Nessa interpretação, pode ser vista agarrando seu marido e puxando-o em sua direção enquanto uma serpente (ou seja, a víbora) se ergue entre suas pernas, Eros flutua acima, e Anton, o suposto ancestral da família Antônia, olha em desespero quando seu descendente é levado à sua destruição.[440][442] O outro lado do vaso talvez contenha uma cena de Otávia, abandonada por seu marido Antônio, mas vigiada por seu irmão, o imperador Augusto.[440][442] O vaso teria sido criado não antes de 35 aC, quando Antônio enviou sua esposa romana de volta à Itália e ficou com a egípcia em Alexandria.[440]

Arte egípcia nativa
Cleópatra e seu filho Cesarião no templo de Dendera

O Busto de Cleópatra no Museu Real de Ontário é uma representação esculpida em estilo egípcio.[443] Datado de meados do século I aC, é talvez a mais antiga representação como deusa e faraó dominante.[443] A escultura também possui olhos pronunciados que compartilham semelhanças com cópias romanas de obras de arte ptolemaicas.[444] O complexo do templo de Dendera, perto da cidade homônima no Egito, contém imagens de relevo esculpidas em estilo nativo ao longo das paredes externas do Templo de Hator, representando Cleópatra e seu filho Cesarião como adulto e faraó dominante fazendo oferendas aos deuses.[445][446] Lá Augusto tinha seu nome inscrito após a morte da rainha.[445][447]

Pensa-se que uma grande estátua ptolemaica de basalto preto com 1,04 metro de altura, atualmente no Hermitage de São Petersburgo, represente Arsínoe II, esposa de Ptolemeu II, mas análises recentes indicaram que poderia representar sua descendente Cleópatra devido aos três ureus que adornavam seu cocar, um aumento em relação aos dois usados por Arsínoe II para simbolizar seu domínio sobre o Baixo e Alto Egito.[403][399][397] A mulher na estátua de basalto também possui uma cornucópia dupla (dikeras) e dividida, que pode ser vista nas moedas de Arsínoe II e Cleópatra.[403][397] Em Kleopatra und die Caesaren (2006), Bernard Andreae afirma que esta estátua de basalto, como outros retratos egípcios idealizados da rainha, não contém traços faciais realistas e, portanto, pouco acrescenta ao conhecimento de sua aparência.[448][nota 75] Adrian Goldsworthy escreveu que, apesar dessas representações no estilo tradicional egípcio, ela teria se vestido como nativo "apenas para certos ritos" e, em vez disso, vestia-se como um monarca grego, o que incluiria a faixa de cabeça vista em seus bustos greco-romanos.[449]

Recepção medieval e moderna

Nos tempos modernos, tornou-se um ícone da cultura popular,[373] uma reputação moldada por representações teatrais que datam do Renascimento, além de pinturas e filmes.[451] Esse material ultrapassa largamente o escopo e abrangência da literatura historiográfica existente sobre ela desde a antiguidade clássica, causando um impacto maior na visão do público até então nunca visto.[452] O poeta inglês Geoffrey Chaucer do século XIV, em A Lenda das Boas Mulheres, contextualizou a egípcia para o mundo cristão da Idade Média.[453] Sua representação da rainha e Marco Antônio, seu brilhante cavaleiro envolvido em amor cortês, tem sido interpretada nos tempos modernos como uma sátira lúdica ou misógina.[453] No entanto, o poeta destacou as relações dela com apenas dois homens como dificilmente a vida de uma sedutora e escreveu suas obras parcialmente em reação à representação negativa de Cleópatra em De mulieribus claris e De Casibus Virorum Illustrium, obras em latim do poeta italiano Giovanni Boccaccio.[454][390] O humanista renascentista Bernardino Cacciante, em seu Libretto apologetico delle donne de 1504, foi o primeiro italiano a defender sua reputação e a criticar a moral e misoginia percebidas nas obras de Boccaccio.[455] Trabalhos da historiografia islâmica escritos em árabe cobriram seu reinado, como Os Prados de Ouro de Almaçudi,[456] embora sua obra tenha afirmado erroneamente que Otaviano morreu logo após o suicídio de Cleópatra.[457]

Apareceu em miniaturas de manuscritos iluminados, como uma representação dela e Antônio deitado numa tumba em estilo gótico pelo Mestre de Boucicaut em 1409.[389] Nas artes visuais, a representação esculpida de Cleópatra como uma figura nua que cometeu suicídio começou com os escultores Baccio Bandinelli e Alessandro Vittoria, do século XVI.[458] As primeiras gravuras a representando incluem desenhos dos artistas renascentistas Rafael e Michelangelo, bem como xilogravuras do século XV em edições ilustradas das obras de Boccaccio.[459]

Nas artes cênicas, a morte de Isabel I de Inglaterra em 1603 e a publicação alemã em 1606 de supostas cartas de Cleópatra inspiraram Samuel Daniel a alterar e republicar sua peça Cleopatra de 1594 para 1607.[460] Posteriormente o Antony and Cleopatra de William Shakespeare, amplamente baseado em Plutarco, foi apresentado pela primeira vez em 1608 e forneceu uma visão um tanto obscena da egípcia, em contraste com a própria Rainha Virgem inglesa.[461] Também foi destaque em óperas, como Giulio Cesare, de Georg Friedrich Händel, em 1724, em Egitto, que retratava o caso amoroso de César e Cleópatra.[462]

Representações na contemporaneidade

Elizabeth Taylor interpretando a rainha egípcia no épico de 1963

Na Grã-Bretanha vitoriana, era altamente associada a muitos aspectos da cultura egípcia antiga e sua imagem era usada para comercializar vários produtos domésticos, incluindo lâmpadas a óleo, litografias, cartões postais e cigarros.[463] Romances ficcionais, como Cleopatra, de H. Rider Haggard, e Une nuit de Cléopâtre, de Théophile Gautier, retratavam a rainha como uma oriental sensual e mística, enquanto Kleopatra, do egiptólogo Georg Ebers, era mais fundamentada em precisão histórica.[463][464] Os dramaturgos francês Victorien Sardou e irlandês George Bernard Shaw produziram peças sobre a rainha, enquanto espetáculos burlescos como Antony and Cleopatra, de Francis Burnand, ofereceram representações satíricas que a conectava junto ao ambiente em que vivia com a era moderna.[465] A obra de Shakespeare tornou-se canônica nesse período;[466] sua popularidade levou à percepção de que uma pintura de Lawrence Alma-Tadema de 1885 representava o encontro de Marco Antônio e sua amante numa embarcação em Tarso, embora o pintor tenha revelado numa carta privada que retrata um encontro deles em Alexandria.[467] No conto inacabado Noites Egípcias (1825), Alexandre Pushkin popularizou as alegações do historiador romano do século IV Sexto Aurélio Vítor, anteriormente ignoradas, de que a rainha se prostituía por homens que pagavam sexo com suas vidas.[468][469] Também foi apreciada fora do mundo ocidental e do Oriente Médio; o estudioso chinês Yan Fu da Dinastia Qing escreveu uma extensa biografia dela.[470]

Cléopâtre, de Georges Méliès, um filme de terror mudo francês de 1899, foi o primeiro a representá-la como personagem.[471] Os filmes de Hollywood do século XX foram influenciados pela mídia vitoriana, que ajudou a moldar a personagem interpretada por Theda Bara em 1917, Claudette Colbert em 1934 e Elizabeth Taylor em 1963.[472] Além de seu retrato como uma rainha "vampira", a Cleópatra de Bara também incorporou tropos familiares da pintura orientalista do século XIX, como comportamento despótico, misturado com sexualidade feminina perigosa e aberta.[473] A personagem de Colbert serviu como uma modelo glamourosa para a venda de produtos de temática egípcia em lojas de departamento na década de 1930, voltado para os espectadores do sexo feminino.[474] Em preparação para o filme estrelado por Taylor, as revistas femininas do início dos anos 60 anunciavam como usar maquiagem, roupas, jóias e penteados para obter a aparência "egípcia" semelhante às rainhas Cleópatra e Nefertiti.[475] No final do século XX, havia quarenta e três filmes separados, duzentas peças e romances, quarenta e cinco óperas e cinco balés sobre ela.[476]

Obras escritas

Enquanto os mitos sobre Cleópatra persistem na mídia popular, aspectos importantes de sua carreira passam despercebidos, como seu comando das forças navais, atos administrativos e publicações sobre a medicina grega antiga.[374] Existem apenas fragmentos dos escritos médicos e cosméticos atribuídos a ela, como os preservados por Cláudio Galeno, incluindo remédios para doenças capilares, calvície e caspa, juntamente com uma lista de pesos e medidas para fins farmacológicos.[477][19][478] Aécio de Amida atribuiu uma receita de sabonete perfumado a Cleópatra, enquanto Paulo de Égina preservou alegadas instruções para tingir e enrolar cabelos.[477] A atribuição de certos textos, no entanto, é questionada por Ingrid D. Rowland, que destaca que a "Berenice chamada Cleópatra" citada pela médica romana do século III ou IV Metrodora provavelmente foi confundida pelos estudiosos medievais como referência a Cleópatra.[479]

Ancestralidade

Esquerda: Um busto helenístico de Ptolemeu I Sóter, agora no Louvre, Paris. À direita: busto de Seleuco I Nicátor, uma cópia romana de um original grego, da Vila dos Papiros, Herculano, e agora no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Cleópatra pertencia à dinastia grega macedônia dos ptolemeus,[8][480][481][nota 76] suas origens europeias remontam ao norte da Grécia.[482] Por meio de seu pai, Ptolemeu XII Auleta, era descendente de dois destacados companheiros de Alexandre, o Grande: o general Ptolemeu I Sóter, fundador da dinastia no Egito, e Seleuco I Nicátor, fundador do Império Selêucida da Ásia Ocidental.[8][483][484][nota 77] Embora sua linha paterna possa ser rastreada através de seu pai, a identidade de sua mãe é desconhecida.[485][486][487][nota 78] Ela era presumivelmente filha de Cleópatra Trifena (também conhecida como Cleópatra V ou VI),[nota 3] prima-esposa[488] ou irmã de Ptolemeu XII.[13][486][489][nota 79]

Cleópatra I Sira foi o único membro da dinastia ptolemaica que se sabe ter introduzido alguma ascendência não grega, sendo descendente de Apama, a esposa iraniana sogdiana de Seleuco.[490][491][nota 80] Geralmente, acredita-se que os ptolemeus não se casaram com egípcios nativos.[40][492][nota 81] Michael Grant afirmou que há apenas uma amante egípcia conhecida de um Ptolemeu e nenhuma esposa egípcia conhecida, argumentando ainda que ela provavelmente não tinha ascendência egípcia e "se descreveria como grega".[490][nota 82] Stacy Schiff escreveu que Cleópatra era uma grega macedônia com alguma ascendência persa, argumentando que era raro os ptolemeus terem uma amante egípcia.[493][nota 83] Duane W. Roller especulou que ela poderia ter sido filha de uma teórica, meio macedônia-grega e meio-egípcia de Mênfis, no norte do Egito, pertencente a uma família de sacerdotes dedicados a Ptá (uma hipótese geralmente rejeitada na academia),[nota 84] mas afirma que, qualquer que seja sua ancestralidade, ela valorizou mais sua herança grega.[494][nota 85] Ernle Bradford escreveu que a rainha desafiou Roma não como uma mulher egípcia, "mas como uma grega civilizada".[495]

As alegações de que era uma filha ilegítima nunca apareceram na propaganda romana contra ela.[35][496][nota 86] Estrabão foi o único historiador antigo que afirmou que os filhos de Ptolemeu XII nascidos depois de Berenice IV, incluindo Cleópatra, eram ilegítimos.[35][496][497] Cleópatra V (ou VI) foi expulsa da corte do faraó no final de 69 aC, alguns meses após o nascimento de Cleópatra, enquanto os três filhos mais novos de Ptolemeu XII nasceram durante a ausência de sua esposa.[41] O alto grau de consanguinidade entre os ptolemeus também é ilustrado por sua ascendência imediata, da qual uma reconstrução é mostrada abaixo.[nota 87] A árvore genealógica também lista Cleópatra V, esposa de Ptolemeu XII, como filha de Ptolemeu X Alexandre I e Berenice III, que a tornaria prima de seu marido, Ptolemeu XII, mas ela poderia ter sido filha de Ptolemeu IX Látiro, o que a tornaria uma irmã-esposa de Ptolemeu XII.[488][35] Os relatos confusos nas fontes primárias antigas também levaram os estudiosos a enumerar a esposa de Ptolemeu XII como Cleópatra V ou Cleópatra VI; a última pode realmente ter sido filha de Ptolemeu XII, e alguns a usam como uma indicação de que Cleópatra V havia morrido em 69 aC, em vez de reaparecer como co-governante de Berenice IV em 58 aC (durante o exílio do faraó em Roma).[55][498]

Notas

  1. Para mais informações sobre a Cleópatra de Berlim, veja Pina Polo 2013, pp. 184–186, Roller 2010, pp. 54, 174–175, Jones 2006, p. 33 e Hölbl 2001, p. 234.
  2. a b c Theodore Cressy Skeat, em Skeat 1953, p. 98–100, usa informação histórica para calcular a morte de Cleópatra como tendo ocorrido em 12 de agosto de 30 a.C.. Burstein 2004, p. 31 fornece a mesma data que Skeat, enquanto Dodson & Hilton 2004, p. 277 tepidamente apoiam isso, dizendo que ocorreu por volta dessa data. Aqueles em favor de sua morte em 10 de agosto incluem Roller 2010, p. 147–148, Fletcher 2008, p. 3 e Anderson 2003, p. 56.
  3. a b c Grant 1972, pp. 3–4, 17, Fletcher 2008, p. 69, 74, 76, Jones 2006, p. xiii, Preston 2009, p. 2009, Schiff 2011, p. 28 e Burstein 2004, p. 11 rotulam a esposa de Ptolemeu XII Auletes como Cleópatra V Trifena, enquanto Dodson & Hilton 2004, pp. 268–269, 273 e Roller 2010, p. 18 a chamam de Cleópatra VI Trifena, devido à confusão em fontes primárias que confundem essas duas figuras, que podem ter sido uma e a mesma. Como explicado por Whitehorne 1994, p. 182, Cleópatra VI pode ter sido uma filha de Ptolemeu XII que apareceu em 58 a.C. para governar conjuntamente com sua suposta irmã Berenice IV (enquanto Ptolemeu XII estava exilado e vivendo em Roma), enquanto a esposa do faraó, Cleópatra V, talvez tenha morrido no inverno de 69-68 a.C., quando ela desaparece dos registros históricos. Roller 2010, pp. 18–19 assume que a esposa de Ptolemeu XII, que ele classifica como Cleópatra VI, estava apenas ausente da corte por uma década depois de ter sido expulsa por razão desconhecida, acabando por governar em conjunto com sua filha Berenice IV. Fletcher 2008, p. 76 explica que os alexandrinos depuseram Ptolemeu XII e instalaram "sua filha mais velha, Berenice IV, e como co-governante revogaram o exílio de 10 anos de Cleópatra V Trifena da corte. Embora os historiadores posteriores acreditassem que ela deveria ter sido outra das filhas de Auletes e numeradas como 'Cleópatra VI', parece que era simplesmente a quinta a voltar para substituir seu irmão e ex-marido Auletes."
  4. Também foi diplomata, comandante naval, linguista e autora médica; ver Roller 2010, p. 1 e Bradford 2000, p. 13.
  5. a b Roller 2010, p. 149 e Skeat 1953, p. 99–100 afirmam que o curto reinado nominal de Cesarião durou 18 dias em agosto de 30 a.C.. Porém, Duane W. Roller, baseando-se em Theodore Cressy Skeat, afirma que o reinado de Cesarião "foi essencialmente uma ficção criada pelos cronógrafos egípcios para fechar o vácuo entre a morte de Cleópatra e o controle oficial do Egito (sob o novo faraó, Otávio)", citando, por exemplo, o Stromata de Clemente de Alexandria (Roller 2010, p. 149, 214, nota 103). Plutarco, traduzido por Jones 2006, p. 187, escreveu em termos vagos que "Otaviano fez com que Cesarião morresse depois, após a morte de Cleópatra."
  6. Southern 2009, p. 43 escreveu sobre Ptolemeu Sóter: "A dinastia ptolemaica, da qual Cleópatra foi a última representante, foi fundada no fim do século IV a.C.. Os Ptolemeus não eram do estrato egípcio, mas provinham de Ptolemeu Sóter, um grego macedônio no séquito de Alexandre, o Grande." Para fontes adicionais que descrevem a dinastia ptolemaica como "greco-macedônico", veja Roller 2010, p. 15–16, Jones 2006, p. xiii, 3, 279, Kleiner 2005, p. 9, 19, 106, 183, Jeffreys 1999, p. 488 e Johnson 1999, p. 69. Alternativamente, Grant 1972, p. 3 descreve-a como uma dinastia "macedônica, falante de grego". Outras fontes como Burstein 2004, p. 64 e Pfrommer & Towne-Markus 2001, p. 9 descreve os Ptolemeus como "greco-macedônicos" ou como macedônicos que possuíam uma cultura grega, como em Pfrommer & Towne-Markus 2001, p. 9–11, 20.
  7. a b Grant 1972, p. 5–6 nota que o Período Helenístico, começando com o reinado de Alexandre, terminou com a morte de Cleópatra em 30 a.C. Sublinha que os gregos helenísticos eram vistos pelos romanos contemporâneos como declinando e diminuindo em grandeza desde o Período Clássico, uma atitude que continuou mesmo em obras da historiografia moderna. Em respeito ao Egito helenístico, Grant afirma: "Cleópatra VII, olhando para trás, tudo o que seus ancestrais tinham feito durante aquele tempo, provavelmente não cometeria o mesmo erro. Mas ela e seus contemporâneos do século I a.C. tinham outro problema próprio e peculiar: poderia ainda se dizer que a 'Era Helenística' (que nós mesmos muitas vezes consideramos ter chegado ao fim na época dela) existia, poderia alguma era grega, agora que os romanos eram o poder dominante? Esta foi uma questão nunca distante na mente de Cleópatra. Mas é certo que considerou que a época grega não estava de forma alguma terminada, e pretendia fazer tudo o que estivesse em seu poder para assegurar sua perpetuação."
  8. a b A recusa dos Ptolemaicos em falar a língua nativa é porque o grego antigo (ou seja, o coiné) era usado junto com o egípcio tardio em documentos oficiais como a Pedra de Roseta («Radio 4 Programmes – A History of the World in 100 Objects, Empire Builders (300 BC – 1 AD), Rosetta Stone». BBC. Cópia arquivada em 23 de maio de 2010 ). Como explicado por Burstein 2004, p. 43–54, a Alexandria ptolomaica foi considerada uma pólis (cidade-Estado) separada do Egito, com cidadania reservada aos gregos e macedônios, mas vários outros grupos étnicos residiram lá, especialmente judeus, bem como egípcios nativos sírios e núbios. Para mais validação, ver Grant 1973, p. 3. Às várias línguas faladas por Cleópatra, ver Roller 2010, p. 46–48 e Burstein 2004, p. 11–12. Para mais validação sobre o grego antigo como língua oficial da dinastia ptolemaica, ver Jones 2006, p. 3
  9. Tyldesley 2017 oferece uma interpretação alternativa do título de Cleópatra VII Tea Filópator como "Cleópatra, a Deusa que ama o Pai".
  10. Para uma explicação completa sobre a fundação de Alexandria por Alexandre, o Grande e sua natureza helenística grega durante o período ptolemaico, juntamente com uma pesquisa dos vários grupos étnicos que residiram lá, veja Jones 2006, p. 6. Para mais validação sobre a fundação de Alexandria por Alexandre, o Grande, veja Jones 2006, p. 6.
  11. Para mais informações, veja Grant 1972, pp. 20, 256, nota 42.
  12. Para uma lista de línguas faladas por Cleópatra como mencionado pelo historiador antigo Plutarco, veja Jones 2006, pp. 33–34, que também menciona que os governantes do Egito ptolemaico gradualmente abandonaram a língua macedônia antiga.
  13. Grant 1972, p. 3 afirma que Cleópatra poderia ter nascido no final dos anos 70 ou no início de 69 a.C.
  14. Para mais informações e validação, consulte Schiff 2011, p. 28 e Kleiner 2005, p. 22. Para especulações alternativas, veja Burstein 2004, p. 11 e Roller 2010, pp. 15, 18, 166
  15. Devido às discrepâncias nos trabalhos acadêmicos, nos quais alguns consideram Cleópatra VI uma filha de Ptolemeu XII ou sua esposa, idêntica à de Cleópatra V, Jones 2006, p. 28 afirma que Ptolemeu XII teve seis filhos, enquanto Roller 2010, p. 16 menciona apenas cinco.
  16. Para mais informações e validação, consulte Grant 1972, pp. 12–13. Em 1972, Michael Grant calculou que 6 000 talentos, o preço da taxa de Ptolemeu XII por receber o título de amigo e aliado do povo romano dos triúnviros Pompeu e Júlio César, valeria cerca de 7 milhões de libras esterlinas, aproximadamente a receita anual total do imposto para o Egito ptolemaico.
  17. Fletcher 2008, p. 87 descreveu a pintura de Herculano mais adiante: "O cabelo de Cleópatra era mantido por seu cabeleireiro Eiras. Embora perucas artificiais estabelecidas no tradicional estilo tripartido de cabelo longo e reto fossem necessárias para aparições diante dos súditos egípcios, uma opção mais prática para o uso diário era o 'penteado de melão', no qual seus cabelos naturais eram puxados para trás em seções parecidas com as linhas de um melão e depois presas num coque na parte de trás da cabeça. Um estilo de marca registrada de Arsínoe II e Berenice II, o estilo havia caído de moda por quase dois séculos até ser revivido por Cleópatra; no entanto, como tradicionalista e inovadora, ela usava sua versão sem o véu da cabeça do antecessor. E considerando que ambos eram loiros como Alexandre, Cleópatra pode muito bem ter sido ruiva, a julgar pelo retrato de uma mulher de cabelos flamejantes usando o diadema real cercado por motivos egípcios que foram identificados como Cleópatra."
  18. Para informações sobre os antecedentes políticos da anexação romana do Chipre, um movimento promovido no Senado romano por Públio Clódio Pulcro, veja Grant 1972, pp. 13–14.
  19. Para mais informações, veja Grant 1972, pp. 15–16.
  20. Fletcher 2008, pp. 76–77 expressa pouca dúvida sobre isso: "deposto no final do verão 58 a.C. e temendo por sua vida, Auleta havia fugido de seu palácio e de seu reino, embora não estivesse completamente sozinho. Por uma fonte grega é revelado que ele foi acompanhado 'com uma de suas filhas', e como a mais velha Berenice IV era monarca, e a mais jovem, Arisone, pouco mais que uma criança, presume-se que esta deve ter sido sua filha favorita e do meio, Cleópatra, de onze anos."
  21. Para mais informações, veja Grant 1972, p. 16.
  22. Para mais informações sobre o financista romano Rabírio, bem como os gabinianos deixados no Egito por Gabínio, veja Grant 1972, pp. 18–19.
  23. Para mais informações, veja Grant 1972, p. 18.
  24. Para mais informações, veja Grant 1972, pp. 19–20, 27–29.
  25. Para mais informações, veja Grant 1972, pp. 28–30.
  26. Para mais informações, consulte Fletcher 2008, pp. 88–92 e Jones 2006, pp. 31, 34–35: Fletcher 2008, pp. 85–86 afirma que o eclipse solar parcial de 7 de março de 51 a.C. marcou a morte de Ptolemeu XII e a ascensão de Cleópatra ao trono, embora ela aparentemente tenha suprimido a notícia de morte, alertando o Senado romano para esse fato meses depois numa mensagem que receberam em 30 de junho de 51 a.C.. No entanto, Grant 1972, p. 30 afirma que o Senado foi informado da morte em 1 de agosto. Michael Grant indica que Ptolemeu XII poderia estar vivo até maio, enquanto uma antiga fonte egípcia afirma que ele ainda governava com Cleópatra em 15 de julho de 51 a.C., embora a essa altura Cleópatra provavelmente tenha "silenciado a morte de seu pai" para que pudesse consolidar seu controle sobre o Egito.
  27. Pfrommer & Towne-Markus 2001, p. 34 escreveu o seguinte sobre o casamento entre irmãos de Ptolemeu II e Arsínoe II: "Ptolemeu Cerauno, que queria se tornar rei da Macedônia [...] matou os filhos pequenos de Arsínoe na frente dela. Agora rainha sem um reino, Arsínoe fugiu para o Egito, onde foi recebida por seu irmão Ptolemeu II. Não contente, no entanto, em passar o resto de sua vida como hóspede na corte ptolemaica, ela teve a esposa de Ptolemeu II exilada no Alto Egito e casou-se com ele por volta de 275 a.C. Embora tal casamento incestuoso fosse considerado escandaloso pelos gregos, era permitido pelo costume egípcio. Por essa razão, o casamento dividiu a opinião pública em duas facções. O lado leal celebrava o casal como um retorno da união divina de Zeus e Hera, enquanto o outro lado não se abstinha de críticas profusas e obscenas. Um dos comentaristas mais sarcásticos, um poeta com uma caneta muito afiada, teve que fugir de Alexandria. O desafortunado poeta foi pego na costa de Creta pela marinha ptolemaica, colocado em uma cesta de ferro e afogado. Isso e ações semelhantes aparentemente retardaram críticas cruéis."
  28. Para mais informações, consulte Fletcher 2008, pp. 92–93
  29. Para mais informações, veja Fletcher 2008, pp. 96–97 e Jones 2006, p. 39.
  30. Para mais informações, veja Jones 2006, pp. 39–41.
  31. a b Para mais informações, veja Fletcher 2008, p. 98 e Jones 2006, pp. 39–43, 53–55.
  32. Para mais informações, veja Fletcher 2008, pp. 98–100 e Jones 2006, pp. 53–55.
  33. Para mais informações, veja Burstein 2004, p. 18 e Fletcher 2008, pp. 101–103.
  34. a b Para mais informações, consulte Fletcher 2008, p. 113.
  35. Para mais informações, consulte Fletcher 2008, p. 118.
  36. Para mais informações, consulte Burstein 2004, p. 76.
  37. Para mais informações, veja Burstein 2004, pp. xxi, 19 e Fletcher 2008, pp. 118–120.
  38. Para mais informações, consulte Fletcher 2008, pp. 119–120. Como parte do cerco de Alexandria, Burstein 2004, p. 19 afirma que os reforços de César vieram em janeiro, mas Roller 2010, p. 63 diz que eles vieram em março.
  39. Para mais informações e validação, veja Anderson 2003, p. 39 e Fletcher 2008, p. 120.
  40. Para mais informações e validação, consulte Fletcher 2008, p. 121 e Jones 2006, p. xiv. Roller afirma que neste ponto (47 a.C.) Ptolemeu XIV tinha 12 anos, enquanto Burstein 2004, p. 19 afirma que ele tinha apenas 10 anos de idade.
  41. Para mais informações e validação, veja Anderson 2003, p. 39 e Fletcher 2008, pp. 154, 161–162.
  42. Roller 2010, p. 70 escreveu o seguinte sobre César e seu parentesco com Cesarião: "A questão do parentesco tornou-se tão emaranhada na guerra de propaganda entre Antônio e Otaviano no final dos anos 30 a.C. – era essencial um lado provar e que o outro rejeitasse o papel de César – que hoje é impossível determinar a resposta real do ditador. A informação existente é quase contraditória: foi dito que César negou a paternidade em seu testamento, mas a reconheceu em particular e permitiu o uso do nome Cesarião. Seu partidário Caio Ópio escreveu um panfleto provando que Cesarião não era filho dele, e Caio Hélvio Cina – o poeta que foi morto por desordeiros após a oração fúnebre de Antônio – foi preparado em 44 a.C. para criar legislação que permitisse a César casar tantas esposas quanto desejasse para ter filhos. Embora grande parte da discussão tenha sido gerada após sua morte, parece que o mesmo desejava ser o mais discreto possível sobre a criança, mas teve de lidar com as repetidas afirmações de Cleópatra."
  43. Para mais informações e validação, veja Jones 2006, pp. xiv, 78.
  44. Para mais informações, consulte Fletcher 2008, pp. 214–215.
  45. Como explicado por Burstein 2004, p. 23, Cleópatra apresentou-se como Ísis na aparência da deusa grega Afrodite, encontrando seu divino marido, Osíris, na forma do deus grego Dioniso, que os sacerdotes do Templo de Ártemis em Éfeso haviam associado a Antônio antes deste encontro com a rainha. De acordo com Brown 2011, um culto ao redor de Ísis se espalhou pela região por centenas de anos, e Cleópatra, como muitas de suas antecessoras, procurou se identificar com a deusa egípcia e ser venerada. Além disso, algumas moedas sobreviventes também a descrevem como Vênus–Afrodite, como explicado por Fletcher 2008, p. 205.
  46. Para mais informações sobre Públio Ventídio Basso e sua vitória sobre as forças partas na Batalha do Monte Gíndaro, veja Kennedy 1996, pp. 80–81
  47. a b c Ferroukhi 2001a, p. 219 fornece uma discussão detalhada sobre esse busto e suas ambiguidades, observando que ele poderia representar Cleópatra, mas que é mais provável que seja sua filha Cleópatra Selene II. Kleiner 2005, pp. 155–156 argumenta a favor da descrição da rainha em vez de sua filha, enquanto Varner 2004, p. 20 menciona apenas Cleópatra como uma possível semelhança. Roller 2003, p. 139 observa que poderia ser Cleópatra ou Cleópatra Selene II, enquanto argumenta que a mesma ambiguidade se aplica à outra cabeça esculpida de Cherchel com um véu. Em relação a esta última cabeça, Ferroukhi 2001b, p. 242 o indica como um possível retrato de Cleópatra do início do século I dC, não sua filha, ao mesmo tempo em que argumenta que suas características masculinas, brincos e toga aparente (o véu é um componente dele) provavelmente poderia significar que pretendia representar um nobre númida. Fletcher 2008, placas de imagem entre pp. 246–247 discorda da cabeça com véu, argumentando que foi encomendada por Cleópatra Selene II em Iol (Mauritânia Cesariense) e foi feita para representar sua mãe, Cleópatra.
  48. Segundo Roller 2010, pp. 91–92, esses governantes dos estados-cliente instalados por Marco Antônio incluíam Herodes, Amintas da Galácia, Pólemon I do Ponto e Arquelau da Capadócia.
  49. Bringmann 2007, p. 301 alegou que Otávia, a Jovem forneceu a Marco Antônio 1 200 soldados, e não 2 000, conforme declarado em Roller 2010, pp. 97–98 e Burstein 2004, pp. 27–28.
  50. Roller 2010, p. 100 diz que não está claro se Antônio e Cleópatra já foram realmente casados. Burstein 2004, pp. xxii, 29 diz que o casamento selou publicamente a aliança de ambos e, desafiando Otaviano, ele se divorciaria de Otávia em 32 aC. As moedas de Antônio e Cleópatra as descrevem da maneira típica de um casal real helenístico, conforme explicado por Roller 2010, p. 100.
  51. Jones 2006, p. xiv escreveu que "Otaviano travou uma guerra de propaganda contra Antônio e Cleópatra, enfatizando o status de desta como mulher e estrangeira que desejava compartilhar o poder romano."
  52. Stanley M. Burstein, em Burstein 2004, p. 33, fornece o nome Quintus Cascellius como o beneficiário da isenção tributária, não o Canídio Crasso fornecido por Duane W. Roller em Roller 2010, p. 134.
  53. Reece 2017, p. 203 observa que "os textos fragmentários dos papiros gregos antigos muitas vezes não chegam ao público moderno, mas este sim, e com resultados fascinantes, embora permaneça quase totalmente não reconhecido o fato notável de que a assinatura de uma palavra de Cleópatra contém um flagrante erro de ortografia: γινέσθωι, com um supérfluo iota adscrito. Esse erro de ortografia "não foi observado pela mídia popular", porém foi "simplesmente transliterado, [...] incluindo, sem comentários, o supérfluo iota adscrito". Mesmo em fontes acadêmicas, o erro de ortografia foi amplamente ignorado ou silenciosamente corrigido (pp. 206–208, 210). Embora descrito como "ortografia 'normal'" (em contraste com a "ortografia 'correta'") por Peter van Minnen (p. 208), o erro ortográfico é "muito mais raro e mais intrigante" do que se esperaria dos papiros gregos do Egito (p. 210)– tão raro, na verdade, que ele ocorre apenas duas vezes nos 70.000 papiros gregos entre o século III aC e século VIII dC no banco de dados do Papyrological Navigator. Isso é especialmente verdade quando se considera que foi adicionada a uma palavra "sem motivo etimológico ou morfológico para ter um iota adscrito" (p. 210) e foi escrito pela "bem educada e nativa da língua grega, a rainha" Cleópatra VII "do Egito" (p. 208).
  54. Como explicado por Jones 2006, p. 147, "Otaviano teve que seguir uma linha tênue enquanto preparava-se para se envolver em hostilidades abertas com Antônio. Ele teve o cuidado de minimizar associações com a guerra civil, pois o povo romano já havia sofrido muitos anos de conflito e Otaviano poderia correr o risco de perder o apoio caso declarasse guerra a um concidadão."
  55. Para os relatos traduzidos de Plutarco e Dião, Jones 2006, pp. 194–195 escreveu que o implemento usado para perfurar a pele de Cleópatra era um grampo.
  56. Jones 2006, p. 187, traduzindo Plutarco, cita Ário Dídimo dizendo a Otaviano que "não é bom ter muitos Césares", o que aparentemente foi suficiente para convencer o romano a matar o herdeiro egípcio.
  57. Ao contrário das províncias romanas regulares, o Egito foi estabelecido por Otaviano como território sob seu controle pessoal, impedindo o Senado romano de intervir em qualquer um de seus assuntos e nomeando seus próprios governadores equestres, o primeiro dos quais foi Galo. Para mais informações, consulte Southern 2014, p. 185 e Roller 2010, p. 151.
  58. Walker 2001, p. 312 escreveu o seguinte sobre o relevo elevado no prato de prata dourada: "Visivelmente montada na cornucópia, há uma lua crescente dourada colocada em uma pinha. Em torno dela estão romãs empilhadas e cachos de uvas. Gravadas no chifre estão imagens de Hélio (o sol), na forma de uma jovem vestida com uma capa curta, com o penteado de Alexandre, o Grande, a cabeça cercada por raios ... Os símbolos na cornucópia podem de fato ser lidos como referências à casa real ptolemaica e especificamente a Cleópatra Selene, representada na lua crescente, e a seu irmão gêmeo, Alexandre Hélio, cujo destino final após a conquista do Egito é desconhecido. A víbora parece estar mais ligada à pantera e aos símbolos intermediários da fecundidade do que ao suicídio de Cleópatra VII. O escalpo de elefante pode ser referência ao status de Cleópatra Selene como governante, com Juba II, da Mauritânia. A correspondência visual com a cabeça velada de Cherchel incentiva essa identificação, e muitos dos símbolos usados no prato também aparecem nas moedas de Juba II."
  59. Jones 2006, p. 60 especula que o autor de De Bello Alexandrino, escrito em prosa latina entre 46–43 a.C., foi um certo Aulo Hírcio, um oficial militar que serviu sob César.
  60. Burstein 2004, p. 30 escreveu que Virgílio, em sua Eneida, descreve a Batalha de Áccio contra Cleópatra "como um conflito de civilizações no qual Otaviano e os deuses romanos preservaram a Itália de ser conquistada por Cleópatra e pelos bárbaros deuses com cabeça de animal do Egito."
  61. Para mais informação e excertos do relato de Estrabão sobre Cleópatra em sua Geografia, ver Jones 2006, pp. 28–30.
  62. Como explicado por Chauveau 2000, pp. 2–3, esta fonte do Egito, datada do reinado de Cleópatra, inclui cerca de 50 papiros em grego antigo, a maior parte oriunda da cidade de Heracleópolis, e apenas alguns papiros de Faium, escritos em egípcio demótico. No geral, este é um conjunto de textos nativos sobreviventes muito menor do que qualquer outro período do Egito Ptolemaico.
  63. Para a descrição de Cleópatra feita por Plutarco, que afirmou que sua beleza não era "completamente incomparável", mas disse que ela tinha uma personalidade "cativante" e estimulante", ver Jones 2006, pp. 32–33.
  64. Fletcher 2008, p. 205 escreveu o seguinte: "Cleópatra foi a única mulher ptolemaica a emitir moedas em seu próprio nome, algumas retratando-a como Vênus-Afrodite. César seguiu seu exemplo e, dando o mesmo passo ousado, tornou-se o primeiro romano vivo a aparecer em moedas, seu perfil ligeiramente magro acompanhado pelo título Parens Patriae, 'Pai da Pátria'."
  65. Para mais informações, consulte Raia & Sebesta 2017.
  66. Há discordância acadêmica sobre se os seguintes retratos são considerados "cabeças" ou "bustos". Por exemplo, Raia & Sebesta 2017 usa exclusivamente o primeiro, enquanto Grout 2017b prefere o último.
  67. Para mais informações e validação, consulte Curtius 1933, pp. 182–192, Walker 2008, p. 348, Raia & Sebesta 2017 e Grout 2017b
  68. Para mais informações e validação, consulte Grout 2017b e Roller 2010, pp. 174–175.
  69. Para mais informações, consulte Curtius 1933, pp. 182–192, Walker 2008, p. 348 e Raia & Sebesta 2017.
  70. A observação de que a bochecha esquerda da Cleópatra do Vaticano já teve uma mão de cupido quebrada foi sugerida pela primeira vez por Ludwig Curtius em 1933. Kleiner concorda com esta avaliação. Veja Kleiner 2005, p. 153, assim como Walker 2008, p. 40 e Curtius 1933, pp. 182–192. Enquanto Kleiner 2005, p. 153 sugeriu que o caroço em cima dessa cabeça de mármore continha talvez um ureu quebrado, Curtius 1933, p. 187 ofereceu a explicação de que outrora ela exibia a representação esculpida de uma joia.
  71. Curtius 1933, p. 187 escreveu que o caroço danificado ao longo da linha do cabelo e do diadema da Cleópatra do Vaticano provavelmente continha uma representação esculpida de uma joia, que Walker 2008, p. 40 compara diretamente à joia vermelha pintada no diadema usado por Vênus, provavelmente Cleópatra, no afresco de Pompeia.
  72. Para mais informações sobre a pintura na Casa de Giuseppe II em Pompeia e a possível identificação de Cleópatra como uma das figuras, consulte Pucci 2011, pp. 206–207, nota de rodapé 27.
  73. Pratt & Fizel 1949, pp. 14–15 rejeitaram a ideia proposta por alguns estudiosos nos séculos XIX e XX de que a pintura talvez fosse feita por um artista do Renascimento italiano. Ambos destacaram o estilo clássico da pintura, preservado nas descrições textuais e na gravura em aço. Argumentaram que era improvável que um pintor do período renascentista tivesse criado obras com materiais encáusticos, conduzido uma pesquisa minuciosa sobre roupas e jóias egípcias do período helenístico, como representado na pintura, e então colocado precariamente nas ruínas do templo egípcio na Vila Adriana.
  74. Walker & Higgs 2001, pp. 314–315 descreveram seu cabelo como castanho avermelhado, enquanto Fletcher 2008, p. 87 a descreveu como ruiva; Fletcher 2008, pp. 246–247 (placas de imagem e legendas), também a descreve como uma mulher ruiva.
  75. Preston 2009, p. 305 chega a uma conclusão semelhante sobre representações egípcias nativas da rainha: "Além de certas esculturas no templo, que de qualquer maneira estão num estilo faraônico altamente estilizado e dão pouca pista da aparência real de Cleópatra, as únicas representações certas dela são aquelas em moedas. A cabeça de mármore no Vaticano é uma das três esculturas geralmente, embora não universalmente, aceitas pelos estudiosos como representações de Cleópatra."
  76. Para mais informações sobre a linhagem grega macedônia de Cleópatra, consulte Pucci 2011, p. 201, Grant 1972, pp. 3–5, Burstein 2004, pp. 3, 34, 36, 43, 63–64 e Royster 2003, pp. 47–49
  77. Para obter mais informações e validação da fundação do Egito helenístico pelos ancestrais de Alexandre, o Grande e Cleópatra, remontando a Ptolemeu Sóter, consulte Grant 1972, pp. 7–8 e Jones 2006, p. 3.
  78. Para mais informações, veja Grant 1972, pp. 3–4 e Burstein 2004, p. 11.
  79. Para mais informações, veja Fletcher 2008, pp. 69, 74, 76.
  80. Para a ascendência sogdiana de Apama, esposa de Seleuco Nicátor, consulte Holt 1989, pp. 64–65, nota de rodapé 63.
  81. Conforme explicado por Burstein 2004, pp. 47–50, os principais grupos étnicos do Egito ptolemaico eram egípcios, gregos e judeus, cada um deles legalmente segregado, vivendo em diferentes bairros residenciais e proibidos de se casarem nas cidades multiculturais de Alexandria, Náucratis e Ptolemaida Hérmia. No entanto, como explicado por Fletcher 2008, pp. 82, 88–93, o sacerdócio egípcio nativo estava fortemente ligado aos seus patronos reais ptolemaicos, a ponto de especular que Cleópatra teve um meio-primo egípcio, Pasherienptah III, o Sumo Sacerdote de Ptá em Mênfis.
  82. Grant 1972, p. 5 argumenta que a avó de Cleópatra, ou seja, a mãe do faraó, pode ter sido síria (embora admitindo que "é possível que ela também fosse parcialmente grega"), mas quase certamente não egípcia, porque há apenas uma amante egípcia conhecida de um governante ptolemaico ao longo de toda a sua dinastia.
  83. Schiff 2011, p. 42 argumenta ainda que, considerando a ascendência de Cleópatra, ela não era de pele escura, embora note que Cleópatra provavelmente não estava entre os Ptolemeus com características justas, e teria sido de pele de mel, citando como evidência de que seus parentes foram descritos como tais e, presumivelmente, "isso também se aplicaria a ela." Goldsworthy 2010, pp. 127, 128 concorda com isso, argumentando que Cleópatra, com sangue macedônio com um pouco de sírio, provavelmente não tinha a pele escura (como a propaganda romana nunca a menciona), escrever uma "pele mais clara é marginalmente mais provável considerando sua ancestralidade", embora também observe que ela poderia ter uma "tez mediterrânea mais escura" por causa de sua ancestralidade mista. Grant 1972, p. 5 concorda com a última especulação de Goldsworthy sobre a cor de sua pele, que embora quase certamente não seja egípcia, Cleópatra tinha uma aparência mais escura devido ao fato de ser grega misturada com persas e possível ascendência síria. Preston 2009, p. 77 concorda com Grant que, considerando essa ancestralidade, Cleópatra era "quase certamente de cabelos escuros e pele de azeitona." Bradford 2000, p. 14 sustenta que é "razoável inferir" que Cleópatra tinha cabelos escuros e "pele clara de oliva".
  84. Para mais informações sobre a identidade da mãe de Cleópatra, consulte Burstein 2004, p. 11, Fletcher 2008, p. 73, Goldsworthy 2010, pp. 127, 128, Grant 1972, p. 4, e Roller 2010, pp. 165–166. Joann Fletcher considera essa hipótese duvidosa e sem evidências. Stanley M. Burstein afirma que fortes evidências circunstanciais sugerem que a mãe de Cleópatra poderia ter sido membro da família sacerdotal de Ptá, mas que os historiadores geralmente assumem que sua mãe era Cleópatra V Trifena, esposa de Ptolemeu XII. Adrian Goldsworthy descarta a ideia de que a mãe de Cleópatra seja membro de uma família sacerdotal egípcia como "pura conjectura", acrescentando que Cleópatra V ou uma concubina "provavelmente de origem grega" seria a mãe de Cleópatra VII. Michael Grant sustenta que Cleópatra V era provavelmente a mãe de Cleópatra VII. Duane W. Roller observa que, embora Cleópatra pudesse ter sido filha da família sacerdotal de Ptá, a outra candidata principal seria Cleópatra VI, mantendo a incerteza decorrente da "perda de favor" de Cleópatra V/VI que "obscureceu a questão."
  85. Schiff 2011, pp. 2 concorda com isso, concluindo que Cleópatra "manteve a tradição da família." Como observado por Dudley 1960, pp. 57, Cleópatra e sua família foram "os sucessores dos faraós nativos, explorando através de uma burocracia altamente organizada os grandes recursos naturais do vale do Nilo."
  86. Grant 1972, p. 4 argumenta que, se Cleópatra fosse ilegítima, seus "numerosos inimigos romanos teriam revelado isso ao mundo".
  87. A árvore genealógica e breves discussões dos indivíduos podem ser encontradas em Dodson & Hilton 2004, pp. 268–281. Aidan Dodson e Dyan Hilton se referem a Cleópatra V como Cleópatra VI e Cleópatra Selene da Síria é chamada Cleópatra V Selene. As linhas pontilhadas no gráfico abaixo indicam uma paternidade possível, mas disputada.

Referências

  1. a b c d e f g h Raia & Sebesta 2017.
  2. a b c d e f g h i Sabino & Gross-Diaz 2016.
  3. a b c d e f g h i j Grout 2017b.
  4. Burstein 2004, pp. xx–xxiii, 155.
  5. a b c d Hölbl 2001, p. 231.
  6. Royster 2003, p. 48.
  7. a b Muellner.
  8. a b c Roller 2010, pp. 15–16.
  9. Roller 2010, pp. 15–16, 39.
  10. Fletcher 2008, pp. 55–57.
  11. Burstein 2004, p. 15.
  12. Fletcher 2008, pp. 84, 215.
  13. a b Roller 2010, p. 18.
  14. Roller 2010, pp. 32–33.
  15. Fletcher 2008, pp. 1, 3, 11, 129.
  16. a b Burstein 2004, p. 11.
  17. Roller 2010, pp. 29–33.
  18. Fletcher 2008, pp. 1, 5, 13–14, 88, 105–106.
  19. a b c d Burstein 2004, pp. 11–12.
  20. Schiff 2011, p. 33.
  21. a b Roller 2010, pp. 46–48.
  22. Fletcher 2008, pp. 5, 82, 88, 105–106.
  23. Roller 2010, pp. 46–48, 100.
  24. Roller 2010, pp. 38–42.
  25. Burstein 2004, pp. xviii, 10.
  26. Grant 1972, pp. 9–12.
  27. a b c d e Roller 2010, p. 17.
  28. a b Grant 1972, pp. 10–11.
  29. a b Burstein 2004, p. xix.
  30. Grant 1972, p. 11.
  31. Burstein 2004, p. 12.
  32. Fletcher 2008, p. 74.
  33. Grant 1972, p. 3.
  34. Roller 2010, p. 15.
  35. a b c d Grant 1972, p. 4.
  36. Preston 2009, p. 22.
  37. Jones 2006, pp. xiii, 28.
  38. a b Roller 2010, p. 16.
  39. a b Anderson 2003, p. 38.
  40. a b c Fletcher 2008, p. 73.
  41. a b Roller 2010, pp. 18–19.
  42. Fletcher 2008, pp. 68–69.
  43. Roller 2010, p. 19.
  44. Fletcher 2008, p. 69.
  45. Roller 2010, pp. 45–46.
  46. Roller 2010, p. 45.
  47. Fletcher 2008, p. 81.
  48. Roller 2010, p. 20.
  49. Burstein 2004, pp. xix, 12–13.
  50. Roller 2010, pp. 20–21.
  51. Burstein 2004, pp. xx, 12–13.
  52. Fletcher 2008, pp. 74–76.
  53. Roller 2010, p. 21.
  54. a b Burstein 2004, p. 13.
  55. a b c Fletcher 2008, p. 76.
  56. a b c d e Walker & Higgs 2001, pp. 314–315.
  57. a b Fletcher 2008, p. 87, placas de imagem e legendas entre pp. 246–247.
  58. a b c d Roller 2010, p. 22.
  59. a b Burstein 2004, pp. xx, 13, 75.
  60. Burstein 2004, pp. 13, 75.
  61. Grant 1972, p. 14–15.
  62. a b Fletcher 2008, pp. 76–77.
  63. Roller 2010, p. 23.
  64. Fletcher 2008, pp. 77–78.
  65. Roller 2010, pp. 23–24.
  66. Fletcher 2008, p. 78.
  67. Grant 1972, p. 16.
  68. a b c Roller 2010, p. 24.
  69. Burstein 2004, pp. xx, 13.
  70. Grant 1972, pp. 16–17.
  71. Burstein 2004, pp. 13, 76.
  72. a b Roller 2010, pp. 24–25.
  73. Burstein 2004, p. 76.
  74. Burstein 2004, pp. 23, 73.
  75. a b Roller 2010, p. 25.
  76. a b Grant 1972, p. 18.
  77. a b Burstein 2004, p. xx.
  78. a b Roller 2010, pp. 25–26.
  79. Burstein 2004, pp. 13–14, 76.
  80. a b Fletcher 2008, pp. 11–12.
  81. Burstein 2004, pp. 13–14.
  82. Fletcher 2008, pp. 11–12, 80.
  83. a b Roller 2010, p. 26.
  84. a b Burstein 2004, p. 14.
  85. Roller 2010, pp. 26–27.
  86. Fletcher 2008, pp. 80, 85.
  87. Roller 2010, p. 27.
  88. Burstein 2004, pp. xx, 14.
  89. Fletcher 2008, pp. 84–85.
  90. Roller 2010, pp. 53, 56.
  91. Burstein 2004, pp. xx, 15–16.
  92. Roller 2010, pp. 53–54.
  93. a b Burstein 2004, pp. 16–17.
  94. a b Roller 2010, p. 53.
  95. a b Roller 2010, pp. 54–56.
  96. a b c Burstein 2004, p. 16.
  97. a b Roller 2010, p. 56.
  98. Fletcher 2008, pp. 91–92.
  99. a b c Roller 2010, pp. 36–37.
  100. a b c Burstein 2004, p. 5.
  101. a b c Grant 1972, pp. 26–27.
  102. a b Roller 2010, pp. 56–57.
  103. Fletcher 2008, p. 73, 92–93.
  104. Fletcher 2008, pp. 92–93.
  105. a b Roller 2010, p. 57.
  106. a b c Burstein 2004, pp. xx, 17.
  107. a b Roller 2010, p. 58.
  108. Fletcher 2008, pp. 94–95.
  109. Fletcher 2008, p. 95.
  110. Roller 2010, pp. 58–59.
  111. Burstein 2004, p. 17.
  112. Fletcher 2008, pp. 95–96.
  113. Roller 2010, p. 59.
  114. a b c Fletcher 2008, p. 96.
  115. a b Roller 2010, pp. 59–60.
  116. a b Fletcher 2008, pp. 97–98.
  117. a b Bringmann 2007, p. 259.
  118. a b Burstein 2004, pp. xxi, 17.
  119. a b c Roller 2010, p. 60.
  120. Fletcher 2008, p. 98.
  121. Jones 2006, pp. 39–43, 53.
  122. Burstein 2004, pp. xxi, 17–18.
  123. a b Roller 2010, pp. 60–61.
  124. Bringmann 2007, pp. 259–260.
  125. a b Burstein 2004, pp. xxi, 18.
  126. a b c d e f g Bringmann 2007, p. 260.
  127. a b c d Roller 2010, p. 61.
  128. a b Fletcher 2008, p. 100.
  129. a b Burstein 2004, p. 18.
  130. Hölbl 2001, pp. 234–235.
  131. Jones 2006, pp. 56–57.
  132. Hölbl 2001, p. 234.
  133. Jones 2006, pp. 57–58.
  134. Roller 2010, pp. 61–62.
  135. a b c d Hölbl 2001, p. 235.
  136. Fletcher 2008, pp. 112–113.
  137. Roller 2010, pp. 26, 62.
  138. a b Roller 2010, p. 62.
  139. Burstein 2004, pp. 18, 76.
  140. Burstein 2004, pp. 18–19.
  141. a b c Roller 2010, p. 63.
  142. Hölbl 2001, p. 236.
  143. Fletcher 2008, pp. 118–119.
  144. Burstein 2004, pp. xxi, 76.
  145. Fletcher 2008, p. 119.
  146. Roller 2010, pp. 62–63.
  147. Hölbl 2001, pp. 235–236.
  148. a b c Burstein 2004, p. 19.
  149. Roller 2010, pp. 63–64.
  150. Burstein 2004, pp. xxi, 19, 76.
  151. a b c Roller 2010, p. 64.
  152. Burstein 2004, pp. xxi, 19–21, 76.
  153. Fletcher 2008, p. 172.
  154. Roller 2010, pp. 64, 69.
  155. Burstein 2004, pp. xxi, 19–20.
  156. Fletcher 2008, p. 120.
  157. Roller 2010, pp. 64–65.
  158. Roller 2010, p. 65.
  159. a b Burstein 2004, pp. 19–20.
  160. Fletcher 2008, p. 125.
  161. a b Roller 2010, pp. 65–66.
  162. Fletcher 2008, p. 126.
  163. Roller 2010, p. 66.
  164. Fletcher 2008, pp. 108, 149–150.
  165. a b c Roller 2010, p. 67.
  166. Burstein 2004, p. 20.
  167. Fletcher 2008, p. 153.
  168. Ashton 2001b, p. 164.
  169. Roller 2010, pp. 69–70.
  170. a b Burstein 2004, pp. xxi, 20.
  171. a b Roller 2010, p. 70.
  172. Fletcher 2008, pp. 162–163.
  173. a b c Jones 2006, p. xiv.
  174. Roller 2010, p. 71.
  175. Fletcher 2008, pp. 179–182.
  176. Roller 2010, pp. 21, 57, 72.
  177. Burstein 2004, pp. xxi, 20, 64.
  178. Fletcher 2008, pp. 181–182.
  179. a b Roller 2010, p. 72.
  180. Fletcher 2008, pp. 194–195.
  181. Roller 2010, pp. 72, 126.
  182. a b Burstein 2004, p. 21.
  183. Fletcher 2008, pp. 201–202.
  184. a b Roller 2010, pp. 72, 175.
  185. Fletcher 2008, pp. 195–196, 201.
  186. a b c Roller 2010, pp. 72–74.
  187. a b c Fletcher 2008, pp. 205–206.
  188. a b Roller 2010, p. 74.
  189. a b Burstein 2004, pp. xxi, 21.
  190. Fletcher 2008, pp. 207–213.
  191. Fletcher 2008, pp. 213–214.
  192. Roller 2010, pp. 74–75.
  193. Burstein 2004, pp. xxi, 22.
  194. Roller 2010, pp. 77–79, Figure 6.
  195. a b c d e f Roller 2010, p. 75.
  196. Burstein 2004, pp. xxi, 21–22.
  197. a b Burstein 2004, p. 22.
  198. Burstein 2004, pp. 22–23.
  199. Burstein 2004, pp. xxi, 22–23.
  200. Roller 2010, p. 76.
  201. Roller 2010, pp. 76–77.
  202. a b Burstein 2004, pp. xxi, 23.
  203. Roller 2010, p. 77.
  204. Roller 2010, pp. 77–79.
  205. a b Burstein 2004, p. 23.
  206. a b c Roller 2010, p. 79.
  207. Burstein 2004, pp. xxi, 24, 76.
  208. a b Burstein 2004, p. 24.
  209. Burstein 2004, pp. xxii, 24.
  210. Roller 2010, pp. 79–80.
  211. a b c d e Burstein 2004, p. 25.
  212. Roller 2010, pp. 77–79, 82.
  213. Bivar 1983, p. 58.
  214. Brosius 2006, p. 96.
  215. Roller 2010, pp. 81–82.
  216. a b Roller 2010, pp. 82–83.
  217. a b c d e f Bringmann 2007, p. 301.
  218. a b c Roller 2010, p. 83.
  219. Roller 2010, pp. 83–84.
  220. Burstein 2004, pp. xxii, 25.
  221. a b Roller 2010, p. 84.
  222. Burstein 2004, p. 73.
  223. Roller 2010, pp. 84–85.
  224. a b Roller 2010, p. 85.
  225. Roller 2010, pp. 85–86.
  226. Burstein 2004, pp. xxii, 25, 73.
  227. a b c Roller 2010, p. 86.
  228. a b Roller 2010, pp. 86–87.
  229. a b c Burstein 2004, p. 26.
  230. Fletcher 2008, placas de imagem entre as pp. 246–247.
  231. Ferroukhi 2001b, p. 242.
  232. a b c Roller 2003, p. 139.
  233. a b Roller 2010, p. 89.
  234. Roller 2010, pp. 89–90.
  235. a b Roller 2010, p. 90.
  236. a b c d e f Burstein 2004, pp. xxii, 25–26.
  237. Roller 2010, pp. 90–91.
  238. a b c d Burstein 2004, p. 77.
  239. Roller 2010, pp. 91–92.
  240. a b Roller 2010, p. 92.
  241. Roller 2010, pp. 92–93.
  242. Roller 2010, pp. 93–94.
  243. Roller 2010, pp. 94, 142.
  244. Roller 2010, p. 94.
  245. a b c Roller 2010, p. 95.
  246. Burstein 2004, pp. 26–27.
  247. a b Roller 2010, pp. 94–95.
  248. Roller 2010, pp. 95–96.
  249. a b Roller 2010, p. 96.
  250. a b c Roller 2010, p. 97.
  251. Burstein 2004, pp. xxii, 27.
  252. a b Burstein 2004, p. 27.
  253. Crawford 1974, pp. 102, 539.
  254. Newman 1990, pp. 50, 51 (note 29).
  255. a b Roller 2010, pp. 97–98.
  256. a b Burstein 2004, pp. 27–28.
  257. a b Roller 2010, p. 98.
  258. a b c d Roller 2010, p. 99.
  259. Burstein 2004, p. 28.
  260. Burstein 2004, pp. xxii, 28.
  261. Burstein 2004, pp. 28–29.
  262. a b c Roller 2010, pp. 133–134.
  263. a b c d e f Burstein 2004, p. 33.
  264. a b c Reece 2017, pp. 201–202.
  265. Roller 2010, pp. 99–100.
  266. Bringmann 2007, pp. 301–302.
  267. a b c Burstein 2004, pp. xxii, 29.
  268. a b Roller 2010, p. 100.
  269. a b c d e f g Burstein 2004, p. 29.
  270. Roller 2010, pp. 100–101.
  271. a b Roller 2010, pp. 129–130.
  272. Roller 2010, p. 130.
  273. Burstein 2004, pp. 65–66.
  274. Roller 2010, pp. 130–131.
  275. Roller 2010, p. 132.
  276. Roller 2010, p. 133.
  277. a b c d e f g h Roller 2010, p. 134.
  278. a b Bringmann 2007, p. 302.
  279. Bringmann 2007, pp. 302–303.
  280. a b c d e f g h Bringmann 2007, p. 303.
  281. Burstein 2004, pp. 29–30.
  282. a b c d e f g Roller 2010, p. 135.
  283. a b c d e Burstein 2004, p. 30.
  284. a b Roller 2010, p. 136.
  285. a b Burstein 2004, pp. xxii, 30.
  286. Jones 2006, p. 147.
  287. Roller 2010, pp. 136–137.
  288. Roller 2010, pp. 137, 139.
  289. a b c Bringmann 2007, pp. 303–304.
  290. a b Roller 2010, p. 137.
  291. Roller 2010, pp. 137–138.
  292. a b c Roller 2010, p. 138.
  293. a b c Roller 2010, p. 139.
  294. a b Roller 2010, pp. 139–140.
  295. a b c d e f Bringmann 2007, p. 304.
  296. a b Burstein 2004, pp. 30–31.
  297. a b c d Roller 2010, p. 140.
  298. Burstein 2004, pp. xxii–xxiii, 30–31.
  299. a b c d e f g Roller 2010, pp. 178–179.
  300. a b Elia 1956, pp. 3–7.
  301. Burstein 2004, pp. xxii–xxiii.
  302. a b c d e Roller 2010, p. 141.
  303. a b c d e f g h Burstein 2004, p. 31.
  304. a b Roller 2010, pp. 141–142.
  305. a b c d e Roller 2010, p. 142.
  306. a b c Roller 2010, p. 143.
  307. Roller 2010, pp. 142–143.
  308. Roller 2010, pp. 143–144.
  309. Roller 2010, p. 144.
  310. a b Burstein 2004, pp. xxiii, 31.
  311. Roller 2010, pp. 144–145.
  312. a b c d e f Roller 2010, p. 145.
  313. a b c Southern 2009, p. 153.
  314. Southern 2009, pp. 153–154.
  315. Southern 2009, p. 154.
  316. Jones 2006, p. 184.
  317. Southern 2009, pp. 154–155.
  318. Jones 2006, pp. 184–185.
  319. a b c Roller 2010, p. 146.
  320. Jones 2006, pp. 185–186.
  321. a b Southern 2009, p. 155.
  322. Roller 2010, pp. 146–147, 213, nota de rodapé 83.
  323. Gurval 2011, p. 61.
  324. a b c d Roller 2010, p. 147.
  325. Roller 2010, pp. 147–148.
  326. Burstein 2004, pp. xxiii, 31–32.
  327. Jones 2006, p. 194.
  328. a b Burstein 2004, p. 65.
  329. a b Jones 2006, pp. 194–195.
  330. a b Roller 2010, pp. 148–149.
  331. a b Anderson 2003, p. 56.
  332. Roller 2010, p. 148.
  333. a b Burstein 2004, pp. 31–32.
  334. a b Roller 2010, p. 149.
  335. Burstein 2004, p. 32.
  336. Roller 2010, pp. 149–150.
  337. Burstein 2004, pp. xxiii, 32.
  338. Skeat 1953, pp. 99–100.
  339. Roller 2010, p. 150.
  340. Roller 2010, pp. 150–151.
  341. Jones 2006, pp. 197–198.
  342. Burstein 2004, pp. xxiii, 1.
  343. Grant 1972, pp. 5–6.
  344. Bringmann 2007, pp. 304–307.
  345. Grant 1972, pp. 6–7.
  346. Burstein 2004, p. 34.
  347. Chauveau 2000, pp. 69–71.
  348. Roller 2010, pp. 104, 110–113.
  349. Fletcher 2008, pp. 216–217.
  350. Burstein 2004, pp. 33–34.
  351. Roller 2010, pp. 103–104.
  352. Burstein 2004, pp. 39–41.
  353. Chauveau 2000, pp. 78–80.
  354. Roller 2010, pp. 104–105.
  355. Burstein 2004, pp. 37–38.
  356. Roller 2010, pp. 106–107.
  357. a b Ferroukhi 2001a, p. 219.
  358. a b c Kleiner 2005, pp. 155–156.
  359. Roller 2003, pp. 141–142.
  360. Walker 2001, pp. 312–313.
  361. a b c Roller 2010, p. 153.
  362. a b Burstein 2004, pp. 32, 76–77.
  363. a b Roller 2010, pp. 153–154.
  364. Roller 2010, pp. 154–155.
  365. a b Roller 2010, p. 155.
  366. Burstein 2004, pp. 32, 77.
  367. Burstein 2004, pp. xxiii, 32, 77.
  368. Roller 2010, pp. 155–156.
  369. Burstein 2004, pp. xxiii, 32, 77–78.
  370. Roller 2010, p. 156.
  371. Burstein 2004, pp. 32, 69, 77–78.
  372. a b Roller 2010, p. 151.
  373. a b c d Anderson 2003, p. 36.
  374. a b Roller 2010, p. 7.
  375. a b Roller 2010, pp. 7–8.
  376. Burstein 2004, pp. 67, 93.
  377. a b Jones 2006, p. 32.
  378. Roller 2010, pp. 7–8, 44.
  379. a b c Roller 2010, p. 8.
  380. a b Gurval 2011, pp. 57–58.
  381. a b Lippold 1936, pp. 169–171.
  382. a b Curtius 1933, pp. 184 ff. Abb. 3 Taf. 25–27..
  383. a b c d e f Roller 2010, pp. 8–9.
  384. Burstein 2004, p. 93.
  385. Jones 2006, pp. 60–62.
  386. a b Burstein 2004, p. 67.
  387. Gurval 2011, pp. 66–70.
  388. Gurval 2011, pp. 65–66.
  389. a b Anderson 2003, p. 54.
  390. a b Burstein 2004, p. 68.
  391. Chauveau 2000, pp. 2–3.
  392. a b Roller 2010, pp. 1–2.
  393. Roller 2010, p. 2.
  394. Burstein 2004, p. 63.
  395. Roller 2010, p. 3.
  396. Anderson 2003, pp. 37–38.
  397. a b c Ashton 2008, pp. 83–85.
  398. a b c Pina Polo 2013, pp. 186, 194, nota de rodapé 10.
  399. a b Roller 2010, p. 176.
  400. Fletcher 2008, pp. 195–196.
  401. Roller 2010, pp. 72, 151, 175.
  402. a b Varner 2004, p. 20.
  403. a b c Grout 2017a.
  404. a b c d e f g h i j Roller 2010, p. 175.
  405. a b Higgs 2001, pp. 208–209.
  406. Ashton 2008, p. 83.
  407. a b Fletcher 2008, p. 205.
  408. Meadows & Ashton 2001, p. 178.
  409. Roller 2010, pp. 182–186.
  410. Roller 2010, p. 107.
  411. Jones 2006, pp. 31, 34.
  412. a b Kleiner 2005, p. 144.
  413. a b Fletcher 2008, p. 104.
  414. Roller 2010, pp. 18, 182.
  415. Roller 2010, p. 185.
  416. a b Roller 2010, p. 182.
  417. a b c d e f Walker & Higgs 2017.
  418. a b Fletcher 2008, p. 195.
  419. Fletcher 2008, p. 87.
  420. a b c d Roller 2010, pp. 174–175.
  421. a b Pina Polo 2013, pp. 185–186.
  422. a b c d Fletcher 2008, pp. 198–199.
  423. Kleiner 2005, pp. 151–153, 155.
  424. Pina Polo 2013, pp. 184–186.
  425. Preston 2009, p. 305.
  426. Fletcher 2008, pp. 199–200.
  427. Ashton 2001a, p. 217.
  428. Roller 2010, pp. 175–176.
  429. a b c Walker 2008, pp. 35, 42–44.
  430. Walker 2008, pp. 35, 44.
  431. a b c Walker 2008, p. 40.
  432. Walker 2008, pp. 43–44.
  433. a b c d Pratt & Fizel 1949, pp. 14–15.
  434. Plutarco 1920, p. 9.
  435. a b Sartain 1885, pp. 41, 44.
  436. Roller 2010, pp. 148, 178–179.
  437. a b Pratt & Fizel 1949, p. 14.
  438. Pratt & Fizel 1949, p. 15.
  439. Fletcher 2008, placas de imagem e legendas entre pp. 246–247.
  440. a b c d Roller 2010, p. 178.
  441. Walker 2004, pp. 41–59.
  442. a b Caygill 2009, p. 146.
  443. a b Ashton 2002, p. 39.
  444. Ashton 2002, p. 36.
  445. a b Kleiner 2005, p. 87.
  446. Roller 2010, pp. 113–114, 176–177.
  447. Roller 2010, pp. 113–114.
  448. Pina Polo 2013, p. 194, nota de rodapé 11.
  449. Goldsworthy 2010, p. 8.
  450. Anderson 2003, pp. 11–36.
  451. Roller 2010, pp. 6–7.
  452. Roller 2010, pp. 6–9.
  453. a b Gurval 2011, pp. 73–74.
  454. Anderson 2003, pp. 51–54.
  455. Anderson 2003, pp. 54–55.
  456. Preston 2009, p. 25.
  457. Jones 2006, pp. 271–274.
  458. Anderson 2003, p. 60.
  459. Anderson 2003, pp. 51, 60–62.
  460. Rowland 2011, p. 232.
  461. Rowland 2011, pp. 232–233.
  462. Woodstra, Brennan & Schrott 2005, p. 548.
  463. a b Wyke & Montserrat 2011, pp. 173–174.
  464. Pucci 2011, p. 201.
  465. Wyke & Montserrat 2011, pp. 173–177.
  466. Wyke & Montserrat 2011, p. 173.
  467. DeMaria Smith 2011, p. 161.
  468. Jones 2006, pp. 260–263.
  469. Pucci 2011, pp. 198, 201.
  470. Hsia 2004, p. 227.
  471. Jones 2006, p. 325.
  472. Wyke & Montserrat 2011, pp. 172–173, 178.
  473. Wyke & Montserrat 2011, pp. 178–180.
  474. Wyke & Montserrat 2011, pp. 181–183.
  475. Wyke & Montserrat 2011, pp. 172–173.
  476. Pucci 2011, p. 195.
  477. a b Roller 2010, pp. 50–51.
  478. Fletcher 2008, pp. 81–82.
  479. Rowland 2011, pp. 141–142.
  480. Jones 2006, pp. xiii, 3, 279.
  481. Southern 2009, p. 43.
  482. Fletcher 2008, pp. 1, 23.
  483. Burstein 2004, pp. 3, 34, 36, 51.
  484. Fletcher 2008, pp. 23, 37–42.
  485. Roller 2010, pp. 15–16, 164–166.
  486. a b Jones 2006, p. xiii.
  487. Dodson & Hilton 2004, p. 273.
  488. a b Dodson & Hilton 2004, pp. 268–269, 273.
  489. Burstein 2004, pp. 11, 75.
  490. a b Grant 1972, p. 5.
  491. Fletcher 2008, pp. 56, 73.
  492. Burstein 2004, pp. 69–70.
  493. Schiff 2011, pp. 2, 42.
  494. Roller 2010, pp. 15, 18, 166.
  495. Bradford 2000, p. 17.
  496. a b Roller 2010, p. 165.
  497. Burstein 2004, pp. 11, 69.
  498. Whitehorne 1994, p. 182.

Bibliografia

Virtual

Impresso

  • Brosius, Maria (2006). The Persians: An Introduction. Londres & Nova Iorque: Routledge. ISBN 9780415320894 
  • Caygill, Marjorie (2009). Treasures of the British Museum. Londres: British Museum Press (Trustees of the British Museum). ISBN 9780714150628 
  • Crawford, Michael (1974). The Roman Republican Coinage. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 9780521074926 
  • Curtius, Ludwig (1933). «Ikonographische Beitrage zum Portrar der romischen Republik und der Julisch-Claudischen Familie». RM. 48: 182–243. OCLC 633408511 
  • Dudley, Donald (1960). The Civilization of Rome. Nova Iorque: New American Library. ISBN 9781258450540 
  • Elia, Olga (1956) [1955]. «La tradizione della morte di Cleopatra nella pittura pompeiana». Rendiconti dell'Accademia di Archeologia, Lettere e Belle Arti. 30: 3–7. OCLC 848857115 
  • Hölbl, Günther (2001) [1994]. A History of the Ptolemaic Empire. Traduzido por Tina Saavedra. Londres: Routledge. ISBN 9780415201452 
  • Jeffreys, David (1999). «Memphis». In: Bard, Kathryn A. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. Londres: Routledge. p. 488–490. ISBN 9780415185899 
  • Kennedy, David L. (1996). «Parthia and Rome: eastern perspectives». In: Kennedy, David L.; Braund, David. The Roman Army in the East. Ann Arbor: Cushing Malloy Inc., Journal of Roman Archaeology: Supplementary Series Number Eighteen. p. 67–90. ISBN 9781887829182 
  • Newman, Robert (1990). «A Dialogue of Power in the Coinage of Antony and Octavian (44-30 B.C.)». American Journal of Numismatics. 2: 37–63. JSTOR 43580166 
  • Royster, Francesca T. (2003). Becoming Cleopatra: The Shifting Image of an Icon. Nova Iorque: Palgrave MacMillan. ISBN 9781403961099 

Leitura adicional

  • Bradford, Ernle Dusgate Selby (2000). Cleopatra. [S.l.]: Penguin Group. ISBN 9780141390147 
  • Chauveau, Michel (2004). Cleopatra: Beyond the Myth. [S.l.]: Cornell University Press. ISBN 9780801489532 
  • Foss, Michael (1999). The Search for Cleopatra. [S.l.]: Arcade Publishing. ISBN 9781559705035 
  • Fraser, P.M. (1985). Ptolemaic Alexandria. 1–3. Oxford: Oxford University Press. ISBN 9780198142782 
  • Lindsay, Jack (1972). Cleopatra. Nova Iorque: Coward-McCann. OCLC 671705946 
  • Pomeroy, Sarah B. (1984). Women in Hellenistic Egypt: from Alexander to Cleopatra. Nova Iorque: Schocken Books. ISBN 9780805239119 
  • Samson, Julia (1990). Nefertiti & Cleopatra. [S.l.]: Stacey International. ISBN 9780948695186 
  • Volkmann, Hans (1958). Cleopatra: a Study in Politics and Propaganda. T.J. Cadoux, trad. Nova Iorque: Sagamore Press. OCLC 899077769 

Ligações externas

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Cleópatra
Precedida por:
Ptolemeu XII
Rainha do Egito ptolemaico
com:
Ptolemeu XII, Ptolomeu XIII,
Ptolemeu XIV e Ptolemeu XV
Sucedida por:
Interventor romano, pois o Egito tornou-se uma província romana