Cabula

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Cabula é a denominação de uma religião afro-brasileira, surgida em meados do do século XIX, de caráter secreto, sincretizadora do leque malê, banto e maçônico.

A Cabula é classificada como candomblé de malê, uma modalidade islamismo africanizado; ou como uma maçonaria de negros, pois apresenta características de sociedades secretas. Essa vertente desenvolveu-se principalmente no estado do Espírito Santo e expandiu-se para os estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina

Cabula é também o nome de um bairro de Salvador que teve origem no quilombo do Cabula, onde no século XVI, negros de origem conga e angola buscaram refúgio e pretendiam criar no centro histórico de Salvador, um local de resistência o sistema escravista. O Quilombo da Cabula foi destruído em 1807, quando João Saldanha da Gama, Conde de Ponte, que era então governador e capitão general da capitania da Bahia, mandou o Capitão-Mor das Entradas e Assaltos do Termo da Cidade do Salvador, Severino da Silva Lessa, invadir o quilombo: ele tinha se tornado um lócus de resistência ao sistema escravocrata na cidade, destruindo as casas do arraial que o formava, e aprisionando setenta e oito aquilombados entre escravizados e forros.

Definição[editar | editar código-fonte]

Há dois momentos distintos que definem a significação contextualizada do termo "cabula"; em um primeiro momento, refere-se ao quilombo fundado por negros bantus em Salvador; onde é traduzido como: “local que afasta dos males”.

No segundo momento, quando define-se a sociedade secreta, o termo “cabula” é utilizado como uma alteração na palavra CabalaKabbalah (receber/tradição), perdendo sua origem bantu, e passando a receber nova contextualização através dos malês e dos negros maçons.

Em síntese, a Cabula pode ser definida como: um conjunto de ensinamentos, comumente sendo referidos como esotéricos feitos para explicar a relação entre a humanidade e as forças sagradas e conscientes da natureza (Orixás); que regem o processo evolutivo de todos os seres vivos sob as diretrizes das Leis Universais emanadas do Olorun-Olofin – o Eterno, Sem Limites, Aquele que não há possibilidade de compreensão, a Origem das Origens.

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Alufá/Yalodê: são os postos mais elevados na tradição afro-brasileira da Cabula; são os sumo-sacerdotes masculino e feminino respectivamente. Cada família religiosa é liderada por Alufá ou uma Yalodê, que possuem cargo vitalício e sua sucessão e definida de forma inconteste por meio de consulta ao Ifá.

Marabu: é o posto masculino, responsável por realizar as consultas geomânticas do Ifá, e atuar como conselheiro do Alufá/Yalodê nas questões de Odú, obrigações litúrgicas do calendário religioso e iniciações de novos noviços.

Senmató: é o posto masculino, responsável por realizar a coleta e classificação das folhas litúrgicas utilizadas nos rituais, e atua como conselheiro do Alufá/Yalodês nas questões de banhos, unguentos, obrigações litúrgicas e iniciações.

Deré/Limane: são considerados a segunda pessoa na hierarquia sacerdotal, responsáveis pela manutenção da Ordem, da Tradição e da Hierarquia; auxiliam o Alufá/Yalodê nas funções litúrgicas e administrativas.

Calofé: é uma espécie de ministro eleito pelo Igbákurò (Orixá) patrono da família religiosa, são homens que não sofrem incorporação e são os responsáveis pela manutenção e preservação da estrutura física; e auxiliam nas celebrações internas e nos rituais de sacrifício.

Naêté: são as sacerdotisas que não sofrem incorporação, responsáveis pela transmissão dos fundamentos e dos saberes culturais ao neófito durante o processo de iniciação; bem como auxilia nos círculos de estudos.

Yárubá: é o posto feminino responsável pelo preparo dos alimentos sagrados utilizados nos ritos internos e oferendas as divindades.

Makamba/Makambo: são pessoas que já cumpriram todo ciclo iniciático e receberam o direito de iniciar sua própria família religiosa, tornando-se um Alufá/Yalodê sem perder o vínculo de respeito a família onde foi iniciado. O termo de origem banto pode ser traduzido como: "companheiro, camarada, irmão de culto".

Kambone: são pessoas que já cumpriram todo ciclo iniciático e tornam-se sacerdotes auxiliares na família religiosa onde foi iniciado.

Kamaná: noviço que já foi iniciado nos mistérios da Cabula e que estará sendo preparado para tornar-se um sacerdote auxiliar ou receber o direito de iniciar sua própria família religiosa.

Kajekaji: é o devoto não iniciado que frequenta e participa da atividades religiosas, com restrições por não ter realizado os ritos iniciatórios de comprometimento.

Referências

http://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/Sintese/article/view/1907

https://ungareia.wordpress.com/2015/07/05/cabula-resistencia-quilombola-uma-ascendencia-cabulosa/

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARTINS. Luciana Conceição de Almeida. História Pública do quilombo do Cabula: representações de resistências em museu virtual 3D aplicada à mobilização do turismo de base comunitária. 311f. il. 2017. Tese (Doutorado) – Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2017.
  • O espaço sagrado, de Waldeloir Rego, parte do livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia.
  • SANTOS, Elisabete; PINHO, José Antonio Gomes de ; MORAES, Luiz Roberto Santos; FISCHER, Tânia . O Caminho das águas em Salvador. Salvador: CIAGS/UFBA; SEMA, 2010.
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