Fred Astaire

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Fred Astaire
Astaire em You'll Never Get Rich (1941)
Nome completo Frederick Austerlitz Jr.
Nascimento 10 de maio de 1899
Omaha; Nebraska
Morte 22 de junho de 1987 (88 anos)
Los Angeles; Califórnia
Nacionalidade norte-americano
Parentesco Adele Astaire (irmã)
Cônjuge Phyllis Livingston Potter
(c. 1933; m. 1954)
Robyn Smith
(c. 1980)
Filho(s) 2
Ocupação
Período de atividade 1915-1987
Carreira musical
Instrumento(s) vocais
percussão
piano
Gravadora(s)
Afiliações

Fred Astaire (nascido Frederick Austerlitz;[1] Omaha, 10 de maio de 1899Los Angeles, 22 de junho de 1987) foi um dançarino, cantor, ator, coreógrafo e apresentador de televisão estadunidense, considerado o dançarino mais influente na história do cinema.[2]

Sua carreira no palco e subsequente no cinema e na televisão durou um total de 76 anos. Ele atuou em mais de 10 musicais da Broadway e de Londres, fez 31 filmes musicais, quatro especiais televisivos, e lançou inúmeras canções. Como dançarino, seus traços mais marcantes eram seu absurdo senso de ritmo, seu perfeccionismo, e sua inovação. Sua favorita e mais memorável parceria de dança foi com Ginger Rogers, com quem ele co-estrelou em uma série de dez musicais de Hollywood. O American Film Institute nomeou Astaire a quinta maior estrela masculina do cinema clássico de Hollywood em sua lista 100 Anos... 100 Estrelas.[3][4]

Gene Kelly, outra renomada estrela da dança filmada, disse que "a história da dança no cinema começa com Astaire". Mais tarde, ele afirmou que Astaire era "o único dos dançarinos de hoje que será lembrado."[5] Além do cinema e da televisão, muitos dançarinos e coreógrafos, incluindo Rudolf Nureyev, Sammy Davis Jr., Michael Jackson, Gregory Hines e Mikhail Baryshnikov, George Balanchine, Jerome Robbins, Madhuri Dixit e Bob Fosse, que chamaram Astaire de "ídolo", também reconheceram sua influência.

Vida e carreira[editar | editar código-fonte]

1899—1916: Primeiros anos e início da carreira[editar | editar código-fonte]

Fred e sua irmã Adele Astaire em 1906

Fred Astaire nasceu Frederick Emanuel Austerlitz em 10 de maio de 1899 em Omaha, Nebraska, nos Estados Unidos, filho de Johanna "Ann" Austerlitz (nascida Geilus; 1878–1975)[6] e Frederic "Fritz" Austerlitz.[1][7][8] A mãe de Astaire nasceu nos Estados Unidos, filha de emigrantes alemães luteranos, da Prússia Oriental e da Alsácia. O pai de Astaire nasceu em Linz, na Áustria, filho de pais judeus que haviam se convertido ao catolicismo romano.[1][9][10][11]

O pai de Astaire, "Fritz" Austerlitz, chegou em Nova Iorque aos 25 anos, em 26 de outubro de 1893, na Ilha Ellis. "Fritz" esperava encontrar trabalho no ramo cervejeiro e mudou-se para Omaha, estado de Nebraska, onde conseguiu um emprego na cervejaria Storz Brewing Company. A mãe de Astaire sonhava em escapar de Omaha com o talento de seus filhos, depois que a irmã de Astaire, Adele Astaire, revelou-se uma dançarina e cantora instintiva desde muito cedo em sua infância. Johanna planejou um "número de irmão e irmã", que era comum no vaudeville na época, para seus dois filhos. Embora Fred tenha recusado as aulas de dança a princípio, ele facilmente imitava os passos de dança de sua irmã mais velha e começou a estudar piano, acordeão e clarinete.

Quando o pai de repente perdeu o emprego, a família mudou-se para a cidade de Nova Iorque, em 1905, para lançar a carreira artística das crianças. Eles começaram a treinar na Alviene Escola de Mestres do Teatro e na Academia de Artes Culturais.[12]

Apesar da rivalidade de Adele e Fred, eles rapidamente reconheceram suas forças familiares: a durabilidade dele e o maior talento dela. A mãe de Fred e Adele sugeriu que eles mudassem seu sobrenome para "Astaire", pois ela achava que "Austerlitz" era reminiscente da Batalha de Austerlitz. A lenda da família atribui o sobrenome a um tio de sobrenome "L'Astaire".[13] Eles foram ensinados a dançar, falar e cantar em preparação para o desenvolvimento de um número. Seu primeiro número foi chamado de Artistas Juvenis Apresentando uma Novidade Musical Elétrica de Ponta de Pé. Fred usava uma cartola e um fraque no primeiro tempo e uma roupa de lagosta no segundo. Em uma entrevista, a filha de Astaire, Ava Astaire McKenzie, observou que muitas vezes colocavam Fred em uma cartola para fazê-lo parecer mais alto.[14] O número cômico estreou em Keyport, Nova Jérsei, em um "teatro experimental". O jornal local escreveu que "os Astaires são o maior número infantil do vaudeville".[15]

Como resultado da habilidade de vendas de seu pai, Fred e Adele rapidamente conseguiram um grande contrato e se apresentaram no famoso Orpheum Circuit, uma cadeia de vaudeville e cinemas, no centro-oeste, no Oeste e em algumas cidades do Região Sul (Estados Unidos)sul dos Estados Unidos. Logo Adele cresceu e ficou pelo menos sete centímetros mais alto que Fred, e os dois começaram a parecer incongruentes. A família decidiu fazer uma pausa de dois anos do show business, deixar o tempo seguir seu curso e evitar problemas com a Gerry Society, a Sociedade de Nova Iorque para a Prevenção da Crueldade às Crianças, e com as leis de trabalho infantil da época. Em 1912, Fred se tornou episcopal. A carreira dos irmãos Astaire recomeçou com fortunas mistas, embora com habilidade e aperfeiçoamento cada vez maiores, à medida que começaram a incorporar o sapateado em suas coreografias. A dança de Astaire foi inspirada por Bill "Bojangles" Robinson e John "Bubbles" Sublett. Do dançarino de vaudeville Aurelio Coccia, eles aprenderam o tango, a valsa e outras danças de salão popularizadas por Vernon e Irene Castle. Algumas fontes afirmam que os irmãos Astaire apareceram em um filme de 1915 intitulado Fanchon, o Grilo, estrelado por Mary Pickford, mas os Astaires sempre negaram isso.

Aos 14 anos, Fred havia assumido as responsabilidades musicais da dupla. Ele conheceu George Gershwin, que trabalhava como compositor para a editora musical de Jerome H. Remick, em 1916. Fred já estava procurando por novas idéias de música e dança. Seu encontro casual afetou profundamente as carreiras de ambos os artistas. Astaire estava sempre à procura de novos passos de dança no Circuit e começava a demonstrar sua busca incessante por novidade e perfeição.

1917—1933: Carreira no palco na Broadway e em Londres[editar | editar código-fonte]

Fred e Adele Astaire em 1921.

Os Astaires estrearam na Broadway em 1917 com Over the Top, uma sátira patriótica, e, na época, se apresentaram também para as tropas americanas e aliadas. Eles seguiram com vários outros shows. De seu trabalho em The Passing Show de 1918, o jornalista Heywood Broun escreveu: "Em uma noite em que houve uma abundância de boa dança, Fred Astaire se destacou... Ele e sua parceira, Adele Astaire, fizeram o show fazer uma pausa mais cedo à noite com uma bela dança de pernas soltas."

O brilho e o humor de Adele atraíram grande parte da atenção, em parte devido à preparação cuidadosa de Fred e à sua coreografia de apoio. Ela ainda definia o tom do ato deles. Mas a essa altura, a habilidade de dança de Astaire começava a ofuscar a de sua irmã.

Durante a década de 1920, Fred e Adele apareceram na Broadway e nos palcos de Londres. Em shows como The Bunch e Judy (1922), de Jerome Kern, Lady, Be Good (1924), de George e Ira Gershwin, e Funny Face (1927) e, mais tarde, em The Band Wagon (1931), eles ganharam aclamação popular com a platéia do teatro em ambos os lados do Atlântico. Nessa época, o sapateado de Astaire já era reconhecido como um dos melhores. Por exemplo, Robert Benchley escreveu em 1930: "Não acho que vou mergulhar a nação na guerra, afirmando que Fred é o maior dançarino de sapateado do mundo."

Após o encerramento de Funny Face, os Astaires foram a Hollywood para um teste de tela (agora perdido) na Paramount Pictures, mas a Paramount os considerou inadequados para filmes.

Eles se separaram em 1932, quando Adele casou-se com seu primeiro marido, Lord Charles Cavendish, segundo filho do 9º Duque de Devonshire. Fred veio a alcançar sucesso sozinho na Broadway e em Londres com Gay Divorce (mais tarde transformado no filme A Alegre Divorciada), enquanto considerava ofertas de Hollywood. O fim da parceria foi traumático para Astaire, mas estimulou-o a expandir seu alcance.

Livre das restrições irmão-irmã do antigo dupla, e trabalhando com a nova parceira, Claire Luce, Fred criou uma dança romântica para a canção "Night and Day", de Cole Porter, que fora escrita para Gay Divorce. Luce afirmou que ela teve que encorajá-lo a tomar uma abordagem mais romântica: "Vamos lá, Fred, eu não sou sua irmã, você sabe." O sucesso da peça teatral foi creditado a este número, e quando recriado em The Gay Divorcee (1934), a versão cinematográfica da peça, ele inaugurou uma nova era na dança filmada. Recentemente, filmagens feitas por Fred Stone de Astaire se apresentando em Gay Divorce, com a sucessora de Luce, Dorothy Stone, em Nova Iorque, em 1933, foi descoberta pela dançarina e historiadora Betsy Baytos, e agora representa a mais antiga filmagem conhecida de Astaire.

1933—1939: Astaire e Rogers na RKO[editar | editar código-fonte]

Ginger Rogers e Fred Astaire em Top Hat (1935)

De acordo com o folclore de Hollywood, um relatório de teste de tela sobre Astaire para a RKO Radio Pictures, agora perdido junto com o teste, dizia: "Não sabe cantar. Não sabe atuar. Ficando calvo. Sabe dançar um pouco". O produtor dos filmes Astaire-Rogers, Pandro S. Berman, alegou que nunca tinha ouvido a história nos anos 1930 e que ela só surgiu anos depois. Astaire mais tarde esclareceu, insistindo que o relatório dizia: "Não sabe atuar. Levemente calvo. Também dança." De qualquer forma, o teste foi claramente decepcionante, e David O. Selznick, que contratara Astaire para a RKO e encomendara o teste, declarou em um memorando: "Estou incerto sobre o homem, mas eu sinto, apesar de suas orelhas enormes e linha de queixo ruim, que seu charme é tão tremendo que sobressai até mesmo nesse miserável teste."

No entanto, isso não afetou os planos da RKO para a Astaire. Eles o emprestaram por alguns dias para a MGM, em 1933, para a sua estréia em Hollywood, no filme musical de sucesso Dancing Lady. No filme, ele apareceu como ele mesmo, dançando com Joan Crawford. Em seu retorno à RKO, ele foi o quinto nome nos créditos, logo atrás do quarto nome, Ginger Rogers, no filme de 1933 estrelado por Dolores del Río, Dolores del Río. Em uma crítica, a revista Variety atribuiu o enorme sucesso do filme à presença da Astaire:

O ponto principal de Flying Down to Rio é a promessa do cinema, Fred Astaire... Ele certamente é uma aposta depois dessa, porque ele é claramente simpático na tela, o microfone é gentil com sua voz e como dançarino ele se encontra em um nível próprio. A última observação não será novidade para a profissão, que admitiu há muito tempo que Astaire começa a dançar onde os outros param de andar.

Já tendo sido ligado à sua irmã Adele no palco, Astaire, inicialmente, estava muito relutante em se tornar parte de outra dupla de dança. Ele escreveu ao seu agente: "Eu não me importo de fazer outro filme com ela, mas quanto a essa ideia de 'dupla', está 'fora!' Acabei de terminar uma parceria e não tenho interesse em formar outra." No entanto, ele foi persuadido pelo aparente apelo público da dupla Astaire-Rogers. A parceria, e a coreografia de Astaire e Hermes Pan, ajudaram a tornar a dança um elemento importante dos filmes musicais de Hollywood.

Inovações[editar | editar código-fonte]

Astaire revolucionou a dança no cinema ao ter total autonomia sobre sua apresentação. Ele é creditado por duas inovações importantes nos primeiros filmes musicais. Primeiro, ele insistiu que uma câmera monotrilho filmasse de perto uma coreografia de dança no menor número de tomadas possíveis, normalmente com apenas de quatro a oito cortes, mostrando os dançarinos por inteiro todo o tempo. Isso dava a ilusão de uma câmera quase estacionária filmando uma dança inteira em uma única tomada. Astaire ficou famoso pela frase: "Ou a câmera dança, ou eu danço." Astaire manteve essa política de The Gay Divorcee, em 1934, até seu último filme musical, Finian's Rainbow, em 1968, quando o diretor Francis Ford Coppola rejeitou sua exigência.

O estilo de sequências de dança de Astaire permitiu que o espectador acompanhasse os dançarinos e a coreografia em sua totalidade. Este estilo diferia notavelmente daqueles nos musicais de Busby Berkeley. As sequências desses musicais eram preenchidas com tomadas aéreas extravagantes, dezenas de cortes de tomadas rápidas, e zooms em áreas do corpo, como braços ou pernas.

A segunda inovação de Astaire envolveu o contexto da dança; ele era irredutível de que todas as coreografias de música e dança fossem parte integrante do enredo do filme. Em vez de usar a dança como um espetáculo, como Busby Berkeley fazia, Astaire usou-a para levar o enredo adiante. Tipicamente, um filme de Astaire incluía pelo menos três danças padrão. Uma era uma performance solo de Astaire, que ele chamava de seu "golpe solo". Outra era uma coreografia de dança cômica, em parceria. Finalmente, ele incluía uma coreografia de dança romântica, em parceria.

Avaliação da parceria com Rogers[editar | editar código-fonte]

Os comentaristas de dança Arlene Croce, Hannah Hyam, e John Mueller consideram que Rogers foi a maior parceira de dança de Astaire, opinião esta compartilhada também por Hermes Pan e Stanley Donen. A crítica cinematográfica Pauline Kael adota uma postura mais neutra, enquanto que o crítico de cinema da revista Time, Richard Schickel, escreve: "A nostalgia em torno de Rogers-Astaire tende a alvejar outras parceiras." Mueller resume as habilidades de Rogers da seguinte forma:

Rogers foi excepcional entre as parceiras de Astaire, não porquê ela era superior às outras como dançarina, mas porquê, como uma atriz habilidosa e intuitiva, ela era cautelosa o bastante para perceber que a atuação não parava quando a dança começava... a razão de tantas mulheres fantasiarem em dançar com Fred Astaire é que Ginger Rogers dava a impressão de que dançar com ele é a experiência mais emocionante que se possa imaginar.

De acordo com Astaire, "Ginger nunca tinha dançado com um parceiro antes de Flying Down to Rio. Ela fingiu muitíssimo. Ela não sabia sapatear e não sabia fazer isso e aquilo ... mas Ginger tinha estilo e talento e melhorou com o tempo. Ela ficou tão boa que depois de um tempo todo mundo que dançava comigo parecia errado." Na p. 162 de seu livro Ginger: Salute to a Star, o escritor Dick Richards cita Astaire dizendo a Raymond Rohauer, curador da Galeria de Arte Moderna de Nova Iorque, "Ginger foi brilhantemente eficaz. Ela fez tudo funcionar para ela. Na verdade ela tornou as coisas muito boas para nós dois, e merece a maior parte do crédito pelo nosso sucesso."

Em 1976, o apresentador britânico Sir Michael Parkinson perguntou a Astaire quem fora sua parceira de dança favorita, no 24º episódio da 5ª temporada de seu talk-show Parkinson. Astaire respondeu: "...Ginger. Foi ela. Você sabe, a parceira mais eficaz que já tive. Todo mundo sabe." Esta entrevista é reprisada na televisão britânica e pode ser vista no YouTube.

Rogers descreveu os padrões intransigentes de Astaire, estendendo-se a toda a produção: "Às vezes ele pensa em uma nova fala de diálogo ou um novo ângulo para a história... eles nunca sabem a que horas da noite ele vai ligar e começar a falar entusiasticamente sobre uma nova ideia... Nada de vadiar no trabalho em um filme de Astaire, e nada de fazer nas coxas."

Apesar de seu sucesso, Astaire não estava disposto a ter sua carreira vinculada exclusivamente a uma parceria. Ele negociou com a RKO para estrelar sozinho com A Damsel in Distress, em 1937, com uma inexperiente e não dançante Joan Fontaine, o qual não obteve sucesso. Ele voltou a fazer mais dois filmes com Rogers, Carefree (1938) e The Story of Vernon and Irene Castle (1939). Embora ambos os filmes tenham faturado respeitáveis rendimentos brutos, ambos perderam dinheiro por causa do aumento dos custos de produção, e Astaire deixou a RKO, depois de ser rotulado como "veneno de bilheteria" pelo Independent Film Journal. Astaire se reuniu com Rogers em 1949, na MGM, para sua apresentação final juntos, em The Barkleys of Broadway, o único de seus filmes juntos a ser filmado em Technicolor.

1940—1947: Aposentadoria precoce[editar | editar código-fonte]

Astaire deixou a RKO em 1939 para se tornar freelancer e buscar novas oportunidades cinematográficas, com resultados mistos, embora geralmente bem-sucedidos. Durante esse período, Astaire continuou a valorizar a sugestão de colaboradores coreográficos. Ao contrário da década de 1930, quando trabalhou quase exclusivamente com Hermes Pan, ele aproveitou o talento de outros coreógrafos para inovar continuamente. Sua primeira parceira de dança pós-Ginger foi a temível Eleanor Powell, considerada a mais excepcional sapateadora de sua geração. Eles estrelaram em Broadway Melody of 1940, na qual fizeram uma célebre e prolongada coreografia de dança para a canção "Begin the Beguine", de Cole Porter. Em sua autobiografia, Steps in Time, Astaire observou: "Ela mandava ver como um homem, nada de algo rápido de menininha com Ellie. Ela realmente mandava ver no sapateado num nível que era só dela."

Ele atuou ao lado de Bing Crosby em Holiday Inn (1942), e depois em Blue Skies (1946). Mas, apesar do enorme sucesso financeiro de ambos, ele teria ficado insatisfeito com papéis em que perdia a garota para Crosby. O primeiro filme é memorável por sua virtuosa dança solo para a canção "Let's Say it with Firecrackers". O último filme continha a canção "Puttin 'On the Ritz", uma inovadora canção e coreografia dança indelevelmente associada a ele. Outras parcerias durante este período incluíram Paulette Goddard, em Second Chorus (1940), no qual ele conduziu dançando a orquestra de Artie Shaw.

Astaire fez dois filmes com Rita Hayworth. O primeiro filme, You'll Never Get Rich (1941), catapultou Hayworth para o estrelato. No filme, Astaire integrou pela terceira vez passos de dança latino-americana em seu estilo (a primeira foi com Ginger Rogers no número "The Carioca", do filme Flying Down to Rio (1933), e o segundo, novamente com Rogers, foi a dança "Dengozo", no filme The Story of Vernon and Irene Castle (1939)). Seu segundo filme com Hayworth, You Were Never Lovelier (1942), foi igualmente bem-sucedido. Ele continha um dueto na canção "I'm Old Fashioned", de Kern, que se tornou a peça central do tributo ao ator, feito por Jerome Robbins e apresentado pelo Balé da Cidade de Nova Iorque, em 1983. Em seguida, ele apareceu ao lado de Joan Leslie, de dezessete anos, no drama de guerra, The Sky's the Limit (1943). Nele, ele apresentou a canção "One for My Baby", de Arlen e Mercer, enquanto dançava em um balcão de bar, em uma coreografia sombria e problemática. Astaire coreografou esse filme sozinho e obteve um sucesso modesto nas bilheterias. Isso representou uma mudança notável para Astaire de sua habitual persona no cinema, charmoso, feliz e sortudo, e confundiu os críticos contemporâneos.

Sua próxima parceira, Lucille Bremer, participou de em duas luxuosos produções, ambas dirigidas por Vincente Minnelli. O filme Yolanda and the Thief (1945)apresentou um balé surrealista de vanguarda. Na comédia musical Ziegfeld Follies (1945), Astaire dançou com Gene Kelly "The Babbit and the Bromide", uma canção de Gershwin que Astaire havia apresentado com sua irmã Adele em 1927. Enquanto Follies foi um sucesso, Yolanda fracassou nas bilheterias.

Sempre inseguro e acreditando que sua carreira estava começando a declinar, Astaire surpreendeu seu público ao anunciar sua aposentadoria durante a produção de seu próximo filme Blue Skies (1946). Ele escolheu "Puttin 'on the Ritz" como sua dança de despedida. Após anunciar sua aposentadoria em 1946, Astaire concentrou-se em seu interesse em corridas de cavalos e, em 1947, fundou a Estúdios de Dança Fred Astaire, a qual ele vendeu em 1966.

1948—1957: Anos produtivos na MGM e segunda aposentadoria[editar | editar código-fonte]

A aposentadoria de Astaire não durou muito tempo. Ele retornou às telas para substituir um lesionado Gene Kelly em Easter Parade (1948), contracenando com Judy Garland, Ann Miller e Peter Lawford. Ele se juntou uma última vez com Rogers (substituindo Judy Garland) em The Barkleys of Broadway (1949). Ambos os filmes reviveram a popularidade de Astaire, e em 1950 ele estrelou em dois musicais. Three Little Words, com Vera-Ellen e Red Skelton, para a MGM. Let's Dance, com Betty Hutton, emprestado para a Paramount. Enquanto Three Little Words foi muito bem nas bilheterias, Let's Dance foi uma decepção financeira. Royal Wedding (1951), com Jane Powell e Peter Lawford, foi muito bem-sucedido, mas The Belle of New York (1952), com Vera-Ellen, foi um desastre de crítica e de bilheteria. The Band Wagon (1953), que é considerado um dos melhores musicais já feitos, recebeu ótimas críticas e atraiu multidões. Mas devido ao seu alto custo, no filme não obteve lucro em seu primeiro lançamento.

Logo após, Astaire, como as outras estrelas remanescentes na MGM, foi dispensado de seu contrato por causa do advento da televisão e da redução na produção de filmes. Em 1954, Astaire estava prestes a começar a trabalhar em um novo musical, Daddy Long Legs (1955), com Leslie Caron, na 20th Century Fox. Então sua esposa, Phyllis, ficou doente e morreu repentinamente de câncer de pulmão. Astaire ficou tão desolado que queria cancelar o filme e se ofereceu para pagar os custos de produção do próprio bolso. No entanto, Johnny Mercer, compositor do filme, e os executivos do estúdio da Fox o convenceram de que o trabalho seria a melhor coisa para ele. Daddy Long Legs se saiu moderadamente bem nas bilheterias. Seu próximo filme com a Paramount, Funny Face (1957), juntou-o com Audrey Hepburn e Kay Thompson. Apesar da sumptuosidade da produção e das boas críticas dos críticos, o filme não conseguiu recuperar o seu custo. Da mesma forma, o próximo projeto de Astaire - seu último musical na MGM, Silk Stockings (1957), no qual ele co-estrelou com Cyd Charisse, também perdeu dinheiro nas bilheterias.

Por fim, Astaire anunciou que estava se aposentando da dança no cinema. Seu legado a essa altura eram 30 filmes musicais em 25 anos.

Análise e legado[editar | editar código-fonte]

Antes de Fred Astaire estrear no cinema, os dançarinos apareciam nos filmes apenas "em partes": os pés, as cabeças e os torsos eram compostos na sala de edição. Astaire, por sua vez, exigia ser filmado de corpo inteiro. Para isso eram necessários longos ensaios - certa vez chegou a três meses com dez horas diárias de trabalho, com repetições feitas passo a passo e movimentos de câmara acompanhando a coreografia. Em seus filmes, Astaire conseguiu dar nova emoção à dança, fosse ela banal ou repleta de tragicidade. Sua interpretação enriquecia-se pelo que James Cagney chamava de "o toque do vagabundo". Sempre trajado a rigor, seu charme tornou-se lendário.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Larry Billman (1997). Fred Astaire: A Bio-bibliography. Col: Bio-bibliographies in the performing arts (em inglês). 76 ilustrada, comentada ed. E.U.A.: Greenwood Press. ISBN 9780313290107 
  2. «Fred Astaire - American Dancer and Singer». Encyclopædia Britannica (em inglês). Encyclopædia Britannica, Inc. 18 de junho de 2019. Consultado em 10 de agosto de 2019 
  3. «1981 Fred Astaire Tribute». American Film Institute (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2019 
  4. «AFI's 50 Greatest American Screen Legends». American Film Institute (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2019 
  5. Clive Hirschhorn (1975). Gene Kelly: A Biography. Col: Bio-bibliographies in the performing arts (em inglês). 76 ilustrada ed. E.U.A.: Regnery. p. 145. ISBN 9780809282609 
  6. «Johanna (Geilus) Astaire (1878 - 1975)». WikiTree (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2019 
  7. Hyde Flippo (2 de janeiro de 2009). «Fred Astaire (1899-1987) aka Frederick Austerlitz». The German–Hollywood Connection (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2019 
  8. «The Religious Affiliation of Adele Astaire: great American actor and dancer». Adherents (em inglês). 20 de setembro de 2005. Consultado em 10 de agosto de 2019 
  9. Alessandra Garofalo (2009). Austerlitz sounded too much like a battle: The roots of Fred Astaire family in Europe (em inglês). Itália: UNI Service. p. 145. ISBN 9788861784154 
  10. Peter Levinson (2009). Puttin' On the Ritz: Fred Astaire and the Fine Art of Panache, A Biography (em inglês) ilustrada ed. E.U.A.: St. Martin's Press. p. 1–4. ISBN 9780312353667 
  11. Tim Satchell (1988). Astaire: The Biography (em inglês) reimpressão ed. E.U.A.: Arrow Books. p. 8. ISBN 9780099592303 
  12. Toni Bentley (31 de maio de 2012). «Two-Step: 'The Astaires,' by Kathleen Riley». The New York Times Book Review (em inglês). The New York Times. Consultado em 10 de agosto de 2019 
  13. Bob Thomas (1985). Astaire, the Man, the Dancer (em inglês) reimpressão ed. E.U.A.: Collins. p. 17. ISBN 9780002174879 
  14. (1975) Créditos do álbum A Couple of Song and Dance Men por Fred Astaire e Bing Crosby [LP]. United Artists Records (UAS 29888).
  15. Bill Adler (1987). Fred Astaire: A Wonderful Life (em inglês). E.U.A.: Carroll & Graf Pub. p. 13. ISBN 978-0881843767 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Fred Astaire