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Unitarismo

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Vitral com a frase "Deus é Um" (Egy az Isten) em uma igreja unitária em Budapeste, Hungria.
 Nota: Este artigo é sobre a corrente de pensamento teológico cristão. Para os conceitos políticos, veja União política ou Estado unitário.

O unitarismo (ou unitarianismo) é uma corrente de pensamento teológico do cristianismo que afirma a unidade absoluta de Deus, rejeitando portanto a doutrina da Trindade, que afirma que Deus é uma unidade composta por 3 pessoas distintas.[1][2] Os cristãos unitários afirmam a natureza unitária de Deus como o criador singular e único do universo, acreditam que Jesus Cristo foi inspirado por Deus em seus ensinamentos morais e que ele é o salvador da humanidade e filho de Deus, mas ele não é igual ao próprio Deus. Consequentemente, os unitaristas rejeitam os Concílios ecumênicos católicos e se situam fora do cristianismo tradicional e dominante.[3][4]

O unitarismo foi estabelecido para restaurar o "cristianismo primitivo antes que as corrupções posteriores se instalassem". A igreja do unitarismo pode incluir denominações liberais, como os unitários universalistasque pregam a liberdade de cada ser humano para buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas e doutrinas. Ou denominações cristãs unitaristas mais conservadoras, que consideram a Bíblia como única regra de fé e prática, assemelhando as demais religiões cristãs protestantes.[5]

O nascimento da fé unitária no período pós Concílios, é próximo à Reforma Radical, começando quase simultaneamente entre os Irmãos Poloneses na Comunidade Polaco-Lituana e no Principado da Transilvânia em meados do século XVI;  a primeira denominação cristã unitária conhecida por ter surgido durante esse tempo foi a Igreja Unitária da Transilvânia, fundada pelo pregador e teólogo unitário Ferenc Dávid (1520 – 1579).  Entre seus adeptos estava um número significativo de italianos que se refugiaram na Boêmia, Morávia, Polônia e Transilvânia para escapar da perseguição religiosa perpetrada contra eles pelas Igreja católica Romana e Protestante Magisterial. No século XVII, uma repressão significativa na Polônia levou muitos unitaristas a fugir ou serem mortos por sua fé.  Do século XVI ao XVIII, os unitaristas na Grã-Bretanha enfrentaram frequentemente perseguições políticas significativas, incluindo John Biddle e Theophilus Lindsey. Na Inglaterra, a primeira Igreja Unitarista foi estabelecida em 1774 na Essex Street, Londres, onde ainda se encontra a atual sede unitarista britânica.[6][7]

Os unitários não devem ser confundidos com os unicistas. Os primeiros entendem que Deus é um ser único, o Pai de Jesus Cristo.[8] Já os unicistas entendem que o Pai, o Filho e o Espírito são apenas manifestações diferentes do mesmo Deus.[9]

Apesar de sua origem em igrejas cristãs, é geralmente identificado com as correntes de combate ao trinitarismo, teve diversas manifestações ao longo da História, com apoio por vezes parcial ou total com outros movimentos que compartilham seu comum desacordo com o dogma da Trindade, como o subordinacionismo, o arianismo, o serventismo ou o socianismo.

História

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Período apostólico e Primeiros Pais da Igreja

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Dado que a palavra e o conceito de Trindade, tal como se entende no sentido cristão, não constam no Novo Testamento, os unitários argumentam que o unitarismo teria seu início com o próprio Jesus, que, defendem, tinha consciência de ser simplesmente um homem enviado de Deus ao Mundo para transmitir Sua vontade, sem, todavia, ser divino, nem compartilhando da natureza do Pai. Ao longo dos três primeiros séculos do cristianismo aparecem diversos autores que afirmam a natureza "mais que humana" de Cristo e atribuem-lhe um caráter divino, ou semidivino, como filho de Deus.

Escritos cristãos do século I, não mencionam a trindade e indicam que os primeiros cristãos acreditavam em uma fórmula divina unitária mais parecida com a do Judaísmo. Os cristãos se viam como continuadores do monoteísmo judaico, mas reinterpretando a identidade de Deus à luz da pessoa de Jesus. A doutrina trinitária formal ainda não existia e o Pai YHWH era visto como o único Deus. (1Cor. 8:4-6 e Ef. 4:6). Entretanto, Jesus era chamado de "Senhor" (Kyrios) e colocado em posição única de autoridade e culto (Fp 2:9-11). E o espírito Santo aparece como poder/ação de Deus, às vezes personificado, mas não é descrito como uma “terceira pessoa” no mesmo nível do Pai e do Filho.

Durante o século II, Inácio de Antioquia, Justino e Irineu de Lião declararam uma cristologia elevada, mas com uma concepção subordinada e inferior ao Pai. Apenas Tertuliano por volta do século III passou a fazer as primeiras declarações da palavra Trinitas (Trindade), mas ainda de modo embrionário.[10][11] Muitos historiadores acreditam que a doutrina da trindade "se desenvolveu gradualmente ao longo de vários séculos e por meio de muitas controvérsias".  Esses estudiosos argumentam que "foi o Concílio de Nicéia e, mais especialmente, o Credo de Atanásio que primeiro deram ao dogma sua formulação definitiva"[12]

Concílios Ecumênicos e Condenação de Ário

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A partir do século III, os subordinacionistas afirmavam que o Filho estava subordinado ao Pai e submetido a sua vontade, enquanto que outros pensadores cristãos começavam a trabalhar com a ideia do caráter divino de Jesus Cristo e sua identificação com a Divindade. Em outro extremo se situavam os que identificavam totalmente o Pai ao Filho, entendendo que o Pai também havia sofrido e morto na cruz (patripassianismo) e que Pai, Filho e Espírito Santo, não eram mais que modalidades ou manifestações de uma única realidade divina (sabelianismo ou modalismo). O primeiro a utilizar a palavra "Trindade" foi Tertuliano.

Ao chegar o século IV e o Édito de Milão, todas estas discussões teológicas vieram definitivamente à tona e começou-se a defendê-las adversamente. Constituíram-se dois grandes grupos: os que afirmavam que o Filho havia sido criado por Deus no princípio, e que, portanto, não podia identificar-se com Ele, que se agruparam ao redor de Ário e de Eusébio de Nicomédia, e os que afirmavam que o Filho era consubstancial (homoousios) com o Pai, liderados pelo bispo Alexandre de Alexandria e especialmente por seu sucessor, Santo Atanásio. No Primeiro Concílio de Niceia (325) se aprovou oficialmente o dogma da Trindade e se condenou o arianismo como herético; uma decisão que, com os distintos caminhos dos anos seguintes, acabaria sendo confirmada pelo Primeiro Concílio de Constantinopla (381). Não obstante, o arianismo perduraria pelos reinos godos que ocuparam o Império Romano do Ocidente, em meados do século VI. Ário foi condenado com seus escritos e seguidores. O veredito foi assinado por quase todos os bispos presentes. Eusébio e três outros, ao se recusaram a assinar, foram obrigados a seguir os demais pelas ameaças do imperador: somente Teonas de Marmárica e Secundo de Ptolemaida tiveram coragem de partilhar o destino de Ário e o acompanharam à Ilíria, onde se exilou. Decreto foi emitido, mandando a todos, sob pena de morte, que pegassem seus livros para serem queimados e rotulassem os arianos como porplírios.

Variantes no período de proibição

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Apesar de proibido pela Igreja Católica, vertentes cristãs unitárias ou Antitrinitarias, seguiram surgindo, como o Islamismo, que surgiu como uma sedição cristã/judaica em terras árabes lideradas por Maomé. [13]

Reformas Protestantes e Perseguições

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Martin Cellarius (1499–1564), um amigo de Lutero, e Hans Denck (1500–1527) geralmente são considerados os primeiros pioneiros literários do movimento; a posição antitrinitária de Ludwig Haetzer não se tornou pública até depois de sua execução (1529) por anabatismo. Lutero se opôs ao movimento unitário e via o fundador do islamismo, Maomé, como um adepto dos ensinamentos de Ário.

Ao iniciar-se a Reforma Protestante no século XVI, numerosos intelectuais começaram a publicar seus próprios pontos de vista acerca da doutrina cristã, sem esperar o beneplácito de Roma, dentro do espírito protestante de livre exame da Bíblia. Um destes foi Miguel Servet, médico e teólogo espanhol. Em seus livros De Trinitatis Erroribus (1531), Dialogorum de Trinitate (1532) e Christianismi Restitutio (1553), questionou a base bíblica e racional da doutrina trinitária. Suas opiniões heterodoxas e sua liberdade de espírito, fizeram-no ser perseguido como herege pela Inquisição. Em Genebra foi preso pelos seguidores de Calvino e condenado a morrer na fogueira por negar a Trindade e condenar o batismo infantil (27 de outubro de 1553); Servet influenciou vários de seus contemporâneos. O estudioso lituano Piotr de Goniadz admitiu a validade de seus argumentos e convenceu uma parte da nascente Igreja Calvinista da Polônia, que formou a chamada Igreja Reformada Menor, mais conhecida como Irmãos Poloneses sobre os postulados antitrinitários. De outra parte, o reformado liberal Sebastião Castellio reprovou duramente Calvino em sua intolerância e seu fanatismo e proclamou a liberdade de consciência em assuntos de fé, um princípio que logo foi postulado pela tradição Unitária.

Igreja fortificada de Dârjiu, na Transilvânia, da Igreja Unitária da Transilvânia. Esta é a única igreja fortificada unitarista que está na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO

Alguns anos depois, o reformador humanista italiano Fausto Socino (1539-1604) desenvolveu sua própria obra teológica, marcada pelo Antitrinitarismo e o uso da racionalidade. Para Sozzini, a religião evocava questões que estavam "além da razão" (contra rationem), pelo que os credos deviam concordar com a razão humana. Sozzini encontrou refúgio na Polônia, onde foi recebido pelos Irmãos Poloneses, onde nunca chegou a ser membro oficial do grupo, por negar-se a ser batizado de novo. Na cidade de Racóvia, próximo à Cracóvia, os Irmãos Poloneses desenvolveram um grande centro de estudos que atraiu numerosos eruditos e intelectuais de diferentes países.

Em 1605, um ano depois da morte de Sozzini, os sozzinianos da Igreja Menor publicaram o catecismo racoviano, resumo das doutrinas de seus mestre e que teve uma grande influência nos anos posteriores na Alemanha, nos Países Baixos e na Inglaterra. A Igreja Reformada Menor desapareceu em 1640 pela crescente intolerância na Polônia em decorrência do início da Contrarreforma.

Entretanto, o reformado húngaro Ferenc Dávid havia abandonado o calvinismo para pregar o cristianismo unitário na Transilvânia (região que atualmente se encontra na Romênia), influenciado pelo médico italiano Giorgio Blandrata, seguidor das ideias de Servet. O rei João Sigmundo da Transilvânia aceitou o unitarismo e ditou o primeiro édito de tolerância religiosa da história moderna da Europa, em 1568, para permitir a livre prática religiosa em seu país, incluindo o catolicismo. Este status especial perdurou com dificuldade, por conta da invasão da Transilvânia pela Áustria no século XVIII e o domínio mais ou menos efetivo do Império Austro-Húngaro e, posteriormente da Itália fascista, após a Primeira Guerra Mundial, hoje existe entre os magiares as Igreja Unitária Húngara e Igreja Unitária da Transilvânia na Romênia.

O Concílio Anabatista de Veneza de 1550 marca o início de um movimento antitrinitário formal, porém clandestino, na Itália, liderado por homens como Matteo Gribaldi . Os exilados italianos espalharam visões antitrinitárias para a Suíça, Alemanha, Polónia, Transilvânia e Holanda. Entre 1548 (John Assheton) e 1612, cristãos que negavam a Trindade foram executados ou forçados a se retratar. Os queimados incluíam o cirurgião flamengo George van Parris (1551); Patrick Pakingham (1555), um negociante de madeira; Matthew Hamont (1579), um lavrador; John Lewes (1583); Peter Cole (1587), um curtidor; Francis Kett (1589)[14], médico e autor; Bartholomew Legate (1612)[15], um negociante de tecidos e última das vítimas de Smithfield; e Edward Wightman, queimado duas vezes (1612)[16]. Em todos esses casos, os sentimentos antitrinitários parecem ter vindo da Holanda. As duas últimas execuções seguiram a dedicação a Jaime I da versão latina do Catecismo Racoviano (1609).

A ordenança de 1648 tornou a negação da Trindade uma ofensa capital, mas permaneceu letra morta, com Oliver Cromwell intervindo nos casos de Paul Best (1590-1657) e John Biddle (1616-1662).

Atos de Tolerância e Popularização na Inglaterra e Estados Unidos

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Durante a Comunidade Inglesa e o reinado de Carlos II, dissidentes não-conformistas, incluindo católicos romanos , foram sujeitos à perseguição religiosa e impedidos de ocupar cargos oficiais. Após a restauração de Carlos II, os líderes anglicanos debateram em correspondência e sermão público até que ponto a igreja anglicana deveria permitir latitude doutrinária; este debate estava relacionado ao debate correspondente sobre a ampliação da filiação à igreja e a tolerância a dissidentes. Em 1688, foi declarada no Reino da Inglaterra, a Lei de Tolerância de 1688. O ato permitiu liberdade de culto a não-conformistas que haviam jurado fidelidade e supremacia e rejeitado a transubstanciação, ou seja, a protestantes que discordavam da Igreja da Inglaterra, como Batistas, Congregacionalitas ou Presbiterianos ingleses, mas não a católicos romanos. Os não-conformistas tinham permissão para ter seus próprios locais de culto e seus próprios professores, desde que aceitassem certos juramentos de fidelidade.[17]

Isaac Newton era um antitrinitário. Um de seus últimos visitantes antes de sua morte em 1727 foi Samuel Crellius da Lituânia. Porém, seus escritos teológicos não trinitários se popularizaram apenas após sua morte. Sua obra Um Relato Histórico Sobre Duas Notáveis Corruções de Escritura, primeiro publicada em 1754, vinte e sete anos após a sua morte, reexaminava toda a evidência textual disponível, de fontes antigas, sobre duas passagens bíblicas, em 1 João 5:7 e 1 Timóteo 3:16 e atestavam serem manipulações as frases: "Pai, a Palavra e o Espirito são um" e "Deus manifestado em carne". [18]

Igreja Unitária Newington Green em Londres, Inglaterra. Construída em 1708, esta é a igreja não-conformista mais antiga de Londres ainda em uso.

Na Inglaterra, o impulso religioso radical da Reforma permaneceu entre os Dissenters, nome que englobava as igrejas livres opostas à hegemonia da Igreja Anglicana. O pensador John Biddle foi muito influenciado pelo socinianismo, e a filosofia de John Locke conjuntamente com os racionistas do iluminismo ganharam muitos adeptos, tanto entre o clero anglicano quanto entre pensadores e cientistas ingleses da época. Por fim, o pastor anglicano Theophilus Lidsey fundou a primeira igreja unitária inglesa em Londres, com Joseph Priestley, cientista (descobriu o Oxigênio e outros gases) e político (apoiava abertamente a Revolução Francesa, o que lhe acarretou numerosas antipatias ao ponto de ter que emigrar para a América, após terem incendiado sua casa). Posteriormente, Priestley ajudou a fundar a primeira igreja unitária da Filadélfia, EUA, em 1796.

Entre os protestantes puritanos que haviam emigrado às colônias da América do Norte, se produziu uma evolução similar à ocorrida na Inglaterra. Os pastores puritanos se cindiram em dois grupos, um conservador e evangélico, de convicções calvinistas, e outros liberal, racionalista e de ideias arminianas e arianas. No princípio do século XIX, os pastores liberais das igrejas da Nova Inglaterra reconheciam como seu líder a William Ellery Channing de Boston, cidade que se converteu no núcleo do Unitarismo norte-americano, até o ponto que se dizia que a fé dos unitários se baseava na unidade de Deus, na humanidade de Jesus e na vizinhança de Boston.

Por toda Gales e no Reino Unido em meados do século XVI existiam igrejas sabatistas consideradas Igrejas "não conformes" que eram unitárias, a enciclopédia Chambres diz da Church of God Millyard uma igreja que se aferrava na observância do sábado e eram igualmente unitária. Os cristãos unitários dos países anglo-saxões, que eram de orientação principalmente ariana, acabaram negando não só ao dogma da Trindade, como afirmando que Jesus Cristo não fosse nada mais que um homem, ainda que vendo nele ao profeta que havia sido eleito por Deus para transmitir sua revelação aos homens, como provavam seus numerosos milagres. Os milagres de Jesus eram, pois, a demonstração empírica de sua eleição divina como Salvador. Os unitários rejeitavam as manifestações espiritualistas ou emocionais de fervor religioso do Grande Avivamento que estava produzindo-se nas igrejas ortodoxas do puritanismo anglo-saxão. Muitos deístas, como Thomas Jefferson, se manifestaram favoráveis à doutrina.

R.W. Emerson e o transcendentalismo

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Em 15 de julho de 1838, Ralph Waldo Emerson, que havia sido ministro Unitário em Boston, pronunciou um discurso (The Divinity School Address) na Universidade de Harvard com resultado decisivo para a história do unitarismo norte-americano. Influenciado pelo romantismo alemão e pelo hinduísmo, Emerson propôs uma via intuitiva a Deus, baseada na capacidade inata da consciência individual, sem a necessidade de milagre, hierarquias religiosas ou mediações. Esta filosofia espiritual recebeu o nome de transcendentalismo. Apesar da ideologia liberal de Harvard, o incidente foi considerado um escândalo, mas, muitos pastores e teólogo unitários, particularmente os mais jovens, descobriram na via transcendentalista de Emerson uma forma de superar a rigidez intelectual imperante no unitarismo e desenvolver uma fé individualista e renovadora, além dos limites da revelação bíblica. Theodore Parker foi o grande renovador do unitarismo norte-americano, seguindo as linhas definidas por Emerson. O principal defensor do unitarismo tradicional de base bíblica foi Andrews Norton. A divisão entre transcendentalista e unitários bíblicos se manteve até finais do século XIX.

O unitarismo universalista

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Em 1933, divulgou-se nos Estados Unidos um documento chamado Manifesto Humanista,[19] subscrito por um grande número de cientistas e intelectuais, entre esses vários líderes unitários, que significou o início de uma nova maneira de entender a religião do tipo naturalista em que conceitos como "Deus" ou "vida depois da morte biológica" deixavam de ser centrais. Segundo os humanistas, a religião devia deixar de especular sobre realidades metafísicas e concentrar-se exclusivamente na transformação do mundo e no aperfeiçoamento moral do ser humano. O humanismo teve um impacto notável nas Igrejas Unitárias do âmbito anglo-saxão, chegando inclusiva a tornar-se a corrente majoritária do unitarismo norte-americano. Todavia, o unitarismo cristão de base bíblica e o panteísmo transcendentalista mantiveram-se coexistindo com a nova doutrina. Assim, desde meados do século XX, o unitarismo norte-americano foi deixando de ser uma igreja exclusivamente cristã e protestante para converter-se progressivamente em uma igreja liberal sem credo e cada vez mais multiconfessional, o que alguns atualmente chamam de unitarismo universalista. Recentemente, esta tendência se incrementou com a existência nas Igrejas Unitárias anglo-saxãs de pessoas que, além de unitárias, definem-se também como judeus, budistas, neopagãos ou de outras religiões.

Os unitários norte-americanos de fundiram com a Igreja Universalista da América para fundar em 1961 a Associação Unitária Universalista, cuja sede central encontra-se em Boston.[20]

Unitarismo contemporâneo

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Igreja unitário-universalista em Louisville, Kentucky nos Estados Unidos

Em 1995, constituiu-se o Conselho Internacional de Unitários e Universalistas (ICUU) para coordenar as diversas igrejas e associações unitárias e universalistas no mundo. Atualmente, calcula-se que existem cerca de 800 000 unitários em 25 países do mundo, principalmente nos Estados Unidos, Romênia, Hungria, Canadá, Grã-Bretanha e Irlanda (Igreja Presbiteriana Não Subescrevente da Irlanda) e minoritariamente em outros países.

Dentro das comunidades unitário-universalistas há unitários cristãos, universalistas trinitários e pessoas de outras convicções religiosas. Também existe grupos unitários cristãos que não são ligados à Associação Unitária-Universalista e suas congêneres nacionais. O modelo de organização das congregações unitárias é democrático e participativo, tendo como base a autonomia de cada grupo local. Os membros da congregação se reúnem periodicamente em assembleia para discutir os assuntos da comunidade e eleger os cargos eletivos. Esta forma de organização deriva de suas origens protestantes.

As associações nacionais estão baseadas na união federal das congregações locais. Os dignitários nacionais são eleitos por procedimentos democráticos pelos delegados das congregações e são renovados periodicamente. O presidente da associação nacional de congregações (que em Transilvânia e Hungria tem hierarquia de bispo) não tem autoridade doutrinária e costuma ser mais bem uma figura representativa que atua como porta-voz da Igreja perante a sociedade e os meios de comunicação.

Algumas Igreja Unitárias têm clero e outras não, conforme a tradição histórica de cada país. Nos países onde há ministros cada congregação é livre para decidir se quer uma gestão totalmente laica ou se deseja ter um ministro, durante quanto tempo e quando decide substituí-lo por outro. Podem ser ministros tanto homens como mulheres sem importar seu sexo, estado civil nem orientação sexual. O trabalho de um ministro se centra em dirigir os serviços religiosos e as cerimônias públicas, prestar assistência pastoral aos membros da congregação que solicitem sua ajuda e conselho, e periodicamente deve prestar contas de sua gestão ao comitê diretivo da congregação.

Outros não trinitários contemporâneos

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Salão do Reino do grupo unitário, Testemunhas de Jeová no Brasil.

Outras igrejas cristãs, também têm uma teologia antitrinitária, sem conexão atual com o unitarismo histórico, mas que de alguma forma são frutos daqueles. Entre essas se destacam as Testemunhas de Jeová, a Mensagem de William Branham, Igreja de Deus do Sétimo Dia e os cristadelfianos. Já os unitaristas bíblicos[21][22] não são propriamente igrejas, mas grupos de pessoas, que independentemente de igrejas, professam fé unitária e buscam reconstruir o caminho histórico do unitarismo. Essas igrejas e grupos combinam a recusa da doutrina da Trindade (com distintas variantes), com uma interpretação rigorista e, em certos casos, fundamentalista dos textos bíblicos, o que as distingue muito claramente das igrejas unitárias universalistas, que sempre têm se inclinado ao extremado liberalismo teológico. Outros grupos liberais de inspiração cristã, como a Igreja da Unidade e outras correntes do Novo Pensamento também mostram uma inclinação às ideias unitaristas. O espiritismo kardecista, religião cristã, também nega o dogma da trindade.[carece de fontes?]

Rituais e celebrações das igrejas unitárias universalistas

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As igrejas unitárias têm sua origem na reforma protestante, pelo que muitas de suas tradições e celebrações refletem este legado cultural. Sem embargo, uma das características principais desta tradição religiosa é sua enorme variedade e sua tendência a experiências e inovações.

Serviços de culto

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Os serviços de culto normais ocorrem tradicionalmente no domingo de manhã. Habitualmente são encontros semanais ainda que os grupos menores possam optar por reunirem-se quinzenalmente ou mensalmente. É o momento em que toda a congregação se reúne para celebrar sua fé em comunidade.

Os serviços costumam iniciar com uma peça musical enquanto os assistentes tomam assento e centram seus pensamentos no ato que vão compartilhar. Desde os anos 1960 do século XX é cada vez mais frequente que o ministro ou um membro da congregação acenda uma chama num cálice ou taça enquanto recita umas palavras relativas à fé que compartilham todos os assistentes (que são geralmente distintos em cada sessão, sem seguir nenhuma norma fixa). O cálice aceso se converteu no símbolo de identificação compartilhado pela maioria dos grupos Unitários de todo o mundo e costuma ser utilizado também como logótipo em suas páginas Web e em suas publicações.

Após a leitura das comunicações das distintas comissões, grupos de discussão e meditação, ou outras atividades de estudo, fraternidade e recreação vinculadas à vida cotidiana da congregação, o serviço de culto continua com a leitura de textos religiosos ou filosóficos. Também costuma haver cânticos (geralmente da tradição cristã protestante, ainda que cada vez se publiquem mais hinos exclusivamente unitaristas). Também se costuma realizar atos para os mais pequenos, que em seguida são conduzidos por seus monitores às salas de aula onde se dá formação religiosa para crianças e jovens.

O núcleo da celebração é, habitualmente, o sermão ou exposição oral do ministro ou do líder laico que dirige o serviço religioso. Ocasionalmente, principalmente se a congregação é pouco numerosa, se abre um espaço para o debate entre os assistentes sobre as ideias apresentadas pelo ministro em seu sermão.

Ritos e cerimônias

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Nas igrejas unitárias celebram-se habitualmente cerimônias de dar nome ou bênção às crianças (não se pode falar propriamente de batismo), bodas e funerais. Estes atos não são restritos aos membros da congregação, podendo ser solicitados, também, por outras pessoas. Em sociedades multi-culturais como os Estados Unidos e o Canadá, são muitos os casais de duas tradições religiosas distintas que decidem casar-se em uma igreja Unitária devido ao seu caráter ecumênico e pluralista. As igrejas unitárias celebram, também, regularmente e com normalidade, uniões matrimoniais entre pessoas do mesmo sexo.

Celebrações experimentais

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As congregações unitárias mais inovadoras são propensas a organizar em certas ocasiões celebrações pouco ortodoxas, nas quais se pode utilizar teatro, dança e outras expressões artísticas em substituição ao sermão habitual.

As igrejas unitárias desenvolveram, também, rituais originais próprios, como a Comunhão das Flores, criada pelo pastor Norbert Čapek, da República Tcheca. Essas novidades nas celebrações são sinal da progressiva diferença entre as igrejas Unitárias, com relação aos ofícios religiosos, e outras confissões de origem protestante.

Também é relativamente frequente a celebração de festividades específicas de outras religiões, como a Hanukkah judaica, cerimônias budistas, Shinto, etc. Nos Estados Unidos se percebe, também, uma influência crescente do neopaganismo e das religiões nativas americanas. Essa pluralidade se percebe de forma ambivalente, em ocasiões, como riqueza na diversidade e, em outras ocasiões, como desvirtuação das essências do unitarismo. Assim, apareceram recentemente grupos que discordam do excesso de pluralismo e sincretismo que percebem no unitarismo moderno, geralmente reivindicando um regresso às suas raízes cristãs. Um exemplo é a Conferência Unitária Americana (AUC).

Unitaristas Notáveis

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Newton teve escritos unitários publicados após sua morte

Unitaristas notáveis ​​incluem os compositores clássicos Edvard Grieg e Béla Bartók; Ralph Waldo Emerson, Theodore Parker e Yveon Seon. Em teologia e ministério; Oliver Heaviside, Erasmus Darwin, Joseph Priestley, John Archibald Wheeler, Linus Pauling. Na ciência, Sir Isaac Newton e o inventor Francis Ronalds e George Boole. No governo, Susan B. Anthony, Frances Ellen Watkins Harper, Whitney Young, John Browning, Florence Nightingale, Samuel Taylor Coleridge. Na literatura e nas artes, Elizabeth Gaskell, Frank Lloyd Wright, Josiah Wedgwood, Richard Pococke, Julia Ward Howe, Ezra Cornell fundador da Universidade Cornell em Ithaca, Nova York, frequentou a igreja unitária e foi um dos fundadores da Primeira Igreja Unitária de Ithaca. Eramus Darwin Shattuck, signatário da Constituição do Estado do Oregon, fundou a primeira igreja unitária no Oregon em 1865. [23]

Quatro presidentes dos Estados Unidos eram unitaristas: John Adams, John Quincy Adams, Millard Fillmore e William Howard Taft. Adlai Stevenson II, o candidato presidencial democrata em 1952 e 1956, era unitarista; ele foi o último unitarista a ser nomeado por um grande partido para presidente em 2024. [ citação necessária ] Embora um autodenominado materialista, Thomas Jefferson era pró-unitarista a ponto de sugerir que se tornaria a religião predominante nos Estados Unidos. [24]

No Reino Unido, embora o Unitarismo fosse a religião de apenas uma pequena minoria da população, seus praticantes tiveram um enorme impacto na política vitoriana, não apenas nas cidades maiores - Birmingham , Leeds , Manchester e Liverpool - mas em comunidades menores como Leicester , onde havia tantos prefeitos unitários que a Capela Unitária era conhecida como "Ninho dos Prefeitos".  Numerosas famílias unitárias foram altamente significativas na vida social e política da Grã-Bretanha desde a época vitoriana até meados do século XX. Elas incluíam os Nettlefolds , Martineaus , Luptons , Kitsons , Chamberlains e Kenricks.  Em Birmingham, Inglaterra , uma igreja unitária - a Igreja do Messias - foi inaugurada em 1862. Tornou-se um centro cultural e intelectual de toda uma sociedade, um lugar onde as ideias sobre a sociedade eram discutidas aberta e criticamente

Argumentos Unitários

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Bases Bíblicas

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Geralmente, unitários entendem como claras as passagens bíblicas que exaltam a unidade absoluta de Deus no monoteísmo bíblico e da distinção entre funções aplicadas pelos apóstolos a Deus e Jesus no novo testamento junto da subordinação do próprio Jesus em suas declarações.

Deuteronômio 6:4, onde Deus é descrito como "um só". Essa passagem com o nome de Deus YHWH é citada por Jesus em Marcos 12:29. De forma similar, Deuteronômio 4:35, 39 diz que não há outro Deus, senão Jeová. Em João 17:3, Jesus em oração ao Pai, diz: "A vida eterna é que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". De forma similar, o apóstolo Paulo segue a distinção entre Deus e Jesus em 1 Coríntios 8:6 e Efésios 4:4-6. A carta de Judas 25 também coloca o único Deus, como um ser distinto de Jesus. Em 1 Timóteo 2:5 — “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus.”

Os unitários geralmente entendem que Jesus, diferente de Deus, teve um início/geração na criação baseando-se em textos como Colossenses 1:15 e Apocalipse 3:14. Consideram também o relato de Provérbios 8 como aplicado a criação de Jesus.[25] e que sua vida foi dada por Deus (João 5:26 e 6:57). Entendem também que o próprio Jesus se colocava como submisso ao Pai (Joao 5:18,19) e que tinha limitações em relação ao poder do Pai (Marcos 13:32, Lucas 22:42). Entendem que Jesus tinha o Pai como o seu Deus (João 20:17) e que os cristãos primitivos também entendiam isso (Efésios 1:17). Entendem que Jesus é o filho de Deus pré-existente, primeira criação de Deus e a única feita exclusivamente por ele, pois Jesus aparece como "meio" da criação em textos como Colossenses 1:16 e João 1:3. Também entendem que Jesus teve todas as suas posições, poderes e autoridades dadas por Deus (Atos 2:36, 5:31, João 5:27) e será eternamente submisso ao Pai (1 Coríntios 15:24-28)

Interpretações de supostas Bases trinitárias

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Genesis 1:1; 1:26, 27 - Usado como base trinitária pela pluralidade da palavra "Deus" em hebraico, Elohim. É normalmente entendido pelos unitários como um Plural majestático ou de intensidade, que não pode ser considerado um plural, quando o substantivo seguinte está no singular. Além disso, a frase no plural da criação com "façamos" é vista como uma fala de Deus com suas outras criaturas pré-mundo, como Jesus e os anjos, usando textos como o de Colossenses 1:15 e Apocalipse 3:14 para a criação de Jesus e Jó 38:4-7 para criação dos anjos.[26]

Genesis 18 e 19 - Os três homens que aparecem a Abraão, são vistos pelos unitários como anjos que representavam a Deus, com base em outra ocasião registrada em Êxodo 3:2,6. Além disso, se destacam o fato de que um dos homens permanece com Abraão e os outros vão para Sodoma no capítulo 19 e afirmam serem enviados por Jeová/Iahweh no 19:13.[27]

Isaías 6:3 - Usado por alguns trinitários pela repetição da palavra "Santo" três vezes para Jeová/Iahweh, é visto pelos unitários apenas como um ênfase dado pelo escritor. Outros exemplos são apontados em Jeremias 22:29 e Ezequiel 21:27.

Isaías 9:6 - A profecia messiânica que aponta que Jesus seria chamado de "El Gibbor" traduzido como "Deus forte/poderoso" é visto pelos unitários como um título qualitativo e não uma identificação. É destacado que o texto diz que Jesus receberia no futuro aqueles títulos pelo zelo de Jeová/Iahweh no versículo 7.

Jeremias 23:5,6 - A profecia messiânica que aponta que Jesus seria chamado de "Jeová, nossa justiça", é vista como simbólica. Os exemplos de Jerusalém recebendo o mesmo nome em 33:16 e de outros nomes teoforicos são usadas como exemplo. Também se destaca o nome de Deus não mudar em Ex. 3:15 e Sal. 135:13 e o de Jesus sim em Apo. 3:12.

Mateus 1:23 - A interpretação de que Jesus teria o nome de "Emanuel" que significa "Deus conosco" é entendida como simbólica pelos unitários, citando exemplos de outros nomes teoforicos, como o de Eliú que significa "Meu Deus é ele".

Mateus 28:19 - A fórmula batismal trinitária, é vista pelos unitários como uma simples menção de três coisas juntas. Não que seriam coiguais e coeternas. São citadas outras sequências de três diferentes mencionados juntos em 1 Ti. 5:21; Mat. 16:27; 24:36; Mar. 8:38; Luc. 9:26, além dos outros batismos no livro de Atos, serem apenas em nome de Jesus. Algumas vertentes, acreditam em uma possível adulteração deste texto para a fórmula trinitária, mas a maioria acreditam ser um texto autentico.[28][29]

João 1:1 - A interpretação de que Jesus seria Deus neste texto é entendida pelos unitários como um qualitativo devido a diferenciação gramatica das ocorrências da palavra "Deus" em grego no versículo. Enquanto o Deus com o qual Jesus estava é chamado de "ton-theon" no acusativo, o verbo é chamado de "theos" sem artigo definido, o que gramaticalmente pode ser entendido como um predicativo nominativo anartro pré-verbal, que possibilita o entendimento de um qualitativo/característica, e não de um acusativo/identificação. Algumas traduções, acrescentam um artigo definido na parte c, com o objetivo de destacar essa diferenciação, usando como exemplos estruturais Atos 28:6, Marcos 11:32 e João 6:70. O contexto em Joao 1:18 também é usado como um reforço da distinção entre o Deus jamais visto e Jesus, que seria o Deus unigênito. [30]

João 8:58 - A ligação entre a frase dita por Jesus, "Eu Sou o Que Sou" com o nome de Deus em Êxodo 3:14, é vista como uma má tradução pelos unitários da frase hebraica progressiva "Ehyeh asher ehyeh". Também entendem que o contexto de João 8 se aplica a Jesus falando sobre seu tempo de existência pré-humana. [31]

João 10:30 - A frase dita por Jesus de "Eu e o Pai somos um" é entendida pelos unitários como uma união, não uma igualdade. É usado outras ocorrências da mesma frase usadas por Jesus em João 17:11, 21-23.[32]

Joao 14:16, 15:26 - Os unitários entendem que o "outro consolador" citado por Jesus era uma comparação em relação a função, não de uma outra pessoa enviada. (João 14:16, 26; 15:26; 16:7). Entendem que o argumento da palavra Allos (Outro da mesma espécie) não é um argumento válido, pois a palavra Héteros (Outro de outro tipo) só passou a ser usada no grego clássico posteriormente.[33]

João 20:28 - Os unitários entendem que Tomé, o Apóstolo, ao dizer "Meu senhor e meu Deus" ao ver Jesus ressuscitado, se referia a uma exclamação de espanto ao seu Deus, não a Jesus. Usam o 20:17 como contexto para apoiar que o Deus de Tomé e Jesus era o Pai. O fato da expressão grega para senhor (Kyrios) é colocada no nominativo e não no vocativo, como nas outras ocorrências aplicadas a Jesus.

Atos 5:3,4 - Os unitários entendem que o espirito santo pertencia a Deus no versículo 9 e agia nos apóstolos no 4:31. Por isso, não o interpretam como uma terceira pessoa, mas sim, o poder de Deus agindo para que os apóstolos o representassem. (Atos 2:17)[34]

Romanos 9:5 - Os unitários entendem que o contexto mostra que não se aplica a Jesus a expressão Deus Bendito e Aquele que é sobre todos - Romanos 1:7, 8, 25. Outros escritos paulinos como Ef. 4:6 mostram o Pai como o Deus sobre todos.

2 Coríntios 13:13,14 - É entendido pelos unitários como uma saudação de Paulo a congregação, não uma declaração de coigualdade e coeternidade. Se destacam também o fato do Pai não ser mencionado, e sim, Deus com distinção a Jesus e o espirito santo.

Filipenses 2:6-11 - É entendido pelos unitários como uma descrição de que Jesus tem "aparência divina", por ser descrito como existindo "em forma de Deus". O significado da palavra grega, "morphe" é destacado como se referindo a aparência externa. Também se apoiam no contexto, onde Jesus é descrito como não tendo a intenção de usurpar a posição de Deus e recebendo de Deus uma exaltação.

Colossenses 2:9 - É interpretado pelos unitários que a plenitude divina que Jesus tem foi entregue por Deus a ele em Colossenses 1:19.

1 Timóteo 3:16 - A expressão "Deus se manifestou em carne" é alvo de debates para uma possível adulteração.[35] Os manuscritos mais confiáveis e antigos (Codex Sinaiticus, Codex Alexandrinus) não trazem a palavra (Théos), e sim ‘‘Aquele’’ (Ὃς - hos).[36]

Hebreus 1:3 - Os unitários entendem que a palavra traduzida como “reflexo” ou “expressão exata” é charaktḗr significa instrumento para esculpir e gravar; reprodução precisa; impressão.

1 João 5:7, 8 - Os unitários entendem que o versículo foi adulterado para favorecer a doutrina da trindade, conforme a maioria dos tradutores da atualidade que confirmam que o texto é possivelmente uma interpolação, o excluindo das traduções ou o colocando em notas marginais. [37]

Referências

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  3. Bremer, Thomas S. (10 de outubro de 2014). Formed From This Soil: An Introduction to the Diverse History of Religion in America (em inglês). [S.l.]: John Wiley & Sons. Consultado em 2 de outubro de 2025 
  4. Wierwille, Jerry (8 de agosto de 2011). «Jesus Christ: Incarnated or Created? - BiblicalUnitarian.com» (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2025 
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  31. Tempos verbais em hebraico denotam ação, não do tempo: o tempo perfeito denota ação concluída, e o imperfeito denota ação incompleta. Assim, o pretérito imperfeito pode ser traduzido como presente ou futuro, e isso pode causar problemas na tradução. A dificuldade é que para a mente hebraica, mesmo algo concluído pode ser no futuro: "Por exemplo, eu posso dizer "meu pai me ensinou sobre a vida", que é escrito no pretérito. Enquanto meu pai me ensinou há muitos anos, nós vemos isto como tempo passado e na mente hebraica é uma ação concluída. Mas, na mente hebraica esta ação concluída existe no passado, presente e no futuro. Eu ainda aprendo com meu pai hoje, lembrando tudo o que ele me ensinou e vou continuar a aprender com ele mesmo depois de ele estar morto". [4] Para traduções alternativas do nome de Deus ver pages/08_myname.htm Rakkav.com
  32. «Em que sentido Jesus e o Pai são um? — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia». wol.jw.org. Consultado em 3 de outubro de 2025 
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  35. Newton. «Objeções de Newton». quora. Cópia arquivada em |arquivourl= requer |arquivodata= (ajuda) 🔗 
  36. Queruvim (10 de abril de 2012). «1 Timóteo 3:16». Tradução do Novo Mundo Defendida!. Consultado em 3 de outubro de 2025 
  37. «1 João 5:7 – Centro de Pesquisas Ellen G. White». Consultado em 3 de outubro de 2025 

Ligações externas

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