Claudette Colbert

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Claudette Colbert
Colbert em 1932
Nome completo Émilie Claudette Chauchoin
Outros nomes Lily Claudette Chauchoin
Nascimento 13 de setembro de 1903
Saint-Mandé, Ilha de França, França
Morte 30 de julho de 1996 (92 anos)
Speightstown, Saint Peter, Barbados
Nacionalidade francesa
estadunidense
Parentesco Hal LeSueur (irmão)
Cônjuge
  • Norman Foster
    (c. 1928; div. 1935)
  • Dr. Joel Pressman
    (c. 1935; morte dele 1965)
Filho(a)(s) 1
Educação Art Students League of New York
Ocupação atriz
Período de atividade 1925–1987
Prêmios Lista de prêmios
Filiação Partido Republicano

Claudette Colbert ( /klˈbɛər//kohl-BAIR/);[1] (nascida Émilie Claudette Chauchoin; Saint-Mandé, 13 de setembro de 1903 — Speightstown, 30 de julho de 1996) foi uma atriz francoestadunidense, mais conhecida por sua atuação em "Aconteceu Naquela Noite".

Nascida em Saint-Mandé, na França, mas criada em Nova Iorque, Claudette começou sua carreira na Broadway em produções dos anos 20, indo para o cinema com o advento do "cinema falado". Estabeleceu uma bem-sucedida carreira com a Paramount Pictures, tornando-se uma das mais bem pagas artistas do cinema na época. Colbert foi reconhecida como um dos principais expoentes femininos da chamada "screwball comedy" ("comédia excêntrica"). Ganhou o Oscar de Melhor Atriz por seu desempenho em "Aconteceu Naquela Noite", de 1934, e também recebeu indicações por papéis dramáticos em "Mundos Íntimos", de 1935, e "Desde Que Partiste", de 1944. Outros trabalhos notáveis de sua carreira incluem "Cleópatra", também de 1934, e "Mulher de Verdade", de 1942.

Com seu rosto redondo, olhos grandes, jeito charmoso, aristocrático e talento[2] para a comédia leve e o drama emocional, a versatilidade de Colbert levou-a a se tornar uma das estrelas mais bem pagas da década de 1930 e 1940[3] e, em 1938 e 1942, a mais bem paga.[1] Ela estrelou mais de 60 filmes. A grande maioria de suas cenas mostrava o lado esquerdo de seu rosto, já que Colbert tinha aversão de ser fotografada de seu lado facial direito. Entre suas frequentes co-estrelas estavam Fred MacMurray, em sete filmes (1935–1949), e Fredric March, em quatro filmes (1930–1933).

No início da década de 1950, Colbert passou da tela para a televisão e trabalho no palco, e ganhou uma indicação ao Tony Award por "Eu, Ela e o Problema", em 1959. Sua carreira começou a declinar no início dos anos 1960, mas no final dos anos 1970, ressurgiu no teatro, recebendo um Sarah Siddons Award por seu trabalho, em Chicago, no ano de 1980. Por seu papel em "The Two Mrs. Grenvilles" ("O Crime do Século"), de 1987, ela ganhou um Globo de Ouro e um indicação ao Emmy.

Claudette se aposentou após uma carreira de mais de 60 anos, indo morar em Barbados. Viera a falecer aos 92 anos após uma série de acidentes vasculares cerebrais. Encontra-se sepultada no cemitério da Igreja de Godings Bay, Speightstown, Saint Peter, em Barbados.[4]

Em 1999, o Instituto Americano de Cinema nomeou Colbert como uma das doze melhores estrelas femininas do cinema clássico de Hollywood. Claudette possui uma estrela na Calçada da Fama.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Émilie Claudette Chauchoin (pronunciado "show-shwan")[5][6] nasceu em Saint-Mandé, na França,[7] filha de Jeanne Marie Chauchoin (nascida Loew) e Georges Claude Chauchoin.[1]

Embora batizada de "Émilie", ela costumava ser chamada de "Lily" em homenagem à atriz Lillie Langtry,[8] e porque uma tia solteira de mesmo nome — filha adotiva de sua avó materna, Marie Augustine Loew — estava morando com a família. Após alguns problemas financeiros, sua família emigrou para Nova Iorque em 1906.[9]

A família morava em um prédio, no quinto andar sem elevador, na 53rd Street, em Manhattan. Colbert afirmou que subir as escadas todos os dias, até 1922, foi o que deixou suas pernas bonitas.[10] Seus pais mudaram formalmente seu nome legal para Lily Claudette Chauchoin.[2] Georges Chauchoin trabalhou como um oficial em Primeiro Banco Nacional da Cidade,[8] e a família foi naturalizada em 1912. Antes de Colbert entrar na escola pública, ela rapidamente aprendeu inglês com sua avó Marie,[11] e cresceu bilíngue, falando inglês e francês.[3][12]

Durante o ensino médio, 1920

Depois de se naturalizar estadunidense,[13] estudou na Washington Irving High School, onde sua professora, Alice Rossetter, a incentivou a ir à uma audição para uma peça que havia escrito. Colbert fez sua estreia no palco em Provincetown Playhouse, na peça "The Widow's Veil", quando tinha 15 anos.[2] Seus interesses, no entanto, ainda se inclinavam para pintura, design de moda e arte comercial.[10]

Com a intenção de se tornar designer de moda, ela frequentou a Art Students League of New York, onde pagou sua educação artística trabalhando em uma loja de roupas, como balconista, e também como babá, para pagar suas despesas. Depois de participar de uma festa com a escritora Anne Morrison, Colbert recebeu um pequeno papel na peça de Morrison[14] e apareceu nos palcos da Broadway, num pequeno papel, em "The Wild Westcotts" (1923). Ela usava o nome Claudette, em vez de Lily, desde o colegial; para seu nome artístico, ela acrescentou o nome de solteira de sua avó materna, Colbert.[15] Inspirada a prosseguir com o teatro, Colbert terminou os estudos e embarcou na carreira em 1925. Seu pai, Georges, morreu no mesmo ano, e sua avó, Marie Loew, morreu em Nova York em 1930.[8]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Primeiros papéis no teatro, 1924-1927[editar | editar código-fonte]

Em 1924, o produtor Albert H. Woods, impressionado com a capacidade de Colbert de falar com sotaques americano e britânico, a colocou em "The Fake", de Frederick Lonsdale, mas foi substituída por Frieda Inescort antes da peça estrear.[16] Depois de assinar um contrato de cinco anos com Woods, Colbert desempenhou papéis ingênuos na Broadway de 1925 a 1929. Durante esse período, ela não gostava de ser escalada como uma empregada francesa.[17] Colbert disse mais tarde: "No início, eles queriam me dar papéis em francês … É por isso que eu costumava dizer meu nome 'Col-bert' exatamente como é soletrado, em vez de 'Col-baire'. Eu não queria ser rotulada como 'aquela garota francesa.'"[18] Em 1925, ela estava tendo sucesso na comédia "A Kiss in a Taxi" ("Um Beijo no Táxi"), que teve 103 apresentações em um período de dois meses.[19] Ela recebeu aclamação da crítica como uma encantadora de serpentes carnavalesca na produção da Broadway "The Barker" ("Sangue de Boêmio"), de 1927, e reprisou o papel numa pequena turnê em West End, Londres.[20] Ela foi notada pelo produtor teatral Leland Hayward, que a sugeriu para o papel no filme "For the Love of Mike" ("O Filho da Fortuna"), de 1927. Agora conhecido como perdido,[21] o filme, único de Colbert no cinema mudo, não se saiu bem nas bilheterias.[1][22]

Estrelato no cinema, 1928–1934[editar | editar código-fonte]

Colbert na produção da Broadway "La Gringa", 1928

Em 1928, Colbert assinou um contrato com a Paramount Pictures.[2] Existia uma demanda por atores dos palcos que pudessem lidar com os novos diálogos falados, e a elegância e a voz musical de Colbert estavam entre seus melhores recursos.[1] Sua beleza chamou a atenção em "The Hole in the Wall" ("Grilhão Eterno"), de 1929, mas no começo ela não gostava de atuar no filme.[14] Seus primeiros filmes foram produzidos em Nova Iorque. Durante as filmagens de "The Lady Lies" (1929), ela também estava aparecendo todas as noites na peça "See Naples and Die", seu último trabalho no teatro na década de 20. "The Lady Lies" foi um sucesso de bilheteria.[1] Em 1930, ela estrelou "Um Romance em Veneza", ao lado de Maurice Chevalier, que foi filmado em inglês e francês. Co-estrelou "Manslaughter" ("Homicida"), também de 1930, com Fredric March, recebendo aclamação da crítica[23] por sua atuação como mulher acusada de homicídio veicular.[24] Atuou com March novamente em "Honor Among Lovers" ("Honra de Amantes"), em 1931. Ela também estrelou "Mysterious Mr. Parkes" (1931), uma versão de língua francesa de "Slightly Scarlet" para o mercado europeu, embora tenha sido exibido nos Estados Unidos. Colbert cantou e tocou piano em "O Tenente Sedutor", musical de Ernst Lubitsch, também de 1931, que foi indicado ao Oscar de melhor filme. A capacidade de Colbert de "segurar seu homem" (novamente Maurice Chevalier) superou a "rainha" Miriam Hopkins, de acordo com David Shipman.[12] Colbert concluiu o ano com aparição no modesto sucesso "His Woman" ("Sua Esposa Perante Deus"), com Gary Cooper.[22]

Colbert em "Tonight Is Ours" (1933).

A carreira de Colbert ganhou mais impulso quando Cecil B. DeMille a escalou como a femme fatale Popeia no épico histórico "O Sinal da Cruz" (1932), ao lado de Fredric March e Charles Laughton. Em uma das cenas mais lembradas de sua carreira cinematográfica, ela se banha nua em uma piscina de mármore cheia de leite de burra.[25][26] O filme foi um dos maiores hits de bilheteria.[22]

Em 1933, Colbert renegociou seu contrato com a Paramount para permitir que ela aparecesse em filmes para outros estúdios. Sua voz musical, um contralto que as notas de rodapé foram treinadas por Bing Crosby, também foi destaque em "Torch Singer" (1933),[27] co-estrelando Ricardo Cortez e David Manners. Na época, foi classificada como a 13ª estrela de bilheteria do ano.[28][29] Em 1933, apareceu em 21 filmes, com média de quatro por ano. Muitos de seus primeiros filmes foram sucessos comerciais,[1] e sua performance muito admirada.[3] Seus principais papéis eram considerados completos e diversificados, destacando sua versatilidade.[17]

Colbert em uma das cenas mais controversas de sua carreira, ao mostrar as pernas para arranjar uma carona."Aconteceu Naquela Noite" (1934).

Colbert estava inicialmente relutante em aparecer no comédia romântica excêntrica "Aconteceu Naquela Noite" (1934). O estúdio concordou em pagar a ela US$ 50.000 pelo papel, e as filmagens seriam feitas em até quatro semanas para que ela pudesse tirar férias planejadas.[30] Ela ganhou o Oscar de melhor atriz pelo filme.[31]

Screen capture of Colbert
Colbert caracterizada como Cleópatra no filme de mesmo nome (1934).

Em "Cleópatra" (1934), Colbert desempenhou o papel-título ao lado de Warren William e Henry Wilcoxon. Foi o filme de maior bilheteria daquele ano, nos Estados Unidos.[1][22] Depois disso, Colbert não quis mais retratar personagens abertamente sexuais, e mais tarde recusou tais papéis.[32] "Imitação da Vida" (1934), quando foi emprestada para atuar na Universal, foi outro sucesso de bilheteria.[12][22][33] Esses três filmes foram nomeados ao Oscar de melhor fotografia no ano seguinte. Colbert é a única atriz até hoje a estar em três filmes nomeados para "Melhor Filme" no mesmo ano.

Carreira pós-Oscar, 1935–1944[editar | editar código-fonte]

O perfil crescente de Colbert novamente permitiu que ela renegociasse seu contrato, o que levantou seu salário. Em 1935 e 1936, ela foi listada em sexto e oitavo lugar no "Top-Ten Money-Making Stars Poll" ("As Dez Estrelas Que Mais Faturam"), no Quigley anual.[34] Ela recebeu uma outra indicação ao Oscar de melhor atriz com o seu papel no drama "Mundos Íntimos" (1935).[35]

Em 1936, Colbert assinou um novo contrato com a Paramount, tornando-a a atriz mais bem paga de Hollywood.[36] Quando o estúdio renovou seu contrato em 1938, ela foi novamente considerada a atriz mais bem paga de Hollywood, com um salário de US$ 426.924.[37] No auge de sua popularidade, no final da década de 1930, ela ganhou US$ 150.000 por filme.[38] Em 1937 e 1938, ela foi, respectivamente, listada como a 14ª e a sexta mulher mais lucrativa nos EUA.[2]

Colbert passou o resto da década de 1930 habilmente alternando entre comédias românticas e dramas: "She Married Her Boss" (1935), com Melvyn Douglas; "O Lírio Dourado" e "The Bride Comes Home", ambos de 1935 e com Fred MacMurray; "Under Two Flags" (1936), com Ronald Colman; "Zaza" (1939), com Herbert Marshall; "Meia-Noite" (1939), com Don Ameche; e "It's a Wonderful World" (1939), com James Stewart.

Colbert jogando tênis, no início dos anos 40.

Colbert tinha 1.65 cm. A colunista Hedda Hopper escreveu que Colbert colocou sua carreira "à frente de tudo, exceto possivelmente seu casamento", e que ela tinha um forte senso do que era melhor para ela e um "desejo profundo de estar em forma, eficiente e sob controle".[39] O biógrafo A. Scott Berg escreveu que Colbert "ajudou a definir a feminilidade para sua geração com sua maneira chique".[40] Colbert disse uma vez: "Eu sei o que é melhor para mim - afinal, estou no negócio de Claudette Colbert há mais tempo do que qualquer um".[41][42]

Colbert era muito particular sobre como ela aparecia na tela e acreditava que seu rosto era difícil de iluminar e fotografar. Ela insistia em ter o lado direito do rosto longe da câmera por causa de uma pequena protuberância causada por um nariz quebrado quando criança.[43] Isso às vezes exigia que os sets de filmagem fossem redesenhados.[14] Durante as filmagens de "Tovarich" ("Nobres Sem Fortuna"), de 1937, o diretor Anatole Litvak dispensou um de seus cinegrafistas favoritos. Depois de ver os arquivos já filmados pelo cinegrafista substituto, Colbert se recusou a continuar o filme. Ela insistiu em contratar seu próprio cinegrafista e se ofereceu para renunciar ao seu salário se o filme ultrapassasse o orçamento como resultado.[36] Gary Cooper estava apavorado com a perspectiva de trabalhar com Colbert em sua primeira comédia, "A Oitava Esposa de Barba Azul" (1938), considerando que Colbert já era uma especialista no gênero.[44]

Colbert aprendeu sobre iluminação e cinematografia e recusou-se a começar a filmar até que estivesse convencida de que seria mostrada para sua melhor vantagem.[45] "Ao Rufar dos Tambores" (1939), com Henry Fonda, foi seu primeiro filme colorido e uma das 20 maiores bilheterias do ano. However, No entanto, ela desconfiava do processo relativamente novo technicolor, e temia não ser bem fotografada, preferindo depois ser filmada em preto e branco.[46]

Durante este tempo, ela começou a se apresentar no popular programa de rádio da CBS Lux Radio Theatre e foi ouvida em 22 episódios entre 1935 e 1954.[47] Ela também participou de 13 episódios da rádio The Screen Guild Theater, entre 1939 e 1952.[48]

Em 1940, Colbert recusou um contrato de sete anos com a Paramount que lhe pagaria US$ 200.000 por ano, depois de saber que ela poderia ganhar US$ 150.000 por filme como uma artista freelance. Com seu empresário, Colbert garantiu papéis em filmes de prestígio, e esse período marcou o auge de sua capacidade de faturamento.[36] "Fruto Proibido", lançado em agosto de 1940, foi o filme de maior bilheteria daquele ano nos Estados Unidos. No entanto, Colbert disse uma vez que "Levanta-te, Meu Amor" (1940) era seu favorito de todos os seus filmes.[49][50] O filme ganhou o Oscar de melhor história.

Durante as filmagens de "Legião Branca" (1943), ocorreu uma rixa entre Colbert e a co-estrela Paulette Goddard, que preferia outra co-estrela, Veronica Lake, em vez de Colbert. Goddard disse que Colbert "se transformou", e que Claudette "estava sob a mira de meus olhos a todo momento", fazendo com que as duas continuassem sua rivalidade durante as filmagens.[39] Isso era incomum para Colbert, que costumava ser também conhecida por manter altos padrões de profissionalismo.[41][3]

Impressionado com o papel de Colbert em "Legião Branca", David O. Selznick aproximou-se dela para interpretar o papel principal em "Since You Went Away", de 1944. Ela estava inicialmente relutante em aparecer como mãe de filhos adolescentes, mas Selznick acabou por conquistá-la.[51] Lançado em junho de 1944, o filme arrecadou quase US$ 5 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e foi o terceiro filme de maior bilheteria do ano. O crítico James Agee elogiou aspectos do filme, mas particularmente o trabalho de Colbert.[52] Como resultado do filme, ela recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz.[53]

Carreira pós-guerra, 1945-1965[editar | editar código-fonte]

Colbert na capa de Screenland antes do lançamento de "Esposa de Dois Maridos" (1945).

Em 1945, Colbert encerrou sua associação com a Paramount e continuou a trabalhar como freelancer em filmes, como em "Esposa de Dois Maridos" (1945), com Don Ameche. Ela estrelou também "Romance e Fantasia" da RKO Pictures, ao lado de John Wayne (1946), que arrecadou US$ 3 milhões nos EUA. Enquanto trabalhava no filme, o diretor Mervyn LeRoy descreveu Colbert como uma mulher "interessante" para se trabalhar, lembrando seu hábito de não observar para onde estava indo e constantemente esbarrar nas coisas.[54] Elogiada por seu senso de estilo e moda, Colbert garantiu ao longo de sua carreira que ela estivesse impecavelmente arrumada e bem-vestida. Para o melodrama "Tomorrow is Forever" ("O Amanhã é Eterno"), Jean Louis foi contratado para criar 18 mudanças de guarda-roupa para ela.[55] "Tomorrow is Forever" e "The Secret Heart" ("Emoção Secreta"), ambos de 1946, também foram sucessos comerciais substanciais,[22] e a popularidade de Colbert durante 1947 a fez entrar, mais uma vez, no "Top-Ten Money-Making Stars Poll" ("As Dez Estrelas Que Mais Faturam"), no Quigley anual, em nono lugar.[34]

Ela alcançou grande sucesso ao lado de Fred MacMurray na comédia "O Ovo e Eu" (1947), que foi a segunda maior bilheteria daquele ano, e posteriormente reconhecido como o 12º filme americano mais lucrativo da década de 1940.[56] O filme de suspense "Sleep, My Love" ("Sonha, Meu Amor"), de 1948, com Robert Cummings foi um sucesso comercial modesto. Em 1949, ela ainda era classificada como a 22ª maior estrela de bilheteria.[57]

A comédia romântica "Bride For Sale" ("Do Amor, Só o Dinheiro"), de 1949, na qual Colbert fazia parte de um triângulo amoroso com George Brent e Robert Young, foi bem avaliado.[58] Seu desempenho no filme de pós-guerra "Three Came Home" ("Feras Que Foram Homens"), de 1950, foi também elogiado pelos críticos.[1] No entanto, o melodrama de mistério "The Secret Fury" ("Cada Vida, Seu Destino"), de 1950, distribuído pela RKO Studios, recebido comentários mistos.[58] Durante esse período, Colbert não pôde trabalhar além das 17h todos os dias devido a ordens de seu médico.[59] Mesmo com Colbert ainda parecendo uma moça jovem,[10] ela achou difícil a transição para interpretar personagens mais maduros quando entrou na meia-idade.[39] Ela disse: "Sou uma comediante muito boa, mas também sempre lutei contra essa imagem".[38]

Em 1949, Colbert foi selecionada para interpretar Margo Channing em "A Malvada" (1950), já que o produtor Joseph L. Mankiewicz sentiu que ela representava melhor o estilo que ele imaginou para o papel. No entanto, Colbert feriu severamente as costas, forçando-a a abandonar a produção pouco antes das filmagens começarem. Bette Davis foi escalada, em vez disso, e recebeu uma indicação ao Oscar pelo filme. Mais tarde na vida, Colbert disse: "Eu apenas nunca tive a sorte de interpretar vadias."[38]

Patric Knowles e Colbert em "Three Came Home", 1950.

No início da década de 50, Colbert viajou para a Europa para propósitos fiscais[10] e participou de menos filmes. "The Planter's Wife" ("Nas Selvas da Malaia"), de 1952, foi um sucesso no mercado britânico.[60] Ela interpretou um papel secundário em "Se Versalhes Falasse..." (1954), seu único filme com um diretor francês (Sacha Guitry).[61] Foi examinado pelos Estados Unidos em 1957.[62]

Em 1954, Colbert recusou um acordo de transmissão de um milhão de dólares com a NBC,[10] mas fez um acordo com a CBS para estrelar em vários shows. Depois de uma aparição de sucesso em uma versão televisiva de "The Royal Family" (uma paródia da família Barrymore na série "The Best of Broadway"),[2] ela assumiu mais trabalhos na televisão. Ela estrelou em adaptações fílmicas de "Uma Mulher do Outro Mundo" em 1956 e "Os Sinos de Santa Maria" em 1959. Fez participações especiais em "Robert Montgomery Presents" e "Playhouse 90".

Em 1956, Colbert apresentou a 28ª Cerimônia do Oscar.

Em 1957, foi escalada para interpretar Lucy Bradford, esposa do professor Jim Bradford (Jeff Morrow), no episódio "Blood in the Dust", da série "Dick Powell's Zane Grey Theatre", transmitida pela CBS. Na história, Jim se recusa a recuar quando um atirador ordena que ele deixe a cidade, deixando Lucy angustiada, já que Jim não dispara uma arma desde que estava na Guerra Civil.[63]

No episódio de 1960, "So Young the Savage Land", do mesmo programa, ela interpretou Beth Brayden, que fica desiludida com seu marido fazendeiro Jim (John Dehner) quando ele se volta para a violência para proteger sua propriedade.[64]

Em 1958, ela voltou para a Broadway em "Eu, Ela e o Problema", pelo qual foi indicada ao Tony de melhor atriz.

Colbert durante uma produção de TV em 1959.

Ela fez um breve retorno às telas ao lado de Troy Donahue em "Parrish" ("No Vale das Grandes Batalhas"), de 1961. Foi sua última aparição nos telões, e ela desempenhou o papel coadjuvante de uma mãe. O filme foi um sucesso comercial,[65] mas Colbert recebeu pouca atenção e orientou seu agente a encerrar quaisquer outras tentativas de gerar interesse nela como atriz de cinema.[66]

Carreira posterior, 1962–1987[editar | editar código-fonte]

Colbert fez aparições de sucesso na Broadway em "The Irregular Verb to Love" (1963); in "The Kingfisher" (1978), com a co-estrela Rex Harrison; e em "Aren't We All?" (1985), de Frederick Lonsdale, também com Harrison. Ela disse a um entrevistador: "O público sempre parece estar feliz em me ver, e eu estou muito feliz em vê-los".[1] 

Ela apareceu em um papel coadjuvante na minissérie de televisão "The Two Mrs. Grenvilles" (1987), que foi um sucesso de audiência, e pelo qual ela ganhou um Globo de Ouro e foi indicada para um Emmy Award. No final de sua vida, ela explicou por que nunca escreveu sua autobiografia: "Fui feliz, e isso não é história".[67]

Os críticos modernos apontaram que Colbert tinha um conjunto único - seu rosto redondo,[2] olhos grandes, cabelo enrolado,[1] corpo esbelto, voz elegante, maneiras aristocráticas, atuação relaxada, vivacidade irônica, estilo inteligente, timing cômico e charme sedutor feminino[68]–que a distingue de outras comediantes e divas da década de 1930.[41] Em suas comédias, ela invariavelmente interpretava mulheres astutas e autoconfiantes; ao contrário de muitos de seus contemporâneos, porém, ela raramente se envolveu em comédia física. Seus personagens eram mais propensos a serem observadores e comentaristas.[69]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Filmografia de Claudette Colbert

Premiações[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Pace, Eric (31 de julho de 1996). «Claudette Colbert, Unflappable Heroine of Screwball Comedies, Is Dead At 92». The New York Times. Consultado em 26 de outubro de 2018 
  2. a b c d e f g «Claudette Colbert profile». TCM. Consultado em 9 de fevereiro de 2013 
  3. a b c d «Claudette Colbert – Britannica Concise». Consultado em 23 de outubro de 2016 
  4. Claudette Colbert (em inglês) no Find a Grave
  5. «Larousse Encyclopedia: Claudette Colbert» (em francês). Larousse.fr. Arquivado do original em 24 de dezembro de 2008 
  6. «Claudette Colbert» (em francês). Cineartistes.com 
  7. «COLBERT, Claudette. British Film Institute. BFI.org.uk.» (em inglês). Ftvdb.bfi.org.uk 
  8. a b c Dick, Bernard F. (2008). «CHAPTER 1. Lily of Saint-Mandé». Claudette Colbert: She Walked in Beauty. University Press of Mississippi. [S.l.: s.n.] 
  9. «Ellis Island History: Some Were Destined For Fame. Ellis Island National Park.» (em inglês). Americanparknetwork.com. Consultado em 19 de janeiro de 2008 
  10. a b c d e «A Perfect Star». Vanity Fair. Janeiro de 1998. Consultado em 13 de maio de 2018 
  11. «Hollywood Legend Claudette Colbert Dies». Los Angeles Times. 31 de julho de 1996 
  12. a b c Shipman, The Great Movie Stars, p. 114–15.
  13. «Famous Naturalized U.S. Citizens» (PDF). Internet Archive. Consultado em 30 de outubro de 2007 
  14. a b c Hal Erickson. «Claudette Colbert biography». All Movie Guide. Consultado em 16 de novembro de 2016 
  15. «Claudette Colbert, actress». The Beaver County Times. The Associated Press. 31 de julho de 1996 
  16. Dick, Bernard F. Claudette Colbert: She Walked in Beauty. p.24-25
  17. a b Jan Richardson. «CLAUDETTE COLBERT». The Movie Profiles & Premiums Newsletter – Immortal Ephemera. Consultado em 25 de março de 2013 
  18. Quirk, Lawrence J. Claudette Colbert: An Illustrated Biography. New York: Crown, 1985.
  19. «A Kiss in a Taxi». IBDB. Consultado em 16 de novembro de 2020 
  20. Basinger, Jeanine; Audrey E. Kupferberg. «Claudette Colbert — Films as actress». Consultado em 3 de dezembro de 2007 
  21. Classic Film Guide.
  22. a b c d e f «Claudette Colbert Movies». Ultimate Movie Rankings. 29 de janeiro de 2016. Consultado em 22 de outubro de 2016 
  23. Quirk, p. 64 citing The New York Times.
  24. Hal Erickson. «Manslaughter». All Movie Guide. Consultado em 11 de fevereiro de 2013 
  25. «Claudette Colbert (1903–1996)». Hollywood's Golden Age. Consultado em 24 de julho de 2012 
  26. Springer, John (1978). They Had Faces Then, Annabella to Zorina, the Superstars, Stars and Starlets of the 1930s. [S.l.: s.n.] p. 62. ISBN 0-8065-0657-1 
  27. Bradley, Edwin M. (18 de fevereiro de 2016). Unsung Hollywood Musicals of the Golden Era: 50 Overlooked Films and Their Stars, 1929–1939 (em inglês). [S.l.]: McFarland. ISBN 978-0-7864-9833-8 
  28. Schallert, Edwin. "STARS' BOX-OFFICE RATINGS FOR PAST SEASON GIVEN: Survey Shows Sophisticates Slipping Fast. Will Rogers Tops All; Shirley Temple and Crosby Shoot Up", Los Angeles Times, 9 de dezembro de 1934, p. A1.
  29. Motion Picture Herald, 1 de dezembro de 1934; acessado em 13 de outubro de 2016
  30. Hirschnor, Joel (1983). Rating the Movie Stars for Home Video, TV and Cable. [S.l.]: Publications International Limited. p. 87. ISBN 0-88176-152-4 
  31. «The 7th Academy Awards (1935) Nominees and Winners». Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS). Consultado em 27 de agosto de 2013 
  32. Chaneles, Sol (1974). The Movie Makers. [S.l.]: Octopus Books. p. 97. ISBN 0-7064-0387-8 
  33. «EARLY YEARS». University of Virginia. 2002. Consultado em 9 de outubro de 2016 
  34. a b «The 2006 Motion Picture Almanac, Top Ten Money-Making Stars». Quigley Publishing Company. Consultado em 18 de agosto de 2006. Arquivado do original em 14 de janeiro de 2013 
  35. «The 8th Academy Awards (1936) Nominees and Winners». Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS). Consultado em 27 de agosto de 2013 
  36. a b c Shipman, The Great Movie Stars, p. 117.
  37. The Movie Stars Story, An Illustrated Guide to 500 of the World's Most Famous Stars of the Cinema. [S.l.]: Octopus Books. 1984. p. 53. ISBN 0-7064-2092-6 
  38. a b c «Oscar-Winner Claudette Colbert dead at 92». Tributes.com. Consultado em 20 de fevereiro de 2012 
  39. a b c Shipman, David (1988). Movie Talk. [S.l.]: St. Martin's Press. 126 páginas. ISBN 0-312-03403-2 
  40. Berg, A. Scott (1989). Goldwyn. [S.l.]: Sphere Books. p. 190. ISBN 0-7474-0593-X 
  41. a b c Andre Soares (12 de agosto de 2011). «Claudette Colbert Q&A Pt.1: 'The Claudette Colbert Business'». Alt Film Guide. Consultado em 13 de maio de 2018 
  42. Legends of Hollywood: The Life Claudette Colbert. [S.l.]: CreateSpace. 4 de abril de 2014 
  43. Helen Dudar, "Claudette Colbert Revels in a Happy, Starry Past", The New York Times, 27 de outubro de 1991, p. A-1
  44. Niven, David (1976). Bring on the Empty Horses. [S.l.]: Putnam. p. 286. ISBN 0-399-11542-0 
  45. Kotsilibas-Davis and Loy, Myrna (1988). Being and Becoming. [S.l.]: Donald I. Fine Inc. p. 119. ISBN 1-55611-101-0 
  46. Finler, p. 24.
  47. «Audio Classics Archive Radio Logs: Lux Radio Theater». Consultado em 23 de novembro de 2007 
  48. «The Screen Guild Radio Programs». Radio Program Logs – The Digital Deli Online. Consultado em 15 de fevereiro de 2013. Arquivado do original em 11 de maio de 2011 
  49. «Claudette Colbert – Pure Panache – Biography». Consultado em 25 de novembro de 2007 
  50. «Claudette Colbert Biography (1903–1996)». Lenin Imports. Consultado em 25 de novembro de 2007. Arquivado do original em 10 de junho de 2013 
  51. Haver, pp. 338–340.
  52. Haver, p. 342.
  53. «The 17th Academy Awards (1945) Nominees and Winners». Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS). Consultado em 27 de agosto de 2013 
  54. Stephanie Thames. «Without Reservations (1946)». TCM. Consultado em 31 de janeiro de 2013 
  55. Jewell and Harbin, p. 209.
  56. Finler, p. 216.
  57. «Filmdom Ranks Its Money-Spinning Stars Best At Box-Office». The Sydney Morning Herald. National Library of Australia. 30 de março de 1950. p. 12. Consultado em 13 de outubro de 2016 
  58. a b Jewell and Harbin, p. 248.
  59. Anderson, Christopher (1997). An Affair to Remember, The Remarkable Love Story of Katharine Hepburn and Spencer Tracy. [S.l.]: William Morrow and Co. Inc. pp. 191–192. ISBN 0-688-15311-9 
  60. «Phillip to see 'Cruel Sea' premiere». The Argus 33,225 ed. Victoria, Australia. 27 de agosto de 1953. 16 páginas. Consultado em 5 de setembro de 2020 – via National Library of Australia 
  61. Soares, Andre (12 de janeiro de 2005). «Best Films – 1954». Alternative Film Guide 
  62. Bosley Crowther (9 de março de 1957). «Screen: 'Royal Affairs in Versailles'; French Import Aims at Palace Pageantry Guitry, the Director, Stars as Louis XIV The Cast». The New York Times 
  63. «Blood in the Dust on Dick Powell's Zane Grey Theatre». IMDb. Consultado em 6 de junho de 2021 
  64. «So Young the Savage Land on Dick Powell's Zane Grey Theatre». tv.com. Consultado em 6 de junho de 2021 
  65. "All-Time Top Grossers", Variety, 8 January 1964 p 69
  66. Shipman, The Great Movie Stars, p. 119.
  67. Sonneborn 2002, p. 43.
  68. James Robert Parish (1972). The Paramount Pretties. New Rochelle, NY: Arlington House. pp. 92 
  69. Di Battista, Maria (2001). Fast Talking Dames. [S.l.]: Yale University Press. p. 210. ISBN 0-300-09903-7 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Claudette Colbert