Ralph Waldo Emerson

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Ralph Waldo Emerson
Filosofia do século XIX
Nome completo Ralph Waldo Emerson
Escola/Tradição: Transcendentalismo
Data de nascimento: 25 de maio de 1803
Local: Boston, Massachusetts,  Estados Unidos
Data de falecimento 27 de abril de 1882 (78 anos)
Local: Concord, Massachusetts
Principais interesses: Individualismo, misticismo
Influenciado por: Michel de Montaigne, Henry David Thoreau, Emanuel Swedenborg, Hegel, Platão
Influências: Friedrich Nietzsche, William James, Henry David Thoreau, Émile Armand, Emma Goldman, Marcel Proust, Harold Bloom, Ivan Cankar, Robert Musil
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Ralph Waldo Emerson (Boston, 25 de maio de 1803 - Concord, Massachusetts, 27 de abril de 1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.

Emerson fez seus estudos em Harvard para se tornar, como seu pai, ministro religioso. Foi pastor em Boston mas interrompeu essa atividade por divergências doutrinárias sobre a eucaristia.

Em 1833 viaja pela Europa e encontra Mill, Coleridge, Wordsworth e Carlyle, cultivando uma profunda amizade com este último.

De volta aos Estados Unidos, começou a desenvolver sua filosofia "transcendentalista", exposta em obras como Natureza, Ensaios e Sociedade e solidão.

O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do "eu" superficial ao "eu" profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana.

O clube transcendentalista de Concord, ao qual pertenciam entre outros Thoreau e Margareth Füller, e cujo órgão oficial era a revista The Dial, exercia grande influência sobre a vida intelectual americana do século XIX.

Primeiros anos e educação[editar | editar código-fonte]

Emerson nasceu em Boston, no estado do Massachusetts, no dia 25 de maio de 1803[1], filho de Ruth Haskins e do Reverendo William Emerson, um ministro unitariano. Ele recebeu o nome em honra do irmão da sua mãe, Ralph e da bisavó do seu pai, Rebecca Waldo.[2] Emerson era o segundo de cinco filhos que chegaram à idade adulta. Os seus irmãos chamavam-se William, Edward, Robert Bulkeley e Charles.[3] Ele teve mais duas irmãs e um irmão que faleceram na infância: Phoebe, John Clarke e Mary Caroline.[3] Os antepassados de Emerson eram todos ingleses que se mudaram para Nova Inglaterra no início do período colonial.[4]

O pai de Emerson morreu de cancro no estômago em 12 de maio de 1811, menos de duas semanas antes do aniversário de Emerson.[5] Ele foi criado pela sua mãe com a ajuda de outras mulheres da sua família: a sua tia Mary Moody Emerson em particular influenciou-o bastante. Ela viveu com a família durante certos períodos de tempo e manteve correspondência regular com Emerson até à sua morte em 1863.

A educação formal de Emerson teve início na Boston Latin School em 1812, quando ele tinha nove anos de idade. Em outubro de 1817, aos 14 anos, Emerson ingressou na Harvard College e foi nomeado porta-voz dos caloiros. A função de Emerson era reunir os estudantes delinquentes e enviar mensagens à administração. A meio do seu terceiro ano, Emerson começou a manter uma lista dos livros que lia e começou a escrever um diário repartido por vários cadernos ao qual chamaria "Wide World". Emerson trabalhou como empregado de mesa e deu aulas para cobrir as suas despesas de educação. No seu último ano de universidade, Emerson decidiu que queria ser tratado pelo seu nome do meio: Waldo. Ele foi nomeado Poeta da Turma e, seguindo a tradição, apresentou um poema original no Class Day da Universidade de Harvard, um mês antes do seu dia de formatura em 29 de agosto de 1821, quando tinha 18 anos. Emerson não foi um aluno brilhante e ficou exatamente a meio da classificação da sua turma de 59 pessoas.

Em 1826, devido a problemas de saúde, Emerson começou a procurar um local com um clima mais quente para viver. Primeiro, mudou-se para Charleston na Carolina do Sul, mas achou que o clima de lá ainda era demasiado frio. Chegou ainda a viver em St. Augustine, na Flórida, onde dava longos passeios na praia e começou a escrever poesia. Enquanto vivia em St. Augustine, conheceu o príncipe Achille Murat, sobrinho de Napoleão Bonaparte. Murat era dois anos mais velho do que ele e os dois tornaram-se grandes amigos. Os dois tinham conversas profundas sobre a religião, a sociedade, filosofia e o governo. Emerson considerava Murat uma figura importante no desenvolvimento da sua educação intelectual.

Em St. Augustine, Emerson observou pela primeira vez a escravatura. Certo dia, participou numa reunião da Sociedade da Bíblia enquanto decorria um leilão de escravos no pátio do edifício. Ele escreveu: "Assim, uma orelha ouvia boas novas de grande felicidade, enquanto a outra se regalava com 'Vendido, senhores, vendido!'".

Primeiros trabalhos[editar | editar código-fonte]

Desenho de Ralph Waldo Emerson de 1878.

Depois de se formar em Harvard, Emerson ajudou o seu irmão William numa escola para jovens mulheres que ele tinha criado na casa da sua mãe.[6][7] Quando William foi estudar teologia em Gotinga, Emerson ficou responsável pela escola.[8] Nos anos que se seguiram, Emerson ganhou a vida como diretor da escola, antes de regressar a Harvard para estudar teologia. O irmão de Emerson, Edward, dois anos mais novo do que ele, também estudou em Harvard, tendo concluído o curso de Direito com as melhores notas da sua turma.[9] A saúde de Edward começou a deteriorar-se e ele teve um esgotamento, tendo sido internado no asilo McLean em junho de 1828 aos 23 anos de idade. Apesar de ter recuperado a sua saúde mental, Edward viria a falecer em 1834 do que se pensa ter sido tuberculose.[10] O seu outro irmão mais novo, o inteligente e promissor Charles, nascido em 1808, também morreu de tuberculose em 1836.[11]

Emerson conheceu a sua primeira mulher, Ellen Louisa Tucker, em Concord, New Hampshire no dia de Natal de 1827 e casou-se com ela quando ela tinha 18 anos.[12] O casal mudou-se para Boston e viveu com a mãe de Emerson. Esta ajudou-o a cuidar que Ellen que tinha contraído tuberculose.[13] Dois anos mais tarde, em 8 de fevereiro de 1831, Ellen morreu com 20 anos de idade, as suas últimas palavras foram: "Já não sei o que é ter paz e alegria".[14] Emerson ficou bastante afetado pela sua morte e visitava a sua campa em Roxbury todos os dias. Chegou a escrever no seu diário, no dia 29 de março de 1832: "Visitei o túmulo da Ellen e abri o caixão".[15]

A Second Church, uma igreja unitária de Boston, convidou Emerson para ser seu pastor e ele foi ordenado em 11 de janeiro de 1829.[16] Para além das eucaristias, as funções do pastor incluíam ser capelão da legislatura do Massachusetts e membro do comité de educação de Boston. As suas atividades na igreja mantiveram-no ocupado durante este período, mas a morte eminente da mulher fê-lo questionar a sua fé.

Após a morte da mulher, ele começou a discordar dos métodos da igreja e escreveu no seu diário em 1832: "Já cheguei a pensar que, para ser um bom pastor, era preciso deixar de ser pastor. A profissão é antiquada. Numa época mudada, veneramos com os mesmos métodos mortos dos nossos antepassados".[17] Os seus desentendimentos com os oficiais da igreja relativamente à administração da Comunhão e a sua apreensão em relação a rezar em público levaram a que apresentasse a sua demissão em 1832. Ele escreveu: "Este modo de comemorar Cristo não serve para mim. Isso é razão suficiente para o abandonar".[18]

Emerson viajou pela Europa em 1833 e, mais tarde, escreveu sobre as suas viagens no livro English Traits (1856).[19] Ele partiu a bordo do brigue Jasper no dia de Natal de 1832 e fez a sua primeira paragem em Malta.[20] Durante a sua viagem pela Europa, ele passou vários meses em Itália, onde visitou Roma, Florença e Veneza, entre outras cidades. Em Roma encontrou-se com John Stuart Mill que lhe escreveu uma carta de recomendação para conhecer Thomas Carlyle. Na Suíça ele foi obrigado pelos seus companheiros de viagem a visitar a casa de Voltaire em Ferney "sempre contrariado por não reconhecer mérito à sua homenagem".[21] Depois foi a Paris, "um sítio moderno e barulhento ao estilo de Nova Iorque", onde visitou o Jardin des Plantes. Ele ficou bastante impressionado com a organização das plantas de acordo com o sistema de classificação de Jussieu e como tudo se relacionava. Como escreveu Richardson: "O momento de compreensão por parte de Emerson da interligação das coisas no Jardin des Plantes foi um momento de uma intensidade quase visionária que o afastou da teologia e o aproximou da ciência".[22]

Na Inglaterra, Emerson conheceu William Wordsworth, Samuel Taylor Coleridge e Thomas Carlyle. Carlyle em particular, teve uma grande influência nele. Emerson acabaria por ser o seu agente literário não oficial nos Estados Unidos e, em março de 1835, tentou persuadi-lo a visitar a América para dar seminários. Os dois trocaram correspondência até à morte de Carlyle em 1881.

Lydia Jackson Emerson (a segunda mulher de Ralph Waldo Emerson) com Edward, o filho mais novo do casal

Emerson regressou aos Estados Unidos em 9 de outubro de 1833 e foi viver com a sua mãe em Newton, Massachusetts até outubro de 1834. Nessa altura mudou-se para Concord no Massachusetts para viver com Dr. Ezra Ripley, o seu avô por afinidade.[23] Emerson estava atento ao Lyceum Movement (uma série de organizações que apoiavam programas e entretenimento para o público) e viu uma oportunidade de carreira como conferencista. Em 5 de novembro de 1833 deu a primeira de 1500 conferências sobre "As Utilidades da História Natural", em Boston. A conferência consistia num relato da sua experiência em Paris e serviu para estabelecer algumas crenças e ideias importantes que viria a desenvolver no seu primeiro ensaio publicado: Nature.[24]

A Natureza é uma língua, e cada novo facto que aprendemos é uma nova palavra; mas esta não é uma língua repartida em pedaços e morta num dicionário, mas antes uma língua construída num sentido mais significativo e universal. Quero aprender esta língua, não para conhecer uma nova gramática, mas para poder ler o grande livro que está escrito nesse idioma.[25]

Em 24 de janeiro de 1835, Emerson escreveu uma carta a Lydia Jackson a pedi-la em casamento. A carta de aceitação chegou no dia 28 de janeiro. Em julho de 1835, ele comprou uma casa em Concord que chamou de "Bush" e que é atualmente um museu: o Ralph Waldo Emerson House. Emerson tornou-se rapidamente num dos residentes mais importantes da cidade. Ele deu uma conferência para comemorar o 200º aniversário de Concord em 12 de setembro de 1835 e, dois dias depois, casou-se com Lydia Jackson na cidade natal dela em Plymouth, Massachusetts. O casal mudou-se para a casa que Emerson tinha comprado no dia 15 de setembro. Ralph e Lydia tiveram quatro filhos: Waldo, Ellen (que recebeu o seu nome em honra da primeira mulher de Emerson), Edith e Edward Waldo Emerson.[26]

Obras[editar | editar código-fonte]

As obras em prosa de Emerson incluem:

Apesar de ser mais reconhecido como ensaísta, Emerson também escreveu e traduziu poemas. A poesia de Emerson inclui:

  • Coleções:
    • Poems (1847)
    • May-Day and Other Pieces (1867)
    • Selected Poems (1876)
  • Poemas:
    • "Threnody"
    • "Uriel"
    • "Works and Days"
    • "Concord Hymn" (origem da frase "The shot heard round the world") (O tiro ouvido no mundo todo).

Mídia[editar | editar código-fonte]

É dele a autoria da frase "There is no knowledge that is not power" (não há conhecimento que não seja poder), que aparece na tela inicial do jogo eletrônico "Ultimate Mortal Kombat 3", lançado em 1996 pela Midway Games.

Referências

  1. Jr, Robert D. Richardson. Emerson: The Mind on Fire (em en). [S.l.]: University of California Press. ISBN 9780520918375
  2. Levine, Alan. A Political Companion to Ralph Waldo Emerson (em en). [S.l.]: University Press of Kentucky. ISBN 0813134323
  3. a b Baker, Ronald J.. Mind Over Matter: Why Intellectual Capital is the Chief Source of Wealth (em en). [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 9780470198810
  4. Cooke, George Willis. Ralph Waldo Emerson. pp. 1, 2.
  5. McAleer, John J.. Ralph Waldo Emerson: Days of Encounter (em en). [S.l.]: Little, Brown. ISBN 9780316553414
  6. Richardson, p. 29.
  7. McAleer, p. 66.
  8. Richardson, p. 35.
  9. Richardson, pp. 36–37.
  10. Richardson, p. 37.
  11. Richardson, pp. 38–40.
  12. Richardson, p. 92.
  13. McAleer, p. 105.
  14. Richardson, p. 108.
  15. Journals and Miscellaneous Notebooks of Ralph Waldo Emerson. Volume I. p. 7.
  16. Richardson, p. 88.
  17. Sullivan, p. 6.
  18. Packer, p. 39.
  19. McAleer, p. 132.
  20. Baker, p. 23
  21. Richardson, p. 138.
  22. Richardson, p. 143.
  23. Richardson, p. 182.
  24. Richardson, p. 154.
  25. Emerson, Ralph Waldo (1959). Early Lectures 1833–36. Stephen Whicher, ed. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-22150-5.
  26. Baker, p. 86.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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