Língua tupi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Não confundir com tupi-guarani (família linguística), nem com língua guarani (língua da família tupi-guarani).
Tupi
Outros nomes:Língua brasílica
Tupi antigo
Tupi clássico
Tupinambá
Tupiniquim[carece de fontes?]
Falado(a) em:  Brasil
Região: litoral brasileiro
Extinção: final do século XVII, ao evoluir para as línguas gerais
Família: Tronco tupi
 Ramo ocidental
  Família tupi-guarani
   Subconjunto III[1]
    Tupi
Escrita: Alfabeto latino
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: sai (B)tup (T)
ISO 639-3: vários:
tpk — tupiniquim
tpn — tupinambá
tpw — tupi antigo
Presença indígena na costa, século XVI, Brasil.jpg
Distribuição das nações indígenas que habitavam, no século XVI, a costa do Brasil

A língua tupi, também conhecida como tupi antigo, é uma língua arcaica que era falada pelos grupos de povos tupis que habitavam a maior parte do litoral do Brasil no século XVI. Dentre os grupos reconhecidos pelos historiadores, antropólogos e linguistas que tinham o tupi antigo como língua materna estão os tupinambás, tupiniquins, caetés, tamoios, potiguaras, temiminós e tabajaras.

O tupi antigo tornou-se a língua franca do Brasil Colônia quando os portugueses e seus descendentes, que lá se estabeleceram a partir do século XVI, passaram a tentar aprendê-lo. Porém, por ser uma língua de difícil assimilação para parte dos europeus, palavras do português passaram a ser incorporadas e estes passaram difundi-la não só ao longo do litoral, mas em todo o território brasileiro durante os séculos XVI e XVII,[2] sobretudo por meio das expedições dos bandeirantes. Essa nova língua passou a ser chamada pelos falantes de nheengatu (língua boa), e era falada pela maioria da população da colônia. Os nomes língua geral, língua geral amazônica e língua brasílica eram usados em português.

Registros históricos e extinção[editar | editar código-fonte]

A língua tupi antiga possui vários documentos que descrevem sua estrutura, sendo o padre jesuíta José de Anchieta considerado como seu primeiro gramático (foram os jesuítas que criaram a representação escrita da língua, a qual era, até então, exclusivamente oral).[3] Anchieta não foi, porém, o primeiro jesuíta a aprender a língua nativa: o padre basco João de Azpilcueta Navarro compôs os primeiros hinos religiosos em suas pregações aos indígenas.[4]

Nos séculos XVI e XVII, era chamado pelos portugueses de "língua brasílica"[5] por ser o idioma mais usado no Brasil (a expressão "língua tupi" somente se generalizou a partir do século XIX.[5] Os europeus que iam viver no Brasil, bem como os escravos africanos que eram trazidos para o país, a aprendiam e falavam-na no seu dia-a-dia, usando o português apenas nas suas relações com a Coroa Portuguesa. Teve sua gramática estudada pelos jesuítas (os quais a utilizavam como instrumento de catequese). Deixou de ser falada no final do século XVII, quando foi suplantada pela língua geral.[6]

Com a proibição da língua pelo Marquês de Pombal em 1758, o tupi deixou de ser a língua mais falada no Brasil, sendo substituída pelo português.[7] Sua descendente paulista, a língua geral paulista, continuou, no entanto, a ser falada no interior do atual estado de São Paulo até o início do século XX[6] e a sua descendente amazônica, o nheengatu, continua a ser falada até hoje no vale do rio Negro, na Amazônia.[8] A língua tupi também continua presente no cotidiano dos brasileiros através de vários nomes tupis que se encontram na geografia brasileira e nas denominações de vários animais e plantas nativos do Brasil.[2]

Geralmente, são descrições das coisas a que se referem, envolvendo uma explicação inteira. Cada palavra pode ser uma verdadeira frase. Decifrar o significado das palavras requer, muitas vezes, uma visita ao local a que se refere o termo. Um exemplo disso é o topônimo Paranapiacaba = paraná + epiak + -(s)aba, "mar" + "ver" + "lugar" = "lugar de onde se vê o mar", que se refere a um ponto da serra do Mar onde se pode avistar o mar.[9] A língua tupi é aglutinante, não possui artigos (assim como o latim) e não flexiona nem em gênero nem em número.

Atualmente, existem iniciativas isoladas que buscam resgatar o uso da língua tupi antiga por algumas etnias indígenas que usavam essa língua no passado, como os potiguaras da Paraíba[10] e do Rio Grande do Norte[11] e os tupiniquins das aldeias de Caieiras Velhas e Comboios, na cidade de Aracruz, no Espírito Santo.[12]

Fonologia, grafêmica e as várias ortografias do tupi[editar | editar código-fonte]

Levantar informações confiáveis sobre a fonologia da língua tupi para uma possível reconstrução fonológica seria uma tarefa difícil ou até mesmo impraticável, não tivesse o tronco tupi, e mais especificamente a família tupi-guarani, da qual o tupi faz parte, uma ampla distribuição geográfica. Preponderante a uma reconstrução fonológica, já realizada, foi o fato de o nheengatu, língua que descende do tupi, ser falado ainda hoje na Amazônia. Somando-se a este fato, já bastante favorável, não se pode deixar de citar a continuidade do guarani antigo, língua distinta mas muito próxima ao tupi, nos atuais guarani-mbyá, guarani-nhandéva, guarani-kaiowá e guarani paraguaio. Sendo tão fortes os pontos favoráveis, tornou-se factível a reconstrução da fonologia tupi.

O tupi identifica um conjunto de 31 fonemas, dos quais doze são vogais, três semivogais e dezesseis consoantes. Característica notória de sua fonologia é, sem dúvida, o seu caráter gutural. Uma outra, os abundantes metaplasmos.

Vogais[editar | editar código-fonte]

O tupi antigo possui um sistema vocálico simétrico, com sete qualidades vocálicas em pares de vogais orai e nasais. Com exceção da vogal central fechada /ɨ/ e de sua equivalente anasalada /ɨ̃/, os demais sons vocálicos do tupi antigo ocorrem também no português.[13] De acordo com Cristófaro-Silva, o som da vogal /ɨ/ pode ocorrer como pronúncia pós-tônica de /e/ no português brasileiro atual em palavras como "número" [ˈnu.mɨ.ɾʊ].[14]

Vogais orais e nasais[15]:14
Anterior Central Posterior
Fechada oral i
⟨i⟩
ɨ
⟨y⟩
u
⟨u⟩
nasal ĩ
⟨ĩ⟩
ɨ̃
⟨ỹ⟩
ũ
⟨ũ⟩
Semiaberta oral ɛ
⟨e⟩
ɔ
⟨o⟩
nasal ɛ̃
⟨ẽ⟩
ɔ̃
⟨õ⟩
Aberta oral a
⟨a⟩
nasal ã
⟨ã⟩

Consoantes e semivogais[editar | editar código-fonte]

As consoantes e semivogais (consoantes aproximantes) do tupi antigo estão representadas por símbolos fonéticos na tabela abaixo.

Fonemas consonantais[15](15–17)
Labial Alveolar Pós-
alveolar
Palatal Pós-
palatal
Velar Glotal
Oclusiva p
⟨p⟩
t
⟨t⟩
k
⟨k⟩
ʔ
Nasal m~mb
⟨m⟩~⟨mb⟩
n~nd
⟨n⟩~⟨nd⟩
ɲ
⟨nh⟩
ŋ
⟨ng⟩
Vibrante simples ɾ
⟨r⟩
Fricativa β
⟨b⟩
s
⟨s⟩
ʃ
⟨x⟩
ʒ
⟨î⟩
ɣ
⟨g⟩
h[16]:27
⟨h⟩
Aproximante j
⟨î⟩
ɨ̯
⟨ŷ⟩
w~ɡw
⟨û⟩~⟨gû⟩

Ortografia[editar | editar código-fonte]

Antes do descobrimento do Brasil, o tupi antigo não tinha escrita. Os europeus o representaram de distintas formas, conforme os alfabetos de seus idiomas nativos.[17] Neste artigo, salvo quando for indicado o contrário, far-se-á uso da ortografia desenvolvida por Lemos Barbosa e aprimorada por Eduardo Navarro.

Na ortografia tupi, as vogais são representadas pelas letras a, e, i, o, u, y.

Na ortografia tupi, as consoantes e semivogais são: ' (um fonema que não existe no português e que se caracteriza por uma pequena interrupção no fluxo de ar), b (como na palavra "huevo" do castelhano), j (semivogal próxima à vogal i), nh, k, m, mb), n, nd), ng, p, r (sempre brando, como no português "aranha"), s, t, u (a semivogal próxima à vogal u), x (como no português "chácara") e ŷ (a semivogal próxima à vogal y).

Sintaxe[editar | editar código-fonte]

Fronstispício da primeira edição da obra Arte da língua brasilica, de Luís Figueira, publicada no final da década de 1620

Usualmente, a oração na língua tupi apresenta a sequência "sujeito - objeto - verbo". Nisto, ela se difere da oração na língua portuguesa, que costuma apresentar a sequência "sujeito-verbo-objeto", como em "o menino (sujeito) viu (verbo) o pássaro (objeto)". Um exemplo de oração tupi seria: São Pedro itangapema osekyî ("São Pedro a espada puxou").[18]

De modo semelhante, no tupi, a relação de posse ou qualidade entre dois termos coloca esses dois termos em uma ordem invertida em relação à ordem usual do português. Por exemplo: "a casa de Pedro" seria traduzida, em tupi, como Pedro roka. Nesse caso, o tupi se assemelha à língua inglesa, que expressa essa ideia sob a forma também invertida Peter's house.[19] A gramática da língua tupi do século XVI era bem mais complexa aquela forma simples do século XIX, que foi simplificada pelo falantes do português. Vejamos alguns aspectos da modificações:[20]

  • Os demonstrativos da forma nova distinguem proximidade com o falante (este, aquele); a da época dos primeiros contatos tinha 5 formas - Este, Esse, Este aqui presente, Aquele visível, Aquele não visível.
  • As pessoas gramaticais da forma mais nova tem as 3 pessoas do singular e as 3 do plural do português; antes havia formas adicionais para as terceiras pessoas: pessoa(s) já citadas, pessoas ainda não citadas.
  • Modos gramaticais nos verbos: só há hoje um modo. No século XIV havia os casos Indicativo, Imperativo, Subjuntivo, Gerúndio, Circunstancial.
  • Declinações da caso nos substantivos: não há no Tupi atual. No antigo havia 6 formas: Nominativo, Vovativo, Atributivo mais 3 casos Locativos.

Verbos[editar | editar código-fonte]

No tupi antigo, a conjugação verbal é feita no início da palavra. Além disso, os verbos podem representar uma ação presente, passada ou futura, pois eles, ao contrário do português, não expressam tempo. (O futuro, em especial, é feito com o acréscimo da partícula -ne ao final do período, mas isso não altera o fato de que o verbo, por si só, não expressa tempo.)[2]

Pron. karu (comer) gûatá (andar) ker (dormir) pererek (saltar) nhan (correr) Tradução
Ixé (eu) akaru agûatá aker apererek anhan Eu como/comi, ando/andei...
Endé (tu) erekaru eregûatá ereker erepererek erenhan Tu comes/comeste, andas/andaste...
A'e (ele*) okaru ogûatá oker opererek onhan Ele come/comeu, anda/andou...
Oré (nós) orokaru orogûatá oroker oropererek oronhan Nós (excl.) comemos, andamos...
Îandé (nós) îakaru îagûatá îaker îapererek îanhan Nós (incl.) comemos, andamos...
Peẽ (vós) pekaru pegûatá peker pepererek penhan Vós comeis/comestes, andais/andastes...
A'e (eles*) okaru ogûatá oker opererek onhan Eles comem/comeram, andam/andaram...
* a'e significa esse(s), aquele(s), mas pode ser usado como pronome pessoal da terceira pessoa, tanto do singular como do plural.[2]

Verbos transitivos[editar | editar código-fonte]

Os verbos transitivos são aqueles que exigem um objeto. No tupi antigo, esse objeto pode ser posposto, anteposto, mas também incorporado no verbo. Neste último caso, o objeto fica entre a desinência verbal (a-, ere-, o-, etc.) e o tema verbal. Exemplo:[2]:60

  • a-pirá-kutuk...
    (Eu cutuco o peixe...)
a- é a desinência que indica a primeira pessoa do singular. Pirá significa peixe; kukut, cutucar.[2]:60

Quando o objeto (no exemplo acima, o peixe) não estiver incorporado, ficará em seu lugar o pronome pessoal de terceira pessoa -i-, mesmo quando o objeto estiver presente na oração. Chama-se a isso de objeto pleonástico. Exemplos:

  • pirá a-î-kutuk...
    (Literalmente: o peixe, eu o cutuco...)
Objeto anteposto ao verbo. O pronome -i- sofre ditongação. Por isso ele recebe o acento circunflexo.[2]:60
  • a-î-kutuk pirá...
    (Literalmente: eu o cutuco, o peixe...)
Objeto posposto ao verbo.[2]:60

Substantivos[editar | editar código-fonte]

Todos os substantivos em tupi antigo terminam em vogal. No caso de um verbo substantivado, acrescenta-se o sufixo -a, caso ele já não termine em vogal.[2]:24

  • Sem: sair. Sema: o sair, a saída
  • Pererek: saltar. Perereka: o salto, o pulo.
  • (verbo): ir. (substantivo): o ir, a ida.

O mesmo ocorre quando um substantivo e um adjetivo estão em composição. Deste modo:[2]:24

  • Kunhãporanga: mulher bonita (kunhã, mulher; porang, bonito; a, sufixo)

Tempo dos substantivos[editar | editar código-fonte]

Embora o esporte seja de origem africana, a palavra capoeira é de origem tupi, e vem de Ka'a-pûer-a, que significa "mata que foi".[21] Pintura de Johann Moritz Rugendas (1835)

Diferentemente da língua portuguesa, o tempo de uma ação, no tupi antigo, é expressado pelo substantivo, não pelo verbo. Tais tempos são futuro, passado e um tempo chamado de "irreal", que é semelhante ao futuro do pretérito, do português. Eles são indicados, respectivamente, pelos adjetivos -ram, -pûer e -rambûer. Estes, quando em composição com o substantivo, recebem o sufixo -a, conforme explicado acima.[21][2]:108-9

  • Futuro: ka'a-ram-a = mata que será (que ainda não nasceu; ka'a significa mata)
  • Passado: ka'a-pûer-a = mata que foi (lugar onde não há mais mata; daí a palavra capoeira)
  • Irreal: ybyrá-rambûer-a = árvore que seria (caso não tivesse sido cortada)

Aumentativo e diminutivo[editar | editar código-fonte]

Os graus do substantivo (aumentativo e diminutivo) se fazem pelos sufixos -'ĩ ou -'i, para o diminutivo, e -ûasu ou -usu para o aumentativo. Eis alguns exemplos com suas explicações:[2]:125-6

Diminutivo Aumentativo
-'ĩ ou -'i -ûasu ou -usu
Gûyra'ĩ Passarinho 'Ygûasu Rio grande

(­'Y é rio. O g foi adicionado
depois pelos colonizadores)

Ita'ĩ Pedrinhas

(daí vem Itaim Bibi)

Kunumĩgûasu Menino grande, moço
Pitangĩ Criancinha, bebê

(Criança é pitanga)

Ybytyrusu Montanhão, serra

(de ybytyra, montanha)

Cabe lembrar que a palavra mirĩ é o adjetivo "pequeno", e não um sufixo.[2]:126

Numerais[editar | editar código-fonte]

Em tupi antigo, há apenas numerais de um a quatro, tanto cardinais quanto ordinais, pois a utilidade de maior precisão matemática era pouca em uma economia primitiva. Os numerais cardinais podem ser antepostos ou pospostos ao nome ao qual se referem, ao passo que os ordinais são somente pospostos. Por exemplo, em se tratando de cardinais, mokõî pykasu e pykasu mokõî são termos equivalentes, significando "duas pombas". No que se refere a ordinais, ta'yrypy significa "primeiro filho (de homem)", e ­'ara mosapyra, "terceiro dia".[15](96–97) [16](99–100)

Numerais cardinais Numerais ordinais
1 oîepé 1.º ypy
2 mokõî 2.º mokõîa
3 mosapyr 3.º mosapyra
4 (oîo)irundyk
(pouco usado)[nota 1]
4.º (oîo)irundyka
(pouco usado)[nota 1]

Para expressarem-se quantidades maiores, fazia-se uso de circunlóquios, relacionando, sobretudo, a quantidade de dedos nas mãos e nos pés. Em alguns casos, houve também a incorporação de numerais do português ao tupi. Às vezes, ainda, verificavam-se ambas as possibilidades simultaneamente.

Também se podia dizer ("assim", "tantos") e mostrar uma quantidade de dedos ou de outras coisas.[16]:99 [15]:96

Exemplos de circunlóquios[editar | editar código-fonte]

Costumava-se relacionar, nos circunlóquios, a quantidade de dedos nas mãos e nos pés para expressarem-se números superiores a quatro[15]:96
  • Mokõî oîoirundyk "oito" 'ara sykeme…
    (Ao chegar o oitavo dia…)
    mokõî oîoirundyk significa literalmente "dois quatro"[22]:5
  • Opá kó mbó îabi'õ, oîepé asé mba'e moîa'oka…
    (De cada dez, repartir uma de nossas coisas…)
    opá kó mbó significa literalmente "todas estas mãos"[23]:361 [22]:5
  • Opá kó mbó mosapyr mysã 'ara sykeme…
    (Quando chegou o décimo terceiro dia…)
    opá kó mbó mosapyr mysã significa literalmente "todas estas mãos e três dedos dos pés"[22]:5 [23]:418
  • Xe pó, xe py, abá pó, i py 'ara o membyragûera kûab'iré…
    (Quarenta dias após passar o nascimento de seu filho (de mulher)…)
    xe pó, xe py, abá pó, i py significa literalmente "minhas mãos, meus pés, as mãos de alguém, seus pés"[22]:6
  • Xe pó, xe py, amõ abá pó, i py "quarenta" 'ara…
    (Quarenta dias…)
    xe pó, xe py, amõ abá pó, i py significa literalmente "minhas mãos, meus pés, as mãos de alguém, seus pés"[22]:10 [23]:6

Amostras de texto[editar | editar código-fonte]

Quadro retratando a chegada de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro em 1500. É possível que os portugueses, sem nada compreender da língua dos tupiniquins, tenham ouvido perguntas sobre quem eram e de onde vinham.

Frases básicas[editar | editar código-fonte]

Eis algumas frases ou que foram atestadas, durante os séculos XVI e XVII, por indivíduos conhecedores do tupi antigo, como Jean de Léry e Yves d'Évreux, ou cuja existência, dada a simplicidades de suas estruturas, é mais do que provável a partir dos atuais conhecimentos gramaticais da língua.[24][25][26][27]

  • Abápe endé? (Quem é você?)
  • Mamõ suípe ereîur? (De onde você vem?)
  • Mamõpe ereîkó? (Onde você mora?)
  • Marãpe nde rera? (Qual é seu nome?)
  • Tiá nde karuka! (Boa tarde!)
  • Tiá nde ko'ema! (Bom dia!)
  • Tiá nde pytuna! (Boa noite!)

Pai-nosso[editar | editar código-fonte]

A seguinte versão do pai-nosso, de 1618, é de autoria do jesuíta Antônio de Araújo, tendo sido publicada em seu Catecismo na língua brasílica.[28]

Tupi antigo Tradução literal por Eduardo Navarro Português
Oré rub, ybakype tekoar, Nosso pai, o que está no céu, Pai nosso que estás nos céus,
i moetepyramo nde rera t'oîkó. como o que é louvado teu nome esteja. santificado seja o teu nome.
T'our nde "Reino"! Que venha teu Reino! Venha o teu Reino!
T'onhemonhang nde remimotara Que se faça tua vontade Seja feita a tua vontade,
ybype, na terra, assim na terra,
ybakype i nhemonhanga îabé! como o fazer-se dela no céu! como no céu!
Oré remi'u, 'ara îabi'õndûara, Nossa comida, a que é de cada dia, O pão nosso de cada dia
eîme'eng kori orébe. dá hoje para nós. nos dá hoje.
Nde nhyrõ oré angaîpaba resé orébe, Perdoa tu nossos pecados a nós, E perdoa-nos as nossas dívidas,
oré rerekomemûãsara supé como aos que nos tratam mal assim como nós também temos perdoado
oré nhyrõ îabé. nós perdoamos. aos nossos devedores.
Oré mo'arukar umẽ îepé "tentação" pupé, Não nos deixes tu fazer cair em tentação, E não nos deixes cair em tentação,
oré pysyrõte îepé mba'eaíba suí. mas livra-nos tu das coisas más. mas livra-nos do mal.

Trecho do Auto de São Lourenço[editar | editar código-fonte]

O texto a seguir é a primeira estrofe do segundo ato do Auto de São Lourenço, obra de José de Anchieta. Ambas as versões, em tupi antigo e em português, foram escritas de modo artístico, o que implica o respeito, nas duas línguas, da rima e da métrica, elementos comumente empregados em poemas.[29][30]

Tupi antigo Tradução literal por Eduardo Navarro Português
Xe moaîumarangatu, Importuna-me bem, Esta virtude estrangeira
xe moŷrõetekatûabo, irritando-me muitíssimo, me irrita sobremaneira.
aîpó tekopysasu. aquela lei nova. Quem a teria trazido,
Abá serã ogûeru, Quem será que a trouxe, com seus hábitos polidos
xe retama momoxŷabo? estragando minha terra? estragando a terra inteira?

Exemplos da influência do tupi no português[editar | editar código-fonte]

O termo "capivara" procede do tupi antigo kapi'iûara, "comedor de capim"
  • Termos cotidianos: arapuca (do tupi antigo ûyrapuka, "buraco de aves"), cutucar, jururu, mirim, mutirão (do tupi antigo motyrõ, "trabalhar em conjunto"), pereba, pindaíba (do tupi antigo pinda'yba, "haste de anzol", aludindo à ideia de se precisar pescar para comer), toró (do tupi antigo tororoma, "jorro", "jato").[33]
  • O dialeto caipira foi possivelmente influenciado pelo tupi antigo, bem como por um de seus desenvolvimentos históricos, a língua geral paulista. Sendo a língua habitual dos bandeirantes que ocuparam as regiões onde hoje se ouve tal variante dialetal, a língua tupi antiga não apresentava alguns sons usuais do português, como os representados pelas letras l e r (de "rato", por exemplo) e pelo dígrafo lh. Com efeito, o dialeto caipira se caracteriza pela substituição, em fim de sílaba, do fonema lateral [l] pelo fonema /r/, flap ("almoço" vira armoço, "coronel", coroner), pela substituição do fonema [ʎ] por um i semivocálico, como em "abelha" e "trabalho", que se leem abeia e trabaio, e pela queda da consoante /r/ dos verbos no infinitivo (andá, corrê, dormi). Nos três casos ocorreu a adaptação da fonética portuguesa à tupi. Outro ponto em comum entre a língua tupi e o dialeto caipira é a ausência de diferenciação entre singular e plural: kunhã, em tupi antigo, pode significar tanto "mulher" quanto "mulheres", e o dialeto caipira usa tanto "a casa" quanto "as casa".[34]

Interesse moderno pela língua[editar | editar código-fonte]

Gonçalves Dias (1823–1864) escreveu o famoso poema romântico brasileiro I-Juca-Pirama, termo tupi que significa "o que será (ou deverá ser) morto"[23]:197

O interesse moderno pela língua tupi teve uma conotação nacionalista brasileira. A língua foi bastante explorada nos movimentos literários do romantismo e do modernismo para a afirmação da identidade cultural do país.[2]

No contexto do nacionalismo da época Vargas, durante as décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960, o tupi fez parte do currículo das faculdades de filosofia brasileiras. Em 1954, no governo do presidente brasileiro Café Filho, o tupi foi declarado legalmente matéria obrigatória no currículo das faculdades de letras do país. No entanto, sob a influência do estruturalismo (que, por seu caráter a-histórico, pregava o estudo somente das línguas indígenas contemporâneas), a língua tupi praticamente desapareceu do currículo das faculdades brasileiras, a partir da década de 1970, permanecendo apenas em algumas universidades, como a Universidade de São Paulo.[36]

Em janeiro de 2019, ao assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo rezou a ave-maria em tupi antigo, em versão supostamente do padre José de Anchieta. Desconhecem-se, entretanto, registros históricos de tal tradução, cujo conteúdo, além de gramaticalmente impreciso, difere da versão da ave-maria existente no Catecismo na língua brasílica.[37][38]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Línguas da família tupi
Tupinólogos
Obras antigas em tupi
  • As seis cartas dos índios Camarões, escritas entre agosto e outubro de 1645.
  • "Catecismo da lingoa brasilica, no qual se contem a summa da doctrina christã", do jesuíta Antônio de Araújo, impresso em Lisboa no ano de 1618, considerado o mais longo texto impresso em tupi antigo. Essa obra ganhou uma segunda edição em 1686, revisado pelo jesuíta Bartolomeu de Leão, na nova edição houve a utilização de trema para assinalar tanto a ocorrência da consoante oclusiva glotal quanto de hiatos
  • "Cathecismo da lingua brasilica", do franciscano Francisco do Rosário, que também escreveu: "Tratado dos ritos, costumes e linguas dos brasis".
  • Tradução da Bíblia para o tupi, feita por Johannes Edwards na época das Invasões Holandesas.[39][41]
  • "Doctrina y Confessionario en lengua del Brasil", do jesuíta Leonardo Nunes
  • "Doutrina na Língoa do Brasil", do jesuíta Leonardo do Valle (1574)
  • "Na Aldeia de Guaraparim", peça de teatro escrita por Anchieta, publicada em 1954, juntamente com outros textos de Anchieta em Tupi.
  • "Compêndio da Doutrina Cristã na Língua Portuguesa e Brasílica", do jesuíta João Felipe Bettendorff (1687).[40]
O tupi no cinema
Crença tupi-guarani

Notas

  1. a b De acordo com Lemos Barbosa, não existia tradução exata para "quatro", pelo que irundyk e suas variantes eram pouco usados.

Referências

  1. CRUZ, Aline da (2011). Fonologia e gramática do nheengatu: a língua geral falada pelos povos baré, warekena e baniwa. Amsterdã: Landelijke Onderzoekschool Taalwetenschap. p. 1, 2 e 3. 652 páginas. ISBN 9789460930638. Cópia arquivada em 9 de maio de 2021 
  2. a b c d e f g h i j k l m n NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 9.
  3. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 340.
  4. MONTEIRO,Clóvis - Esboços de história literária - Livraria Acadêmica - Rio de Janeiro - 1961 - Pg. 165
  5. a b NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 11.
  6. a b NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 537.
  7. A proibição do tupi e o fortalecimento da língua portuguesa. Disponível em http://www.helb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=57:a-proibicao-do-tupi-e-o-fortalecimento-da-lingua-portuguesa&catid=1029:1758&Itemid=2. Acesso em 26 de dezembro de 2012.
  8. NAVARRO, E. A. Método moder|no de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 13.
  9. Plínio Ayrosa (1933). Primeiras noções de Tupi. University of California: Typ. Cupolo. p. 101. Consultado em 17 de julho de 2015 
  10. Educação indígena. Disponível em http://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/site:abralin2009/simas.pdf. Acesso em 9 de março de 2017.
  11. Tribuna do Norte. Disponível em http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/reaprendendo-a-ser-potiguar/344227?utm_campaign=noticia&utm_source=rel. Acesso em 9 de março de 2017.
  12. O tupi na aldeia tupiniquim de Caieiras Velhas em Aracruz-ES. Disponível em http://repositorio.ufes.br/bitstream/10/3803/1/tese_9318_O%20tupi%20na%20aldeia%20tupinikim%20de%20Caieiras%20Velha%20em%20Aracruz%20ES_Filipe%20Siqueira%20Fermino.pdf. Acesso em 9 de março de 2017.
  13. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 14.
  14. Silva, Thaïs Cristófaro. (1999). Fonética e fonologia do português : roteiro de estudos e guia de exercícios. São Paulo, SP: Contexto. ISBN 8572441026. OCLC 42644938 
  15. a b c d e NAVARRO, Eduardo de Almeida (2005). Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos 3.ª ed. São Paulo: Global. 464 páginas. ISBN 9788526010581 
  16. a b c BARBOSA, Antônio Lemos (1956). Curso de tupi antigo: gramática, exercícios e textos. Rio de Janeiro: Livraria São José. 484 páginas. Cópia arquivada em 25 de maio de 2022 
  17. BARBOSA, Antônio Lemos (1956). Curso de tupi antigo: gramática, exercícios e textos. Rio de Janeiro: Livraria São José. p. 27. 484 páginas. Cópia arquivada em 26 de maio de 2022 
  18. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 62.
  19. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 38,39.
  20. Línguas Brasileiras (Para o conhecimento das línguas indígenas) - Aryon Dall'Igna Rodrigues - Edições Loyola -1986)
  21. a b CURSO DE TUPI ANTIGO PELA INTERNET - LIÇÃO 8, parte 1, consultado em 26 de agosto de 2022 
  22. a b c d e NAVARRO, Eduardo de Almeida (28 de abril de 2012). «Tradução do "Catálogo de todos os dias de guarda e de jejum"». Universidade de São Paulo. Língua e Literatura (30). 37 páginas. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2022 
  23. a b c d NAVARRO, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil 1.ª ed. São Paulo: Global. 624 páginas. ISBN 9788526019331 
  24. NAVARRO, Eduardo de Almeida (2005). Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos 3ª ed. São Paulo: Global. p. 12 e 21. 464 páginas. ISBN 9788526010581 
  25. COSTA, Emerson (5 de dezembro de 2019). «Saudações em Yves d'Évreux». Abanhe'enga. Consultado em 21 de março de 2022. Cópia arquivada em 23 de março de 2021 
  26. NAVARRO, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global. p. 223, 259, 412 e 476. 680 páginas. ISBN 9788526019331 
  27. BARBOSA, Antônio Lemos (1956). Curso de tupi antigo: gramática, exercícios e textos. Rio de Janeiro: Livraria São José. p. 115, 262, 263 e 311. 484 páginas. Cópia arquivada em 25 de maio de 2022 
  28. NAVARRO, Eduardo de Almeida (2005). Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos 3ª ed. São Paulo: Global. p. 350 e 351. 464 páginas. ISBN 9788526010581 
  29. ANCHIETA, José de (2006). Teatro. Seleção, introdução, notas e tradução do tupi por Eduardo de Almeida Navarro 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes. p. 6. 248 páginas. ISBN 9788533621428 
  30. BARBOSA, Antônio Lemos (1956). Curso de tupi antigo: gramática, exercícios e textos. Rio de Janeiro: Livraria São José. p. 419. Cópia arquivada em 18 de março de 2022 
  31. NAVARRO, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global. p. 544, 563, 567, 578, 590, 597 e 602. 680 páginas. ISBN 9788526019331 
  32. NAVARRO, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global. p. 27, 155, 217, 369, 435 e 467. 680 páginas. ISBN 9788526019331 
  33. NAVARRO, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global. p. 64, 246, 280, 281, 378, 383, 405, 409 e 480. 680 páginas. ISBN 9788526019331 
  34. NAVARRO, Eduardo de Almeida (2017). «A influência do tupi antigo e das línguas gerais coloniais na formação do português falado no Brasil». Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (101): 53 e 54. Consultado em 27 de março de 2022. Cópia arquivada em 19 de março de 2022 
  35. FREITAS, Affonso Antonio de (1936). Vocabulario nheengatú vernaculizado pelo portuguez falado em São Paulo. São Paulo: Nacional. 210 páginas. Cópia arquivada em 19 de agosto de 2022 
  36. 1-Os estudos de tupi antigo e a crítica estruturalista. Disponível em http://tupi.fflch.usp.br/sites/tupi.fflch.usp.br/files/Os%20estudos%20de%20tupi%20antigo%20e%20a%20cr%C3%ADtica%20estruturalista.pdf. Acesso em 15 de março de 2013.
  37. MARIN, Denise Chrispim (2 de janeiro de 2019). «'Vamos libertar a política externa e o Itamaraty', diz novo chanceler». VEJA. Consultado em 22 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 24 de outubro de 2021 
  38. SANTOS, César (17 de setembro de 2020). «Anuê Jaci: política externa e povos indígenas diante da inflexão conservadora e do bolsonarismo». Universidade Estadual Paulista. Cadernos de Campo (28). 18 páginas. Consultado em 22 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 27 de maio de 2022 
  39. a b A palavra e o império: A Arte da língua brasílica e a conquista do Maranhão, Pablo Antonio Iglesias Magalhães, disponível na internet, acesso em 04 de novembro de 2016.
  40. a b AS FONTES PORTUGUESAS PARA O CONHECIMENTO DO TUPI ANTIGO, acesso em 06 de novembro de 2016.
  41. «Cartas eram conhecidas, mas tradução é inédita». Tribuna do Norte. 14 de novembro de 2021. Consultado em 23 de maio de 2022. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2021 
  42. «Vermelho Brasil no G1». Consultado em 17 de março de 2015 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Gramáticas[editar | editar código-fonte]

Dicionários[editar | editar código-fonte]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Outros[editar | editar código-fonte]

  • EDELWEISS, Frederico G. Tupís e Guaranís, Estudos de Etnonímia e Lingüística. Salvador: Museu do Estado da Bahia, 1947. 220 p.
  • EDELWEISS, Frederico G. Estudos tupi e tupi-guaranis: confrontos e revisões. Rio de Janeiro: Livraria Brasiliana, 1969. 304 p.
  • EDELWEISS, Frederico G. O caráter da segunda conjugação tupí'. Bahia: Livraria Progresso Editora, 1958. 157 p.
  • GARCIA, Rodolfo. Nomes de parentesco em língua Tupí. Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, vol. LXIV (1942), p. 178-189. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional.
  • GARCIA, Rodolpho. Glossário das palavras e phrases da lingua Tupi, contidas na "Histoire de la mission des Pères Capucins en l'Isle de Maragnan et terres circonvoisines", do Padre Claude D'Abbeville. Revista do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, tomo 94, vol. 148, p. 5-100. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional.
  • GOMES, Nataniel dos Santos. Observações sobre o Tupinambá. Monografia final do Curso de Especialização em Línguas Indígenas Brasileiras. Rio de Janeiro: Museu Nacional / UFRJ, 1999.
  • LEMOS BARBOSA, A. Juká, o paradigma da conjugação tupí: estudo etimológico-gramatical in Revista Filológica, ano II, n. 12, Rio de Janeiro, 1941.
  • LEMOS BARBOSA, A. Nova categoria gramatical tupi: a visibilidade e a invisibilidade nos demonstrativos in Verbum, tomo IV, fasc. 2, Rio de Janeiro, 1947.
  • MICHAELE, Faris Antônio S. Manual de conversação da língua tupi. Centro Cultural Euclides da Cunha, 1951. 52 p.
  • MICHAELE, Faris Antônio S. Tupi e Grego: Comparações Morfológicas em Geral. Ponta Grossa: UEPG, 1973. 126 p.
  • RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Análise morfológica de um texto tupi. Separata da Revista "Logos", ano VII, N. 5. Curitiba: Tip. João Haupi, 1953.
  • RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Descripción del tupinambá en el período colonial: el arte de José de Anchieta. Colóquio sobre a descrição das línguas ameríndias no período colonial. Ibero-amerikanisches Institut, Berlim.
  • RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. A composição em Tupi. Separata de Logos, ano VI, n. 14. Curitiba, 1951.
  • RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Morfologia do Verbo Tupi. Separata de "Letras". Curitiba, 1953.
  • RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Argumento e predicado em Tupinambá. Boletim da ABRALIN, n. 19, p. 57-66. 1996.
  • SAMPAIO, Teodoro. O Tupi na Geografia Nacional. São Paulo: Editora Nacional, 1987. 360 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikimedia Incubator
Teste de Wikipédia de tupi antigo na Incubadora da Wikimedia