Tremembés

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Tremembés
Pormenor do mapa da costa do Ceará de 1629 (Albernaz I); em destaque, as terras dos tremembés.
População total

3 662 (Siasi/Sesai, 2014)[1]

Regiões com população significativa
Itarema, Itapipoca e Acaraú, no Ceará, no  Brasil
Línguas
língua portuguesa[2]
Religiões

Os tremembés são um povo étnico indígena que habita atualmente a área indígena Tremembé de Almofala (Itarema) e as terras indígenas São José e Buriti (Itapipoca), Córrego do João Pereira (Itarema e Acaraú) e Tremembé de Queimadas (Acaraú), no litoral do estado do Ceará, no Brasil.

Distribuição dos grupos indígenas no litoral do Brasil no século XVI.

A saga dos Tremembé[editar | editar código-fonte]

Os tremembés eram originalmente nômades não tupis que viviam num território que estendia-se do sul do Maranhão até o Rio Acaraú, no atual estado do Ceará[3]. Realizam por dois séculos trocas comerciais com muitos europeus que atracavam na costa brasileira a fim de manter controle sob o seu território. No século XVIII foram aldeados pelos Jesuítas nas missões de Tutoya (Tutóia-Maranhão), Aldeia do Cajueiro (Almofala) e Soure (Caucaia).[4][5].

Foram declarados como não existentes pelo então governador da Província do Ceará (José Bento da Cunha Figueiredo Júnior), após decreto de 1863. Antes disto, em 1854, os índios perderam o direito da terra pela regulamentação da Lei da Terra. Estes ressurgem no cenário cearense nas décadas de 1980 e 1990, quando são reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio.[6]

Arte e cultura[editar | editar código-fonte]

Arte tremembé

Os tremembés conseguiram reaprender um pouco da sua arte e cultura. Eles dançam o torém (uma dança tradicional Tremembé) e ainda produzem o mocororó (vinho de caju azedo fermentado).[7] Eles costumam pintar as paredes das suas habitações, das escolas diferenciadas e cerâmicas com motivos simbólicos do seu habitat, como: o caju, a rolinha, peixes, caranguejos e outros. As mulheres tremembés confeccionam biojoias, como colares e pulseiras com conchas, búzios e sementes e costumam vende-las no da 7 de Setembro, dia em que os Tremembés realizam a marcha Tremembé desde 2003.[8]

A tecelagem também é confeccionada por estes.

Mapa indicando a presença indígena contemporânea no Ceará. Fontes: Fundação Nacional do Índio e Fundação Nacional de Saúde.
Etnias indígenas com mais representantes no Leste-Nordeste do Brasil

Referências

  1. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/tremembe. Acesso em 15 de março de 2017.
  2. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/tremembe/1063. Acesso em 15 de março de 2017.
  3. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19.
  4. Galvão, R. Arte Tremembé. Fortaleza: SEBRAE-CE. 2005
  5. D‘ABBEVILLE, Cláudio. História da missão dos padre capuchinhos na Ilha do Maranhão [1614]. São Paulo: Siciliano, 2002.
  6. Revista Universidade Pública Ano III -N° 12. Fortaleza: UFC. Julho/Agosto 2002
  7. [1]
  8. BORGES, J. F.; Os Senhores das Dunas e os Adventícios d’além--mar: Primeiros contatos, tentativas de colonização e autonomia Tremembé na costa leste-oeste (SÉCULOS XVI e XVII). Tese (Doutorado em História). Universidade Federal Fluminense. Niterói. 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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