Mundurucus

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Munduruku
Maytapu
Cara Preta
Líder mundurucu no Amazonas
População total

11.630

Regiões com população significativa
 Brasil (Amazonas, Mato Grosso e Pará) 11.630 Funasa, 2010[1]
Línguas
Língua mundurucu
Religiões
Xamanismo
Etnia
Munduruku
Mundurucus em aquarela de 1828 de Hércules Florence

Os mundurukus, também chamados Weidyenye, Paiquize, Pari, Maytapu Caras-Pretas, são um grupo indígena que habita as áreas indígenas Cayabi, Munduruku, Munduruku II, Praia do Índio, Praia do Mangue e Sai-Cinza, no sudoeste do estado do Pará[2] ; as terras indígenas Coatá-Laranjal e São José do Cipó, no leste do estado do Amazonas e a Reserva Indígena Apiaká-Kayabi, no oeste do estado do Mato Grosso, no Brasil. Têm uma população de 11 630 (Fundação Nacional de Saúde, 2010[3] ) ou mais indivíduos, distribuídos em cerca de trinta aldeias. Falam a língua mundurucu, a qual pertence ao grupo linguístico macro-tupi.

Polêmica sobre o uso da terra[editar | editar código-fonte]

No início de 2012, a imprensa teve acesso a um contrato que representantes da tribo teriam firmado com uma empresa estrangeira, em que "os índios se comprometem a não plantar ou extrair madeira das terras nos 30 anos de duranção do acordo"[4] . Em troca, a empresa irlandesa Celestial Green Ventures, que se apresenta como líder no mercado mundial de créditos de carbono, pagaria 30 parcelas anuais de 4 000 000 de dólares estadunidenses de 2012 até 2041. O contrato teria sido assinado pelo presidente da Associação Indígena Pusuru, em desacordo com a vontade da maioria, segundo o vice-prefeito (índio) do município de Jacareacanga. Além da preservação da vegetação nativa, o contrato daria à empresa "a totalidade dos direitos sobre créditos de carbono e todos os direitos de créditos de certificados ou benefícios que se venha a obter por meio da biodiversidade dessa área"[4] . O que abriria uma brecha para a biopirataria.

A discussão exemplifica casos em que contratos firmados por indígenas incluem cláusulas abusivas e, de acordo com parecer da Advocacia-Geral da União[4] , devem sofrer intervenção direta da União - o que também é sintomático da insegurança jurídica desse tipo de contrato no Brasil.

Confronto com a polícia em julho de 2012[editar | editar código-fonte]

Em 3 de julho de 2012, índios da etnia mundurucu atacaram uma delegacia no município de Jacareacanga, no estado do Pará, em protesto pela morte do índio Lelo Akay e posterior liberação, pela polícia, dos suspeitos do crime[5] [6] [7] .

Língua[editar | editar código-fonte]

Os Mundurucus possuem um sistema numérico particular. Pierre Pica, juntamente com Stanislas Dehaene e Elizabeth Spelke desenvolveram um trabalho seminal com os Mundurucus, revelando as propriedades psicofísicas e linguísticas do sistema de contagem Mundurucu. Os Mundurucus só possuem palavras para números até cinco. Apesar disso, eles são capazes realizar diversas operações aritméticas de forma aproximada com acuidade similar a de indivíduos ocidentais que receberam educação formal em matemática. [8]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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