Catimbó-Jurema

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Concebe-se como Catimbó-Jurema, ou simplesmente Jurema, a religião que se utiliza de sessões de Catimbó na veneração da Jurema sagrada e dos Orixás (sendo estes últimos inexistentes no culto catimbozeiro original).

O Catimbó-Jurema[1] é um culto híbrido, nascido dos contatos ocorridos entre as espiritualidades indígena, européia e africana, contatos esses que se deram em solo brasileiro, a partir do século XVI, com o advento da colonização. [2].

Jurema de terreiro[editar | editar código-fonte]

Jurema de terreiro ou Catimbó de terreiro é a designação comum à linha de Catimbó-Jurema que tem seus rituais processados em um terreiro, ao som dos tambores e atabaques. Esta modalidade de culto apresenta uma massiva influência africana em sua composição, ao contrário das demais linhas do catimbó-jurema, que são, predominantemente, de origem indígeno-católica.[3]

Exu[editar | editar código-fonte]

No Catimbó, nomeia-se Exu a entidade responsável por auxiliar os mestres em trabalhos de esquerda, ou seja, voltados fundamentalmente à prática de trabalhos. Diferente do que ocorre na Umbanda onde os Exus possuem identidades distintas, no Catimbó há um subordinação total destas entidades a autoridade do Mestre, numa espécie de servidão.[4] Outra diferença entre as concepções do Exu de Umbanda e o Catimbozeiro consiste na sua função: enquanto no catimbó é utilizado na prática de magia negra, na umbanda é o guardião que protege contra os espíritos "trevosos".

No Catimbó, a presença dos exus resume-se à linha da Jurema de Terreiro, sendo sua existência rara em outras linhas.[5]

Referências

  1. Maria do Carmo Tinôco Brandão, Luís Felipe Rios, Catimbo-Jurema - Trabalho apresentado no Simpósio "As 'outras' religiões afro-brasileiras", VIII Jornadas sobre Alternativas Religiosas na America Latina São Paulo, 22-25 de setembro de 1998
  2. BRANDÃO, M. do Carmo; RIOS, L. F. O Catimbó-Jurema no Recife. In: PRANDI, R. (Org.). "Encantaria brasileira: o livro dos mestres, caboclos e encantados". Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  3. Êxtase: Ritos Sagrados. Fantástico, 11 de dezembro de 2005 (acesso em 3 de mai. de 2010).
  4. BRANDÃO, M. do Carmo; RIOS, L. F. Catimbó-Jurema. In: PRANDI, J. R. (org.). Encantaria Brasileira: o livro dos mestres, caboclos e encantados. [S.l.]: Pallas, 2004. ISBN 8534702330. p.171
  5. ALKIMIM, Zaydan, ed. - Zé Pelintra: dono da noite, rei da magia. Pallas, 2004. ISBN 8534702640