Caetés (tribo)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Caetés
População total

No século XVI, 75 000. Atualmente, estão extintos.

Regiões com população significativa
litoral do Brasil entre a Ilha de Itamaracá e o Rio São Francisco
Línguas
tupi antigo
Religiões

Os caetés ou Kaeté[1] foram um povo indígena brasileiro de língua tupi antiga que habitou o litoral do Brasil entre a ilha de Itamaracá e o rio São Francisco no século XVI. Eram 75 000 indivíduos. A área que habitavam era limitada ao norte pelas terras dos potiguaras e, ao sul, pelas dos tupinambás. Aliaram-se aos comerciantes franceses que percorriam o litoral brasileiro no século XVI,[2] tornando-se, então, inimigos dos portugueses.[3] Os caetés, antes de serem extintos, foram escravizados pelos portugueses e utilizados como mão de obra no plantio da cana-de-açúcar.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Caeté" é originário do termo tupi antigo ka'aeté, que significa "mata verdadeira, mata virgem, que nunca foi roçada" (ka'a, mata + eté, verdadeira).[3]

Produção, hábitos e cultivos[editar | editar código-fonte]

Em liberdade, os caetés eram exímios pescadores e caçadores. Na pesca, utilizavam redes, anzóis e arpões feitos de ossos. Na caça, faziam uso de arcos, flechas, e arapucas, capturando pássaros e mamíferos. Consumiam peixes e carnes assados sobre brasa ou moqueados.

Eram navegadores de canoas costeiras, sendo considerados, portanto, um dos povos canoeiros, sendo, também, construtores desse tipo de embarcação. Teciam rede de dormir, entalhavam gamelas, e cabaças que usavam como prato e copos. Fabricavam cestas de palha de bananeiras e de palmeiras e também utensílios e panelas de barro.

Eram agricultores, cultivando milho, feijão, fumo e mandioca. Comiam também frutas e outras raízes como a batata e o inhame.

Canibalismo e extermínio[editar | editar código-fonte]

Os índios desta tribo praticavam o antropofagia ritual e, supostamente, consumiram o primeiro bispo do Brasil, dom Pero Fernandes Sardinha, cujo navio em que regressava a Portugal naufragou nas costas da foz do rio Coruripe, junto a outros cem náufragos.

Devido a este fato histórico ocorrido no início do período colonial, os alagoanos possuem a alcunha regional de "papa-bispo".

Em sua época, o incidente provocou a ira da Igreja Católica e da Inquisição. Em 1562, depois de serem acusados de devorar o bispo, foram considerados "inimigos da civilização" e, com o aval da Igreja Católica, se tornaram alvos de implacável perseguição pelo governador português Mem de Sá, que escravizou a todos.[4] São considerados extintos atualmente.[2]

Pesquisas recentes colocam em dúvida se o bispo Pero Sardinha teria mesmo sido devorado pelos Caetés. O verdadeiro motivo da morte do primeiro bispo do Brasil poderia ter sido a vingança do Governador Geral, Duarte da Costa, e de seu filho Álvaro da Costa, que poderiam ter tramado tal crime e incriminado os caetés.

Álvaro da Costa, homem violento, que usava da força para intimidar principalmente os índios, se relacionava sexualmente com as indígenas. Durante um de seus sermões, o bispo Sardinha teria condenado as ações de Álvaro da Costa, o que resultou no início de um conflito entre o bispo e o governador-geral.[5][6]

Ícone de esboço Este artigo sobre povos indígenas é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.

Referências

  1. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19.
  2. a b Os índios caetés: Primeiros habitantes de São Miguel dos Campos. Disponível em http://www.escritoresalagoanos.com.br/texto/2540. Acesso em 2 de setembro de 2012.
  3. a b NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 550.
  4. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19.
  5. PINTO, Tales. Bispo Sardinha e a antropofagia. São Paulo. 2005.
  6. https://www.algosobre.com.br/historia/primeiros-governadores-gerais-do-brasil-os.html