Mark Rylance

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Mark Rylance
Mark em 2010.
Nome completo David Mark Rylance Waters
Nascimento 18 de janeiro de 1960 (57 anos)
Londres,
 Reino Unido
Ocupação Ator
Oscares da Academia
Melhor Ator Coadjuvante
2016 – Bridge of Spies
Tonys
Melhor Ator em Peça
2008 - Boeing Boeing
2011 - Jerusalem
Melhor Ator Coadjuvante em Peça
2014 - Twelfth Night
Prémios BAFTA
Melhor Ator Coadjuvante em Cinema
2016 – Bridge of Spies
Melhor Ator em Televisão
2006 - The Government Inspector
2016 - Wolf Hall

David Mark Rylance Waters (Ashford, 18 de janeiro de 1960), conhecido profissionalmente como Mark Rylance, é um ator, diretor de teatro e dramaturgo inglês,vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e BAFTA de melhor ator coadjuvante em cinema em 2016 pelo filme Bridge of Spies. Foi ainda indicado ao Globo de Ouro e SAG Awards na mesma categoria.

Atuou em filmes e séries como Angels and Insects (1995), Intimacy (2001), The Other Boleyn Girl (2008) e Wolf Hall (2015) e venceu prémios Olivier e Tony pelo seu trabalho no teatro. Ele foi o primeiro diretor artístico do renovado Globe Theatre em Londres, entre 1995 e 2005.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Mark Rylace nasceu em Ashford, no condado de Kent, Inglaterra e é filho de Anne e David Waters, ambos professores de Inglês.[1] Ambos os seus avós foram prisioneiros de guerra dos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.[2] Mark tem uma irmã chamada Susannah que é cantora de ópera e escritora, e um irmão, Jonathan, que é sommelier no restaurante Chez Panisse em Berkeley na Califórnia.[3] Os pais de Mark mudaram-se para os Estados Unidos em 1962 e a família viveu no Connecticut e, mais tarde, no Winsconsin, onde o seu pai ensinou Inglês na University School of Millwaukee. Mais tarde, o próprio Mark frequentou esta universidade e envolveu-se no programa de teatro, participando na maioria das peças organizadas.[4]

Mark regressou a Inglaterra depois de terminar a universidade em 1978 e conseguiu uma bolsa de estudo para a Royal Academy of Dramatic Art (RADA) em Londres, onde estudou representação durante dois anos.[4] Estudou ainda na Chrysalis Theatre School, também em Londres.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Representação[editar | editar código-fonte]

O ator decidiu escolher o nome profissional Mark Rylance quando se registou no sindicato de atores do Reino Unido, Equity, uma vez que já havia um Mark Waters, a sua primeira escolha, registado. O seu primeiro trabalho profissional como ator foi no Citizens' Theatre em Glasgow em 1980. Dois anos mais tarde juntou-se à Royal Shakespeare Company com quem trabalhou em Stratford-upon-Avon e em Londres.

Em 1988, Mark interpretou o papel de Hamlet numa produção da Royal Shakespeare Company da famosa peça de William Shakespeare. A produção foi um sucesso e andou em digressão pela Irlanda e pelo Reino Unido durante um ano antes de partir para Stratford-upon-Avon e para os Estados Unidos onde foi apresentada durante dois anos. Em 1990, Mark e Claire van Kampen (com quem se viria a casar) criaram a sua própria companhia de teatro, a Phoebus' Cart.

Em 1991, Mark protagonizou o filme The Grass Arena e venceu o prémio de Ator Mais Promissor da revista Radio Times. Em 1993, protagonizou uma produção de Much Ado About Nothing no Queen's Theatre de Londres. O seu Benedick valeu-lhe um prémio Olivier. Doze anos mais tarde, Mark voltou a vencer um prémio, desta vez o BAFTA de televisão pelo seu desempenho como David Kelly no telefilme The Government Inspector do Channel 4.

Em 2007, estreou a peça Boeing-Boeing em Londres. No ano seguinte, o ator retomou o seu papel nesta peça na Broadway em Nova Iorque e conquistou o Drama Desk Award e o prémio Tony pelo seu desempenho. Em 2009, o seu papel de Johnny Byron na peça Jerusalem, apresentada no Royal Court Theatre em Londres, valeu-lhe o Critics' Circle Theatre Award de Melhor ator. Este papel valeu-lhe também o seu segundo prémio Olivier em 2010.

Também em 2010, Mark protagonizou a peça La Bête, apresentada primeiro no London's Comedy Theatre antes de ser transferida para o Music Box Theatre, na Broadway em setembro do mesmo ano. Este papel valeu-lhe o seu segundo prémio Tony.

Em 2015, Mark interpretou o papel de Thomas Cromwell na minissérie Wolf Hall, protagonizada por Damian Lewis. O seu desempenho valeu-lhe uma nomeação para os prémios Emmy desse ano.

No mesmo ano estreou o filme Bridge of Spies do aclamado realizador Steven Spielberg e protagonizado por Tom Hanks. O filme dramatiza o incidente U-2 de 1960, a detenção e condenação do espião soviético Rudolf Abel e a troca de Abel pelo piloto de U-2, Gary Powers. Mark interpreta o papel de Abel e o seu desempenho foi bastante elogiado pela crítica, sendo considerado por muitos o melhor desempenho de 2015 no cinema. Entre outros prémios, o ator conquistou o Óscar e o BAFTA na categoria de Melhor Ator Secundário, conseguindo ainda uma nomeação para os Globos de Ouro na mesma categoria.

Os projetos futuros de Mark incluem mais uma colaboração com o realizador Steven Spielberg, desta vez no filme de fantasia The BFG, uma adaptação do livro infantil homónimo de Roald Dahl onde interpreta o papel principal de BFG; e Dunkirk do realizador Christopher Nolan.

Globe Theatre[editar | editar código-fonte]

Em 1995, Mark tornou-se no primeiro diretor artístico do Globe Theatre, posição que manteve até 2005. Mark encenou e participou em peças em todas as temporadas em que foi diretor, incluindo numa produção exclusivamente masculina de Twelfth Night, onde interpretou o papel de Olivia e Richard III, que protagonizou. Enquanto foi diretor do Globe, também foram apresentadas peças originais. A primeira, Augustine's Oak, sobre Agostinho de Cantuária e a cristianização da Inglaterra anglo-saxónica, de Peter Oswald foi apresentada em 1999. Em 2002 foi apresentada uma segunda peça original, também de Peter Oswald: The Golden Ass or the Curious Man. Em 2005 foi apresentada uma terceira peça de Peter Oswald: The Storm, uma adaptação da comédia de Platão, Rúdens (que foi uma das fontes a que William Shakespeare recorreu enquanto escrevia The Tempest).

Mark também organizou eventos especiais de comemoração, como foi o caso de uma apresentação especial da peça Twelfth Night em 2002 em Middle Temple para comemorar o 400º aniversário da sua primeira apresentação e Measure for Measure em Hampton Court no verão de 2004. Em 2007, Mark, a sua esposa Claire van Kampen (diretora de música no Globe) e Jenny Tiramani (diretora do guarda-roupa), receberam um prémio Sam Wanamaker pelo trabalho desenvolvido nos primeiros dez anos da reabertura do Globe.

Em 2013, o Globe levou a produção exclusivamente masculina de Twelfth Night e Richard III para a Broadway e Mark venceu o seu terceiro prémio Tony pelo seu desempenho como Olivia e foi nomeado por Richard III.

Polémica com William Shakespeare[editar | editar código-fonte]

Em 8 de setembro de 2007, Mark Rylance e Derek Jacobi revelaram uma Declaração de Dúvida Razoável relativa à autoria das obras de William Shakespeare no final da última matinée da peça I am Shakespeare.

A declaração defendia que o verdadeiro autor da obra referida seria Christopher Marlowe, Francis Bacon, Edward of Vere ou Mary Sidney (Mary Sidney Herbert, condessa de Pembroke). Na declaração são referidas 20 personalidades proeminentes do passado que também duvidavam da autoria das obras de William Shakespeare, incluindo Mark TwainOrson WellesJohn GielgudCharlie ChaplinCharles DickensRalph Waldo Emerson e o ator Leslie Howard e esta foi elaborada pela Shakespeare Authorship Coalition e assinada por 300 pessoas com o objetivo de iniciar novas pesquisas. Mark Rylance e Derek Jacobi apresentaram uma cópia do documento a William Leahy, o diretor do departamento de Inglês da Brunel University de Londres.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Mark começou a namorar com a encenadora, compositora e dramaturga Claire van Kampen em 1987 quando os dois estavam a trabalhar na peça The Wandering Jew no National Theatre e casou-se em 21 de dezembro de 1989.[5] Através do seu casamento, Mark tornou-se padrasto das duas filhas de Claire, a atriz Juliet Rylance e a cineasta Nataasha van Kampen. Nataasha morreu em julho de 2012 com 28 anos. Tal levou a que Mark cancelasse a sua participação na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012 e fosse substituído por Kenneth Branagh.[6][7]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Filmes[editar | editar código-fonte]

Ano Título Papel Notas
1985 The McGuffin Gavin
1987 Hearts of Fire Fizz
1991 The Grass Arena John Healy
Prospero's Books Ferdinand
1995 Institute Benjamenta Jakob von Gunten
Angels & Insects William Adamson
2000 William Shakespeare Diretor Artístico Globe Theatre
2001 Intimacy Jay
2008 The Other Boleyn Girl Thomas Boleyn
2011 Blitz Bruce Roberts
Anonymous Henry Condell
2013 Days and Nights Stephen
2015 The Gunman Cox
Bridge of Spies Rudolf Abel Óscar de Melhor Ator Secundário
2016 The BFG The BFG
2017 Dunkirk Pós-produção

Televisão[editar | editar código-fonte]

Ano Título Papel Notas
1985 Wallenberg: A Hero's Story Nikki Fodor
1993 Love Lies Bleeding Conn
1995 Loving Charlie Raunce
1995 Hamlet Hamlet
1997 Henry V King Henry V
2001 Changing Stages Ele próprio
2003 Leonardo Leonardo da Vinci
2003 Richard II Richard II
2005 The Government Inspector David Kelly
2014 Bing Flop (voz)
2015 Wolf Hall Thomas Cromwell

Teatro[editar | editar código-fonte]

Ano Peça Personagem Teatro
1981 Desperado Corner Bazza Citizens' Theatre, Glasgow
1982 The Tempest Ariel Royal Shakespeare Company
1989 Hamlet Hamlet
Romeo and Juliet Romeo
1991 Hamlet Hamlet American Repertory Theater
The Seagull Treplev
1993 [[Henry V Henry V Theatre for a New Audience, Nova Iorque
Much Ado About Nothing Benedick Queens Theatre
1994 As You Like It Touchstone Theatre for a New Audience, Nova Iorque
True West Lee/Austin Donmar Warehouse
1995 Macbeth Macbeth Greenwich Theatre
2000 Live x 3 Henry Royal National Theatre
2007 Boeing Boeing Robert Comedy Theatre
I am Shakespeare Frank Digressão pelo Reino Unido
2008 Peer Gynt Peer Gynt Guthrie Theater, Minneapolis
Boeing Boeing Robert Longacre Theatre, Nova Iorque
2009 Jerusalem de Jez Butterworth Johnny Byron Royal Court Theatre
Endgame de Samuel Beckett Hamm Duchess Theatre
2010 Jerusalem de Jez Butterworth Johnny Byron Apollo Theatre
La Bête de David Hirson Valere Comedy Theatre
Music Box Theatre, Broadway
2011
Jerusalem de Jez Butterworth Johnny Byron Music Box Theatre, Broadway
Apollo Theatre
2012 alternou entre Richard III and Twelfth Night Richard III / Olivia Apollo Theatre
2013

Nice Fish de Mark Rylance e Louis Jenkins

Ron Guthrie Theater
2013 alternou entre Richard III and Twelfth Night Richard III / Olivia Belasco Theatre, Broadway
2014
2015 Farinelli and the King de Claire van Kampen King Philippe V Sam Wanamaker Playhouse
Duke of York's Theatre
2016 Nice Fish de Mark Rylance e Louis Jenkins Ron St. Ann's Warehouse

Globe Theatre[editar | editar código-fonte]

Ano Título Papel Notas
1996 The Two Gentlemen of Verona Proteus
1997 A Chaste Maid in Cheapside Mr. Allwit
1997 Henry V Henry V
1998 The Merchant of Venice Bassanio
1998 The Honest Whore Hippolito
1999 Antony and Cleopatra Cleopatra
2000 Hamlet Hamlet
2001 Cymbeline Cloten
2002 The Golden Ass Lucius
2002 Twelfth Night Olivia
2003 Richard II Richard II
2004 Measure for Measure Duke Vincentio
2005 The Tempest Prospero
Stephano
Sebastian
Alonso
2005 The Storm Daemones
Labrax
The Weather
2012 Richard III Richard III
2012 Twelfth Night Olivia


Referências

  1. «Mark Rylance, the greatest actor of his generation, does Hollywood. At last...». British GQ (em inglês). Consultado em 29 de fevereiro de 2016 
  2. «Mark Rylance: from Wolf Hall courtier to Steven Spielberg spy». RadioTimes. Consultado em 29 de fevereiro de 2016 
  3. Cooke, Rachel (1 de julho de 2013). «Mark Rylance: 'You have to move into the chaos'». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077 
  4. a b «Mark Rylance | British actor and director». Encyclopedia Britannica. Consultado em 29 de fevereiro de 2016 
  5. Schulman, Michael (18 de novembro de 2013). «Play On». The New Yorker. ISSN 0028-792X 
  6. «Accounts». www.thestage.co.uk. Consultado em 29 de fevereiro de 2016 
  7. Brown, Mark; arts (6 de julho de 2012). «Mark Rylance exits from Olympics opening after step-daughter's death». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077 
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